segunda-feira, março 17, 2008

Fazer vida longe. Reconstruindo cumplicidades com o homem do café. Interpretando os ruídos dos vizinhos e, catalogando como estão catalogadas as borboletas os hábitos dos outros. O velho de pantufas que ainda está a atravessar a passadeira, as flores de plástico em cima da mesa, a ordem dos livros, ou a falta deles, o chiar do chão, e o cheiro do eventual cão. Sim, porque há muitos cães eventuais e viver com pessoas efectivas. Fazer vida longe, é necessário ter uma vida perto. É necessário ter o Cohen sabido, o Reed esquecido, o Chico no mp3 e o Art e o amigo bem escondidos. Para se ser imigrante, para se imigrar para uma cidade, para uma pessoa, para uma profissão, para uma religião, é necessário ter os tarecos bem arrumados.

1 comentário:

Arroz de Casca disse...

«Fazer vida longe, é necessário ter uma vida perto. É necessário ter o Cohen sabido [...]. Para se ser imigrante, para e imigrar para uma cidade, para uma pessoa, para uma profissão, para uma religião, é necessário ter os tarecos bem arrumados.»

Há muito tempo que não lia nada que me fizesse tanto sentido, na precisa altura em que o li.
Obrigada.