sexta-feira, julho 30, 2004

A esfera politica

No sábado passado fui a casamento de um amigo. Transpirei que nem um porco, comi parte de filhos dele e matei de tédio três pessoas com uma sistemática que inventara há uns anos. Na verdade, é um método. Um método que permite que com três simples perguntas, alguém possa ter indícios se é de direita ou de esquerda. Eis as perguntas:
1) O homem é essencialmente um ser bom ou mau?

2) O núcleo primordial da sociedade é a individuo ou a família?

3) Acredita na mudança, ou o que existe é o que continuará a existir?

Com estas três perguntas parece-me possível avaliar a orientação politica de fundo das pessoas.

No entanto, não é esta parte da teoria que na verdade me encanta. O que me apaixona no meu próprio método é a possibilidade de dar uma tradução gráfica à coisa. Para isso é necessário que as respostas não se esgotem num sim ou não, é necessário quantificar cada resposta. A coisa fica muito interessante quando ás três dimensões que cada pergunta representa adicionarmos a quarta: o tempo.
Para já fica o inicio do método, a sua demonstração gráfica fica para depois.

Uma teoria para ser boa tem de ter três requisitos: tem de ser lógica, tem de ser bela e tem de demonstrar um lugar comum. Esta tem toda a lógica, é bonitinha e demonstra que: "hoje é hoje e amanhã é amanhã".

quinta-feira, julho 29, 2004

Do céu ao inferno

há um caminho muito curto...

Fazem por amor aos Homens, não por medo de deus


Eu vou elogiar o mais publicamente que consigo, as três raparigas franzinas que todos os dias vão ao fundo dos fundos com coletes reflectores. São três: Teresa, Maria e Sofia. Magras e frágeis, vivazes e despachadas. Chegam por volta das 10.00 da manhã, onde as pústulas infectadas de pus podre, cobrem as costas, as caras magras e os membros mirrados. Depois sentam-se e conversam com os moribundos. Estes, vaidosos de terem a conversar com eles tão distintas raparigas, adoptam as poses de engate que há muito esqueceram. Mas há trabalho a ser feito e as seringas que as três raparigas estão aqui para trocar já começaram a cair na caixa florescente. Uma atrás da outra. E é preciso ir buscar outra caixa e mais outra. E outra. São 13:00. O sol está a pique e as raparigas não transpiram uma gota, algures num restaurante a tresandar a fritos um homem apopléctico, com a camisa empapada em transpiração pede mais um copo de tinto quente.
- Adeus, António, José e Manuel. Amanhã cá estaremos outra vez, um pouco mais cedo que a Teresa tem de um exame da parte da tarde.

quarta-feira, julho 28, 2004

às 5 da tarde


- Acho que tenho de ir mijar.
- Espera? não vais sair agora que o Primeiro está a falar.
- Tem de ser. Estou sentado à montes de tempo e já tenho a bexiga cheia da cerveja que mamamos ao almoço. Eu sabia que não devíamos ter ido ao marisco. Bebe-se sempre demasiado para trabalhar à tarde. E o pior é o ácido úrico. Até parece que jacinto o dedo do pé a doer. Tenho de ir mesmo.
- Pá ? se tens de mijar, tens de mijar. Não tens é que sair desta bancada. O teu pai quando era deputado e se sentava aqui ao meu lado, ensinou-me a mijar durante o plenário, no hemiciclo. Inclinaste ligeiramente para a frente, abres a braguilha e sempre que ouvires palmas mijas para que ninguém ouça. Dentro de duas linhas vais ver que vão bater palmas. Aproveita.
- Se tu dizes que foi o meu pai que te ensinou? eu vou confiar no amigo do meu pai que me convidou para estar aqui.

(Palmas, palminhas e pametas e a bexiga do politico-novo contrai-se longamente expelindo com pressão mais de 40 decilitros de urina morna.)

- Ufa! Que alívio! O ácido úrico é que já estar a dar sinais.
- Para isso, também tenho uma solução. Quem me ensinou foi aquele amigo teu que também cá está e que é filho daquela senhora que era amiga do teu pai.
- Sim, sei, ela continua na administração da Caixa não?
- Esteve, mas saiu. Agora está num instituto qualquer. Ela é que institucionalizou os bolinhos das 5 horas.
-Os bolinhos das 5 horas, como assim?
-Os deputados que sofrem com o acido úrico reúnem-se todos os dias ás cinco horas para comerem uns pastelinhos de Belém, para partilharem experiências e para se apoiarem uns aos outros.
-E já falaram com um médico?
- Nunca, mas continuamos a comer os bolitos.

Quotas para gays

Tudo o que faltava para o fim da televisão era que os Simpsons se transformassem numa série preocupada em ser politicamente correcta. E agora já não falta. O produtor da série anunciou que nos novos episódios haverá um casamento homossexual envolvendo um dos personagens já conhecidos. As apostas já começaram e, para já, leva vantagem Smithers, o, de facto, abichanado secretário de Mr. Burns. Mas nenhuma hipótese está excluída e o próprio Matt Groening avançou com a hipótese de ser o too-straight-to-be-gay Homer Simpson...



Era só o que nos faltava. Já imaginaram o que era se um dos "Três Duques" tivesse dado em gay no fim da série? Ou o MacGyver?

PAREM DE DESTRUIR A NOSSA INFÂNCIA, POR FAVOR!!!!!!!

Filhos de senhoras pouco sérias

O vereador da Câmara Municipal chega, não interessa onde, sentado ao lado do seu motorista. A assessora sai do banco de trás e fica, pasta na mão, à espera. O motorista sai do Volvo, grande, cinzento, reluzente e caro, e dirige-se à porta do senhor vereador. O vereador ainda não acabou de ler o jornal. Por isso, o motorista deixa o carro no meio da rua, a atrapalhar o trânsito, e espera, mãos atrás das costas, ao pé da porta do senhor vereador. Após dois minutos a virar páginas do pasquim regional, o senhor vereador fecha o jornal, dobra-o, poisa-o em cima do tablier, ajeita a gravata e, com ar enfadado, olha através do vidro para o seu motorista. Este, percebendo a ordem, estica o braço e abre a porta, deixando sair o senhor vereador que - súbito sorriso nos lábios - faz um cumprimento jovial a quem há dois minutos o esperava e o via ler o jornal.
Podem não acreditar, mas isto aconteceu, há poucos minutos, numa das principais cidades portuguesas.

Sorte aos pais, competência aos amigos

Enquanto noutros países as classes dominantes fazem gala da sua competência e apostam numa preparação de escol, em Portugal as nossas pindéricas elites políticas ou empresariais apostam na displicência, na descontracção, dizem "pugama" e "pecebe", não estudam muito e apesar disso até chegam ao Governo, desde que tenham os pais certos e escolhido bem os amigos.

José Vítor Malheiros, Público

terça-feira, julho 27, 2004

Quem não sabe, GRITA ALTO ! ! ! ! !

O jornal Público fez o impossível. Leu mais de 200 artigos de opinião escritos por SANTANA e descortinou um discurso politico de fundo ao primeiro-ministro. Conclusão: Santana politicamente escreve com muitos pontos de interrogação e com maiúsculas. E eu que pensava o homem era um "FLOP"! Não é! Aliás, essa é sempre a estratégia utilizada. Primeiro, reduz as expectativas AO mínimo e depois faz muito pouco! MAS como faz sempre mais do que se estava à espera, o resultado são elogios pela surpresa. Faz-nos esperar uma hecatombe total, é responsável pela catástrofe e como não foi tão mau com esperávamos, acreditamos que não se passou mais que um acidentezito. Desculpável ATÈ!

O artigo CITA algumas opiniões de Santana. Vale a pena ler. Do que li conclui que atrás da cara de estremunhado de quem acabou de acordar, por detrás dos fatos claros, por detrás da imagem do politico "SEM MERDAS", que quer levar esta "CENA" para a frente, que bebe o seu copo (mas não bebemos todos!!) está um pensamento velho, conservador, onde as referencias são o policia, o padre, o juiz e professor... Santana não é novidade! Santana é uma versão "festa do Champanhe" dos "ballet rose" de antigamente. Ele e o seu governo! Todos! A estes dedicarei um texto autónomo, para não correr o risco de me esquecer de alguma coisa.

Palavras-chave

Do novo governo:

produtividade, competitividade, qualidade, rigor, incentivo, modernização, talento, trabalho, solidariedade, deficit.

Na verdade, o que o país precisa é de honestidade e de umas fortes bastonadas nos que, à custa das falhas do sistema, roubam aos 5, 10 e 20 mil contos por mês de salário.

segunda-feira, julho 26, 2004

Sugestão de pergunta para Judite de Sousa.

Nos autocarros às três da tarde, num dia como o de hoje as temperaturas devem atingir facilmente os 44 graus. À mesma hora dentro de um carro preto de um dos novos ministros não devem estar mais que 18. Por volta das 3:30 quando alguém se sentar num banco amarelo de plástico derretido por um miúdo enquanto faz uma ganza, um dos novos ministros pegará com os dedos feitos pinças nas calças para conservar o vinco. Quando uma mulher, se entalar numa porta do autocarro, aí por volta das 4:00, um motorista irá abrir a porta de trás ao recém empossado.
Porque é que os responsáveis nunca andam de transportes públicos? Se entendem que os transportes são bons para os cidadãos por que é eles próprios os não utilizam? Porquê? È que os transportes públicos são demorados, andam atrasados e são desconfortáveis. O pior é que em geral isso é verdade, mas é verdade para todos.
Senhores governantes porque é que não vão trabalhar de autocarro, ou de metro?

Casar no Verão

É uma bela ideia casar no Verão. Especialmente num país com clima ameno como Portugal. Este fim-de-semana realizaram-se centenas de casamentos neste país. Ao sol 45 graus. À sombra 39. Em pé, nos aperitivos e na cerimónia, os fatos cinzentos (felizmente o colete saiu de moda), a gravata que aperta o pescoço e a camisa molhada de centenas de homens fazem furor. Sussurram-se piadas que envolvem os sovacos do José António Camacho e pedem-se gin tónicos. O suor escorre pelas caras. As mulheres tentam equilibrar-se nos seus saltos. Chega a hora do repasto e os homens rendem-se ao calor: tiram os casacos, arregaçam as mangas da camisa, desapertam o primeiro botão. Aos poucos o ar condicionado ajuda a secar as camisas. Felizmente não cheira. Pelo menos na minha mesa. Com a noite não vem o fresco e se as figuras masculinas vão estando cada vez menos arranjadas, as mulheres cambaleiam cada vez mais e uma em cada três frases serve para se queixarem dos pés e da maldita hora em que se decidiram pelos saltos altos.
Ao fim do dia, na varanda com vista para o jardim, penso que me diverti, que a festa foi bonita, que foi um belo dia para todos e que somos eternamente estúpidos. Ou um dia iremos perceber o que é importante?

Por um Portugal mais desenvolvido

Armstrong - o melhor de todos os tempos

sexta-feira, julho 23, 2004

Pergunta

Agora que o ex-Presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro já assegurou um tacho melhor (secretário de estado), pode essa entidade, três meses depois, ter direito a novo Presidente?

"Tegui"


O principal argumento utilizado por Portas para fundamentar a escolha da " Tegui" para o ministério da defesa foi a sua descendência. Disse que era fila e neta de militares.

Primeiro, ou os militares já se reproduzem sozinhos ou Portas esqueceu-se, que para além dos homens são necessárias mulheres para que haja filhas e netas. Seria a avó de Teresa militar, e a mãe, será que fez a tropa? Para quem se orgulha de ser moderno, e de ter uma mulher à frente da tropa é revelador que se esqueça da parte feminina da família de "Tegui".

Segundo. Para além de sexista o caso de Teresa revela o entendimento que o governo e de certa forma uma geração, tem sobre as possibilidades de mobilidade social. Portas utilizou o argumento familiar porque acredita na transferência dinástica do poder. Os dirigentes devem promover os seus filhos para que ocupem os cargos que eles deixarão vagos e assim possam perpetuar o seu o poder. Esta coisa não é nova e na Índia até é bastante honesta porque todos sabem que assim é, mas no Boavista, em algumas faculdades: direito e medicina em Coimbra, em algumas partes do cinema, na U.D.P da madeira, nos conselhos de administração das grandes empresas e escritórios de advogados e em outros casos que agora não indico por ser maçador, as regras com que nos seduzem não são o da progressão dinástica, dizem que todos são iguais e que o principio da igualdade tal como está na Constituição é sempre respeitado.
Porque razão é que uma filha de militares é melhor que um filho de médicos para ser ministro da defesa? Eu não sei mas o Portas lá deve saber.

Palmas para Carlos Paredes


Mesmo para quem nada sabe de música é fácil perceber que aqueles sons estão cheios de nós.

Paisagem portuguesa


Parece incrível, mas esta é uma fotografia da Serra da Estrela. Mais aqui


quinta-feira, julho 22, 2004

A-SSE-SSO-RES!

Mais dois ministros.
Mais dois secretários de estado.
 
Logo,

Mais quatro chefes de gabinete.
Mais oito secretárias.
Mais doze assessores.
Mais seis motoristas.
Mais oito administrativos.
 
No primeiro dia de governo, 42 novos empregos criados. Equitativamente distribuídos pelos dois partidos da maioria. E nem vamos falar do impulso dado à economia pela compra dos carros, dos móveis, do equipamento informático, do papel timbrado, do whisky e dos charutos, etc...
 
Bom trabalho, Santana!



não compreendo

Não compreendo como um primeiro-ministro pode ler um discurso de tomada de posse a passar folhas, com ar de enfado e a despachar palavras, perdendo assim toda a entoação do discurso. Não compreendo como é que um ministro pode ser surpreendido pelo nome do seu próprio ministério e fazer a careta de miúdo birrento a quem tiram um chupa-chupa de banana. Não compreendo como é que uma pessoa pode ser indicada para uma secretaria de estado, elogiada publicamente pela sua adequação para o cargo e depois ser nomeada para outra secretaria que nem sequer estava prevista.

Esta gente está disposta a fazer tudo para ter poder. Negligenciar uma tomada de posse é ser descuidado, espantar-se com o nome do seu ministério é ser arrogante, aceitar qualquer cargo é promíscuo, mas o pior é achar que não há que dar quaisquer explicações sobre isto.


Este factos nada têm que ver com politica em sentido estrito, trata-se de educação, trata-se de falta de vergonha na cara. Estes senhores que tomaram o poder em Portugal, acham que isto é tudo deles e que podem fazer o que dá na real gana. E quem se calar, defende-os.

quarta-feira, julho 21, 2004

Mr. Barroso, o Zé-ninguém camaleão

Vale mesmo a pena ler o artigo do Financial Times sobre Durão Barroso a que o Barnabé se refere.

Aqui fica uma pequena e não estranha passagem:

Others detect too much of a "chameleon-like" effort to be all things to all parties in what Mr Barroso would describe as his consensus-building skills. Poul Nyrup Rasmussen, president of the European Socialists, said he had said "all the right words that we like to hear" but had not delivered enough firm commitments.



um post chato

Qual é o problema das novas gerações dos políticos Portugueses? Porque que é que sempre que vemos ascender a um lugar cimeiro de partido um "puto" novo, olhamos com desconfiança? Será inveja? Será apenas o velho síndrome nacional de dizer mal de todos?

Não sei o que será. Para tentar descortinar estas razões apenas posso dizer o que eu vejo quando os "putos novos" aparecerem de repente nos jornais ou na televisão a fazer política. E eu vejo duas coisas:
Primeiro, sinto que lhes falta legitimidade. Falta-lhes as vergastadas nas costas, as fugas à polícia e à PIDE. Falta-lhes o arriscar do coiro. Coisa que a geração que fez a transição do 25 de Abril fez. Uns mais que outros, mas a verdade é que se PCP tem uma história dantesta de arriscar o coiro, o próprio CDS também tem, ainda que apenas uma tarde no celebérrimo palácio de cristal.
Segundo, os novos políticos são novos apenas na idade, porque nas ideias defendem as mesmas coisas que os seus companheiros de partido mais velhos. Limitando-se a reproduzir os princípios que ouviram e que nem têm capacidade para rebater. O que tem todo o sentido porque se a JS, a JC ou a JSD dissessem alguma coisa que colocasse em causa o partido-pai, este decerto não as promovia como promove. Em política, como na generalidade das coisas, não se ajuda quem nos pode pôr em causa. É assim.

Em conclusão: As novas figuras da política portuguesa que vão surgindo parecem-me ser uma versão mais nova das que vão abandonado a política, mas bastante piores porque os antecessores ao menos passaram pela dureza de fazer política, os mais novos aprenderam a fazer politica em reuniões em hotéis de 5 estrelas. Para esta geração que vai chegando à política o percurso fez-se através de arranjinhos, joguetes insinuações manobras e repetição. Repetição do que os seus pais tiveram o mérito de inventar.

Rave silenciosa

Em Veneza organiza-se uma rave que não quer incomodar os vizinhos. Por isso, só com auscultadores será possível ouvir a música.

Vantagem, para além da menor poluição sonora, é a possibilidade de escolher a música que se quer ouvir, de entre as propostas de quatro DJs que "actuarão" simultaneamente.

Desvantagem? Será mais difícil comunicar com os outros convivas. Mas, também, depois de três ou quatro pastilhas, quem é que tem vontade de comunicar...

A festa proporcionará, seguramente algumas das melhores imagens filmadas de sempre. Para que o resultado seja ainda melhor a Gabardina propõe que a organização ponha música ambiente. De preferência música clássica, muito tranquila...

Boa publicidade


Brasil Posted by Hello

terça-feira, julho 20, 2004

Blog anti-séptico

Há momentos assim. Em que sentimos que algo nos é próximo, apesar de não termos provas disso. Foi isso que eu senti quando li pela primeira vez o mercuriocromo. Não sei quem é a joana que o escreve, mas sinto que a conheço. Só que conheço tantas...

Para já, à confiança, e porque gostei do que li, o link vai directamente para a divisão dos amigos. Em breve descobrirei quem é que estou a ler. Tenho a certeza.

Foi há 35 anos



(...)c'è in mezzo al mare una donna bianca,
così enorme, alla luce delle stelle, così bella,
che di guardarla uno non si stanca.

Cinema na praia









A Blockbuster continua a fazer sondagens a propósito das melhores cenas da história do cinema. Desta vez quis saber quais são as dez melhores cenas de praia. A grande vencedora foi Ursula Andress, em "Licença para matar". Este famoso biquini de Halle Berry teve que se contentar com o segundo lugar. As bond girls sempre em alta...



a ceifeira II

"teve uma morte imediata", " já estava preparado", "ao menos não sofreu nada".
Desconfiai sempre que ouvirdes estes comentários. Sempre. Desconfiai ainda mais quando fôreis vós a proferi-los. Ninguém sabe se se morre de repente e ninguém está preparado para morrer. Aqueles comentários nada têm que ver com o morto, mas apenas com o vivo que os profere. Aqueles comentários apenas servem, para que os vivos, à custa do morto, minorem o seu próprio sofrimento. Como se fossem eles próprios mais importantes que o morto que morreu e em nome de quem, dizem sofrer.

a ceifeira I

A civilização aprendeu a esconder a morte. A vedá-la para que não extravase para o dia-a-dia. Porque o dia-a-dia, senhores, o dia-a-dia não suporta o olhar de um moribundo. Não há campanha de preços de telemóveis, promoções de supermercado, discursos políticos ou intenções sofisticadas que aguentem o olhar profundo de quem apenas espera. A morte. E os moribundos somos todos pois não há vivo que não morra.

segunda-feira, julho 19, 2004

Exclusivo Gabardina



Na sequência das declarações proferidas por ambos na última semana, e depois de cuidadas investigações, a Gabardina está em condições de assegurar que José António Linhares, Presidente do Sport Comércio e Salgueiros, e Ana Gomes, futura deputada europeia, são uma e a mesma pessoa.

Pergunta filosófica do dia:

Às senhoras: Preferiam encontrar os seus homens na cama com outro homem, ou com outra mulher?

Aos homens: Preferiam encontrar as suas senhoras na cama com outra senhora ou com outro homem?


Agora lixas-te tu, ó Santana!

Mulher de fases

Que mulher ruim,
jogou minhas coisas fora,
disse que em sua cama eu
não deito mais não
A casa é minha
você que vai embora
já pra saia da sua mãe
e deixa meu colchão
Ela é pro na arte de
pentelhar e aziar
é campeã do mundo
A raiva era tanta
que eu nem reparei
que a lua, diminuia,

A doida
tá me beijando há horas
Disse que se for sem eu
não quer viver mais não,
me diz Deus,
o que é que eu faço agora?
se me olhando desse jeito
ela me tem na mão.
Meu filho aguenta,
quem mandou você gostar
dessa mulher de fases.

Complicada e perfeitinha,
você me apareceu,
era tudo que eu queria
estrela da sorte
Quando a noite ela surgia,
meu bem você cresceu,
meu namoro é na folhinha
Mulher de Fases


Mulher de Fases - Raimundos (a Gabardina aconselha a ir buscar a música ao Kazaa)

sexta-feira, julho 16, 2004

Suspeito

Que dentro de poucos anos a frase "Sócrates não nos deixou obra" terá mais do que um significado em Portugal.


quinta-feira, julho 15, 2004

Será que precisamos da civilização?


E à quarta semana tirou-lhes o pão...

A RTP noticiou hoje que em Itália se vive a crise da quarta semana. Na quarta semana de cada mês o consumo cai vertiginosamente. Na quarta semana de cada mês a Caritas vê as suas filas de sopa-dos-pobres invadidas por multidões de pessoas da classe média.

Espero que pelo menos o Governo ou as Câmaras Municipais ofereçam aos italianos belos espectáculos de fogo de artifício, como faz a Câmara de Coimbra.

Pão ou circo?

Coimbra ofereceu aos seus cidadãos, em honra do euro e da Rainha Santa Isabel, grandiosos espectáculos de fogo de artifício. O povo juntou-se à noite ao pé do rio para os ver. Os jornais mostraram as fotografias. O fogo parece ter sido um sucesso.

Mas há uma pergunta que me inquieta. Deve um país que não tem dinheiro para aumentar os salários dos funcionários públicos, um país que não tem dinheiro para fazer subir o salário mínimo de um nível miserável, um país que não tem dinheiro para prevenir incêndios, um país que anualmente vende património para controlar o deficit, oferecer grandes espectáculos de animação às suas populações?

Como se explica que um país que não tem dinheiro para nada gaste (queime, em bom rigor) largas dezenas de milhares de contos num investimento só reprodutivo para a empresa que faz o fogo? Será para dizer "Tomem lá uma coisa bonita! Vocês têm passado momentos tão maus que merecem..." Parece-me demasiado triste...

Em tempos de crise as autoridades públicas têm que estabelecer prioridades. Quem quer festa que a pague, pois as prioridades devem ser as que permitam que todos neste país tenham uma vida digna. Só quando isso estiver garantido devem os dinheiros públicos ser aplicados em festas...

terça-feira, julho 13, 2004

Pensamento do dia

Quem quer paz não arranja relações, vai para padre.

Vai valendo o sentido de humor...


Convite Posted by Hello

Quem corrige é responsável.


Se havia dúvidas, a subserviência esclareceu-as. Se havia dúvidas quando à convicção que o PSD tinha em relação à legitimidade para formar novo governo após a demissão de Barroso, a posição de subserviência assumida por Pedro Santana Lopes em relação a Sampaio veio esclarece-las.
Pacheco Pereira, único que identificou essa subserviência, esqueceu-se, do meu ponto de vista de levar até ao fim o pensamento. Para mim, só faz sentido que um primeiro-ministro deixe que o presidente ponha e disponha do governo se o próprio primeiro-ministro estiver ele próprio convencido da sua escassa legitimidade. Só um primeiro-ministro que se veja diminuído é que tolera vetos de ministros e recomendações várias.

Santana disse à SIC que considera um "estimulo" trabalhar de perto com o Presidente. Para mim, trata-se de outra coisa. Santana quer associar o presidente à sua governação para daí retirar a legitimidade politica que lhe falta e que ele, mais que minguem sente.

Nota: Uma frase de Santana como a que foi proferida sobre a deslocação dos ministérios provocou mais análises politicas, entrevistas, vox populi e linhas nos jornais que o facto de na entrevista que deu à Sic não ter expressado uma única posição politica de fundo.

Quem responde?

Vale mais o princípio de não negociar com terroristas ou a vida de um homem?


segunda-feira, julho 12, 2004

Portugal show


CAE 6 Posted by Hello
Há frases assim. Ainda que ouvidas uma só vez parece que ocupam um espaço que sempre lá esteve para elas. Uma, para a qual desde sempre tive espaço, mas que só descobrir quando tinha 13 anos é a "I can read the writing on the wall". A frase é parte de uma música chamada "Kodachrome" do Simon e Garfunkel. Não sei se pela música, se pala frase, se por nenhuma delas, a verdade é que sempre achei que nas paredes estão sempre escritas coisas mais verdadeiras que nos livros. Mais verdadeiras porque percursoras das tendências que só mais tarde serão absorvidas nos livros.

A fotografia que ilustra este post, tirada por um amigo e colocada online por outro, é percursora dos tempos que aí vêem. Serão anunciados mil fogos de artificio e nem um será concretizado.

P.S. Caro leitor: se por acaso tiveste a urgência de trautear a música a que me refiro e se por ventura ides procurar as letras do disco "Central Park" dos músicos citados, pois fá-lo em silêncio. Em nome do bom gosto evita ceder à urgência de catarolar as músicas desse disco. As outras pessoas que te rodeiam devem ser poupadas à tentativa de imitar os agudos do Art Garfunkel e as letras do Paul Simon. Ouve-as e guardas "echoed in the wells of silence". "Fools," said I, "you do not know? basta?.Sile

sexta-feira, julho 09, 2004

Fim-de-semana

Rasgar os papéis inuteis e deitá-los no caixote do lixo. Organizar e arquivar os que restam. Resolver aquelas três coisas desimportantes há muito adiadas. Pôr todas as canetas dentro do seu rídiculo suporte de plástico. Tirar tudo de cima da mesa e limpar-lhe o pó. Voltar a pôr tudo na mesa, mas no seu devido lugar. Passar para o papel a lista das coisas a fazer na semana seguinte.
Não há maneira mais confortável de terminar a semana.

Como dissolver a Assembleia da Republica.



Primeiro, coloca-se o precipitado do poder do povo, os deputados, num almofariz médio. Este precipitado, 230 cristais, devem ser separados individualmente com os dedos. A operação deve ser executada com tempo, ponderação e sem recurso a instrumentos metálicos ou abrasivos. Não usar químicos. O processo tem de ser mecânico. Com a base do almofariz assim cheia, deve o aprendiz de feiticeiro, procurar no seu laboratório um pilão de cerâmica. Reduza os cristais a pó, esmagando-os com veemência e convicção politica ou outra.

De seguida, o pó deve ser peneirado numa rede com 2 milímetros. O objectivo é retirar as impurezas que o tempo introduziu nos cristais. Só depois se procederá à dissolução. Para isto uma garrafa de água do luso destilada à temperatura ambiente serve muito bem. O pó é vertido, no recipiente com a água e depois com a ajuda de uma vareta mexido vigorosamente.

No final, a água volta à "corrente do rio que todos dizem que vai forte, mas que ninguém pergunta quem são as margens que a modelam".

Nota: As quantidades ficam a gosto do leitor, porque a essência, caro "leitor desocupado" é sempre o processo. O substantivo é sempre o adjectivo.

quinta-feira, julho 08, 2004

As bordoadas e as palmadas...

A diferença entre uma bordoada e uma palmada é que primeira é dada com as costas da mão e a segunda é dada com a palma da mão. O que parece ser uma diferença despicienda tem na verdade muita importância. Na palmada, a mão olha nos olhos da cara, anunciando-se, e permite que a cara se desvie. Na bordoada, não. O estalo, porque é antecedido por um gesto do braço a cruzar o corpo, é facilmente confundível com outro gesto qualquer, e assim quase ninguém o consegue antecipar e evitar.

A palmada dói mais que a bordoada, porque é possível antecipá-la. A bordoada porque nos apanha de surpresa não dói tanto. Fisicamente, pois recuperar de uma bordoada é impossível ou muito dificil.
As bordoadas são-nos dadas por quem nem sequer nos conhece. As palmadas são dadas por quem gosta de nós. Os pais dão palmadas. A vida dá bordoadas.
As palmadas aguentam-se bem: antecipação, dor, ardor e rubor da face.
Nunca ninguém aguentou mais que três bordoadas. Ardor, surpresa e eterno medo.

v. refl. aviltar-se; degradar-se; vender-se

Eu aceito tudo! Eu continuo tudo! Eu viabilizo tudo! Eu prometo estabilidade!





Well the men come in these places
And the men are all the same
You don`t look at their faces
And you don`t ask their names
You don`t think of them as human
You don`t think of them at all
You keep your mind on the money
Keeping your eyes on the wall



I'm your private dancer
A dancer for money
I'll do what you want me to do
I'm your private dancer
A dancer for money
And any old music will do



I want to make a million dollars
I want to live out by the sea
Have a husband and some children
Yeah I guess I want a family
All the men come in these places
And the men are all the same
You don't look at their faces
And you don't ask their names



Deutschmarks or dollars
American Express will do nicely - thank you
Let me loosen up your collar
Tell me do you want to see the shimmy again


Fotos

Depois de meses a lutar contra os sites de alojamento de fotografias, finalmente consegui pôr imagens que não estão on line no blog. Ainda ando a lutar com os formatos, mas é um óptimo começo.

Os meus sinceros agradecimentos ao Hello (clickar no simbolo por baixo das últimas imagens postadas).

Nacionalidade...


contraditória Posted by Hello

recebido por e-mail

quarta-feira, julho 07, 2004

Gráfico de Carácter


GRÁFICO DE CARÁCTER Posted by Hello

O post esquisito...

O Brasil faz fronteira com a Guiana Francesa, com o Suriname, com a Guiana, com a Venezuela, com o Peru, com a Bolívia, com o Paraguai, com a Argentina e com o Uruguai. Para além, disto o Sampaio é um sabotador, e o Portas um senhor. " então acha que eu, presidente de um partido conservador e institucional insultaria um chefe de estado?" Meu petiz, meu doce, meu "pobre país" o que eu acho ou deixo de pensar é-lhe indiferente, pois nunca o perceberia, nem se arrogue: falamos línguas, tempos e modos diferentes.
Posto isto, e porque ainda há violeta, preto, beleza, morte, profundidade e perlimpimpins de loucura no meu monitor, vou sair. Não sem antes resumir numa palavra todo o conhecimento universal, já agora faço isso antes do almoço: circunstâncias.

De facto

os portugueses não votaram nos deputados



Lembrado pelo Barnabé

terça-feira, julho 06, 2004

Dias cinzentos

POBRE DE MIM


Ando como um marciano, como um doente
Como um vilão pelas ruas de Roma
Vejo pessoas e cães a passar
E soldados com uma sirene
E sinto, na alma, pena
Tenho vontade de esbofetear
Tenho vontade de mudar de apelido
Ando desde sempre sobre pedaços de vidro
E nunca percebi como
Mas diz-me onde está a tua mão
Diz-me onde está o teu coração

Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Não tenho sequer um amigo qualquer
Para tomar um café
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Vê que chuva de água e de folhas
Vê como este Outono é
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Olho em volta e estão todos acima de mim
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Vê que chuva de água e de folhas
Que pobre dia este é

Ando como um dissidente, um descarrilado, um desertor
Sem ter sequer um chapéu ou um guarda-chuva para abrir
Com o cérebro algemado
E digo coisas já ditas
E vejo coisas já vistas
Acho os simpáticos antipáticos
E os cómicos põem-me triste

Tenho medo do silêncio
Mas não suporto o rumor
Diz-me onde está a tua voz
Diz-me onde está o teu amor

Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim.

Povero me (de Gregori e Locasciulli)- Tradução Gabardinesca

O dia da final do Euro.


Auto-estrada do norte sentido norte-sul.
Mercedes: CL350 muitos, SL320 bastantes e S600 AMG alguns.
BMW: 320 em barda, M3 mais que cinco, M5 dois, 740 uns bons seis, 820 apenas um, X3 dois e X5 ás dezenas.
Porsche: 911 Carrera bastantes e Cayenne mais de seis.
Volvo: S80 bué, S90 bué mesmo, XC90 alguns.
Volkswagen: Phaeton, dezenas.
Audi: A8 Quattro cinco.
Jaguar: SKR alguns, XJ8 alguns.
Hummer: um.

E não faço a mínima ideia do que é que isto pode significar.

Ler e-mails alheios não é crime

Pelo menos segundo o tribunal de Boston.

Pressentimentos

A Gabardina já tinha pressentido que "nos edíficios do Governo, bem apertadinhos, ainda cabem mais uns assessores".

O Santana também acha isso:

Santana quer mais ministérios

segunda-feira, julho 05, 2004

O meu RJ 45.


RJ 45 é um cabo. Com o posto militar, tem apenas em comum estar no fim da hierarquia. O meu cabo é cor-de-laranja, serve para ligar dois computadores em rede e está sempre no chão. O facto de estar no chão, e de cruzar a casa de um lado ao outro, ou melhor de um computador ao outro, implica ser pisado, entalado, e trilhado várias vezes ao dia. Com estes riscos tão presentes sempre dei a máxima atenção ao cabo. Cuidava ao abrir a porta, evitava calcá-lo e advertia todas as outras pessoas para que não o pisassem. Não sei se alguma vez evitei o seu corte, mas a verdade, é que passou quase 6 meses a ligar dois computadores sem que alguma vez deixasse de funcionar. E posso dizer: esticões, tropeções e entalanços foram ás centenas. O cabo, o RJ 45, resistiu sem perder byte.

Um dia, porém, uma panela decepou-o. Zás. Um corte, uma machadada fatal uma conjugação de leis de improbabilidade, e foi o que bastou para cortar o cabo cor-de-laranja.

No seu percurso de computador a computador, o cabo passa por um quarto, uma cozinha, um corredor e finalmente entra no outro quarto. Na cozinha passa ao lado do escorredor de louça em que estava uma panela. Um dia, enquanto os dois computadores comunicavam, uma rabanada de vento vindo do inferno, empurrou a panela que, para além acertar em cheio no cabo, o traçou com um golpe fundo e fatal. O recipiente metálico caiu na única posição possível, na única direcção possível, à única velocidade possível. Meses de diários tropeções: nada. Um golpe absolutamente improvável: a morte.

Sei - porque ele me telefonou- que o meu RJ 45 pretende pedir explicações a Deus sobre o sucedido. Aconselhei-o -brevemente, pois os telefones de Deus são TMN e eu sou 93- a não perguntar nada, pois só assim pode continuar na ilusão de que Deus sabe alguma coisa.

Sugestão ao Jorge

Acabei de perceber que no meio de toda esta crise política em Portugal existe uma maravilhosa oportunidade. Por que não aproveitar este momento de indecisão, estes dois anitos que aqui temos perdidos até às próximas eleições, para fazer uma experiência que há muito tempo largo número de portugueses reclamam: entregar a direcção do país a Espanha e a José Luis Zapatero?

Claro que isto teria que ser feito com toda a segurança. Portugal manteria o seu próprio Presidente e teria, junto do governo espanhol um ministro da República Portuguesa (quem melhor que Marques Mendes para desempenhar esse papel?). Neste momento é esta, sem dúvida, a melhor saída. Assim os espanhóis nos queiram aceitar...

Sharapova

A Gabardina já a tinha apresentado. Agora ganhou Wimbledon. O ténis feminino está muito mais interessante.


De volta à realidade

Hoje é o dia em que somos obrigados a pensar que o próximo primeiro-ministro de Portugal será Ferro Rodrigues ou Santana Lopes.

Depois do turbilhão de alegria que nos foram proporcionando ora a selecção nacional, ora a partida do Zé Barroso, teremos que cair em nós...

O segundo

é o primeiro dos últimos.

sexta-feira, julho 02, 2004

Qua qua

O patinho feio é uma história que faz parte do meu imaginário infantil. Lembro-me sempre de uma versão que costumava passar na RTP, em que o dito era preto, ao contrário dos seus irmãos, todos amarelinhos como qualquer bom patinho bebé. E para além do mais não sabia nadar.

Mais tarde o conceito voltou a entrar pelo écran na minha televisão através do MacGyver. Um dos episódios de que melhor me lembro é um em que o herói precisava de descobrir a password do computador de uma adolescente para evitar um dos habituais desastres. Depois de várias tentativas e apercebendo-se que a rapariga tinha uma baixíssima auto-estima, experimentou "ugly duckling" como password, e scharan! access granted!



Hoje ao almoço alguém me perguntou se eu sou um patinho feio. Acho que sim. Acho que isso é muito útil. É sempre mais fácil atirar para o aspecto exterior os nossos fracassos. É sempre reconfortante imputar à fealdade o que vai correndo mal e dar às vitórias o peso acrescido do "apesar de...". Sim, sou um patinho feio. Aliás, dando uma volta pela blogosfera não é difícil perceber que muitos bloggers o são. Os psicólogos devem ter uma explicação para isso...

Olhem para mim! Olhem para mim!!!!

Eu é que sou o verdadeiro presidente da junta! Desculpem, treinador da selecção.

Portugal, desde a derrota inicial, que se transformou como por obra e graça do Espírito Santo, numa equipa fortíssima, compacta, crente e com automatismos e rotinas que penso conhecer de algum lado.

José Mourinho


Sem mais comentários...

Mesmo a calhar

De repente o PSD percebeu que se for agora a votos será esmagado. E assim o homem mais odiado de sempre dentro do partido, Pedro Santana Lopes, consegue gerar à sua volta um consenso impensável para quem viu congressos dos laranjas nos últimos anos. Marques Mendes cala-se; a Ferreira Leite pede desculpa pelo que disse; os outros potenciais candidatos escondem-se convenientemente. E a campanha subterrânea e caciqueira começa. Aos mais "esclarecidos" acena-se com o terror dos "extremistas" do Bloco irem para o Governo. Ao povo em geral fala-se do fantasma da instabilidade. Aos mais pobres dá-se a entender que com Santana haverá um festim de notas a cair do céu, porque é o estilo dele. Nos programas de antena aberta das rádios, os serviçais do costume insinuam que o Presidente da República fará um favor ao PS, convocando eleições antecipadas, pressionando-o a fazer o contrário. É que ainda há laranjas sem emprego. Poucos, mas há. E nos edíficios do Governo, bem apertadinhos, ainda cabem mais uns assessores. Estes dois anitos vinham mesmo a calhar.

quinta-feira, julho 01, 2004

Fim da linha

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota


Jorge Palma

Porque é que as pessoas mudam?

A resposta que segue foi dada no último episódio da série "Anjos na América". Porque a não consigo transcrever "ipis verbis" passo a reproduzi-la como me ficou na memória. Assim, como um trecho de um texto que parece ocupar o espaço que tínhamos preparado exactamente para ele e que não servira até ali para nada.


Deus abre-nos o corpo, do queixo aos pés, cortando-nos a pele apenas com um lasquinha da sua unha. Depois mete as mãos bem fundo nas nossas entranhas, aperta-as com força para que não escorreguem e misturando-as enreda-as umas nas outras. Pára. Atira as tripas de volta para dentro do buraco vazio do nosso corpo e manda-nos outra vez para mundo. A pele, somos nós que a temos de voltar a coser.

È assim que as pessoas mudam.

Para primeiro-ministro?

Scolari ou Mourinho.