sexta-feira, outubro 26, 2007

Contos curtos sobre nada: Obrigado, amigo!

Obrigado, amigo, pela noite porreira do fim de semana passado. Estava tudo óptimo. Que grande ideia a tua de irmos de carro até à costa pela estrada sinuosa e encantadora da serra. Realmente ver aquele pôr do sol com cervejinhas e conquilhas foi excepcional. A jantarada no tasco lá perto foi inesquecível, principalmente a parte das beldades exóticas nórdicas com que achaste por bem meter conversa. Ui, aquele bar se falasse, as histórias que contava. E por falar em histórias, estiveste hilariante na resposta que deste aos locais que não paravam de mandar bocas lá do fundo. Melhor só mesmo o concurso de shots que lançaste com aqueles tipos do rugby e a parte em que perdeste o cartão e saímos sem pagar.

Hoje, aqui sentado no hospital onde acordei, lembrei-me de tudo isso lentamente, depois de passar o efeito da anestesia geral, a amnésia temporária da concussão e o stress pós-traumático de tudo aquilo por que passámos juntos.
O primeiro biqueiro nos dentes do porteiro foi de uma agilidade incrível para um bisonte daquele tamanho. E ainda estava a pensar se aquilo me iria doer ou não durante muito tempo, quando encontrámos os meninos dos shots que prontamente me esclareceram essa dúvida. O que vale é que a gonorreia/fungo/sífilis das lambisgóias de cabelo pintado da Rinchoa sempre distrai um pouco quando arde e comicha. Coincidência incrível do destino foi aquela de, no cruzamento, teres jurado que era para a esquerda e termos voltado ao primeiro bar, mesmo a tempo de perguntares à besta peluda, o tal que por um feliz acaso era cabo da GNR local, que insultaste, de um modo genial diga-se, horas antes de chifrudo manso impotente, por indicações de trânsito com a garrafa de vodka na mão. Se não tivéssemos caído, ao puxares o travão de mão, pela ribanceira que ladeava a tal estrada sinuosa e encantadora da serra, sempre queria ter visto o efeito que aquele taco de basebol teve no meu descapotável novo e, já agora, encontrava o papel da multa que ele nos passou para saber em quanto ficou a mostarda. Agora desculpa-me mas tenho de voltar a chamar a enfermeira porque as conquilhas de confiança daquele sítio que disseste que conhecias desde pequeno voltaram a detonar a diarreia explosiva e ainda não me habituei a usar o coto que restou do meu braço direito para carregar no botão.

Grande abraço! Quando finalmente sair daqui eu ligo-te.
Melhor, encontro-te para te agradecer pessoalmente!