terça-feira, dezembro 04, 2007

Nightmare before Christmas


Ao contrário do filme do Tim Burton (de quem sou grande fã), nesta altura do ano o pesadelo é real. O pesadelo das compras, o pesadelo do consumismo, o pesadelo das pessoas que se tornam mais humanas como se pudessem agora compensar 11 meses de hostilidade declarada contra os restantes membros da Humanidade. Esta hipocrisia aborrece. Se calhar é melhor do que nada mas ao mesmo tempo faz pensar que o fim de ano, mesmo com as habituais promessas que tornarão o mundo num lugar melhor, tem efeitos amnésicos retroactivos que limpam por completo qualquer memória da quadra natalícia e eis que voltamos às trombas costumeiras, ao mau feitio, à indiferença e aos maus modos.

Sobre o materialismo associado a esta época, prendas são sempre prendas (não posso dizer que não gosto) e reflectem, mais do que a ideia de comprar uma trampa qualquer para alguém, o tempo perdido na consideração da escolha e na procura do presente ideal. Haverá maior recompensa que olhar para a cara de quem recebe e ver estampado o ar de quem recebeu o que queria? Ou de surpresa agradada? Por outro lado, se é para comprar uma caca qualquer só para dizer que se comprou, o sorriso amarelo é castigo insuficiente. Proponho re-embrulhar e oferecer de volta ao ofertante no Natal seguinte, em jeito de recado. Mais, se é para isso, deixem-se ficar em casa, comprem online, desentupam as estradas, poupem o ambiente e a minha paciência.

E porquê limitar este ritual de lembranças (materiais) ao Natal? Sabe tão bem oferecer extemporâneamente algo. Flores, chocolates, fotografias, cds, jogos, livros, filmes, bilhetes, roupa, tarecos, seja o que for, a ideia é encontrar algo que fará alguém feliz, surpreso, animado ou bem disposto, custe 8 ou 80, bastando usar a imaginação.

Este ano estou muito contente - a missão Noel 2007 está próxima da conclusão, tendo encontrado solução para quase todos aqueles que queria presentear e nem sequer perdi tempo e paciência nos intoleráveis e atulhados centros comerciais.

6 comentários:

Anónimo disse...

Não há nada como um belo de um contracto a recibos verdes (ou não fosse eu um batráquio verde!), que não dá direito a subsídio de férias, 13º, subsídio de alimentação e que só dá direito a 1 coisa: trabalhar!, para todos esses males da época não existirem. Como diz o ditado: no money, no honey! Vou ter que dar largas à imaginação e oferecer prendas hand-made...sem stress...é só coisas positivas: não gasto dinheiro em gasolina, não stresso nas lojas, não poluo, não gasto dinheiro em estacionamento etc e tal!!
Por acaso sempre gostei de oferecer prendas que eu própria fizesse...uns quadrinhos pintados a óleo/acrílico, um poema bonito com ilustrações, uma caixa decorada com búzios colados, etc.... umas ideias para quem gostar!

Catarse disse...

a mim parece-me bem! juntas a tudo isso o prazer de dar/receber algo que teve o cunho pessoal de fazeres a tua própria prenda! não pode haver melhor, com ou sem subsídios... :)

Toni disse...

Também sou um fã do Tim Burton, e falando das comprinhas de Natal, confesso que não tenho grande pachorra para as fazer. Ou melhor, gosto de ir as compras, mas sem a obrigação de comprar. Ir por ir, sem grandes expectativas, se encontrar algo, óptimo, senão tudo bem na mesma. Engraçado que as melhores prendas, aquelas que sabemos que vão vão surpreender, encontro-as sempre por acaso e concordo contigo quando dizes que deve ser uma coisa extemporânea.

Arroz de Casca disse...

O meu habitual pesadelo natalício já começou.(Nada como o filme, que é soberbo). Começo a odiar a época. São discussões, ânimos exaltados, falta de pachorra, sentimentos à flor da pele, filas de trânsito, presentes por obrigação e dinheiro que escasseia...ARG!
Já agora, ainda me hás-de dizer como é que resolveste a tua missão sem centros comerciais??? Tudo pela net??? Comércio tradicional???
A ver se há algum "remédio", antes que eu tenha uma explosão pré-natalícia...

Catarse disse...

comércio tradicional, pequenas lojas, bairro alto e feiras.

e ainda o aproveitamento pleno de todas aquelas oportunidades "olha, isto era mesmo ideal para dar a..."

boa caçada!

Catarse disse...

yep, aquelas compras de impulso em que te lembras de alguém e decides oferecer algo dão mesmo gozo pela surpresa!