terça-feira, dezembro 30, 2003

Férias todo o ano.

Porque é que será que uma vez chegados ao balcão de um serviço público e se pedido que o funcionário faça um trabalho ligeiramente diferente do habitual mas ainda que sua obrigação, a resposta seja: “Ah! isso agora só para a semana.” Ou “pois isso não é aqui” ou então o mítico “ não sei se é possível mas vou ver”. Depois de insistir o cidadão lá consegue que um funcionário meio resfolgante lhe traga o pretendido.
A técnica é mostrar simpatia pelo frio que se faz sentir naquela repartição, ou pelas as diminutas férias dos funcionários. O ideal mesmo, é dizer mal do ministro que tutela aquela repartição, a forma perfeita é: “ …porque vocês é que estão aqui no terreno…”.
Será que ninguém veste a camisola por este País. Ou será que o mau atendimento é causado por em todas as repartições do País rádio estar sintonizado ligado na R F M.

sábado, dezembro 27, 2003

27

Sempre foste fixado no 27. Talvez porque nasceste num dia 27/12 (e 2+7 são 9, 1+2 são 3, e 3x9 dá, é um facto, 27). Talvez porque foste o 27 numa qualquer turma de liceu ou porque fizeste exame de condução no dia 27. Ou simplesmente porque, como nos ensinavam na primária, três-vez-nove-vintessete.

Hoje é um dia muito especial. É dia 27. Mais importante que isso, fazes 27 anos. Pergunto-me quantas vezes terás pensado nisso nos últimos dias…

Hoje é dia 27/12/2003, e se 2+7 são 9 e 1+2 são 3, como já vimos, 2+0+0+3 são 5. Ora 3x5 dá 15, e 1+5 são 6 e 6x9 dá 54. Sendo que 54 é o dobro de 27 e, portanto, a idade que farás de hoje a, precisamente, 27 anos. (Nesse dia voltaremos a falar sobre isto…) Mas tem outra particularidade, o 54. É que 5+4 são 9 e dentro do 9 há três 3. E 3x3x3, já todos percebemos quanto dá…

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Crise, que crise?

Este Natal de Cristo, foi marcado pela crise económica. As lojas estavam vazias, as pessoas andavam na rua com menos sacos; enfim este Natal, os Portugueses decidiram gastar menos. Esta foi a opinião publicada.

A minha experiência foi outra: este Natal, vi pessoas cheias de compras e as áreas comerciais cheias de movimento. As lojas dos antigos 300 escudos, agora de 1,5 Euros estavam cheias, no Sábado anterior ao Natal negociou-se como nunca na feira da Ladra em Lisboa, as filas para pagar na cadeia de supermercados Lidl estendiam-se até à zona dos queijos – que como sabe quem frequenta esta loja é no extremo oposto ás caixas - e nas lojas chinesas, onde era possível entrar por tantos serem os clientes, pagar era trabalho de Hércules.

Não compreendo por isso como é que se pode dizer que este Natal os Portugueses gastaram menos.

terça-feira, dezembro 23, 2003

Neva em Palermo

Diz o Repubblica.

Este país, com o seu maravilhoso clima "temperado", onde está um frio de rachar, não tem sequer a dignidade de nos oferecer um pouco de neve para o Natal...

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Agenda 2004

Percebi hoje que me esqueci, na semana passada, do aniversário de uma grande amiga.

Nota mental para 2004: comprar uma agenda.

Que grande CamarÃo!! Filho de uma grande lagosta!!

José Manuel Fernandes, na sua coluna de opinião, critica duramente o Primeiro Ministro de Portugal por este se ter deslocado ao casamento da filha do Presidente de Angola.

Porém, José Manuel Fernandes desconhece o verdadeiro objectivo desta visita a Luanda.

Durão barroso foi a Luanda buscar marisco, peças de caça, trufas, caviar e outras iguarias para ele próprio servir aos sem abrigo de Lisboa. Encontrar estes alimentos não é fácil, e no passado fim-de-semana, o único sítio do mundo onde se podiam encontrar era em Luanda.

É sabido que todos os anos o primeiro-ministro vai jantar com os sem abrigo de Lisboa. Antigamente na casa dos pobres e actualmente, por questões de espaço, nas cantinas universitárias.

Ora o primeiro, querendo que os sem-abrigo de Lisboa pudessem degustar o melhor, decidiu ele próprio ir buscar e provar os alimentos que traria para Portugal.

Esta missão patriótica encontrou uma dificuldade: um camarão carregadinho de salmonelas. O Primeiro ficou doente e mandou a mulher e o ministro da presidência jantar com os pobres de Lisboa.

Por isso, porque foi uma missão patriótica as críticas de José Manuel Fernandes não têm razão de ser.

Portugal mítico

O Portugal mítico vai passar o Natal à “terra”.

Na “terra”, onde só há o “bom vinho” o “bom azeite” e as “verduras apanhadas no momento”, estão as recordações de infância e as verdadeiras preocupações da semana de trabalho.
Da “terra” são as pessoas que se ajudam incondicionalmente, ou as com que logo se simpatiza: - “ Então, o amigo também é lá de cima, conheço muito bem aquela zona. ” - e zás, logo o requerimento entra sem espinhas, logo o jantar vem melhor servido ou logo se pode passar depois de fechar.

Da “terra” saiu-se um dia para a cidade para procurar emprego ou para casar. Para a “terra” se há-de voltar depois da reforma. Até esse dia, regressa-se o mais possível aos fins-de-semana e sempre no Natal.

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Correio dos leitores

Ora cá está primeira contribuição escrita dos leitores da Gabardina. Venham mais!

Caros (ga)bardinos,

Em primeiro lugar não posso deixar de vos felicitar pelo vosso blog. Gosto do
vosso sentido crítico, oportuno e coerente.

No entanto, e porque os vossos posts nem sempre estão isentos das vossas
ideias políticas, sinto o dever de comentar o seguinte post:

"Quais as diferenças entre a direita e a esquerda?
Para além, de todas as discussões que já mantive sobre o assunto, as
diferenças essenciais e tendenciais parecem ser:
a direita considera que o elemento irredutivel da sociedade é a familia, a
esquerda considera que é o individuo; a direita considera que o homem é um ser
essencialmente mau (homine lupus homini est), a esquerda acredita no bom
selvagem; a direita quer essencialmente a conservação do que existe, a
esquerda quer alterar o status quo.
E já está."

Entendo que:

1. Atribuir à esquerda a exclusividade da ideia de que o homem é bom, o que
legitima o sentimento de exclusividade no que respeita a tão nobre atitude (o
humanismo), é próprio de quem não quer mudar as coisas mas sim garantir monopólios.

2. A direita entende que o núcleo central é a família, dizem vocês. Devo
informar-vos que a maior aberração ao nível fiscal consiste no sistema de
tributação conjunta no IRS, que se materializa na aplicação do quociente
conjugal. Apenas alguns países europeus (julgo que apenas a França e o
Luxemburgo) têm este sistema que distorce a justiça e equidade do sistema
fiscal. Entende o estado que assim garante a manutenção da família como
unidade económica. Este sistema foi inventado pela esquerda…

3. "Já está" é uma expressão semelhante ao "ponto final" ou ao "é assim", etc.
bem diferente do "porque eu quero", uma vez que esta última reflecte a
verdadeira intenção do indivíduo: é sinal de liberdade! Ora, pelo que tenho
ouvido, o homem de esquerda tem vindo beber muita inspiração nas ditaduras
militares. Atrevo-me a dizer que já está e tá mal!

4. E porque nem só de crítica vive o homem, cito Marcelo Rebelo de Sousa que,
na qualidade de líder do PSD, disse um dia que a grande diferença entre a
direita a esquerda, é que a primeira via o cidadão como accionista do estado,
enquanto que a segunda via-o como cliente. Esse homem, entre a leitura de BD,
da proposta para o OGE e da emissão de um parecer jurídico, resumiu em poucas
palavras o nosso país guterrista: os rendimentos mínimos, os subsídios e toda
essa macacada que faz do homem um bom selvagem…

Saudações cordiais, porque abraços é para quem gosta de pessoas...
Daniel Taborda

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Ali para os lados do Marquês de Pombal, perto do sitio onde os executivos vão às putas, há uma pequena rua. Nessa rua, ou melhor na esquina dessa rua, está o comentador politico mais temido da actualidade. Não tem os fundamentos de Pacheco Pereira, não tem a brilhantina de Carrilho, não tem a parcialdade de Luis Delgado e nem sequer é a instituição de um Fernando Madrinha. Não... este homem usa saltos, tem duas mamocas e veste de cor de rosa. Chama-se Lola e é o decano da homosexualidade-travestismo-prostituição masculina da cidade de Lisboa. E este homem tem opinião que merece ser ouvida. Ora, ouçamos as suas revelações.

Sempre o Palma...

Se queres ver o mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar p'ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance tens de o encontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,
Ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente
Toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas
Ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração,
Se é que queres ir para lá morar

Ondas de civilização

Ao longe já se ouve a vaga de fundo da civilização a anunciar a descriminalização da I.V.G. Perto da praia os botes ancorados, cor de lodo e cheiro a mofo, vão presenciar os primeiros náufragos.

E a seguir virão as vagas das drogas leves.

quarta-feira, dezembro 17, 2003

Preocupa-me

ainda mais que os estudantes sejam paus-mandados em vez de mandarem na sua Academia.

Preocupa-me

muito que figuras como Fausto Correia e Jamila Madeira mandem na Associação Académica de Coimbra.

"Você Decide" - a resposta

A TSF responde em primeira mão ao post de ontem da Gabardina.

A Associação Académica de Coimbra (AAC) vai fazer um referendo sobre a realização da Queima das Fitas 2004.

Parece, portanto, que a resposta correcta era uma mistura das opções
2- Preparavam os discursos do novo Presidente da AAC;
e
4- Idealizavam um ataque bombista;

Esperamos que os estudantes decidam bem e compreendam que muitas vezes é necessário prescindir de algumas coisas a curto prazo para ganhar outras, mais importantes, no longo.

O sr. tv.

Ontem, a R.T.P apresentou um programa em que rendia mais uma homenagem a uma figura das suas fileiras: Henrique Mendes. Será que vai ter a decência de homenagear Carlos Cruz.

terça-feira, dezembro 16, 2003

Diz-me como beijas...

Carlos Cruz está com um sentido de humor apuradíssimo. O homem que é responsável pela organização do maior evento desportivo em Portugal avisa: “Cuidado ao beijar o menino Jesus …” . E tem razão.
Este Natal quando pelas serras e montes deste País, o senhor padre levar o menino Jesus para ser beijado pelas famílias católicas portuguesas será o momento indicado para identificar os pedófilos que vivem entre nós.
Para facilitar a identificação de tal criatura horrenda, preparei um pequeno manual capaz de identificar pedófilos apenas pela forma como beijam o Menino Jesus.
Assim:
O pedófilo fetichista: vai beijar os pés do menino
O pedófilo sádico vai beijar o menino e depois vai esboçar um sorriso.
O pedófilo onanista vai apenas passar a mão pelo corpo do menino.
O pedófilo compulsivo vai pegar no menino antes de o beijar.
O pedófilo masoquista vai morder o lábio antes de o beijar.

Creio que assim, munidos destes indícios claros, podemos todos consoar em paz e garantir, que se ao nosso lado estiver um pedófilo será de imediato denunciado à Felícia Cabrita, pois o M.P já arquivou muitas queixas.
E o padre que leva a casa das pessoas o menino, também deve ser denunciado? A resposta não é simples, mas era isso que Carlos Silvino fazia.

Você Decide

O que faziam, ontem à hora de jantar, Victor Hugo Salgado, Fausto Correia, Jamila Madeira e mais algumas figuras socialistas de Coimbra, no Hotel Tivoli desta cidade?
Hipóteses:
1- Discutiam os problemas dos portugueses;
2- Preparavam os discursos do novo Presidente da AAC;
3- Analisavam as vantagens fiscais das contas off-shore;
4- Idealizavam um ataque bombista;
5- Organizavam uma conferência científica.

segunda-feira, dezembro 15, 2003

Comentários

Os meus amigos, desde que descobriram quem escreve na Gabardina, passam o tempo a queixar-se de que o nosso blog não tem espaço para comentários.

Já o disse e deixo-o agora aqui escrito: mandem mails!!! Para gabardinablog@hotmail.com (desde sempre na barra lateral do blog). Nós prometemos ler e publicar o que for publicável!

Sousa Tavares, o arrogante

O José Mourinho (personagem futebolístico também conhecido por 40 bocas) do jornalismo português está cada vez mais arrogante e insuportável. É só ler as entrevistas que por aí andam. Se as pessoas são boas naquilo que fazem, óptimo, mas ser arrogante ao ponto de fazer os outros terem vontade de lhes bater, é um bocado demais...

Alerta!

Há pessoas a almoçar de pé.

Sou leitor assíduo da Classe média. Interessa-me aquele gotejar niilista.

O barbas

Primeiro disseram que o Iraque era um supermercado de bombas nucleares. Depois disseram que era um pântano de armas químicas capaz de lançar um ataque a qualquer capital Europeia em menos de 45 minutos. A seguir, mostraram uma rapariga de 19 anos que se tinha batido heroicamente em nome da liberdade. Não contentes mostraram o Presidente a jantar um belo e suculento peru.
Ontem, disseram que capturam o ditador.

Tenho para mim, que o homem que, qual equídeo, foi examinado à frente das câmaras, não é o verdadeiro ditador. Tenho para mim que o homem que apareceu ontem nas televisões de todo o mundo, vive ali para os lados da costa de Caparica , tem um restaurante e é um conhecido adepto do Benfica. Ontem, os americanos apresentaram ao mundo o Barbas, conhecido adepto do S.L.B.

Porquê? Essa foi a contribuição que o governo de Portugal decidiu dar às tropas Americanas. Vem tudo no documento secreto assinado na célebre conferência das Lajes.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

direita ou esquerda?

Quais as diferenças entre a direita e a esquerda?
Para além, de todas as discussões que já mantive sobre o assunto, as diferenças essenciais e tendenciais parecem ser:
a direita considera que o elemento irredutivel da sociedade é a familia, a esquerda considera que é o individuo; a direita considera que o homem é um ser essencialmente mau (homine lupus homini est), a esquerda acredita no bom selvagem; a direita quer essencialmente a conservação do que existe, a esquerda quer alterar o status quo.
E já está.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

Há vida em toda a parte ou crónicas de um monitor irritado

psst, Psst
Olá! Não, não olhes para os lados, sou eu mesmo. Aqui. Sim, pensavas que eu era só luz e cor. Olha que todos os dias à tua frente está um monitor que começa a ficar farto de ser ignorado. Farto! Estás a ouvir! e se eu me irritasse e me desligasse agora? Assim!...sem mais!... gostavas?... Hã..., diz lá, como é que era, se amanhã eu desse o berro. Assim, sem mais. Puf!!!. Foi-se o monitor. Era lindo não era?
Por isso respeitinho, sabes que te conheço muito bem. Nunca ninguém te vai olhar tanto nos olhos como eu te olho, por isso cautela. Pelas horas, dias, meses e anos que já passaste aqui à minha frente, consigo prever cada respirar teu.
Vá, e agora desliga-me que estou a ficar constipado com essa gripe que apanhaste no fim de semana.
Amanhã apresento as minhas reivindicações.

Alterações à Gabardina

Mais uma vez a Gabardina mudou um pouco de aspecto.
Tem novas cores e um novo espaço na coluna da direita. Para os blogs dos amigos, que também gosta de visitar frequentemente. O seu primeiro ocupante é o Forças de Blogueio. Malta bem informada nos meandros do desporto e sempre na primeira linha de defesa do Victor Baía. Já agora, rapazes, digam lá se sabem por que razão o Scolari nem pensa em convocar o Baía? A Gabardina ouviu dizer que o quando o Felipão chegou, o Baía lhe tentou explicar que já há algum tempo era ele que escolhia quem jogava na selecção, e que o brasileiro não terá gostado nada da conversa...

Questão I

Qual é o olhar que uma prostituta provoca nas mulheres que por ela passam?

Noticias da tarde

Em Gondomar, a G.N.R destacou 250 militares todos armados até aos dentes com caçadeiras, escudos e coletes ani-bala e sequestrou um bairro social. Revistaram durante 10 horas as casas, os jardins e os arredores. No final da operação, o responsável da policia, todo enfarpelado, disse que a operação fora um sucesso porque tinham detido 4 homens, apanhado uma arma de fogo e apreendido 4 viaturas. Da droga, razão que fundamentou este circo, apenas disse que tinha sido apanhado haxixe e heroína. Porque eram irrisórias, não referiu em que quantidades.

Em Loures a P.S.P disse a uma brigada de rua, para, em vez de fazerem o giro normal, estacionarem numa rotunda e fiscalizarem os carros que lhes parecessem suspeitos. Em duas horas, numa operação de rotina a P.S.P de Loures apanhou 4 condutores sem carta, 1 condutor com documentos falsificados, 7 condutores alcoolizados e ainda 5 viaturas procuradas pela polícia.

A P.S.P de Loures devia informar à G.N.R de Gondomar de que há mais droga à venda em garrafas nos cafés, do que escondida nos quintais dos bairros sociais de Gondomar.

Clap!tomaníaco

Estou tão de acordo com post do Luís Camilo Alves, que não me contento com o link.
Aqui ficam algumas partes:

Se o mundo acabasse amanhã à palmada, os portugueses eram o único povo que sobreviveria a um longo inverno apocalíptico. Portugal pode ficar em último lugar em todas as estatísticas e indicadores de desenvolvimento, mas é o primeiro em aplausos per capita.

(...)

O português, quando bate palmas, não está apenas a bater palmas. Está a também a aplaudir. E - pode-se hoje afirmar com alguma segurança -, à mínima oportunidade, aplaude tudo o que apanha pela frente. Quanto pior for o espectáculo, o livro, o filme, o telejornal, a asneira e o molho do bife, mais ele oscila generosamente os braços.

(...)

Morfologicamente, o palmípede tem músculos que ligam as palmas das mãos à coluna vertebral, ao crâneo e aos pés. Quando aplaude, todo ele se abana e sacode. Tomemos, a título de exemplo, uma anedota do Fernando Rocha: à primeira *#!*lhada, já está a menear a cabeça, para a frente e para trás, como fazem os pombos a andar. À segunda, debate-se contra a força gravitacional que o prende à cadeira. À terceira já é atracção de circo.

(...)

O problema do palmípede reside no facto de sovar as palmas das mãos, indiscriminadamente, a tudo o que mexa, sobretudo se medíocre. Paradoxalmente, acaba por se levar demasiado a sério. E isso eu não aplaudo.

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Os três amiguinhos...

Alguém chega a casa, entra no quarto e vê um micro-ondas queimado por dentro, com a mesa posta em cima da cama a utilizar os dois pinos da ficha eléctrica como garfo para comer um dicionário , uma biografia do Aquilino Ribeiro e um manual de direito administrativo.
Qual será o primeiro pensamento de alguém que passou o dia a preencher requerimentos para pedir apoio judiciário?
a) Será que me esqueci de deixar comida ao micro-ondas?
b) Será que os livros se estão a suicidar?
C) Será que me esqueci de me suicidar com a comida dos livros aquecida no micro-ondas?

terça-feira, dezembro 09, 2003

A Economia portuguesa continua em recessão


Diz o Público.

o bordel da bola

Entre a política e futebol é lugar comum dizer que existe uma certa promiscuidade.
Promiscuidade, porém não define o que na passada semana se passou algures no Porto. Uma série de dirigentes políticos locais reuniram-se à volta de uma mesa, chamaram a comunicação social, e cada um à vez, pedinchou ao presidente do F.C.P para se voltar a candidatar à presidência do clube. Um a um teceram um elogio ao presidente. Depois, em coro, e pelo diapasão da pedincha, os dirigentes políticos mendigaram mais uma candidatura.
Nessa tarde não houve promiscuidade entre futebol e politica, o que houve foi um autêntico bordel entre dois sectores de actividade que lavam as mãos, uma na outra com ganhos para ambos os lados.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

O corpo é que paga

Quando estudava tinha um namorado na terra.
Para seguir a carreira de modelo, decidiu ir para a cama com um fotógrafo.
Para entrar na Agência, envolveu-se com o irmão do dono.
Para sair na capa da revista da moda, enrolou-se com o editor.
Para ser directora da Agência, casou-se com o patrão.
Quando o marido a trocou por uma modelo mais nova, ficou só.
Quando morreu, o cangalheiro achou por bem dar-lhe mais uma alegria.
Depois de enterrada, foi comida uma última vez. Pelas larvas.

Instituto da Droga e da Toxicodependência.

Duas perguntas gostava de colocar aos decisores políticos que criaram aquele organismo.
Primeira: Porque é que se se considera que a toxicodependência é uma doença, se coloca um ex-policia a dirigir aquele instituto.
Segunda: Se os institutos públicos são organismos públicos que servem para defender da melhor maneira os interesses objecto de que se ocupam (assim, o instituto da juventude defende como melhor entende os interesses da juventude, o instituto das estradas zela pelos interesses das estradas, etc)…qual o sentido de criar um instituto para defender os interesses da droga.
Se o País quiser mudar alguma coisa neste assunto da droga, deve começar por criar o Instituto contra a droga e toxicodependência e nomear para seu director um médico.

quinta-feira, dezembro 04, 2003

A estudantada foi fácil de vergar...

Os estudantes tiveram oportunidade de ir até ao fim com a luta por uma educação universal, gratuita e de qualidade, para isso bastava terem sacrificado a festa. A sua festa era sacrificável, em nome desses princípios; mas não, já nenhum dos estudantes candidatos à Associação Académica de Coimbra quer o luto. E, desconfio, que o actual presidente, só o propôs porque sabia que não ia candidatar-se nas eleições e que por isso, não corria o risco de o ter de cumprir.
Mais uma vez a luta contra as propinas serviu muito mais os interesses dos dirigentes associativos que se querem promover à custa de manifestações com 10 000 estudantes, do que os princípios de uma educação de qualidade, gratuita e universal.
Hoje as manifestações não passam de rituais que os universitários acham que devem passar, para tentarem macaquear a geração anterior. È pena que os jovens universitários pensem que estão a imitar o Maio de 1969 e não compreendam se o quisessem fazer teriam de ser bastante mais radicais.
A justificação: quem precisa de justificação quando há Sagres a 50 cêntimos. Mas até pode ser que exista uma justificação, e até pode ser que a maioria dos que hoje frequentem o ensino universitário apenas gostem da ideia de usar uma fatiota preta e desfilar com os copos nas ruas das cidades. Tudo, claro, sem nunca pisar muito o risco.
A verdade, é que se o ensino universitário era antes do 25 de Abril frequentado por uma elite, hoje, isso não é mais assim. E isso é bom e isso é mau.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Ao Calinas

O Diário de Coimbra é uma instituição da Lusa Atenas. Um clássico da vida na cidade.
O velho “Calinas” sempre nos surpreendeu com as suas magníficas gralhas, que se tornaram sua imagem de marca.
Quem não se lembra de uma falta de luz na Rua Visconde da mesma, de um Festival de Fados com as vogais trocadas, ou de um doloroso “Ai está a Queima” na primeira página de uma edição de Maio?
Hoje voltou à carga. Em título que ocupa quase metade da capa, dá-nos conta do “despedismo” nos Bombeiros Voluntários de Coimbra.

Continua sempre assim, Calinas! Pelo que nos fazes rir, pelos bons momentos que nos fazes passar, pelas estórias que nos permites contar e por, apesar de tudo isso, nunca termos perdido as mensagens das tuas notícias, aqiu te deixamos a nossa homenagem!

Dia do Banco Alimentar sem Compras contra a Fome

A malta cosmo-moderno-anti-esta-globalização viveu no passado sábado um dos momentos mais difíceis da sua ainda curta convicção.

É que ao mesmo tempo que se esforçava por cumprir um “Dia sem Compras”, o Banco Alimentar contra a Fome fazia mais uma campanha nos supermercados do país.

O meu primeiro palpite foi que a malta, pouco propensa à decisão, se faria valer do velho ditado (japonês, se não me falha a memória), que postula “se vires alguém com fome, não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar”, para não pôr os pés no supermercado.

A verdade é que depois de ler esta notícia, percebi que ou a malta ainda é pouca, ou o apelo do consumo foi mais forte, ou reconheceu mais valor na iniciativa do Banco Alimentar que na do Dia sem Compras.

Eu, que passei o fim-de-semana todo numa aldeia sem supermercado, inclino-me para a segunda hipótese…

Real.. ou não...

- Ontem conheci um tipo muito simpático - diz uma amiga para a outra – estive a falar com ele a noite inteira.
- Deixa-me adivinhar, queria saltar-te à espinha?
- Não, por acaso não.
- Então, se não te queria comer, devia ser gay, não?
- Não, gay não era, sabes que os topo à distância.
- Se não te queria saltar para cima, se não era gay, então era casado e fiel, certo?
-Casado não era, e namorada também não tem, que isso eu pergunto sempre.
- Quer dizer o gajo esteve a falar contigo toda a noite, não te queria levar para a cama, não era gay, não tinha mulher nem namorada, e estava a falar a verdade? Então, se calhar também te achou simpática.
- Sim, deve ter sido isso. O pior é que eu queria que ele me saltasse à espinha, estou farta de comer gajas nas costas do meu marido.

sexta-feira, novembro 28, 2003

Estádio Olímpico China'2008



E nós convencidos de que temos estádios modernos...

O amor acontece

Ontem fui ao cinema ver “O Amor Acontece”.
A Lúcia Moniz faz de empregada doméstica, o que deixa Portugal bem representado. O mesmo não se pode dizer da populaça portuguesa que a acompanha quase no fim do filme. Tem imensa piada, os estrangeiros devem rir-se muito, mas é um bocadinho humilhante para quem tem passaporte lusitano…
À parte isto o filme é fraquinho. Salvam-se alguns momentos com piada e a banda sonora, de que sobressai esta canção da Joni Mitchell, que a Gabardina publicou há algumas semanas atrás.
Para fechar uma noite com piada, à saída do cinema, a amiga com quem fui brindou-me com a seguinte frase (e não tentem dar-lhe conotações sexuais, que o contexto era outro): “Se fosses um peixe, serias um mexilhão!”
Conclusões/conselhos: Vão ver Mystic River (ainda que já o tenham visto uma vez), e façam testes de QI a quem convidam para ir ao cinema.

quinta-feira, novembro 27, 2003

A primeira vez...

A beach generation tem a honra de apresentar o seu primeiro manifesto. Este manifesto foi devidamente discutido e analisado nas reuniões deste, ainda nascituro movimento. O primeiro manifesto consiste na aplicação do “CuT UP” inventado por William Burroughs a um texto bem conhecido de todos. Esta técnica consiste no corte de tiras de um texto e posterior mistura. O texto final tem um sentido diferente do inicial.
Porque tudo já foi inventado, e porque só há novidade no modo como se observa, eis o resultado:
Daqueles Reis que foram dilatando
As armas e os barões assinalados
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
E entre gente remota edificaram
A Fé, o Império, e as terras viciosas
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Cantando espalharei por toda parte,
Por mares nunca de antes navegados
E também as memórias gloriosas
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando:
Novo Reino, que tanto sublimaram;
Passaram ainda além da Taprobana
Mais do que prometia a força humana
De África e de Ásia andaram devastando,
E em perigos e guerras esforçados

A bandeira da GNR no Iraque



Jaguar? Eu? Não me lembro...

quarta-feira, novembro 26, 2003

E, fomos de vela…

Portugal vive de golpadas.
O país precisa de ter sempre um qualquer motivo, no curto prazo para se suportar e por isso, ciclicamente, surgue uma Expo98, um Euro 2004, ou uma American Cup.
Estes eventos de que Portugal ciclicamente necessita, verdadeiras injecções de adrenalina, têm sempre duas coisas em comum: construção civil em barda, e derrapagens orçamentais que mais parecem peões.
Desta vez, fomos de vela e se queremos ver a American Cup temos de ir a Valência, ou esperar que outro país sem mar ganhe a prova e decida atribuir-nos a organização da prova.

terça-feira, novembro 25, 2003

Homenagem

Quero fazer uma homenagem a todas as condições humanas e naturais que permitiram que hoje, um autocarro fosse comido pela estrada.
Assim para agradecer esse momento verdadeiramente surrealista, aqui fica um pastiche de um poema de Mário Henrique Leiria publicado nos "Novos Contos do Gin Tónico" e de nome "Rifão Quotidiano".

Trambolhão do Americano

Um autocarro
estava parado
deitado
muito calado
a ver
o que acontecia

chegou a estrada
e disse
olha um autocarro
e zás comeu-o

é o que acontece
aos autocarros
que ficam parados
calados
a esperar
o que acontece

anti-feministas (parte II) - cosmo-moderno-feministas

continuação

Como disse na parte I deste post, tinha algumas dificuldades em classificar o referido grupo das anti-feministas. Passei anos descontente (apesar de tentar fazer a vida negra às que conheço) com as expressões “sapatona” e “moderna”. Isto até que há uns dias encontrei, nas primeiras páginas de um livro que estou a ler, passado em 2045 (O Memorando de Aachen), uma expressão que me parece perfeita para definir o tal grupo: cosmo-moderno-feminista (cmf).

Por quê cmf? Passo a explicar:

Moderno, porque estas raparigas fazem tudo para estar na moda. Na moda do seu grupo, claro, mas não deixa de ser uma moda. Ouvem todas a mesma música (Manu Chao e afins, desde que com capa de cartão), vêem todas os mesmos filmes (aqueles que só elas e os críticos de cinema do Público fingem perceber), gostam sempre de todas as peças de teatro. E moderno porque, no outro sentido de moda, gostam de coisas passageiras (o exemplo clássico foram as paixões musicais por The Gift e Belle Chase Hotel. Quem é que ainda se lembra?).

Cosmo, de cosmopolita. É o que se esforçam por ser, à sua maneira, claro. Para elas, saber o máximo possível sobre os muçulmanos neste momento, é o mais cosmopolita possível. Claro que os americanos, os japoneses, os chineses e mesmo os europeus que se lixem. Não interessam nada…

Feministas, pelo que já expliquei. Dão a cara como defensoras das mulheres. Não para as defenderem, na verdade, mas para que cada vez mais sejam como elas, o que dá normalidade ao seu estilo de vida. E sobretudo, porque essa posição pública lhes dá protagonismo (pelo menos porque passam a vida a citar-se mutuamente).

Neste momento, pensa quem lê: mas se elas não são modernas (porque apesar de tudo são iguais a uma pequena minoria), não são cosmopolitas (porque têm uma visão apertadíssima do mundo) e são anti-feministas, por que é que se diz que a expressão cosmo-moderno-feminista é perfeita para as definir?
Precisamente por isso! O que define melhor alguém que passa os dias a tentar provar ao mundo que é algo que não é, que vive num mundo de falsidade? Uma expressão que define aquilo que ela não é, mas se esforça ao máximo para ser.
É perfeito.
COSMO-MODERNO-FEMINISTAS.
É isso que elas são.

A estrada que mordeu o autocarro

Esta é uma conversa que escutei num cruzamento de uma cidade. Uma estrada para outra:
- Bom dia!
- Bom dia! Então, já tomaste o pequeno-almoço?
- Ainda não, sabes, estou em obras há muito tempo, e não tenho tido buracos para me alimentar dos pneus, e das suspensões dos carros que passam.
- Não sejas maluca, sabes perfeitamente que faz mal passar muito tempo sem comer. Vê lá se comes alguma, coisa antes de ires trabalhar.
- Agora, que dizes isso, até me está a dar uma fomeca. Olha, vou ver se petisco este autocarro que aqui está em cima parado. Queres um pedaço?
- Não obrigado. Que tal te está a saber o autocarro?

anti-feministas (parte I)

Há um grupo de mulheres facilmente identificável e em forte crescimento nas sociedades ocidentais.
À primeira vista a tentação é chamar-lhes feministas (Eu, ao longo dos últimos anos tenho oscilado entre chamar-lhes “modernas” ou “sapatonas”). Nada de mais errado poderíamos fazer. A defesa das mulheres, da igualdade de direitos entre homens e mulheres, não pode ser confundida com a igualdade absoluta entre os dois géneros. Nos primeiros tempos da espécie humana, antes dos preconceitos, os dois nasceram iguais em direitos, mas não quiseram igualdade absoluta. Não é assim naturalmente.
Como podemos então identificar o grupo? Talvez o mais fácil seja elencar as características comuns das mulheres que o compõem (quando se escrever são/gostam/querem/…, leia-se “são/gostam/querem/… na sua esmagadora maioria”):
1.São de esquerda;
2.Gostam de Manu Chao e de música brasileira da menos conhecida;
3.São feias;
4.Gostam de não fazer regularmente a depilação e de não tomar banho todos os dias;
5.Odeiam mulheres bonitas, especialmente se tiverem sucesso;
6.Odeiam tarefas domésticas (com excepção de cozinhar, que é in);
7.Fazem qualquer coisa para subir na carreira (mesmo – ou especialmente - dormir com elementos mais importantes da mesma organização);
8.Têm um enorme fascínio por lésbicas e fanchonos;
9.Adoram minorias sociais e culturais (neste momento estão particularmente hip os muçulmanos – provavelmente por causa do 11 de Setembro);
10.São ricas, passam férias no estrangeiro (em hotéis de 5 estrelas, se for no 3.º mundo) e conduzem carros comprados e sustentados pelos papás;
11.Odeiam os Estados Unidos (mas não perdem uma oportunidade de lá ir passar férias e fazer compras);
12.São poligâmicas (porque rejeitam termos como meretriz e seus sinónimos);
13.Unem-se em lobby a propósito de tudo e mais alguma coisa e têm como objectivo final que todas as mulheres sigam o seu exemplo (na prática, que deixem de existir mulheres, tal como o género foi criado).

O que me perturba não é o que elas são ou fazem (citando um grande amigo, sou sempre pela liberdade!). É o facto de tentarem convencer outras a sê-lo e de, em pouco tempo, terem adquirido um poder considerável.
Acho que o mais correcto é chamar-lhes anti-feministas. Mas um novo dado me surgiu nos últimos dias. E é esse dado que em breve partilharei convosco.

continua

segunda-feira, novembro 24, 2003

Luta com o luto.

A luta conta as propinas está a entrar num estado pré-comatoso. Não há unidade na contestação, pois cada universidade assume posições isoladas lançando os poucos estudantes que aderem no deserto da desmotivação. É necessário que a contestação assuma outra dimensão. È necessário adicionar às greves e aos cadeados uma nota de ética irrefutável.
È necessário que os estudantes, e digo especialmente os de Coimbra, decidam decretar o Luto Académico. Só assim poderão demonstrar à opinião pública que a luta contra a lei de financiamento do ensino superior não é só um desvairo de juventude, como muitos dos responsáveis políticos e na verdade muitos estudantes a vêem. O luto académico surge como a prova de fogo dos que contestam esta lei.
Abdicar da queima das fitas, hoje é condição para que ela exista no futuro

Alívio

É um alívio encontrar escrito o que há muito pensamos e ainda não conseguimos traduzir em palavras.
Foi isso que me aconteceu com este texto do Classe Média:

Desistência
Duas pessoas desrespeitam-se, violentam-se, tornam-se opacas. Numa última homenagem aos anos passados ao lado uma da outra, recusam-se por turnos a assumir a responsabilidade por declarar a falência do amor. Os amigos interrogam-se sobre qual das duas terão de apanhar do chão primeiro.


Não há nada melhor que estar rodeado de amigos e nada pior que sentir os inimigos por perto...
Obrigado aos primeiros.

blog com metro e meio, glass, off shore, sem crowd...

Para os que, a primeira coisa que fazem depois ligarem o pc é ir ver como é que está o mar, eis o blog perfeito : ondas.
Para ir para este pico basta remar pelo canal à direita e dropar o link : ondas. Para além dos textos, existem belas fotografias que talvez ajudem a compreender qual é a razão que leva pessoas a acordar às 7:30 da manhã de um dia qualquer de Dezembro sem sol e com um frio dos diabos, sair de casa, a vestir um fato de neoprene e a entrar no mar.

Expresso plagia Gabardina. Ou não?

Suspeito que alguém no Expresso está muito atento à Gabardina.
Há muito que tenho por lema de vida não acreditar na coincidência. Por isso, há algumas semanas atrás fiquei muito espantado quando encontrei na rubrica Gente, da revista Única (que tem estilo de blog), um texto sobre um tema de que a Gabardina já tinha falado e, incrivelmente, com o mesmo título: Bíblia pop.
Nessa altura, limitei-me a considerar remota a possibilidade de a ideia ter sido copiada, e a achar piada à situação.
Ontem, ao ler a mesma revista encontrei um texto sobre tradutores automáticos on line. A Única fazia experiências com textos do Expresso, que citava depois de traduzidos, e considerava o resultado “hilariante”. Ora leiam este texto da Gabardina do passado dia 7 de Novembro.

A Gabardina confessa-se um bocadinho orgulhosa por este “plágio”. E disponibiliza-se, desde já, para assegurar uma coluna semanal na Única a troco de um pagamento, mais ou menos simbólico, por parte do Expresso. O nosso mail está na coluna da direita. Ficamos à espera de um contacto!

sexta-feira, novembro 21, 2003

O padre da Sé Velha sai à noite e quer pagar impostos.

Algo está a mudar na Igreja Portuguesa. O pároco da Sé Velha, João Evangelista, afirmou ao jornal público, sobre os estudantes de Coimbra que ?os meninos que dizem "não pagamos" passam a vida nos bares de Alta".
Como é que ele sabe? O padre de Coimbra, só pode fazer uma afirmação destas, se também ele passar a vida nos bares da Alta, porque se o não fizer, não pode, sem desrespeitar os princípios cristãos, afirmá-lo. Como estou certo, que o Padre tem um respeito extremoso pelos valores cristãos, só o posso congratular pelas noitadas bem passadas. Esta é a primeira mudança que observo na Igreja Portuguesa: a noite como palco de trabalho pastoral.

A segunda é bem mais importante e refere-se as afirmações que o mesmo prelado fez: "Se eles não pagam, porque é que a gente há-de pagar?". Mas quem é a "gente" E pagar como? O senhor padre quer dizer que se os estudantes não querem pagar propinas, então, porque é que o resto da população as há-de pagar através dos impostos. E aqui está a segunda novidade que o senhor padre parece anunciar: a igreja quer pagar impostos. Deve ser isso. Porque só pode fazer uma afirmação destas, quem paga impostos. Certo? Mas toda a gente sabe que decorre directamente da Concordata assinada entre o estado Português e Igreja de Roma a isenção de impostos. Vamos à letra da concordata.


Artigo 8º
São isentos de qualquer imposto ou contribuição, geral ou local, os templos e objectos nele contidos, os seminários ou quaisquer estabelecimentos destinados à formação do clero, e bem assim os editais e avisos afixados à porta das igrejas, relativos ao ministério sagrado; de igual isenção gozam os eclesiásticos pelo exercício do seu múnus espiritual.
Os bens e entidades eclesiásticos, não compreendidos na alínea precedente, não poderão ser onerados com impostos ou contribuições especiais.


Assim só se pode compreender as afirmações daquele Padre como um indício de que algo está a mudar na Igreja Portuguesa. E que mudanças positivas! Digo eu?

quinta-feira, novembro 20, 2003

Extrema esquerda

Estes rapazes catalogam a Gabardina como “Extrema Esquerda”.
Não que isso nos preocupe… Mas talvez seja injusto tendo em conta que ainda há dez dias publicámos um post intitulado Anti-extremista
Estamos sempre a aprender coisas, até sobre nós próprios…

Um aviso à coligação?

As ruas de chuto.

A ministra da justiça tem toda razão em não querer salas de chuto nas prisões. Quem comete um crime deve, não só ser preso, como também ser contagiado com hepatite e sida.
Quem quer uma sala quando em Portugal há ruas. Qual o interesse em ter salas de chuto quando em Portugal existem ruas de chuto. Pois é, da próxima vez que a senhora ministra for ao banco de Portugal em Lisboa, depois de estacionar o seu carro no parque de estacionamento do banco, experimente, em vez de subir pelo elevador interior, dar a volta pelo Regueirão dos Anjos.
Demore-se no pequeno passeio. Observe os papéis de jornal no chão cheios de sangue e expectoração verde de tuberculose multi-resistente. Conte as seringas e as agulhas e as vezes que são utilizadas por pessoas diferentes. Suba, suba as escadas que ligam o Regueirão à rua dos Anjos. E sinta, sinta o cheiro. Percorra demoradamente as feridas que alguns tóxicos têm nos braços, pernas e pescoço. E descubra, descubra por si, onde é que um homem se injecta depois de deixar de ter veias nas pernas, nos braços e no pescoço. E vá lá no Verão com 43º. E vá lá no Inverno com chuva. E vá lá e reconheça uma cara.
A seguir, siga o seu caminho para a recepção no Banco de Portugal e tenha a coragem de dizer que não quer salas de chuto.
Num Pais em que a cocaína dá à costa, num País em que o haxixe vem nas malhas dos pescadores o primeiro passo para se lutar contra o flagelo de algumas drogas (sim, porque o álcool patrocina a selecção nacional) é assumir que elas existem.

quarta-feira, novembro 19, 2003

"Arbeit macht Frei"

Esta expressão está escrita à entrada de um dos maiores campos de concentração da Polónia: Auschwitz – Birkenau ou Oswiecim em Polaco.
O facto de alguém se lembrar de pôr à entrada de um campo de extermínio a expressão: “ o trabalho liberta” sempre me fez perguntar a quem é que essa expressão se dirigia.
Pensar numa actividade como “apenas trabalho” liberta-a de qualquer dimensão ética que esta possa ter. Assim, todas as práticas são possíveis, desde que sejam integradas na categoria de trabalho. Neste sentido, aquela expressão, era muito mais dirigida aos funcionários nazis que no dia-a-dia operavam a máquina assassina, do que aos judeus, ciganos e polacos, pois esses, por mais que trabalhassem, nunca iram sobreviver à incineração.
Hoje, embora com consequências diferentes, também não é difícil reconhecer que a expressão “é trabalho”, como que anula qualquer avaliação ética da acção que se pratica. Quando alguém integra determinada actividade da sua vida na categoria de trabalho, como que se distancia de tal forma da sua prática que lhe retira qualquer peso ético. A expressão muito comum “isto é o meu trabalho” como que neutraliza qualquer carga valorativa que a actividade possa ter. O exemplos são mais que muitos, mas para ilustrar esta conclusão deixo ao leitor a procura de uma situação concreta em que embora não concordasse com certa prática a executou “só” por ser trabalho, e por isso mesmo, ficou com a consciência tranquila.
Assim, a integração de certa actividade na categoria de trabalho, liberta da culpa que se sente quando essa actividade ofende a ética de quem pratica.

terça-feira, novembro 18, 2003

Outono- Inverno 2003/2004

A Gabardina mudou, uma vez mais, de pano.
Eram muitos os que se queixavam de que, quando a abriam, não conseguiam espreitar para tudo o que lá estava dentro. Por isso, porque estávamos fartos do subtítulo sem acentos e porque é bom mudar, arranjámos uma Gabardina renovada.
Esperamos que gostem!

O que queria Joaquim Loureiro?

“A juventude está perdida” disseram os carrascos de Sócrates. O primeiro mártir da filosofia ocidentalque foi aliás assassinado por tentar corromper a juventude.
Este exemplo serve para pôr em perspectiva todas as afirmações das gerações mais velhas sobre a juventude e sobre os seus comportamentos. Vem isto a propósito de um artigo publicado nas páginas do público em que Joaquim Loureiro afirma que o modo escolhido pelos estudantes de Coimbra (fechar a cadeado as portas da universidade) para contestarem as propinas é um “índice de menoridade cultural e ideológica.”
Do meu ponto de vista, o erro de Joaquim Loureiro, é utilizar o termo menoridade, pois ele pressupõe uma bitola apenas sugerida: a geração de estudantes que esteve na vanguarda do 25 de Abril. Ora, se é correcta a presunção de que se estão a comparar duas gerações, o argumento de fundo do articulista é: a minha geração é melhor que a tua. E este, é o argumento mais antigo de sempre.
O que me parece escapar a Joaquim Loureiro, é que não se trata de comparar duas gerações e saber quem daqui a 200 anos é que teve razão; do que se trata é perceber que a geração que nasceu depois do 25 de Abril é diferente da geração que lutou contra o fascismo. È diferente culturalmente e ideologicamente e não menor culturalmente e ideologicamente.
Esta geração a que chamaram rasca e a que chamo The Beach Generation, o mais radical que alguma vez fará vai ser umas greves e manifestações. Porque a verdade, é que se a geração do articulista fez uma revolução no País, a geração actual nem as propinas consegue derrotar.

segunda-feira, novembro 17, 2003

Questa nave fa duemila nodi

Um dos blogs portugueses mais “atentos” é o Mar Salgado. Os velhos lobos-do-mar têm link no forro direito da Gabardina, o que indica que são sua leitura diária. E não há dia em que, após a entrada na Nau Coimbrã (paragens por onde, como já terão compreendido os leitores mais assíduos, a Gabardina também se abre), um dos marinheiros não use a ligação do seu sitemeter para espreitar cá para dentro.

Assim sendo, a Gabardina decide oferecer aos homens ancorados entre a Ponte de Santa Clara e os destroços Ponte Europa um dos mais belos poemas do melhor cantautor italiano, Francesco de Gregori.

Chama-se I muscoli del capitano, e é a "cara" deles:

Guarda i muscoli del capitano
tutti di plastica e di metano
guardalo nella notte che viene
quanto sangue nelle vene.
Il Capitano non tiene mai paura
dritto sul cassero fuma la pipa
in questa alba fresca e scura
che rassomiglia un po' alla vita.
E poi il Capitano se vuole
si leva l'ancora dai pantaloni e la getta nelle onde
e chiama forte quando vuole qualcuno
c'è sempre uno che gli risponde.
"Capitano non te lo volevo dire
ma in mezzo al mare c'è una Donna Bianca
così enorme alla luce delle stelle
così bella che di guardarla uno non si stanca".
Questa nave fa duemila nodi
in mezzo ai ghiacci Tropicali
ed ha un motore di un milione di cavalli
che al posto degli zoccoli hanno le ali.
La nave è fulmine torpedine miccia
scintillante bellezza fosforo e fantasia
molecole d'acciaio pistone rabbia
guerra lampo e poesia.
In questa notte elettrica e veloce
in questa croce di novecento
il futuro è una palla di cannone accesa
e noi la stiamo quasi raggiungendo.
E il Capitano dice al mozzo di bordo
"Signor mozzo io non vedo niente
c'è solo un po' di nebbia che annuncia il sole
andiamo avanti tranquillamente".

Era um bilhete e uns caracóis, se faz favor.

Este Portugal tem contradições deliciosas. Certas contradições são assim como certos petiscos. São acres como uma salada de polvo, saborosas como pão de alho e ás vezes cretinas como cogumelos aporcalhados. A contradição que se segue será servida num pires de salada algarvia.
Qualquer português normal se quiser viajar de Lisboa para o Porto tem de pagar. Tem de pagar a gasolina ou o bilhete de camioneta ou de comboio. Se viajar de comboio o Português normal tem duas hipóteses, ou vai em primeira classe ou em segunda. Se for em primeira, pagará mais que se for em segunda. Assim, podemos concluir sem dificuldade, que as pessoas que viajam em primeira classe no Alfa pagaram mais que as que viajam em segunda? Certo? Errado.
A maioria dos passageiros que viaja em primeira classe no alfa não pagou bilhete. Os bilhetes de primeira classe não se compram, levantam-se. Isso mesmo. Chega-se à bilheteira da C.P. e apresenta-se uma guia de marcha passada por algum serviço do estado. E não são poucos os organismos do estado que facultam aos seus mais altos funcionários estas guias de marcha que permitem andar de borla de comboio. Eles são juízes, policias e quadros superiores dos vários ministérios.
- Era um palito se faz favor!

Domingo à tarde

Não há nada potencialmente mais deprimente que uma tarde de domingo. A perspectiva do regresso à rotina e aos problemas de segunda-a-sexta; a angústia da última porção de tempo livre que temos a obrigação de aproveitar ao máximo; o escurecer do fim da tarde que não nos permite esquecer o facto por um minuto que seja. Tudo é sádico numa tarde de domingo.

O tema tem-se tornado cada vez mais presente entre as pessoas à minha volta. Ainda ontem o discuti com um amigo que encontrei, por acaso, na rua. E acho que a solução é vencer a angústia. É fazer de cada tarde de domingo um momento especial e divertido. A fazer desporto, a ver um bom filme, a dar um passeio diferente ou a lanchar chocolate quente e croissants com os amigos, é preciso imaginar uma tarde de domingo feliz.

sexta-feira, novembro 14, 2003

ira que...

Ira que mata
ira que destrói
ira que consome
ira que incomoda presidentes americanos
ira que vence guerras cirúrgicas
ira que é vietman, mas pior
ira que é guerrilha
ira que é pior que vietnam
ira que vence o melhor exercito

quinta-feira, novembro 13, 2003

Ira que se serve nas cidades...

O que se vai passar no Iraque nos próximos meses vai ser o servir da Ira que os povos que nada têm a perder desenvolveram contra a ordem mundial e que os E.U.A inevitavelmente personificam. Esta vai ser servida nas casas, nas ruas e nas esquinas das cidades iraquianas. O prato: guerrilha urbana. A cozinha francesa das guerrilhas.
Até agora o festim de violência tem sido servido em pequenas porções diárias. Pequenas bombas e bombas de berma de estrada. São os soldados que num pequeno passeio sem a honra de um campo de batalha, ficam estropiados para a vida por uma bomba feita com gasolina e pregos por um puto de 8 anos.
E assim o maior exercito do mundo vai sendo cozinhado neste lume brandíssimo.

quarta-feira, novembro 12, 2003

Jornaliiiiismo! Jornaliiiiiiiismo! Onde estáááás?

Começa a ser hilariante tentar perceber até onde irão chegar os "jornalistas".

Leiam esta bela peça da Bola on line:

Ronaldo, uma das figuras salientes do Real Madrid, está a divorciar-se da sua mulher Milene Domingues. A notícia foi hoje confirmada no Rio de Janeiro pelo porta-voz do «internacional» brasileiro, Rodrigo Paiva.


«As relações entre o casal deterioraram-se bastante nos últimos tempos e o divórcio, inevitável, está já a decorrer», avançou Paiva acrescentando que embora vivam debaixo do mesmo tecto e partilhem a mesma cama «não existem relações entre marido e mulher».


E já agora, vejam a foto que o "jornalista" escolheu para acompanhar a notícia:



Que lata...

Tristeza, nojo e revolta

O que é que se passa na cabeça deste país para que isto seja possível?

terça-feira, novembro 11, 2003

Licença para matar

Hoje de manhã ouvi um pouco do Fórum TSF. Pelo que percebi (não ouvi o início) o tema proposto era: “A polícia portuguesa tem equipamento suficiente?”

As intervenções que ouvi… Meu Deus… Como é que nos podemos sentir seguros num país em que os polícias são de uma ignorância atroz?
Os argumentos dos senhores guardas e agentes que telefonavam eram sempre os mesmos:
Se nós matamos um criminoso (presunção de inocência? Quééé????) toda a gente faz um escândalo, por isso não nos sentimos à vontade para disparar contra eles. E isto é muito grave! Bom era se toda a gente soubesse que nós temos licença para atirar à vontade! Só assim teremos condições para combater a criminalidade!!!
E todas as intervenções iam sendo neste sentido: Queremos licença para atirar à vontade!

A Gabardina propõe: senhores guardas, senhores agentes, continuem a inventar multas de trânsito, que nós continuaremos a tentar fugir e a pagar quando tiver que ser.
E não se preocupem, os portugueses já têm medo de vocês!

Há mais vida para além da lei...

Os estudantes violaram a lei ao fecharem a cadeado a Porta Férrea; os estudantes suprimiram a ordem do estado democrático na antiga rua Larga, foi com estes comentários que algumas pessoas criticaram, em nome da lei, os protestos dos estudantes.
Em nome da lei e do estado democrático, os que durante as crises académicas de 1969 andavam a bater em Pides e a ensaboar escadas monumentais para derrubar os cavalos da G.N.R vêm agora dizer que os estudantes não têm o direito de fazer, nem sequer o mesmo, mas algo, muito menos agressivo. Aqueles que combatiam a lei, antes do 25 de Abril, e que por esse facto fizeram cair o regime fascista, devem, ou pelo deviam, aceitar, que os estudantes não concordem com esta lei das propinas e que por isso estejam dispostos a combatê-la.
A verdade, é que a geração que hoje está no poder em Portugal, não aceita que possam surgir mudanças como aquela que eles próprios organizaram e que de tanto se orgulham.
A lei não é nenhum imperativo categórico e se se pode impor ao corpo pela policia, não se pode impor ao espírito sem que dela emane Justiça. Por isso, é que a tortura do sono era legal mas todos a sentiam injusta.

segunda-feira, novembro 10, 2003

Máxima Possivel III

Quem vos elogia vosso senhor será.

Anti-extremista

O extremismo e o fanatismo são fenómenos que sempre me preocuparam. Sempre acreditei e continuo a acreditar que são responsáveis por muitos dos males do mundo.

Em Portugal há sinais, que me parecem muito preocupantes, de uma crescente tolerância para com determinado tipo de extremismo político e ideológico. Talvez seja culpa dos seis anos que passámos com um governo da 3.ª via, que não decidia, não fazia, não deixava fazer nem queria que se fizesse.

Este fim-de-semana passaram nas televisões dois desses sinais: a intolerância geral face aos protestos dos estudantes e a manifestação dos “amigos de Olivença”.

No primeiro caso estamos perante uma luta cuja justeza não vou, neste momento, discutir. O que digo é que os estudantes têm o direito de se manifestarem por aquilo que julgam justo e que é normal que jovens de 18 ou 20 anos ultrapassem alguns limites. Cabe à sociedade, quanto muito, explicar-lhes isso. Nunca ser completamente intolerante para com eles. Até porque eles têm muito a acrescentar a este país, em muitos aspectos.

No segundo a questão é completamente oposta. Os “amigos de Olivença” têm igual direito de se manifestar. Mas é estranho que um grupo de extremistas patéticos que se manifesta à porta de uma cimeira ibérica seja notícia e não receba sinais de desacordo por parte do resto do país…

Esperemos que estes sintomas de extremismo passem depressa, porque já temos problemas a mais no país.

Nova descoberta

A Gabardina descobriu, ao fim de vários meses de insucessos, como pôr fotografias no blog.
Só para celebrar o facto, oferece aos seus leitores a Natalie Imbruglia.
Esperamos que gostem!


sexta-feira, novembro 07, 2003

O velho e o novo.

O velho Portugal vai querer saber como é que o comerciante Castelo Branco passou a noite nos calabouços do T.I.C que tresandam a vomitado dos drogados que aí todos os dias ressacam.
O novo Portugal vai quer saber quem compra as jóias, com é que as paga, quando é que as paga e com dinheiro vindo de onde é que as paga.

O Anti-Português

Há um gozo mesquinho que parece atravessar o País com a detenção de um tal de Castelo Branco. O País, ou pelo menos, algum País, sente esta prisão como uma vingança doce sobre alguém que se afirmava de alguma forma superior.
Achava-se superior, se calhar pelas razões erradas, porque tinha dinheiro, jóias e queria pensões para pôr a dormir os motoristas. Este personagem interessa-me, não pela dimensão ética mas pela sua dimensão estética. Eticamente não é diferente de quase ninguém: faz negócios e quando pode, não passa factura. Foi o que aconteceu no aeroporto. A sua diferença é estética e está na forma como se apresenta ao mundo. È desabrido, é exuberante é efeminado é a antítese do português mítico.
Em Portugal há uma vergonha bacoca em de mostrar o que se é ou o que se tem. Há uma espécie de véu negro que cobre as caras diferentes dos Portugueses e os uniformiza em tristeza e pudor. Mas são essas mesmas caras, escondidas por detrás desse véu que desejam ardentemente ver a vida deste personagem, desejam saber os seus tiques sórdidos e as suas taras íntimas, para depois nos cafés e com os amigos dizerem o quão excêntrico ele é, e quão normais eles são.
Essa personagem afronta o Portugal velho e moralista e isso é óptimo.

Cospe ou swallow?

Alguém entrou na Gabardina através deste link, que, ao que percebo, é um tradutor automático do Google.
O resultado é hilariante. Deixo-vos só o exemplo de um post recente, traduzido automaticamente:

Looks at, forgives the girl cospe or swallows?
This is a question that can give beginning or to a small colloquy or a long friendship.
I suggest that this true?desbloqueador of colloquy? either soon applied after the presentation of somebody. Thus, then to follow to the two kisses, or the formal squeeze of hand, it must be asked, if the person cospe or swallows. Without more, thus, of chofre, without roundups, fears and hesitations, with the certainty and property of who it knows that it is to announce new ethics.
This is a question, that if it sends for one definitive context, then exceeds it and if it extends for all practical of the life the human being. Because in the truth, all the question of the Man left of being the definition of Good and Badly, to start to be a question to swallow or to cuspir. Cuspir or to swallow? here it is the question. It will be nobler to suffer the horrible destination to swallow, or catching in weapons to cuspir against the seas of tormentosos, and thus to finish them?
Today, this is the ethical question that if raises: to swallow or to cuspir?

Há dias em que nos sentimos um pouco George

Aproveitando a citação do Solar da Rainha, deixo uma frase do George Costanza, do Seinfeld:

"Every decision I have ever made in my entire life, has been wrong. My life is the complete opposite of everything I wanted to be. Every instinct I have, in every aspect of life, is it something to wear, something to eat, it’s all been wrong"

Como eu te compreendo, George...

quinta-feira, novembro 06, 2003

Orçamento

Temos orçamento aprovado!
Por que será que o país não está entusiasmado?

Olhe, desculpe a menina cospe ou engole?

Esta é uma pergunta que pode dar inicio ou a uma pequena conversa ou a uma longa amizade.
Sugiro que este verdadeiro “desbloqueador de conversa” seja aplicado logo após a apresentação de alguém. Assim, logo a seguir aos dois beijos, ou ao formal aperto de mão, deve perguntar-se, se a pessoa cospe ou engole. Sem mais, assim, de chofre, sem rodeios, sem medos e sem hesitações, com a certeza e propriedade de quem sabe que está a anunciar uma nova ética.
Esta é uma pergunta, que se remete para um determinado contexto, logo o ultrapassa e se estende para todas as práticas da vida humana. Porque na verdade, toda a questão do Homem deixou de ser a definição de Bem e Mal, para passar a ser uma questão de engolir ou cuspir. Cuspir ou engolir? eis a questão. Será mais nobre sofrer o destino horrível de engolir, ou pegando em armas cuspir contra os mares de tormentosos, e assim terminá-los?
Hoje, esta é a questão ética que se levanta: engolir ou cuspir?

quarta-feira, novembro 05, 2003

"isto precisava é de outro Salazar"

Quem anda de transportes públicos é por vezes confrontado com um comentário muito comum neste Portugal. -“Hoje em dia já não há respeito por nada. Com o Salazar pelo menos havia respeito!”
Devo dizer que nunca soube muito bem como rebater esta ideia que de vez em quando é verbalizada por um cidadão mais saudoso. Até hoje. Hoje, como numa iluminação, a resposta surgiu. De facto, a solução reside não em contrariar aquela expressão, mas em vê-la noutra perspectiva.
Assim, quando surge aquele comentário em vez de me opor veementemente, limito-me a concordar parcialmente: “é claro que não há respeito, mas havia de haver respeito a quê? ao estado que proíbe às drogas mas ruas mas que permite que se venda álcool e cigarro em cada esquina, à justiça que usa o segredo de justiça como melhor lhe convém e que prende preventivamente o Zé dos anzóis porque roubou um telemóvel, ao sistema de educação que adopta os regulamentos de programas de televisão como matéria lectiva, aos políticos que prometem a convergência das pensões com o salário mínimo e que depois não cumprem, às televisões que exploram o sofrimento do Zé dos anzóis para vender mais detergente. A que é que se deve respeito hoje? Sim, a quê?

terça-feira, novembro 04, 2003

Dois lados de uma mesma Gabardina

Joni Mitchell

Rows and floes of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons ev'rywhere
I've looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on ev'ryone
So many things i would have done
But clouds got in my way
I've looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It's cloud illusions i recall
I really don't know clouds at all

Moons and junes and ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As ev'ry fairy tale comes real
I've looked at love that way

But now it's just another show
You leave 'em laughing when you go
And if you care, don't let them know
Don't give yourself away

I've looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It's love's illusions i recall
I really don't know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say "i love you" right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I've looked at life that way

But now old friends are acting strange
They shake their heads, they say i've changed
Well something's lost, but something's gained
In living ev'ry day

I've looked at life from both sides now
From win and lose and still somehow
It's life's illusions i recall
I really don't know life at all
I've looked at life from both sides now
From up and down, and still somehow
It's life's illusions i recall
I really don't know life at all

Humankindville

O cinema tem a capacidade de misturar alhos com bogalhos e assim permitir a quem vê, se essa for a sua predisposição, a percepção e compreensão de outras realidades. Se isto é assim para o cinema em geral, há no entanto, certos filme que estão para além do cinema. È o caso de Dogville.
Lars Von Trier afirma que “o cinema não é ilusão” e Dogville não um filme.
DogVille é Vida fotografada numa película de 35 mm a passar a 24 fotogramas por segundo. Dogville mostra, demonstra e exibe o Homem. Por isso, não se devia chamar DogVille mas Humankindville.

Merda de país

Está na moda dizer que temos que gostar de Portugal. Que temos que defender Portugal. Que é um dever patriótico. Contra os outros, os maus, os estrangeiros que nos querem destruir.
Mas por que é que eu devo dizer bem desta merda de país em que os vigaristas estão no poder, os pedófilos poderosos estão na rua e a maior parte da população faz contas à vida para comer?
Não. Dizer mal de Portugal é hoje um dever patriótico. Se não compreendermos a situação miserável em que estamos hoje, nunca sairemos dela. Os que conduzem Ferraris, os que jogam golf, os das off shores, nada farão para que isto mude.

segunda-feira, novembro 03, 2003

Caro Sharon:

Serve a presente, para o incentivar na luta contra o terrorismo palestino que como V. Exa, tem vindo a fazer só se extingue com a construção de um muro.
Na verdade, tenho vindo a acompanhar a construção dessa grandiosa obra de engenharia (a que alguns chamam de vedação e outros muro) com grande interesse.
Soube, no entanto, com surpresa, que os esforços de V. Exa têm sido barrados por dificuldades pontuais. Refiro-me especialmente, à parte do muro que pretende dividir a cidade Palestiniana de Tulkarm em dois sectores.
Porque urge combater o terrorismo, gostaria de sugerir a V. Exa uma ideia para debelar as dificuldades que, estou certo, pontualmente enfrenta. Assim, ouso aconselha-lo a pedir à Alemanha, que lhe faculte o acesso aos arquivos nazis por forma a poder consultar os planos de engenharia que serviram para a construção do muro que dividiu Varsória em dois sectores. Se no entanto, considerar que esta é uma solução muito demorada, e como é escasso o tempo para acabar com o terrorismo, gostava de ousar sugerir que pedisse aos sobreviventes do Guetto de Varsóvia vivos, e a morar em Israel, para serem eles próprios, recorrendo ás suas memórias, a construir tal barreira contra os terroristas.
Grato pela atenção subscrevo-me,
565671276621

Proposta de filme para o departamento de Maketing da Manuela

Da paisagem agreste de Trás-os-Montes, surgem luzes de néon vermelhas.
Num quarto escuro e espelhado vemos, em grande plano, uma mão que fecha a braguilha das calças de fazenda.
Ouve-se uma voz doce:
- Ocê vai querer mais alguma coisa, quérido?
A câmara afasta-se e deixa ver um empresário do Vale do Ave. Quatro botões abertos da camisa justa, deixando ver o medalhão de ouro e os pêlos do peito.
- Ai vou, vou! Vou querer a facturinha, se faz favor!

quinta-feira, outubro 30, 2003

O texto mais inútil de sempre...

Vejamos uma normal banca de jornais e revistas. Para além do caos, que todos aqueles títulos formam, existe um facto que não saltando à vista de imediato, não deixa de ser bastante curioso.
As capas das revistas, por exemplo. As revistas para homens, têm normalmente mulheres na capa e as revistas para mulheres também têm mulheres na capa. Isto significa que não aparecem homens nas capas das revistas? Não. Os homens aparecem em algumas capas, mas em revistas para homens. O facto curioso que parece destacar-se é que tal como existem revistas para homens com mulheres e homens na capa, também devia haver revistas para mulheres com homens e mulheres na capa. A verdade, é que não existem revistas para mulheres com homens na capa.

Estava bonita a festa, pá!

Ontem fui à inauguração (a terceira, até agora) do Estádio Cidade de Coimbra.
A festa foi bonita: uma capa de estudante gigante cobriu o relvado, cantou-se o hino (parecia-me dispensável, mas vá lá...), gritou-se um potente F-R-A e houve fogo de artifício.
Até o primeiro golo da noite e do estádio foi da Briosa! Mas o Benfica não quis entrar na festa e, com três golões, acabou com a brincadeira...
As claques, tanto da Briosa como do Benfica (parabéns aos Diabos Vermelhos. Que energia!), portaram-se bem.
Foi bonita a festa, pá!!!

quarta-feira, outubro 29, 2003

Cristo foi um imigrante ...I

Se as referências ao cristianismo forem consagradas na futura constituição europeia, gostava de saber, como é que se podem articular os princípios cristãos, com certas politicas europeias concretas.
Falo da politica de fronteiras fechadas. Como articular a politica de fronteiras fechadas com o universalismo proclamado na mensagem de Cristo? Como compreender que as pessoas que mais defendem a inclusão do património religioso na carta da Europa, sejam os mesmos que no plano do controlo de fronteiras sejam os mais intolerantes?
Se Cristo nascesse hoje nunca conseguira entrar na Europa para propagar a sua mensagem pois morreria no mediterrâneo numa barcaça.

JPH e o jornalismo

Imagino o espanto dos portugueses quando hoje pela manhã, depois de comprarem o Público no quiosque ou de clickarem www.publico.pt, abrem o jornal e vêem que a primeira frase de uma das notícias é: "Eis um discurso que não se imagina Paulo Portas a pronunciar."
A Gabardina não se surpreendeu. A sua opinião sobre o JPH há muito aqui foi deixada. Para a Gabardina não existe a distinção jornalista/blogger. Há qualidades que as pessoas têm ou não têm. A falta de qualidade do JPH, na dupla personalidade blogger/jornalista foi já sobejamente demonstrada.
Há pouco recebi uma mensagem de uma amiga jornalista (profissão que a Gabardina não possui nas suas fileiras) que dizia, a propósito da citada notícia:
"Eis um discurso que não se imagina Paulo Portas a pronunciar". O QUE É ISTO? UMA CRÓNICA!!!!!

Será que editores e directores do Público andam a dormir?

terça-feira, outubro 28, 2003

um dia...

Este país é uma bocarra de molares que transforma lentamente a geração em nome da qual foi feito o 25 de Abril num bolo alimentar mole e inofensivo.
Neste preciso momento, toda essa geração se aglomera junto ao cais de embarque das estações de caminho de ferro de todo o país. De Caminha a Faro, as estações de comboios estão cheias de gente à espera de embarcar.
Aproximemos, com a força da vontade, os nossos ouvidos dessas estações e escutemos por um momento o anúncio do comboio por que todos esperam:
- Atenção, atenção, vai dar entrada na linha número dois, o comboio com destino a outro país. Os senhores passageiros que pensavam que Portugal permitia escolher o emprego e o local de trabalho, devem embarcar nas carruagens da frente. Os senhores passageiros que acreditam que em Portugal existe o princípio da igualdade de oportunidades, devem ocupar as últimas carruagens. Este comboio, disponibiliza ainda uma carruagem bar, em que para além dos jornais diários estrangeiros, existe uma ampla sala, onde todos podem conversar.

Dor de cotovelo

O Francisco José Viegas irritou-se com a cobertura que a TVI deu à inauguração da Nova Catedral.
O que se passa, Francisco, é que para ser grande não basta ter um estádio grande (veja-se o exemplo dos clubes de Faro e Loulé), não basta ter títulos (veja-se o exemplo do Parma), não basta falar alto (veja-se o exemplo do Boavista), nem bastam estas três coisas juntas (veja-se o exemplo do Porto).
Pode ser que na inauguração do estádio do dragão haja alguém que, por pena, faça a mesma cobertura que foi dada à Nova Luz. Mas não pagará certamente tanto para o fazer… É que se os portistas estiverem todos a tentar encher o estádio, quem verá a publicidade na televisão?

segunda-feira, outubro 27, 2003

Cale sapiens

Na passada sexta-feira, tocou em na Aula Magna em Lisboa John Cale.
Para o caso não interessa dizer a relevância que teve nos anos 60/70, quando juntamente com Lou Reed e com o alto patrocínio de Andy Warhol formou os Velvet Underground.
O concerto que teve todo o interesse inerente à música de Jonh Cale, foi no entanto acrescido pelo facto muitas das músicas tocadas, estarem na vanguarda da música que se faz hoje em dia. E esse foi o facto mais relevante deste concerto: um homem que podia se ter cristalizado em fórmulas que ele próprio inventou, opta deliberadamente pelo risco de ser, uma vez mais, vanguarda.
O que é estranho é que tenha de ser um homem com 62 anos que encabeça essa vanguarda. Então, e a juventude? Não devia ser ela, que pegando nas fórmulas do passado as devia alterar? E porque é que não as não altera? Hoje, na música como em muitas outras coisas, a geração que tem poder está mais velha que a geração que a antecedeu. Porquê?

Jornalismo II

Diz a TSF on line que... "Angola é nossa"
...
... ...
...
... ... ...
Meus amigos... zzz zzz
Haja bom senso e um pouco de noção da alarvidade.

sexta-feira, outubro 24, 2003

Jornalismo

Ora aí está um título perfeitamente normal para uma notícia.
Quando todos esperávamos ouvir o primeiro-ministro dizer "já não vale a pena, Portugal é um caso perdido, nunca mais iremos recuperar", eis que o jornal Público nos surpreende com esta declaração bombástica: "Durão Barroso confiante no futuro da economia portuguesa".

N.B.:

Apesar do post anterior, peço que não nos confundam com a Renascença.
Obrigado.

Desabafo

A grande vantagem de acreditarmos numa entidade, boa e omnipotente, que olha pelo mundo é a tranquilidade de sabermos que a justiça muitas vezes tarda mas raramente falha.

Políticos trágicos II

No seguimento do desafio por nós mesmos lançado, venho acrescentar mais uns nomes à lista:

Sílvio Cervan
Bernardino Soares
Jorge Ferreira
Macário Correia
Jorge Coelho


Continuamos à espera de contribuições!

quinta-feira, outubro 23, 2003

Política sem consciência (nem) moral

O Daniel Oliveira junta no mesmo post as seguintes frases:
"Sou um homem de partido."
e
"Quem quer ser a consciência moral, não se mete na vida política."

Eu, que sou novo, começo a perceber como é que a política portuguesa chegou aqui...

Esquerda ou direita, eis a questão

Ponto prévio: A Gabardina é insuspeita de estar ao lado deste governo e muito menos de apoiar o seu Ministro da Defesa. Para o comprovar basta uma leitura rápida dos posts anteriores.

O que diria a esquerda em Portugal se o Ministro Paulo Portas fosse apanhado, ainda que numa escuta telefónica ilegal, a dizer “Estou-me cagando para o segredo de justiça” ou “vê lá se arranjas alguém que fale com o procurador!”?

Diria, seguramente, “têm que ser encontrados os culpados desta fuga de informação da Procuradoria-geral da República.” (que falta me fazem aqui os smiles do messenger...)

quarta-feira, outubro 22, 2003

Para o Pipi dentro de nós

Uma óptima notícia para o Pipi e para o pipi dentro de cada um de nós.

terça-feira, outubro 21, 2003

Recebido por e-mail

A ONU resolveu fazer uma grande pesquisa mundial.
A pergunta era:
"Por favor, diga honestamente, qual a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo."
O resultado foi desastroso. Foi um total fracasso.
Os europeus do norte não entenderam o que é "escassez".
Os africanos nao sabiam o que era "alimentos".
Os espanhóis não sabiam o significado de "por favor".
Os norte-americanos perguntaram o significado de "o resto do mundo".
Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre "opinião".
E no parlamento português ainda estão a debater o que significa "diga honestamente".

Máxima possível II

Há uma relação inversamente proporcional, entre a deferência no trato e o respeito por alguém.

segunda-feira, outubro 20, 2003

Ai Portugal, Portugal

Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar


Para ler o que foi publicado no Domingo, vou à página do El Pais e faço uma busca por “Portugal”. Nada mais, juro!

Nas dez primeiras ocorrências surgem os seguintes títulos de notícias:
“Portugal, en quiebra política y social”
“El colegio de los horrores”
“Portugal eliminará 40.000 empleos en la Administración pública hasta 2006”

(estes são mesmo os três primeiros)

“Portugal y España, los países europeos con mayor exceso de mortalidad en invierno”
“La 'depresión' portuguesa”


Mais palavras para quê?

Os jovens que o fazem pelo dinheiro...

Este título faz lembrar um assunto muito falado, hoje, em Portugal.Mas não é sobre isso que escrevo. Embora o princípio seja o mesmo: alguém que se aproveita da falta de meios económicos de outrém para se satisfazer.
O ministro da defesa em entrevista sobre o dia da defesa nacional, utilizou um argumento cretino para defender a convocação dos mancebos: o económico.
Aquele governante disse que a convocação dos mancebos era boa para eles; pois estes podiam conhecer de perto as vantagens de estar na tropa, e elencou-as: contrato de pelo menos 6 anos, vencimento nunca inferior a 510 euros, assistência na saúde e estabilidade no emprego e depois ameaçou dizendo que hoje em dia com o desemprego que existe, estas condições são muito boas.
Utilizar este argumento é assumir que enquanto houver exército em Portugal o ministro da defesa vai fazer tudo para manter os jovens com redimentos baixos ou nulos para que assim, estes considerem a tropa como uma alternativa rentável. Afinal, o desemprego e os baixos salários beneficiam o ministro da defesa de Portugal.
Só mais uma coisa. Experimente o senhor ministro viver durante um mês com 120 contos.

Ruído

Algum PS, alguns comentadores e alguns bloggers (como por exemplo este) criam um ruído enorme à volta desta questão Paulo Pedroso, António Costa e Ferro Rodrigues/Casa Pia, de forma a que não se diga o que é claro e óbvio.

É MUITO GRAVE que pessoas com a responsabilidade de Ferro Rodrigues e António Costa digam coisas como "Tou-me a cagar para o segredo de justiça", "é melhor que o teu irmão vá falar com o procurador", "é melhor termos esta conversa noutro telefone", "temos que ficar em alerta amarelo" (afinal não era o embaixador russo...) e "o almoço não serve para nada" (aparentemente, entre o Presidente da República e o Procurador Geral da mesma...).

É MUITO GRAVE!!!
Esses senhores não podem continuar a ser políticos em Portugal. Quer dizer, políticos podem. Políticos respeitados não.

sábado, outubro 18, 2003

"... na saúde e na doença.."

O Vaticano tem a melhor diplomacia da civilização ocidental. As razões são várias. Alta competência técnica dos funcionários, conhecimento profundo do ambiente social, dedicação total das chefias e principalmente uma disciplina de ferro. Se a estas características juntarmos 2000 anos de experiência não será difícil concluir que a diplomacia do Vaticano poria qualquer estadista do século XX num chinelo.
Hoje, é possível observar como toda esta experiência nas relações entre estados é posta ao serviço das razões de estado do Vaticano. Hoje a igreja católica mais que expandir-se quer conservar-se. E para isso usa a doença do Papa. De facto, todos os dias há uma pequena referência ás ligeiras alterações que a saúde do Papa sofre. Assim ontem, foi o Papa que não conseguiu acabar um discurso, hoje, devido a súbitas melhoras até já leu em alemão.
Dentro desta lógica de vai e vem do estado de saúde do Papa, chegou a notícia de algumas melhoras do Papa, pois este conseguiu aplaudir o Hino da alegria. Ora, que coincidência o Papa ter conseguido bater as palminhas a uma música que não é mais nem menos que o hino da Europa.
Numa altura em que se discute se o acervo cristão deve ou não ser escrito na constituição europeia aquelas palminhas são uma lição brilhante de diplomática dada pelo decano da diplomacia: o Vaticano.

quinta-feira, outubro 16, 2003

Nojo de Portugal

Leiam o NOJO do Afonso Melo.
Vale a pena.

Políticos trágicos

A Gabardina propõe, a partir de hoje, a eleição dos 10 políticos mais trágicos (tragicamente maus é o sentido que se deseja dar à expressão) da última década no nosso país.

Desde já avança três nomes que considera fortíssimos candidatos a essa lista:

Narciso Miranda
Marques Mendes
Armando Vara


Mais tarde a Gabardina divulgará outros nomes que julga dignos de pertencerem a tão exclusiva e concorrida lista.

Aceitam-se sugestões de outros nomes e, se possível, a oferta de um blogger com mais talento informático que nós, que, motivado por tão nobre causa, queira promover uma sondagem on line sobre o assunto.

quarta-feira, outubro 15, 2003

As maminhas do nordeste substituíram as alheiras de Mirandela.

O artigo da Time diz que Bragança é o novo red light da Europa.
A comparação irritou muito o governo Português. E com razão, porque como o governo não gosta de ser criticado quando não há motivos, também não gosta de receber louros quando os não merece.
O governo sabe que Bragança e a zona vermelha de algumas cidades Holandesas, têm entre elas a diferença que existe entre Portugal e a Holanda.
Têm a diferença da escolaridade das prostitutas, têm a diferença da instrução dos clientes, e a diferença da regulamentação da prostituição.
Por isso, porque é humilde e sabe o seu lugar no ranking anual de desenvolvimento Humano, o Estado português retirou a publicidade de revista Time para mostrar que não gosta de se põr em bicos de pés.

O ministro gosta é de ver...

O ministro gosta é de os ver... ali... todos tesos... todos direitinhos... todos com um rasgado sorriso na cabeça. O que o senhor ministro gosta é de sentir a força destes carecas...gosta é de lhes sentir... a potência... a firmeza do sangue novo da juventude de que são feitos.
O ministro também gosta é de os forçar... gosta é de... os obrigar. Por isso, é que obriga os mancebos a irem a Lisboa.

Pequenos, mesquinhos e estúpidos

A Time contou o que se passa em Bragança e o governo português não gostou e demonstrou todo o seu respeito pela liberdade de imprensa, cancelando a publicidade ao Euro'2004 prevista para aquela publicação.
A Time ficou assim a saber que com Portugal ninguém se mete!
Esperamos que tenham aprendido a lição e que não repitam a ousadia!
Com democracias como Portugal e Cuba ninguém brinca!

terça-feira, outubro 14, 2003

Máxima possível...

Há uma relação inversamente proporcional entre o bem que se veste e o mal que se faz. Nunca ninguém foi salvo por uma gravata.

Marketing Sagrado

Confesso não saber o que pensar da situação actual do Papa João Paulo II. Confesso (e acreditem que me custa confessar) que a mais recente ofensiva do Vaticano “este esforço do Santo Padre contribui para mostrar que os fracos e desfavorecidos também têm um papel neste mundo” me faz vacilar.

Mas sei bem o que penso do que vi, salvo erro no Canal 2, no último fim-de-semana, logo pela manhã. Um documento de Marketing poderosíssimo e bem elaborado da Igreja Católica, que havendo ainda alguma vergonha na direcção de programas da RTP a deve ter feito corar de vergonha até aos dedos dos pés.

No meio de músicas católicas com ritmo (as famosas 37 proibições ainda não estão em vigor!) e de imagens comoventes do Papa, surgiam declarações de católicos consagrados como João César das Neves, Laurinda Alves e, se não me atraiçoa a imaginação, Marcelo Rebelo de Sousa.

Mas o que mais interessante se viu no documento promocional foram as declarações de jovens cuja enorme projecção mediática, aparentemente desproporcional ao talento de cada um, até esse dia eu não tinha percebido: a fadista Mafalda Arnaut, o omnipresente Pedro Granger e uma daquelas irmãs boçais e irritantes, supostamente do jet set, que participam em tudo o que é novela, e que têm dois apelidos (qualquer coisa do tipo Brito e Moura ou Silva e Cunha).
Nesse momento percebi a desproporcionalidade.

O lobby católico pode ter perdido o Nobel para o lobby sapatona, mas ainda tem força para levar ao estrelato os seus meninos predilectos.

segunda-feira, outubro 13, 2003

Ao fim da tarde

Apetece-me castanhas assadas.
Estarei grávido?

Todos os partidos, todos os lugares. TODOS mereciam melhor

José Lamego diz, sobre Ana Gomes, que o PS merecia melhor e diferente. E eu, que não sou socialista, nem social democrata, nem popular, nem tão pouco gosto do José Lamego, tenho que concordar.
Descubram de onde saiu esta senhora e voltem a fechá-la lá dentro. Rapidamente, por favor.

Lobby por uma saúde desregulada

Percebemos, sem surpresa, que os médicos portugueses estão contra a Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Também sem surpresa, farmacêuticos e enfermeiros torcem o nariz à nova organização, sem saberem se acham bem ou mal, mas preferindo ir a reboque dos médicos a ir contra eles.
O que já é surpreendente é a credibilidade dada a esta posição dos médicos, quer pelos media, quer pelo Presidente da República.

Os automobilistas teriam alguma credibilidade se tivessem sido contra a polícia nas estradas? Os donos de restaurantes teriam credibilidade se fossem contra as inspecções sanitárias? Os presos teriam alguma credibilidade se não tivessem querido os guardas prisionais?

É conhecido o corporativismo da classe médica e o desastroso comportamento da sua Ordem que levou, em grande medida, ao estado actual da saúde em Portugal (nomeadamente impedindo o aumento de vagas nos cursos de Medicina). Sabemos também que existem várias autoridades administrativas independentes no nosso país(a ERSE e a ANACOM são apenas os exemplos mais conhecidos) e um pouco por todo o mundo mais desenvolvido.

Se o Presidente da República tem dúvidas sobre a constitucionalidade da ERS, que as remeta para o Tribunal Constitucional. Mas que não se atreva a ceder às pressões do lobby médico, pois tal seria desastroso para o nosso corrupto e já debilitado sector da saúde.

E se...

O ministro da defesa aplaudido pela juventude robusta deste país, vinda de todos os cantos de Portugal, discursou ontem da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Exemplo para a juventude, o digno ministro da nação, falou para os jovens com a proximidade de um grande Pai. Falou-lhes da ordem natural do universo e da encarnação desta no estado, enquanto exemplo final da evolução das sociedades humanas. Depois, iluminou a juventude com o seu respeito e amor antiquíssimo pela Pátria. O discurso do digníssimo ministro da nação terminou com a oração de um terço e com o cantar do hino nacional.

sábado, outubro 11, 2003

Liberais, mas não muito...

O governo deste país está sempre com a palavra competitividade debaixo da língua. Ora, para que haja competição é necessário que existam adversários.
Segundo este raciocínio, a competição por exemplo, entre trabalhadores não só estimula todos a trabalharem melhor, como é penhor da sobrevivência dos melhores.
Este raciocínio, embora discutível, faz um certo sentido. Assim, seria de esperar que este governo, eivado por esta lógica liberal, não tivesse medo de deixar todos os imigrantes entrar, pois só assim garantiria a máxima competição entre trabalhadores. Mas não é isso que este governo faz. Porquê? Das duas uma: ou o governo não acredita no discurso da competição e só o utiliza como figura retórica, ou sabe que se o critério fosse a escolha do melhor, exclusivamente pela sua competência, o governo e o país seria gerido por espanhóis, americanos, moldavos e romenos.

sexta-feira, outubro 10, 2003

Serviço Público de blogs

A Gabardina apresentará brevemente, na sua coluna da esquerda, links para os apontadores nacionais de blogs. Porque é útil para quem visita o blog e é útil para quem o faz, poupando-lhe tempo.
A lista incluirá não só os clássicos PTBloggers, Bloco de Notas, Blog Clipping e Blogo.no.sapo , mas também os mais recentes (pelo menos para mim) Blogoventário (que nos inclui na sua prateleira dos pensadores), Blogoecos (um dos projectos mais interessantes da blogosfera), Substrato e aquele que nos trata de forma mais carinhosa (vão espreitar onde nos incluem!) Os Blogues.

Dúvida

O Jorge Lacão é presidente da Comissão de quê?

quinta-feira, outubro 09, 2003

Translucidez nacional

A Transparency International (TI) coloca Portugal no 25.º lugar mundial do índice de percepção da corrupção.
O resultado não é de todo desencorajador, mas pensemos no seguinte:
- Em termos de IDH, também para 2003 (ler post de Julho – “Subdesenvolvimento humano"), Portugal ficou no 23.º lugar (a diferença é que, salvo erro, na lista da TI ficámos à frente da Itália mas atrás de Singapura, do Chile e de Israel). Isto significa que (marginalmente, é certo) há mais corrupção no nosso país do que seria previsível para o nosso nível de desenvolvimento;
- Imediatamente atrás de Portugal ficaram Oman, Bahrein, Chipre, Eslovénia, Botswana e Taiwan, mais ou menos à mesma distância do nosso país que nós ficámos de Espanha, que ficou imediatamente à nossa frente;
- Em valores absolutos (a escala é de 1 a 10), Portugal (6,6) ficou à mesma distância da Finlândia (1.ª, com 9,7) e do México (3,6), Polónia (3,6), China (3,4), Panamá (3,4), Sri Lanka (3,4) e Síria (3,4).

Acho que é revelador do momento translúcido que se vive em Portugal…

Diálogo improvável

Filha de Martins da Cruz: Sabes, já decidi! Vou para Medicina!
Filha de Pedro Lynce: Mas tu não tens média... Já falaste com o teu pai?
Filha de Martins da Cruz: Não, falei com o teu.

quarta-feira, outubro 08, 2003

Para além dos aplausos e das críticas.

Paulo Pedroso foi libertado porque o seu advogado recorreu três vezes da prisão preventiva.
Agora, vai pensar-se que afinal a justiça funcionou, e que, se os outros arguidos continuam presos preventivamente é porque existem indícios bastante fortes, ficando a fantasia do erro judiciário afastada de vez.
O que esta libertação para a maioria das pessoas vai significar é: "se ele saiu e os outros não, então, os outros são mesmo culpados".
A libertação de Paulo Pedroso pode significar o fim da presunção de inocência dos outros arguidos presos preventivamente no âmbito deste caso.

Surpresa no caso Casa Pia

A notícia atinge-me como uma bomba. O Tribunal da Relação decidiu libertar Paulo Pedroso, passando este a estar sujeito apenas a termo de identidade e residência.
O mais curioso de tudo é que esta decisão parece resultar de um juízo acerca da inocência do dirigente do PS.
Parecendo óbvio que nestes casos de pedofilia existe sempre o perigo de continuação da actividade criminosa e que neste caso particular há um perigo claro de fuga, a única explicação razoável para esta decisão parece ser a insuficiência de certeza da culpa do arguido...
A única nota esquisita nesta decisão é não ter sido tomada por unanimidade mas por maioria, o que torna tudo ainda mais nubeloso...
Fico expectante em relação a novos desenvolvimentos.

NEM PODERIA SER DE OUTRO MODO, na Finlândia

Agora imaginem o seguinte post, do Filipe Nunes Vicente, mas escrito por um finlandês, a propósito da Finlândia (nota: substituímos Portugal por Finlândia, para dar maior realismo à coisa):

NEM PODERIA SER DE OUTRO MODO: Uma filha de um ministro passou de uma média de candidatura de 18 valores para 18,5, por meios obscuros. Tramou-se e vai estudar para fora. Dois ministros do governo da Finlândia cairam. Nem poderia acontecer outra coisa, num país de cidadãos que são incapazes de meter ou aceitar cunhas, de fugir ao fisco, de livrar os filhos da tropa com um telefonema ao general, de pisar um traço contínuo, de falsificar facturas, de sonegar recibos, de meter baixas fraudulentas, de faltar as aulas que devem dar ou aos exames que devem fazer exibindo atestados médicos romanceados, de receber pensões de maridos que já morreram, etc. Não poderia ser, de facto, de outro modo: somos um país de gente proba e séria.

E digam lá, em que país prefeririam viver?

terça-feira, outubro 07, 2003

Um bom dia para a política europeia

E finalmente começam os desentendimentos dentro da coligação governamental em Itália.
Uma desavença Fini/Bossi era o pior que podia acontecer a Berlusconi na semana em que os italianos o consideraram, numa “sondagem” promovida pela RAI, a coisa a que mais desejam dizer “Já basta!” nas suas vidas.
Quem conhece a política italiana sabe que os governos de coligação costumam durar poucos meses depois da primeira ameaça de eleições antecipadas, como aquela que a Liga Norte fez hoje.
Isto no mesmo dia em que por cá o Ministro dos Negócios Estrangeiros se demitiu sem honra nem vergonha. Podemos dizer que foi um dia positivo, em termos políticos…

Vote Larry Flynt for Governor

A Califórnia vai a votos. Não é perceptível qualquer diferença política entre os candidatos, na verdade o único critério que parece diferenciá-los é o mediatismo e o comportamento politicamente correcto.
Hoje, na América como nas democracias ocidentais, o capital politico ganha-se aparecendo na televisão e nunca escorregando num comentário que possa ofender uma minoria. Ou seja, é necessário ser conhecido e politicamente correcto. E politicamente correcto no pior dos sentidos, porque esta expressão, quer na verdade dizer, não mexer muito nos interesses instalados.
Mas há excepções. E a América, tem a vantagem de as excepções poderem, mais facilmente que noutro lado, vir a ser a regra. Larry Flint, é uma dessas excepções. Larry Flint não é politicamente correcto porque tem opiniões diferentes e o politicamente correcto tende a evitar o conflito de opiniões.
Este candidato a governador foi um dos fundadores da Blue Ribbon, uma organização que tem como único interesse defender a liberdade de expressão seja qual for a forma que esta assuma. Porque até o politicamente correcto, Arnaldo, defende a liberdade de expressão desde que esta não lhe ameace os privilégios, aliás como alguns de nós.
Por isso, aqui fica o desejo da gabardina para que Larry Flint consiga um bom resultado nas urnas.

segunda-feira, outubro 06, 2003

Por um Portugal T

A economia é uma daquelas áreas que, no último século, os especialistas se esforçaram por complicar a ponto de que ninguém a perceba.
No entanto a maior parte dos seus mecanismos é de bastante fácil compreensão.

Estávamos no início do século XX e já Henry Ford percebia que para o seu famoso Modelo T ter sucesso era fundamental que os trabalhadores que o construíam ganhassem suficiente dinheiro para o comprar. Para além de parecer ridiculamente óbvia, esta condição é absolutamente justa.
Hoje, um século depois do sonho de Ford tornado realidade, há um pequeno país no ocidente da Europa que ainda não percebeu isso. Portugal ainda não percebeu que não é um país economicamente viável enquanto os portugueses não o puderem comprar. É hoje claro que é mais caro viver em Portugal que viver em Espanha. As casas, os carros, os supermercados, os restaurantes… tudo é mais caro em Portugal. A diferença é que nenhum espanhol tenta viver mensalmente com 360€…
Os portugueses têm que perceber que enquanto o salário mínimo nacional não for, a preços de hoje, de cerca de 600€, o país não vai sair de uma crise mais ou menos profunda, mas que se arrasta há dez anos.
Precisamos de um Portugal T. Transparente. Tranquilo. Transformado num país desenvolvido.

Cara Manuela Ferreira Leite, será que nos lê?

Blog Limiano

Um blog descoberto por razões erradas, mas que é, sem sombra de dúvidas, em termos gráficos, um dos melhores que já vi.
Vão espreitar!

As regras que nem sempre são respeitadas

"O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional."
Código Deontológico do Jornalista

" A praxe é uma forma de engate gay"

Esta afimação lapidar ouvi-a um dia a um aluno da faculdade de desporto. Primeiro, pode parecer estranha mas depois se pensarmos bem, aquele comentário não é dificilmente defensável.
Primeiro, porque as provas que os caloiros têm de passar têm todas, mais ou menos, um cariz sexual.
Depois, porque segundo as regras da praxe académica, as raparigas praxam raparigas e os rapazes praxam rapazes. De onde, podemos concluir que a praxe promove insinuações sexuais entre membros do mesmo sexo.
Atrás de um traje preto de estudante, pode muito bem estar uma bicha trágica ou uma sapatona decidida.

"Já reparou...?"

O presidente da câmara municipal de Lisboa tem por hábito publicitar em outdoors a obra executada em certo local. O vício, que já lhe valeu algumas críticas, tem o mérito de lembrar a quem passa que existe uma entidade que recebendo dinheiro dos impostos é responsável por certas obras.
Vem isto a propósito de recentemente se terem iniciado as obras para o tunel das Amoreiras. O tunel que entra nas amoreiras e sai no Marques de Pombal passa portanto, por debaixo da Av.António Augusto Aguiar que está neste momento reduzida a duas faixas de rodagem por causa das obras que se iniciaram.
No inicio do Verão podia ler-se "já reparou no novo pavimento da Av. António Augusto Aguiar?". e agora pode responder-se: Já, já reparei, mas reparei também que durou 30 dias.

sábado, outubro 04, 2003

O jornalismo voltou?

Há uns anos atrás, havia um pequeno jornal chamado "Fiel Inimigo". Saía ás sextas-feiras e recomendava, o prazer da leitura que devia ser comprado com o semanário "Independente".
Nessa época, em que o P.S.D estava no governo, estes dois jornais faziam, um pela via do humor outro pela via da investigação jornalística (seja lá o que isso for), um desgaste semanal ao poder laranja que governava o país.
Hoje, começaram a surgir recidivas daqueles tipos de jornalismo. Por um lado, o jornal público tem um apêndice ás sextas-feiras, a que chamou de "Inimigo público" que não é mais que uma reedição do "Fiel Iminigo", por outro a televisão s.i.c começa a procurar as noticias escândalo.
Este dois factos, a reedição do jornal "Fiel Inimigo" e investigação jornalística de escandâlos decepadores de ministros, parecem anunciar ventos de mudança. Mas que ventos serão esses?