quarta-feira, outubro 31, 2007

Os canhanhos de cinema

“Outra margem” de Luís Filipe Rocha, tem como matéria-prima as silhuetas planas e distantes, em que cada um de nós se transforma, quando esconde dos outros as suas fragilidades. Tal qual, as personagens deste filme. Maria, Mãe de Vasco esconde-se por detrás do esforço e dedicação ao filho. José, pai de Maria e Ricardo, esquiva-se à reconciliação. Ricardo recusa a morte do namorado. E Luísa, abandonada no dia do casamento por Ricardo, espera -ainda- o noivo. Personagens separadas pelo rio da incomunicabilidade.
Porém há Vasco. Um rapaz que precisamente pela sua fragilidade, consegue resgatar das margens as personagens isoladas e fazê-las renascer. É, neste sentido, que este filme trata da superação da morte. Não física, mas da morte emocional que implica viver à margem dos outros. Para cada personagem, e para cada um de nós.
Dos actores, destaco Tomás Almeida (Vasco). Este não só nos torna cúmplices do seu ponto de vista, como cria com Maria d´Aires (Maria, mãe de Vasco) com Horácio Manuel (avô) e com Horácio Manuel (tio), uma relação de ternura e simplicidade que há muito não via no cinema Português. Recordo três momentos exemplares: a festinha na cara da mãe enquanto esta trabalha, o almoço com o avô, e o modo como se aproxima do tio quando este dorme no quarto. Mas se tudo isto, são apenas ideias de realização a que os actores conseguiram dar a melhor interpretação, foi o realizador, que na montagem materializou as ideias com sons e imagens. Recordo a valsa de olhares entre mãe e filho, depois de este dizer que escutara o tio a chorar; e a montagem em paralelo de Ricardo a cantar, e a cremação do seu namorado.
Em “Outra Margem” Luís Filipe Rocha recupera a nota documental que marcou o início da sua carreira. O filme, através das actividades quotidianas das personagens, regista o dia-a-dia das pequenas cidades do interior: o trabalho de Maria na fábrica, a idas ao cinema, as compras da semana, e os novos espaços de diversão nocturna. E assim, constrói um ambiente de dia-a-dia concreto. Muito delicado e muito difícil. Porém, e aqui reside o que mais me afastou do filme, esta sensação de quotidiano a acontecer, é quebrada por alguns diálogos abstractos, e por uma utilização lírica de partes da música. Ora, abstracto e lírico é o que o filme seguramente não é. É por isto que merece muito ser visto. Pois apesar da transparência das suas imagens e sons, há emoções e sentidos genuinamente humanos.

terça-feira, outubro 30, 2007

Já que falas nisso...

E porque o tema é um bom tema, já não é segunda-feira, o sol brilha e tal, apetece-me discorrer um pouco também sobre o amor e filhozes do género. Não estou a falar de gostar, de carências, de relógios biológicos, de necessidade, de desejo, de amizades com pantone... Não. É mesmo a coisa genuína, a que, qual algodão sentimental, não engana! Aquela que não só move montanhas se necessário for, como faz com que nem reparemos se, por acaso, alguma das ditas montanhas resolver ir dar uma inesperada volta ao bilhar grande. A que nos faz dizer coisas absoluta e escandalosamente ridículas sem que disso tenhamos sequer noção, ou, tendo-a, não faz diferença nenhuma. A que nos adoça a voz, a que adiciona "inhos" a tudo, a que nos põe um sorriso parvo logo abaixo do olhar parvo, mesmo no meio da cara de parvo, a que não nos sai da cabeça a dormir ou acordado, a que nos inspira carinho e cuidado, a que coloca o bem-estar da outra pessoa acima de nós próprios, que provoca mais suspiros contemplativos por minuto que a tubercolose provoca tosse. A dos arrepios, suores frios, dores de estômago mas que não passa por intoxicações alimentares. Aquela que relaciona noção do tempo a passar e distância entre pessoas numa função inversamente proporcional. A que nos impede de pensar em consequências, nos faz acreditar sempre num final feliz, nos renova a fé na Humanidade. A que faz um dia cinzento de chuva parecer bonito, independentemente de estarmos na praia, roxinhos a tiritar de frio. A que nos faz perder a cabeça, o juízo, o norte, o rumo e, em dias mais complicados, a correcção gramatical. A que sabe mesmo bem quando bate certo e que quando bate certo, bate forte. A que está lá nos dias maus da mesma maneira que nos bons, fazendo com que, pensando bem, acreditar que o dia até nem foi assim tão mau. A que ultrapassa problemas e crises em nome da felicidade mútua sem a intervenção da polícia anti-motim, da sogra ou do rolo da massa. A que permite comunicar sem palavras, ler pensamentos, adivinhar vontades, habilidade particularmente útil naquela festa chata na altura de ir embora. Aberta, assumida, intensa, terna, honesta, quente, carinhosa, reconfortante, sólida, recíproca, calorosa, expansiva. Sem ressentimentos, recriminações, queixas, acusações, dúvidas, medos, hesitações. Tão bom que devia vir em embalagens de 20. Tão bom que devia ser ilegal, para lhe acrescentar o prazer do proibido (e vou excluir o adultério e a pedofilia porque... enfim, seja, ficam. Gostos são gostos e o código penal não tem nada a ver com isso). Tão bom que devia acontecer a todos pelo menos uma vez e durar para sempre, de preferência na mesma vez para não criar problemas de continuidade ou sobreposições na realidade.

A que fez, faz e fará falta a tantas relações falhadas, e a algumas não falhadas também, no século XXI e, arrisco eu a extrapolação, noutros séculos também, porque estou a ver muito boa gente a aturar grandes berbicachos conjugais na idade média sem uma réstia de amor que fosse, com a agravante da proliferação de achas de armas, lanças, espadas, flechas e quejandos que por essa altura existiam em qualquer lar decente e resolveriam o problema de um modo muito mais rápido e indolor, dependendo do lado da arma que estivessemos, claro.

E, como não pode ser tudo bom e a medalha tem sempre um reverso, a que dói mesmo muito quando corre mal. Chiça penico! Antes cortes de papel na retina e lágrimas de álcool...

Tudo sobre as relações amorosas no século XXI

Aqui

segunda-feira, outubro 29, 2007

Monday sucks!!!

E cá chegou mais uma destas inevitabilidades da vida, tão certa como os impostos, a merda e a morte: uma segunda-feira. E das más. Cinzenta, com jet-lag da mudança de hora, trânsito, tristonha, muito trabalho, muito aborrecida... Vamos!, cantemos para espantar os males:

(Cantar com a música do Mickey Mouse)

What's the worst day of the week that gets us all depressed?
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Here comes more aggravation and a brand new week of stress!
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Monday Sucks, Monday Sucks! Monday Sucks, Monday Sucks!
Forever will it make you want to cry, cry, cry, cry!
So come along and sing this song, now get it off your chest.
M-O-N, D-A-Y, S, U, C, K, S.

Ouvir música completa aqui.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Putin que parin!

Invadiu-me ontem um súbito fervor tchetcheno eivado do mais puro ódio nacionalista pelo ridículo do meu próprio país (ou, fruto da representatividade democrática, por quem o gere) quando me vi obrigatoriamente parado na A5 a assistir ao desfile feérico de luzes que acompanhava a caravana do líder russo e não pude deixar de desejar ter um taco de basebol a jeito. E não é que tinha mesmo um na mala? Pena é que, quando finalmente lá cheguei, já o senhor tinha seguido viagem e era eu o causador do engarramento. Para não perder a ida à bagageira ou o ódio fervoroso, aliado ao facto de seguramente não restar um único agente capaz de manter a lei e a ordem na cidade, incitei a restante populaça ao motim por motivos ainda não inteiramente compreendidos pelas autoridades ou pelos médicos, aos quais não me darei ao trabalho de explicar, ou por mim próprio, porque acordei um pouco baralhado desta última alucinação, mais ainda porque, de facto, ontem vim pela A5 e porque aquilo estava mesmo engarrussafado (espero que tenham explorado todas as possibilidades humorísticas contidas nesta fusão de palavras).

Contos curtos sobre nada: Obrigado, amigo!

Obrigado, amigo, pela noite porreira do fim de semana passado. Estava tudo óptimo. Que grande ideia a tua de irmos de carro até à costa pela estrada sinuosa e encantadora da serra. Realmente ver aquele pôr do sol com cervejinhas e conquilhas foi excepcional. A jantarada no tasco lá perto foi inesquecível, principalmente a parte das beldades exóticas nórdicas com que achaste por bem meter conversa. Ui, aquele bar se falasse, as histórias que contava. E por falar em histórias, estiveste hilariante na resposta que deste aos locais que não paravam de mandar bocas lá do fundo. Melhor só mesmo o concurso de shots que lançaste com aqueles tipos do rugby e a parte em que perdeste o cartão e saímos sem pagar.

Hoje, aqui sentado no hospital onde acordei, lembrei-me de tudo isso lentamente, depois de passar o efeito da anestesia geral, a amnésia temporária da concussão e o stress pós-traumático de tudo aquilo por que passámos juntos.
O primeiro biqueiro nos dentes do porteiro foi de uma agilidade incrível para um bisonte daquele tamanho. E ainda estava a pensar se aquilo me iria doer ou não durante muito tempo, quando encontrámos os meninos dos shots que prontamente me esclareceram essa dúvida. O que vale é que a gonorreia/fungo/sífilis das lambisgóias de cabelo pintado da Rinchoa sempre distrai um pouco quando arde e comicha. Coincidência incrível do destino foi aquela de, no cruzamento, teres jurado que era para a esquerda e termos voltado ao primeiro bar, mesmo a tempo de perguntares à besta peluda, o tal que por um feliz acaso era cabo da GNR local, que insultaste, de um modo genial diga-se, horas antes de chifrudo manso impotente, por indicações de trânsito com a garrafa de vodka na mão. Se não tivéssemos caído, ao puxares o travão de mão, pela ribanceira que ladeava a tal estrada sinuosa e encantadora da serra, sempre queria ter visto o efeito que aquele taco de basebol teve no meu descapotável novo e, já agora, encontrava o papel da multa que ele nos passou para saber em quanto ficou a mostarda. Agora desculpa-me mas tenho de voltar a chamar a enfermeira porque as conquilhas de confiança daquele sítio que disseste que conhecias desde pequeno voltaram a detonar a diarreia explosiva e ainda não me habituei a usar o coto que restou do meu braço direito para carregar no botão.

Grande abraço! Quando finalmente sair daqui eu ligo-te.
Melhor, encontro-te para te agradecer pessoalmente!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Gracias Tacuara aka Cardozo

Ontem, depois de uma primeira parte algo fraca de uma equipa que permanentemente tem sido privada de jogadores fulcrais e ainda a ressacar de uma mudança de treinador, assisti a uma segunda parte esforçada e colectiva, com vontade de ganhar e espírito de sacrifício. O resultado final, a vitória, muito importante nesta altura tanto pelos pontos como pela moral, peca por escassa em golos para ambos os lados, com o mérito da vitória encarnada a ser, no entanto, indiscutível. Claro que, pelas circunstâncias típicas de ter acontecido pela margem mínima e já perto do final, podia ter corrido mal, não obstante o mérito. Claro que era melhor ter marcado mais e mais cedo. Claro que, a pensar assim, o melhor é ir apoiando rotativamente a equipa que melhor futebol pratique e esquecer a monogamia futebolística. Não há tal coisa como objectividade neste desporto, até porque a bola é redonda e a sorte caprichosa, pelo que resta a emoção e a parcialidade da clubite (bem disposta e tolerante) que nos faz ver nas camisolas vermelhas o melhor clube do mundo em todos os momentos e classificações. Não é perfeito, não é isento de erros, não ganha sempre, mas, à imagem de qualquer outra paixão, para mim é impossível não ver ali o clube mais bonito do mundo! Como diz o slogan da Olá!, quem gosta gosta sempre! Há espaço para melhorar, como em tudo; há lugar à crítica construtiva, como sempre; e tem de haver, a par da paixão fervorosa nas vitórias, fair play e poder de encaixe nas derrotas. No título agradeci ao marcador do golo, alvo de imensas críticas, algumas justas dado o nítido mau momento de forma física e decréscimo de confiança, outras absolutamente maldosas e de quem nada (ou muito) percebe do desporto em geral e de futebol em particular. Na minha humilde opinião de praticante amador, o senhor tem algum talento para o que faz, embora lhe reconheça algumas fragilidades (jogo aéreo e pé direito) que poderão ser colmatadas com a natural evolução que a idade lhe permite e um bom treinador, que temos, proporcionará, tornando-o num ponta de lança de respeito. O resto é mental e ainda lhe veremos muitos golos esta época! Ontem dei por bem empregues as quase duas horitas que espremi da minha super-lotada agenda.

Ig Nobel Awards

Porque nem toda a curiosidade é séria e porque a idade dos porquês, às vezes, dura mais do que o esperado, surgem perguntas parvas que, inesperadamente e envolvendo pesquisa séria, produzem respostas igualmente parvas. Eu gosto!

Alguém achou que havia motivo de reportagem, como diria o outro, e, melhor ainda, que era bom atribuir prémios.

Os Anais da Pesquisa Improvável vêm provar que há mesmo quem queira saber alguma coisa sobre a Necrofilia Homossexual dos Patos Bravos (ver prémio de biologia de 2003) ou, o meu favorito pessoal, Linguistica 2007: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Nuria Sebastian-Galles, por determinarem que as ratazanas, por vezes, não conseguem distinguir entre Japonês ouvido de trás para a frente e Holandês ouvido de trás para a frente.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Sem querer fazer concorrência


aos amigos Minimalistas, deixo um mapa de onde estava há dez anos atrás. Não no campismo, que não havia dinheiro para isso. Mas depois de dormir num Fiat Uno com mais quatro pessoas ainda demos um mergulhinho nesta praia (alguém deve ter uma foto nossa junto à placa... não era uma placa muito grande...) da localidade. O aeródromo da ilha, como podem ver ao centro se aumentarem a imagem, tem um nome igualmente sugestivo.
Um sítio a que é preciso voltar (falo da ilha!).

Sampi VI - A batalha (parte II)

Sampi, como tantos entre nós, era uma criatura pacata, simpática, tranquila, amável e de todo não totalmente desprovido de capacidade para as maiores atrocidades quando devidamente motivado ou assoberbado pelo tédio. Entre isso, uma consciência descartável, um talento inato para a asneira e um sobredesenvolvido sentido do insuportável, conseguiu angariar um considerável leque de inimizades. A bem do equilíbrio natural das coisas diga-se que angariou também um reconhecido grupo de amigos fiéis, todos eles, como o próprio advogava tantas e tantas vezes ser a maneira correcta de fazer as coisas, perfeitamente capazes de lhe espetar um abraço traiçoeiro pelas costas enquanto o esfaqueavam no peito olhando-o nos olhos, essa sim a grande diferença entre trastes e trastes, porque falhar todos falham; a questão é assumi-lo abertamente. No caso em mãos, a coisa revestia-se de particular delicadeza porque se tratava de um ex-grande amigo, um dos melhores e que tinha resvalado, como algumas vezes acontece, perdida a confiança, para o outro lado, o lado errado para se estar na perspectiva de Sampi, vulgo, contra ele. Poucas coisas pela negativa o fariam perder a cabeça a ponto de não medir consequências nefastas para ele próprio. Esta seguramente não estava incluída no lote daquelas que não teriam tal efeito. Aliás, no hierarquizado sistema de classificação que tinha inscrito na alma, este elevava a fasquia acima do record olímpico para asco indoor, uma modalidade muito popular nos jogos galácticos inter-espécies, diga-se, da qual Sampi era excelso e exímio praticante. Vasculhando por entre os destroços do que tinha sido o seu lar, recolheu alguns pertences e partiu rumo à sua casa de férias para dar início aos preparativos de batalha. Isto incluia um acumular de tensões, irritações, raiva profunda e mesquinha (não confundir), nervos, stress que poderia ter gerado energia suficiente para alimentar 273 ascensões e quedas do império Romano. Treinou afincadamente trânsito, atendimento ao cliente da TVCabo, repartições de finanças, livros de reclamações, discussões com funcionários da Emel, jantar em restaurantes de praia cheios, reinstalar o Windows, discussões de café sobre política externa, futebol e religião, programar o vídeo, enfiar uma linha numa agulha segura por uma pessoa com parkinson, catar piolhos com luvas de boxe, e, quando terminou, estava energeticamente pronto para descarregar o maior ataque de fúria jamais testemunhado desde que Deus deu uma topeirada na cama e detonou o Big Bang. Agora só faltava encontrá-lo, à sua némesis, o que não deixava de ser fácil. Estaria, certamente e como sempre, no pior ghetto, cercado pelos maiores facínoras e crápulas, na pior zona possível, à pior hora possível, a conspirar sobre maneiras de tornar as pessoas miseravelmente infelizes. Pensou um pouco, considerou as hipóteses, saiu de casa e foi almoçar à cantina do Parlamento.

(to be continued)

terça-feira, outubro 23, 2007

Another day in paradise

Informática O computador tem nove meses, é um Pentium IV vendido por 2.000 euros quando qualquer computador de 600 tinha Core Duo. Está todo avariadinho. A loja (que é uma loja de aeromodelismo e não de informática) prometeu que o arranjo era num instante. Vão lá quinze dias e ninguém sabe de nada a não ser o técnico. O técnico está incontactável.

TV Cabo A Power Box alugada ontem, primeiro não funcionava, depois funcionou e logo deixou de funcionar outra vez. Depois de 7€ gastos em chamadas para o atendimento, vão mandar uma equipa técnica a casa. Mas essa equipa não pode instalar uma segunda ficha de TV Cabo. Para isso tem que se pagar uma deslocação de 25€ a outra equipa.

Transportes IKEA Comprados os móveis e pago o transporte na caixa, a IKEA subcontrata o transporte. Para além de demorar mais de 15 dias, ficaram de ligar ontem ou hoje e até agora... nada.

Simplex O António Luís Matias Santos Ferreira Silva (nome fictício) está na Certidão de Registo Comercial como Luís Matias Santos Ferreira Silva. Assim sendo, o notário recusa-se a reconhecer a assinatura. Coitados dos americanos que são aos milhões e só têm um apelido cada.

Apenas um ponto

.

Opus Vigarei

Então a conta do maroto do miúdo já vai em 12 milhões e ninguém me dizia nada... Quando for assim têm que me avisar!
Vá, usem as minhas duas últimas senhas de presença das reuniões do Conselho de Supervisão para pagar isso e fiquem com o troco.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Segunda-feira...

Hoje levantei-me a custo para enfrentar o que já seria um dia penoso, ou não fosse segunda-feira, apenas para me deparar com uma prenda colada ao pára-brisas do carro e não, não era uma caganita. Antes fosse, raios partam a cloaca de onde aquele pedaço de papel veio. E, começando mal, um dia raramente se endireita. Apressado para chegar ao local do meu suplício laboral, atirei-me para a A5, confiante na designação de auto-estrada daquela via para me fazer chegar a tempo ao destino. Está bem abelha. Velocidade só na cobrança pela via verde, o resto eram só avisos sobre trânsito lento. Animado, diria mesmo refrescado por este belíssimo começo que me arrancou da cama quentinha, fui prontamente saudado pelos 100% de humidade que a serra de Sintra prende do lado errado do mundo. Óptimo. Falhado o café matinal por falta de tempo, caiu-me em cima uma tal carga de trabalho estupidificante que nem tive tempo de ficar muito mal-disposto. Salvou-se um raio de sol que apanhei de raspão a meio da manhã para resgatar a minha alma imortalmente entediada do purgatório do tédio para onde estava e estou a ser remetido. E ainda o dia ia a meio quando surgiu a tarefa que relegaria todo o restante fardo de Sísifo lá para o topo da montanha (de onde amanhã virá certamente a rebolar com velocidade redobrada direitinho aos meus ombros). Ao fim do dia reorganizar o arquivo. Ui, que bom. O meu reino por um lança-chamas e depois arquivo tudo em C de Cinzas. Se Kafka tivesse trabalhado aqui, "O Processo" teria 5 volumes e a floresta amazónica mais uns quantos hectares. O que mais me estará reservado? Tremo só de pensar. Valha-me que as paredes podem prender o meu corpo mas o administrador da rede ainda não bloqueou este endereço! Espero não estar a falar antes do tempo, senão, como último recurso, restar-me-ia apenas sair daqui em espírito, fuga essa escondida por um ar de intensa e intrasponível concentração, como convém. Bom, de volta à labuta que os cinco minutos de pausa já se esgotaram e para aqueles que acham mesmo que o ditado "Paus e pedras podem quebrar meus ossos mas palavras não me atingem" nunca ouviu "Estás despedido!" ou "Horas extra não remuneradas!".

quinta-feira, outubro 18, 2007

Bocejo

Uuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...

Peço imensa desculpa mas era isto ou espreguiçar-me aqui em frente a esta malta toda.

Continuemos serenamente rumo ao fim do dia...

quarta-feira, outubro 17, 2007

Levanta-te

contra a pobreza

e vai trabalhar, ó mandrião!!!

(este post manifestamente fascista e que me garante entrada directa lá onde até as chamas têm calor, serve apenas para celebrar o regresso da internet de banda larga à minha vida!)

O excesso formal foi sempre índice de decadência.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Ena Pá! 2000... anos no inferno!

És cruel

Mataste a tua filha com um cordel

Transformaste a tua casa num bordel

És cruel

És tarado

Drogaste os teus filhos, que pecado

Praticas swing à bruta e és casado

És tarado

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Não sei onde vais parar

És ignóbil

Levaste o cadáver no automóbil

E cremaste a criancinha em Chernobil

És ignóbil

És vaidoso

Andaste a foder a vizinhança

E davas droga a uma criança

És vaidoso

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Não sei onde vais parar

És obtuso

Bebes vinho em vez de agua do Luso

Agora tás mais enroscado c’um parafuso

És tarado

És obsceno

Encheste as veias de Maddie com veneno

Encharcas-te com vinho do Reno

És cruel

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Eu sei onde vais parar

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Eu sei onde vais parar

Eu sei onde vais parar

Piadola sádica e gratuita

10 miúdos vão jogar às escondidas. Quem ganha?

A Maddie...

(via email)

Máquina do tempo

Ultimamente, noto que os casamentos se tornam em máquinas do tempo pelas reuniões que proporcionam entre amigos de longa data e/ou separados por distância física ou estilos de vida. Claro que nem todos possuem igual potencial para este efeito mas agradaram-me muito, nesse aspecto, os últimos a que fui. Quando o espírito está lá, e ainda está tanto, basta um empurrazinho e as peripécias sucedem-se em alegre catadupa. Chaves partidas ou perdidas, quedas e tropeções, poses, desencontros, figuras, frases e fotografias marcantes, gaffes, gralhas e quejandos, tudo isto perdido entre abraços e gargalhadas regadas a contento, com a euforia típica de quem celebra a vida como ela merece e ao lado dos amigos de sempre. Muito bom!

Adiante-se que poucas coisas têm o nível de um fraque de pé descalço. Muito poucas mesmo. Uma coisa séria! Uma coisa digna! Uma coisa para a qual é necessária uma coragem que não está ao alcance de todos. Eu diria que era uma bota difícil de descalçar mas a imagem contradiz-me...

E para terminar em beleza, no dia seguinte ao almoço, numa tasca escondida apenas encontrada a conselho de quem sabe, um cabrito grelhado absolutamente delicioso!

sexta-feira, outubro 12, 2007

A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade?!?

A verdade, expoente máximo da relatividade, tem-me surgido ultimamente sob as suas mais variadas formas, em vários momentos e situações. Há a verdade dos factos, matemática, fria, implacável e que, mesmo assim, por vezes, teima em ser deformada para se conformar aos superiores desígnios de quem a tenta controlar. Neste aspecto em particular, trabalhar na indústria tem servido para me elucidar sobre este assunto - uma assinatura e uma data são suficientes na maioria dos casos, ainda que, por vezes, seja necessário algo um pouco mais elaborado. Seja. Podemos sempre vender para mercados menos exigentes ou incluir um disclaimer no folheto informativo: Reacções adversas - O que não mata, engorda. Adiante. Melhor que o 2+2=5 com que me confronto profissionalmente, ficam as verdades temporárias. Pena é que nem sempre se lembrem de colocar o aviso: Esta verdade autodestruir-se-á dentro de 30 minutos. Por favor abstenha-se de agir em conformidade com versões desactualizadas a seguir a esse período de tempo. Outro tipo ainda refere-se às verdades que, na verdade, não precisamos de saber - a chamada need to know basis. Isto pode ser 1) muito enervante quando nos apercebemos que estamos a ser levados por tolos; 2) muito conveniente quando o melhor mesmo é nunca saber para não termos de agir em função desse conhecimento; 3) absolutamente indiferente e só ocupa espaço. A questão está toda em quem decide essa need to know e, muito importante, qual o grau de confiança que depositamos nessa pessoa e os riscos que estamos dispostos a correr baseados nessa confiança. Há também a verdade como nós a vemos, nem sempre consentânea com aquela vista por outros ou com a realidade, e, dessa disparidade, nasce a necessidade de termos amigos fiéis para nos ajudarem, para nos abrirem os olhos, para dizerem aquelas verdades inconvenientes, para serem as lentes que nos corrigem a visão deformada, para nos trazerem os pés de volta à terra ou para nos darem aquele empurrão que nos tira os pés do chão. Muito más são as verdades cruéis, a verdade de arremesso, aquelas que nos atiram à cara da pior forma possível, sabendo que sabíamos ou não, pelo gosto de apreciar o impacto no muro de cimento da realidade não amortecida. Também não é bom andarmos a alimentar verdades que não o são, como aquela do pior cego, o que não quer ver, ou só vermos um lado dessa verdade, como se tivéssemos palas nos olhos que nos obrigassem a uma perspectiva cubista das coisas ou polarizadores que nos obriguem a uma realidade a preto e branco, sem tons de cinzento intermédios. Ainda assim melhorzinhas, ficam as verdades libertadoras, que nos tiram um peso de cima quando reveladas ou confirmadas. Gosto também do equilíbrio de verdades, entre uma visão ligeira e simplificada do mundo, de uma verdade assim um pouco naif e despreocupada, do género "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", e uma visão absolutamente paranóica e delirante (versão da verdade também disponível a seguir à administração de LSD) em que não uma coisa pode não ser só uma coisa, como pode até ser uma coisa pequena e peluda com muitas patas, dentes e garras. Já dizia o Mulder, the truth is out there, e, procurando bem, acho que conseguimos encontrar uma verdade para cada um de nós. A que melhor nos convenha. A que nos faça mais felizes. A que melhor se encaixe naquilo que procuramos.

Como dizia outro dia em conversa, ainda que nem tudo o que digo deva ser entendido como a verdade convencionalmente aceite, até porque é sempre bom deixar uma margem para mal entendidos, innuendos, segundos e terceiros sentidos, trocadilhos e confusões, no que realmente importa, na minha ordem de valores, claro, já que não posso usar outra, sou absolutamente sincero - I always tell the truth, even when I lie. Recuso-me, de momento, a revelar a tal escala a conselho do meu advogado e porque a CMVM - Comissão de Mercado de Valores (A/I)Morais - suspendeu recentemente a sua cotação na bolsa por suspeitas de especulação.

A verdade é perigosa, a verdade liberta, a verdade magoa, a verdade desperta. E, ah, é verdade, se vão mesmo ter de aldrabar, não sejam apanhados... parece verdadeiramente mal.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sampi VI - A batalha (parte I)

Sampi, confortável com a vida que há já algum tempo levava errando por todo o espaço-tempo desta esfera terrestra à qual chamamos Terra e à qual ele chamava, carinhosamente diga-se, ermo perdido no canto errado da galáxia, mas do qual, no fundo, no fundo, bem lá no fundo do poço negro e recôndito a que ele chamava alma, lá debaixo daquela camadinha de lodo apodrecido e fétido que revestia um recanto esquecido do seu âmago extraterrestre, até tinha acabado por gostar bastante, estava a passar por um período de acalmia generalizada em todos os aspectos da sua até agora bem turbulenta, ainda que divertida e educativa, travessia desta parte do universo. Quem diz acalmia generalizada diz entropia apenas ligeiramente abaixo do encontrado num tornado grau 5. E isso era estranho. Muito estranho. Não tão estranho quanto os chinelos de quarto de Sampi, feitos a partir de dois exemplares de uma espécie de texugo trombudo venenoso já extinta, mumificados em âmbar e enfeitiçados para andarem sozinhos e atenderem pelo nome (trobix e trombão, esquerdo e direito, respectivamente), mas mesmo assim atingindo um grau razoável de esquisitice na escala de Pikuynwickz-Schyzovrenius. Sampi sentia-se irrequieto, incomodado, nervoso, agitado mas isso nem era o pior e deve ter sido o sushi de baleia de ontem que não estava bem morto. Sentia comichão, formigueiro, calor, vermelhidão e apareceram-lhe umas borbulhinhas suspeitas mas isso devia ser uma doença venérea desconhecida apanhada no seu último safari. Levantou-se. Sentou-se. Mexeu-se. Remexeu-se. Coçou-se. Foi-se deitar. No dia seguinte estava na mesma com uma diferença subtil. Deitou-se na cama na sua mansão e, ao acordar, estendeu a mão para a mesa de cabeceira e encontrou apenas uma pilha de escombros. Tentou o outro lado com o mesmo resultado. Abriu os olhos. Escombros. Tacteou a cama. Escombros. Casa de banho. Corredor. Sala. Escombros. Escombros. Escombros. Isto começava a ficar monótono. Pensativo, perambulou ao acaso e pontapeou distraído o resto do plasma enquanto ponderava as hipóteses que poderiam explicar o sucedido: Copos? Nahh, só tinha bebido as três garrafitas de vinho da praxe ao jantar e a habitual garrafa de scotch antes de dormir. Drogas? Nope, o haxixe já não faz este efeito e a cocaína não bate assim. Azia? Nem por isso; o Benfica ganhou. Mau feitio? Até podia ter sido mas, como sempre, tinha tido o cuidado de arrasar uma montanha depois do ginásio e sentia-se relaxado. Isto era coisa de outra pessoa, e mais, este estilo era-lhe familiar... será que... humm... mas.... bolas... nem pensar... no entanto... deixa ver... AAAAAAHHHHHHHHHHHH! Estropício!! Estupor!! Alarve!! Estava mesmo a ver isto! Tinha de ser ELE!!! Vai pagá-las!!!

(to be continued)

segunda-feira, outubro 08, 2007

E, felizmente, há dias assim...

Sem sangria no parque, sem alimentar animais no zoo e sem filmes mas, mesmo assim, perfeito! Um dia tão cheio que passou a correr. Com castelos perto da praia. Com conversa, brincadeira e riso. Com gelado, gatos, bebidas esquisitas e poemas parvos sobre grades e trepadeiras. Com cães atrevidos e parapentes trôpegos. Com tacos de basebol e frases estranhas que fazem virar cabeças a sorrir... Quero mais!

E, num registo diferente, em companhia diferente, mas também agradavelmente preenchido, há dias de passeio pela história, por locais intocados onde o tempo não passa, onde mistérios parecem surgir das brumas do passado, onde estórias de cultos e ritos secretos ganham vida para assombrar os tempos modernos, onde túneis, poços e passagens secretas alimentam a imaginação e a paisagem nos eleva para longe da realidade demasiado fria e crua dos nossos dias.

Em jeito de guia turístico, no bom e velho estilo do vá para fora cá dentro, a solo ou com a companhia que bem entenderem, aconselho vivamente Óbidos e Sintra. Há ginjinha e travesseiros. Há castelos e palácios. Há praia e campo. Há estórias e História!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Uma história de amor

que começou ao meu lado. Leiam tudo aqui.

Contos curtos sobre nada: Conversa parva

- Relembra-me lá porque é que não se pode ter tudo o que se quer?
- Porque assim não tinha piada nenhuma.
- Ah!,..., e porque é que não tinha piada se era o que queria?
- Porque sem esforço não dá gozo nenhum.
- E quando não consegues o que queres?
- Ficas triste nessa altura mas mais contente quando conseguires a próxima.
- Forma o carácter, é isso?
- Sim, qualquer coisa como isso.
- Estás a querer insinuar que não tenho?
- Eu não disse nada... O carácter é teu e a consciência também!
- A minha consciência é descartável.
- Estou a ver. Também queria uma assim.
- Mas olha que tens. E se não tivesses, dava-te a minha. Tudo o que quiseres, sabes disso.
- Tudo? Fazes mesmo tudo?
- Tudo! Menos quando é para o teu bem, claro. Isso e quebrar as leis da física. Ou algumas, pelo menos.
- Também não ia querer tudo, já te disse. E tu também não devias...
- Hum... E se eu afinal só quiser uma coisa?
- Uma coisa?
- Sim, só uma! Uma, mais que tudo o resto!
- E o que é?
- Tu sabes...
- Ei! Assim não vale. É batota!
- Gosto tanto! Sabes?
- Sei...

O meu Benfica...

Ora bolas... caca... raios... que triste e pálida imagem de uma equipa de futebol que ontem ficou em campo. Que bela porcaria de jogo fizeram, com o correspondente resultado no marcador. Que falta de espírito de equipa, de orientação... Pareciam um bando de amadores a correr cada um para o seu lado, desgarrados. Agora começo a perceber o verdadeiro alcance das palavras do treinador. Pediu tempo. Ui! Precisa tanto dele! Precisa que aqueles meninos verdes, tenrinhos comecem a entender que precisam uns dos outros para formar um colectivo, para serem mais do que a soma das partes. Di Maria, Rodriguez, Pereira, Cardozo (que falta de confiança - terá apanhado o vírus do Nuno Gomes? Ao lado deste paraguaio cansado e desmoralizado, a Anabela até parece que respira moral e futebol), Nélson (meu deus!, que erro e, pior, que consequências isto trará para um jogador, jovem e promissor ainda, cujo rendimento depende e varia tanto com a confiança que sente e lhe transmitem - onde andam os centros tensos que serviam os avançados ainda há bem pouco tempo?), Adu, Miguel Vítor, Romeu Ribeiro, Binya, Coentrão, Dabao, Edcarlos, Bergessio, David Luís são miúdos com pouco mais de 20 anos e pouca experiência na primeira liga (ou mesmo no futebol europeu) mas com qualidade suficiente para (alguns) virem a ser jogadores sólidos. Deixá-los cair agora é perder a oportunidade de os ver brilhar em breve porque nota-se talento na maioria deles e grande parte da falência actual da equipa vem da falta de confiança e entrosamento entre eles. Nesta altura há uma responsabilidade acrescida para o treinador (que tanto conseguiu há pouco tempo e que já deu mostras de saber o que faz) e para os jogadores mais experientes e com mais anos de casa como Petit, Rui Costa, Luisão, Leo, Katsouranis e Quim (grande momento de forma!, salve-se algum...) para ajudarem os colegas nesta hora difícil. É preciso fechar e proteger o grupo do exterior porque o que não falta para aí são predadores oportunistas (leia-se imprensa encomendada) prontos para bater quando vêem a presa no chão. Claro que é grave hipotecar tanto de uma época logo no início e deve-se tentar perceber o que está a acontecer para corrigir (Di Maria sempre preso ao lado direito?, Cardozo longe da área?, poucos cruzamentos?, dependência organizacional do Rui Costa?, falta de soluções fiáveis no banco?, falta de confiança?, falhas nas movimentações atacantes sem bola?, falta de golos e vitórias!!) o que está mal mas não é tempo de baixar os braços! Nem pouco mais ou menos! Há ainda objectivos para atingir, sob pena de nos vermos eliminados da Taça de Portugal, Taça da Liga, restantes competições europeias (Grupos da Champions, difícil, ou Taça UEFA) e ver comprometido o apuramento para as competições europeias da próxima época ou repetido o péssimo 6º lugar de há uns anos. Mesmo o campeonato está mais difícil mas não impossível. Não se podia nem devia exigir tanto a uma equipa que perdeu o jogador mais influente da Liga, que sofreu alterações de fundo, director desportivo, treinador e táctica incluídos, e que apostou muito no futuro promissor de miúdos, sabendo, à partida, que resultados imediatos seriam quase impossíveis e que o caminho passava e passa por ter paciência e esperar. Não é um para o ano há mais porque há ainda muito para fazer este ano para poder colher frutos depois. É preciso força e convicção para manter o rumo traçado de início, para não termos de passar outra vez por aquele sentimento amargo de ver bons jogadores (ainda não tão bons como os quiseram fazer nem tão maus como os rotulam agora) brilhar em clubes rivais...

Já não sou o doente da bola que era há uns anos atrás mas continuo a gostar muito de futebol, (pensado, jogado e/ou falado) e, claro, do Glorioso e custa-me demasiado assistir a este arranque penoso e conturbado para deixar passar em claro. Ficar calado nas alturas más para só falar nas boas não me parece grande ideia. Assobiar e criticar a equipa nesta altura, então, é de uma falta de inteligência atroz. Os fans, sócios, adeptos e simpatizantes querem-se ainda mais ao lado do clube nos momentos mais complicados e têm também um papel importante a desempenhar.

Equipa para próximo jogo: Quim, Leo, Luisão, Edcarlos, Luís Filipe, Katsouranis, Maxi Pereira, C. Rodriguez, Rui Costa, Fábio Coentrão, Nuno Gomes. Vamos lá SLB!!!! É para ganhar!!

terça-feira, outubro 02, 2007

Historietas da vida real

2 casais dirigem-se a um restaurante em Tavira, junto ao rio, aprestando-se para se refastelarem com um prato típico de sardinha na brasa. Escolhido um restaurante, um pouco ao calhas é certo, sentaram-se e esperaram pela empregada. Aparece uma rapariga oriental (o que, em conjunto com a decoração do interior do estabelecimento, veio mais tarde provar uma recente mudança no tipo de comida servida de tipicamente chinesa para portuguesa típica) que pergunta pelos pedidos.
- Eram 4 doses de sardinha, por favor!, diz o cliente
- 4 não, 1!
- 1? Porquê? Queremos 4.
- 4 não. Pedir 1 e provar. Se gostar pedir mais.
- Como?
- Às vezes pessoas comer e gostar. Às vezes não comer e reclamar. Eu não querer problemas. Pedir 1.
- Como?
- Eu não saber se sardinhas serem frescas. Comprar no Recheio. Pessoas às vezes comer tudo. Outras vezes deixar no prato. Eu não querer problemas.
- Hum... queríamos 4 bitoques, por favor.
(Ouvido ao vivo, baseado num caso real e reproduzido na íntegra tanto quanto a memória o permite, o que equivale a dizer que não é minimamente de fiar, e também sem nenhum consentimento dos envolvidos, nem que seja tácito. Enfim, em abono da verdade, também não me proibiram e nem sequer posso dar qualquer garantia de que isto não seja absolutamente apócrifo. Adianto ainda que lavo já daqui as minhas mãos, qual Pôncio Pilatos, dos problemas resultantes para o sucesso das sardinhas do Recheio, do turismo em Tavira no geral e deste tasco em particular. Eu não querer problemas! Chamar a ASAE!)

segunda-feira, outubro 01, 2007

10


Faz dez anos esta noite eu não consegui dormir. Olhos abertos de medo e emoção e de muita vontade de ir. Faz dez anos esta noite que começou um ano como nunca tinha tido, como nunca mais tive e como nunca mais terei.

A vida é um jogo...

Ou pelo menos a minha assim parece... nos últimos tempos tenho tido a nítida sensação de que alguém algures tem um comando na mão ligado ao que me acontece. Sensação de paranóia à parte (até gosto de uma frase que diz: I am a kind of paranoiac in reverse. I suspect people of plotting to make me happy.), começam a acumular-se evidências fortes que, reme para onde remar, é sempre contra a corrente. Ou melhor, assim que desisto de tentar vencer os obstáculos que uma determinada decisão levanta e aceito o oposto como dado adquirido, deparo-me com novas barreiras desse lado, inacreditavelmente erguidas da noite para o dia mas que parecem sempre lá ter estado. Assim não vale! Tenho, neste momento, a certeza que assim que estiver a oficializar a minha escolha um meteoro destruirá toda a vida na terra, excepção feita a mim próprio que cá ficarei com uma terceira via que não estava prevista... O que me resta? A loucura? Não me parece; estou contente com a que tenho. Até no resultado do derby deste fim de semana procurei, por sugestão e aposta com uma amiga, indícios, uma pista, uma luz, determinando que caso vencesse o SLB era a hipótese A que ganhava, caso vencesse o SCP era a hipótese B... resultado final: um empate, está mais que visto!! A culpa afinal nem é do Pedro Henriques, do Nuno Gomes ou do Liedson. É minha! E posso adiantar que, pela primeira e única vez, um golo do Sporting ter-me-ia deixado muito feliz... Bom, seja... aceito tudo o que vier aí... decidirei no par ou ímpar, na moeda ao ar se for preciso. Ou num regresso ao passado, ponho uma série a passar e lanço um Agora Escolha! Ainda ontem recorri a esta táctica para resolver outro assunto e ganhou o cenário B, que aguardo com muita espectativa que venha a suceder...