quinta-feira, setembro 30, 2004

never trust something that bleeds for five days and doesn't die
t-shirt, camden, londres

enchia-te a cunaça de bergamassa
parede, escola josé falcão, coimbra

O único tirano que admitimos é a voz da nossa consciência!
tarja, universidade de coimbra

Parede

Penso escrever um texto sobre o blog que faria se tivesse tempo e nunca farei. Um blog só com frases encontradas escritas em paredes, tarjas, t-shirts e portas de casas-de-banho. O post acabaria com a melhor de todas as frases que já li numa parede. "Foste um bom robot hoje?" A frase é pública e está aos olhos de todos numa parede da Universidade de Coimbra. Decido Googlá-la para ver se o tema é original. Não é. Cinco ou seis blogs portugueses já a citaram. Um até com a mesma ideia de uma recolha de frases escritas em paredes. O Diário de Notícias já a citou.

Mas isso não importa. O que importa é: Foste?

Maldição

Como um pássaro que, em voo, pára e olha para baixo.

Pobres dos que param para pensar; felizes os que têm a capacidade de passar uma vida inteira a bater as asas.

Um dólar, um voto

Bilderberg, Bilderberg, Bilderberg Group.
Nos últimos dias as referências ao Bilderberg não me têm deixado em paz. O que é afinal o Bilderber Group? Depois de uma rápida investigação, eu poderia arriscar tentar dizer-vos. Mas prefiro deixar-vos a definição da BBC

The Bilderberg group, an elite coterie of Western thinkers and power-brokers, has been accused of fixing the fate of the world behind closed doors. As the organisation marks its 50th anniversary, rumours are more rife than ever.
Given its reputation as perhaps the most powerful organisation in the world, the Bilderberg group doesn't go a bundle on its switchboard operations.

What sets Bilderberg apart from other high-powered get-togethers, such as the annual World Economic Forum (WEF), is its mystique.

Not a word of what is said at Bilderberg meetings can be breathed outside. No reporters are invited in and while confidential minutes of meetings are taken, names are not noted.

The shadowy aura extends further - the anonymous answerphone message, for example; the fact that conference venues are kept secret. The group, which includes luminaries such as Henry Kissinger and former UK chancellor Kenneth Clarke, does not even have a website.

In the void created by such aloofness, an extraordinary conspiracy theory has grown up around the group that alleges the fate of the world is largely decided by Bilderberg.

In Yugoslavia, leading Serbs have blamed Bilderberg for triggering the war which led to the downfall of Slobodan Milosevic. The Oklahoma City bomber Timothy McVeigh, the London nail-bomber David Copeland and Osama Bin Laden are all said to have bought into the theory that Bilderberg pulls the strings with which national governments dance.


Na reunião do 50.º aniversário do grupo, em meados deste ano, estiveram presentes 4 portugueses. Pinto Balsemão, aparentemente o mais antigo membro de entre os lusitanos, Santana Lopes, ainda Presidente de Câmara, José Sócrates e António Vitorino... Notam alguma coisa estranha? Pois...

Aqui podem encontrar a lista completa dos participantes. Para além dos referidos Clarke e Kissinger, irão encontrar nomes como John Edwards (candidato a vice-presidente dos EUA), Richard Holbrooke, Melinda Gates (mulher do nosso conhecido Bill), Mario Monti, Beatriz da Holanda, David Rockefeller, Jean-Claude Trichet (Presidente do Banco Central Europeu) e mais uns quantos nomes conhecidos.

Mas não se preocupem! Isto é só uma teoria da conspiração...

Poço sem fundo

Em 1995 os líderes dos dois maiores partidos portugueses eram Cavaco Silva e António Guterres. O primeiro desgastado por dez anos de poder e exposição pública, o outro a esperança no diálogo.

O Cavaco saiu e veio o Nogueira, depois o Marcelo. É sempre difícil substituir um grande líder (os portistas que o digam...) e, portanto, nada de preocupações. Só uma fase de transição.

Entretanto, rapidamente o Guterres se afundava e no PSD aparecia o Durão. Uma miséria, começaram a perceber os portugueses mais atentos. Um que falava e não fazia e outro que nem falava, só traía...

Sai Guterres, Durão vai para o governo e aparece o Ferro. Batemos no fundo! Não é possível descer mais. Pelo menos isso! Agora é sempre a subir!

Mas o Durão sai, o Ferro demite-se e, de repente, temos Santana e Sócrates na liderança.

O fundo do fundo? Já não acreditamos nisso! Mas o que virá a seguir? Um castor e um rato? Uma couve e um tufo de cotão? Esteja atento aos noticiários para saber das novidades!

"The horror! The Horror!"

Há muitas coisas que não entendo. Destas, há as em que reflicto, e que por isso mesmo me levantam muitas dúvidas, e há as que me fazem rir pela impossibilidade de as pensar com racionalidade. Os capelões no exército, a veia ecuménica da igreja e o desejo de justiça popular fazem, assim, parte de uma boa barrigada de riso. Não percebo como é que uma instituição que defende o direito à vida, permite que os seus ministros sirvam num exército que não serve para outra coisa que impedir o direito à vida. Enfim... mas o que me interessa por agora é a justiça popular.
Recordo que quando Carlos Silvino foi preso, uma das corujas que todos os dias o ia insultar para a frente da judiciária, era uma simpática velhinha, temente a Deus, e capaz de fazer os melhores pastéis de bacalhau de Alfama. Esta senhora, ou melhor, Avó mítica, um dia foi entrevistada. Então debaixo dos cabelinhos brancos, dos olhos brandos e da expressão doce diz: " se eu o apanhasse metia-lhe um arame farpado pelo cu acima, atava a ponta a burro e punha-o a correr. Havia de lhe tirar as tripas." Ora, descontando, a pobre da alimária que nada tem que ver com os problemas dos homens esta senhora, numa frase, conseguiu pensar numa coisa que nunca vi escrita nos melhores manuais de libertinagem. De onde virá esta vontade de vingança de tão inofensiva velhinha? Que incontrolável força foi responsável por tão inqualificável ideia? Deus? o diabo? era mesma? Quem ou quê? "o espírito da perversidade"?
A resposta sobre a origem é difícil de dar, mas a realidade é fácil de constatar: no campo das paixões humanas, impera o hediondo. "The horror! The Horror!"

quarta-feira, setembro 29, 2004

Chorar a rir



Por causa de uma pesquisa no imdb, acabo por "dar de caras" com o melhor filme de comédia que alguma vez vi. Chama-se "Non ci resta che piangere" (em português seria qualquer coisa como "Só nos resta chorar") e é um filme a meias entre um jovem Benigni e Massimo Troisi (o entretanto falecido carteiro de Neruda).

A história base é a seguinte: um professor primário e um funcionário da sua escola (ambos de QI muuuito baixo) que, enquanto estão parados numa cancela à espera que passe um comboio são "transportados" umas centenas de anos para trás, indo encontrar, entre outros, um Leonardo da Vinci ignorante ao ponto de não saber como funciona uma lâmpada, o comboio ou um simples jogo de cartas...

Enfim, uma barrigada. Em Portugal parece-me que o filme não existe, e uma das minhas obrigações na primeira viagem a Itália é comprar o DVD. Façam o mesmo, que garanto que vale a pena!

terça-feira, setembro 28, 2004

Saúde, regulação, doentes e anonimato

Sexta-feira passada fui ao Colóquio "Reforma e Regulação da Saúde", na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. À partida, e dadas as diplomáticas intervenções do Presidente da República e do Ministro da Saúde, tal não seria motivo de post na Gabardina. Mas duas coisas aconteceram que vale a pena destacar:

1. Em Abril deste ano escreveu-se na Gabardina que Para uma discussão sobre a saúde em Portugal convidam-se os médicos, os farmacêuticos e os governantes (...) mas quem tem propriedade para falar sobre a saúde em Portugal são os doentes. (...) Por isso, apenas por uma questão metodológica, deve sempre desconfiar-se de uma mesa redonda para discutir a saúde em Portugal onde não estejam presentes os doentes.Ora, surpreendentemente para mim, no referido colóquio foi incluída uma doente numa das mesas. A Dra. Rosa Gonçalves, da Plataforma Saúde em Diálogo, expôs a sua experiência, de vida e associativa, e deixou clara a opinião da organização que representa. A sua intervenção pode ter sido uma desilusão para quem foi ao colóquio ouvir falar de Regulação ou da Reforma da Saúde. Mas duas ideias interessantes ficaram das suas palavras:
a) Os doentes preocupam-se com aspectos concretos do Serviço Nacional de Saúde e não com grandes teorias que os velhos pensadores da saúde em Portugal gostam de discutir (até porque estes são como o Arafat - se tivessem vontade/capacidade para resolver o problema já o teriam feito);
b) O SNS deve ser independente das mudanças do poder político e não oscilar entre o público e o privado como um pêndulo, como mostrou que tem acontecido o representante do Banco Mundial.
Parece-me que, de facto, vale a pena ouvir os doentes quando se fala de Saúde.

2. O responsável principal pela organização do colóquio foi o Prof. Vital Moreira, meu Professor na pós-graduação de Regulação Pública há dois anos. Quando nos cumprimentámos, o Prof. Vital apontou-me o dedo e disse: "Então você tem um blog anónimo?" É verdade. Lá se foi a tese de que é fácil dizer tudo o que se quer sob a capa do anonimato, com que tanto se atacou os blogs anónimos há uns meses atrás. Tudo se descobre neste maravilhoso mundo que é a net. Tudo menos quem é o Pipi. Parece que fui denunciado por um blog, mas ainda não descobri qual. Não sei se o meu colega de blog também o foi. Fica a blogosfera a saber que somos dois, debaixo desta Gabardina. Para o Prof. Vital, e para o Causa Nossa, continuação de boa escrita!

Nobre Guedes na Arrabida

Poucos como Pacheco Pereira têm reflectido e valorizado os Blogs como um novo meio de informação. Aqui fica um bom exemplo das novas possibilidades dos blogs: informação independente dos grandes meios de difusão: http://www.nobreguedes-na-arrabida.blogspot.com


Mascotes geladas



As mascotes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim'2006, foram desenhadas por um português.
Chamam-se Neve e Gliz e são, respectivamente, uma bola de neve e um cubo de gelo.
Se fosse em Portugal já haveria vozes a dizer "mas será que não havia cá ninguém que fizesse uma mascote melhor que essas? Era preciso contratar um italiano?" Felizmente para o Pedro Albuquerque, nem todos são tão chauvinistas como os tugas...

segunda-feira, setembro 27, 2004

"quinta das celebridades"

Porque não há sinais de guerra civil no Iraque e porque o governo Português dá todos os dias exemplos de competência, hoje, em vez do jornal, comprei a TV Guia. Atraiu-me o assunto da capa: A quinta dos Famosos. O programa consiste em colocar num ambiente rural algumas pessoas conhecidas da televisão. Este programa de que todos vão dizer mal, mas que vai alimentar muitas conversas, assenta numa ideia interessante: o confronto da sofisticação da cidade com a realidade rural.
O povo rural que habita as cidades, e que projecta nas caras conhecidas da televisão, o sucesso do emigrante da aldeia, vai ter a oportunidade de gozar com a ignorância das estrelas como as estrelas gozam com a ignorância do povo. O povo que lê as revistas e se sente esmagado pelas vidas interessantes, pelas festas, pelas casas maravilhosas e pelos casamentos felizes, vai pela primeira, gozar com a ignorância de pegar numa enxada, com a dificuldade em ordenhar uma vaca ou segar uma ceara.
As celebridades vão ser ridicularizadas a fazer as tarefas que, quem ainda tem a ideia mítica da terra, ou da aldeia, toma por elementares. Mas a verdade é que só quem sabe, ou pensa que sabe, ordenhar uma vaca é que se pode rir de quem não sabe. Este novo reality show não vai tirar o Zé Maria de barrancos para as festas. Vai pôr o Castelo-branco nas couves. E isto é novo.
Estas celebridades, "bifes em fruteiras" embora ridicularizadas pelo povo vão na verdade, revelar o Pais profundamente rural e conservador que habita nas cidades. Um povo que utiliza os paradigmas de vida no campo para resolver um problema que ainda não percebe: o fenomeno urbano.

quarta-feira, setembro 22, 2004

It was not time to make a change...

Os EUA recusaram-se a deixar entrar no país o cantor Cat Stevens. Ao que parece, o artista, que se converteu ao islamismo e se chama agora Yusuf Islam, faz parte de uma lista de terroristas que não podem pisar solo americano.

Bem podia o Yusuf ter aprendido com as suas próprias letras...

There's so much you have to go through
(...)
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

SM.O


A questão do serviço militar obrigatório sempre me fez pesar dois argumentos contrários. Por um lado, recuso que alguém se tenha de submeter a ordens de superiores, por outro lado reconheço o valor, que do ponto de vista político tem o facto de as forças armadas serem formadas por populares.
Consciente de que neste caso não é possível uma conciliação, decidi-me por defender o fim do serviço militar obrigatório, escolhendo como mais importante o primeiro argumento. Assim, saúdo o trabalho do governo e critico as posições do PCP, que embora o esconda da opinião pública e especialmente dos mais jovens, defende a continuação do S.M.O.
O fim do S.M.O é um objectivo politico que a esquerda nunca conseguiria realizar, pois a esquerda teria muita dificuldade em pôr de lado o acervo do 25 de Abril, uma revolução só realizada porque que os militares eram o povo, e esquecer o chavão (verdadeiro aliás) de que o poder está na ponta do fusil.
Agora que as espingardas serão manejadas por quem é pago para isso, é necessário, para evitar que suceda o que acontece todos os dias no Sudão, que se defenda a extinção pura e simples do exercito português.
Um exército serve para matar gente. È para isso que serve. Para matar. Depois de agradecer à direita como agradeci, pela extinção do S.M.O gostava de lhe perguntar como é que se pode ser contra a I.V.G e continuar a querer um exército que só serve para matar. Como é que se pode dizer que a vida é um valor absoluto e pagar a homens para matar? A resposta transpira da pergunta: A vida não é um valor absoluto: para a I.V.G é, para manter um exército não é.

terça-feira, setembro 21, 2004

Dúvida

Camacho será o próximo treinador do Porto ou do Sporting?

Aplauso

E, finalmente, estou de acordo com o ministro Bagão.
O anunciado fim dos benefícios fiscais para as contas poupança-habitação e poupança-reforma representam uma moralização do sistema fiscal. Há demasiados anos que andamos, injustificadamente, a financiar quem não precisa, prejudicando aqueles que verdadeiramente precisam.
Estes benefícios são injustificados em 99% dos casos. Talvez a excepção seja a de um país com uma situação económica extraordinariamente boa, sem indivíduos com baixo rendimento, e, mesmo aí, só em situações de necessidade de incentivo à poupança? Talvez o Mónaco, num ou outro ano de maior tendência para o consumismo por parte da realeza...

Neste instante, diz ela

A ministra da educação, poisa com doçura a face na sua mão direita. Neste instante, afunda-se na cadeira.
Neste instante, refere que os "meninos" devem poder escolher...Neste instante, diz que há escolas com programas de desporto escolar fantásticos: equitação. Neste instante, na sede do ministério o funcionário que desmaiaram no Sábado à noite de exaustão volta ao trabalho. Neste instante, os portugueses sentem a ampulheta a correr: ou as listas saem até à meia-noite, ou amanhã de manhã não há ministra. E o tempo corre, e das listas nada. Neste instante, a ministra diz que há escolas públicas muito boas. O povo ouve. Pensa. E pergunta em surdina: "Mas não é isso que é suposto?" Neste instante, ainda não há listas e o tempo continua a passar. A demissão em directo. Expectativa. O povo aguarda impaciente. Depois do big brother, dos acorrentados e do master plan, eis a nova receita no entretenimento televisivo:a espada de Damocles: o despedimento em directo. Será que a ministra vai conseguir a acabar a prova a tempo e ficar na casa até à próxima semana, ou vai sair hoje? E faltam 15 minutos, neste instante, para ministra perder a prova.
E pronto terminou... Vamos já para a ligação em directo à casa...

segunda-feira, setembro 20, 2004

O outro lado

"Todos falam da violência com que o rio corre, mas ninguém fala das margens que o comprimem". As citações do Presidente Mao, coligidas no celebérrimo livro vermelho, são assim: iluminadoras do outro lado.
Porque em tudo há sempre um outro lado. O lado que aceita os convites, que recebe os presentes, que aufere os salários e arrecada as reformas. Mira Amaral aceitou a reforma. João aceitou o emprego que sabe que conseguiu apenas porque o seu pai mexeu os cordelinhos. Maria aceitou o salário de 1200 contos, quando sabe que o trabalho que executa vale 120. Tiago aceitou passar à frente no hospital. Ricardo aceitou o favor sem pestanejar.
Normalmente só se fala em quem faz os favores, de quem convida ou quem facilita. Critica-se quem dá, mas nunca quem recebe, porque quem os recebe, está só a fazer o que qualquer pessoa faria, pensa o que quer, ele próprio, evitar a consciencia pesada.
Recusar uma vantagem, que coisa incompreensível nos dias de hoje. Declinar um convite, que sacrilégio. Que insulto!
Se é cretino que seja possível dar a quem trabalha 9 meses, uma reforma no valor a que muitos não têm acesso em 20 anos, é igualmente cretino aceitá-la.

Frase do dia

Amsterdão é uma cidade muito bonita, cheia de cafés.

Os terríveis 80s


80s Posted by Hello

A constituição da equipa maravilha é, da esquerda para a direita:
Jorge "Umbadá" Fernando
Fernando "Bigodaças" Pereira
Amiga Olga Cardoso
Padrinho do Marco António
António "palavra-puxa-palavra" Sala
Cândida (que Deus a tenha em descanso) Branca-Flor
Marido da Valentina Torres
José "Alcácer Quibir" Cid
José "pé de gesso" Malhoa

(recebido por e-mail)

sexta-feira, setembro 17, 2004

Princípio do contribuinte sem custos para o governante (SCUG) II

O contribuinte sem custos para o governante. Quem é? Sou eu mesmo. Aqui estou eu. Eu que sempre que compro seja o que for pago IVA (normalmente os 19% instituídos há uns anos como medida de excepção por alguma coisa de que eu já não me lembro, e ficaram...). Sempre que recebo o salário lá vão os euros para o IRS. Depois temos a SISA, a Contribuição Autárquica, o Imposto Sucessório, o Imposto Automóvel, o Imposto sobre os Combustíveis, o IRC, a Derrama, etc, etc, etc... Tudo coisa pouca. Tão pouca que não dá para que os salários da função pública acompanhem a inflação do país.

Mas o Santana diz-nos que as auto-estradas têm que ser pagas por quem as usa, porque não há dinheiro. Que quem pode pagar os cuidados de saúde tem que os pagar, porque não há dinheiro. Que os aumentos têm que ser pequenos, porque não há dinheiro.

E para onde raio vão os milhões e milhões e milhões de contos que nós pagamos de impostos? A resposta é fácil. Para salários, ajudas de custo, motoristas, secretárias, jantaradas, copos, telemóveis... De quem? Ora de quem... Dos políticos. Dos amigos dos políticos. Das famílias dos políticos. Dos amigos e familiares dos amigos dos políticos. Dos meninos cola-cartazes que ganham 3 e 4 e 5 e 6 mil euros por mês em tachos públicos, porque sim. E dos amigos deles. E para a reforma do Mira Amaral, claro!

Mas vão também para outros sítios mais visíveis. Para os Ferrari, para os Porsches, para os Jaguares, para os BMWs e para os Mercedes que vocês vêem nas estradas e que se vendem cada vez mais. E o que é que podemos fazer? Um pouco de vingança não faz mal nenhum! Nunca deixem carros destas marcas passar nos cruzamentos. Quando estacionarem ao lado deles em supermercados, deixem a porta abrir com mais força e bater na porta deles. Quando passarem por eles à noite, deixem a chavita marota fazer uma marca no painel lateral... É uma pequena vingança - enquanto não se chega a algo de maior -, e sempre há uma transferência de fundos para o bate-chapas lá do bairro...

Pois a resposta é simples. O SCUG serei eu, em breve. Impostos pagos e nada em troca (para já ainda me dão uma ida às urgências quase grátis de 2 em 2 anos). Não sou familiar nem amigo de políticos e nunca colei cartazes. Por isso deve ser justo.

quinta-feira, setembro 16, 2004

Nem sempre

Embora muitas vezes vezes sejamos culpados, sabidões, preconceituosos e cínicos, quase todos clamamos ser Sempre Inocentes, como este blog.

Porque também eu adoro saborear coisas diferentes, vai o link para a coluna da direita, sem ressentimento pela classificação de Amargo que nos é atribuída.

Sim, a Gabardina abre-se quase sempre contra os sabidões, os preconceituosos, os cínicos e esperamos que contra os culpados. Mas também é doce. Pode até ser que um dia venha a ser anticéptica. Para já é só anti-séptica. Está pronta a combater o que está podre.

Espírito Olímpico

Atenas 2004: Korzhanenko e Annus admitem devolver medalhas. Este segundo atleta já anunciou onde os juizes as podem meter.

(da autoria de uma amiga da Gabardina)

Estranho

Logo neste país de gente preguiçosa e pouco produtiva...

UE: Absentismo laboral por doença em Portugal é dos mais baixos

Sem desejo de protagonismo, claro!

A Maasai man in Kenya has had his penis bitten off by his angry wife, who suspected him of adultery.

Vamos já fazer um movimento de apoio a estes pobres homens!

(lido no Amor e Ócio)

O "E" T

Era uma vez um "E". O "E" da palavra "espada". Da espada de D. Quixote. Era um "E", afiado e pontudo. Leve, mas resistente. Louco, magro e triste, mas honesto, justo e recto.
Um dia o "E" acordou no chão. Soltara-se da página onde fora impresso, e um sopro de vento levara-o para o andar de baixo. Abaixo daquele em que estava o livro em que vivera toda a sua vida.
Agora, perdido na biblioteca das bibliotecas, percorre as salas. Cruza os corredores. Sobe os andares. Abre os armários. Visita as prateleiras. Lê os livros. Percorre as páginas. Analisa as frases. Divide as orações. Segue as linhas e entoa todas as palavras para descobrir onde faz falta.
E o tempo? E a paciência? E a vontade? - perguntam-lhe frequentemente as palavras por onde passava. Mas o "E" nunca lhes responde.
Queria fazer sentido num índice, num epílogo, num meio de romance, num livro de receitas ou num mapa de linhas direitas. Alguma coisa para não ter de deambular assim, por entre as folhas e as capas. Queria descansar os braços de erguer lombadas, repousar os dedos de virar páginas vincadas e dar silêncio. Silêncio aos ouvidos de aturar as palavras zangadas. Está cego do pó. Mordido pelas pulgas e trucidado pelos volumes e volumes e volumes e volumes e volumes que fumegantes nas linhas paralelas das estantes, ora a horas certas, ora a horas atrasadas param no apeadeiro.
Um dia procurará um fim, de página, virado para o mar. Depois reduzir-se-á ao tamanho 1, mudará de Arial, para Times New Roman e esperará que nunca ninguém requisite o livro a que faz falta, para que nunca se saiba que viveu.

quarta-feira, setembro 15, 2004

Princípio do contribuinte sem custos para o governante (SCUG) I

Estou orgulhoso do Santana. Depois da lição da Gabardina (propter hoc ou não) ele já usa bem a palavra produtividade no seu discurso. Chega a acrescentar, com ar de entendido, "o PIB, portanto!" Muito bem! Palmas para o Pedrito e para os seus assessores.

Mas o Santana anda a irritar-me. E o Bagão também. Nos últimos dias com dois assuntos.

Primeiro as taxas moderadoras na Saúde. Ora estes senhores deviam saber que as taxas moderadoras servem para afastar dos hospitais as pessoas que não tendo problemas de saúde se sentem sozinhas e vão por isso para os hospitais fazer conversa. Não servem para pagar o custo dos serviços de saúde que a constituição garante serem pagos pelos impostos de todos.

Depois o velho princípio do utilizador-pagador. O Santana, falaciosamente, fala do princípio do utilizador-pagador como se se tratasse de um princípio geral, de indiscutível justiça. "Quem quer usar, quem quer ter o proveito, tem que o pagar. Ou querem que andem uns a pagar para os outros usufruírem? Parece-me da mais elementar justiça..." Ora este princípio é tudo menos geral. Não se aplica a um doente que precisa de um transplante cardíaco, cujo custo ascende certamente a muitas dezenas de milhares de contos. Não passa pela cabeça de ninguém (espero eu) ir pedir o dinheiro da intervenção ao senhor, mesmo antes de ele levar a anestesia geral... E portanto, quanto à universalidade de aplicação do princípio, estamos conversados. Quanto ao caso específico das SCUT, parece-me que ele tem que ser analisado caso a caso. É tão ridículo a continuação da A8 até ao Porto ser gratuita (em clara concorrência com a A1), como a A25 (IP5) ser paga, não havendo nenhum tipo de alternativa credível para o percurso Viseu-Vilar Formoso. E não me venham falar de qualidade das estradas, porque em Espanha, por exemplo, há milhares e milhares de quilómetros de auto-estradas muito melhores que as portuguesas que são totalmente gratuitas. Só as que têm uma alternativa clara e de qualidade são pagas. Mas claro, os espanhóis não têm qualquer noção de justiça social e permitem que os andaluzes financiem com os seus impostos a auto-estrada Madrid-Saragoça... Esses estúpidos sem cultura democrática!

terça-feira, setembro 14, 2004

Os que despertam...


Um povo que aceita, sem fazer um golpe de estado, que um tipo venha à televisão dizer que é necessário trabalhar mais, é um povo mole.
Um politico que tem a lata de vir à televisão, pedir aos Portugueses que trabalhem mais, deve estar a pensar nos amigos dele. Da direita, claro! Daquela direita que pensa que é a única que trabalha, que pensa que o País são os as empresas e os escritórios do amigos, que se move bem entre os ex- e proto- ministros e que usa as incompreensíveis calças brancas e camisa de ganga azul quando sai à noite.

Essa direita, que reproduz ordeiramente os valores da geração que a precede, que aos 18 anos tem certezas absolutas sobre a interrupção voluntária da gravidez, sobre as drogas leves e sobre as casas de xuto. Essa direita que é cristã, que não vai à missa aos Domingos, mas que se casa sempre pela igreja. Essa direita que quer ter uma família tradicional, mas que enche as casas de putas do país. Essa direita: tem nos políticos modernos a sua vanguarda. Tipos que nunca tiveram o coiro em risco, indivíduos sem formação politica de fundo, políticos sem uma ética que se veja.

Essa direita gosta dos moderados, dos sensatos, dos médios porque ela própria se assume como moderada, de centro e moderna. Alguém que não admite que outra pessoa fume um charro, mas permite que a Sagres financie a selecção nacional de futebol, é na visão deles um moderado, não é extremista. Porque os extremistas são os outros. São sempre os outros, os que eles não conhecem. Os que não querem conhecer, porque o seu mundinho é simples.

Amar como Jesus amou

No Fora do Mundo encontro a frase que deveria ser o lema de todos os grupos de meninas religiosas:

«ela é religiosa / porque fode e não goza».

Sempre sem pecado.

Call centers

Um magnífico texto de José Vítor Malheiros, ainda por cima com a seguinte homenagem a este blog:

Acha que se pode escapar amanhã para nos encontrarmos? Eu podia levar um cravo na lapela para me reconhecer... ou acha muito marcado politicamente? Uma gabardine! Posso levar uma gabardine! Já ninguém usa gabardine. Ou um chapéu de coco. Ia ser fácil reconhecer-me.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Boicotar


Em França foi recentemente publicado um livro de título "Bonjour paresse", (bom dia, preguiça), escrito por Corine Maier.
Este livro ensina um método para que o trabalhador responda com a mesma categoria, às investidas do sistema de trabalho das sociedades capitalistas actuais: se as promoções são feitas essencialmente por factores não relacionados com a competência (logo não dependentes do trabalhador), então a resposta adequada do trabalhador só pode ser: fazer o mínimo indispensável. Mesmo na perspectiva dos interesse da empresa ou organismo onde trabalha: duplicação de tarefas, repetição de procedimentos, confirmações e reconfirmações? uma monotonia pegada que se pode combater com a sabotagem do tempo do trabalho: esculturas de clips, barquinhos de papel, paixonetas por colegas, Internet, discussão sobre os filhos, solitário, buscar água, verificar dezenas de vezes o mail, um telefonema pessoal e chegar ao final do dia cansado.

A ideia não é nova. Os primeiros a defende-la, para a sociedade capitalista, foram os anarquistas libertários: os primeiros sabotadores.
Esta senhora, porém, porque não tem barbas enormes, não vive num século XIX sujo de carvão, arriscou perder o emprego com publicação do livro, é economista e psicóloga teve o mérito de chegar às massas.
Nos inícios da revolução industrial, os operários que começavam a ver as máquinas tirarem-lhes o trabalho (= dinheiro para comer) reagiram destruindo-as. A sabotagem. Hoje, os operários não vendem mão-de-obra braçal, vendem a sua disponibilidade mental. Por isso, não destroem as máquinas, que não lhes tiram o lugar, mas boicotam os serviços que lhes ocupam o tempo.


Quotas

As quotas para mulheres em todas as áreas da sociedade podem ser a solução para muitas das inquietações do mundo actual e podem mesmo representar uma melhoria da qualidade de vida para um grupo de deslumbrantes fêmeas que hoje se vêem obrigadas a utilizar parte do seu tempo, desdobrando-se em entrevistas e outras acções mediáticas, sempre numa perspectiva altruísta de ajuda à próxima.

Algumas organizações mundiais adoptaram exemplarmente este sistema de quotas. O melhor exemplo é, provavelmente, o do Comité Olímpico Internacional. Nos Jogos Olímpicos, se este sistema não tivesse sido introduzido atempadamente, hoje corríamos o risco de ter manifestações à porta dos estádios exigindo que os homens corressem os 100 metros mais devagar para que as mulheres também pudessem ganhar medalhas. Assim, há sempre tantas medalhas para homens como para mulheres, não há conversa nem discussão, e podemos assistir descansadamente ao evento.

Também a Academia de Hollywood aplica, com sucesso, o sistema de quotas. Há muito que não se ouve ninguém discutir se o melhor actor de um determinado ano foi um homem ou uma mulher. Atribui-se um óscar a cada género e já está! Mas, na minha opinião, Hollywood deveria alargar o sistema de quotas a todas as categorias. Isso evitaria muitos problemas. Por exemplo, um Óscar para a melhor realizadora evitaria que eu já andasse a ouvir que "A Sofia Coppola já está a trabalhar no seu novo filme. Acho que é desta que ela ganha o Óscar!". Como todos os anos haveria uma melhor realizadora, poupava-se a campanha e o tempo das já referidas altruístas.

Outros que deviam adoptar este sistema, poupando muitas notícias de jornais falando de favoritismos, eram os membros do comité Nobel. Dois Nobel por categoria por ano, um para gajos e um para gajas, e bastava de notícias sobre "aquela magnífica escritora indiana que tem muitas hipóteses de ganhar o Nobel este ano!"

Todas as organizações deveriam aprender esta lição (por que não um parlamento feminino?). Vejam o sucesso obtido com esta experiência pelo circuito de ténis ou pelo circuito mundial de vólei de praia femininos, só para citar os dois exemplos mais famosos...


sexta-feira, setembro 10, 2004

Fingir como o Figo fingiu

Durante o último europeu Portugal entusiasmou-se. Acreditou na vitória, pôs bandeiras à janela, enervou-se, gritou, festejou e chorou. As pessoas queriam ver os melhores do mundo em competição. Queriam ver quem eram os melhores da Europa. Queriam ver se os portugueses podiam ganhar aos melhores.

Agora pedem-nos que tenhamos a mesma atitude para com os atletas paralímpicos (eu sempre gostei mais da expressão para-olímpicos, mas rendo-me à vontade da maioria). O próprio Figo veio expressamente a Portugal para o pedir. É verdade que somos - os portugueses - uma malta que não se importa de fingir. Que facilmente acredita numa realidade paralela para não pensar naquilo que verdadeiramente está a acontecer à sua volta e nas suas vidas. E por isso eu acredito que algumas bandeiras voltarão as janelas de nossas casas e que haverá até uma malta a vir para a rua festejar as medalhas conquistadas.

Eu fico contente por os deficientes do país em que vivo terem a oportunidade de fazer desporto. Fico contente por eles terem a oportunidade de participar numa coisa fantástica como uns jogos paralímpicos. Ficarei muito contente se eles ganharem medalhas, pela alegria que isso representa para eles. Ficarei sobretudo contente pela alegria que eles certamente têm em participar.

Mas não me peçam para estar em frente à televisão a ver provas de atletismo ou natação para deficientes. É como ver olímpiadas de matemática para miúdos burros, ou números de malabarismo para descoordenados motores! "Este tipo é o descoordenado motor que melhor faz malabarismos com duas bolas, EM TODO O MUNDO!!!" Tenham dó. Para incapacidade ao mais alto nível já temos a Assembleia da República portuguesa.

Nos Jogos Paralímpicos não está em jogo quem é o melhor. Mas isso não tem mal nenhum. Há milhões de pessoas em Portugal que não são "o melhor" em nada de relevante. Mas cada uma dessas é "o melhor do mundo" em alguma coisa. Cada um dos nossos deficientes, também. E isso é o mais importante. Quanto aos paralímpicos, divirtam-se nos jogos, passem os melhores dias de sempre. Eu cá estarei a torcer por isso. Sem bandeira, sem nervos, sem gritos nem festa, mas um sorriso de felicidade cada vez que vir uma cara vossa feliz na televisão!

Let the games begin!

quinta-feira, setembro 09, 2004

Sempre que a rádio diga que a América roubou a Lua

O pára-quedas não abriu e a queda não parou. A cápsula desfez-se no solo e dela caíram, atónitas, as três invisíveis partículas de sol, raptadas nos confins do Universo. Enquanto Bush, Kerry e suas respectivas senhoras estão, lupa gigante na mão, de rabo para o ar a analisar cada pedrinha do deserto americano, as três amigas tremem o queixo escondidas atrás da maior pedra das redondezas. "Estes tipos são doidos! Mas eles não percebem que aqui está um frio do caraças?", diz a mais frágil, encostando-se à amiga mais próxima com um ar triste. "Não bastava a estes gajos terem acabado com os índios, ainda tinham agora que se ir meter connosco!", acrescentou furioso, o partícula-macho, subitamente reconfortado pelo calor que provocou a lupa de W. Bush quando nele fez incidir os seus raios irmãos. "Ao menos que sirvas para algo mais do que para matar iraquianos, ó palhaço!", disse, sem grito nem raiva, que o tempo era de gozar o calor, e a lupa de W. já passava à pedra seguinte.
Nisto aproxima-se um jovem Mormon que, olhando para as três partículas, lhes pisca o olho direito, com ar cúmplice, lançando de seguida um ar de desprezo ao rabo dos candidatos presidenciais iluminados pelas luzes das câmaras de televisão, e lhes diz: "Podem vir chorar no meu peito, longe de tudo o que é mau." As partículas sorriram, felizes por serem vistas, e imediatamente saltaram para o colo do rapaz, onde se aninharam dentro das escrituras sagradas que ele apertava contra o casaco negro.
Neste momento, sem que o mundo ainda o saiba, ao fim de milénios de guerras sem sentido, ciência e fé, homem e natureza, estão unidos e em paz.

"ligar, ligar sempre"

Os ditados populares valem mais pela sua solidez sonora que pela sua veracidade intrínseca. Por isso, prefiro os que têm uma "aliteraçãozita", aos que apresentam a "soluçãozona".
Gosto mais do som do ditado "não se misturam alhos com bugalhos" que do conteúdo. Se o som deste ditado tem uma certa harmonia, já o seu conteúdo não só é misterioso como velhíssimo. Misterioso porque 90% das pessoas que o usam não sabe o que é um bugalho, e velho porque para compreender o mundo de hoje é essencial misturar as pequenas plantas bolbosas da família das liliáceas ( os alhos) com as pequenas excrescências que nascem em virtude de picadas de insectos nessa mesma família de plantas (os bugalhos).
Hoje é necessário misturar o conselho de administração da Halliburton com os soldados Americanos no Iraque; é necessário misturar as concelhias do PS e do PSD com as comissões de coordenação; é necessário misturar os assessores dos ministros com os nomes da sua parentela mais próxima.
Hoje, para se conhecer um alho é necessário liga-lo ao bugalho. E é por isto que o ditado é velho: porque não serve para compreender o mundo. Mais: quando alguém impõe que se não misturem os alhos com os bugalhos está, deliberadamente ou por ignorância indesculpável, a impedir que se compreenda o mundo. Numa palavra, está a defender o mundo de ontem: uma realidade em que os fenómenos eram analisados isoladamente.
Hoje, para pensar é necessário misturar. "Ligar, ligar sempre" como escreveu Goethe. Isolar é errar. O especialista é um solipsista e um solipsista é um ignorante acabrunhado, enfezado e de abanos colados aos chavelhos, temendo aterrorizado pelo seu abafador (berlinde grande).

quarta-feira, setembro 08, 2004

Doce de menina

Os amigos continuam a chegar à blogosfera. Saboreiem esta abóbora.

"M, Matei"


Um dia paguei uma interrupção voluntária da gravidez. Foi há uns anos. Um amigo chegou ao pé de mim, olhou-me nos olhos e disse: "preciso de dinheiro para ir a Espanha com a minha namorada". Não disse nada. Apenas perguntei: "de quanto é que precisas?"
Neste caso que conheci bem, a questão punha-se assim: o rapaz gostava da rapariga e a rapariga gostava do rapaz. Dormem juntos, e ter um filho é a ultima coisa que querem.Porém ela engravida, e decidem interromper a gravidez. Aqui duas hipóteses: ou há dinheiro e vão ir a Espanha onde sabem que é seguro, ou não há dinheiro e fazem em Portugal numa casa particular. Claro, que entre o haver e não haver dinheiro vai a diferença da vida dela, a possibilidade de nunca mais vir a poder ter filhos, as hemorragias graves, ou correr o isco de vir a ser presa se tiver de ir ao hospital salvar-se de alguma das anteriores. Mas mais: há a culpa e o rótulo de quem "não ama, não mata" e "assassina de bébés".
Neste caso houve dinheiro suficiente e tudo correu pelo melhor, mas para os outros em que não há dinheiro, nunca mais ficarei sem resposta, pois no site da W.o.W está explicado como se pode interromper uma gravidez com a toma de uns comprimidos à venda em Portugal. Então é assim: Compra-se uma embalagem de Cytotec ( cuja substância activa é o Misoprostol) numa farmácia, tomam-se 4 comprimidos e passadas 24 horas outros quatro.

terça-feira, setembro 07, 2004

O barco

com que nos deveríamos ter preocupado.

ANKARA.- Un barco que transportaba 2.200 toneladas de cenizas tóxicas provenientes de las centrales térmicas españolas se hundió anoche en el golfo de Iskenderun, en el sur de Turquía.

as linhas delgadas de luis direita


Normalmente não compro o diário de notícias. Normalmente compro o Público. Espero um dia ter dinheiro suficiente para comprar o publico e o diário de noticias normalmente.
Quando compro o D.N um dos primeiros artigos que leio é a crónica "linhas direitas" de Luís Delgado. Corro para essa crónica como corro para o suplemento "inimigo publico" do público de sexta-feira. O título da crónica, não deixa dúvidas quanto ao que encerra: um homem de direita que escreve sobre a actualidade. Porém os textos intrigam-me e despertam-me a dúvida: será que o homem/mulher de direita em Portugal pensa o que Luís Delgado escreve. Acho que não. Os textos estão cheios de um ocidentalismo-egocêntrico-imperial-cristão(no pior sentido)-liberal-snob-moralista e conservador que arrepia só de ler. Há uma moral que trespassa por aquelas linhas, uma presunção de inevitabilidade das medidas securitárias. È quase como se Luís Delgado utilizasse os acontecimentos não para os analisar, mas para reforçar a sua barreira ideológica. Luís Delgado não fundamenta, elenca; não argumenta, afirma; não discute, presume.
No D.N de ontem por exemplo chama cães raivosos aos terroristas que atacaram em Beslan. O método é o mesmo de sempre: parte da classificação que ele próprio fez bate com as costas da mão direita na palma da mão esquerda a dizer: "ora toma, estão a ver eu bem vos disse". Divertido.

segunda-feira, setembro 06, 2004

Por respeito a quem lê não usei a palavra cu

Produtividade. Produtividade. Produtividade.
Provavelmente o palavrão mais usado pelos políticos portugueses nos últimos dez anos. Provavelmente a pior desculpa de políticos e associações patronais para não aumentar os salários dos portugueses na última década.
O Santana descobriu a palavra. Alguém lhe disse que era a produtividade a desculpa perfeita para os baixos aumentos salariais que o Governo terá de propor dentro de um mês, quando apresentar o orçamento de estado para 2005.
Mas o Santana não sabe o que é produtividade nem como tal coisa se calcula. Fica aqui o serviço público da Gabardina, caro Pedrocas: a produtividade de que falam as estatísticas oficiais é calculada dividindo a riqueza criada (no caso em questão, o PIB de Portugal) pelo número de indivíduos que contribuíram para a produzir. E esta é muito mais baixa em Portugal do que nos outros países da Comunidade Europeia? Aplicando a fórmula, sim. Na prática, não. E por quê? Por causa da fuga ao fisco, Santanita. É que quando uma casa é vendida por 30 mil contos e escriturada por 18 mil, como acontece com 90% das casas transaccionadas neste país, os 12 mil contos que ficam de fora são riqueza produzida mas não entram para as contas do PIB. O mesmo acontece com tudo o que é produzido e não facturado. O mesmo com os serviços prestados sem documento. Muita riqueza, nenhuma produtividade.
Por isso, Pedrito, diz-te a Gabardina que é tua amiga: a produtividade em Portugal é, na prática, muito próxima da média comunitária. Os preços em Portugal também são muito próximos da média comunitária. A única coisa que não está próxima da média comunitária em Portugal são os salários. E a vergonha na cara, claro!
Mas o grave, Santanolas, não é que tu não saibas o que é produtividade. Porque eu até sou dos que acham que um primeiro-ministro não tem que saber falar de tudo. O grave é que quem te preparou o discurso não saiba o que é produtividade. E que, por isso, tu tenhas feito aquela triste figura em frente às câmaras das televisões, a confundir "produtividade" e "aumento de produtividade" ou "ganhos de produtividade" com "taxa de produtividade", conceito que, infelizmente, não tem qualquer significado. (Não deixa de ser irónico que queiras indexar o aumento dos salários ao nada...)
Por isso, Pedrocas, dou-te mais dois conselhos: despede esse assessor e contrata outro. E, sobretudo, mete a produtividade e a taxa que tu lhe inventaste no teu rabiosque!

Cruel

Um homem, munido com uma espingarda, de guarda num telhado da escola de Beslan na Ossétia do Norte, vê uma criança semi-nua cheia de sede e de fome a fugir. O homem faz pontaria, arma a espingarda e dispara a bala que de tão potente corta literalmente o corpo da rapariga em dois. È claro que a rapariga não perde logo os sentidos. Com o tronco separado das pernas só morre quando um outro homem lhe atira uma granada para junto da cara. A granada explode e a miúda de seis anos morre.
Qual é a moral disto? "nada justifica a morte de inocentes" ou "o estado russo mata à fome 42 mil crianças na tchétchénia por ano", cada um dirá o que a sua moral exigir. Para mim nenhuma destas hipóteses vai ao osso da questão. O fundo, a essência é que o Homem tem por debaixo da Civilização uma corrente, um desejo profundo de morte. E por vezes, quando a civilização não lhe dá o conforto que acalme o rio subterrâneo e tremendo, esse rio transborda em actos que apesar de hediondos são praticados por homens e portanto humanos. Novidade? Ouçamos as palavras da personagem do assassino da peça Macbeth de Shakespeare:
"- Eu sou o homem, meu suserano, a quem os vis golpes e repulsas do mundo a tal ponto irritaram, que lhe é perfeitamente indiferente praticar qualquer facto que possa ofender a sociedade."
Foi escrito há 500 anos.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Operação Triunfo



Apesar de a sua interpretação de "Don't let the sun go down on me" ter sido magnífica, o duo Bush/Cheney foi prejudicado por usar fato e gravata e não camisas com riscas diagonais. Só por isso foram eliminados.

Mas as crianças, Senhor...

quinta-feira, setembro 02, 2004

Plano



Um homicídio não é coisa sem importância. Mais que o resultado, importa o processo. Equilíbrio, estética e ironia pautaram sempre a carreira de Matilde como assassina profissional. Ao cabo de 30 anos no ramo da morte a soldo, estava decidida a fazer deste o seu último trabalho: dar um sumiço a um juiz corrupto. Ia marcá-lo com Código Penal anotadíssimo. Um calhamaço denso, incompreensível e injusto. Foi enquanto despachava sozinho no gabinete, que 4 quilos de papel lhe partiram a espinha que nunca teve. Matilde tomou o resto do chá morno e partiu para a Florida.

Bom protesto contra o Bush

quarta-feira, setembro 01, 2004

Barco do aborto

No barco do aborto a vida é um carrossel
onde há sempre lugar para mais alguém
No barco do aborto faz-se parto sem dor
a gente que nasceu p'ra não ter ninguém

No barco do aborto o Portas morre devagar
num cachimbo a rodar de mão em mão
no barco do aborto há quem pergunte a sorrir
será que ainda cá estamos no fim do Verão

Eh pá, deixa-me abrir contigo
desmanchar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem

No barco do aborto a vida corre sempre igual
de porto em porto, de mar em mar
no barco do aborto a pílula é o melhor
e nas ondas há ternura em cada olhar

O barco do aborto é um bote marginal
onde não há prisões, há hospitais
no barco do aborto cada um tem de tratar
das suas nódoas negras sentimentais

Eh pá, deixa-me abrir contigo
desmanchar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem

Um abraço solidário para os amigos espanhóis!

El crecimiento de la economía se desaceleró en el segundo trimestre de 2004 y se situó en el 2,6%

E ainda bem que em 1640 aquele grupo de rapazes teve a bela ideia da independência...

Women on and under the waves


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