sexta-feira, março 31, 2006

tralha

Num contexto de repressão sexual as mulheres exaltam essencialmente a sua função reprodutora, e os homens procuram nelas uma actualização adulta da relação maternal. As relações entre homem e mulher regem-se precisamente pelas mesmas regras das relações outrora havidas com o pai ou com a mãe. Assim, naquele contexto de repressãio os homens nunca passam de meninos grandes, que se portam bem à frente da mãe, e mal com as putas. É esta dicotomia feminina mãe / puta explorada por inúmeros autores que deve ser ultrapassada.

Não consegues ser mais concreto?
Mais?

quinta-feira, março 30, 2006

Dreams can come true

"A day will come when all the nations of this continent, without losing their distinct qualities or their glorious individuality, will fuse together in a higher unity and form the European brotherhood. A day will come when there will be no other battlefields than those of the mind - open marketplaces for ideas. A day will come when bullets and bombs will be replaced by votes".



Victor Hugo, 1849

tralha

Quer as democracias quer as ditaduras praticam essencialemente a mesma descriminação da minoria.

terça-feira, março 28, 2006

Ser Benfiquista é

saber que o Ronaldinho Gaúcho vai ser marcado pelo Rocky Rocha e acreditar, com todas as forças, que tudo vai correr bem.

Eis

a mulher mais sexy do mundo.


As que ficaram nos lugares 2 a 10 também não estão mal. Para ver aqui.

tralha

deitar tarde e cedo erguer dá olheiras e faz crescer

segunda-feira, março 27, 2006

tralha : F D S.

"pois foi, pois foi...sim, sim...É pá...pois, pois...adeusinho, adeus. tb t amo."

quinta-feira, março 23, 2006

Psicoblog

O que escrevemos no blog nunca é o que é. É sempre o que gostaríamos que fosse. Ou o que, cegos, doentes, achamos que é mas não é.
O que é não pode ou não precisa de ser escrito.

tralha

como fazer alguma coisa com os espirros

Lavar as mãos com àgua fria. Aguardar.
Pegar na escova de dentes.
colocar a pasta
esfregar bem, e reservar na boca o caldo
inspirar fundo
e
aplicar à parte de trás da lingua toda potencia do ar expelido

Abir bem a boca e fechar bem os olhos. Pescoço para trás.

quarta-feira, março 22, 2006

tralha

Vidas: há-as mais curtas que cumpridas.

terça-feira, março 21, 2006

tralha

para representar o mundo é preciso estranhar o mundo.

domingo, março 19, 2006

surfando blogs de quase meio metro

isto é um povo de poetas! de poetas povo! de poetas que não arriscam uma unha lascada, mas que escrevem como se tivessem um sabre nas entranhas. Poetas da saudade abstrata, da dor imaginária, do medo infantil. Poetas das petas. Poetas que extasiados com a dor que deveras escrevem, deveras sentem. Poetas que murmuram todos os dias a mesma ladainha light. Merdetas. Putretas. poetas que quase choram, que quase morrem, que quase vivem...Poetas salvos por sentimentos altos e e nobre e lúcidos, sim, altos nobres e lúcidos.

sexta-feira, março 17, 2006

Chuva

A volta matinal pelos blogs só rendeu isto:

Modo de vida: "Receber sem orgulho, perder com serenidade."
Marco Aurélio,
Pensamentos para mim próprio, VIII, 33.



Pouco mas muito bom.
Se calhar é da chuva... Pode ser que seja da chuva...

quinta-feira, março 16, 2006

¿?



Puede que hayas
nacido en la cara
buena del mundo
Yo nací en la cara mala,
llevo la marca
del Lado Oscuro.

No me sonrojo
si te digo que te quiero,
y que me dejes o te deje,
eso ya no me da miedo.
Tú habías sido
sin dudarlo la más bella,
de entre todas las estrellas
que yo vi en el firmamento.

¿Cómo ganarse el cielo,
cuando uno ama
con toda el alma?
Y es que el cariño
que te tengo
no se paga con dinero.
¿Cómo decirte
que sin ti muero?



Jarabe de Palo, El lado oscuro

quarta-feira, março 15, 2006

Burocracia n

Não há um puto ano em que as declarações de impostos peçam as mesmas informações que no ano anterior?

Estas alterações são particularmente inconvenientes para quem entrega no último dia...

terça-feira, março 14, 2006

Quem me dera, ao menos uma vez

Enquanto eu não consigo dizer a palavra certa na altura certa.
Enquanto não consigo dizer as palavras que acalmam o espírito e fazem parecer tudo melhor e mais lógico...

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
(...)
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.



Inocentes. Enquanto conseguirmos ser inocentes, está tudo certo.

sexta-feira, março 10, 2006

O 1.º de Abril a 10 de Março

Cem mil portugueses considerados "fundamentais para o país", devido aos cargos que ocupam, vão receber antivirais em caso de pandemia provocada pelo vírus da gripe das aves, anunciou hoje a sub-directora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Eu desde já me declaro dispensável ao país, tal como declaro o país dispensável a mim. Também declaro que, em caso de pandemia, posso eventualmente transformar-me num cidadão violento com vista a eliminar algumas pessoas "fundamentais para o país", libertando assim uma ou outra dose de vacina para pessoas que o país considera acessórias mas que para mim são fundamentais.

Para que serve uma casa 1

As casas sem livros comovem-me às lágrimas.

quarta-feira, março 08, 2006

Dúvida

Quando os meus olhos vêem os teus olhos diferentes, que olhos é que mudaram?

Final

Sim, para os benfiquistas o jogo de hoje tem o sabor de uma final europeia. E só nós sabemos por que razões.

terça-feira, março 07, 2006

palavrinhas...


Caro leitor interessado: escasseias. Perdeste tempo a ler o texto, a pensar nele e a escrever um comentário. É raro, lidar assim com a imagem de uma sapateira transformada por um espirro em granizo. Mas contradizes-te! Dizes que o texto é bom, mas que não é romântico, que é bom mais pouco realista, que é bom mas não lhe vês o objectivo. Caro: para ti o texto é mau! E para mim, embora por outras razões, também! O texto é como é, porque é assim que tem de ser. Porque foi isso que João fez. Foi isso que aconteceu. E é isso que eu tenho escrever. Tenho de escrever o que aconteceu e com verdade. E quanto ao objectivo da arte: batatinhas...Não meto foice em discussões alheiras, nem gosto de arroz malandrinho em tacho de pantomineiros.

segunda-feira, março 06, 2006

Pegar o toiro pelos cornos

Ou agarrar a economia pela econometria. O primeiro impacto foi um sucesso. Agora vamos ver se me aguento um ano agarrado aos chifres da besta...

João Deão


E fumam e fumam e fumam. Então, cansado de tentar pescar o olhar do empregado para lhe pedir um café, João, tira de dentro do saco uma sapateira, uma tábua de madeira e um martelo. Com o martelo, abre fissuras nas patas largas do marisco, e com as unhas saca-lhes o interior carnudo. Mastiga tudo bem mastigado e reserva o bolo alimentar nas bochechas dilatadas. Depois, retira um frasco com pimenta do bolso direito das calças, inspira-a decidido e de olhos fechados e barriga ao léu vira-se para o sol. As mulheres fumam. Uma convulsão, uma lágrima, um corrimento pelo nariz e um espirro amplo como as tempestades de granizo afasta as duas mulheres da frente do balcão. João pede o café.

sexta-feira, março 03, 2006

a não implica b, b não implica a, nem vice-versa

Quando o governo português discute aumentos de salários os portugueses são pouco produtivos e de nada interessa a economia subterrânea.

Quando o governo português quer explicar o défice das contas públicas a economia subterrânea representa 22% do PIB português, mas isso em nada afecta a produtividade ou os salários.

Burocracia...

10h: Pessoas com quem trabalho ligam-me para saber a que horas é a reunião que marcaram e de que eu nem tenho conhecimento;

10h30: Faltou um documento para a reunião. É preciso tê-lo de prevenção;

11h: Ligam de uma entidade pública para quem fizemos uma acção de formação. Para nos pagarem, exigem que nós insiramos no sistema deles os dados dos formandos. Isto não estava combinado. Eu digo que o faremos;

11h30: Para entrar no sistema informático dessa entidade é preciso ter uma senha. Ligo para lá. Eles não a sabem. O informático não está. A menina simpática que sabe usar o e-mail não está. Da parte da tarde não estará ninguém. Estarão todos em reuniões fora. Tinha-me esquecido que é sexta-feira;

12h: Chegou o último logotipo para os certificados que estão à espera dele desde ontem. Afinal era igual a um dos que já me tinham mandado;

12h30: Ligam-me do banco. Recusam-se a dar-nos um novo livro de cheques sem que lhes entreguemos dezenas de fotocópias com dados de administradores que o deixarão de ser em menos de 30 dias. Explico-lhes que não faz sentido. Dizem-me que não há nada a fazer;

13h: Almoço;

14h30: Vou directamente para o banco. Explico o ridículo da situação dos cheques. Proponho uma alternativa. Irrito-me mas não me enervo. Esqueço-me que para a gerente aquilo é só um emprego, como este é para mim, e dou a entender que deixamos de usar a conta. Faz efeito, mas pouco. Nada a fazer;

16h: Chego ao escritório e tenho uma carta de outro banco. Este faz-nos depósitos a prazo de dezenas de milhares de euros pelo telefone mas recusa-se a prestar informações ao nosso ROC por a nossa carta que o solicita ter apenas uma das duas assinaturas que obrigam a sociedade;

16h30: Estou farto. Nunca quis isto. Somos quase todos burocratas afundados em papel ou peças a mais num sistema podre.

quinta-feira, março 02, 2006

Glória aos vencedores; pontapés aos vencidos.

Não vejo sensibilidade nem bom senso. Talvez esteja a precisar de ir ao cinema.

João Deão


João acorda numa convulsão, afasta os lençóis e toca na unha do pé escanhoada, aparada e inteira. Levanta-se, lava a cara, veste-se, escada a baixo e sai para o emprego. João, carteiro por razões místicas, aguarda um café cheio no quiosque da esquina. À sua frente, a impedir o indispensável contacto visual com o empregado: duas mulheres. Uma, de cara oval, olhos esbugalhados e dedos sapudos, fuma um cigarro longo e fino; outra, esquálida, de lábios pretos e finos e com sardas macilentas ao canto dos olhos, mantem, com dificuldade entre os dedos um charuto-barrica. Discutem alto e fumam mais alto ainda. Tão alto que impedem que João peça o seu café longo com 3 centímetros de espuma. João pede licença. Elas calam-se, olham-no, expiram simultaneamente uma longa bafurada e no preciso momento em que do outro lado da rua passa um autocarro, voltam à discussão e à fumarada.

quarta-feira, março 01, 2006

Para, por, porque

Podia ser só assim: uma alegria sem medidas nem limites. Se acabasse tudo aos 35? Se não viveremos para sempre, ao menos vivemos uma vez.

João Deão


10:30. João põe a cabeça de fora dos lençóis. Descerra as pálpebras, expõe os globos oculares à luz da manhã e transforma as ondas da energia solar em latejar doloroso entre a testa e a meninge: punhadas, atrás dos olhos, que mantêm hoje, a sensação de irrealidade que, ontem, o álcool iniciou à tarde, e que apenas a ideia de duche ajuda a dissipar. João entra na casa de banho, bate com a ponta do dedo do pé no degrau e acto contínuo: esfacela a unha. Metade parte-se, salta para dentro da banheira e escorrega até ao ralo, e outra metade enterra-se para atrás do dedo. A dor do latejar da cabeça é atraída, como a luz a um buraco negro, ao dedo grande do pé. E, aí multiplicada por mil. Em ondas sucessivas. Como se lhe tivessem arrancado um dente do pé sem anestesia, João, transformado em terminação nervosa, vibra de dor. Desmaia.