sexta-feira, novembro 16, 2007

Defeitos de fabrico II

Se por um lado os defeitos de personalidade, hábitos ou feitio são da inteira responsabilidade da força de vontade que exista para os mudar, temos também os defeitos físicos. Numa sociedade que, cada vez mais, julga as pessoas pela aparência é justo dizer que, fashion victims (como diria alguém) à parte, a imagem faz parte do que somos e é inegável o seu impacto no dia-a-dia social e profissional.
Ainda esta semana recebemos na empresa a visita de auditores externos para avaliação do departamento financeiro - duas mulheres e um homem. No campo estritamente profissional nada posso comentar já que não é uma área que me diga respeito. No campo meramente estético ambas as auditoras (esquecido o auditor pela audiência masculina com quem o assunto foi comentado - imagem profissional, fato e gravata, normal) saltavam à vista, mais uma que outra, pela aparência cuidada e pelo claro desejo de serem desejadas ou pelo menos admiradas. O decote, o bronzeado, o corte das roupas, as extensões de cabelo, a pose, tudo nelas exalava uma aura marcadamente feminina e sedutora. Poder-se-à considerar excessivo (e, de uma certa maneira, desconcentravam) para um ambiente fabril e profissional mas o certo é que despercebidas não passavam. E, pessoalmente, desagrada-me a ideia de que uma mulher tem de se vestir como um homem para poder ter o devido reconhecimento profissional.
Numa altura em que quase tudo é usado para marcar a diferença, acho que passa por descuido não ter um mínimo de cuidado com a imagem que passamos para os outros. Mesmo que se adopte um look descontraído e relaxado é bom ter consciência de todas as implicações e mensagens que essa imagem passa e o impacto que tem na avaliação do conjunto. Da roupa aos acessórios, do ginásio à dieta e à cirurgia estética, vários cenários se colocam e imensas hipóteses se abrem para quem quer rever ou melhorar as características físicas com que nasceu. Como em tudo o resto, levar isto ao extremo não custuma resultar muito bem mas abaixo de um mínimo também não será grande opção.
Ultimamente tenho considerado quatro cenários: ortodôncia (aparelho ou cirurgia, inclinando-me para a segunda pelo imediato da solução - ainda que corra o risco de perder o look "de puto irreverente traquinas" como me foi descrito), correcção do desvio do septo (melhorias na qualidade de vida e saúde actual e futura), tatuagem e/ou piercing. Considerando prós e contras de tudo isto, acabarei por tomar a decisão final sobre todas elas levando inapelavelmente em conta a imagem que passarei para os outros, tanto como o meu conforto e satisfação pessoal.
Do punk ao casual, do desportivo ao gótico, do formal ao desleixado, as hipóteses são mais que muitas e até se pode ir variando conforme a ocasião; agora a noção de que nada disto importa e a defesa irracional do "vou andar de saco de batatas" só faz sentido com 16 anos ou se toda a restante construção pessoal, da personalidade ao estilo de vida, se adequar a isso num conjunto coerente e não apenas em defesa do cenário utópico em que só importa a beleza interior. Para esses a solução é virá-los do avesso para ficarem mais bonitos.

8 comentários:

Anónimo disse...

Realmente o que gostamos de mais físico nos outros é realmente muito subjectivo. Uma história curta e elucidativa: em conversa aqui no gabinete de trabalho, perguntavamos a 1 colega (que é a única que não tem namorado/marido/amigo colorido)que características físicas gostava mais num homem. Resposta rápida e directa: "Um homem que seja lavadinho!!!!" Bem, não quero pensar nas más experiências que a rapariga teve!!! Enfim...

Outra coisa: eu usei o meu aparelho fixo há exactamente 12 anos ...Ups....estou velha.... (durante 5 anos ....:(... )por questões estéticas e de saúde dentária (?). Na altura não era moda....doiam imenso os dentes/maxilar...gozavam imenso comigo.....foi terrivel para mim. Mas o resultado final foi bom. Voltava fazer o mesmo!
crrroac!

IM disse...

É verdade. Aliás, é pura demagogia (para não dizer pior) que o que conta é o que está por dentro!!! Certamente que o que "esta´por dentro" é o fundamental, mas às vezes, a nossa vontade de ir ver o que está por dentro (abrir a fruta??)depende daquilo que está por fora e a verdade é que, num primeiro momento, somos marcados pela imagem "exterior" da pessoa e isso conduz-nos, inadvertidamente, a uma série de juízos de valor que podem até ser totalmente desadequados...
Pessoalmente, detesto as pessoas (género à parte) que vivem de pormenores de aparência perfeitamente ridículos e cuja cabeça é totalmente destituída de assunto. Cuidar sim, mantendo a personalidade. E mesmo essa aura de sedução passa por muitas coisas diferentes de um evidente "estou aqui". Penso que é fundamental a pessoa ser o que é e a roupa, o estilo, etc, saõ marcas de personalidade. Todavia, quando as pessoas vestem todas a mesma coisa porque é suposto e vivem dessa imagem ridícula, então eu tenho é mesmo pena. Eu, por exemplo, seria de todo incapaz de vestir uma peça x de que gostasse pouco só porque é moda!!!! Para muitos eu sou esquisita, para outros sou gótica, para mim, sou só eu, cabelo, maquilhagem ou cor de cabelo à parte. Há coisas que me acompanham porque são parte da minha vida e da minha forma de estar: sempre o mesmo perfume e sempre o mesmo estilo! Et voilá! C'est moi!!!
Quanto aos arranjos, não sei se faria alguns...(não que esteja bem..eheheheh...onge disso)...acho que jamais me reconheceria...em miúda endireitei um canino e acho que perdi parte da minha personalidade!!! eheheheheh
(mas acho que não estou assim tão mal...afinal, a idade também já não ajuda...eheheheheh....sniiiiiiffff)

Catarse disse...

Blaarrgh... tadinha da miúda.

Engraçado é depois de afirmados os gostos e tipos de características preferidas aparece a pessoa certa e lá se vão as preferências... ;)

Ainda não estou 100% decidido em nenhuma das 4 mas para lá caminho, moda ou não.

Catarse disse...

Sim, os olhos também comem, na fruta como noutras coisas, mas nada chateia mais do que encontrar aquela maçã linda e brilhante por fora e podre ou farinhenta por dentro... oca então era o descalabro!

Os retoques ficam ao critério e gosto pessoais. Não me faz confusão que o façam, como não me faz confusão fazê-lo. É tudo uma questão de grau, de coerência e resultado final.

Anónimo disse...

Não resisto em dizer mais uma coisinha: enerva-me imenso aquela malta que está 3 horas a vestir-se a arranjar-se, a despentar o cabelo e a por roupa xpto três tamanhos a cima para, no fim, dar aquele ar negligè (?) que parece que nem se interessam pelo seu aspecto estético e criticam imenso as fashion victims e dizem que 'vestem de manhã qualquer coisita que esteja á mão)....e no fundo...aquele despenteado demorou 2 horas a por de pé e aquelas calças são de uma marca importantissima no grupo...estão a ver o género? Não suporto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Crroac! Crroac!

Catarse disse...

Esses são os piores de todos...
O look careless estudado que desdenha das restantes vítimas com superioridade moral. No mínimo desonesto e hipócrita.

IM disse...

...Pois..a questão do grau e da coerência é que dá pano para muitas mangas...há muitas medidas diferentes...resmas...paletes
(olha, arranjar o desviozinho do septo é bom porque a malta com esse defeitozito ressona que se farta e esse simples "facto" é justa causa para pedir divórcio...eheheheheheh)

Arroz de Casca disse...

Neste momento estamos a cair num excesso absoluto de exterior, de imagem, de culto da magreza e da juventude, de marcas daquilo que se veste, etc. E somos muito "castigados" socialmente com essas ideias. Muitas delas sem sentido e inatingíveis. Como diria um coreógrafo muito interessante: hoje vivemos mal com o nosso corpo.