quarta-feira, novembro 10, 2004

Ó Pai Celestial

Ontem quando cheguei a casa percebi que um colega tinha deixado entrar dois jovens missionários Mormons para a nossa sala, para uma conversa rápida. Eu, que sempre fui fascinado pelos "elderes" aos pares, juntei-me à conversa. A primeira surpresa é que eles são tipos bem dispostos, que nos entregaram um cartão em que se referiam a si mesmos como "os elderes". A segunda é que as crenças e os ritos deles são muito simples. As orações muito mais interessantes e exigentes que as católicas. Não há cá Avés Marias repetidas até ao vómito - cada um tem que dizer o que lhe vai na alma. A terceira é que não nos quiseram vender nada e não nos pediram nada - só quiseram falar do que acreditam e saber o que nós pensamos. A quarta é que respondem a todas as perguntas sem problemas - desde o que estão cá a fazer, passando pelo que farão quando regressarem aos EUA e acabando em quem votaram nas últimas eleições americanas.
A conclusão é que ou o marketing deles é muito melhor que o da igreja católica portuguesa, ou é um facto que a verdade está com eles e não com as outras igrejas que temos por cá, incluindo a católica.

Quando eles me visitaram ontem nada tinha para pedir ou agradecer a Deus, ou ao Pai Celestial com sotaque americano. Hoje, depois da leitura dos jornais da manhã, tenho um agradecimento e um pedido. Agradeço nunca ter tido que me vender e não ter por isso que andar a fazer coisas em que não acredito. Peço que tal nunca me aconteça.

Há coisas mais importantes no mundo, mas eu prezo muito estas.

terça-feira, novembro 09, 2004

Manso preto, Manso branco

A Gabardina está em condições de adiantar 50 nomes de figuras públicas pedófilas e que habitualmente participam em rituais satânicos e/ou de canibalismo.

Os nomes serão aqui postados nos próximos dias. A nossa fonte é anónima e que nenhum juiz nos venha perguntar quem é. Há já dois anos que a escrita é a nossa actividade principal e o pedido de duas carteiras de jornalista já seguiu. Basta de ataques à liberdade de imprensa!

segunda-feira, novembro 08, 2004

anita dia 170



E estou aqui. Nesta gaveta em que ouço tudo, e que abro quando não está ninguém no necrotério. À noite quando é mais seguro sair, deambulo pelos corredores às escuras. Bato numa cadeira. O som que sai do escuro chega ás vezes aos ouvidos das pessoas que recém enlutadas, aguardam na secretaria os procedimentos burocráticos da morte. Ontem à noite, ao fundo do corredor, descobri um esconderijo completamente na penumbra, de onde sem ser vista consigo observar as pessoas na recepção. Escondi-me no escuro e empurrei uma cadeira pelo chão. O som sai a toda a velocidade do breu entra nos ouvidos das duas mulheres e gela-as. Viram a cara para o escuro, arregalam os olhos e num arrepio longo e tremente encolhem os ombros. Não ligam. Os mortos estão mortos e por isso deve ter sido o vento, um gatito ou apenas uma impressão. Mas não era. Sou eu que no escuro do corredor arrasto uma cadeira como um corvo arrasta a sua asa partida pelo chão. De cócoras, agachada, num canto escuro, observo duas mulheres. Sinto as mãos petrificarem-se, o corpo a alongar-se e umas asas a romperem-me as costas. E a força, e a visão. Os braços arqueados são duas colunas de mármore, o peito ganha uma armadura de pedra rósea e pelos dedos finíssimos estiletes completam esta metamorfose. Sou gárgula que do escuro raia os olhos alvíssimos com a volúpia do assassinato. Abro as asas de lado a lado do corredor, e num voo raso avanço vertiginosa rente ao chão para as duas mulheres. Abraço-as com as longas asas e seguro-os os seus pescoços nestas garras milenares. Contra os vidros os corpos das mulheres cedem aos cortes profundos. Monstro de asas pretas, que só as sombras no chão, definem. Depois de ter deixado cair os corpos, observo o funcionário que cheio de sono aguardava que estas massas de osso partido e carne macerada, preenchessem os papéis. A ele um olhar, seguido por um desenrolar da minha língua veloz bífida e justa. Penetro-o pela boca, percorro o esófago e abrupta torço a língua na direcção do seu músculo cardíaco. Colho o coração com violência e retiro-o pela boca do funcionário acordado pelas duas mulheres. Ergo-o no tecto e cuspo-o para longe. Cai no lago que fica em frente desta morgue. Às 3 da manhã do dia 8 de Novembro de 2004 um splash irá satisfazer a pulsão de morte de todos os que acordam às 8:00 da manhã.
Experimentado o assassinato por piedade, recolho à minha gaveta para descansar.

Avesso e direito de nós

O que somos passa para o que fazemos e mais tarde o que fazemos é a montra do que somos.

Por que é que quando fazemos a cama o lençol de cima é posto com o direito virado para dentro, mas quando vestimos uma t-shirt o direito fica para fora?

quinta-feira, novembro 04, 2004

Dia seguinte

Depois de uma semanas a tentar convencer-nos de que há coisas mais importantes, somos obrigados a voltar a pensar no Santana, no Portas, no Sócrates, no Gomes da Silva... (mas quem é este Gomes da Silva, alguém me explica?)

O campeonato do mundo de futebol está a dois anos de distância e o Europeu e os Olímpicos a quatro. Não há por aí outro Timor Leste para nos motivar? Não há um tufãozito que se queira aproximar de território português?

quarta-feira, novembro 03, 2004

Gato Fedorento

Recebo e não resisto a publicar o melhor texto do Gato Fedorento na SIC Radical:

Meu amigo,
isto o que aconteceu foi muito simples meu amigo. O que aconteceu é que eu chego aqui e sou logo confrontado com certas e determinadas situações. Eu digo "então como é que é?", e os gajos "ah e tal!", e eu "tal não, ah tal não!". Então eu venho de lá de baixo e dizem que não sei quê, chego cá acima e parece que não? Em que é que ficamos? E os gajos, "ah, não sei que mais e o camandro", e eu "mau! queres ver que a gente tem que se chatear? Isto não pode ser!". Eu sou um gajo que estou aqui para trabalhar, quero trabalhar, e dizem-me, como aqui ouvi, "ah, não sei quê!". Mas que é isto? Isto não se faz, que eu sou um gajo que dou-me bem com toda a gente, sim senhor, dou-me bem, está tudo bem, e fazem-me isto! Depois há gajos que andam aí, que fazem trinta por uma linha, e depois passa tudo incólune, que é coisa que não percebo. É que assim deixo de vir aqui, passo a fazer a minha vida para outros sítios, sitios onde inclusivamente a malta me diz: "Eh pá, e tal, sim senhor!", e é para lá que vou, deixo de vir aqui pá! Porque quando vejo que há aí palhaços pá, que falam falam falam falam falam falam falam falam falam falam pá, e não os vejo a fazer nada pá, fico chateado, concerteza que fico chateado pá.

Anita dia 160



Hoje, o fornicador não veio. Ainda. Atrasado apenas, pois ele já cá está, que eu já o ouvi. Ainda me arrepio com aquele assobio fininho a sair por baixo de um bigodito que apara milimetricamente. O reverberar das notas abruptas pelos corredores nus e cinzentos desta casa mortuária denunciam-nos.
Hoje, não há putas, hoje o único que partilha o gelo comigo é um homem velho. Gostos, há para tudo, e assim como assim, quero ver até onde vai o javardo para esvaziar os tomates.
O velho tem 79 anos e era barbeiro. Começou a varrer os cabelos cortados na barbearia do pai aos 9 anos. Aos 12 aparou as primeiras patilhas e foi com 15 que cortou o primeiro cabelo. À máquina primeiro e depois à tesoura de corte. Uma "corneta" importada da Alemanha. Feita da uma liga levíssima.
Se houve coisa que nunca faltou a este homem foi formação profissional. Essa teve-a, e dada pelo melhor. O seu pai. Excelso babeiro da cidade.
Pois este homem, íntimo das pilosidades visíveis masculinas há mais de 60 anos, formado pelo melhor babeiro, próximo das suíças, amigo dos pêlos do nariz e privando mesmo com aqueles que se espetam para fora da orelhas e parecem lançar-se sobre o vazio, este homem - dizia- nunca, mas nunca, cortou um cabelo como deve ser. Cortou cabelos durante 60 anos, fez moscas, limpou cavanhaques, desfez bigodes e desenhou barbas, mas nunca, mas nunca, conseguiu fazer uma franja certa, uma nuca sem tesouradas ou uma linha direita numa barba. Nunca... e se não era por falta de bons mestres e tempo de treino, certamente que não era por desleixo, preguiça ou ignorância. Este homem era o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Dedicava-se, estudava e trabalhava tanto como tanto fora o talento de seu pai. Uma tigela sem desníveis, é que nada. Um dia decidiu que ia deixar de ser babeiro. Morreu no dia seguir. Ontem. Hoje está aqui. A arrefecer e a ter o anûs desflorado por um empregado com um bigode que parece um traço de carvão. O empregado corre-se. docemente pega numa colher. Com os dedos em forma de pinça, iça as pálpebras do barbeiro. Revira-as para trás. Com a colher, num gesto certo, alavanca o globo ocular para fora da órbita direita. O som peganhento do olho verde no chão. E a classe de umas sandálias hospitalares a calcarem o pedaço orgânico. Vista vazada, nova entrada -pensou a ervilha que tem dentro da cabeça-. Então, com a excitação que todos estes preliminares lhe provocaram, penetra resoluto a cara desfigurada so barbeiro.
Enfim... tanta encenação para afinal? não passar de um intelectualizar simbólico-orgânico do sexo.

terça-feira, novembro 02, 2004

Notícia bombástica: A China é maior que o Luxemburgo!, por Alexandra Lucas Coelho

Chego a Portugal depois de um fim-de-semana fora e alguém me dá a Pública de Domingo. Ao olhar para a primeira página não quero acreditar. "Heterossexuais são a maioria dos novos casos de sida em Portugal". Tenho que ler uma segunda e uma terceira vez para ter a certeza do que a frase quer dizer. Abro a revista e encontro o texto. Alexandra Lucas Coelho abre com uma citação: "Nunca pensei que isto me pudesse acontecer a mim, educada, lavada..." A palavra que paira sobre todo o texto principal da notícia - homossexual - só aparece duas vezes. Em ambas, citações da jornalista de perguntas postas por dois entrevistados nas bocas dos seus médicos, de quem se dá a ideia de serem ignorantes e preconceituosos.

O lead é uma maravilha. A falácia do título é repetida: os heterossexuais já são a maioria dos novos casos de sida em Portugal; os adjectivos "preocupante", "péssima" e "catastrófica" aparecem citados, colados à falácia, apesar de originalmente terem sido pronunciados em relação à situação da sida em Portugal; o fim, apoteótico, declara não haver grupos de risco, numa frase que parece ser uma citação dos entrevistados, mas não é.

Se não pretendesse induzir em erro a notícia seria tão relevante como uma que dissesse "Há mais casos de sida na China do que no Luxemburgo". Esta notícia seria primeira página de alguma publicação?

Quem lê (e fiz o teste com duas pessoas licenciadas em letras, uma delas jornalista) infere que são agora os heterossexuais quem mais contrai sida em Portugal. Mesmo em termos relativos, disseram-me. Presumo que fosse esse o objectivo do texto. Mas umas contas rápidas (ver o fim do texto) permitem perceber que a incidência de novos casos de sida entre os homossexuais é cerca de 26 vezes superior à incidência entre a população heterossexual. E não são um grupo de risco?

É verdade que os heterossexuais apanham sida. É verdade que a sida é uma tragédia. É verdade que existe um preconceito que liga os homossexuais ao HIV. Eu acho que é preciso lutar contra ele. Mas não me parece que isso se faça pondo notícias enganadoras, meias-verdades-meias-mentiras, nas capas das revistas.

E sobretudo não percebo como é que um jornal como o Público se presta ao serviço de pôr na primeira página da sua revista de domingo uma notícia que, sendo falaciosa (ou será que a própria jornalista não conseguiu interpretar os dados? Não me parece...), apenas serve os interesses de um determinado lobby.

Vem acontecendo cada vez mais em Portugal: não-notícias que aparecem com grande destaque e passando mensagens queridas a determinados grupos de pressão. Curiosamente acontece muito ao fim-de-semana. Aproveitando as folgas dos editores?

Recentemente o provedor do JN deu um enorme puxão de orelhas a uma sua jornalista. O Público, o que fará?


Contas rápidas
Segundo os dados apresentados no texto (sem indicação de site onde possam ser consultados on line), neste momento 53% dos casos de infecção com HIV são resultado de contacto heterossexual. Segundo esses mesmos dados, 54,9% dos novos infectados são heterossexuais. Podemos concluir que 45,1% dos novos infectados são homossexuais.
Ora representando os homossexuais cerca de 3% da população total (como é habitualmente indicado nos estudos sobre a matéria), há 32 vezes mais heterossexuais do que homossexuais em Portugal.
Deste modo, 3% da população é responsável por 45,1% dos novos casos de sida em Portugal, enquanto os restantes 97% são responsáveis por 54,9%.
Isto significa que se considerarmos que 5 em cada 1000 heterossexuais contrairá HIV, no mesmo período o mesmo acontecerá com 131 em cada 1000 homossexuais (5x32x(0,451/0,549)) - 26 vezes mais.

Brisa

Nas portagens das auto-estradas da Brisa (não sei se nas outras portuguesas também)quem paga com Multibanco recebe um recibo automaticamente. Quem paga com dinheiro vivo só o recebe se o pedir.

A razão deste procedimento é para mim um mistério. Motivos contabilísticos da empresa? Motivos pessoais dos portageiros? Outros motivos?

quarta-feira, outubro 27, 2004

Anita, dia 153



Passei a noite a pensar na causa de morte da puta que ontem aqui deu entrada. Como o empregado nem sequer a despiu antes de a foder, não consegui ver se tinha algum corte profundo ou alguma marca que justificasse a morte. Não costumo preocupar-me muito com a causa da morte: um acidente, uma doença , o que for, aos mortos nada disso interessa. Mas despertaram-me a atenção as golfadas de sangue que a puta cuspia ao ritmo da fornicação do empregado. Para cuspir sangue é porque teve que ser cortada de alguma forma. De alguma forma ínvia as veias e as artérias estavam a fazer curto-cuircuito com as vias respiratórias.
Se isto da curiosidade nos vivos pode matar, nos mortos é o que distrai. Não resisti e fui espreitar o papelinho que pendia por um cordelinho de mercearia do dedo grande do pé. "numero 31". Muito bem. Ao armário. Um envelope depois, e eis que a senhora puta, afinal não era puta. Era uma mulher deficiente mental que se mascarara de prostituta para uma festa de bruxas no hospital psiquiátrico onde vivera durante 15 anos. Aí, parece que um outro doente, seu namorado, um psicopata com comportamento violentos, não percebeu o disfarce e num ataque louco de ciúmes, deixou-se tomar pela raiva de ver a mulher amada vestida para despertar o desejo porco dos outros homens. A faca do bolo da festa e uma força sobre-humana encarregaram-se de misturar os tubos do sangue e os tubos do ar.
Uma puta morta por amor. Eis alguma coisa que poucas mulheres podem dizer que lhes tenha acontecido. Eu, por exemplo, morri num acidente ocasional. Numa conjugação fortuita de acontecimentos parcelares sem qualquer intencionalidade. Se me tivesse atrasado, estaria viva. Mas ela não. Bastaria que o namorado a imaginasse naqueles modos lascivos e nada nem ninguém o impediria de a perseguir até ao fim do mundo para a matar. O orgulho desta mulher. Ser capaz de despertar noutro ser humano a vontade de matar. Raro, muito raro.

Boçalidade

Acho que a publicação do post anterior merece uma explicação. Publiquei-o por três razões:
1.ª-Porque é a prova de que a parte bonita de ser boçal é que há sempre alguém mais boçal ainda;
2.ª-Porque neste caso particular as pessoas até esperam que as claques de futebol sejam boçais, pelo que aquelas tarjas atingem o alvo em cheio sem chocarem particularmente as pessoas;
3.ª-Porque a polícia obrigou os elementos da claque a retirarem aquelas tarjas sem que eu perceba porquê...
A senhora em causa nem merece tanta publicidade, mas teve muita piada...

Diabos Vermelhos, olé!


Benfica-Nacional Posted by Hello
Recebido por e-mail

Para a história

As fotos dos comissários que já não o serão. Aqui.

Ridículo

adj. que provoca riso; prestar-se ao ~ apresentar-se ou proceder de forma a provocar riso ou troça



terça-feira, outubro 26, 2004

Anita, dia 152



Há cento e cinquenta e dois dias que aguardo que alguém me venha buscar.
Eis que chega mais uma puta. Morta. Daqui não consigo perceber se se nota a causa da morte. Acho que está inteira. Odeio quando as putas chegam inteiras. O empregado começa a despir-se. È sempre a mesma história com o tipo que faz as escalas às terças. A rapariga deve ter mais cinco ou seis anos que eu, e não é difícil perceber que tem uma deficiência mental qualquer. A cabeça é demasiada grande para aquele corpo pequeno que o empregado já começou a foder. Como eu gostava que ela passasse ao estado de "rigor mortis" neste instante. A cabeça enorme bate inerte contra o inox da mesa de dissecação. O som parece vir directamente das nádegas peludas do empregado que se contraem ao bater contra o corpo. Para a frente e para trás, um anel de brilhantes num dedo, risca o metal da mesa. O som o é finíssimo e arrepia. Apesar de assistir a isto todas as terças-feiras, confesso que ainda me causa uma certa angustia ver este gajo magro a fornicar como um animal os orificio dos corpos que aqui apanha. Acho que é da vulnerabilidade destas peças de carne prestes a serem desmanchados pelos vermes e acho que é da solidão e do silêncio. Depois de o empregado se vir para cima desta mulher, depois dele apagar as luzes, não se ouvirá mais nada. Nada. Nem o som de umas molas de colchão que estalam quando alguém se vira e nem o dos lençóis a serem puxados. Não há um barulho que humanize este o escuro. É isso que me arrepia.

Sinto-me um pouco Marcelo

Num ano e quatro meses de escrita na Gabardina, pela primeira vez tive um texto pronto que não postei por medo das consequências que isso pudesse vir a ter para mim.

O post era, de qualquer maneira, justo e importante e, para quem conhece Coimbra, ele vem escrito hoje nas páginas do Diário da mesma (piada também só para Coimbrinhas).

Posto isto, vou empurrar o sapo com um copo de águas de Coimbra.

Quem anda a tramar a OPEP?

Esta subida rídicula dos preços do petróleo é algo de muito estranho, que nenhuma guerra no Iraque ou greve na Noruega pode explicar. As consequências de curto prazo estão à vista: subida generalizada dos preços, imprevisibilidade dos mercados, diminuição do crescimento económico dos países mais desenvolvidos.

Mas a longo prazo esta subida tem consequências bem mais graves. Os países cujas economias estão muito dependentes da exportação de petróleo não percebem que cada mês que passa com os preços neste nível são vários meses de avanço na investigação para a sustituição dos derivados de petróleo como combustíveis.

E o que se esperava vir a acontecer dentro de 20 ou 30 anos, poderá estar à porta no início da próxima década: carros e máquinas a hidrogénio, ou ar comprimido, ou seja lá o que for e a consequente diminuição drástica das importações de petróleo.

Estes países perdem a oportunidade de fazerem o caminho para o desenvolvimento vendendo a sua maior riqueza natural e o resultado poderá ser trágico. Para eles e para o mundo.

As perguntas que se impõem são: quem ganha com tudo isto? E quem tinha obrigação de os avisar e não o está a fazer?

segunda-feira, outubro 25, 2004

Anita 1


Os especialistas dizem que os textos sobre morte, sangue, morticínio, cemitérios e afins são uma fase. Os especialistas acham que o caminho tende sempre para a construção de romances apoiados na experiência de cada um. Não sei se é do cheiro a formol deste necrotério, se dos cadáveres com quem partilho o sono, a verdade é que só me dá para escrever sobre a grande ceifeira. Sou bem capaz de ter ficado para sempre a meio do caminho literário convencional. O que tem sentido, pois eu própria fiquei a meio do meu.
Morri. Isso mesmo. Morte morrida. Escrevo morta. Tenho 16 anos, chamo-me Ana, e morri num acidente de automóvel. Culpa do condutor. Eu limitei-me a atravessar a estrada na passadeira, depois de olhar para os dois lados. Excesso de velocidade, álcool e um broche da pendura foi a receita mágica. O camião acertou-me em cheio. Ambulância, hospital, reanimação e o pizinho da máquina continuo.
Morrer não foi problema, na verdade o impacto foi tão brutal que nem o recordo muito bem, o problema foi o que se passou a seguir. Como não levava identificação pessoal, ninguém sabia quem contactar, e por isso jazo ainda nesta morgue fria à espera que alguém relacione uma falta para jantar com um atropelamento. O que vai ser difícil, pois o outro lugar na mesa tem 70 anos e nem se lembra do nome. È pena ter esta consciência de que provavelmente ficarei aqui para sempre.
Por isso, escrevo para passar o tempo, para não me aborrecer e para encontrar algum sentido em estar morta. As histórias que se seguem serão honestas. Apenas contarei o que vejo e o que me contam os corpos que por aqui passam. Serão as histórias que os vivos nunca saberão e os segredos que só os mortos podem recordar. São a verdade de quem morreu.
Nasci há 16 anos, morri há cinco meses e começo hoje a contar as histórias que escuto nesta morgue.

Sobre o Buttiglione

só temos uma coisa a dizer: façam o que quiserem, mas que fique claro que nós avisámos com tempo que não aceitaríamos o Durão de volta.

Dúvida

Quando o ministro das finanças fala de princípio do utilizador-pagador em relação à Saúde, para que servem o governo e o sector público?

Continuamos cada um por si? Duvido que 99% dos políticos portugueses consigam sobreviver assim... Mas, por mim, vamos a isso?

O Captain, my Captain!



Percebi este fim-de-semana - obrigado SIC Gaja - que uma das coisas que Portugal precisa de fazer é subir à sua mesa e ver-se de outra perspectiva. Claro que para simultaneamente gritar "O Captain, my Captain!" seria fundamental ter alguém merecedor desse nome. Um dia ele sairá do meio do nevoeiro...

Eu decidi que, assim que os tempos o permitirem, não mais deixarei de chupar o tutano da vida. Foi por me ter esquecido de o fazer que cheguei aqui. Mas depois de sair deste lugar triste não volto a pôr cá os pés.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Dúvida existencial

Quando o que os outros consideram que são as nossas qualidades são as coisas que nós consideramos que nos prejudicam, e o que eles consideram os nossos defeitos são as coisas que achamos que nos ajudam, onde é que se mete o requerimento para mudar de mundo?

Último post sobre este assunto

Gert Jan Verbeek:
"O Benfica foi roubado contra o FC Porto"

Mas ele deve ser suspeito...

Benfica-Porto e PSG-Porto

Descubra as diferenças
Entre estas duas imagens há uma pequena diferença, que foi decisiva para o desfecho dos últimos dois jogos do FCP. Descubra o que está errado e faça-lhe uma cruz por cima:



quarta-feira, outubro 20, 2004

dia de hoje

Hoje foi um dia especial para este Pais. O primeiro-ministro afirma a um jornal alemão -que pensa que por ser estrangeiro não é lido em Portugal- que "já basta de contenção orçamental". O ministro da presidência vai ao parlamento dizer que embora tenha sido ele que acabou com o Acontece na RTP2, alterou o contrato de concessão da RTP, acabou com os conselhos de opinião na RDP e RTP, e que vai criar um centro de imprensa para o governo, não quer, não pretende e tem ódio de quem ousa influenciar os conteúdos editoriais da televisão pública. Os lobos não comem erva, e esta gente não hesitará a pôr a pata, na liberdade de expressão. Quando policias exibem as suas caçadeiras de canos cerrados, atiçam os seus cães e agridem estudantes...

terça-feira, outubro 19, 2004

Animal político


GWB Posted by Hello
Recebido por e-mail.

Olha a cabala fresquinha!!!!!!

Neste governo tudo o que tem a ver com peixe é, claramente, ideia do Paulinho das feiras!

Ministro Gomes da Silva sugere cabala do "Expresso", PÚBLICO e Marcelo Rebelo de Sousa

E os próximos passos são fechar o Público e o Expresso, ou o governo contenta-se com a substituição das equipas editoriais?

Como estes testes nos fazem bem ao ego...





Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a).

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia




Obrigado abóbora!

segunda-feira, outubro 18, 2004

O meu programa de Governo

Porque acho que não vale dizer mal sem propor o que se acha ser melhor e porque, muitas vezes, aqui e noutros sítios, digo mal do que fizeram os governos em Portugal nos últimos dez anos, aqui fica o que seria o meu primeiro esboço de um programa de governo:

Saúde
Garantir a prestação de todos os cuidados de saúde, pelo sector público, a todos os que desejem usá-los.

Exigir que todos os profissionais de saúde que trabalhem no sector público o façam em regime de exclusividade (período de transição - 2 anos).

Proibir as empresas da indústria farmacêutica de fazerem ofertas de qualquer tipo a médicos que trabalhem no sector público.

Acabar com as restrições à abertura de farmácias.

Educação
Exigir que todos os professores que trabalham em escolas públicas cumpram horário completo.

Acabar com todos os subsídios a escolas privadas (incluindo as escolas e universidades católicas), garantido cobertura total através de escolas públicas no ensino obrigatório.

Fazer um pacto de regime que inclua pelo menos os dois maiores partidos, para definir os programas de ensino e as estratégias para a educação, válido pelo menos por dez anos.

Finanças e Administração Pública
Aumento imediato do salário mínimo nacional para 550 euros mensais (e da reforma mínima para o mesmo valor). Aumentos de 10% em cada um dos primeiros anos para todos os salários entre 550 e 1250 euros (excluindo os que tivessem beneficiado do primeiro aumento).

Reduzir a despesa corrente do Estado todos os anos ao longo de uma legislatura - 8% nos dois primeiros anos e 5% nos dois seguintes, de forma a reduzi-la para cerca de 75% da actual. Quase nenhuns motoristas (só o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro e os Ministros teriam direito a um motorista cada, em toda a administração pública), muito menos secretárias, corte radical das despesas com ajudas de custo, despesas de representação, telefones e telemóveis, parque automóvel, papel, tinteiros e toners, racionalização dos edifícios do estado, indexação séria das contratações para a função pública a uma percentagem (menos do que 100%) das reformas do ano anterior.

Fazer um pacto de regime que inclua pelo menos os dois maiores partidos, para definir o desenho do governo, especificando todos os ministérios, secretarias de estado, outras entidades que a eles pertencem e as respectivas áreas de intervenção, válido pelo menos por dez anos.

Reduzir a taxa de IRC para 15%.

No terceiro ano da legislatura, acabar com os benefícios fiscais para as despesas de saúde e educação comprovadas com documentos de instituições privadas de prestação de serviços (hospitais, clínicas, consultórios e escolas) e simultaneamente redução da taxa normal de IVA para 17%.


Ambiente
Todo o parque automóvel do estado e todos os transportes públicos passam a utilizar a energia menos poluente possível.

Os edifícios do estado são obrigados a fazer reciclagem e a utilizar energias alternativas.

Economia
Centralizar toda a promoção turística e económica do país numa só instituição, utilizando a estrutura mundial de delegações de que dispõe o ICEP.

Passar para a responsabilidade de entidades independentes todas as áreas que devem ser geridas por princípios técnicos e não políticos (energia, ambiente, transportes, comunicações, etc...).

Defesa
Redução substancial da despesa com Defesa.

Afectação de todos os militares à limpeza da floresta portuguesa quatro dias por semana.

Cultura
Acabar com todos os subsídios à produção cultural, incentivando as entidades privadas ao mecenato através de fortes benefícios fiscais.

Obras Públicas
Responsabilizar contratualmente as empresas construtoras pela conservação das próprias obras (especialmente estradas) durante o seu período de vida útil.

Reinaldo's

O Sr. Reinaldo Teles é a verdadeira alma do FC Porto. Um homem com um enorme talento para descobrir novos valores. Os seus estabelecimentos Granada, Calor da Noite e Diamante Negro são os melhores exemplos disso...



Golo? Não...

Contenção

Porque me ando a tentar conter sobre o jogo de ontem, ficam as palavras de outros, dos que são insuspeitos:

Como sportinguista, só posso dizer que gostei muito de ver os jogadores do Porto a trabalhar. Sobretudo aqueles que estavam vestidos de preto.
Daniel Oliveira

Como dizia um portista, grande amigo meu

Nós sabemos que quase sempre roubamos, mas roubadinho ainda sabe melhor...


Roubo Posted by Hello

sexta-feira, outubro 15, 2004

O pontilhismo orgânico.



Andar pela cidade tem coisas assim. Vai uma alminha a pensar na vida em passo de pensar na vida, quando de repente no centro do centro, num sítio por onde passam milhares de pessoas diariamente, uma forma estranha entra pelo enquadramento dos olhos e um novo movimento na arte nasce. A técnica utilizada pelo artista é o chamado pontilhismo orgânico e pode ser encontrada nos passeios, nas escadas e em alguns casos de virtuosismo técnico em paredes.
O pontilhismo orgânico, ou mais vulgarmente designado por vomitado, exprime através da cor, densidade, forma, continuidade, projecção e textura, toda a identidade idiossincrática do artista. Pela obra que descansa em cima da calçada, é possível ao olhar experimentado e critico, avaliar todas as influências daquele quadro. Se a arte é resultado de determinadas condições histórico-materiais então o pontilhismo orgânico é disso o exemplo acabado. Se, para além da representação figurativa, a pintura pode ser ela própria a representação do movimento ou do gesto, como em Pollock por exemplo, então o pontilismo orgânico, vulgo cabritado, assume-se hoje, como o maior desse expoente. Não são os gestos do braço, mas as pulsões violentas do estômago, não são os traços longos, mas os desvios das ancas.
Recém chegado aos movimentos da arte, este tipo de pontilhismo não pode deixar de ser "engagé" politico-ético-filosoficamente. Comprometido com a limpeza do vestuário, com a direcção do vento e com a fluidez das linhas.
Arte democrática, popular e acessível a todos o pontilhismo orgânico sofre do movimento censório típico das sociedades burguesas. Se o grafitti conseguiu vencer o lápis azul dos funcionário das edilidades, o vomitado no passeio luta todos os dias contra esses esbirros do poder opressor. Deixem o vomitado em paz e assim se defenda a ultima cristalização artística da cultura urbana deste princípio de século

quinta-feira, outubro 14, 2004

Clássico

Há uns dias alguém me falava da Ucal como um exemplo de má imagem ou de imagem datada. Por favor, não acabem com os símbolos da minha juventude. A garrafinha da Ucal não é velha, nem datada. É um clássico, como o mini ou o carocha, ou a garrafa de coca-cola.
Há que beber. Mas só naqueles copos grossos, com gomos verticais de sete ou oito milímetros de largura. Noutro copo não sabe ao mesmo...



Bons velhos tempos

Bons tempos esses, em que as revoltas dos estudantes eram boas e justas.
Bons tempos em que os revoltosos eram garbosos rapazes lutando contra um sistema injusto.
Boas revoltas, feitas com categoria e inteligência. Basta ver como estão os revoltosos desses tempos hoje: abastados professores, políticos, médicos, advogados e jornalistas. Boa gente, digna, fato e gravata, dedicada à causa pública e também à privada. Grandes carros, boas casas, gente famosa. Por aí se vê a qualidade dessa gente.
Mas hoje deixem-nos em paz. Estamos no poder e não temos paciência para meninos que acham que o seu sistema é injusto. Se não gostam vão-se embora! E por isso escrevemos e nos revoltamos nos jornais. Sim, nos jornais onde nos PEDEM para nós escrevermos a nossa opinião. Textos que as nossas secretárias alinhavam e passam e que, depois de uma ou outra correcção, as mandamos enviar para as redacções. "Encarrega-me o Sr. Dr. de lhe fazer chegar o seu texto sobre..."
Bons tempos em que ajudámos a fundar esta justa e bela sociedade em que vivemos hoje. Não eramos como estes miseráveis, apesar de alguns deles nos copiarem as barbas...

Texto sem fim

È impressão minha ou os carregadores de telemóveis que se compram nos indianos cheiram a caril. Seria impressão minha, se eu não tivesse aberto um, e visto com os meus próprios olhos. Sim! vi com os meus olhos que o interior de um carregador que custa 2,99 Euros num indiano, cheira a caril. Vi que cheira? Bem, talvez ao abrir para ver, então, me cheirasse ao que já me cheirava cá fora: a caril.
Um carregador de telemóvel é coisa fácil de construir. Na Suécia trinta mecanismos hidráulicos, na Índia um miúdo de seis anos. Na Suécia o cheiro a esterilizado, na Índia o cheiro a caril. O cheiro... e o próprio caril, pois senhores, que eu fique já aqui ceguinho, se dentro do carregador de telemóveis nokia que eu ontem desmembrei pacientemente ao almoço depois de comer uma maçã starking vermelha, não havia um liquido. Um liquido acastanhado, denso. Com pigmentos de várias formas e feitios. Faltava o arroz, mas que aquilo era caril... Ah, isso era!
Feita a descoberta e lamentado o arroz, juntei as peças do carregador-cataplana e lixo com ele. Depois, desci a escadas, desci a rua, e subi ao chinês mais próximo. " queria um carregador para Nokia". Passada a barreira linguística, eis que dentro de uma malga de arroz adeuzinho-adeuzinho, surge um carregador que qual ambientador "Brise" expele um gracioso cheiro a banana fá-si. Incrédulo voltei à loja onde aliás continuo, mas agora escrever este "post". Entrei, e fui logo indicado para a parte escondida da loja. Direita, esquerda, corredor em frente, desce escada...bem, estou cercado por caixas de cartão num armazém sem fim. Perdidíssimo... há uns computadores velhos de onde escrevo...e mais nada. Caixas, caixas e mais caixas.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Pagar e calar em Saúde, ou o futuro do ex-SNS

No Mar Salgado a tripulação discute a Saúde em Portugal. O Capitão não vê nenhum mal em que haja lucros na Saúde, e nas suas palavras percebe-se a total descrença na competência pública para gerir.

O caminho que seguirão os Hospitais SA é fácil de adivinhar: os maus hábitos de trabalho nos hospitais, a incompatibilidade da eficiência do trabalho médico com o lucro dos consultórios privados dos médicos e o poder da indústria farmacêutica dentro dos hospitais levarão, inevitavelmente, a défices nas contas no fim de cada ano. Premeditadamente ou não, o governo alegará que não tem capacidade financeira para novos aumentos de capital dos seus hospitais e, logo de seguida, os principais credores (grandes grupos financeiros interessados na área da saúde) dirão "se não nos pagam, passamos a ser os donos dos hospitais". O primeiro-ministro fará uma comunicação ao país afirmando que a privatização dos hospitais é um caminho desejável e que, no fundo, há males que vêm por bem e... estará concluído o processo de privatização.

Mas entre os vários problemas que a privatização dos SA coloca, um se destaca: na área de influência de um hospital privatizado, esse hospital será monopolista na prestação de cuidados hospitalares. E o Estado será, praticamente, o seu único cliente. Quem tem o poder de fixar o preço dos cuidados nesta situação? O fornecedor, obviamente, já que o cliente (Estado) não pode recusar-se a consumir. E quando o hospital decidir cobrar pelos seus serviços valores muito superiores ao seu custo, o que fará o Estado? A única coisa que pode fazer: pagar e calar...

terça-feira, outubro 12, 2004

o gato

Era uma vez um gato. Um gato, tão gato que apenas por uma vez ficou doente. A dona, e no fundo empregada do gato há mais de 6 anos, levou-o ao veterinário. Radiografias, uma punção lombar e uma zaragatoa no animal, foi o suficiente para que o felino se curasse e a dona se apaixonasse pelo veterinário. Se o amor da dona pelo médico dos bichos, demorara 20 minutos a nascer, o do médico dos bichos pela dona explodiu instantâneo quando ela entrou pela porta com o felino nos braços.
"Se o gato está curado, nunca mais a irei ver". ? pensou o clínico. Se calhar, em vez de uma sutura absorvível pelo organismo gatal, uma mais antiga e a exigir o retorno ao consultório para retirar os pontos enormes, garantirá que a saudade não se prolongue por mais que uma semana.
E ela voltou. E ele tirou os pontos ao gato. Mas de novo o mesmo problema. Gato curado, dona longe. Por isso, um pequeno mas certeiro pisão na cauda felina, garantiu um tratamento com 5 mudas de pensos, duas suturas e uma pequena intervenção cirúrgica. E de novo o gato estava bom. E isso era mau: para ela que o deixava de ver e para ele que a deixava de ver. Por isso, uma palmada na parte da perna do animal que só os veterinários sabem onde é, garantiu um gesso, uma operação, fisioterapia e a manutenção daquele amor por mais três meses.
Este amor não tinha cartas, não tinha mensagens, nem sequer tinha telemóveis, este amor tinha um gato. Ou ia tendo pois o bicho, escrito como as árvores de mensagens dos amantes tinha já decido fugir. Com a fuga aristocrata planeada, o bichano lançou-se à estrada. Ora, os tratamentos dos últimos meses, os períodos de convalescença e as sessões de fisioterapia, retiraram a este animal toda a agilidade que noutra ocasião lhe tinha permitido sem dificuldade desviar-se do carro que o projecta no ar, o faz rodopiar e cair de queixos no chão. O barulho dos pneus acordou a dona. " estás a ver, ainda não estás bom para sair, tens de ficar melhor." Com um sorriso e com duas metades de gato nas mãos foi ter às urgências com o veterinário. E pela primeira vez ia estar com ele à noite

Alguns não

Encontro o poema nos Inseparáveis. E não resisto a publicá-lo. Deixam, assim, de existir blogs portugueses que nunca tenham postado um poema de Sophia Andresen... Um dia tinha que acontecer...

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Linguagem gestual

Fui eu o único a achar que os gestos que o Santana fazia com a mão direita enquanto falava estavam indicados nos papeis do seu discurso?

segunda-feira, outubro 11, 2004

vá lá diz lá

O que irá Santana dizer aos portugueses hoje à noite? Qual será o segredinho que ele sabe mas que não conta a ninguém. A gabardina mandou um fax para o gabinete do primeiro-ministro a pedir o discurso de logo à noite. A primeira resposta foi um "não" redondo. Depois enviou outro na linguagem do Primeiro-Ministro: "vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá" as respostas foram respectivamente: " não, não, não, não, não posso, pá não dá, eu gostava mas não posso, está bem mas é segredo". A resposta chegou. Santana Lopes vai anunciar ao país a sua receita preferida de mousse de chocolate. Foi para isso que ele convocou todos os Portugueses para as 20:00 de hoje.

Quem é que quer explicar aos miúdos

que o Super Homem morreu?

sexta-feira, outubro 08, 2004

Insónia maldita

Hoje acordei às quatro da manhã, sem explicação aparente. Liguei a televisão na Sic Notícias, só para saber as horas. Aparece-me este senhor Luís Pais Antunes, secreário de estado de qualquer coisa, a quem estava a ser perguntado "Se os salários dependem da produtividade, por que é que em Portugal os gestores de topo ganham como os melhores do resto da União Europeia e os trabalhadores com salários mais baixos ganham muito menos em Portugal que nos outros países da União Europeia?" A resposta foram muitos ahhhs e hmmmms, e algumas coisas sem sentido como o reafirmar de que a produtividade é mais baixa em Portugal e que "isso depende dos sectores".
Este infeliz impulso de ligar a Sic Notícias às quatro da manhã valeu-me uma hora de insónia. Uma hora cheia de vontade de partir um nariz a murros.
Pergunto mais uma vez: como é que estes tipos chegam ao poder em Portugal?

quinta-feira, outubro 07, 2004

Perfeito

Elfriede Jelinek, mulher, austríaca, filha de um judeu que fugiu aos nazis na segunda guerra mundial, ganhou o Nobel da literatura.
O mundo é muito melhor quando temos a consciência tranquila por sermos politicamente correctos. Hoje os membros do Comité Nobel vão dormir como anjos, debaixo dos seus fofos cobertores!

Que gente é esta?


Que gente é esta que manda calar comentadores, mas confunde chicana com "chincana"? Que gente é esta que lê com enfado os discurso de estado mas usa e abusa da sua segurança? Que gente é esta que elogia os 100 paus diários a mais dos militares, mas gasta biliões em submarinos? Que gente é esta que todos os dias desmantela o aparelho de estado para dar de comer às suas empresas, mas enche a boca com a liberdade de concorrência? Que gente é esta que manda navios de guerra bloquear a entrada de pessoas no Pais, mas vai buscar recrutar miudos aos centros comerciais?
E que gente é esta que aceita continuar ao lado dessa gente? E que gente é esta que os acompanha e aceita os convites? Os 1200 nomeados por Santana, quem são? De onde vêm? O que é sabem?
Que gente é esta? E que quente é esta que os respeita a todos? e que Pais é este que respeita esta gente?
Esta gente vem dos tons amarelos e azuis, vem das camisas cor-de-rosa, vem dos sapatos finos de sola branca, vem das barrigas de cerveja com 20 anos, vem da juventude com charuto na mão. Esta gente não quer saber. Deseja apenas deliciar-se com imagem de ter um motorista, um lugar de garagem nas avenidas novas e privar com quem aparece na televisão. È a gente "que telefona primeiro e vai depois", é a gente das férias no Algarve e na neve e da lua-de-mel nas Maldivas. È a gente que tem sempre convites para levantar nos teatros e nos cinemas.
E o Pais? o pais vem do medo parolo e ignorante. Vem de uma revolução que nunca o foi. Vem de uma Europa que iguala tudo, menos os salários, a qualidade dos serviços públicos e a justeza do sistema fiscal.
Hoje Portugal é assim. Pais governado por miúdos. Putos, ignorantes, brutos. Mal criados e marialvas. Sem vergonha na cara e boçais. Com os dentes branqueados e nós de gravata brutais. E os fatos, e os fatos... às riscas, clarinhos e castanhos, assentes em gravatas moles, camisas de tédio e botões de punho. Os botões de punho...senhores...os botões de punho?

Com esta língua maldita

A preça é inimiga da perfeissão.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Um grande número 2

Retirou-se hoje dos campos de basket Scottie Pippen, o fiel escudeiro do melhor jogador de todos os tempos. O 33 dos Bulls estava para o Michael Jordan como o Sancho Pança para o D. Quixote ou como o Sexta-feira para o Robinsoe Crusoe: os segundos dificilmente poderiam ter sido famosos sem os primeiros.
Pippen é o último da mítica equipa (Paxson, Jordan, Pippen, Grant e Cartwright) a sair dos Bulls, virando uma página da história do basket. Ainda lá tenho umas VHS com imagens como esta:


A partir de agora

quem quiser rir ao domingo à noite terá que se contentar com o Herman Sic ou com a Quinta das Celebridades...

Marcelo Rebelo de Sousa abandona TVI após conversa com Paes do Amaral

Que dia é hoje ?

Hoje é quarta-feira.
Na verdade, é quarta-feira porque se convencionou assim, porque não há ninguém, hoje, que sinta este dia como quarta-feira.
Hoje, é segunda-feira. E é segunda, porque ontem foi Domingo. As pessoas foram à praia, estiveram com os familiares, recuperam da noite anterior e sentiram a angústia de voltar ao trabalho no dia seguinte. Hoje: segunda-feira.
Os calendários da semana, antes de serem uma convenção que todos seguem, deviam ordenar os dias segundo o modo como cada um o sente. Sim, porque há segundas-feiras, que parecem sextas, quartas que se "pensava que já era quinta" e sextas que são idênticas a terças. Acontece esta confusão porque cada dia tem um sentimento típico diferente. A expressão " tomara que chegue sexta-feira" explica-se porque quem isso deseja, sabe por uma razão qualquer que às sextas se sente melhor.
O primeiro trabalho de quem quer ter um calendário verdadeiramente útil para ele próprio é escolher uma palavra que defina cada dia da semana. Depois, é só ordenar os dias da semana conforme o modo como se pretenda que ela decorra. Assim, se sexta-feira for um dia especialmente feliz, nada mais a fazer que colocar a sexta logo depois do domingo, evitando assim a angustia de domingo à tarde e a violência das manhãs de segunda.
Ordenados os dias, o mais difícil está feito. Resta apenas o pormenor de tentar articular cada dia com os outros

Revolução ou...

No seu discurso do 5 de Outubro, Jorge Sampaio apelou a que sejam feitas rapidamente as reformas de que o país necessita. Sem fugir do gravíssimo momento que a sociedade portuguesa atravessa, Sampaio fez mesmo o paralelismo entre o momento actual e a fase de indefinição e falta de coragem para a mudança que representou a governação de Marcelo Caetano.

Ora a governação de Caetano culminou com a revolução de Abril de 74. Este apelo de Sampaio vem na última hora. Ou quase. Tenho a convicção de que se as próximas eleições legislativas forem disputadas por Sócrates e Santana já não haverá caminho democrático para trás. A mediocridade, a vigarice e a corrupção estarão de tal forma instaladas no poder que só poderão acabar com uma ruptura com o actual sistema. Através de uma revolução ou de qualquer outra coisa parecida.

terça-feira, outubro 05, 2004

Texto retirado do Forum do Jornal Expresso.



Mais um texto para defender os blogs como novissimo meio de comunicação "peer to all".


"Trata-se da Compta, cujo presidente é o meu amigo Vitor Magalhães,
pelo que sei o que se passa.

- Em primeiro lugar o Vitor é padrinho do filho mais velho do Bagão Félix.

- Em segundo lugar, o anterior ministro encomendou o programa e
testou-o, tendo verificado que funcionava muito bem.

- Em terceiro lugar, a nova ministra resolveu mudar a matriz
inicial 3 dias antes do arranque do concurso, sabem o que ela quis
alterar? Criou um código especial, que desde o momento que fosse
anexado a um professor, automáticamente ser-lhe-ia atribuida a escola
da 1ª preferência. Um espécie de cunha informática, percebem?

Só que a alteração à última hora deu cabo do algoritmo central e bye,bye
programa.

Os comentadores deste Forúm apelaram para que eu dissesse algo mais
acerca da negociata Compta/PSDPP, mas pouco mais se pode acrescentar,
excepto:

- Verifiquem as colocações da Escola EB 2+3 da Murtosa.
- Verifiquem as colocações da Escola Secundária Rodrigues de Freitas no Porto
-Verifiquem as colocações na escola Renato Amorim em Setubal.

Ou então,

- verifiquem os pagamento no valor de 325.652,00 à Compta em Maio
de 2004, mais um pagamento de 658.321,00 em Julho de 2004, e, mais
aberrante ainda, o pagamento da última tranche do contrato de
desenvolvimento de 987.325,00 no dia 20 (VINTE( de Setembro de 2004.

Mais informo que o contrato de assitência no valor de 250.000,00 euros
anuais tem a duração de 15 anos.

Para terminar, informo V. Exªs que o
David Justino tem uma participação de 30 por cento na Compta através
da holding "International financial investiments PLC´ com sede nas
ilhas Cayman.´"

segunda-feira, outubro 04, 2004

Post não demagógico

Hoje ao almoço, nos telejornais, falou-se de fome em Portugal (há muito tempo que eu não ouvia falar assim de fome em Portugal).

Enquanto isso, nos restaurantes mais caros do país, almoçavam ministros, com os seus secretários de estado, os respectivos chefes de gabinete e assessores, enquanto os motoristas de todos esperavam, sentados no banco do condutor, a ler o Record.

Entretanto, os assessores do Santana e do Bagão comiam uma sandocha enquanto discutiam a melhor maneira de explicar aos portugueses que os salários só poderão aumentar 2,2% no próximo ano.

os novinhos

Recordo que aqui há uns bons anos, no tempo do ciclo preparatório e dos primeiros anos de liceu, havia um determinado gesto em tudo igual às situações de hoje em que um puto novo é convidado para exercer um cargo de muita responsabilidade. Refiro-me concretamente à limpeza do quadro e dos apagadores. Recordo que nesse tempo quando o professor, poder, pedia para alguém lhe apagar o quadro, logo uma dúzia de criancinhas se precipitava para a ardósia na esperança de poderem ser elas, a ficar com os pulsos cheios de pó de giz, marca da sua importância na sala de aula. Noutros casos, não havia um convite geral, mas era escolhida uma criança em particular, para desempenhar as abluções de início ou de final de aula.
Hoje o professor é outro, as aulas são a própria vida e há mais crianças. Tudo o resto é idêntico. Existe o desejo de servir, o desejo de aceitar qualquer migalha do poder instalado. A necessidade de sentir um elogio do professor, o desejo de ser obediente, a perfídia da submissão: tudo isto em nome da ilusão que sendo empregado do professor se pode ser o próprio professor e que sendo empregado do poder se pode ser o próprio poder. E o pior é que pode. Pode mesmo. Para se chegar ao poder ou ao professorado tem que se ajudar o poder ou os professores. Porque só assim é que o poder, reconhecendo no seu empregado alguém que partilha das suas premissas, permite a sua ascensão, pois assim assegura que os seus próprios privilégios estão garantidos no futuro.
Tantas palavras para dizer: ? do you minete? I minete you, if you broch me.

Prestígio dos economistas II

Na manhã do passado sábado, num zapping radiofónico, paro uns minutos a ouvir uma entrevista do Sérgio Sousa Pinto, pensador da era Sócrates, à TSF.

No meio de um chorrilho de barbaridades e banalidades sobre economia e, sobretudo, finanças públicas, o Sérgio, em tom jocoso, afirma que os economistas são muito bons a analisar os problemas depois de eles terem acontecido.

Já com as outras ciências é exactamente ao contrário, caro Sérgio! Os médicos, por exemplo, estão constantemente a analisar doenças que ainda nem existem...

Prestígio dos economistas

Poucas classes profissionais defendem tão mal o seu prestígio como os economistas. Poucas delimitam tão mal o seu raio de acção e conhecimento. Talvez por falta de uma ordem forte, mas como eu antipatizo com as ordens profissionais, não vou por aí.

Ainda na semana passada tive mais um exemplo do fraco prestígio dos economistas em Portugal. Numa conversa de amigos, e estando presentes três pessoas que passaram pelo menos cinco ou seis anos das suas vidas a estudar a ciência económica e os seus mecanismos, discutia-se se hoje é melhor, em termos de dinheiro gasto/investido, comprar ou arrendar casa. Ora as duas pessoas presentes que não são da área da economia tinham uma opinião forte sobre o assunto, e estiveram largos minutos a discordar dos seus amigos. Por fim, talvez tenham ficado convencidas...

Agora imaginem a situação ao contrário, com dois economistas a discordarem de três médicos, durante largos minutos, sobre o melhor tratamento para a hipertensão...

sexta-feira, outubro 01, 2004

Narrar

O trânsito, a vida e a narrativa escolhem sempre o caminho que lhes permita avançar. O trânsito enerva a vida e a vida é explicada pela narrativa. Narrar é contar, e contar é ordenar tornando inteligíveis as experiências vividas. Compreendê-las. Por isso as pessoas inventam narrativas, histórias. Quem conta uma história, partilha uma experiência, explicando-a. As histórias, todas elas, têm em última análise uma função: incorporar a realidade caótica, na racionalidade humana. O que se não compreende na realidade pode compreender-se através de uma história. Narrativa. Tudo é narrativa. A própria História é narrativa. Se queremos compreender as fronteiras da Europa, temos de contar uma história. Para percebermos a morte de alguém contamos uma narrativa. Para justificarmos um qualquer facto juntamos todos os factores que o precederam, unificamo-los com um sentido e concluímos com o resultado: esse facto. Isto é narrar: Ordenar e dar sentido. Racionalizar o real.
Ah! e depois há a poesia...

Caminho (II e III)

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
- Bom dia, companheiro - te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho.

É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto

Que chorámos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

*

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.

Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...

Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...

Deixai-me chorar mais e beber mais,
perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar - encher a alma.



Camilo Pessanha

Telefonar sem stress


Uganda

quinta-feira, setembro 30, 2004

never trust something that bleeds for five days and doesn't die
t-shirt, camden, londres

enchia-te a cunaça de bergamassa
parede, escola josé falcão, coimbra

O único tirano que admitimos é a voz da nossa consciência!
tarja, universidade de coimbra

Parede

Penso escrever um texto sobre o blog que faria se tivesse tempo e nunca farei. Um blog só com frases encontradas escritas em paredes, tarjas, t-shirts e portas de casas-de-banho. O post acabaria com a melhor de todas as frases que já li numa parede. "Foste um bom robot hoje?" A frase é pública e está aos olhos de todos numa parede da Universidade de Coimbra. Decido Googlá-la para ver se o tema é original. Não é. Cinco ou seis blogs portugueses já a citaram. Um até com a mesma ideia de uma recolha de frases escritas em paredes. O Diário de Notícias já a citou.

Mas isso não importa. O que importa é: Foste?

Maldição

Como um pássaro que, em voo, pára e olha para baixo.

Pobres dos que param para pensar; felizes os que têm a capacidade de passar uma vida inteira a bater as asas.

Um dólar, um voto

Bilderberg, Bilderberg, Bilderberg Group.
Nos últimos dias as referências ao Bilderberg não me têm deixado em paz. O que é afinal o Bilderber Group? Depois de uma rápida investigação, eu poderia arriscar tentar dizer-vos. Mas prefiro deixar-vos a definição da BBC

The Bilderberg group, an elite coterie of Western thinkers and power-brokers, has been accused of fixing the fate of the world behind closed doors. As the organisation marks its 50th anniversary, rumours are more rife than ever.
Given its reputation as perhaps the most powerful organisation in the world, the Bilderberg group doesn't go a bundle on its switchboard operations.

What sets Bilderberg apart from other high-powered get-togethers, such as the annual World Economic Forum (WEF), is its mystique.

Not a word of what is said at Bilderberg meetings can be breathed outside. No reporters are invited in and while confidential minutes of meetings are taken, names are not noted.

The shadowy aura extends further - the anonymous answerphone message, for example; the fact that conference venues are kept secret. The group, which includes luminaries such as Henry Kissinger and former UK chancellor Kenneth Clarke, does not even have a website.

In the void created by such aloofness, an extraordinary conspiracy theory has grown up around the group that alleges the fate of the world is largely decided by Bilderberg.

In Yugoslavia, leading Serbs have blamed Bilderberg for triggering the war which led to the downfall of Slobodan Milosevic. The Oklahoma City bomber Timothy McVeigh, the London nail-bomber David Copeland and Osama Bin Laden are all said to have bought into the theory that Bilderberg pulls the strings with which national governments dance.


Na reunião do 50.º aniversário do grupo, em meados deste ano, estiveram presentes 4 portugueses. Pinto Balsemão, aparentemente o mais antigo membro de entre os lusitanos, Santana Lopes, ainda Presidente de Câmara, José Sócrates e António Vitorino... Notam alguma coisa estranha? Pois...

Aqui podem encontrar a lista completa dos participantes. Para além dos referidos Clarke e Kissinger, irão encontrar nomes como John Edwards (candidato a vice-presidente dos EUA), Richard Holbrooke, Melinda Gates (mulher do nosso conhecido Bill), Mario Monti, Beatriz da Holanda, David Rockefeller, Jean-Claude Trichet (Presidente do Banco Central Europeu) e mais uns quantos nomes conhecidos.

Mas não se preocupem! Isto é só uma teoria da conspiração...

Poço sem fundo

Em 1995 os líderes dos dois maiores partidos portugueses eram Cavaco Silva e António Guterres. O primeiro desgastado por dez anos de poder e exposição pública, o outro a esperança no diálogo.

O Cavaco saiu e veio o Nogueira, depois o Marcelo. É sempre difícil substituir um grande líder (os portistas que o digam...) e, portanto, nada de preocupações. Só uma fase de transição.

Entretanto, rapidamente o Guterres se afundava e no PSD aparecia o Durão. Uma miséria, começaram a perceber os portugueses mais atentos. Um que falava e não fazia e outro que nem falava, só traía...

Sai Guterres, Durão vai para o governo e aparece o Ferro. Batemos no fundo! Não é possível descer mais. Pelo menos isso! Agora é sempre a subir!

Mas o Durão sai, o Ferro demite-se e, de repente, temos Santana e Sócrates na liderança.

O fundo do fundo? Já não acreditamos nisso! Mas o que virá a seguir? Um castor e um rato? Uma couve e um tufo de cotão? Esteja atento aos noticiários para saber das novidades!

"The horror! The Horror!"

Há muitas coisas que não entendo. Destas, há as em que reflicto, e que por isso mesmo me levantam muitas dúvidas, e há as que me fazem rir pela impossibilidade de as pensar com racionalidade. Os capelões no exército, a veia ecuménica da igreja e o desejo de justiça popular fazem, assim, parte de uma boa barrigada de riso. Não percebo como é que uma instituição que defende o direito à vida, permite que os seus ministros sirvam num exército que não serve para outra coisa que impedir o direito à vida. Enfim... mas o que me interessa por agora é a justiça popular.
Recordo que quando Carlos Silvino foi preso, uma das corujas que todos os dias o ia insultar para a frente da judiciária, era uma simpática velhinha, temente a Deus, e capaz de fazer os melhores pastéis de bacalhau de Alfama. Esta senhora, ou melhor, Avó mítica, um dia foi entrevistada. Então debaixo dos cabelinhos brancos, dos olhos brandos e da expressão doce diz: " se eu o apanhasse metia-lhe um arame farpado pelo cu acima, atava a ponta a burro e punha-o a correr. Havia de lhe tirar as tripas." Ora, descontando, a pobre da alimária que nada tem que ver com os problemas dos homens esta senhora, numa frase, conseguiu pensar numa coisa que nunca vi escrita nos melhores manuais de libertinagem. De onde virá esta vontade de vingança de tão inofensiva velhinha? Que incontrolável força foi responsável por tão inqualificável ideia? Deus? o diabo? era mesma? Quem ou quê? "o espírito da perversidade"?
A resposta sobre a origem é difícil de dar, mas a realidade é fácil de constatar: no campo das paixões humanas, impera o hediondo. "The horror! The Horror!"

quarta-feira, setembro 29, 2004

Chorar a rir



Por causa de uma pesquisa no imdb, acabo por "dar de caras" com o melhor filme de comédia que alguma vez vi. Chama-se "Non ci resta che piangere" (em português seria qualquer coisa como "Só nos resta chorar") e é um filme a meias entre um jovem Benigni e Massimo Troisi (o entretanto falecido carteiro de Neruda).

A história base é a seguinte: um professor primário e um funcionário da sua escola (ambos de QI muuuito baixo) que, enquanto estão parados numa cancela à espera que passe um comboio são "transportados" umas centenas de anos para trás, indo encontrar, entre outros, um Leonardo da Vinci ignorante ao ponto de não saber como funciona uma lâmpada, o comboio ou um simples jogo de cartas...

Enfim, uma barrigada. Em Portugal parece-me que o filme não existe, e uma das minhas obrigações na primeira viagem a Itália é comprar o DVD. Façam o mesmo, que garanto que vale a pena!

terça-feira, setembro 28, 2004

Saúde, regulação, doentes e anonimato

Sexta-feira passada fui ao Colóquio "Reforma e Regulação da Saúde", na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. À partida, e dadas as diplomáticas intervenções do Presidente da República e do Ministro da Saúde, tal não seria motivo de post na Gabardina. Mas duas coisas aconteceram que vale a pena destacar:

1. Em Abril deste ano escreveu-se na Gabardina que Para uma discussão sobre a saúde em Portugal convidam-se os médicos, os farmacêuticos e os governantes (...) mas quem tem propriedade para falar sobre a saúde em Portugal são os doentes. (...) Por isso, apenas por uma questão metodológica, deve sempre desconfiar-se de uma mesa redonda para discutir a saúde em Portugal onde não estejam presentes os doentes.Ora, surpreendentemente para mim, no referido colóquio foi incluída uma doente numa das mesas. A Dra. Rosa Gonçalves, da Plataforma Saúde em Diálogo, expôs a sua experiência, de vida e associativa, e deixou clara a opinião da organização que representa. A sua intervenção pode ter sido uma desilusão para quem foi ao colóquio ouvir falar de Regulação ou da Reforma da Saúde. Mas duas ideias interessantes ficaram das suas palavras:
a) Os doentes preocupam-se com aspectos concretos do Serviço Nacional de Saúde e não com grandes teorias que os velhos pensadores da saúde em Portugal gostam de discutir (até porque estes são como o Arafat - se tivessem vontade/capacidade para resolver o problema já o teriam feito);
b) O SNS deve ser independente das mudanças do poder político e não oscilar entre o público e o privado como um pêndulo, como mostrou que tem acontecido o representante do Banco Mundial.
Parece-me que, de facto, vale a pena ouvir os doentes quando se fala de Saúde.

2. O responsável principal pela organização do colóquio foi o Prof. Vital Moreira, meu Professor na pós-graduação de Regulação Pública há dois anos. Quando nos cumprimentámos, o Prof. Vital apontou-me o dedo e disse: "Então você tem um blog anónimo?" É verdade. Lá se foi a tese de que é fácil dizer tudo o que se quer sob a capa do anonimato, com que tanto se atacou os blogs anónimos há uns meses atrás. Tudo se descobre neste maravilhoso mundo que é a net. Tudo menos quem é o Pipi. Parece que fui denunciado por um blog, mas ainda não descobri qual. Não sei se o meu colega de blog também o foi. Fica a blogosfera a saber que somos dois, debaixo desta Gabardina. Para o Prof. Vital, e para o Causa Nossa, continuação de boa escrita!

Nobre Guedes na Arrabida

Poucos como Pacheco Pereira têm reflectido e valorizado os Blogs como um novo meio de informação. Aqui fica um bom exemplo das novas possibilidades dos blogs: informação independente dos grandes meios de difusão: http://www.nobreguedes-na-arrabida.blogspot.com


Mascotes geladas



As mascotes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim'2006, foram desenhadas por um português.
Chamam-se Neve e Gliz e são, respectivamente, uma bola de neve e um cubo de gelo.
Se fosse em Portugal já haveria vozes a dizer "mas será que não havia cá ninguém que fizesse uma mascote melhor que essas? Era preciso contratar um italiano?" Felizmente para o Pedro Albuquerque, nem todos são tão chauvinistas como os tugas...

segunda-feira, setembro 27, 2004

"quinta das celebridades"

Porque não há sinais de guerra civil no Iraque e porque o governo Português dá todos os dias exemplos de competência, hoje, em vez do jornal, comprei a TV Guia. Atraiu-me o assunto da capa: A quinta dos Famosos. O programa consiste em colocar num ambiente rural algumas pessoas conhecidas da televisão. Este programa de que todos vão dizer mal, mas que vai alimentar muitas conversas, assenta numa ideia interessante: o confronto da sofisticação da cidade com a realidade rural.
O povo rural que habita as cidades, e que projecta nas caras conhecidas da televisão, o sucesso do emigrante da aldeia, vai ter a oportunidade de gozar com a ignorância das estrelas como as estrelas gozam com a ignorância do povo. O povo que lê as revistas e se sente esmagado pelas vidas interessantes, pelas festas, pelas casas maravilhosas e pelos casamentos felizes, vai pela primeira, gozar com a ignorância de pegar numa enxada, com a dificuldade em ordenhar uma vaca ou segar uma ceara.
As celebridades vão ser ridicularizadas a fazer as tarefas que, quem ainda tem a ideia mítica da terra, ou da aldeia, toma por elementares. Mas a verdade é que só quem sabe, ou pensa que sabe, ordenhar uma vaca é que se pode rir de quem não sabe. Este novo reality show não vai tirar o Zé Maria de barrancos para as festas. Vai pôr o Castelo-branco nas couves. E isto é novo.
Estas celebridades, "bifes em fruteiras" embora ridicularizadas pelo povo vão na verdade, revelar o Pais profundamente rural e conservador que habita nas cidades. Um povo que utiliza os paradigmas de vida no campo para resolver um problema que ainda não percebe: o fenomeno urbano.

quinta-feira, setembro 23, 2004

quarta-feira, setembro 22, 2004

It was not time to make a change...

Os EUA recusaram-se a deixar entrar no país o cantor Cat Stevens. Ao que parece, o artista, que se converteu ao islamismo e se chama agora Yusuf Islam, faz parte de uma lista de terroristas que não podem pisar solo americano.

Bem podia o Yusuf ter aprendido com as suas próprias letras...

There's so much you have to go through
(...)
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

SM.O


A questão do serviço militar obrigatório sempre me fez pesar dois argumentos contrários. Por um lado, recuso que alguém se tenha de submeter a ordens de superiores, por outro lado reconheço o valor, que do ponto de vista político tem o facto de as forças armadas serem formadas por populares.
Consciente de que neste caso não é possível uma conciliação, decidi-me por defender o fim do serviço militar obrigatório, escolhendo como mais importante o primeiro argumento. Assim, saúdo o trabalho do governo e critico as posições do PCP, que embora o esconda da opinião pública e especialmente dos mais jovens, defende a continuação do S.M.O.
O fim do S.M.O é um objectivo politico que a esquerda nunca conseguiria realizar, pois a esquerda teria muita dificuldade em pôr de lado o acervo do 25 de Abril, uma revolução só realizada porque que os militares eram o povo, e esquecer o chavão (verdadeiro aliás) de que o poder está na ponta do fusil.
Agora que as espingardas serão manejadas por quem é pago para isso, é necessário, para evitar que suceda o que acontece todos os dias no Sudão, que se defenda a extinção pura e simples do exercito português.
Um exército serve para matar gente. È para isso que serve. Para matar. Depois de agradecer à direita como agradeci, pela extinção do S.M.O gostava de lhe perguntar como é que se pode ser contra a I.V.G e continuar a querer um exército que só serve para matar. Como é que se pode dizer que a vida é um valor absoluto e pagar a homens para matar? A resposta transpira da pergunta: A vida não é um valor absoluto: para a I.V.G é, para manter um exército não é.

terça-feira, setembro 21, 2004

Dúvida

Camacho será o próximo treinador do Porto ou do Sporting?

Aplauso

E, finalmente, estou de acordo com o ministro Bagão.
O anunciado fim dos benefícios fiscais para as contas poupança-habitação e poupança-reforma representam uma moralização do sistema fiscal. Há demasiados anos que andamos, injustificadamente, a financiar quem não precisa, prejudicando aqueles que verdadeiramente precisam.
Estes benefícios são injustificados em 99% dos casos. Talvez a excepção seja a de um país com uma situação económica extraordinariamente boa, sem indivíduos com baixo rendimento, e, mesmo aí, só em situações de necessidade de incentivo à poupança? Talvez o Mónaco, num ou outro ano de maior tendência para o consumismo por parte da realeza...

Neste instante, diz ela

A ministra da educação, poisa com doçura a face na sua mão direita. Neste instante, afunda-se na cadeira.
Neste instante, refere que os "meninos" devem poder escolher...Neste instante, diz que há escolas com programas de desporto escolar fantásticos: equitação. Neste instante, na sede do ministério o funcionário que desmaiaram no Sábado à noite de exaustão volta ao trabalho. Neste instante, os portugueses sentem a ampulheta a correr: ou as listas saem até à meia-noite, ou amanhã de manhã não há ministra. E o tempo corre, e das listas nada. Neste instante, a ministra diz que há escolas públicas muito boas. O povo ouve. Pensa. E pergunta em surdina: "Mas não é isso que é suposto?" Neste instante, ainda não há listas e o tempo continua a passar. A demissão em directo. Expectativa. O povo aguarda impaciente. Depois do big brother, dos acorrentados e do master plan, eis a nova receita no entretenimento televisivo:a espada de Damocles: o despedimento em directo. Será que a ministra vai conseguir a acabar a prova a tempo e ficar na casa até à próxima semana, ou vai sair hoje? E faltam 15 minutos, neste instante, para ministra perder a prova.
E pronto terminou... Vamos já para a ligação em directo à casa...

segunda-feira, setembro 20, 2004

O outro lado

"Todos falam da violência com que o rio corre, mas ninguém fala das margens que o comprimem". As citações do Presidente Mao, coligidas no celebérrimo livro vermelho, são assim: iluminadoras do outro lado.
Porque em tudo há sempre um outro lado. O lado que aceita os convites, que recebe os presentes, que aufere os salários e arrecada as reformas. Mira Amaral aceitou a reforma. João aceitou o emprego que sabe que conseguiu apenas porque o seu pai mexeu os cordelinhos. Maria aceitou o salário de 1200 contos, quando sabe que o trabalho que executa vale 120. Tiago aceitou passar à frente no hospital. Ricardo aceitou o favor sem pestanejar.
Normalmente só se fala em quem faz os favores, de quem convida ou quem facilita. Critica-se quem dá, mas nunca quem recebe, porque quem os recebe, está só a fazer o que qualquer pessoa faria, pensa o que quer, ele próprio, evitar a consciencia pesada.
Recusar uma vantagem, que coisa incompreensível nos dias de hoje. Declinar um convite, que sacrilégio. Que insulto!
Se é cretino que seja possível dar a quem trabalha 9 meses, uma reforma no valor a que muitos não têm acesso em 20 anos, é igualmente cretino aceitá-la.

Frase do dia

Amsterdão é uma cidade muito bonita, cheia de cafés.

Os terríveis 80s


80s Posted by Hello

A constituição da equipa maravilha é, da esquerda para a direita:
Jorge "Umbadá" Fernando
Fernando "Bigodaças" Pereira
Amiga Olga Cardoso
Padrinho do Marco António
António "palavra-puxa-palavra" Sala
Cândida (que Deus a tenha em descanso) Branca-Flor
Marido da Valentina Torres
José "Alcácer Quibir" Cid
José "pé de gesso" Malhoa

(recebido por e-mail)

sexta-feira, setembro 17, 2004

Princípio do contribuinte sem custos para o governante (SCUG) II

O contribuinte sem custos para o governante. Quem é? Sou eu mesmo. Aqui estou eu. Eu que sempre que compro seja o que for pago IVA (normalmente os 19% instituídos há uns anos como medida de excepção por alguma coisa de que eu já não me lembro, e ficaram...). Sempre que recebo o salário lá vão os euros para o IRS. Depois temos a SISA, a Contribuição Autárquica, o Imposto Sucessório, o Imposto Automóvel, o Imposto sobre os Combustíveis, o IRC, a Derrama, etc, etc, etc... Tudo coisa pouca. Tão pouca que não dá para que os salários da função pública acompanhem a inflação do país.

Mas o Santana diz-nos que as auto-estradas têm que ser pagas por quem as usa, porque não há dinheiro. Que quem pode pagar os cuidados de saúde tem que os pagar, porque não há dinheiro. Que os aumentos têm que ser pequenos, porque não há dinheiro.

E para onde raio vão os milhões e milhões e milhões de contos que nós pagamos de impostos? A resposta é fácil. Para salários, ajudas de custo, motoristas, secretárias, jantaradas, copos, telemóveis... De quem? Ora de quem... Dos políticos. Dos amigos dos políticos. Das famílias dos políticos. Dos amigos e familiares dos amigos dos políticos. Dos meninos cola-cartazes que ganham 3 e 4 e 5 e 6 mil euros por mês em tachos públicos, porque sim. E dos amigos deles. E para a reforma do Mira Amaral, claro!

Mas vão também para outros sítios mais visíveis. Para os Ferrari, para os Porsches, para os Jaguares, para os BMWs e para os Mercedes que vocês vêem nas estradas e que se vendem cada vez mais. E o que é que podemos fazer? Um pouco de vingança não faz mal nenhum! Nunca deixem carros destas marcas passar nos cruzamentos. Quando estacionarem ao lado deles em supermercados, deixem a porta abrir com mais força e bater na porta deles. Quando passarem por eles à noite, deixem a chavita marota fazer uma marca no painel lateral... É uma pequena vingança - enquanto não se chega a algo de maior -, e sempre há uma transferência de fundos para o bate-chapas lá do bairro...

Pois a resposta é simples. O SCUG serei eu, em breve. Impostos pagos e nada em troca (para já ainda me dão uma ida às urgências quase grátis de 2 em 2 anos). Não sou familiar nem amigo de políticos e nunca colei cartazes. Por isso deve ser justo.

quinta-feira, setembro 16, 2004

Nem sempre

Embora muitas vezes vezes sejamos culpados, sabidões, preconceituosos e cínicos, quase todos clamamos ser Sempre Inocentes, como este blog.

Porque também eu adoro saborear coisas diferentes, vai o link para a coluna da direita, sem ressentimento pela classificação de Amargo que nos é atribuída.

Sim, a Gabardina abre-se quase sempre contra os sabidões, os preconceituosos, os cínicos e esperamos que contra os culpados. Mas também é doce. Pode até ser que um dia venha a ser anticéptica. Para já é só anti-séptica. Está pronta a combater o que está podre.

Espírito Olímpico

Atenas 2004: Korzhanenko e Annus admitem devolver medalhas. Este segundo atleta já anunciou onde os juizes as podem meter.

(da autoria de uma amiga da Gabardina)

Estranho

Logo neste país de gente preguiçosa e pouco produtiva...

UE: Absentismo laboral por doença em Portugal é dos mais baixos

Sem desejo de protagonismo, claro!

A Maasai man in Kenya has had his penis bitten off by his angry wife, who suspected him of adultery.

Vamos já fazer um movimento de apoio a estes pobres homens!

(lido no Amor e Ócio)

O "E" T

Era uma vez um "E". O "E" da palavra "espada". Da espada de D. Quixote. Era um "E", afiado e pontudo. Leve, mas resistente. Louco, magro e triste, mas honesto, justo e recto.
Um dia o "E" acordou no chão. Soltara-se da página onde fora impresso, e um sopro de vento levara-o para o andar de baixo. Abaixo daquele em que estava o livro em que vivera toda a sua vida.
Agora, perdido na biblioteca das bibliotecas, percorre as salas. Cruza os corredores. Sobe os andares. Abre os armários. Visita as prateleiras. Lê os livros. Percorre as páginas. Analisa as frases. Divide as orações. Segue as linhas e entoa todas as palavras para descobrir onde faz falta.
E o tempo? E a paciência? E a vontade? - perguntam-lhe frequentemente as palavras por onde passava. Mas o "E" nunca lhes responde.
Queria fazer sentido num índice, num epílogo, num meio de romance, num livro de receitas ou num mapa de linhas direitas. Alguma coisa para não ter de deambular assim, por entre as folhas e as capas. Queria descansar os braços de erguer lombadas, repousar os dedos de virar páginas vincadas e dar silêncio. Silêncio aos ouvidos de aturar as palavras zangadas. Está cego do pó. Mordido pelas pulgas e trucidado pelos volumes e volumes e volumes e volumes e volumes que fumegantes nas linhas paralelas das estantes, ora a horas certas, ora a horas atrasadas param no apeadeiro.
Um dia procurará um fim, de página, virado para o mar. Depois reduzir-se-á ao tamanho 1, mudará de Arial, para Times New Roman e esperará que nunca ninguém requisite o livro a que faz falta, para que nunca se saiba que viveu.

quarta-feira, setembro 15, 2004

Princípio do contribuinte sem custos para o governante (SCUG) I

Estou orgulhoso do Santana. Depois da lição da Gabardina (propter hoc ou não) ele já usa bem a palavra produtividade no seu discurso. Chega a acrescentar, com ar de entendido, "o PIB, portanto!" Muito bem! Palmas para o Pedrito e para os seus assessores.

Mas o Santana anda a irritar-me. E o Bagão também. Nos últimos dias com dois assuntos.

Primeiro as taxas moderadoras na Saúde. Ora estes senhores deviam saber que as taxas moderadoras servem para afastar dos hospitais as pessoas que não tendo problemas de saúde se sentem sozinhas e vão por isso para os hospitais fazer conversa. Não servem para pagar o custo dos serviços de saúde que a constituição garante serem pagos pelos impostos de todos.

Depois o velho princípio do utilizador-pagador. O Santana, falaciosamente, fala do princípio do utilizador-pagador como se se tratasse de um princípio geral, de indiscutível justiça. "Quem quer usar, quem quer ter o proveito, tem que o pagar. Ou querem que andem uns a pagar para os outros usufruírem? Parece-me da mais elementar justiça..." Ora este princípio é tudo menos geral. Não se aplica a um doente que precisa de um transplante cardíaco, cujo custo ascende certamente a muitas dezenas de milhares de contos. Não passa pela cabeça de ninguém (espero eu) ir pedir o dinheiro da intervenção ao senhor, mesmo antes de ele levar a anestesia geral... E portanto, quanto à universalidade de aplicação do princípio, estamos conversados. Quanto ao caso específico das SCUT, parece-me que ele tem que ser analisado caso a caso. É tão ridículo a continuação da A8 até ao Porto ser gratuita (em clara concorrência com a A1), como a A25 (IP5) ser paga, não havendo nenhum tipo de alternativa credível para o percurso Viseu-Vilar Formoso. E não me venham falar de qualidade das estradas, porque em Espanha, por exemplo, há milhares e milhares de quilómetros de auto-estradas muito melhores que as portuguesas que são totalmente gratuitas. Só as que têm uma alternativa clara e de qualidade são pagas. Mas claro, os espanhóis não têm qualquer noção de justiça social e permitem que os andaluzes financiem com os seus impostos a auto-estrada Madrid-Saragoça... Esses estúpidos sem cultura democrática!

terça-feira, setembro 14, 2004

Os que despertam...


Um povo que aceita, sem fazer um golpe de estado, que um tipo venha à televisão dizer que é necessário trabalhar mais, é um povo mole.
Um politico que tem a lata de vir à televisão, pedir aos Portugueses que trabalhem mais, deve estar a pensar nos amigos dele. Da direita, claro! Daquela direita que pensa que é a única que trabalha, que pensa que o País são os as empresas e os escritórios do amigos, que se move bem entre os ex- e proto- ministros e que usa as incompreensíveis calças brancas e camisa de ganga azul quando sai à noite.

Essa direita, que reproduz ordeiramente os valores da geração que a precede, que aos 18 anos tem certezas absolutas sobre a interrupção voluntária da gravidez, sobre as drogas leves e sobre as casas de xuto. Essa direita que é cristã, que não vai à missa aos Domingos, mas que se casa sempre pela igreja. Essa direita que quer ter uma família tradicional, mas que enche as casas de putas do país. Essa direita: tem nos políticos modernos a sua vanguarda. Tipos que nunca tiveram o coiro em risco, indivíduos sem formação politica de fundo, políticos sem uma ética que se veja.

Essa direita gosta dos moderados, dos sensatos, dos médios porque ela própria se assume como moderada, de centro e moderna. Alguém que não admite que outra pessoa fume um charro, mas permite que a Sagres financie a selecção nacional de futebol, é na visão deles um moderado, não é extremista. Porque os extremistas são os outros. São sempre os outros, os que eles não conhecem. Os que não querem conhecer, porque o seu mundinho é simples.

Amar como Jesus amou

No Fora do Mundo encontro a frase que deveria ser o lema de todos os grupos de meninas religiosas:

«ela é religiosa / porque fode e não goza».

Sempre sem pecado.

Call centers

Um magnífico texto de José Vítor Malheiros, ainda por cima com a seguinte homenagem a este blog:

Acha que se pode escapar amanhã para nos encontrarmos? Eu podia levar um cravo na lapela para me reconhecer... ou acha muito marcado politicamente? Uma gabardine! Posso levar uma gabardine! Já ninguém usa gabardine. Ou um chapéu de coco. Ia ser fácil reconhecer-me.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Boicotar


Em França foi recentemente publicado um livro de título "Bonjour paresse", (bom dia, preguiça), escrito por Corine Maier.
Este livro ensina um método para que o trabalhador responda com a mesma categoria, às investidas do sistema de trabalho das sociedades capitalistas actuais: se as promoções são feitas essencialmente por factores não relacionados com a competência (logo não dependentes do trabalhador), então a resposta adequada do trabalhador só pode ser: fazer o mínimo indispensável. Mesmo na perspectiva dos interesse da empresa ou organismo onde trabalha: duplicação de tarefas, repetição de procedimentos, confirmações e reconfirmações? uma monotonia pegada que se pode combater com a sabotagem do tempo do trabalho: esculturas de clips, barquinhos de papel, paixonetas por colegas, Internet, discussão sobre os filhos, solitário, buscar água, verificar dezenas de vezes o mail, um telefonema pessoal e chegar ao final do dia cansado.

A ideia não é nova. Os primeiros a defende-la, para a sociedade capitalista, foram os anarquistas libertários: os primeiros sabotadores.
Esta senhora, porém, porque não tem barbas enormes, não vive num século XIX sujo de carvão, arriscou perder o emprego com publicação do livro, é economista e psicóloga teve o mérito de chegar às massas.
Nos inícios da revolução industrial, os operários que começavam a ver as máquinas tirarem-lhes o trabalho (= dinheiro para comer) reagiram destruindo-as. A sabotagem. Hoje, os operários não vendem mão-de-obra braçal, vendem a sua disponibilidade mental. Por isso, não destroem as máquinas, que não lhes tiram o lugar, mas boicotam os serviços que lhes ocupam o tempo.


Quotas

As quotas para mulheres em todas as áreas da sociedade podem ser a solução para muitas das inquietações do mundo actual e podem mesmo representar uma melhoria da qualidade de vida para um grupo de deslumbrantes fêmeas que hoje se vêem obrigadas a utilizar parte do seu tempo, desdobrando-se em entrevistas e outras acções mediáticas, sempre numa perspectiva altruísta de ajuda à próxima.

Algumas organizações mundiais adoptaram exemplarmente este sistema de quotas. O melhor exemplo é, provavelmente, o do Comité Olímpico Internacional. Nos Jogos Olímpicos, se este sistema não tivesse sido introduzido atempadamente, hoje corríamos o risco de ter manifestações à porta dos estádios exigindo que os homens corressem os 100 metros mais devagar para que as mulheres também pudessem ganhar medalhas. Assim, há sempre tantas medalhas para homens como para mulheres, não há conversa nem discussão, e podemos assistir descansadamente ao evento.

Também a Academia de Hollywood aplica, com sucesso, o sistema de quotas. Há muito que não se ouve ninguém discutir se o melhor actor de um determinado ano foi um homem ou uma mulher. Atribui-se um óscar a cada género e já está! Mas, na minha opinião, Hollywood deveria alargar o sistema de quotas a todas as categorias. Isso evitaria muitos problemas. Por exemplo, um Óscar para a melhor realizadora evitaria que eu já andasse a ouvir que "A Sofia Coppola já está a trabalhar no seu novo filme. Acho que é desta que ela ganha o Óscar!". Como todos os anos haveria uma melhor realizadora, poupava-se a campanha e o tempo das já referidas altruístas.

Outros que deviam adoptar este sistema, poupando muitas notícias de jornais falando de favoritismos, eram os membros do comité Nobel. Dois Nobel por categoria por ano, um para gajos e um para gajas, e bastava de notícias sobre "aquela magnífica escritora indiana que tem muitas hipóteses de ganhar o Nobel este ano!"

Todas as organizações deveriam aprender esta lição (por que não um parlamento feminino?). Vejam o sucesso obtido com esta experiência pelo circuito de ténis ou pelo circuito mundial de vólei de praia femininos, só para citar os dois exemplos mais famosos...


sexta-feira, setembro 10, 2004

Fingir como o Figo fingiu

Durante o último europeu Portugal entusiasmou-se. Acreditou na vitória, pôs bandeiras à janela, enervou-se, gritou, festejou e chorou. As pessoas queriam ver os melhores do mundo em competição. Queriam ver quem eram os melhores da Europa. Queriam ver se os portugueses podiam ganhar aos melhores.

Agora pedem-nos que tenhamos a mesma atitude para com os atletas paralímpicos (eu sempre gostei mais da expressão para-olímpicos, mas rendo-me à vontade da maioria). O próprio Figo veio expressamente a Portugal para o pedir. É verdade que somos - os portugueses - uma malta que não se importa de fingir. Que facilmente acredita numa realidade paralela para não pensar naquilo que verdadeiramente está a acontecer à sua volta e nas suas vidas. E por isso eu acredito que algumas bandeiras voltarão as janelas de nossas casas e que haverá até uma malta a vir para a rua festejar as medalhas conquistadas.

Eu fico contente por os deficientes do país em que vivo terem a oportunidade de fazer desporto. Fico contente por eles terem a oportunidade de participar numa coisa fantástica como uns jogos paralímpicos. Ficarei muito contente se eles ganharem medalhas, pela alegria que isso representa para eles. Ficarei sobretudo contente pela alegria que eles certamente têm em participar.

Mas não me peçam para estar em frente à televisão a ver provas de atletismo ou natação para deficientes. É como ver olímpiadas de matemática para miúdos burros, ou números de malabarismo para descoordenados motores! "Este tipo é o descoordenado motor que melhor faz malabarismos com duas bolas, EM TODO O MUNDO!!!" Tenham dó. Para incapacidade ao mais alto nível já temos a Assembleia da República portuguesa.

Nos Jogos Paralímpicos não está em jogo quem é o melhor. Mas isso não tem mal nenhum. Há milhões de pessoas em Portugal que não são "o melhor" em nada de relevante. Mas cada uma dessas é "o melhor do mundo" em alguma coisa. Cada um dos nossos deficientes, também. E isso é o mais importante. Quanto aos paralímpicos, divirtam-se nos jogos, passem os melhores dias de sempre. Eu cá estarei a torcer por isso. Sem bandeira, sem nervos, sem gritos nem festa, mas um sorriso de felicidade cada vez que vir uma cara vossa feliz na televisão!

Let the games begin!

quinta-feira, setembro 09, 2004

Sempre que a rádio diga que a América roubou a Lua

O pára-quedas não abriu e a queda não parou. A cápsula desfez-se no solo e dela caíram, atónitas, as três invisíveis partículas de sol, raptadas nos confins do Universo. Enquanto Bush, Kerry e suas respectivas senhoras estão, lupa gigante na mão, de rabo para o ar a analisar cada pedrinha do deserto americano, as três amigas tremem o queixo escondidas atrás da maior pedra das redondezas. "Estes tipos são doidos! Mas eles não percebem que aqui está um frio do caraças?", diz a mais frágil, encostando-se à amiga mais próxima com um ar triste. "Não bastava a estes gajos terem acabado com os índios, ainda tinham agora que se ir meter connosco!", acrescentou furioso, o partícula-macho, subitamente reconfortado pelo calor que provocou a lupa de W. Bush quando nele fez incidir os seus raios irmãos. "Ao menos que sirvas para algo mais do que para matar iraquianos, ó palhaço!", disse, sem grito nem raiva, que o tempo era de gozar o calor, e a lupa de W. já passava à pedra seguinte.
Nisto aproxima-se um jovem Mormon que, olhando para as três partículas, lhes pisca o olho direito, com ar cúmplice, lançando de seguida um ar de desprezo ao rabo dos candidatos presidenciais iluminados pelas luzes das câmaras de televisão, e lhes diz: "Podem vir chorar no meu peito, longe de tudo o que é mau." As partículas sorriram, felizes por serem vistas, e imediatamente saltaram para o colo do rapaz, onde se aninharam dentro das escrituras sagradas que ele apertava contra o casaco negro.
Neste momento, sem que o mundo ainda o saiba, ao fim de milénios de guerras sem sentido, ciência e fé, homem e natureza, estão unidos e em paz.

"ligar, ligar sempre"

Os ditados populares valem mais pela sua solidez sonora que pela sua veracidade intrínseca. Por isso, prefiro os que têm uma "aliteraçãozita", aos que apresentam a "soluçãozona".
Gosto mais do som do ditado "não se misturam alhos com bugalhos" que do conteúdo. Se o som deste ditado tem uma certa harmonia, já o seu conteúdo não só é misterioso como velhíssimo. Misterioso porque 90% das pessoas que o usam não sabe o que é um bugalho, e velho porque para compreender o mundo de hoje é essencial misturar as pequenas plantas bolbosas da família das liliáceas ( os alhos) com as pequenas excrescências que nascem em virtude de picadas de insectos nessa mesma família de plantas (os bugalhos).
Hoje é necessário misturar o conselho de administração da Halliburton com os soldados Americanos no Iraque; é necessário misturar as concelhias do PS e do PSD com as comissões de coordenação; é necessário misturar os assessores dos ministros com os nomes da sua parentela mais próxima.
Hoje, para se conhecer um alho é necessário liga-lo ao bugalho. E é por isto que o ditado é velho: porque não serve para compreender o mundo. Mais: quando alguém impõe que se não misturem os alhos com os bugalhos está, deliberadamente ou por ignorância indesculpável, a impedir que se compreenda o mundo. Numa palavra, está a defender o mundo de ontem: uma realidade em que os fenómenos eram analisados isoladamente.
Hoje, para pensar é necessário misturar. "Ligar, ligar sempre" como escreveu Goethe. Isolar é errar. O especialista é um solipsista e um solipsista é um ignorante acabrunhado, enfezado e de abanos colados aos chavelhos, temendo aterrorizado pelo seu abafador (berlinde grande).

quarta-feira, setembro 08, 2004

Doce de menina

Os amigos continuam a chegar à blogosfera. Saboreiem esta abóbora.

"M, Matei"


Um dia paguei uma interrupção voluntária da gravidez. Foi há uns anos. Um amigo chegou ao pé de mim, olhou-me nos olhos e disse: "preciso de dinheiro para ir a Espanha com a minha namorada". Não disse nada. Apenas perguntei: "de quanto é que precisas?"
Neste caso que conheci bem, a questão punha-se assim: o rapaz gostava da rapariga e a rapariga gostava do rapaz. Dormem juntos, e ter um filho é a ultima coisa que querem.Porém ela engravida, e decidem interromper a gravidez. Aqui duas hipóteses: ou há dinheiro e vão ir a Espanha onde sabem que é seguro, ou não há dinheiro e fazem em Portugal numa casa particular. Claro, que entre o haver e não haver dinheiro vai a diferença da vida dela, a possibilidade de nunca mais vir a poder ter filhos, as hemorragias graves, ou correr o isco de vir a ser presa se tiver de ir ao hospital salvar-se de alguma das anteriores. Mas mais: há a culpa e o rótulo de quem "não ama, não mata" e "assassina de bébés".
Neste caso houve dinheiro suficiente e tudo correu pelo melhor, mas para os outros em que não há dinheiro, nunca mais ficarei sem resposta, pois no site da W.o.W está explicado como se pode interromper uma gravidez com a toma de uns comprimidos à venda em Portugal. Então é assim: Compra-se uma embalagem de Cytotec ( cuja substância activa é o Misoprostol) numa farmácia, tomam-se 4 comprimidos e passadas 24 horas outros quatro.