quinta-feira, abril 17, 2008

Um dia marcado a vermelho (escuro) para não esquecer!

Ponto prévio: não vi o jogo, apenas acompanhei a marcha do marcador (via sms, cortesia da leoa mais gira do mundo - estou quase convertido ao teu SCP porque a ti já me rendi por completo) e uns vislumbres dos lances chave no rescaldo.
Pontos soltos:
Um resultado de 5-3 é sinónimo de jogo grande;
Quem está a ganhar 2-0 e fica a perder 3-2 sofre por inépcia e culpa própria;
Quem sofre 5 golos em 24 minutos não está, de certeza, bem;
Um derby com apenas 2 lances polémicos é um bom derby (ainda que ambos tenham sido decididos contra o SLB);
O Rui Costa merecia melhor final de carreira (e já agora um título) que este;
O SLB dificilmente ganhará mais algum jogo até ao final do campeonato;
O próximo campeonato do SLB está já posto em causa dado o final deste que vai acarretar limpeza étnica, desmoralização de jogadores e equipa técnica que vão querer folha limpa para esquecer o passado (erro crasso, deviam lembrar-se para não repetirem), ausência da Champions com acrescidas dificuldades na escolha de treinador e jogadores e decréscimo substancial de receitas;
Na minha opinião e sem saber que impacto isso teria no resultado final (se a ganhar por 2-0 perdem por 5-3, se chegassem a maior vantagem...), fico com a impressão que os dois lances de que falei anteriormente foram mal avaliados pelo árbitro.
Tempo ainda para falar um pouco sobre o meu mau feitio nestas coisas:
Se estivesse naquele campo não ficava ponta de energia para queimar nem km por percorrer. E se isso não bastasse, alguma perna de verde e branco vestida iria pagar o pato... detesto perder.
Na final, mais do que um vencedor, espero dois derrotados. Se isso não for possível, lesões e cartões em barda e tumultos nas bancadas num jogo de 0-0 cheio de casos e erros. Lamento se isto parece mau perder. É que é mesmo. Fair play, moderação e temperança? Chiça penico... Isso é apanágio do xadrez ou do bridge (e mesmo assim lembro-me de umas mesas viradas na sequência de uma abertura falhada ou de uns leilões mal conduzidos). Isto é futebol, raios!!

quarta-feira, abril 16, 2008

Um dia marcado a vermelho para não esquecer!

Um dia diferente o de ontem, dentro de um espírito que todos partilham mas que nem sempre se consegue materializar por manifesta falta de vontade, mais do que de tempo ou disponibilidade...
A HFP decidiu, e bem, começar a demonstrar preocupações sociais dentro do meio em que se insere e instituiu o dia do voluntário. Angariados os aderentes, ontem foi a altura encontrada para ir dar o contributo à causa escolhida. Rumo ao IPO de Lisboa, lá fomos ajudar na renovação de parte das instalações da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Realidade triste, difícil de aceitar ou compreender, injustiça maior e mais revoltante quando inflingida a crianças, o cancro, nos nossos dias, cresce em incidência em todos os escalões etários e sociais, fruto do aumento descontrolado dos contaminantes ambientais e de factores de predisposição genética, com os correspondentes danos físicos, morais e psicológicos para o próprio, familiares e amigos. É uma doença particularmente complicada pelo grau de casualidade com que ataca, pela sentença certa de morte e sofrimento a prazo que dita e ainda pela violência debilitante dos tratamentos que igualam a da própria doença.
O contacto com doentes e familiares fica, e bem, reservado para quem passa pelos 6 meses de formação obrigatória do IPO (contam com 500 voluntários nas mais diversas funções!) dada a sensibilidade do assunto mas foi, de facto, muito recompensante, na medida do que nos foi possível, poder ajudar a instituição. Louvam-se ainda o espírito do grupo e a camaradagem que sairam fortalecidos e a inestimável colaboração do empreiteiro local e da sua prestável equipa que tanta paciência demonstraram para nos ensinar o B-A-BA da bricolage.
E, de brinde, não tive de aturar o IC19 duas vezes, não tive de acordar às 6,45h (9h) e saí às 16,30h. Ser solidário é bom e de mais que uma maneira...

terça-feira, abril 15, 2008

Corar de vergonha

Não me imagino a pertencer a um clube, a um partido ou a uma religião sem me identificar com os valores da maioria das pessoas que dele façam parte.
Envergonha-me o resultado das eleições de ontem na Académica. Não pela vitória neste momento do anterior presidente, mas pelas memórias de festejos e sofrimento passados com as pessoas que agora o elegem.
Não me identifico com pessoas que acham que vale tudo para ajudar a Académica. E percebo que essas estão em maioria. Por isso estou de fora há dois anos. Mas tinha esperança que destas eleições viesse um sinal de mudança.
Não sou da Académica neste momento como não poderia ser do FC Porto. Como teria deixado de gostar do Benfica se o Vale e Azevedo não tivesse sido derrubado pela maioria dos sócios.
Tenho vergonha de ter festejado aquela subida fantasma, garantida por um golo do Aves (?) que nunca existiu, de ter celebrado a subida contra o Estoril em 97, acreditando que era de um clube diferente, para perceber agora que os sócios da Briosa acreditam que vale tudo para ganhar.

segunda-feira, abril 14, 2008

Vermelho

Encarnado. Sangue. Paixão. Morango. Fúria. Limite. Coração. Extremo. Calor. Amor. Red line. Rosas. Comunismo. Cereja. Aviso. Cardeal. Poder. Natal. Vida. Cereja. Pecado. Fogo. Desejo. Energia. Exaltação. Força. Lava. Mar. China. Vinho. Maçã. Rubi. Ferrari. Cruz. Barão. Bull. Smart. Pele. Coragem. Honra. Sacrifício. Perigo. Escarlate.

domingo, abril 13, 2008

O vermelho e o negro

Escreveu Stendhal este romance a pensar na crítica à sociedade francesa do período da Restauração, particularmente sobre a frustração dos objectivos racionalmente traçados pelos excessos das paixões mas facilmente se consegue um paralelo com o jogo do Benfica contra a Briosa. Nado e criado em terras da lusa atenas, adianto desde já que, se era para perder, que tenha sido para a Académica que bem precisa daqueles pontos para a justa manutenção na primeira divisão. Adiante. A analogia com a obra do título prossegue na observação dos adeptos encarnados e desta direcção do LFV com evidentes reflexos na prestação da equipa:
- Estes jogadores não são assim tão maus como os pintam e exemplos de vassouradas indescriminadas para mostrar serviço estão cheias de reviravoltas de sucesso de acabados na luz a vingarem com outros emblemas ao peito;
- O clube tem, de facto, condições físicas, materiais e humanas para ter sucesso, com um estádio novo e um centro de estágios moderno;
- Ultrapassado um passado recente de descalabro a todos os níveis, o que se agradece aos actuais gestores, começa a ser patente a sua inépcia para mais do que isto;
- A paixão em demasia cega e chega de envocá-la para sanar o insanável.
Há problemas estruturais bem complicados por resolver, ainda que acredite nos méritos do Rui Costa, dadas as condições próprias de tempo e autonomia, para formar uma equipa técnica profissional e capaz de atingir o almejado sucesso continuado e regular, sem ceder à pressão de mais uma "limpeza étnica" só para encher o olho do adepto insatisfeito com bodes expiatórios e caras novas sobre as quais ninguém pode falar por desconhecimento mas que cedo verão os dedos acusatórios apontados, terminado o estado de graça e sem tempo para provarem os seus méritos (vide Lisandro, Tarik, Miguel Veloso, etc). A formação tem de ser posta a render de uma forma regular à imagem do rival da segunda circular. O balneário blindado e posto imune às habituais encomendas jornalísticas provocatórias à imagem do rival do norte. As fugas de informação seladas assim como a boca do presidente que tem de aprender a conter-se de modo a não personificar a falta de nível que censura aos outros quando as coisas não lhe correm a contento. O equilíbrio financeiro assegurado, já que se trata do único clube em Portugal que tem o potencial de gerar receitas suficientes para se manter estável independentemente (dentro de limites razoáveis, até porque as vitórias nunca fizeram mal a ninguém) dos resultados desportivos. Por último, mas não menos importante, o culto de vitória e dignidade de outros tempos tem de ser recuperado a bem do prestígio de uma instituição de nível mundial.
Aproveite-se o bom e repare-se o mal. Olho nos bons exemplos e no espelho para não cometer os erros que apontamos aos outros. Apoio incondicional à equipa, principalmente nos momentos difíceis, mas mantendo um sentido crítico para não deixar que se instale um comodismo injustificado ou uma inércia e apatia que nos retirem o brio e a vontade de vencer tudo.
SLB SLB SLB!

sexta-feira, abril 11, 2008

Ler nas entrelinhas

Nem tudo é o que parece e, sem contexto apropriado ou conhecimento de causa, é fácil cair em perigosos erros de interpretação, para mais quando falamos de textos ou frases isoladas. A blogosfera está cheia destes casos em que o tom de voz é substituído por smiles, reticências e pontos de exclamação (cuja introdução nos hábitos de escrita é estranhamente viciante e, ao removê-los, deixam a frase fria e despida de emoção) sem que, contudo, toda a informação que se pretendia comunicar chegue ou possa chegar correctamente ao seu destinatário. Acrescente-se a isto factores como o de não conhecer pessoalmente o autor, o seu sentido de humor ou de ironia, deste pretender deliberadamente ser vago, mal compreendido, induzir alguém em erro ou estar num dia mau. Ou ainda de pura e simplesmente não ter conseguido, por inépcia, falta de léxico ou momentânea perda da necessária verve, expressar-se da melhor forma.
Noutra escala, ainda assim com maior (diferente) capacidade de transmissão de informação, um telefonema pode padecer do mesmo mal. Ainda que possua a vantagem do som e do tom, perde-a no imediatismo da formulação da frase, na distorção por interferências de algumas palavras chave e ao não permitir (salvo 3G ou Skype e mesmo assim...) a visualização da expressão do interlocutor, capaz de veicular muito mais do que as palavras ditas ou escritas.
Seja como for, tudo isto faz parte do gozo de escrever (e ler), do jogo das insinuações e interpretações, dos innuendos e segundos sentidos que geram valor acrescentado e compõem um estilo próprio. A produção de textos tem, quase sempre, uma motivação muito própria e, regra geral, quanto mais pessoal for o tema, mais difícil se torna a sua interpretação, principalmente para aqueles que optam, redactores e leitores, por uma abordagem desprovida de sentido crítico, de proporções ou sensibilidade.
Enfim, siga a novela. Os leitores aguardam ansiosos...

-Então, gostaste?
-Não sei, dá-me uma semana para pensar.
Hoje, custa ler crítica de cinema pois, a utilidade desses textos é seleccionar as frases que os leitores vão poder utilizar para comentar o filme. O leitor dirá que o actor A ou B tem um “papelão”, que a fotografia é notável, que o argumento foi uma adaptação ou que a música é de um mocinho que morreu na rodagem. Clichés que legitimam que duas pessoas estejam frente a frente, mas que impedem que conheçamos e, por consequência que produzamos, um discurso pessoal sobre determinado filme.

quinta-feira, abril 10, 2008

Sina

Ler a sina na palma das mãos, consultar o horóscopo, jogar os búzios, deitar o Tarot, ouvir o oráculo são tudo misticismos em que se pode acreditar mais ou menos. Sejam eles meios científicamente não comprovados de prescutar o futuro ou meras aldrabices de feira cujo efeito é meramente psicológico, fruto da coincidência ou de uma habilidade inata para constatar o óbvio, o senso comum, uma escrita habilidosa/manhosa ou uma aguda perspicácia, a verdade é que, de vez em quando, acertam ou ficam assustadoramente perto. Actualmente sigo atentamente o que o Oráculo da Dica da Semana tem para me dizer sobre a semana em termos de amor, saúde, dinheiro e trabalho e posso dizer que:
1) Desconfio que estou a enlouquecer, ainda que lá não diga nada sobre isto;
2) Alguém me anda a vigiar e a bufar ao vidente;
3) O gajo é mesmo místico;
4) Afinal, Margarida RP, há coincidências;
5) Toda a civilização ocidental assenta nos pressupostos errados;
6) Esta semana tenho 3 sóis em tudo menos no dinheiro (só 2 mas tenho um mercedes vermelho descapotável, nha nha nha nha nha nha) num máximo de 4 e mínimo de uma nuvem;
7) A Dica da Semana é, afinal, o grande repositório de toda a sabedoria humana;
8) A minha cor é o azul, o meu dia é hoje, quinta, e se tivesse decorado os números da sorte era um gajo bestial ou autista porque eram alguns 3000;
9) O grande segredo sobre o significado da vida esteve este tempo todo escondido numa publicação de distribuição gratuita de uma superfície comercial de preços baixos (gosto muito dos yogurtes gigantes com pedaços), entre a entrevista com a personalidade desinteressante e a promoção de congelados, razão pela qual nunca ninguém o encontrou;
10) Sim, caso-me contigo (parece que é a semana certa para ela discutir este tipo de coisas comigo e adianta ainda que irei concordar com tudo).
Adenda: Acima do Oráculo da Dica da Semana só mesmo a madame Zandinga! Madame Zandinga lê tudu, sabi tudu, vê tudu! Lê nuis búziu, nuis mão, nuis pé, nuis turnuzelu, nuis joelho, nius coxa, nu... MADAME ZANDINGA!!!! Nunca tinha conhecido nenhuma mística que lesse o futuro em braille...

Leituras matinais

E se, de repente, o PCP merecesse um voto?

PCP denuncia que metade das empresas do PSI-20 é gerida por ex-governantes

quarta-feira, abril 09, 2008

Da importância de não ler.

Isitgettingbetter,ordoyoufeelthesame?WillitmakeiteasieronyounowYougotsomeoneto blameYousayOneloveOnelifeWhenit'soneneedinthenightOneloveWegettoshareitLeaves youbabyifyoudon'tcareforitDidIdisappointyou?Orleaveabadtasteinyourmouth?YouactlikeyouneverhadloveAndyouwantmetogowithoutWellit's…Too lateTonightTodragthepastoutintothelightWe'reone,butwe'renotthesameWegettocarry eachotherCarryeachotherOneHaveyoucomehereforforgiveness?Haveyoucometorraisethedead?HaveyoucomeheretoplayJesusTothelepersinyourhead?DidIasktoomuch?More thanalotYougavemenothing,nowit'sallIgotWe'reone,butwe'renotthesameWellwehurt eachotherThenwedoitagainYousayLoveisatempleLoveahigherlawLoveisatempleLove thehigherlawYouaskmetoenterbutthenyoumakemecrawlAndIcan'tbeholdingontowhat yougotWhenallyougotishurtOneloveOnebloodOnelifeYougottodowhatyoushouldOne lifeWitheachotherSistersBrothersOnelifeButwe'renotthesameWegettocarryeachotherCarryeachotherOne

terça-feira, abril 08, 2008

Leio cada vez mais.
São muitas dezenas de mails em cada dia da semana. Mais na empresa e no hotmail, menos no gmail.
O Google Reader anuncia-me todos os dias talvez uns 40 posts que devo ler.
Leio o Público, os desportivos, os regionais, um económico e um ou outro estrangeiro, quando a pressa não é demasiada, logo pela manhã.
Leio cartas e faxes, textos e sites. Respondo, corrijo, confirmo, sugiro e volto a ler.
Regulamentos, legislação, formulários, manuais, propostas e projectos. Diariamente.
Há muito que abandonei o Orkut e já não me lembro de ir ao Facebook. Ainda estou a tentar perceber o Star Tracker e tenho curiosidade pelo Linked in. Mensagens, propostas e desafios. Texto.
Os motores de busca e as bases de dados estão a matar a relevância das teses e dos artigos como o trânsito mata o prazer de conduzir. Pela democratização. Lê-se, lê-se, lê-se e escreve-se o que outros já escreveram. E quase tudo já foi escrito ou é inútil. A percentagem de textos científicos relevantes deve estar a aproximar-se perigosamente de zero. Tenho dúvidas de que deva ler mais do mesmo, sabendo que a probabilidade de ler algo novo é reduzida. Escreve-se sobre o já escrito e lê-se sobre o já lido.
Leio, leio, leio e cada vez tenho menos vontade de ler o que lia antigamente. Já quase não leio "bons" livros, daqueles tão interessantes e sobrevalorizados neste cantinho do mundo.
Leio cada vez menos.

Há na leitura um segredo que me encanta. Privacidade, recato, afastamento, individualidade: transformação do mais palavroso, no mais cartuxo reflexivo. Interessa-me o silêncio, e a percepção de um mundo inacessível a nascer dentro do ser público. Quem lê, no momento que o faz, fica mais espesso, coberto pela camada da imaginação de quem, de fora, não sabe o que quem lê, lê. Tem que ver com o tempo: suspensão. Abandono do orgânico e social. Corpo que se agência para a imaginação. Matéria que se sublima . E isso encanta-me.

És como um livro aberto...

Da maneira como leio as coisas, ou melhor, as pessoas, existem 7 tipos de personagem da vida real. Ou melhor, é possível, para mim, categorizar as pessoas em 7 grandes categorias. A saber:

- Camaleões
Adaptam-se facilmente a qualquer situação sem nunca mostrarem, se a têm verdadeiramente ou se esta muda constantemente, a sua essência. Podem ser qualquer um dos outros tipos.

- Aventureiros
Thrillseekers cheios de energia e positivismo desde que devidamente motivados pelas circunstâncias e acontecimentos fora do normal. Viciados em adrenalina. Loucos. Imprevisíveis. Espontâneos. Excêntricos.

- Carneiros
Parecidos com os primeiros mas primando pela apatia com que se sujeitam a tudo o que lhes acontece ou com o afã com que procuram a protecção da manada, sem nunca se destacarem. Cinzentos. Previsíveis. Banais.

- Sombrios
Vêem o lado escuro da vida como algo cool e de culto. Cínicos, cáusticos, críticos, quiçá traumatizados, falta-lhes a alegria assumida do lado upbeat e colorido da vida (ou assumirem a alegria) para serem completos ainda que sejam interessantes.

- Ms./Mr. Right
Tudo by the book. As regras, a coerência e as aparências são tudo e cumprir o plano estipulado está-lhes no sangue. Vão ser aquilo que sempre quiseram ser nem que isso os mate.

- Deprês
Deprimidos. Depressivos. Insatisfeitos. Incapazes de serem espontâneos ou verdadeira e despreendidamente alegres. Sugam a felicidade dos outros em proveito próprio sem nenhum retorno.

- Boa onda
Sempre na maior. Sempre alegres, bem dispostos, satisfeitos, despreocupados. Riem como respiram nem que seja à custa de serem saudavelmente tolos ou um pouco inconsequentes, excepto no que à alegria, relax e felicidade diz respeito.

Acredito que, no curso da vida, se possa mudar de um estilo para outro. Aceito também que alguns estejam presos entre géneros, dependendo do que os rodeia e do que a vida lhes apresenta. Mas, até ver, consigo encaixar, em determinada altura e dado um conhecimento suficientemente aprofundado que me permita ler o âmago da pessoa em questão, a grande maioria das pessoas numa delas. Quanto às restantes, estou na dúvida se tal se deve a ainda não as ter compreendido suficientemente bem ou se me faltam categorias para juntar a estas.

segunda-feira, abril 07, 2008

Ler

Lia-se-lhe nos olhos um misto de admiração e gula. Paixão e amor. Adoração e desejo. Porque nunca o quis esconder, porque, mesmo que o quisesse, ser-lhe-ia impossível dado o ímpeto do sentimento que o enchia, preenchia e jorrava pelos poros, radiante. Um brilho diferente fazia com que se notasse no meio da multidão como se de um farol de felicidade se tratasse e nada o detinha no seu caminho para o que mais desejava. Todos o viam, todos o conseguiam ler, no rosto, nos actos, nas palavras, nos textos... O amor não passa despercebido e não pode ser mascarado nem contido.
Nem sempre nos é fácil ler emoções. Seja nas expressões faciais, seja nos actos ou palavras. Mas há alturas em que é impossível esconder ou calar o que nos vai na alma. Até podemos tentar disfarçar ou conter o melhor que pudermos, mercê de circustâncias que nos ultrapassam, embora, para quem está atento, seja sempre visível um brilho, um olhar, um tom de voz que revela toda a força do que vai lá dentro, fervente e intenso, que não pode ser contido por convenções ou racionalizações.
Por mim falo porque não o consigo fazer e, mais a mais, a partir de certa altura e sendo certo e sabido que o que sinto sai cá para fora em torrentes, que a minha vontade passa mais pelo apregoar em grande de toda a imensa felicidade de ter encontrado alguém incrível com quem sou feliz, acrescido do facto de bastarem uns instantes de convívio em comum para ser claro e nítido de quem se trata, passa depois, na minha opinião, por demasiado hipócrita insistir numa tese de negação. Mais a mais parece-me que, quando tudo está bem na sua génese, não há motivos válidos para a clandestinidade.
Por força da distração também não serei o melhor dos perscrutadores de almas, mesmo daquelas que estão mais abertas a essa sondagem, ainda que, como já me têm dito, seja eu próprio de fácil leitura, o que não me agrada a 100% por gostar de reservar para mim algumas reacções pelo grau de inconveniência que podem conter e pela perda de margem negocial que implica. Somente aos mais próximos sou receptivo àquelas subtis indirectas, àqueles sinais subliminares que são lidos nas entrelinhas, mas mesmo nesses casos é possível uma má leitura e interpretação dessas emanações.

sexta-feira, abril 04, 2008

Dá-me música que eu gosto...

A história entre a música e as relações não é recente e não dá sinais de divórcio. Dar música, literal ou figurativamente, faz parte do tema e a dança da sedução corre ao som de uma banda sonora própria, por vezes ouvida apenas pelos intervenientes directos. Descontado o tipicamente teen feeling de sentir que aquela música foi escrita só para mim, a verdade é que existem bons autores capazes de descreverem exactamente o que nos vai na alma com uma canção. Das baladas mais tristes às mais tórridas batidas, vai toda a escala das situações que normalmente sucedem entre duas pessoas que se envolvem, numa composição nem sempre harmoniosa, por vezes mesmo dissonante, mas que, espera-se, conduza a um grand finale retumbante!
As variações sobre este tema são intermináveis, com letra e música a variarem sobre sedução, encontros, paixão, raiva, atracção, zangas, pazes, sexo, traição, perda, amor, desilusão e tantos outros cambiantes presentes. E há tantos e tão bons exemplos para todos eles...
Eu, já o disse, gosto muito de música. Também já o disse mas gosto sempre de o repetir, gosto mesmo muito de ti. E gosto, no bom sentido, literal e figurativamente, de te dar música! Já dizia o shô Palma "se eu fosse compositor, compunha em teu louvor um hino triunfal" mas "eu não passo de um homem vulgar que tem a sorte de saborear esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar". E agradeço essa sorte todos os dias!

quinta-feira, abril 03, 2008

Música

A vida precisa de uma banda sonora, risos e aplausos! Calvin dixit, ou frase semelhante.
O conceito é muito bom até porque esta divina comédia em que vivemos teria tudo a ganhar com este mui cinematográfico acrescento sonoro. Em boa verdade, graças à propagação indescriminada dos leitores de mp3, a noção de música portátil e em qualquer lado deu um significativo salto em frente (e adivinha-se já o próximo: música digital de difusão wireless portátil), com tudo de bom, música em qualquer altura e lugar, e mau, os autistas dos phones, que isso acarreta.
Eu gosto e não dispenso. No trabalho, no relax, no estudo, no carro, em casa, na praia, na rua, no café, nas compras e, combinação perfeita, na pista de dança. Os estilos são variados, do pop ao rock, do alternativo ao clássico, do pimba ao electrónico. Em português, inglês, brasileiro, francês, italiano, japonês... Há alturas e disposições para todos eles.
Há-as para ambientes mais tranquilos, mais românticos, mais animados, mais contemplativos, mais tristes, mais divertidos, mais melancólicos, mais reaccionários ou revolucionários, mais tresloucados... É escolher o efeito pretendido, de sedução a sedição, e alguém já compôs o acompanhamento musical! É escolher o tema, de break-ups a breakfasts, e alguém já redigiu a letra perfeita!
A propósito, estas linhas são escritas ao som das bandas sonoras da trilogia Matrix e do Lost Highway - messiânicas, épicas, empolgantes, dão vontade de pegar num machado, sabre de luz, AK-47 ou equivalente e ir ali num instantinho derrotar o mal ou conquistar o universo. Até já!

Money, it's a crime

E o melhor presidente que o dinheiro da Mota-Engil pode pagar é... Jorge Coelho!

Foi tudo dito há muito tempo, nesta música dos Pink Floyd, que cada dia nos descreve melhor.

quarta-feira, abril 02, 2008

Vira o disco e toca o mesmo...

A banda sonora podia ser a música do Padrinho mas mais provavelmente só com os intocáveis do Eliott Ness lá chegarão infelizmente...
As acusações sucedem-se, as histórias mais ou menos credíveis sobre prendas, viagens, prostitutas, bolas no frigorífico, ameaças, espancamentos, chantagens são já do conhecimento público, as gravações das escutas estão lá, preto no branco ainda que cinzentas à luz das normas processuais que deveriam ter sido seguidas para que não fossem declaradas inválidas. O poder e a impunidade andam, neste país, lado a lado juntamente com a pouca vergonha de quem ainda comemora com desfaçatez os títulos justificando-os com os sucessos extra-portas. Ora, somente com o descanso artifical da liga interna que lhes garantiu sucessivas presenças na Champions, foi possível orçamentar e ganhar o calo tão necessário para formar equipas cada vez mais fortes e competitivas, é verdade, e mais tranquilas pela senda de vitórias internas, porque já se sabe qual o impacto de feedback positivo que têm os resultados positivos no desporto. Os paralelos com o Marselha de Tapie ganham força e eco lá fora a cada dia que passa manchando para sempre o nome do FCPorto, tanto tempo associado a um bom exemplo e que, sem dúvida, tem algumas lições, principalmente em termos de organização, planeamento e capacidade negocial para dar. Mas o âmago podre mantém-se e conspurca tudo o resto...
Que os grandes sempre gozaram de um certo poder extra sobre os pequenos é certo e sabido (e sim, tempos houve em que outros clubes empunharam o ceptro negro do propalado sistema, o que não pode servir de argumentação para o que sucede agora, em tempos mais modernos e esclarecidos), com a justificação a cair na maior representatividade destes, no âmbito da natureza humana e das paixões intensas que impedem uma leitura isenta no desporto-rei. Influências maiores ou menores deste ou daquele personagem, pelas suas características e habilidades, idem. A força do capital também não é excepção no futebol para o que se vê na restante sociedade em que este se insere. Agora há e tem de haver limites para o que se pode fazer antes que o desporto perca o seu encanto por despido de competição. E se os outros grandes têm títulos a lamentar, que dizer daqueles clubes de linha secundária que lá poderiam, pontualmente como o Boavista, lá ter ido? E, pela tabela classificativa abaixo, os sonhos europeus destruídos, as descidas de divisão e as extinções de clubes históricos? A nódoa do apito dourado (e de processos semelhantes que têm de continuar a existir porque, gorada uma via, certamente que este cancro continuará a crescer até ser extripado, bastando ver resultados recentes tão bem conseguidos em campo próprio e alheio mau grado a larga vantagem já conquistada - quando roubar é um hábito de tão boas lembranças, é difícil largar o vício) tem de ser vista sob um prisma mais alargado que o da habitual tríade de candidatos a campeões. Mancha a peça toda e não apenas a face mais visível.
A justiça civil deu início ao processo até porque a desportiva, que só agora, tarde e a más horas dá mostras de um tímido arranque, está inquinada desde há muito tempo por uma teia de compadrio que prende tudo e todos a um código de silêncio e lealdade de um por todos e todos fora da cadeia que, tombada a primeira peça do dominó, virá a ruir pela base frágil onde assenta: os corruptos ratos do navio.
A música tem de mudar para bem de um desporto que arrasta multidões. Football is coming home e tem de sair dos bordéis onde andou a ser jogado para voltar ao habitat natural: a relva!

terça-feira, abril 01, 2008

Música de paz

Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes (ALA) à revista Visão (V) onde, às tantas, se evoca a "guerra do Ultramar", em Angola.

V: Ainda sonha com a guerra?
ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que, agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.
V: Parava a guerra?
ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?
V: Não vou pôr isso na entrevista...
ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?



PS:
Prestígio em França, Canadá, Reino Unido, Austrália, EUA, Espanha, Itália, Holanda, enfim, um pouco por todo o mundo.

E foi assim, nesta data, que a música começou...


Poucas pessoas podem ter a prova documental do momento em que tudo começou, do episódio zero da saga, do dia em que a música começou a tocar para não mais parar, numa coreografia perfeita... O acaso tem, felizmente, destas cerejas no topo do bolo! And the beat goes on...