sexta-feira, março 28, 2008

Os sete pecados magníficos... perdão, mortais

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra... ao contrário do que cada um de nós estará pronto a afirmar, não surge após esta frase nenhuma revoada de calhaus, seja para que audiência for proferida. Sempre prontos para afirmar solenemente uma qualquer qualidade camuflada de defeito como teimosia por persistência ou demasiado críticos numa espiral depressiva, é dificil ser assertivo numa auto-análise. Tomando como referência, por exemplo, os sete pecados mortais, temos:
Da minha parte, destes posso dizer been there, done that pelo que o meu lugar no Inferno estaria garantido se tal local ainda existisse. Claro que o grau em que os cometes importa e era importante aferi-los por uma qualquer escala para se poder ter uma melhor noção sobre o dito pecado. Por exemplo, por Gula nunca fiz mais do que ficar mal disposto. Por luxúria se calhar estava caladinho. Avareza é um ponto fraco da minha parte e teria muito a melhorar neste capítulo para poder garantir bilhete. Ira sim, um must; ainda que raros, tenho no cadastro uns épicos ataques de fúria daqueles que fazem ver tudo em vermelho sendo que, ultimamente, estou bem mais tranquilo. Soberba, sim, dado que não nego que gosto das coisas boas da vida, tanto materiais como imateriais. Vaidade, na óptica da minha óptima auto-estima, admito-a em certo grau. Quanto à Preguiça, já foi pior, bem pior, tendo agora uma dose razoável que me permite apreciar um belo fim de tarde espapaçado ao sol tranquilamente.
Como em tudo é a dose que faz o veneno e por isso, mesmo um pecado pode ser o tempero certo para condimentar uma vida demasiado insossa. Em demasia pode estragar tudo, pelo que todo o cuidado é pouco. É pecar, malta, é pecar. Mas com juízo! A redenção está à porta assim como o fim de semana! Aproveitem e depois confessem-se aqui!

quinta-feira, março 27, 2008

Adoro traidores. Detesto mentirosos, mas adoro traidores. Traidores à séria. Os que escolhem construir sozinhos o seu próprio caminho, contra as expectativas da família, dos amigos, do estado ou da religião. Esses sim, são os sozinhos. Os singulares, os que interessam. A traição, enquanto acto contrário às expectativas que uma instituição, ou pessoa tem de outra, é por definição sempre um acto de liberdade.

Selecção Nacional e a sua némesis

"Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilibrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é."

Deve ser por isto que volta e meia levamos uma coça destes gajos; para nos porem no nosso lugar. Bom, nunca sabem bem mas se há altura para uma derrota é num amigável. Agora aprendam com os erros para ver se não os repetem quando for a doer.

E que falta faz o Karagounis ao meio campo do Benfica...

quarta-feira, março 26, 2008

Democratite

Lindíssima forma de governo que funciona com base num pressuposto de que todos somos iguais no direito ao voto e na escolha de um governo eleito pela mairia mas que na prática e no nosso ainda demasiado imaturo sistema:
- Impede que falem mal dela própria por causa do papão do fascismo (que serve de areia para os olhos enquanto enchem os bolsos);
- Impede que falem mal dela porque é anti-democrático (parabéns pelo inovador conceito de pôr anti antes de qualquer forma de crítica a algo);
- Impede que falem mal dela própria porque não há outra melhor;
- Porque as assimetrias socio-económicas colocam demasiado stress num sistema que priveligia a igualdade;
- Porque o sistema fiscal é demasiado falível e permeável na distribuição da riqueza;
- Porque a segurança social é tudo menos segura;
- Porque há quem troque votos por sacos de plástico e electrodomésticos;
- Porque há crime sem castigo e a justiça há muito que deixou de ser cega;
- Porque há quem tenha elegido a Fátima Felgueiras, o Valentim Loureiro, o Alberto João Jardim e o Avelino Ferreira Torres, assista à pouca vergonha e ainda goste deles e venha para as ruas falar (Quem lhes deu o direito de expressão e o direito ao voto não os pode revogar por justa causa?);
- Porque os políticos mentem mais do que fazem e ninguém tem já paciência para os desmentir
- Porque a imprensa tem o rabo preso e cala-se ou diz o que lhe mandam;
-Porque já poucos se interessam (quem se pode dar a esse luxo) ou votam ou porque têm muito mais com que se preocupar dado o aumento do custo de vida;
- Porque enquanto não houver igualdade de educação e civismo o conceito não funciona porque os votos não valem todos o mesmo se não forem votos informados;
- Porque com a falência de todas as outras soluções governativas que faliram ou secaram perto do eucalipto democrático hegemónico, este reina agora soberano, incontestado e descontrolado (salvo uns poucos feudos ditatoriais ou utópicos ainda mais descontrolados) como qualquer monopólio.

My thoughts exactly

Só que para ser politicamente incorrecto, eu diria: quem nos anda a roubar?

Leiam isto.

Se o preço do barril de petróleo em euros desceu de 2000 até agora, por que é que o gasóleo custa agora mais do dobro do que custava então?

E quando o dólar começar a subir, será essa a justificação para que os preços dos combustíveis continuem a disparar?

Que roubalheira...

Hoje, ser politicamente incorrecto, é ter uma opinião precedida pela classificação de que a opinião que se segue é politicamente incorrecta. É assim, como, classificar de pintura tudo o que foi pintado, ou de cinema tudo o que foi filmado. Ser politicamente incorrecto é ser politicamente correcto. Por causa do advérbio. Os advérbios são as lulas da corte. Os moldáveis, os intriguistas, os traidores. Tal como os politicamente incorrectos. Prefiro o tipo substantivo. Calhau abrupto, burro, elefante parado, Bartleby, que só sai para a guerra quando sabe que pode perder tudo. Por isso, borrifo-me em ter opiniões sobre as contingências da governação, sobre ambiguidades das vontades ou sobre questões fracturantes. Prefiro ver saias rodadas, o medo de ser descoberto a fumar, a falta de preservativos, a tosse que o vinagre das saladas causa na garganta, as aftas dos outros, as bifanas gordurentas, os empregados do cinema, os mendigos na rua, as escolhas de comprar ou não comprar um carro, as hesitações e as palavras trocadas.

terça-feira, março 25, 2008

Só que na Islândia os sifões são mais caros

A Madeira pode vir a ser uma ilha sustentável. Mas apenas em termos energéticos. De resto, comparar a Islândia à ilha em que vigora o "andavas de jerico a vender sifões e agora és milionário", só por brincadeira...

(este post é uma experiência. se tudo correr bem, na página do Público linkada a Gabardina terá link de volta. Viva a tecnologia!)

O pequeno Necrotério Rêgo Grande Cólica de Jesus era coxo, anão, preto e albino (uma combinação raríssima e supinamente infeliz), cego, surdo, mudo, maneta, corcunda, vesgo, paraplégico, mongolóide, desdentado, gordo, zarolho, atrasado mental, careca, feio (mesmo sabendo que há gostos para tudo e que estes não se discutem, neste caso havia consenso generalizado sobre o quão hediondo era o rapazinho), sopinha de massa e gago (titubeava ciciante os gemidos incoerentes que a custo conseguia emitir entre rios de baba), tinha mau feitio, lábio leporino, síndroma de Tourette (felizmente era mudo e por isso não incomodava muito), acne, lepra, gases, sarna, artrite, renite, lúpus, sida, herpes, hepatite, doença de crohn, parkinson, alzheimer, unha encravada, halitose, pele oleosa, caspa e pulgas, era gay, judeu ortodoxo, fumava, ressonava, consumia gorduras saturadas e álcool, drogas, conduzia (a cadeira de rodas, claro) como um louco que, adianto, também era (paranóico - sempre que passava achava que toda a gente ficava a olhar para ele; e histriónico - adorava ser o centro das atenções) e votou Santana, Soares e Sócrates nas últimas eleições, não respectivamente. Mas acreditava piamente na reencarnação, razão pela qual tinha muita fé que um dia, nem que fosse na próxima vida, pertenceria a uma minoria mais feliz e menos discriminada. Teve azar. Nasceu portista.

segunda-feira, março 24, 2008

Blogar é uma forma de engate

Quando os mais ilustres assumem coisas semelhantes, não há por que o negar: este blog existe para o engate.
Ter este blog não é propriamente andar no Second Life, site que todos sabemos para o que serve. (Não quer dizer que alguns dos seus colaboradores não tenham por lá um avatar... a gerência não põe as mãos no fogo nem por ela própria). Ter este blog é, digamos assim, um meio termo aceitável e socialmente correcto entre ser uma pessoa estável, dedicada à família, e passar os dias fechado num quarto sombrio, a fumar, sem tomar banho, a tentar convencer desconhecidas a fazer sexo via messenger.
Apesar dos textos mais ou menos artísticos, da preocupação estética e da oferta musical, textos e caixas de comentários, títulos e sitemeter servem um único e nobre propósito: o engate.
A julgar pela reportagem sobre o Second Life, e exclusivamente em termos de eficácia, este blog tem-se revelado um acertadíssimo investimento.

Números de telemóvel nesta caixa de comentários. Na ausência de forma de contacto, uma leitura mais demorada poderá ser encarada como tentativa de aproximação e o teu IP investigado exaustivamente até que cheguemos até ti. Volta sempre.

Em defesa da pena de morte

Foi já com os eléctrodos bem ferrados nas pernas, logo após me terem perguntado se queria dizer mais alguma coisa que tudo começou. Começar é uma forma de dizer, já que o meu fim estava, de facto, à distância de uma descarga eléctrica. Mas começava, começava mesmo. Começava a consciência de que ninguém pode levar tanto da vida impunemente. Ninguém pode amar, como eu amei e sair sem arranhadura. Por isso, começava, começava depois da pergunta da última vontade, o sentido que faltou ao tribunal humano, cheio de erros e equívocos, de advogados e juízes. Eu era pobre: estava no sítio errado: fui condenado em três tempos. Mas agora, agora mesmo, no espaço de tempo em que a descarga eléctrica já saiu do interruptor, mas que ainda não me atingiu, agradeço, dou graças, comovido, graças ao Juiz vesgo, ao advogado incompetente e, principalmente à vontade humana de ter culpados. O meu fim, torresmo, é o merecido. Se morresse naturalmente o meu cadáver sublimar-se-ia pela potência do amor que dei e recebi.

Delico-doce

Ultimamente anda tudo em bicos dos pés para não pisar calos a ninguém, sempre com falinhas mansas e linguagem cuidada, uma criteriosa escolha de palavras e expressões para não ferir susceptibilidades que, muitas vezes, nem sequer são assim tão fáceis de ferir e só por andarmos com todos estes rodriguinhos e cerimónias se tornam florzinhas de estufa.
À menção de qualquer tema minimamente polémico logo saltam associações e comentadores profundamente indignados e ofendidos com a abordagem menos própria. Com tantos paninhos quentes torna-se difícil conseguir dizer seja o que for sobre qualquer tema com medo de ultrapassar uma fasquia que se vai tornando cada vez mais alta nessa selecção. O cuidado com as minorias deve ser uma preocupação, claro, mas sem cair no ridículo de ofender pela redução ao indefeso.
Sempre houve, há e continuará a haver temas mais sensíveis, mais polémicos, mais delicados mas há, na minha opinião, mais vantagens numa abordagem descomplexada e aberta, mesmo correndo o risco de melindrar alguém, do que num chove-não-molha morninho que não leva a lado nenhum.
A primeira vítima deste tipo de discurso é o sentido de humor que, limitado e agrilhoado por todas estas convenções, mirra e definha, num ciclo vicioso que leva a mais cinzentismo e ainda menor capacidade de encaixe e de, muito importante, rir de nós próprios. Não tarda nada estamos uns suiços. Rigorosos, mecânicos, perfeitos, inflexíveis. E sem pontinha de graça ou interesse.
Vamos! Venham daí piadas sobre maricas, pretos, sportinguistas, gajas, surdos, aleijados, católicos e alentejanos. Mas também sobre garanhões, brancos, portistas, gajos, cuscos, atletas, mórmones e lisboetas. Qualquer tema é um bom tema desde que abordado com inteligência e que provoque um riso saudável típico de uma mente aberta e descomplexada. Não há assuntos tabu. Excepto, claro, o Glorioso! E a correcção gramatical das minhas frases de 14 linhas. Isso é que não!! Com essas coisas não se brinca!

domingo, março 23, 2008

I/E/migrações

O plano era simples. Agarrar o borrego pelas patas da frente e hipnotizá-lo com uma chispa de lume. Depois: corte rápido: batatinhas: cebola: forno muito quente e prato. Assim mesmo. Porém, o borrego era gado fino. Patinha tratada no salão do Rolo. Gravata de seda. Fato estilo colonial de linho egípcio. E, um cachimbo aromático que, pensei – mal – ser o tempero. Eu, que sirvo refeições desde o século de Péricles, tenho, como podem imaginar, visto muitas coisas, mas um borrego com ares de David Livingston… Sentei-me muito convictamente, e com a segurança que a experiência de servir à mesa há 25 séculos inevitavelmente trás, olhei bem nos olhos do bicho. O borrego que não era burro nenhum, e que, já cá deve andar há tanto tempo quanto eu, percebendo a minha hesitação, pisgou-se. Cabisbaixo e derrotado, sentei-me ao canto da cozinha à espera de uma epifania que me salvasse o almoço de Páscoa. E foi então que recordei o Morrison. “Esta semana no Pingo-Doce, lombinho de sangacho em tomatada e coentros só 99 cêntimos”.E, mais que a conveniência do preço, apreciei o estar morto. Pois, se são conhecidas as manhas dos borregos, as do sangacho são as mais temidas. Há aliás uma história…

sexta-feira, março 21, 2008

epifania do dia

“Acredita porque é absurdo.” disse Søren Kierkegaard, à pequena rapariga que se preparava para saltar para o outro lado do arroio. A rapariga decidiu dar trela ao velho rebarbado. Estalou os dedos sem razão aparente; disse: duvidar é já acreditar. Kierkegaard arregalou muito, muito, muito os olhos remelosos, fez o esgar do coiote que pisa a bomba que preparou para o Bip-Bip e epifanou-se para um país do sul. Hoje, gere uma pequena empresa de ferro-velho, lá para os lados de Espiche. Consta que gosta de meixão e que não perde as promoções do LidL de Silves.

quinta-feira, março 20, 2008

Não estou de Acordo!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990

http://orto.no.sapo.pt/

Sinto-me um imigrante dentro do meu próprio país quando já não reconheço a minha própria língua. Não bastando os constantes atropelos que a vejo sofrer no meu local de trabalho, coisa que, confesso, me arrepia de um modo que roça a intransigência, levando-me, por vezes, a não conter algumas respostas irónicas que me poderão um dia sair caras ou a ferir os sentimentos de alguém (como é que se corrige alguém que passa o dia a dizer "fostes" sem a clássica resposta, que, aposto, passaria despercebida, "Reparastes? Já não digo vistes!"), arruinando o bom ambiente de trabalho que tanto custou a construir, atropelos esses cometidos tanto por quem vive no topo da pirâmide como pela base e ainda, vantagem duvidosa bem sei, com o bónus de chacinarem também o inglês quando a sede de sangue gramatical não fica saciada com a barbárie cometida contra a língua materna, somam-se-lhe ainda os autênticos estrangeirismos nacionais como pips (people, malta, turma) e cubs (cubo, cubíbulo, casa), estes oriundos desse glorioso viveiro onde se reinventa e renova constantemente a língua de Camões, a margem sul.

Não querendo ser um velho do Restelo nesta ou noutras matérias e sabendo que a velocidade das mudanças (sociais, económicas, tecnológicas,...) tende a aumentar de dia para dia na nossa sociedade, deixando rapidamente para trás os cadáveres (metafóricos) ressequidos e esquecidos de quem não se adaptou, custa-me a aceitar sem uma razão solidamente sustentada toda ou qualquer mudança só porque alguns (aos quais não reconheço superiores competências na matéria) decididaram que seria assim e, quase exclusivamente, por critérios economicistas ou de suposto fortalecimento e união dos falantes da língua. Admito alguma nostalgia ligada aos meus argumentos, assim como algum receio de ter de reaprender noções e conceitos que dava como adquiridos para sempre mas que me interessa se passamos a ser muitos mais a usar algo coerente e consistentemente se o que iremos usar é, para mim, menos rico e de pior qualidade? E porquê tamanha aproximação ao brasileiro (sendo que não tenho nenhum sentimento contra aquele país ou língua, bem pelo contrário até por causa das minhas próprias raízes)?

Ninguém pára para pensar? Ou melhor, ninguém para para pensar?

(Versão 2.0: Correcção de um erro gramatical graças à atenta revisão de um anónimo leitor. Vide comentários anexos)

quarta-feira, março 19, 2008

Futebolices

Tozé Marreco, avançado que emigrou (como tantos outros jovens portugueses em busca de melhores condições e por falta de apostas cá dentro) para o FC Zwolle da Holanda, foi convocado para a equipa de sub-21 de Portugal.

Também o Garrincha era coxo e não foi por isso que foi pior jogador ou que o empurraram para fora do Brasil mas a infelicidade do nome, simultaneamente prenhe de alma lusa, Tozé, e de um peso nos ombros, Marreco, é demasiado grande para não nos compadecermos dele.

Força, Tozé, estamos contigo! Aposto que vais carregar a equipa às costas! Ou isso ou se falhas o golo decisivo és rapidamente promovido a Areias, o camelo, mas só com uma bossa. Seu dromedário!

Em Portugal, os estrangeiros dividem-se em dois grupos: nos que têm dinheiro, e nos que não têm. Os primeiros, são turistas, os segundos, são ilegais. Aos primeiros: hotéis, acessibilidades e moças simpáticas de menu nas mãos, aos segundos: camaratas limpas, fronteiras e jagunços de menu nas mãos. Para mim os estrangeiros em Portugal deviam ser divididos em dois grupos: os que dizem p´jama, e os que dizem pí´jama. E isto logo na fronteira. Haveria um palanque, o estrangeiro subiria ao microfone -com malas e tudo-, e uma voz perguntaria: Dizes p´jama, ou pí´jama? O estrangeiro responderia e, era de imediato dirigido para a fila da esquerda ou da direita.

terça-feira, março 18, 2008

Portugal, que imigração?

Vamos imaginar um tipo na Roménia. A vida está má. Não dá pra comer. O Munteanu - vamos chamar-lhe assim - decide emigrar. Decide emigrar para um (outro) país da União Europeia, onde se viva melhor. Parece-me lógico. Fica perto e deve ser um dos melhores sítios no mundo para se viver. Presumo que alguém que decide emigrar não escolhe o destino à sorte ou comprando o bilhete mais barato da Ryan Air. O Munteanu informa-se. Presumo que escolhe de acordo com as coisas que mais valoriza. Presumo que faça uma lista dos países da UE e ponha uma cruzinha aos três ou cinco países melhores em cada categoria. País mais tranquilo: Luxemburgo, Finlândia, Dinamarca. Pais com salários mais altos: Inglaterra, Alemanha, Suécia. País com mais protecção social: França e nórdicos. País com mais sol: Grécia, Itália, Espanha, Portugal. País com menos desemprego: Irlanda. País com mais crescimento económico: Irlanda, Espanha. É difícil (impossível?) imaginar um cenário em que o resultado desta análise indique como melhor país para emigrar: Portugal.

O que me leva à conclusão de que quem imigra para Portugal à procura de melhor vida ou é uma pessoa que não se sabe informar ou tem critérios muito estranhos. Ou seja, ou o Munteanu é uma pessoa muito inapta ou procurava um país com baixos salários, pouca protecção social e muita corrupção. Só assim se explica que tenha vindo parar a Portugal.

segunda-feira, março 17, 2008

Fazer vida longe. Reconstruindo cumplicidades com o homem do café. Interpretando os ruídos dos vizinhos e, catalogando como estão catalogadas as borboletas os hábitos dos outros. O velho de pantufas que ainda está a atravessar a passadeira, as flores de plástico em cima da mesa, a ordem dos livros, ou a falta deles, o chiar do chão, e o cheiro do eventual cão. Sim, porque há muitos cães eventuais e viver com pessoas efectivas. Fazer vida longe, é necessário ter uma vida perto. É necessário ter o Cohen sabido, o Reed esquecido, o Chico no mp3 e o Art e o amigo bem escondidos. Para se ser imigrante, para se imigrar para uma cidade, para uma pessoa, para uma profissão, para uma religião, é necessário ter os tarecos bem arrumados.

Longe de casa?

2 anos e 4 meses depois, a minha casa é Lisboa. Já o disse anteriormente mas sinto-o cada vez mais e não vejo um retorno à base a perspectivar-se como possível. Depois de umas quantas atropeladas mudanças e de perder um pouco a noção de onde era a minha casa - a Amadora nunca convenceu neste papel -, começo, numa perspectiva mais alargada da coisa, a ver Lisboa como o sítio que reconheço como lar. Home is where the heart is, pelo que, nesta ordem de ideias e sabendo que o meu neste momento nem me pertence por inteiro, é aqui que me sinto bem e onde quero ficar.
O estatuto de imigrante implica um afastamento do local onde estamos em casa e para onde queremos voltar, sendo que, neste momento, me sinto muito mais deslocado quando rumo a Coimbra (é um deslocado relativo, claro, porque estão lá família, amigos e locais cheios de memórias que não me deixam ser-lhe indiferente) do que aqui.
Uma vontade de sempre, a de sair do país, nesta altura deixa de fazer sentido, até porque há, agora mais que nunca, alguém que me faz querer muito ficar por cá e uma série de planos a solo ou a dois por concretizar. Tudo na vida são conjunturas pelo que não é possível fazer futurologia (e acho que quanto mais damos algo por certo mais certo é que se esfume logo a seguir) mas, tanto quanto me é dado perceber, o imigrante (re)encontrou o seu lar.

domingo, março 16, 2008

Pensar o cinema segundo o critério da escassez: um cinema – recurso e um cinema – visão. O primeiro existiria enquanto arte, na medida em que mostra a condição humana através de valores de produção (actores, decores, pós-produção etc...). O segundo, cinema – visão, evitaria propositadamente aqueles valores de produção, para ser arte na medida em que em vez de se limitar a mostrar a condição humana, a interpreta segundo um determinado ponto de vista. Assim, no primeiro ressaltará o que se vê na imagem, e, no segundo, a visão de quem produziu a imagem.

VW Polo


100.000 kms e 10 anos depois chegou ao final a nossa relação. Tanto passeio, tanta viagem, risos e lágrimas, sustos e surpresas, fases boas e más, por tudo isto passei ao volante do JT. Agora é altura de dizer adeus e escolheres um novo dono. O motor 1.0 a gasolina que me locomoveu durante estes últimos tempos tem tudo para fazer outro tanto, fiel e regular como sempre. De mim ficam só boas referências para quem as quiser ouvir.

1500 euros são um valor escasso para tanta memória mas a vida é assim mesmo...

sexta-feira, março 14, 2008

Homens & Mulheres

Li num blog chocolateiro o desabafo de uma amiga sobre o relacionamento entre homens e mulheres. Nem a dita miúda é burra nem acredito que se preste muito a desempenhar tal papel. Por outro lado, há coisas que não são mesmo para perceber ou para meter a foice em seara alheia.
Salvaguardado este ponto, acho que já não vivemos (este nós refere-se principalmente a pessoas da minha geração, cultas, instruídas, inteligentes, emocionalmente estáveis e, no geral, urbanas e evoluídas) numa altura em que se possam manter ou encarnar de livre vontade esses chavões de burras e machistas. É certo que cada um tem aquilo que (faz por) merece(r) e só se mete nas merdas quem quer, pelo que, ultrapassada que está a queima dos sutiãs dos anos 60 (mesmo dado o habitual lag da tradicionalista e conservadora (se calhar mesmo só inerte e preguiçosa) sociedade Portuguesa quanto aos hábitos, usos e costumes) e lutas pela igualdade de deveres e direitos, é tempo de partir para a assunção honesta das diferenças existentes entre géneros, quanto a mim a única e verdadeira maneira de respeitar todos por igual, para facilitar o diálogo que, de vez em quando, parece estar a ser falado em línguas completamente diferentes pelas partes envolvidas. O respeito mútuo, a confiança (tão difícil de recuperar uma vez perdida) e a compreensão são pilares sobre os quais assenta uma relação seja ela de que cariz for e não há, para mim, espaço para imposições autistas lado a lado com amor, amizade e carinho.
Felizmente, a cada dia que passa e por força das imutáveis leis de "mercado", procura e oferta, e se não faltar força de vontade, personalidade e carácter, escasseiam estes dinossauros que caminham para a extinção ou para nichos muito reduzidos.

quinta-feira, março 13, 2008

Viking - Strip Bar

Por ocasião da festa pós-ante-estreia dos passaroucos enamorados, calhou por força do destino e das circunstâncias que o cast & crew do filme rumasse ao Cais do Sodré e a este antro em particular. O contraste entre a entourage cinematográfica e os frequentadores habituais do tasco fazia lembrar uma sopa passada com pedaços. O caldo era semelhante mas os legumes inteiros destacavam-se. Mais ainda se destacava uma tríade de dignos personagens entre os locals:

Um Patrick Swayze em versão marinheiro tatuado, degradado e drogado que dançava de braços cruzados sobre o peito, gesto de rockeiro com dedos em riste nas mãos e ar de concentração introspectiva enquanto entoava para si as letras profundas da playlist infernal que emanava da cabine do DJ.

Um ser híbrido de cabelo à la actual Nick Cave revamped para mais careca e mais poupa, óculos dourados redondos, semblante enigmático, olhar perdido e um viveiro de herpes simplex, duplex e triplex em que insistentemente remexia num tique obsessivo-compulsivo.

Uma stripper, Vivianne, mecânica e sem réstia de sensualidade, em regime de exibição despudurada em palco desmontada à saída em pêlo pelo meio da assistência por entre olhares provocadores para a cabine do DJ e um sorriso confiante de quem tem, pelo menos parte, da assistência masculina refém do seu tarimbado corpo.

Decadente. Ambiente estranhamente familiar para a fauna de habitués residentes. Degradante. Pleno de histórias, estórias e personagens absolutamente cativantes e fora do normal. Depravado. Atraente e repulsivo ao mesmo tempo na óptica do observador.

Escasseava por lá classe, nível, sensualidade, limpeza, elevação, dignidade, aprumo, saúde física ou mental.


Apesar de haver escassa a informação sobre esta banda, posso garantir que os rapazes são simpáticos, têm um som sério e que gostam do que fazem. Será por isso um gosto o concerto de hoje no Music Box, numa das ultimas zonas sérias de Lisboa: o cais do Sodré.

quarta-feira, março 12, 2008

Benfiquices

Ultimamente tudo escasseia para os lados da luz.
Boas exibições. Vitórias. Pontos. Golos. E ultimamente até jogadores (7 indisponíveis, 3 dos quais titulares indiscutíveis entre os quais a dupla de centrais titulares e o melhor marcador, para o jogo de logo num plantel de 25 fazem alguma mossa) e treinador...
Seja como for, do outro lado a coisa também não está fácil para Laudrup, com poucas escolhas disponíveis e a cantera a ter também de colaborar para a elaboração da lista dos convocados.
O apoio, como sempre, mantém-se porque a vitória é o único caminho!
O palpite:
Quim; Leo, Katsouranis, Edcarlos, Nélson; Rodriguez, Petit, Rui Costa, Maxi; Nuno Gomes, Makukula
Do banco sairão: Sepsi, Mantorras e Di Maria para os lugares de Maxi, Nuno Gomes e Makukula
Marcadores: Rui Costa, Makukula e Mantorras. De La Red pelos espanhóis.
E que o resultado não peque por escasso!

terça-feira, março 11, 2008

Exposição

A escassez é, não só o critério de valor mais utilizado, o que significa que uma coisa valerá mais ou menos, não pelas qualidades próprias que possui, mas, pela circunstância acidental de ser ou não abundante, mas também e necessariamente a contrario, mecanismo que extingue o valor do seu antónimo abundante. Tentarei exemplificar.

Muy raro, tio...

Como sinónimo de escasso, raro é, em português, muito utilizado mas toma em espanhol um outro significado, similar é certo, mas mais positivo. O de precioso.
Nesse sentido, temos que há coisas verdadeiramente raras nesta vida às quais nem sempre damos o valor que merecem. Tal costuma suceder apenas quando nos faltam, quando não estão, como sempre esperámos que estivessem, lá. Ou quando se tornam escassas.
Por outro lado, é certo que sendo o que é demais moléstia o que é de menos também não é bom. Pode argumentar-se que a necessidade estimula o engenho mas pode acabar por aparecer uma solução imprevista. Em resumo, a dose faz o veneno, frase lindíssima retirada de uma aula de bioquímica perdida no tempo.
Como o tempo é escasso e o trabalho abunda, de momento não vai dar para mais.

segunda-feira, março 10, 2008

Ser escasso

Há palavras que se usam noutras línguas em sentidos que fazem falta à língua portuguesa. Uma delas é o italiano scarso que, correspondendo também ao português escasso, é muito utilizado para definir a insuficiente capacidade de alguém para desempenhar determinada função.
Muitas vezes me apetece dizer que o Luís Filipe Menezes é escassíssimo como líder da oposição, que a Ministra da Educação é escassa ou que o Ronny enquanto lateral esquerdo do Sporting é notoriamente escasso. Na falta deste sentido, sou obrigado a utilizar substitutos não totalmente satisfatórios, como idiota, desastrado e incapaz. Não respectivamente.

Não tanto escassa como mal distribuída

Disse David Hume que a escassez era a fonte de todos os conflitos. É uma maneira de ver as coisas. Outra pode ser a má distruibuição. Face à crescente inovação tecnológica que permite a exploração de matérias primas cada vez mais distantes ou anteriormente consideradas não rentáveis ou inatingíveis (no limite fora do nosso berlinde azul) e ao aumento do uso de energias renováveis, inesgotáveis por definição, será válido manter esta premissa? Penso que não e que passará antes pela desigualdade na acumulação e controlo de certos bens e serviços, essa sim alimentada por algo aparentemente ilimitado: a ganância humana. Concordo que, para já, vivemos "presos" neste mundo cada vez mais mundinho e que importa ser racional na utilização de alguns recursos como a àgua potável (cuja privatização, da rede pública, adianto, vejo como perigosa e sem retorno), sob pena de assistirmos ao encarecimento dela até se tornar num bem de tal modo caro que o seu uso sem restrições se torne apanágio dos ricos e poderosos e se transforme (como de certa forma já o é na agricultura e indústria) num factor limitante para o desenvolvimento e mesmo para a sobrevivência, à imagem do que vimos em grandes filmes (premonitórios?) como Mad Max ou no fiasco Waterworld.

Escassez e neurose

Os denominadores comuns que encontro na geração a que pertenço são a escassez e, por via dela, a neurose. Houve, em tudo o que passei, sempre a nota de escasso, de recurso a disputar, de limitação. Uma voz a dizer “não há para todos” e violentar os que ficam de fora. Falo das vagas para entrada na universidade, dos elegíveis estágios profissionais, dos empregos, da segurança social, do serviço de saúde, enfim…tudo o que a geração anterior teve em barda, mas que resolveu apresentar à minha como escasso. Por isso, há na geração a que pertenço, uma permanente sensação de risco, de medo de perder do que há pouco. Uma permanente neurose, que resulta da impossibilidade de ter mão na escassez. Mais importantes que a traição que os pais do estado social fizeram aos seus filhos, serão as consequências que essa terá no futuro.

sexta-feira, março 07, 2008

Gostar de pés

Há quem adore. Não eu mas, por exemplo, o Tarantino. E essa fixação do Tarantino traz-nos desgostos, como os feios pés da Uma Thurman, em grande plano no Kill Bill. Os pés dos filmes do Tarantino aqui.

Levar ou dar com os pés

Faz parte. Acontece. Quando uma relação, seja ela de que índole for, corre mal eventualmente é algo que sucede. Sim, é triste. Sim, custa. Mas, tantas vezes, é mesmo a melhor coisa que se pode fazer ainda que não seja fácil ver isso na altura. Para "ambos os dois". Para quem dá com eles porque chegou ao limite, para quem leva com eles porque não faz sentido querer ficar com quem não quer ficar. Do choque nasce a mudança e uma vontade de melhorar, uma oportunidade para crescer, para nos reinventarmos. Às vezes perpetuamos uma relação apenas por comodismo, por inércia, pela manutenção do status quo. É a paz podre só para evitar a convulsão da ruptura. Mas a ruptura pode ser boa e até necessária para avançar, para evoluir.
O mais importante nestas alturas de perda é assumir o sucedido, recuperar a auto-estima, sarar o orgulho ferido e levantar a cabeça, mais que não seja pelo simples motivo de não valer a pena querer quem não nos quer, ficar com a pessoa errada e porque o sentimento tem de ser recíproco (mais a mais, por vezes gostar, mesmo que seja muito, não chega). A quebra dos hábitos e das rotinas é sempre dolorosa mas não é por adiarmos algo que o problema se resolve. E mais vale resolvermos o problema nos nossos termos e calendário do que esperar que ele se resolva por si ou por terceiros.
Claro que falar é fácil mas, por muito que pareça impossível perceber isto no momento em que ocorre a ruptura, o passar do tempo ajuda imenso e há sempre amigos e farras para ocupar o espírito e ajudar no processo. Também é necessário fazer uma auto-avaliação para ver quais os pontos a melhorar, se os houver, quais os erros cometidos, para evitar cometê-los de novo, e avaliar compatibilidades, para não sair outra fava na rifa. Por muito difícil e frio que isto pareça, as feridas saram, a disponibilidade para novo envolvimento emocional ressurge e, com sorte, sem forçar nada, acaba por aparecer outra pessoa. Com muita sorte, a pessoa certa. Aquela com que apetece ficarmos para o resto da vida. Aquela que faz todo o sentido e que dá sentido a tudo.
Eu sinto-me com sorte, com muita sorte mesmo. Isto apesar de ontem, no jogo de futebol das quintas, me terem dado com um pé. Aliás, com mais do que um pé. Vendo bem, deram-me cabo de um pé. Mais precisamente, acho que me partiram um dedo do pé. Hélas. Faz parte...

quinta-feira, março 06, 2008

PES - Pro Evolution Soccer

Ou, como o conheci originalmente, Winning Eleven. Muito, muito bom! Talvez até, nas últimas versões, demasiado bom, demasiado completo, se isto pode ser um defeito, tornando-se menos rápido ou intuitivo o domínio sobre as capacidades do jogo, o que acaba por exigir mais empenho e horas de treino para se poder efectivamente usufruir plenamente desta pérola da programação de simuladores de futebol.
Relembro as horas passadas em frente à televisão (com este e com outros jogos, inclusivamente um certo fim de semana, de sexta a domingo, em que a minha realidade se transferiu para o interior do fabuloso mundo do Final Fantasy IX com grande frustração por, independentemente de apenas ter feito curtas pausas para comer e dormir, não ter sequer terminado o primeiro dos três CDs) a ganhar calos nas mãos e entoando já com um razoável domínio da pronúncia japonesa os cânticos dos adeptos da J-League. Kashima Antlers, Sanfrecce Hiroshima, Urawa Reds...
Ossoiotoiossoiotoio! 出場停止選手のお知らせ!!! Goooooooool!!

Hoje ao norte, 12 ao sul, 13 em todo o lado

The LoveBirds

Corto uma unha do pé. Os sistemas têm o doce desespero da inclusão total. Limo uma unha do pé. Os fechados, mas também os abertos, pois estes têm na definição de fronteira, outra vez o doce desespero da inclusão total. Raspo um calo do pé. O mecanismo de inclusão que mais me comove nos sistemas fechados é o argumento a contrario, pois exige que se postule uma dualidade absoluta entre o que está dentro e o que está fora. Tiro um espigão da mão.

quarta-feira, março 05, 2008

Pés p'rá cova

Os últimos suicídios e acidentes mortais em Portugal fazem-me lembrar o caso JFK, em que as testemunhas-chave tinham o estranho hábito de se suicidarem com tiros na nuca.

terça-feira, março 04, 2008

O glorioso mundo dos PEZ

A elegância tem sempre pés de barro.

Só tem pés de barro o que não é de barro. Se de barro fosse, não se falaria nos pés.

Ter pés de barro, é, na verdade só ter de barro os pés. Por isto, gosto dos de pés de barro. Fortes e frágeis: a derrubável e gentil força.

segunda-feira, março 03, 2008

Dependente e

Inútil é o que me sinto por não conseguir calçar a próprias meias ou atar os próprios atacadores. Ainda que seja temporário e por um breve período, serve de lição aos 31 anos: tudo fazer para chegar aos 131 conseguindo tocar sem dificuldade nas pontas dos pés.

Happy feet

Provavelmente os pés mais habilidosos do mundo, e que serão em breve também os mais bem pagos, os de Cristiano Ronaldo continuam este ano a mostrar que nem só de malabarismo vivem, com a veia goleadora que, aparentemente apenas por decisão sua - do género, ai são golos que querem?, - decidiram mostrar para coleccionar mais um recorde - o de Gerge Best, com 32 golos numa época, juntando a essa uma forte candidatura aos prémios de melhor marcador da Liga Inglesa, Liga dos Campeões e Bota de Ouro Europeia. O que mais será preciso para calar as eternas críticas de vaidade e arrogância, claramente coisa de quem não tem mais nada que lhe apontar na sua área específica de especialização em que se mostra como o melhor do mundo que sempre assumiu, com justas pretensões, que quis ser e tudo tem feito para lá chegar? Será assim tão necessário mascarar o seu brilho com uma falsa modéstia que, diga-se, a ser usada seria, certamente, também alvo de maledicência? Auguro-lhe para este ano, para além dos títulos individuais, a conquista da Premiership e da Champions. E já agora, venha daí o Europeu para verem o que é bom para a tosse. O puto é bom. É muito bom mesmo. É, neste momento, o melhor do mundo - a recente atribuição do imerecido terceiro lugar pela FIFA mais não fez que espicaçar-lhe o orgulho, pelo que agradecemos - e ponto final. Aliás, ponto de exclamação porque ele merece!

sábado, março 01, 2008

Deusa

A eterna questão sobre se Deus existe parece esquecer um pormenor importante: o género!

Porquê esta insistência num Deus masculino e que criou o Homem à sua imagem e a mulher a partir de uma costela deste? Este masculinocentrismo que prespassa toda a civilização ocidental bem que já ia dar uma volta ao bilhar grande... É que bem vistas as coisas, não podemos falar de uma representação plena da Humanidade sem mencionar os dois lados que a compõem, o yin e yang, o masculino e o feminino. Não somos uma sociedade matriarcal mas longe vão os tempos em que à mulher era apenas reservado um papel secundário nesta trama. Entenda-se secundário, mesmo nesses tempos, como apenas aparente porque mesmo (e a maior parte das vezes é mesmo assim) os maiores machistas caem derretidos (ainda que a maioria apenas no retiro escondido do lar) aos pés da eleita do seu coração. E vice-versa (sim, nada de feminismos exacerbados porque isto vale para os dois lados).

Pessoalmente assumo que posso até ter algumas dúvidas teológicas por resolver mas não tenho nenhuma dúvida sobre quem é a minha Αφροδίτη.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Há Deuses e há deuses...

Reconfortado por saber que o mundo apesar de injusto por vezes o é a seu favor, Catarse

(a continuar assim vou mesmo começar a falar de mim na terceira pessoa no dia-a-dia, do género: - Então Catarse, o que vais almoçar? - O Catarse hoje quer lasanha. Sim, o Catarse tem fome. Ou, melhor ainda, acumulado com o plural majestático: - Então Catarse, o que vais almoçar? - Nós, o Catarse, queremos lasanha. Sim, nós, o Catarse, temos fome. Vai, ou melhor, nós, o Catarse, vamos ser um sucesso no refeitório da empresa!)

abeirou-se (lindo exemplo de Português regional) do balcão e afastando as unhas da Cremilde ainda solidamente ligadas ao resto da sua mão, por sua vez solidamente ligada ao resto do seu braço, por sua vez solidamente ligado a coisa nenhuma, de cima do teclado, puxou-o para si, o teclado e não o braço da Cremilde, que seguiu no sentido contrário, esparramando-se em cima do manual de acolhimento da empresa curiosamente com o dedo médio ostensivamente estendido e ornado de uma unha impecavelmente tratada e pintada.
Virou o monitor para si e começou a tentar perceber onde tinha entrado. Enquanto carregava a homepage, observou o logo enigmático que pendia da parede ao fundo da recepção e repetido no wallpaper do computador e que parecia representar um homem a escorregar numa casca de banana, segurando uma rebarbadora ligada que parecia escapar-se-lhe das mãos em direcção a uma betoneira que passava mesmo ao lado de um depósito de munições estrategicamente situado sobre uma falha tectónica mas isso não fazia sentido nenhum.
“Ah! Já está. - pensou - ?!?! (se já tentaram pensar em sinais de pontuação, posso afiançar-vos que parece mais fácil que é) Afinal até faz algum sentido...”
Ao que parecia tinha entrado na sede social de um Deus. O Deus do acaso das pequenas coisas aparentemente insignificantes mas que afinal se revestem de extrema importância por uma muito improvável mas inexorável sucessão de acontecimentos encadeados. Coincidentemente ou não, ali dentro era impossível afirmar tal coisa com um grau de certeza satisfatório, Gaspar escolheu esse momento para assomar a sua mui divina cabeça de dentro do bolso onde (também) estivera, certamente absorto na sua omnipresenço-potênço-sapiência a governar o tudo ou a jogar PlayStation8, sim ele já a tem e não, não faz por ganhar sempre ainda que por vezes caia na tentação de usar cheats como vidas infinitas, uma escolha curiosa para um ser imortal - para simplificação narrativa, abster-nos-emos de voltar a mencionar estas características divinas da Minhoca, excepto nos casos em que tal for pertinente para o desenrolar da história e me apetecer ter a maçada.
“- Xiii... onde vieste parar... tá bonito isto!”
E voltou, fisica e metaforicamente para acentuar a frase, para dentro do bolso.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Recordo as intensas ânsias que corroíam os convivas. Os olhares trémulos de antecipação à porta da cozinha. E, o silêncio em que os últimos dos teofagos aguardavam a chegada do repasto. Puff ! som do gás a desligar, “bolas está quente”, paf-paf as portas abrem-se… “Cheguem-me uma base que isto queima a mesa”.” Uma concha, para o molho”, “pão, mais pão”. Estavam esta meia dúzia de almas nestes preparos quando um piano, sem razão aparente, sem dó maior e com um pedal torto, emitiu um Mi de sétima, no 44º do prédio sede da Toshiba em Tóquio. Porém, esta nota durou 2 horas e por isso quando regressamos ao regueirão dos anjos, Deus cozinhado num refogado era já memória na cabeça e betume nos estômagos destes meninos.

Cosmogonias

Ontem alguém tentava refutar a ideia de Deus afirmando que tudo isto não passava de uma imensa cadeia de interacções acção-reacção demasiadamente complexas para as podermos abarcar de uma só vez. O argumento era que, existindo algo, ou alguém (assim a puxar para o género divino era uma ideia gira, não era?), com suficiente capacidade de análise, era possível ver que tudo estaria pré-determinado e, a partir daí, eram só pecinhas de dominó a cair inevitavelmente umas por cima das outras até ao desenlace final. A teoria é bonita, elegante e imaginativa mas, a meu ver, só remete a questão da existência do dito ser divino para as condições iniciais da equação: Quem fez a sopa, o caldo (primordial, entenda-se)? E já agora com que intuito? Será isto apenas uma gigantesca pescadinha de rabo da boca ou seremos apenas um tubinho de ensaio numa série experimental?
A mim parece-me que continuamos a dispor de algum grau de liberdade e da capacidade de escolha quanto ao nosso futuro ainda que, cada vez mais, se vá descobrindo que alguns dos nossos comportamentos são previsíveis enquanto conjunto (psicologia de massas é muito bonita e ainda mais quando explorada do ponto de vista do marketing) e que existem regras para quase todos os fenómenos naturais. Até sinto uma certa atracção pela noção de predestinação de acontecimentos chave mas não sob o ponto de vista de um qualquer futuro totalmente pré-determinado e conducente a um fim mas como se de troços de auto-estrada se tratassem: uma vez entrando por um caminho, ficas preso a ele até que se te depare outra saída mas há sempre cruzamentos e podemos ainda quebrar as regras e fazer um pouco de off-road.
Convém apenas não esquecer que toda esta visão das coisas é humana, e por isso redutora, e que advém de uma qualquer necessidade intrínseca de organização do conhecimento (remeto para a alegoria da caverna, onde podemos estar a ver apenas uma sombra da coisa e não a coisa em si).
Mais uma vez, dúvidas, dúvidas, dúvidas...
Isto levanta, a propósito, um tema relacionado: Cosmogonias - teorias sobre as origens do Universo. De científicas a mitológicas, há para todos os gostos e imaginações.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Deus - Existe, não existe, joga aos dados, não joga aos dados... afinal cuméquié?!

Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Pela própria definição de fé, neste assunto não é necessária a existência de prova mas, como todos temos um São Tomé dentro de nós, precisamos de ver para crer. A facilidade com que dogmaticamente aceitamos uma qualquer teoria, imaterial e incompreensível, sobre um qualquer campo da física teórica que apenas uma boa meia dúzia de pessoas na terra domina verdadeiramente e, ao mesmo tempo, recusamos a ideia de um ser superior a nós, seja ele (ou eles) de que tipo for é, no mínimo, curiosa. Egocêntrica, limitada de imaginação, arrogante e narcisista também me surgem no espírito.

Que as noções básicas de bondade, caridade, paz e compreensão são transversais a todas as grandes religiões é um dado adquirido e cujos benefícios civilizacionais são óbvios. Que as instituições que (tentativa e arrogantemente) se intitulam gestoras destas (e doutras) doutrinas e teologias tenham caído em descrédito, decadentes e corruptas, também (Igreja Católica incluída mas não exclusiva, bastando ver alguns ensinamentos praticados no Médio Oriente sobre violência e direitos da mulher) e cujos malefícios civilizacionais são, nesta altura, igualmente óbvios. Confundir os dois conceitos é um erro primário.

Para mim, pessoalmente, dada a diversidade, complexidade e improbabilidade de fenómenos naturais, a própria existência da vida, bem como toda a noção de acção e consequência, bem e mal, crime e castigo, objectivos e propósitos, sede de conhecimento e imaginação criativa com livre arbítrio à mistura, é-me relativamente pacífico aceitar uma superior ordem das coisas que nos escape. Se tal é corporizável (metafisicamente) num só ser superior ou divino já é outra história e cai no domínio da pura fé, pessoal e intransmissível, que não necessita de explicação ou fundamentação.

Não acredito num Deus que necessite do fausto de um espaço de culto como o de uma Igreja em detrimento de alimentos ou vacinas. Não acredito na necessidade (muito menos na obrigatoriedade) do ritual para celebrar a arbitrariedade de comportamentos (públicas virtudes e vícios privados) de quem lá vai ao Domingo para a lavagem semanal da alma, podre até ao âmago. Não acredito em frases claramente manipuladoras e chantagistas como "Quanto mais me celebrares, mais te favorecerei" como li numa publicação beata. Não me rendo à noção da presciência divina nem me submeto ao jugo da sua inércia.

Do mesmo modo, não acredito na versão ópio do povo quando aplicada apenas ao conceito de Deus. O conforto da ideia, civilizacional ou não, é, na minha opinião, intrínseco à natureza humana mesmo para aqueles que se imaginam o pico da evolução universal ou se sentem sozinhos, na definição astronómica do termo sem, contudo, conduzir necessariamente ao adormecimento dos cordeiros (interessante escolha de palavras) de Deus pela ignorância pura do culto proselitista e da obediência cega das massas. Ou como disse o grande pastor do Discordianismo: "If organized religion is the opium of the masses, then disorganized religion is the marijuana of the lunatic fringe. – Kerry Thornley, The introduction to the Principia Discordia 5th Ed.", pelo que prefiro enquadrar-me na segunda mole de seres sencientes.

Uma vez que não tenho quaisquer pretensões evangelizadoras sobre o tema, nem mesmo uma noção exacta daquilo em que acredito, provavelmente uma mescla de várias crenças e visões do mundo temperadas a gosto pela minha imaginação, estado de espírito e fase da vida, aceito obviamente que se discorde de tudo o que escrevi mas não consigo ver com bons olhos noções de verdade absoluta sobre o tema. Acabo sempre por imaginar a gargalhada satânica que recepcionará os incrédulos agnósticos e ateus sobreposta à surpresa inexistente dos devotos crentes votados a um limbo igualmente inexistente, sem propósito algum.

U R

Os médicos disseram que delirava e a polícia nem quis saber. Mas tenho a certeza que do que vi, na naquela maldita noite de 2002 dentro de um prédio abandonado no Regueirão dos anjos. O último encontro da UR, a milenar ordem dos teogafos do Norte, disfarçado de assembleia geral da colectividade 31 de Dezembro com sede na rua Maria. Estava tudo ali para quem quisesse ver: uma assembleia geral com 6 pessoas... sede social na rua Maria... só faltava anunciar no Seringador. Mas como poucos souberam juntar um mais um, sucederam-se à minha frente, hediondos momentos que descreverei com a segurança que só a minha memória permite.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Acredito em Deus, mas não acredito em Deus. Um Deus capaz de existir para alguns, ser objectivo de procura para uns e, de simplesmente não existir para outros. Um Deus que não está ao serviço de quem o inventa, que não legitima estados, acções, pessoas ou desejos. Um Deus não produtivo, não rentável, inútil, e nada prático. Um Deus em dobra, curvo, apenas aresta de coisa. É nesse Deus que acredito, porque é nesse que não acredito.

The proof that God doesn't exist - Douglas Adams Babel Fish

«The Babel fish is small, yellow and leech-like, and probably the oddest thing in the Universe. It feeds on brainwave energy received not from its own carrier but from those around it. It absorbs all unconscious mental frequencies from this brainwave energy to nourish itself with. It then excretes into the mind of its carrier a telepathic matrix formed by combining the conscious thought frequencies with nerve signals picked up from the speech centres of the brain which has supplied them. The practical upshot of all this is that if you stick a Babel fish in your ear you can instantly understand anything said to you in any form of language.

Now it is such a bizarrely improbable coincidence that anything so mind-bogglingly useful could have evolved purely by chance that some thinkers have chosen to see it as a final and clinching proof of the non-existence of God. The argument goes something like this:
"I refuse to prove that I exist," says God, "for proof denies faith, and without faith I am nothing."
"But," says Man, "the Babel fish is a dead giveaway isn't it? It could not have
evolved by chance. It proves that you exist, and so therefore, by your own arguments, you don't. Q.E.D."
"Oh dear," says God, "I hadn't thought of that," and promptly vanishes in a puff of
logic.
"Oh, that was easy," says Man, and for an encore goes on to prove that black is white and gets himself killed on the next
zebra crossing.
Most leading theologians claim that this argument isn't worth a pair of fetid
dingo's kidneys, but that didn't stop Oolon Colluphid from making a fortune with his book Well That About Wraps It Up For God.»

Dentro do tema da semana, poucas coisas me ocorrem como mais apropriadas que esta pérola da lógica retirada da bíblia sci-fi nonsense que é Hitchiker's Guide to the Galaxy do Douglas Adams. Um dos meus favoritos pessoais que não me canso de recomendar.

Resta acrescentar que o tradutor online da Altavista é o Babel Fish porque sim.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Deus dos Deuses

Ultrapassada a prova da serpente, parva como todas as coisas verdadeiramente importantes são para propositadamente parecerem menos do que são, o que verdadeiramente prova a sua importância ainda que aparentem apenas ser parvas fazendo de parvos todos aqueles que não conseguem ver para além das suas próprias limitações, e transportando no bolso o minimal deus dos deuses, munido ainda da inefável sandes de pão com marmelada, Catarse seguiu o seu rumo, indiferente ao senso comum que, empoleirado numa bananeira vizinha, lhe lançava fortes impropérios e desincentivos abardinados, augurando-lhe um triste fim por ignorar os seus sóbrios e doutos concelhos que, por esse mesmo motivo, eram absolutamente impossíveis de seguir por quem quer que visse o mundo com olhos de contas de vidro, de águia ou de gato, uma pala, monóculo e/ou visão raio-x (Válido também para quem tem dois dedos de testa. Este prospecto não dispensa a consulta da informação completa num qualquer balcão aderente ou mesmo pegajoso). Cuspindo um caroço de azeitona vindo de parte incerta, já que não comia uma azeitona faz mais de três-quinze-dias, facto sobre o qual não pensou nem mais um segundo, sabendo que nunca saberia o suficiente sobre o assunto para desvendar esse olivo-mistério limitando-se a aceitar a materialização do objecto como apropriada para vincar sob a forma cuspida o seu escarrado desprezo pelo senso comum logo ali ao lado pendurado, Catarse decidiu enverdar pelo caminho mais fácil, ao contrário do que advogam todas as histórias de boa e sólida moral no final, e escolheu uma cortada levemente a descer que escherianamente subia a montanha, ladeada de frondosas árvores de fruto, exuberantes arbustos improvavelmente moldados sob a forma de cadeirões, pássaros chilreantes, flores perfumadas e um ribeiro de água fresca e límpida. Se os fins não justificam os meios então era igualmente desnecessário validar a importância do fim pela dificuldade de o atingir. A lógica pode parecer retorcida mas, nos dias que correm, ser retorcido não era a pior das coisas que a lógica podia ser, isto tendo em conta que transportava no bolso Gaspar, o Deus dos Deuses, e que milhões de pessoas julgariam "apenas" como uma minhoca, numa clara demonstração de quão estúpida pode ser uma maioria. Para além disso, um pouco de desobediência civil nunca fez mal a ninguém. Uns quilómetros adiante avistou um edifício e para lá se dirigiu, confiando que nada acontece por acaso, nem mesmo os edifícios em clara violação do PDM se tal coisa existisse por ali (experiências recentes provaram que este documento existe apenas, como quase tudo no Universo, quando olham para ele e já que ninguém, leia-se autarcas, eleitores ou construtores civis, únicos seres verdadeiramente relevantes para esta metáfora, no seu perfeito juízo, quer fazer tal coisa, os PDMs não existem, coisa que, aliás, é de fácil comprovação olhando em redor - sim, os mamarrachos existem porque a sua hedionda existência não escapa nem por um segundo aos olhos de ninguém - e em última instância a religião, seja ela qual for, está certa, mesmo em assuntos tão díspares como orgasmos múltiplos e planeamento do território: é tudo uma questão de fé!). Enojando o sensor da porta com a sandes de marmelada, a porta abriu-se para o deixar entrar e deparou-se com o terror de qualquer utente crente na solidez das instituições (outra figura tão insubstancial como improvável): uma recepcionista prestável e conversadora. "Olá! Eu sou a Cremilde! Já vistes as minhas unhas?" amandou-lhe ela num tom de voz que habilitaria perfeitamente qualquer crime passional a legítima defesa, comenda e palmadinhas nas costas de hipotéticos futuros vizinhos , amigos e colegas ensurdo-enlouquecidos. Acto contínuo, a corrente que prendia um candelabro ao tecto directamente sobre a cabecinha da criatura cedeu à angústia de a ouvir dia após dia e provou que (pelo menos um) Deus existe, esmagando-a sob centenas de quilos de metal, cera, vidro e cotão.

domingo, fevereiro 24, 2008

Bush, bin Laden e o comboínho do amor

Os jovens casais apaixonados sabem sempre como ter uma tarde romântica de domingo.



Video em parceria com Fotoesfera

Foto domingo






sábado, fevereiro 23, 2008

Era domingo...

Catarse escolheu a hipótese b, e, passou pela serpente. Porém, queria olhar o Deus dos Deuses nos olhos. A plenos pulmões, gritou pela serpente. Apenas uma pedra no chão do tamanho de um pequeno abafador se mexeu. Voltou a gritar: nada. Afastou-se, e pela última vez gritou. Já longe, escutou, uma voz muito fininha, que vinha debaixo da pedra que há pouco se mexera. Uma minhoca ramelosa, com a marca da almofada nas orelhas em esforço para abrir os olhos, resfolgava:
-Agora vou ter de te magoar a sério.
Assim, insurgindo-se contra a falta de colaboração de Catarse, encosta-se à sola do sapato para lhe passar uma rasteira. Deita os bofes pela boca e tem um arrepio:
-Se dizes que sou parecida com o Gasparzinho…
-Sim? O que é que fazes? Ah, já sei… amuas mesmo à séria…
E a minhota ficou triste, fez beicinho e chorou. Afinal, era sempre a mesma coisa…Ninguém gostava dela, não tinha amigos e, só metendo medo aos outros conseguia atenção…Então Catarse, pegou no pequeno Gaspar, meteu-o dentro de uma caixa de fósforos e decidiu levar o Deus dos Deuses no bolso, bem junto ao pão com marmelada. Sandes essencial a todos que procuram o carimbo de estrelas sextavadas

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A serpente dos enigmas

- O meu nome é Uraeus e sou a serpente dos enigmas. Ao contrário do que aqui foi dito, a razão porque fico mais nervosa aos Domingos é por ser este o dia do meu Senhor Rá, o deus-sol. Eu fui, sou, serei, a serpente do Jardim do Éden. Eu fui, sou, serei, Mucalinda, o rei das serpentes que protege Buddha. Sou Ouroboros, o ciclo fechado que representa o tudo. Sou Jörmungandr que rodeia o oceano do mundo. Sou Shesha onde repousa Vishnu. Servi Quatlicue, a senhora da serpente, e Mixcoatl, a serpente das nuvens, pais de Quetzalcoatl, deus Azteca da Criação. Sou Aidophedo dos Ashanti. Eu acompanho as loas de Damballah. Sou a Hydra e Ophiuchus nos céus. Sou Ningizzida ou Kundalini, a serpente do fogo suméria ou Hindu. Sou a Renenutet e a Wadjet egípcias. Sou Basilisk, rei das serpentes, filho de Pliny, the Elder. Sou Oshunmare, Ratumaibulu, sou a serpente arco-íris. Sou a senhora dos Ophions e dos Nagas. Sou o Bem e o Mal. Sou o Início e o Fim. Clemente e Cruel. Protectora e Vingativa. Quem és tu, incauto, que te atreves a atravessar os meus domínios e com que fim aqui vens?

HIPÓTESE A:

- Eu sou Catarse, sou paraguaio e vim aqui para comer a tua filha.

- Para quê?

- Paraguaio.

HIPÓTESE B:

- Eu sou Catarse e venho em busca do carimbo da estrela sextavada.

- Para isso terás de responder a um enigma. Falhar é morrer. Aceitas?

- Sim. Diz lá!

- Qual é o sonho de qualquer cobra?

- É ser pente!

- Passa. Chico-esperto...

HIPÓTESE C:

- Sou Catarse e procuro o carimbo da estrela sextavada!

- Para isso tens de saber quem sou verdadeiramente.

- Hummm... difícil. Dás-me uma pista?

- Ok. "You know what's bad for your health?"

- What?

- "Me"

- Xiii... continua difícil. Mais uma?

- Só porque hoje estou bem disposta! "Crime is a desease. I'm the cure!"

- Já sei, já sei! És o Stallone! Marion Cobretti aka Cobra, o braço forte da lei!

- Boa! Agora és tu! Adoro charadas de filmes!! Pode ser em mímica?

- Mímica? Ehh... agora não vai dar, desculpa. Combinei café às 11,27.

- Ohhh... estes domingos custam tanto a passar...

Agora escolha! A, B ou C? Vote já!

Sr. Catarse, vamos tomar um café na mesa onde são sempre onze e vinte sete da manhã. Quero avisá-lo que requerimento que apresentou não pode ir a decisão. Falta-lhe o carimbo das estrelas sextavadas, e…e…. duas fotografias tipo passe. Lamento…só quero ajudá-lo…mas assim…Diga, Diga…Quer dizer, sem isso é difícil. Mas haver, há…para as fotografias tenho aqui a minha máquina…agora para o carimbo…receio que não possa ajudar…A não ser…a não ser que vá falar com o meu antecessor, ele pode ter ainda os antigos carimbos de estrelas sextavadas. Mora sozinho na floresta das almas risonhas, perto da palmeira que dá amoras…é impossível errar… e muito difícil de passar pela Serpente dos enigmas…ainda por cima hoje, Domingo, um dia em que a Serpente fica sempre muito ansiosa pela chegada de Segunda-feira. Mas a decisão é sua…

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Ciclos

Cada um terá o seu, adequado à sua rotina ou falta dela, mas que os há, como as bruxas, há. Metabólicos, diabólicos, estrambólicos, alcoólicos, melancólicos... há quem viva com eles, há quem viva para eles, mas não há como escapar-lhes. Desde a hora em que acordamos, e até antes, nos ciclos do sono e do sonho, que estamos sujeitos aos seus mais variados tipos. O do trânsito, o circadiano, o menstrual, o lunar, o da água, o da precessão dos equinócios, o da vida, etc. Tudo tem o seu timming ou, como diria alguém, a sua folga, conceitos similares vendo bem as coisas. E o dia de folga, já se sabe, é o domingo! Se ao menos tivéssemos folga de tudo aquilo que nos aborrece... e por falar nisso, Artur, o que dizer da tua súbita e inusitada mudança de género de que foste acometido no teu último texto, perdão, disse texto?, queria dizer estertor da língua portuguesa:

"Os avós dão muito jeito. Se não fosse isso estava tramada!"

Tramada?! Tramada!? Tramados estamos todos nós com estes atentados musicais com que nos brindas e que temos de Arturar!! Bom, por esta passa pelo exercício de memória que certamente é de louvar mas voltando à vaca fria, que é como quem diz o tema em mãos, le dimanche, e para fechar o ciclo deste texto, acrescentava apenas que doravante viverei em ciclos semanais. O dia é demasiado curto; o mês demasiado longo. Resta-me o consolo dos sete dias da semana para tentar alicerçar o caos (plácido, consentido e agradável é verdade, já que, pessoalmente, não me agrada o planeamento excessivo que vejo em algumas vidas demasiado formatadas) em que alegremente chafurdo mas, ao que parece, até isso me será negado caso o extremoso e dedicado funcionário da Grande Torre dos Dias leve a sua avante. Mas se não os podemos vencer...

Exmo Sr. Director Geral da Grande Torre dos Dias,

Por força do uso, do hábito e dos costumes é tido como certo que existe uma sequência estável e imutável nos dias da semana. Tendo tomado conhecimento da possibilidade de os alterar, submeto humildemente à sua superior consideração o pedido de inclusão de um sábado extra no lugar da quarta-feira. Tal mudança traria a indiscutível vantagem de duplicar as sextas (terça seria a neo-sexta) ainda que acarretasse também o duplicar de segundas (quinta a neo-segunda), sendo que um espírito tranquilo rapidamente veria a possibilidade transformar antes a segunda original numa neo-quinta, mantendo inalterável o inestimável Domingo.

Em resumo, teríamos:

...,Domingo, Neo-Quinta, Neo-Sexta, Neo-Sábado, Quinta, Sexta, Sábado,...

Pede deferimento,

Lisboa, 21 de Fevereiro do ano do Senhor de 2008

Catarse

Sou o moço de recados da Secretaria-Geral da Grande Torre dos Dias e, essencialmente, subo e desço, com requerimentos assinados e por assinar, as escadarias da torre, que gere desde o início dos tempos as acções humanas. O livre arbítrio não nunca existiu e, todos os actos, de todos os dias desde sempre, foram requeridos, analisados, ponderados, autorizados e transportados por mim algures neste edifício. Diria que conheço bem esta casa. A máquina burocrática: sonho de todos os burocratas, que muito antes de eu estar aqui escrever, o autorizou e me notificou, através da minha vontade de o fazer. Assim, a vontade, ou o que interpretamos como acaso, é o despacho de deferimento desta Secretaria-geral. Secretaria-geral que recebeu há poucos dias um requerimento especial. Os requerentes, grupo, que, razões de ética de mandarete, me impedem de identificar, pedem a substituição do Domingo por uma Quarta-Feira. A semana teria assim uma Quarta a seguir à Terça e outra a seguir ao Sábado. Já tenho o despacho na mão e vou entregá-lo nos serviços centrais. Paro e abro o envelope. Leio. Traduzo a linguagem burocrática. O requerido foi indeferido, porém a secretaria-geral, por dever de ofício, decidiu substituir o Domingo por uma Quinta-Feira e a Segunda-Feira por um Sábado. A mim, sinceramente não me convém…e como há muito tempo ando nestes corredores, sei que preciso de fazer algo para defender o Domingo.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Clássicos

Pois, pois. Vens-nos com U2, Johnny Cash e essas outras coisas modernas e abichanadas que ouves, mas esqueces-te de que nenhuma dessas chega aos calcanhares deste clássico.

Sunday Songs

Bloc Party
If we get up now we can catch the afternoon
Watch the under 15s playing football in the park
Let's sit in St. Leonards in this alcoholic day we're doing the best with what
we've got

Moby
Sunday was a bright day yesterday
Dark cloud has come into the way

David Bowie
Everything has changed
For in truth, it's the beginning of nothing
And nothing has changed
Everything has changed

Sonic Youth
Sunday comes and sunday goes
Sunday always seems to move so slow
To me - here she comes again
A perfect ending to a perfect day

U2
How long...
How long must we sing this song
How long, how long...
'cause tonight...we can be as one
Tonight...tonight...

Johnny Cash
Well, I woke up Sunday morning
With no way to hold my head that didn't hurt.
And the beer I had for breakfast wasn't bad,
So I had one more for dessert.

Nina Simone
One more
Sunday in Savannah
Hear the whole creation shoutin'
Praise the Lord
See them flinging out the banner
While the congregation says amen

Nick Cave
But not on Sundays
Never on Sundays
O Not on Sunday's slave

Blondie
She can't catch up with the working crowd.
The weekend mood and she's feeling proud.
Live in dreams, sunday girl.

Beck
There's no other ending
Sunday sun
Yesterdays are ending
Sunday sun

Elvis Costello
Standing in your socks and vest
Better get it off your chest
Every day is just like the rest
But Sunday's best

Velvet Underground
Sunday morning, praise the dawning
It's just a restless feeling by my side
Early dawning, sunday morning
It's just the wasted years so close behind

Of Montreal
Everyday feels like Sunday baby everyday feels so good
Everyday feels like Sunday baby everyday feels so good

Frank Sinatra
Hey Mr. Sunlight, don't outshine your bright,
I'm talking out of my head, I'm so high on life.
Don't you know that it's gonna be a "thousand-and-one" day.
And I'm feeling kinda Sunday, (feeling kinda Sunday), feeling kinda Sunday.

Serge Gainsbourg
Et pour toi sans effort, mes yeux seront ouverts,
N'aie pas peur mon amour s'ils ne peuvent te voir,
Ils te diront que je t'aimais plus que ma vie,
Gloomy sunday

Pink Martini
Ap to parathiro mou stelno
Ena dio ke tria ke tessera filia
Pou ftanoun sto limani
Ena ke dio ke tria ke tessera poulia

E por último, sendo que muitas mais podiam ser aqui mencionadas, a não menos importante contribuição da pop japonesa para este tema, com a inefável menção à ida de domingo ao "trono" com o jornal desportivo do dia:

Pizzicato Five
Hidoku jikan wo
Kakete
Bathroom de
Hige wo sotteta

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Os domingos no parque

Estou convencido de que os parques infantis coloridos, cheios de escorregas e baloiços, que invadiram Coimbra (presumo que também as outras cidades portuguesas) não são mais de que uma provocação aos jovens pais. Querem ver como vos vamos estragar num instantinho aquela tarde em que vocês podiam relaxar e não fazer nada? Tomem lá crianças a berrar que querem ir ao parque da esquina. Tomem a conversa de ocasião com o vizinho chato e o insuportável colega de liceu que já não viam há quinze anos. Ficou giro, isto. É, é porreiro para eles. O infantário é caríssimo. Os avós dão muito jeito. Se não fosse isso estava tramada!
Domingo passado choveu à tarde. Estava a abarrotar o parque infantil interior do Centro Comercial.

Catchy Phrases: Sunday

Nothing sounds better than a sundae after a sundae on a sunny sunday's afternoon!

by Catarse

Some rainy winter Sundays when there's a little boredom, you should always carry a gun. Not to shoot yourself, but to know exactly that you're always making a choice.

by Lina Wertmuller

Santificarás o Domingo

Se Sábado é beato pelas quatro da tarde e, Segunda-feira martírio pelas 07:30, então, Domingo é aquele farrapo de fumo de vela que serpenteia rumo ao tecto. Uma passagem, um meio, o não-lugar do calendário Gregoriano. O que já não é, mas o que também ainda não existe. Potência do que será Segunda-feira, e ruína do que foi Sábado à noite. No dia 24 de Fevereiro de 1582, quando o Papa Gregório XIII declarou o fim do calendário Juliano e, quando todos os dias comemoravam com fruta e mel, houve um, que nem sequer tocou nos mirtilos: o Domingo, pois, por razões pessoais, recusava-se passar de um calendário com nome de Imperador, para um de Papa. E jurou vingar-se. E, assim, desde esse dia, todos os Domingos são essa vingança: os filmes em repetição na televisão, o tédio tenso da expectativa de Segunda-feira, os jogos do campeonato, os lanches hiper-calóricos e os pequenos acontecimentos absurdos que não podem sequer ser contados, no contexto racional da linguagem escrita. Haverá hoje maneira de modificar o modo de ser do Domingo? Sim, santificando-o…Mas como?

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Any Given Sunday

Domingo. Um domingo qualquer. Dia da inevitável ressaca dos festejos de sábado à noite. Dia de missa à qual não me esqueço nunca de faltar. Dia de feijoada à brasileira em tempos idos em casa da minha avó com o clássico e inexplicável ovo estrelado em cima do feijão e da farofa, ao lado das torradas. Dia de esplanada se estiver sol ou de sofá a ver (ou veria caso tivesse televisão em casa e não detestasse ver filmes no portátil) os inefáveis filmes de arquivo como o Beethoven IV, Speed XVI, Um sogro do pior III, de preferência ao mesmo tempo e com largos períodos de sorna pelo meio mas sem nunca perder o fio à pré-digerida meada. Dia de chá quente, bolo fresco e namoriscanço indecente. Dia de futebol na televisão ou no estádio a ver o Benfica a jogar miseravelmente mal mas, com um pouco de sorte ou vento a favor, a ganhar. Dia de jogo de futebol jogado, faça chuva (e tanta que fez ontem, assemelhando o dito jogo a algo mais aquático) ou sol e dado que é por volta das dez da noite é pouco provável que faça sol mas se fizer ficam desde já a saber que há jogo na mesma. Dia para tanta coisa mas que, no final, acaba quase sempre com aquele gostinho de pré-segunda-feira e em que parece que não há nada para fazer...

sábado, fevereiro 16, 2008

Saturday Night Fever

Um sábado chuvoso e ainda assim pleno de possibilidades. Ir, não ir. Fazer isto ou aquilo. Só uma ideia me persegue e atormenta, apesar de a saber barrada pelas circunstâncias. Aumentando a sensibilidade ao destino, acalmo a força da vontade própria que me levaria numa única direcção, e páro para sentir o impulso do acaso. Saio de casa sem rumo, caminhando a esmo contra o vento, sem lenço e sem documento. Na esquina do jardim sou parado pelo aroma do café acabado de tirar. Sentado na esplanada invernal com uma fumegante chávena quente que me aquece as mãos e uma música insidiosa que me aquece por dentro, vou escrevendo estas linhas sem sentido, esperando que este se revele a qualquer instante. O momento surge impado de si mesmo e apresenta-se à lente da câmara. A imagem é banal e ganha apenas força por tudo o que conduziu até ela mas a cor é tudo. É esta!

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Player

Não vou falar do Makukula. Já há música no tasco. Foi mais difícil do que eu pensava. Não tenho músicas aqui para fazer upload. Fica só esta.
Quanto a cores de texto que ferem o olho, se os meus amigos não se importam, eu fico com o branco.

Sexta feira, à falta de melhor título. Pensei em Daltonismo mas poderia ser despropositado só por causa da cor UV mata moscas do texto do Tiago...

Como é já hábito constatar-se por aqui, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!
A título meramente exemplificativo: uma coisa é ter sido aceite no mestrado RAMPS e outra coisa é começar as aulas no final de Março. Uma coisa é já não estar na Amadora, outra coisa é ainda ter o quarto da casa nova num caos. Uma coisa é o meu carro estar um bagulho (como a Floribela), outra coisa é ir buscar o Smart rapidamente antes que o outro pife de vez.
Uma coisa era o blog antes, outra coisa vai ser este blog depois de domingo à noite. E o que ficar nessa altura fica, concordo. Também, bem vistas as coisas, umas e outras, falta pouco para a conclusão desta remodelação ministeribloguial: a musiquinha, o logo, as cores de texto definitivas (e se fosse esta?), o update dos links e a funcionalidade "ler mais", certo? Ah! E a reinstauração da liberdade opino-bitaitativa dos leitores!
Tempo ainda há, claro está, para ter alguma ideia genial, daquelas boas, mesmo boas, muito, muito boas mas que, de momento, me escapam... e para aproveitar o título do post de hoje para deixar uma mensagem temática e musical, apenas e tão só, ou talvez não, porque está agora (está mesmo!) a passar aqui na grafonola da microsoft (sim, eu sei que há milhares de melhores leitores por aí como o F2000, winamp e quejandos mas não tenho privilégios de administrador aqui no tasco... ainda!!): It's Friday, I'm in love!

Prazos

Estou satisfeito com: a cor de fundo, com eliminação da coluna da esquerda, com as cores para cada autor, com o critério para vídeos/fotos, com a possibilidade de haver música (se quem ler decidir ouvir), com a concentração do tema e, finalmente, com a possibildade de o Obama ser o próximo presidente americano. Diria que ao layout que chegássemos no Domingo às 00:00 horas, seria o layout definitivo.Enfim...no que de definitivo tem tudo o que é humano.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Videos

Os de autor, claro! (Novas séries precisam-se!)
E, ocasionalmente, e muito limitados, videos de particular importância.
Acho que por exemplo este, magnífico e que poderá ajudar a decidir o futuro Presidente dos EUA, merece mais do que um link.

E, já agora, centrados.

Changes

Concordo:
Cores de texto por autor (autoproponho esta para moi meme)
Começo a gostar deste look noir (mas mantenho possível adequação ao logo)
Fotos e vídeos de autor apenas (links para restantes)

Discordo:
Do preço da gasolina sem alternativas de transportes públicos à altura

Proponho:
Música se possível com playlist dos djs residentes

Invectivo:
A falha de um texto de alguém ontem. Cuméquié?

Espero:
Que o Obama ganhe e não se revele um traste como os outros

Acredito:
Cada vez mais no horóscopo da Dica da Semana

Quero:
-te!

Vendo:
Cama de casal IKEA C/ colchão
VW Polo branco de 1998 com 95000kms, 1000cc, 3p, VE, Rádio c/ CDs (ou melhor, com leitor, os CDs são meus). Necessita apenas de pequenas reparações. Testado sob as mais adversas condições, perdão, conduções, perdão, condução: a minha.

Divago:
Bastante

Fotos e videos no blog...

Não tenho muita certeza sobre isto, mas como regra geral, propunha que todas as fotos e vídeos que não resultassem de produção própria, fossem apenas linkados no post, e não publicados. Opiniões?
Apesar de já haver uma distinção entre autores, acho que devemos utilizar cores e tipos de letras diferentes.
Finalmente, a música...devíamos experimentar.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Pausa para café

E que dizer desta pausa introspectiva nos comentários? Este momento virado para dentro, para a trilogia directiva deste pasquim? Ouvi aí uns zunzuns interrogativos sobre esta medida totalitarista que atenta contra a liberdade de expressão... Ao que respondo: Apreciem-na como se de férias se tratasse... olha, como o dia de férias que tive hoje, assim a despropósito, mesmo no meio da semana e assim também a despropósito mesmo no meio deste texto. Soube-me tão bem! Mesmo bem! Sol, mar, ronha e boa companhia porque não é só o natal que é quando o homem quiser...

Agora sim estou pronto para outros dois dias de labuta duríssima e para ver se chegamos a acordo sobre a cor, o tipo de letra, a cor dos textos de cada um... concordo com o teste do azul e acho que, dependendo sempre do logo, as cores de cada texto podiam originar daí.

E o update dos links dos blogs?

Querem escolher uma imagem para vos representar ou é má ideia?