terça-feira, julho 26, 2005

Muito sofre o sócio da Briosa...

O volante Zada, do Santa Cruz, é pretendido pelo Acadêmica de Coimbra, de Portugal, e a diretoria do clube tricolor do Arruda garantiu que não colocará empecilho caso o atleta queira deixar o clube.
A diretoria informou também que a multa rescisória é muito baixa e que não fará questão de segurar o jogador no time. Segundo os dirigentes do Santa Cruz, não seria problema contratar um substituto.
(...)
Além disso, o volante sente dores na panturrilha e estaria vetado pelo departamento médico, caso não estivesse cumprindo suspensão.


E, já agora, o que é uma panturrilha?

Brasil?


Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando, que também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n' roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal
Adeus



Chico Buarque

segunda-feira, julho 25, 2005


Júlio entra a correr para casa de banho da loja, dá meia volta à lingueta de metal e do lado de fora o verde passa a vermelho.
-fico aqui fechado até falar com o gerente!
-saia mas é daí para fora, que já chamei a policia.
-Vou deitar o fogo a isto tudo.
-O senhor está numa retrete quer incendiar o quê?
-então mato-me, pronto, vou cortar os pulsos aqui se não me chama o gerente.
-E com que é que vai cortar os pulsos? Com algum bocado de papel higiénico. --Vá, saia mas é dai que a policia está a chegar e depois é pior.
Bolas, nem um estudante de jornalismo desempregado a fazer um part-time numa loja de conveniência consigo que me dê credibilidade. Será que ele está a fazer bluff com a policia? Deve estar. Para que é que sai de ao pé das couves e dos bois.
(aqui a meditação aprofundou-se e o narrador não consegue saber em que pensa a personagem). Porque a personagem continua a meditar de forma íntima e inacessível ao que o criou, o narrador decidiu tomar medidas, por isso coloca dois negociadores da P.S.P do lado de lá da porta e uma equipa dos G.O.E a pairar sobre Júlio pronta para lhe torcerem o pescoço. Júlio sabe que não pode ter pensamentos tão profundos, inacessíveis ao contador. Júlio sabe qual costuma ser nestes casos o destino das personagens. Ele sabe. Ele soube, porque entretanto um dos operacionais do G.O.E que estivera a almoçar cozido em canal caveira e que enfardara uma garrafa de vinho, teve uma tremura num dedo. Ora, o tremelique nos mindinhos é coisa vulgar em quadros dirigentes depois do almoço bem regalo, agora num agente especial da P.S.P que paira com uma metralhadora sobre um Júlio que reflecte, dá ao narrador a justificação narrativa para acabar com a raça das personagens que têm segredos.
Fora da loja um arrumador pede umas moedas aos enfermeiros que acabam de estacionar em segunda fila impedindo o descarregamento de milhares de holandeses no pavilhão chinês e nas "very tipical casas de fado, fandango, bailinho da madeira, pauliteiros, etc..."

sexta-feira, julho 22, 2005

-Quase 600 paus por pão e leite? Queira desculpar mas não pago. E chame o responsável.
- Eu chamo é a policia, se o senhor não me pagar o que deve.
- Mas eu ainda não devo nada. Ainda não levei nada. Chame-me o gerente.
- Deixe passar as pessoas que estão a trás de si.
- Chame o gerente, já disse. E quero o livro de reclamações.
- Tome lá o livrinho, aqui tem uma caneta e vá escrever lá para o fundo que preciso de atender as pessoas querem pagar.
Júlio senta-se à frente da banca das revistas e escreve a sua reclamação.
Exmos senhores:
Sois um cabrões de primeiríssima água. Venho de uma terra onde os animais comem palha, fornicam à bruta no campo e cagam por todo o lado, mas aqui tabelam o pão e o leite a 600 paus. Foda-se. Acredito tanto na justeza destes preços como na virgindade de Vossas estimadas mães antes dos 9 anos.
Sem mais, subscrevo-me pacientemente, aguardando que morram de diarreia fulminante ou de combustão espontânea.
Júlio.

-Aqui a reclamaçãozinha e agora chame o gerente.
-Pronto, agora vai ter uma resposta à sua reclamação.
~-Eu sei. Mas quero o gerente.
-Estamos quase a fechar, é sexta-feira, o gerente já foi de fim de semana. Ele não o vai atender hoje de certeza.
-Quero o gerente! Quero o responsável pelos preços destes produtos!

quinta-feira, julho 21, 2005

Proposta para redução da despesa do Estado

Confronto de todos os currículos académicos das pessoas pagas (directa ou indirectamente) pelo Estado - e que recebam mais de 1000 euros mensais - com as funções que ocupam.
Despedimento ou redução do salário para nível condizente no caso de as qualificações académicas serem insuficientes e/ou inadequadas para a posição ocupada.

O Ministro do lusco-fusco


Foram cinco/sete minutos, mas foram intensos.

continua amanhã

Ele há coisas indesculpáveis. Mesmo para um bom feitio como o de Júlio, sacristão a fazer serviço extra em duas igrejas perto de Cinfães, é difícil aguentar. E nem foi pelo dinheiro, porque felizmente a vida sacra ainda vai dando para os gastos, foi pela moral.
Vindo de Cinfães a Lisboa tratar de uns papéis ao patriarcado, Júlio pressentiu quando recusou um lanche ajantarado, na cantina do convento de São Vicente de Fora algo iria acontecer: "Obrigado, deixe estar, que antes de apanhar o comboio como alguma coisa por aí." Eis a ordenação das palavras que o condenaram, muito antes de ter entrado numa loja de conveniência, pedido um pacote de leite e um saco de pão e lhe terem sugerido que a despesa será de dois euros e sessenta cêntimos. Escrevo por extenso porque o que seguiu precisa desta respiração prévia.

quarta-feira, julho 20, 2005

Tenho à minha frente o ministro dos negócios estrangeiros, uma comissão de três peritos em higiene pública formados em Harvard e uma concha de arrozinho de pimentos ladeados por uma dúzia de tesos peixinhos da horta. O ministro pergunta de onde vêm os pimentos, pela erudição que lhe é conhecida. Os higienistas perguntam se foi usada colher de pau na confecção da alpista por defeito de formação, e eu, eu pingo o lábio inferior e sorvo sonoramente a molhanga. O ministro fica a saber que os pimentos vieram de Ormuz, de uma casa conhecia por fornecer os ditos a Padron na Galiza. Os peritos ficam a saber que de facto foi usado o material da cruz, para mexer o refugado que acamou os bagos e eu, eu, como de tudo isto, penso que está de ananases, peço abacaxi, meia ginga, um café e vou à vidinha.

Mil cores

Aparecidos e desaparecidos. Alegres e tristes. Felizes e infelizes. Grávidos, casados e solteiros. A acabar coisas e a começar coisas. Em presença, por mail e por telefone. Tantos amigos reapareceram em força nos últimos dias. E com tantas cores novas nas suas vidas.

terça-feira, julho 19, 2005

segunda-feira, julho 18, 2005

Borra

Dos livros de História:

«Napoleão Bonaparte, durante suas batalhas usava sempre uma camisa de cor vermelha. Para ele era importante porque, se fosse ferido, na sua camisa vermelha não se notaria o sangue e os seus soldados não se preocupariam e também não deixariam de lutar. Toda uma prova de honra e valor.»


... Duzentos anos mais tarde, Sócrates usa sempre calças castanhas...



(recebido por e-mail)

quinta-feira, julho 14, 2005

O Rats

Escrevia Ratzinger em 2003:

"Tratam-se de subtis seduções, que agem sobre o inconsciente distorcendo profundamente a cristandade na alma, antes que ela se possa desenvolver devidamente"

Vejam quem é, para Ratzinger, este diabo em figura de gente. Aqui.

quarta-feira, julho 13, 2005

Juro que vi o rissol mexer-se. Juro. Era de carne, dourado e estava ligeiramente tostado num dos lados. Confrontava pelo lado direito com uma folha de alface, pelo esquerdo com uma bola de arroz e tinha a cavalo, um ovo. Um ovo destemido, de gema alvíssima e de clara escura. E foi a gema que o denunciou. Estremeceu, e rompeu-se com o esgar que só o pão ralado frito consegue ter. Ergui-me enérgico. Percorri o espaço até à cozinha e exibindo o prato como uma bandeja perguntei: "Não aprenderam na cadeira de Fritos II da Escola Superior de Turismo e Hotelaria a gasear devidamente os rissóis antes de os fritarem?". " Não, os rissois, como aliás as enguias perdem o seu valor proteico se fritos mortos. "

Eu já fui um pessimista

Há dois anos eu era um pessimista. Hoje os outros são tão pessimistas como eu era. Mas isso foi a única coisa que mudou. Vale a pena recordar este texto de Outubro de 2003, no dia a seguir ao Sr. Governador do Banco de Portugal, que ganha mais de 19.000 euros por mês, ter ido ao parlamento dizer, pela enésima vez, que este ano ainda será mau mas para o ano teremos retoma:

Por um
Portugal T

A economia é uma daquelas áreas que, no último século, os especialistas se esforçaram por complicar a ponto de que ninguém a perceba.
No entanto a maior parte dos seus mecanismos é de bastante fácil compreensão.

Estávamos no início do século XX e já Henry Ford percebia que para o seu famoso Modelo T ter sucesso era fundamental que os trabalhadores que o construíam ganhassem suficiente dinheiro para o comprar. Para além de parecer ridiculamente óbvia, esta condição é absolutamente justa.
Hoje, um século depois do sonho de Ford tornado realidade, há um pequeno país no ocidente da Europa que ainda não percebeu isso. Portugal ainda não percebeu que não é um país economicamente viável enquanto os portugueses não o puderem comprar. É hoje claro que é mais caro viver em Portugal que viver em Espanha. As casas, os carros, os supermercados, os restaurantes... tudo é mais caro em Portugal. A diferença é que nenhum espanhol tenta viver mensalmente com 360 euros...
Os portugueses têm que perceber que enquanto o salário mínimo nacional não for, a preços de hoje, de cerca de 600 euros, o país não vai sair de uma crise mais ou menos profunda, mas que se arrasta há dez anos.
Precisamos de um Portugal T. Transparente. Tranquilo. Transformado num país desenvolvido.



(onde se lia dez, leia-se agora doze)

terça-feira, julho 12, 2005

Aviso

Se o Benfica não faz rapidamente mais uma contratação, vamos ter que começar a falar da crise outra vez.

sexta-feira, julho 08, 2005

isto anda bonito, anda...

Sabes dos atentados em Londres dois dias depois; perguntas se já é dia outra vez; achas normal andar com uma escova de dentes no bolso de trás das calças; deixas passar em branco o aniversário do blog; já comes mac pitta duas vezes por dia. Qualquer dia até vais passar um fim de senama numa comunidade geriátrica no Algarve.

quarta-feira, julho 06, 2005

Ó miséria! Ó desastre!

À nossa volta há fome, miséria, depressão, corrupção. Todos os dias as imagens e as palavras nos entram pela sala. O desemprego, as falências, a colecção de arte do Champalimaud a ser leiloada, a pobreza, a violência, o Belmiro de Azevedo a vangloriar-se que os seus funcionários precários e mal pagos não têm horário de trabalho, as mortes no Iraque, o preço do petróleo, o Sócrates a falar dos impostos que prometeu não subir, a reunião do G8, os incêndios, os salários que não sobem, as intervenções do Marques Mendes no parlamento... enfim, a depressão.
E quando pensávamos que não podia acontecer nada pior, eis que vejo o telejornal e me vêm as lágrimas aos olhos. Acabaram com o Ballet Gulbenkian? O que será de mim sem o Ballet Gulbenkian? O que será do mundo sem o Ballet Gulbenkian? O que será das crianças com fome sem o Ballet Gulbenkian? O que vamos nós fazer agora nos nossos tempos livres? Vamos todos fazer um abaixo-assinado pelo Ballet Gulbenkian!

terça-feira, julho 05, 2005

O blog que Kurt Vonnegut gostaria de ter escrito em parceria com Gabriel Alves

O blog que mais me faz rir em toda a blogosfera e que eu aconselho a todos os meus amigos fanáticos por futebol fez dois anos.
Continuem a trabalhar todos os dias, para fazer coisas bonitas, ao fim-de-semana ou não!