sexta-feira, junho 30, 2006

Essa saudade que eu sinto

de tudo o que ainda não vi


Legião Urbana - Índios - Acústico MTV

quarta-feira, junho 28, 2006


Nunca comprei cebolas. Tenho medo. Muito. Queria um quilo de cebolas. Eis a frase que nunca pronunciei. As cebolas são tanto. Eis o preço que nunca escutei. Ontem estive quase, quase, mas mesmo quase, quase para comprar um daqueles sacos pequenos de rede com cebolas dentro. Peguei-lhe, meti-o no carrinho de supermercado e avancei para a caixa. Mas, como só tinha as cebolas para pagar, achei que a rapariga da caixa podia desconfiar que estava ali a tentar a resolver um problema pessoal. Abandonei o carrinho entre duas promoções de bolachas e fugi. Corri, corri e corri. Parei numa bomba de gasolina para comprar água e reparei que também ali já se vendem cebolas. Que claro não comprei. E voltei a fugir. Fugi toda noite e cheguei onde escrevo agora. Um promontório sobre um mar calmo que comove. Vejo as linhas das ondas, umas pessoas humanas e escrevo. Escrevo, porque sempre assim foi. Adeus.

terça-feira, junho 27, 2006

caso prático

Repartição de finanças. Último dia para a entrega do modelo F. Um funcionário tem à sua frente uma longa fila em espiral. Atende uma velhinha. Era para entregar. Sente-se minha senhora. Gustavo abre a porta de alumínio da repartição desembestado, ostenta na mão direita uma guia verde. Quer impugnar a liquidação do imposto e está no último dia do prazo. Sinaliza devidamente a sua marcha de urgência. Poderá ultrapassar a fila pela direita e apresentar-se ao funcionário? Deve parar a marcha e aguardar a sua vez correndo o risco de perder o prazo? Pode fazer valer o seu estatuto de peão, e atravessar na passadeira frente à velhinha que como se sabe é um veículo motorizado e que por isso o terá de o deixar passar?

segunda-feira, junho 26, 2006

caso prático


Suponhamos, que num corredor da urgência do hospital de S. João no Porto, ocupado dos dois lados por macas com doentes, durante o pico de uma epidemia de gripe se dá a seguinte situação. Maria, recém-formada e a realizar o internato geral, transporta um velhinho que tosse convulsivamente (um vermelho no sistema de Manchester). João, médico em pré-reforma, transporta calmamente uma senhora prestes a parir. Embatem frontalmente a meio do corredor. Questões: quem devia ter cedido passagem? Será que estamos perante um dos casos previstos para o estacionamento em segunda fila? Justificava-se a sinalização sonora do sentido da marcha? Ou este encontro resultou directamente da negligência grosseira do médico que devia ter levado a parturiente para o segundo andar?

E há dois anos foi assim...



O que é que o Jorge Perestrelo teria gritado ontem?

Fez no Sábado dois anos



que publiquei as fotografias deste video na Gabardina. A blogosfera mudou. Espero que o resultado seja o mesmo!

domingo, junho 25, 2006

sexta-feira, junho 23, 2006

A prioridade. Caso prático.


Rotunda de acesso ao refeitório do hospital. À minha direita um politraumatizado em missão de urgência para o raio-x. À esquerda tenho uma apendicite em manobra de ultrapassagem a um ataque cardíaco em desfibrilação. À frente, o director do serviço de ortopedia que já está de saída, pois só veio ao hospital almoçar. A quem devo dar prioridade na passagem?

quinta-feira, junho 22, 2006

Acho genial

É maravilhosa a inocência de uma criança que se atira de cima de uma mesa para os nossos braços porque nunca a deixaram cair no chão.
Também eu gostava que ela nunca caísse.
Mas não é suposto que ela chegue a uma idade em que consegue imaginar a consequência da queda? Em que pelo menos não goza com dor de quem caiu? Em que não acredita que nunca cairia?

quarta-feira, junho 21, 2006

terça-feira, junho 20, 2006

Red cross

O Bilro italiano



É um dos fenómenos das transmissões televisivas deste mundial: de Diamantino a Inácio, tudo o que é repórter ou comentador chama PiLRo ao Andrea PiRLo.

Se o desgraçado do rapaz jogasse a defesa direito ainda se arriscava a ser carinhosamente tratado por "o Bilro italiano".



O PIB português

Hoje o Presidente da República está cá na terra. Toda a gente que é gente está incontactável.

sexta-feira, junho 16, 2006

Somos todos iguais

Há os que falam dos seus carros caros e potentes. Há os que se vangloriam das suas conquistas amorosas. Há os que não conseguem calar as vitórias profissionais.
Nos blogs e nesta época do ano os mais comuns são os que não conseguem esconder que compraram para cima de uma tonelada de livros na feira dos mesmos.
Palminhas! Palminhas!

quinta-feira, junho 15, 2006

Lição de bidinha

A alegria, apesar de incontronável, pode ser uma porcaria.

quarta-feira, junho 14, 2006

terça-feira, junho 13, 2006

Se não fosse

a chuvada monumental que cai do outro lado da janela - a segunda do estilo numa semana de fim de Primavera - eu até podia acreditar nos tipos que há meio ano nos entravam pela sala dentro a garantir que Portugal se estava a transformar num deserto...

E assim? Passamos a lago? Compramos as barbatanas e o fato de mergulho? Alteramos os nosso comportamentos para contribuirmos para o aquecimento global e tentamos evitar esta tragédia?




segunda-feira, junho 12, 2006

quinta-feira, junho 08, 2006

Pecado inicial


O Infiltrado é um bom filme. Conta, a par de um enredo de acção, a história de um homem que enriqueceu negociando com os nazis durante a II Guerra Mundial e que passou o resto da vida a tentar redimir-se, sem prescindir do dinheiro que ganhou. A questão é actualíssima: Pode haver paz de espírito ou felicidade quando se constrói - uma carreira, uma relação ou uma vida - sobre um erro inicial? Depois do pecado feito e do objectivo conseguido basta pedir perdão e continuar como se nada tivesse acontecido?
Como se diz num grupo de rádios que eu cá sei: já agora, vale a pena pensar nisto...

Perto da marquesa, com a pergunta mais filosófica que se pode fazer debaixo da língua, o estagiário aperta com os dedos a traqueia roxa do ucraniano. "Dr. Benway" agarra com as duas mãos os dedos do estagiário e ordena-lhe com a ferocidade de quem está prestes a descobrir o que pode matar um homem, que lhe alcance o bisturi. Aberto e exposto o canal orgânico, "Dr. Benway" retira com uma pinça a causa da morte de tão grande homem. A asfixar o Ucraniano de 34 anos, estava uma grossa rodela de chourição da cor que os pombos desenvolvem se esmagados pela roda de um camião de brita e queimados por quatro dias de sol de Verão. O chouriço era da marca Sicasal e tinha ervas especiais, escreveu no reltório da autópsia.

quarta-feira, junho 07, 2006

"Benway" e o aprendiz

Causa de morte, ou o que é que é preciso para matar um homem? Eis a segunda pergunta mais filosófica na lista das pergunta mais filosóficas. A questão -desse calibre- é colocada por um "Dr. Benway" do Instituto de Medicina Legal. Há um cadáver, uma causa de morte desconhecida e por isso, uma autópsia a fazer. Pretende-se descobrir o que fora capaz de tirar a vida ao hercúleo ucraniano de 34 anos. Estraçalha as costelas, escopro na calote craniana, vísceras ao ar. Nada. Pesa o fígado, corta o cérebro, analisa o coração. Nada. Foram causas naturais, foi o destino, apagou-se, pensava o médico velho e farto de ter de encontrar forma de dizer isto mesmo num formulário para o tribunal. Então, um recém-licenciado, estagiário, não remunerado a tirar fotocópias na sala de espera do necrotério, aproxima-se da marquesa...

segunda-feira, junho 05, 2006

Bandeiras

Para que ao fim e ao cabo haja um pouco de decência nisto tudo, espero que os alunos que tiveram de ir à embaixada espanhola fazer exames para entrar em medicina em Espanha, não penduram bandeiras de Portugal à janela. Mais, espero que os licenciados a que foi prometido um emprego, depois de tirarem um curso, também optem por não as exibir. E os que sempre confiaram nos concursos públicos, e os que sempre vão às consultas externas dos hospitais, e os que sempre gastam 3 horas no I C 19, e os que sempre acreditaram que a liberalização dos combustíveis os ia tornar mais baratos, e os que sempre votaram na não subida dos impostos. Estes: os "sempre os mesmos" em vez da colchas verdes e vermelhas à janela, ou as bandeirinhas nos carros, coloquem um trapo preto: símbolo de um Pais que recusamos para os que virão.

sexta-feira, junho 02, 2006

A palavra mais odiosa

Portugal era um país de gestores. Foi-o até um ex-director da General Electric ter vindo cá palestrar e ter interrompido essa palestra para explicar, a alguém que lhe tinha feito uma pergunta, que sinergias é uma palavra horrível. A plateia, até aí certamente embevecida, como é hábito e de bom tom, terá ficado chocada.
Foi o tirar de tapete a toda uma geração de engenheiros, advogados, médicos, farmacêuticos e gestores-propriamente-ditos, que se julgavam os melhores gestores do mundo porque utlizavam a palavra a cada três frases.
O que nos vale, para não ficarmos sem empreendedores, é que os nossos gestores são muito pró-activos e rapidamente encontrarão uma alternativa para a maldita palavra.
O regresso aos tempos do cash-flow é pouco provável. O downsizing está ultrapassado. A competitividade já não convence ninguém. Produtividade e racionalização enchem a boca mas não o ego.
Eu proponho uma expressão que ouvi recentemente numa conferência e que me pareceu encher de forma extraordinária o ego de quem a proferiu. Avaliação on góing (pronunciado góing). A nossa economia precisa urgentemente de avaliações on góing. É verdade, enche boca e ego e, para além do mais, dizê-lo é CLASSE!