segunda-feira, agosto 09, 2004

perguntita

Nos últimos tempos tenho frequentado igrejas. Missas.
Tenho a impressão que ninguém, que está sentado nos bancos corridos, escuta com atenção o que o padre vai dizendo.
Os padres dizem todos o mesmo. Com mais alegorias ou com menos imperativos, a coisa é igual nos jesuítas, na opus ou nos padres do interior. É coerente que assim seja.

Dos discursos que tenho escutado há uma ideia que se tem repetido. Os padres dizem que hoje em dia é muito mais fácil não acreditar do que acreditar em Deus. Eis uma ideia de que discordo fundamentalmente. Não vou dizer que o argumento da dificuldade é utilizado a tordo e a direito por organizações sociais que pretendem que os seus membros se sintam especiais em relação aos outros homens por estarem a fazer uma coisa, acreditar em Deus, que ele próprios dizem que é difícil. È como aquela conversa de que a minha profissão é mais difícil que a tua. Bem, não interessa ir por aqui. O que me interessa é perguntar a um padre o que é mais difícil: enfrentar o dia-a-dia, a morte, a doença irreversível dos amigos e o acaso assim sem mais, ou ter sempre um quê qualquer responsável por tudo. Como é que é mais difícil acordar? A saber que tudo pode acontecer sem nenhuma explicação nem compreensão, ou assumir que por detrás de tudo que acontece está sempre uma razão, um motivo que por mais imperceptível que seja, existe? O que é mais difícil? Vá lá honestamente, é mais difícil estar perdido, ou ter um rumo?

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