domingo, fevereiro 18, 2007

O direito ao duelo

Proponho que se restitua imediatamente o direito ao duelo (ou então que se despenalize o assassinato por motivos imperiosos – do género, ele estava mesmo a pedi-las, com aquele mau feitio). É que anda para aí cada besta que merecia tanto... Mal por mal, em Portugal, já se mata tanta gente e, ainda por cima, sem critérios válidos - na estrada, nos abortos ilegais, com a má alimentação, com os acidentes de trabalho, com os incêndios, com a droga, o tabaco e o álcool. Só vejo vantagens: a população estaria mais em forma, para se poder defender (e não só física como mentalmente, já que um novo artigo na lei dos duelos permitiria que o desafio fosse de outros âmbitos que não o da violência física – quem recusasse mais do que três âmbitos de duelo para a resolução de uma questão assumiria a sua falha e transitaria para o código legal apropriado de livre vontade – por outro lado quem desafiasse sem razão, mais do que três vezes perderia o direito a desafiar por um período a determinar). Estariamos todos mais atentos para não provocar ninguém sem motivo e todos tratariam os outros com maior consideração e respeito. A sociedade, livre dos pesos mortos inúteis e da sobrepopulação, que sorvem recursos preciosos, evoluíria rapidamente para algo mais civilizado, em que a honra e a dignidade seriam valores a ter em conta. Claro que o preço a pagar é alto mas também o seria a recompensa. Já vejo o reluzir de duas alabardas a voltear num parque, combates intensos e fatais de par ou ímpar num qualquer vão de escada, duelos de chapada de mão aberta ou de cócegas até à morte, verdadeiras chacinas com achas de armas ou lutas acesas entre trovadores de cítaras em riste, desfiando estrofes verrinosas.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu roubava o alaúde do bisavô em ilustre exposição e limava o pó às cordas! Ele era incitar rua fora - quem diz ruas diz praças, que é normalmente onde estas lides se desenrolavam antes de serem públicas -, e liquidar vidas noite fora (9 fora: nada!? ups..)
qual cantar, era logo com ele pelos cornos abaixo dos destratados. Apela-me mais a exterminação em barda, do que pelo bardo, mas se não fosse possível...cantava até eles morrerem.
Dava-me jeito.

A despropósito, a maior partes dos textos são excelentes. Sincero agradecimento!