quinta-feira, novembro 08, 2007

Rodo-aviário

As aves raras que habitam as nossas estradas estão longe da extinção. Desde as bestas predatórias que atacam o alcatrão como se não houvesse amanhã (entre as quais este vosso criado se inclui, ainda que com alguma, passe a imodéstia, perícia) até aos asnos superdefensivos que guiam com a mão no botão dos 4 piscas [hábito odioso, diga-se, e que conduz ao pânico de massas (coisa linda de se ver, esparguete assustado... isto para não falar num ravioli absolutamente aterrorizado que vi outro dia - perdoem-me este parentesis aloilado mas não resisti) a que se assiste agora sempre que alguém espirra].
Perceber que se pode facilitar a vida aos outros, mesmo que seja à custa das regras do código, é algo que escapa à maior parte dos craques que a DGV autorizou a circular por aí, a troco de uns leitões e frangos certamente, neste país de vias travessas onde há sempre alguém prontinho para estacionar "só por uns minutinhos" em 3a via, para assistir no regresso ao pandemónio de 5 kms que provocou e resmungando entre dentes "estes gajos são uns chatos" ou um muito mais cool "Que se lixe! Azaréu!" ou ainda o enervante "Esperem que eu também esperei 9 meses para nascer". A subtileza da emenda para 12 certamente que lhes escapará, sendo por isso escusado usá-la à laia de insulto nestas ocasiões.
Hoje encontrei duas senhoras muito bem compostas depois de uma ter esmagado a sua frente contra a traseira da outra (imagens do "Bound, sem limites" misturadas com o "Crash" surgem-me no espírito sem que tenha sobre isto qualquer controlo), que civicamente demoraram 30 minutos no mínimo (ocorreu antes de lá chegar e saí de lá antes de estar concluído o processo) para descobrir e resolver que a culpa foi de quem bateu por trás numa recta enganadoramente desprovida de obstáculos com o trânsito a rolar a 50 kms/h, uma manobra que, como todos nós sabemos, se conta entre as mais complexas que o cérebro humano pode abarcar no que toca ao domínio sobre uma viatura e sobre a coordenação visual-motora, salvo nas ocasiões em que estamos ocupados a pintar os olhos, a mudar a estação de rádio, a micar a miúda do carro do lado ou ao telemóvel, instrumento que, acrescento, parecia estar a ser inestimável para solucionar o tal berbicacho pois ambas as madames o ostentavam com aquele ar de enfado que uma fila buzinante de 10 kms por perto pode provocar. Custava muito terem levado os carrinhos amolgados para a berma? Será que na berma não há rede? Será que o código proíbe o preenchimento da declaração amigável na berma? Será necessidade de protagonismo que a berma não preenche? Será falta de glamour por parte da berma? Atenção que falo educadamente da berma e não da valeta para onde as remeteria para gáudio de muitos. Os olhares com que foram brindadas durante o tempo que lá passaram certamente que não tinham nada de elogioso, méritos físicos ou de indumentária que pudessem ter, e sobre os pensamentos abstenho-me de qualquer tentativa de reprodução em nome da correcção linguística que este blog se orgulha de manter. Quem diz a berma diz, a propósito de correcção, o raio que as parta, desde que longe dali e fora da estrada.
Atenção que nada disto tem um carácter pejorativo sobre a condução feminina! Circunstancialmente estavam ali 2 dignas representantes do género, nabiças, mas facilmente poderiam ser nabos. Civismo, Educação, Amabilidade, Compreensão, Desenrascanço são tudo palavras do dicionário (menos a última, segundo o DLPO online) cujo significado certamente escapa aos donos do asfalto mas, ao que julgo saber, um dicionário, ao contrário dos coletes garridos que infestaram a comunidade automobilizada, não se conta entre os items obrigatórios para estarmos habilitados a guiar. É pena.

16 comentários:

Arroz de Casca disse...

Eu acho que o código proíbe o preenchimento da declaração amigável na berma.Definitivamente! Já se imaginou se as referidas "senhoras" não pudessem mostrar as suas malas Prada/Channel ou se não dessem um arzinho da sua graça??? É que tinham o dia desgraçadooooo. E depois não havia trabalho para o sr.agente (o dia inteiro com uma ocorrência de difícil resolução).E também não havia assunto no cabeleireiro, na festa da Quiqui e, olhem, sei lá, Portugal não era Portugal. Para além de tudo mais, queridos, a vida sem excessos é um têeeeeedio(está escrito neste blog, onde se escrevem grandes verdades)! Não podia faltar a cereja em cima do "chiffon": até pode ser que o amiguinho giraço do ginásio (que as duas senhoras frequentam) tivesse assistido à ocorrência e quisesse dar uma mãozinha.
Agora digam lá que isto não é uma história (com explicação) simples e final feliz?
Na verdade, o O'Neill é que tinha razão quando dizia que este é "um país mal frequentado".

Anónimo disse...

Sabe lá, querida, o que seria a vida sem os Excesso, tá a ver? E ainda por cima não é que o automóvel foi logo parar perto daqueles bairros horrorosérrimos do povo, Cacém, Rio de Mouro, Barcarena, Algueirão, sei lá, nem sei quem é esse O'Neill, tá a ver, mas deve ser chiquésimo com o apóstrofo e tal e tem imensa razão sobre o mal frequentado, que horror, quando podia perfeitamente ter parado, sei lá, em Sintra que é lindo de morrer, sei lá, ou em Cascais, tá a ver, ali perto da Quinta da Marinha, sei lá.

Tarzan, o tio camionista gay

Arroz de Casca disse...

Querido tio: que saudades que eu tinha das suas sábias palavras! Um grande saravá pa'si também!
Convoque lá o sr. Martins para podermos fazer uma "fêsta" à séria.

Catarse disse...

Gostei! "...está escrito neste blog, onde se escrevem grandes verdades..." é sempre uma bela crítica. Sim, porque neste blog sempre se pugnou e pugnará (lindíssimo) pela verdade acima de tudo! Ou quase. Nem sempre. Às vezes. Aqui e ali. Esporadicamente. Tentamos. Pouco. Nada. Uns mentirosões da pior espécie. Vis bandidos capazes de vender a alma da mãe por um tostão furado. Ou mesmo de graça. E a rir.

Arroz de Casca disse...

É verdade tio: mais uma vez, parabéns pela mudança. Na verdade julguei que se tinha mudado para Cascais...Mas parece que ainda anda de camião pelas ruas da capital.

Arroz de Casca disse...

É verdade tio: mais uma vez parabéns pela mudança! Julguei que se tinha, evidentemente, mudado para Cascais. Mas vejo que continua a vaguear pelas ruas da capital. Tssss...Nem parece seu.

Então, sr. da Catarse?! Não gostou, acho que adorou (e eu sem perceber porquê,não sei o que o terá afectado tanto!Isto já não se pode brincar?!)Parece-me, como fã que sou, que neste fantástico blog se come, "a rir", criançinhas ao pequeno-almoço. Política à parte, claro está. Isso de "vender a alma da mãe", foi chão que deu uvas! Na Gabardina tudo acontece, como escreveu, "a rir" e "pugnando pelo tostão furado" (grande máxima!). Senão, não tinha graça! Conte sempre comigo para dar uma achega nestas (pelos vistos) delicadas questões de honra e perfil do blog. Afinal, e nunca se esqueça disso, sou uma daquelas fãs indefectíveis! Aquelas que, como os velhos amigos, às vezes se cansam (ou "ficam más", como diz IM) das ausências e da falta de feed-back. Mas voltam sempre cá. Quanto mais não seja, para se rirem.

Arroz de Casca disse...

Perdão à gerência pela repetição de parte do post (isto hoje tem de ser assim, que andam muito susceptíveis!). Azelhices informáticas. ;)

Arroz de Casca disse...

Pelo post acima deste acabei de perceber, prof. Catarse, que está susceptível e mal disposto...Pronto, a coisa começa a clarificar-se. Take it easy, que amanhã o céu estará, seguramente, mais azul.E pronto: também existem cervejas, perceves, mar, sol, amigos. ;)

IM disse...

Ai que eu ando a perder tanto comment...ai Arrozinho, a menina tá que tá!!! ehehehehe...(o que era deste blogue sem nós, amiga? O que era deste blogue sem a nossa luz?..Tssssss...Catarse deveria pagar-nos para aqui escrevermos umas coisas...eheheheh...este blogue deveria chamar-se ArrozIM!!!!)
(P.S- Confesso que ainda estou meio "azeda" com o Gabardina....tsssss...IM tem muito maufeitio...ehehehe)

Arroz de Casca disse...

Poisque eu também tenho mau feitio quando é preciso. E às vezes MESMO preciso. Vide ex. em anexo. Adiante. IM, amiga, tens toda a razão. Que seria deste blog sem a nossa "estupidez natural"? Eu também acho que uma remuneraçãozita à peça (que é como quem diz ao comentário) não ficava nada mal à gerência. Mas em vez disso, ainda há uns e outros que andam "com os azeites" ou "males da realidade".
Acho até que podíamos fazer um dueto (o hino do ArrozIM) a cantar, por exemplo, o saudoso 'Pó-de-Arroz', para verem a falta que lhes fazemos!
Ai era tão bonito!!! Mesmo que não haja Pó-de-Arroz, fazíamos um dueto em Playback: http://www.youtube.com/watch?v=Ao8rQYxQ0WI
Vê o que achas e conta-me. ;)

Arroz de Casca disse...

Agora que vejo este rapazinho do link, parece-me que ele tem qualquer coisa de Tiago-Toranja. Sobretudo noutros vídeos...Não achas? Eheheh! Curiosa analogia vinte e muitos anos depois. É claro que se o próprio T-T lesse isto teria vontade de me apertar o gasganete...;)

Catarse disse...

E estamos de volta ao contacto com os nossos ouvintes! Temo ter sido mal interpretado com o comentário sobre a crítica: gostei mesmo. O resto era mesmo gozo comigo próprio... mas, enfim, problemas de comunicação obstaram à clareza da mensagem, azeites do post seguinte, não relacionado, à parte.

O conselho de administração está a considerar a remuneração à peça mas entretanto tem umas dívidas de uns descendentes bastardos para pagar. Se sobrar alguma coisita pode ser que dê... ;)

E voltamos ao pó branco... não trabalhasse eu para a indústria farmacêutica e isto ia soar muito mal...

IM disse...

Arrozinho, acho que ficávamos a matar a cantar...eheheheh...(sabes que aquele festival parece ter saído de outro planeta...foi há taaaannnnto tempo e eu JÁ tinha 11 anos??? Esta, ESTA é a pior parte...lembro-me tão bem!!!eheheh)

Amigo Catarse, a indústria farmacêutica está cheia de pó branco....ehehehehehe.....

(fico à espera de remuneração, claro!...eheheheh)

Arroz de Casca disse...

OK. Tudo esclarecido, prof. katarsinka. Melhoras...da realidade.
IM, eu tinha 5 anos e acredite que me lembro tão bem como a menina! Até da coreografia! Mas continuo a achar que ficávamos muito bem a fazer o coro do Pó de Arroz...E Catarse poderia ser vocalista. Acho que tínhamos mais sucesso que Tony Carreira e enchíamos o Pavilhão Atlântico num instantinho!

IM disse...

eheheheheh
(eu fazia de Ana Bola, pode ser?? ehehehehe...e o nosso amigo Catarse faria de C.Paião com aqueles oculões à Tom Cruise da Murganhêra...eheheh)

Arroz de Casca disse...

IM, o seu humor está em alta!
TOM CRUISE DA MURGANHERA é muito bom! Muito bom mesmo!
A carapinha da Ana Bola também não estava nada mal, não senhora!