Feist - 1, 2, 3, 4
Por razões completamente alheias à minha vontade e que, de momento, permanecerão perfeitamente obscuras para a quase totalidade da população mundial, eu queria mesmo muito ser um urso. Não um urso qualquer, pois de pronto me poderia ser apontada a possibilidade de já o ser, o que até poderá nem deixar de corresponder à verdade, mas enfim, há coisas que têm mesmo muita força e, portanto, nada disso interessa agora, mas um urso específico.
Pelas mesmas alheias e obscuras (e, no entanto, poderosíssimas) motivações do ponto anterior, e em alternativa, também queria muito que esse determinado urso anunciasse a sua chegada à recepção aqui da empresa, desencadeando uma sucessão inexorável de eventos que inapelavelmente conduziriam, não ao fim do mundo, como poderia à partida parecer, mas à concretização de uma mera possibilidade num destino mais que perfeito.
Caso não seja de todo possível cumprir nenhum dos dois anteriores pontos, também servia bem os tais interesses absolutamente nebulosos e de uma opacidade acima da média (mesmo quando comparados a um dia bom de smog londrino) para essa imensa maioria de seres humanos, uma simples e básica troca de localizações espaço-dimensiono-temporais entre mim e o supracitado urso.
Como nada disto depende de mim, dada a crueldade do destino que me privou há uns tempos do dom do transmorfismo que me permitiria mudar de forma a contento, também porque a chegada do urso ocorrerá na devida altura (pelo menos assim o espero) e apenas por sua livre e espontânea vontade (vá-se lá entender os caprichos dessas criaturas) e porque os meus talentos de teletransporte estão um tudo nada enferrujados e materializar-me-ia quase de certeza dentro de uma barrica de anchovas, o que, adiante-se, em nada ajudaria aos meus propósitos, vou ali beber um cafézinho.
Posted by Catarse at 18.7.07 12 comments
“Ouvi dizer que há propostas do FC Porto, do Barcelona e doutros clubes. Mas ainda não me decidi.” A revelação foi feita pelo avançado marfinense Didier Drogba ao jornal inglês The Sun, que fala ainda do interesse do Milan.
Só mesmo "O Jogo" para dar esta notícia... Amanhã o título será "Drogba recusa Barcelona e aceita ganhar menos 1 milhão de euros por ano para cumprir sonho de criança, jogando no FC Porto."
Para os anti-benfiquistas empedernidos, deixo a lembrança de que em tempos (talvez 1999) um desportivo (penso que o Record) noticiou a vinda do Totti para o Benfica. Tal ficou a dever-se ao facto de o jornalista em causa não saber quem era o Totti da Roma e muito menos quem era o jovem Tote, da equipa B do Real Madrid, que teve uma passagem... fraquinha, pelo Benfica.
Posted by artur at 17.7.07 8 comments
Com sintomas clássicos que vão desde aquele aperto no estômago até a uma boa disposição à prova de bala, dos olhos que oscilam entre um brilho intenso e aquele ar plácidamente sonhador, de um "rush" de energia a um frémito de excitação, nervosismo e antecipação que nos atira 10 a 15 anos para trás, com efeitos secundários vão desde a mais completa vulnerabilidade (voluntária) até à confiança plena, com uma farmacocinética que permite que se espalhe no sistema em velocidades variáveis, do atordoantemente rápido ao deliciosamente lento, consoante a posologia administrada e a sensibilidade ao fármaco utilizado, temos no amor, apresente ele a formulação que apresentar, do carinho à paixão, fraternal ou platónico, um dos mais poderosos medicamentos que se conhece. Tem, com toda a certeza, o seu lado perigoso, com as overdoses que deixam qualquer um abananado ou com as versões menos saudáveis (obsessivas ou não correspondidas). Tem também alguns avisos e contra-indicações pois é certinho que passamos a andar de cabeça nas nuvens e de sorriso parvo afivelado na cara. Mais ainda, perdemos a noção do que estamos a fazer, o tempo ganha uma relatividade imprevista até por Einstein, desligamos o avaliador dos riscos e mergulhamos de cabeça, sem saber o que está à nossa espera, apostando tudo na recompensa da felicidade e descurando alegremente a hipótese da viagem ao engano que nos pode levar do céu ao fundo do poço mais negro. Mas só quando nem sequer tal coisa nos passa pela cabeça, quando o salto de fé é absoluto, é que sabemos que é verdadeiro o sentimento. Vários efeitos fisiológicos são aparentes: mudança do prisma de visão do mundo para “bright mode”, aceleração do batimento cardíaco e pressão arterial à mera visão/presença/pensamento da/na fonte do estímulo, aumento simultâneo e paradigmático da confiança total e da desorientação completa, felicidade esfuziante ao mais insignificante sinal de recíprocidade e ainda outras individualizadas para cada sujeito, como melhoria significativa de uma ou outra característica, sendo possíveis efeitos em coisas tão díspares como apetite, estado da pele, condução, actividade física, capacidade intelectual e de trabalho, sentido de humor, etc. É absolutamente proibida a administração concomitante com ciúmes irracionais e desaconselhada no caso de não existir biunivocidade no sentimento; em ambos os casos nota-se um potencial imenso para a depressão, raiva e angústia que já não configura o efeito pretendido inicialmente: felicidade absoluta e incondicional dedicada a outra pessoa. Acima de tudo, naqueles casos em que é o produto original e não adulterado, é mesmo muito bom (falamos, claro, de princípios activos porque há genéricos disto impecáveis e autorizados a circular no mercado... a patente do cupido já ardeu há muito tempo). Em caso de persistência ou agravamento dos sintomas consulte um padre (se for essa a vossa opção na vida) ou alterem morada para a mesma residência. Se ainda assim não se notar qualquer alívio dos sintomas considerem a hipótese de gerar descendência. Não dispensa a consulta da bula, de um conhecimento mínimo entre ambos os intervenientes e dos antecedentes genéticos de ambas as linhagens.
Posted by Catarse at 17.7.07 5 comments
Talvez porque foi uma semana em fast forward parece que o antes foi há uma eternidade. O almoço na esplanada do McDonald's das Galerias em Milão; a fruta no mercado de Verona; os cinco minutos em Bolonha; a casa em Settignano, o Spike Lee em Fiesole e o passeio em Florença; a tenda com vista para o mar e as escaladas em Framura; o banho no óleo dos iates em Portofino e o fim de tarde em Génova; a via dell'amore e o banho em Cinque Terre; o ataque das zanzare em Pavia; as aventuras no aeroporto... E, sobretudo, aquele almoço na cantina e as costas nas pedras quentes da Piazza del Campo, porque é bom voltar a casa e é bom mostrar a nossa casa.
Posted by artur at 17.7.07 5 comments
Por definição não recordo o quotidiano. Recordo acontecimentos. Não recordo o que comi há um mês atrás, mas recordo a maionese que há 4 anos me mostrou as coisas estranhas que o meu corpo é capaz de fazer.
O passado mais não é que um percurso presente feito de acontecimento em acontecimento. O que me interessa com os screen tests é registar os espaços entre os acontecimentos. O espaço que esteve até à ingestão da maionese, e que esteve depois do restabelecimento do trato digestivo. O passado que verdadeiramente esqueci por não ter sido marcado por acontecimento algum.
Recordamos os momentos que nos marcam: os acontecimentos. E digo: marcam, e não: marcaram, pois uma marca é um sinal de uma coisa, noutra. Um sinal do passado, que é contemporâneo à coisa marcada. Por isto, é que os acontecimentos que recordamos existem não no passado mas no presente. Porque os recordo no presente, só no presente existem .
Posted by tcravidao at 16.7.07 1 comments
Casting
A série 27 está a fazer casting para pequenos filmes de três minutos baseados nos screens tests de Andy Warhol. Enquanto durar o casting descreverei aqui quais os objectivos do projecto e porque me interessa tanto esta ideia. Os screen tests feitos por Warhol consistiam no registo em filme de 3 minutos do rosto de alguém. Os screen tests da Série 27 vão partir desta base mas vão incluir um elemento narrativo. Para saber mais do projecto e, eventualmente vir a participar nele, é enviar um mail para tcravidao@hotmail.com .
Posted by tcravidao at 14.7.07 9 comments
Day-o Henry Belafonte in Beetlejuice
Posted by Catarse at 13.7.07 2 comments
Comu num diá desti ninhum dus signu si sáfá vou botá tudu juntu mesmu...
Hoji vai sáí u numiru 13 im toda ais 7 bola du euromilhão! Ou 7 in todais ais 13. Seja cumu fôr cê esqueceu di jogá ou perdeu uis bilhete cum númeru certu.
Hoji cê vai iscorregá i quebrá a cárá nu chuveiru di manhã, batê cum us denti nais bordá da banhêra e desligá a tornêra da áugua quenti na queda prá ficá logo pondu gelu nais feridá.
Hoji cê vai trocá uis fráscu di afteirsheive cum u du alcóul logu quandu a lâmina embotou na suá cárá ou si fô mulhé vai trocá pensu higiénicu pur esfregãozinhu bravu.
Hoji o papéu du banheiru vai ácábá logo na hora em qui chegá ais visitá lá im cásá e cê vai istá de cauça baixá nu corredô procurandu mais.
Hoji vai fautá luiz logo na horá di gravá o relatóriu mensáu qui já tává atrasadu, o multibancu vai comê seu cartãu na horá de pagá conta, vai perdê carteira no bar de travesti, vai deixá caí relógio na cácá du cachorru, vai sujá gravátá na hóra di pidi aumentu, vai pegá multa di velocidadi, vai dá cólica na riunião cum diretô, vai pegá trém erradú, vai olhá o céu na horá de caí uma cácá di pombu.
E si istu num acontecê num ficá priocupadu não... si não fô hoji é noutru diá quauqué!
Posted by Catarse at 13.7.07 4 comments
O porquê da sexta-feira 13 ser azarada!
Posted by Catarse at 13.7.07 6 comments
Acordar de um sonho bom ao som de uma sirene de nevoeiro intermitente.
Esbracejar até silenciar a origem da sirene da melhor maneira que a coordenação visual motora da ocasião o permita.
Rebolar para outra posição confortável, lutando contra o mar de cobertas e almofadas.
Repetir este refrão duas ou três vezes.
Silenciar definitivamente a origem da sirene com recurso a um machado se necessário for.
Sair da cama quente e acolhedora para o chão frio e inóspito.
Ligar navegação automática até ao chuveiro mais próximo, com resmungo-saudação matinal aos restantes indígenas que possa encontrar no caminho.
Usar água, shampoo e gel de banho no corpo pela ordem certa e tentando conter o evento ao delimitado pela cortina.
Cantar música apropriada ao estado de espírito durante cerimonial dos lavabos.
Usar espuma, pincel e lâmina pela ordem certa (esperemos bem que sim) e sem proceder a cirurgias maxilo-faciais inesperadas.
Caçar vestes apropriadas pelo quarto na esperança de não ir trabalhar vestido de frade franciscano.
Saciar fome de urso com víveres saqueados na cozinha.
Lavar os dentes com a contenção necessária para evitar nariz, olhos, queixo e sobrancelhas.
Percorrer casa 4 vezes para encontrar elementos necessários para as tarefas do dia com a certeza de que alguma irá ficar para trás.
Sair de casa atrasado, sem tudo o que era preciso e regressar mais uma vez para trazer chave do carro.
Procurar carro na rua imitando o grito da gasolina para o atrair.
Conduzir de um modo perfeitamente, e escusadamente não fora o atraso, demoníaco através do rebanho.
Acompanhar tentativa de suicídio/homícidio de massas ao volante com música apropriada ao estado de espírito que pode muito bem já não ser o mesmo do WC.
Praguejar que nem um carroceiro caso encontre nabos/tansos/espertalhões pelo caminho.
Estacionar o carro a esmo no parque da empresa e avançar decidido para a dose inicial de cafeína.
Trabalhar, conversar, trabalhar, cafeína opcional, palhaçar, trabalhar.
Recrutar companhia para almoço, salivando alarvemente dada a fome de urso que entretanto regressou.
Conversar, brincar, cafeína, um pouco de sol e mais conversa antes de avançar cabisbaixo para mais uma dose de trabalho.
Trabalhar, conversar, trabalhar, cafeína opcional, trabalhar, palhaçar, trabalhar, já não rende, insistir, desistir.
Proceder a combinações para final de dia, distribuir saludos e despedidas pelos presentes, recolher items necessários para resto do dia.
Procurar carro com base no critério do pior estacionamento.
Recapitular dia e pensamentos válidos para recauchutar sob forma de post enquanto piloto automático conduz como um cossaco louco em direcção a casa.
Procurar habitat válido para carro de modo a não chamar atenção aos predadores verdes da EMEL.
Prosseguir do modo menos descrito nos planos do dia ou, ainda mais inesperadamente, de acordo com os planos.
Jantar de acordo com vontade do momento, entre o esbanjamento de um restaurante e a inspiração culinária.
Procurar companhia adequada ao estado de espírito, claramente já não o mesmo do WC ou da condução da manhã.
Combater o impulso irresistível da hibernação diária até não dar mais e rumar ao ninho após rituais de higiene apropriados.
Mergulhar num qualquer sonho, de preferência bom e que ainda não tenha visto.
Posted by Catarse at 13.7.07 8 comments
Ontem saí do trabalho e entrei no carro ao som de uma música alegre e bem disposta, o sol brilhava, ia correr um pouco para um parque com circuito de manutenção lá perto de casa e depois tinha um jantar porreiro no bairro com uns amigos, ou seja, basicamente, o dia até me estava a correr bem, na generalidade, e começou a nascer um post óptimo, muito positivo, sobre as coisas boas da vida...
Rolei ligeiro durante umas centenas de metros, ainda a pensar no texto que ia escrever, bem disposto e contente da vida, e saí da curva do IC30 em bom ritmo, com os pneus a chiarem alegremente, bem dispostos e contentes com o alcatrão debaixo deles, o motor a roncar num regime agradável, fruto da redução de caixa prudente que acompanhou a manobra e acenei, também alegremente e de uma forma perfeitamente cordial, com o dedo do meio para o carro de trás que devia queria trocar de faixa por cima de mim. Tudo dentro da rotina normal, portanto.
Qual o meu espanto quando, no meio de uma frase particularmente inspirada sobre aqueles bons sentimentos que nos aquecem por dentro e nos reconfortam, que renovam a nossa fé na Humanidade e fazem de nós melhores seres humanos, me deparei com uma infinidade de luzinhas vermelhas aos pares de três a olharem para mim. C******, exclamei de pronto, claramente ainda cheio de bonomia para com as contrariedades da vida, enquanto pisava firmemente o pedal do travão para imobilizar o carro mesmo antes deste ir conhecer de perto a traseira da pick up da frente.
Pensando na felicidade que me enchia a alma momentos antes, vi-me subitamente no meio daqueles testes rigorosos à paciência e boa vontade dos melhores entre nós: o belo engarrafamento do IC19, certamente motivado por um acidente. Ao ver passar o INEM que se esgueirava entre os carros que civicamente se desviavam, não pude deixar de admirar a dedicação destes profissionais à ajuda de terceiros e, pensei, espero que cheguem a tempo aos sinistrados. Reclinei-me no banco e prossegui mentalmente com o tal post sobre... sobre... ah, sobre a bondade e a alegria. Quando uma outra frase razoavelmente inspirada foi interrompida pelo soar de uma sirene da polícia, notei que nos últimos quinze minutos tinha percorrido apenas uns 100 metros. Que bela m**** de polícia que temos, pensei eu construtivamente, que nem sequer sabe desviar o trânsito para poupar tempo aos utentes das estradas, pagadores dos impostos que vão para os salários deles. E pus o rádio um pouco mais alto pois estava a dar o “Nothing but flowers” dos Talkings Heads que vinha mesmo de encontro ao teor do meu texto, com a noção de ecologia e a crítica ao urbanismo selvagem implícita. Cantarolando satisfeito e bem disposto os últimos versos da música dei lugar à troca de faixa do estúpido do lado que devia achar que os kms de carros enganadoramente PARADOS EM AMBAS AS FAIXAS à frente dele iam subitamente desaparecer com aquela manobra genial.
Ao ouvir o locutor anunciar a passagem das sete e meia um rápido cálculo mental relembrou-me que estava quase no mesmo local e que pouco me tinha afastado do sítio de onde partira naquela última hora. E que magnífico sítio era este para passar um pedaço da minha vida. E, raios partam, já não vou conseguir ir correr para o parque, para o meio das àrvores, em contacto com a natureza, com o ar puro... espera! Que cheiro é este? Ar puro não é certamente e só a bosta do escape do imbecil da frente cheira assim. Onde pouco tempo antes habitavam bons pensamentos (os que restavam e que mais uma ambulância de passagem se encarregou de escorraçar), vivia agora, alegre e bem disposto, um saudável ódiozinho rancoroso contra os anormais que não sabem conduzir e que se estoiram na estrada. Espero que estejam bem desfeitozinhos. Ou aprendem a guiar, ou se concentram no que estão a fazer ou andam mais devagar. Agora isto de me prenderem no trânsito é que não se encaixa nada na minha visão optimista da Humanidade. Palermas. Bom, onde é que eu ia? Ah, na parte em que acreditava nas pessoas, que há sempre um lado bom, que devemos confiar no potencial... f**** da ...! Isto é incrível... o parvalhão da mota, armado aos cucos a passar daquela maneira entre os carros!
E nisto passaram quase duas horas... foi-se a corrida... foi-se a paciência... e quando estava à espera de encontrar umas toneladas de destroços, um rio de sangue e óleo na estrada, corpos embebidos em aço, quando mal podia conter a expectativa de poder parar o carro para acender com o isqueiro os cabelos de uma cabeça decapitada, medir a distância e rematá-la colocada ao ângulo, ali mesmo na gaveta, para o banco de trás do carro que provocou o acidente, onde a mulher do gajo sem cabeça ainda estava a gemer agonizante numa poça de gasolina, acompanhada com o característico dizer do Figo, “Toma!” e ainda um “Que é para aprenderes! Para a próxima tens mais cuidado! Palhaço!” cuspido pela janela e gargalhando insano, acelerava loucamente rumo a casa, acabei por não vislumbrar ponta de uma ráspia, nem um parafuso que me explicasse o que me tinha deixado aquele tempo todo ali a pastar... Abri as janelas, acelerei e aumentei o volume do rádio, respirei fundo e pensei, alegre, bem disposto e feliz, que a vida é bela e deve ser sempre vista pelo lado bom, cheia de bons sentimentos, fé nos Homens, apreciada e gozada na sua plenitude!
Posted by Catarse at 12.7.07 13 comments
Verde ou preto! Tanto faz! Vi vários! Vi mesmo a outra versão um pouco menos rude, o grand cherokee (1as versões, quase iguais a este), mas a verdade é que nada mais havia a fazer e o carro encaixou em mim que nem uma luva! Andei num para experimentar! Ui! Se mais alguma coisa fosse preciso para me decidir era mesmo aquilo! Adorei! Já nem pensava em mais nenhum carro... aliás, há mais algum? Tadinho do meu Polo; sentia já a desilusão de quem foi trocado... Via o jipe em todo o lado... Londres estava pejada deles... Que loucura! Comecei a caça pelo exemplar perfeito, de site em site, de norte a sul do país... apareceram vários... excluí alguns... enviei mails... recebi telefonemas... fiz propostas... entregava o Polo sem remorsos para retoma, separando-me do carro que me tinha acompanhado por quase 50000kms nos últimos tempos... entretanto a estúpida da razão apareceu e começou a dizer que isto assim não podia ser, que um jipe tem manutenção mais elevada, que é mais difícil estacionar, que não anda tanto... argumentos muito válidos certamente mas que tinham ido bater à porta errada... "lamento" disse a emoção, "nós aqui não professamos essa religião!" e fechou-lhe a porta na cara. Ahhh! Antecipava já as minhas férias por terras alentejanas ao volante do meu TT! A escolha resumia-se a uns poucos que cumpriam com os requisitos... e eis que, sub-reptíciamente, a razão entrou pela janela e abriu um fórum onde dizia que os cherokees tinham problemas de sobreaquecimento! Que não eram fiáveis! Simultaneamente alguém próximo, com acesso a informação na área, a quem tinha perguntado sobre jipes, confirma isso mesmo. Insisti mais um pouco, não querendo acreditar que era mesmo assim... Mais uma machadada, desta vez possivelmente a final, chega sob a forma de um ex possuidor e grande fã desta máquina... Confirmou todos os maus créditos que o desiludiram até à venda... Pouco fiável ao nível de motor... A quase tudo a emoção resistiu, embora abrandando lentamente o seu avanço, mas desta vez... desta vez tombou... estou muito triste... a vozinha quase patética da emoção continua presente, inconsolável, sem querer acreditar que é mesmo verdade... "Pode ser que tenhas sorte e ao teu não lhe aconteça nada!", "É tããããão bonito!"... entre isso e ouvir a voz irritante da razão a dizer num tom paternalista "Eu não te disse? Eu já te tinha dito que era má compra!"... Odeio essa voz! Por um lado ainda me apetece ser do contra e comprar na mesma! Há um ano de garantia para usar! Nem todos têm este problema! Gosto tanto! Por outro, já me estou a ver parado numa estrada escura e deserta, sem bateria ou rede no telemóvel, a fazer uns kms a pé ao som da voz lamechas do grilo falante "Eu bem te avisei"... Mas porquê? Porquê que não posso fazer ou ter aquilo que realmente quero? Só porque sei antecipadamente que é certamente um erro? Não é coisa que me tenha detido antes... e há coisas que não têm explicação... Será que me vou meter num molho de bróculos? Cá estão os bróculos outra vez na minha vida... vou virar um jovem agricultor e cultivá-los (sem ser metaforicamente como tenho vindo a fazer)! E passo a andar de tractor!Posted by Catarse at 10.7.07 17 comments