terça-feira, fevereiro 28, 2006

joão deão capitulo I I

Leitor desocupado: ide produzir. Mergulha nas facturas atrasadas e nos requerimentos articulados, aplica o teu ágil espírito nas amostras pequeninas e nos gráficos rectangulares, sê verbo para os clientes e ouvidos para os fornecedores e não desperdices tempo com estas histórias. Com fantasias de personagens que não passam de letras juntas. Ide. Ide tomar conta da facturação dos outros, da aprendizagem dos outros, das queixas dos outros e deixa estas ilusões. Escolhe ir. Escolhe produzir. Porque se ficares e deixares que estas histórias criem em ti imagens, emoções ou lugares, acredita-me: estás louco! Escuta: estas histórias não são reais! As personagens não existem para além da tua imaginação. Por isso vai, sai enquanto é tempo. Sai para cuidar do mundo dos outros, e não te atrevas a começar a construir o teu.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Why me?

"Quite often, people who mean well inquire whether I ever ask myself, in the face of my diseases, 'Why me?'
I never do. If I ask 'Why me?' as I am assaulted with heart disease and AIDS, I must also ask 'Why me?' about my blessings."

Arthur Ashe

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Sit Trag

Ligo a televisão e está a dar o debate do estado da Nação (ainda se chama assim?).
Fico preso ao écran como só o Seinfeld me consegue prender. A receita televisiva é a mesma: aquela antecipação do embaraço provocado por uma mistura de maldade e mediocridade que nos envergonha por eles serem apenas 99% diferentes de nós.
O Marques Mendes faz um bom George, mas ao Sócrates falta capacidade de se rir de si próprio para fazer um Seinfeld credível.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Em contagem decrescente para a festa retro

Das Putas que não têm género, ou melhor, das filhas-da-putice

Há frases que ficaram comigo para o resto da vida. Uma delas foi ouvida no consultório do meu primeiro dentista. Lembro-me como se fosse hoje e foi há uns 15 anos. O chão inclinado do prédio velho. O banco desconfortável encostado à janela onde eu lia uma revista (provavelmente uma TV Guia ou uma Nova Gente). O banco, igual ao meu, por baixo da prateleira das revistas, onde duas senhoras, que se conheceram ali, conversavam. Uma explicava à outra a história da mulher que lhe roubara o marido e a quem tudo parecia correr bem na vida. "As Putas têm sempre sorte!", dizia ela no fim de cada explicação sobre as coisas boas que aconteciam na vida da outra. Da ladra. "As Putas têm sempre sorte!", alto, para que todos pudessem ouvir. Especialmente a palavra Putas.
Lembro-me da cena como se tivesse sido hoje. Provavelmente porque pensei muito nela. Que sentido tem isto tudo, se são as Putas que têm sempre sorte? O que é o mundo se são as Putas que triunfam? De cada vez que vejo uma a ter sorte, a frase da senhora exaltada no consultório volta à minha cabeça.
A resposta às minhas dúvidas só chegou muitos anos mais tarde. Quando a minha jornalista preferida, num dos seus primeiros textos, explicou a razão por que "A fila vizinha anda sempre mais que a minha". Tal como no trânsito, nas Putas nem tudo o que parece é. Só que quando uma puta tem sorte isso mexe connosco e marcamos o acontecimento no nosso cérebro. Quando ela tem azar nós achamos isso normal e justo e seguimos em frente.
Se pensarmos bem, qual é a probabilidade de as Putas virem a ser felizes no longo prazo? E melhor ainda, por que misérias passaram já para se estarem agora a comportar assim?
Mas acredito, e sei, que ver Putas a terem sorte custa imenso. E, felizmente, até agora nenhuma delas me roubou a mulher...

O meu filme do ano


Walk the line

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Pergunta

A pergunta que tenho medo de fazer aos meus amigos católicos:

Vocês acreditam que Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Cereais pijama

Buscando sem saber bem o quê
Perdido como quem não vê
Calado como quem não tem resposta para quem o chama
Desesperado, como quem por ter medo da desilusão não ama
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama

Quebrando os seus ossos na rua
Fugindo da verdade nua
Como se abrir as portas ao Mundo fosse uma coisa obscena
Desencontrado como quem por ter medo da foz o rio condena
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama

E já que nós nunca estamos sós
Vamos lá desatar os nós
E vamos lá chegar inteiros, onde quer que a vida nos leve
E enquanto é tempo
Deixa ver esse sorriso, que isso torna a pena mais leve
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama



Jorge Palma, Yogi Pijama

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

...

-Pois é...
-Pois é...
-Isto hoje ficou mais calor...
-É pá, está uma brasa...
-Pois é...
-Pois é...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Dia da Valentina

Para lá do vidro

Há coisas que não se fazem. Há coisas que não se repetem. Há coisas que não se fazem. Quando a Sheryl Crow cantava "If it makes you happy it can't be that bad" não o dizia de forma absoluta. O que é bom para nós pode ser muito mau se for mau para os outros.
Neste tempo de blogs, caixas de comentários e sitemeters, ajudar e magoar é cada vez mais fácil, está cada vez mais à mão.
Há coisas que não se fazem. E não há nada pior que atirar a pedra e esconder a mão. A não ser, talvez, atirar a pedra, esconder a mão e deixar que nos vejam com um sorrizinho nos lábios.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Small Time Crooks

Ler os jornais, nacionais ou regionais, e os blogs dos politiqueiros de Coimbra provocam hoje sensações muito estranhas. É tanto o lixo que vai na política portuguesa e de Coimbra que a medida mais acertada talvez fosse meter os meninos e os mais crescinhos, vestidos com t-shirts com caricaturas de Maomé, num avião para o Irão.
Depois, como diz uma amiga minha, logo se via...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Facilidade de comunicação

-Hoje vou ver o Brokeback Mountain.
-Vais ver o quê?
-Aquele filme dos cowboys paneleiros.
-Ahhh!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Cara mas boa

E se de repente descobrisses que perder o telemóvel é uma coisa boa?

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

And now the moment we've all been waiting for...


Scarlett Johansson e Keira Knightley nuas na capa da Vanity Fair.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Conspirativo é o meu nome do meio

Mas sou eu o único a achar estranho que de repente, num país onde até as escutas telefónicas são públicas, a SONAE anuncie inesperadamente uma OPA sobre uma empresa quatro vezes maior que ela própria, sabendo-se que:

1. O Estado detem golden shares na PT que se tem recusado a eliminar apesar da forte pressão da Comissão Europeia para o fazer;

2. A operação desencadeará um processo complicadíssimo a nível da Autoridade da Concorrência, quer por causa das comunicações fixas (à quase-monopolista PT juntar-se-á a pequena Novis)quer por causa das móveis (desaparecia, finalmente, em Portugal, a única concorrência potencial a TMN e Vodafone, o que as duas companhias já tentaram, sem sucesso, há não muito tempo);

3. Nós conhecemos Portugal e sabemos que estas duas questõs levarão eternidades a ser resolvidas;

4. Belmiro de Azevedo reuniu com Sócrates antes de avançar.

A mim cheira-me a esturro. Ou melhor, cheira-me que perante a iminência de uma OPA vinda de além-fronteiras, os habituais defensores da pátria decidiram envolver o Grupo PT numa confusão tal que nos próximos anos ninguém se atreverá a tentar comprá-la...

Serve o velho argumento do "é fundamental manter os centros de decisão em Portugal" para esconder o nacionalismo foleiro...

assim seria...


segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Ontem

No fim de tarde do vinil faltou esta. Mas o dia foi tão bom que tudo se perdoa...





Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
sono un italiano

Buongiorno Italia gli spaghetti al dente
e un partigiano come Presidente
con l'autoradio sempre nella mano destra
e un canarino sopra la finestra
Buongiorno Italia con i tuoi artisti
con troppa America sui manifesti
con le canzoni con amore
con il cuore
con piu' donne sempre meno suore
Buongiorno Italia
buongiorno Maria
con gli occhi pieni di malinconia
buongiorno Dio
lo sai che ci sono anch'io

Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
una canzone piano piano
Lasciatemi cantare
perche' ne sono fiero
sono un italiano
un italiano vero

Buongiorno Italia che non si spaventa
e con la crema da barba alla menta
con un vestito gessato sul blu
e la moviola la domenica in TV
Buongiorno Italia col caffe' ristretto
le calze nuove nel primo cassetto
con la bandiera in tintoria
e una 600 giu' di carrozzeria
Buongiorno Italia
buongiorno Maria
con gli occhi pieni di malinconia
buongiorno Dio
lo sai che ci sono anch'io

Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
una canzone piano piano
Lasciatemi cantare
perche' ne sono fiero
sono un italiano
un italiano vero




Toto Cotugno, L'italiano

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Free rider. Literalmente.

Há momentos assim, de profunda alegria, quando se vive num país como este.
Numa viagem Porto-Coimbra, sair na indicação para a A29 e fazer o mesmo caminho, numa estrada da mesma qualidade, poupando 2,25 euros.
Viva a SCUT paralela à A1!!!