segunda-feira, maio 05, 2008

Nem todas as criancinhas nascem filhos da puta...

... alguns são mesmo alimentados a fel até nisso serem transformados. Pelas agruras da vida e por contaminação (leia-se filhadaputices, agora sem hifens) de outros. Um carácter forte aliado a uma educação sólida e um bom círculo de amigos costumam conseguir ajudar a resistir a estes agentes do exterior mas, às vezes, tanto para quem conta com tais predicados como, muito mais facilmente, para quem não conta com eles à partida, é difícil resistir ao metafórico lado negro da Força e podemos mesmo acabar assim, amargos, rancorosos, vingativos, maldosos, ruins. E, uma vez do lado de lá, o regresso é penoso e quase impossível. Se bem que também acredito que alguns nasçam já naturalmente maldosos...

Se o universal sistema moralo-judicial do karma funcionar como espero, nascidos ou criados (o velho dilema nature vs nurture, fenótipo vs genótipo) terão o que merecem, mais reencarnação menos reencarnação. A minhoca-nojenta-que-hão-de-ser tarda mas não falha!

3 comentários:

Homikron disse...

Caro Catarse, não fiques com a ideia de que não tenho qualquer esperança nas gerações futuras, simplesmente atribuo às várias variantes (genótipo, educação, vivências) importâncias diferentes das tuas.
Se interrogares vários fumadores, e lhes perguntares se algum dos pais fuma, talvez não encontres grande relação entre ambos os dados. No entanto se lhes perguntares se os “amigos” fumam, a relação sobe dramaticamente.
Claro que fumar é apenas um exemplo.
É aqui que a velha máxima “diz-me com quem andas e eu te direi quem és” ganha pontos à educação.
A esperança reside em acreditarmos que uma boa educação leva à aquisição de bons amigos e vice-versa (espero bem que assim seja).
“Nem todas as criancinhas nascem filhos da puta.” Claro que não, simplesmente muitas delas vão ceder ao Dark Side da força.

Catarse disse...

Hummm... a fronteira entre educação e vivência é ténue mas entenda-se que existe no sentido da educação formal, venha ela de onde vier, e da experiência de vida. Mais do que outra coisa, acho que as componentes de formação do eu variam com o indivíduo e de como ele reage aos estímulos. Mais ainda, depende da idade (leia-se maturidade) para saber o que terá mais importância. Essa do "diz-me com quem andas..." terá, concordo, muita importância na adolescência, onde o "peer pressure" atinge a sua influência máxima mas mais tarde na vida, com uma personalidade mais vincadamente formada (retiro da equação casos limite de pudins-flan-do-género-maria-vai-com-todos-não-sei-se-vá-não-sei-se-fique) deixa de ser tanto assim.

Mas também adianto que não gosto muito daqueles superidealistas convictos que acham que é possível contrariar a 100% a natureza humana, mais ainda de um dia para o outro. Concordo que é possível fazer melhor mas não gosto da ideia de virarmos todos um bando de Elóis (Time Machine, HG Wells) fracos, apáticos, chochos, insossos. É preciso um certo pêlo na venta, um pouco de garra e capacidade de luta, um nadinha do Dark Side só para temperar...

Homikron disse...

Voltando ao meu exemplo inicial do tabagismo, as pessoas iniciam o hábito de fumar na adolescência (na tal fase influenciável que referes) mas a esmagadora maioria irá fumar até aos seus últimos dias de vida.
Após a adolescência o barro termina grande parte da sua cozedura, dificultando a introdução de novos updates.