quarta-feira, abril 09, 2008

Da importância de não ler.

Isitgettingbetter,ordoyoufeelthesame?WillitmakeiteasieronyounowYougotsomeoneto blameYousayOneloveOnelifeWhenit'soneneedinthenightOneloveWegettoshareitLeaves youbabyifyoudon'tcareforitDidIdisappointyou?Orleaveabadtasteinyourmouth?YouactlikeyouneverhadloveAndyouwantmetogowithoutWellit's…Too lateTonightTodragthepastoutintothelightWe'reone,butwe'renotthesameWegettocarry eachotherCarryeachotherOneHaveyoucomehereforforgiveness?Haveyoucometorraisethedead?HaveyoucomeheretoplayJesusTothelepersinyourhead?DidIasktoomuch?More thanalotYougavemenothing,nowit'sallIgotWe'reone,butwe'renotthesameWellwehurt eachotherThenwedoitagainYousayLoveisatempleLoveahigherlawLoveisatempleLove thehigherlawYouaskmetoenterbutthenyoumakemecrawlAndIcan'tbeholdingontowhat yougotWhenallyougotishurtOneloveOnebloodOnelifeYougottodowhatyoushouldOne lifeWitheachotherSistersBrothersOnelifeButwe'renotthesameWegettocarryeachotherCarryeachotherOne

terça-feira, abril 08, 2008

Leio cada vez mais.
São muitas dezenas de mails em cada dia da semana. Mais na empresa e no hotmail, menos no gmail.
O Google Reader anuncia-me todos os dias talvez uns 40 posts que devo ler.
Leio o Público, os desportivos, os regionais, um económico e um ou outro estrangeiro, quando a pressa não é demasiada, logo pela manhã.
Leio cartas e faxes, textos e sites. Respondo, corrijo, confirmo, sugiro e volto a ler.
Regulamentos, legislação, formulários, manuais, propostas e projectos. Diariamente.
Há muito que abandonei o Orkut e já não me lembro de ir ao Facebook. Ainda estou a tentar perceber o Star Tracker e tenho curiosidade pelo Linked in. Mensagens, propostas e desafios. Texto.
Os motores de busca e as bases de dados estão a matar a relevância das teses e dos artigos como o trânsito mata o prazer de conduzir. Pela democratização. Lê-se, lê-se, lê-se e escreve-se o que outros já escreveram. E quase tudo já foi escrito ou é inútil. A percentagem de textos científicos relevantes deve estar a aproximar-se perigosamente de zero. Tenho dúvidas de que deva ler mais do mesmo, sabendo que a probabilidade de ler algo novo é reduzida. Escreve-se sobre o já escrito e lê-se sobre o já lido.
Leio, leio, leio e cada vez tenho menos vontade de ler o que lia antigamente. Já quase não leio "bons" livros, daqueles tão interessantes e sobrevalorizados neste cantinho do mundo.
Leio cada vez menos.

Há na leitura um segredo que me encanta. Privacidade, recato, afastamento, individualidade: transformação do mais palavroso, no mais cartuxo reflexivo. Interessa-me o silêncio, e a percepção de um mundo inacessível a nascer dentro do ser público. Quem lê, no momento que o faz, fica mais espesso, coberto pela camada da imaginação de quem, de fora, não sabe o que quem lê, lê. Tem que ver com o tempo: suspensão. Abandono do orgânico e social. Corpo que se agência para a imaginação. Matéria que se sublima . E isso encanta-me.

És como um livro aberto...

Da maneira como leio as coisas, ou melhor, as pessoas, existem 7 tipos de personagem da vida real. Ou melhor, é possível, para mim, categorizar as pessoas em 7 grandes categorias. A saber:

- Camaleões
Adaptam-se facilmente a qualquer situação sem nunca mostrarem, se a têm verdadeiramente ou se esta muda constantemente, a sua essência. Podem ser qualquer um dos outros tipos.

- Aventureiros
Thrillseekers cheios de energia e positivismo desde que devidamente motivados pelas circunstâncias e acontecimentos fora do normal. Viciados em adrenalina. Loucos. Imprevisíveis. Espontâneos. Excêntricos.

- Carneiros
Parecidos com os primeiros mas primando pela apatia com que se sujeitam a tudo o que lhes acontece ou com o afã com que procuram a protecção da manada, sem nunca se destacarem. Cinzentos. Previsíveis. Banais.

- Sombrios
Vêem o lado escuro da vida como algo cool e de culto. Cínicos, cáusticos, críticos, quiçá traumatizados, falta-lhes a alegria assumida do lado upbeat e colorido da vida (ou assumirem a alegria) para serem completos ainda que sejam interessantes.

- Ms./Mr. Right
Tudo by the book. As regras, a coerência e as aparências são tudo e cumprir o plano estipulado está-lhes no sangue. Vão ser aquilo que sempre quiseram ser nem que isso os mate.

- Deprês
Deprimidos. Depressivos. Insatisfeitos. Incapazes de serem espontâneos ou verdadeira e despreendidamente alegres. Sugam a felicidade dos outros em proveito próprio sem nenhum retorno.

- Boa onda
Sempre na maior. Sempre alegres, bem dispostos, satisfeitos, despreocupados. Riem como respiram nem que seja à custa de serem saudavelmente tolos ou um pouco inconsequentes, excepto no que à alegria, relax e felicidade diz respeito.

Acredito que, no curso da vida, se possa mudar de um estilo para outro. Aceito também que alguns estejam presos entre géneros, dependendo do que os rodeia e do que a vida lhes apresenta. Mas, até ver, consigo encaixar, em determinada altura e dado um conhecimento suficientemente aprofundado que me permita ler o âmago da pessoa em questão, a grande maioria das pessoas numa delas. Quanto às restantes, estou na dúvida se tal se deve a ainda não as ter compreendido suficientemente bem ou se me faltam categorias para juntar a estas.

segunda-feira, abril 07, 2008

Ler

Lia-se-lhe nos olhos um misto de admiração e gula. Paixão e amor. Adoração e desejo. Porque nunca o quis esconder, porque, mesmo que o quisesse, ser-lhe-ia impossível dado o ímpeto do sentimento que o enchia, preenchia e jorrava pelos poros, radiante. Um brilho diferente fazia com que se notasse no meio da multidão como se de um farol de felicidade se tratasse e nada o detinha no seu caminho para o que mais desejava. Todos o viam, todos o conseguiam ler, no rosto, nos actos, nas palavras, nos textos... O amor não passa despercebido e não pode ser mascarado nem contido.
Nem sempre nos é fácil ler emoções. Seja nas expressões faciais, seja nos actos ou palavras. Mas há alturas em que é impossível esconder ou calar o que nos vai na alma. Até podemos tentar disfarçar ou conter o melhor que pudermos, mercê de circustâncias que nos ultrapassam, embora, para quem está atento, seja sempre visível um brilho, um olhar, um tom de voz que revela toda a força do que vai lá dentro, fervente e intenso, que não pode ser contido por convenções ou racionalizações.
Por mim falo porque não o consigo fazer e, mais a mais, a partir de certa altura e sendo certo e sabido que o que sinto sai cá para fora em torrentes, que a minha vontade passa mais pelo apregoar em grande de toda a imensa felicidade de ter encontrado alguém incrível com quem sou feliz, acrescido do facto de bastarem uns instantes de convívio em comum para ser claro e nítido de quem se trata, passa depois, na minha opinião, por demasiado hipócrita insistir numa tese de negação. Mais a mais parece-me que, quando tudo está bem na sua génese, não há motivos válidos para a clandestinidade.
Por força da distração também não serei o melhor dos perscrutadores de almas, mesmo daquelas que estão mais abertas a essa sondagem, ainda que, como já me têm dito, seja eu próprio de fácil leitura, o que não me agrada a 100% por gostar de reservar para mim algumas reacções pelo grau de inconveniência que podem conter e pela perda de margem negocial que implica. Somente aos mais próximos sou receptivo àquelas subtis indirectas, àqueles sinais subliminares que são lidos nas entrelinhas, mas mesmo nesses casos é possível uma má leitura e interpretação dessas emanações.

sexta-feira, abril 04, 2008

Dá-me música que eu gosto...

A história entre a música e as relações não é recente e não dá sinais de divórcio. Dar música, literal ou figurativamente, faz parte do tema e a dança da sedução corre ao som de uma banda sonora própria, por vezes ouvida apenas pelos intervenientes directos. Descontado o tipicamente teen feeling de sentir que aquela música foi escrita só para mim, a verdade é que existem bons autores capazes de descreverem exactamente o que nos vai na alma com uma canção. Das baladas mais tristes às mais tórridas batidas, vai toda a escala das situações que normalmente sucedem entre duas pessoas que se envolvem, numa composição nem sempre harmoniosa, por vezes mesmo dissonante, mas que, espera-se, conduza a um grand finale retumbante!
As variações sobre este tema são intermináveis, com letra e música a variarem sobre sedução, encontros, paixão, raiva, atracção, zangas, pazes, sexo, traição, perda, amor, desilusão e tantos outros cambiantes presentes. E há tantos e tão bons exemplos para todos eles...
Eu, já o disse, gosto muito de música. Também já o disse mas gosto sempre de o repetir, gosto mesmo muito de ti. E gosto, no bom sentido, literal e figurativamente, de te dar música! Já dizia o shô Palma "se eu fosse compositor, compunha em teu louvor um hino triunfal" mas "eu não passo de um homem vulgar que tem a sorte de saborear esse teu passo inseguro e o paraíso no teu olhar". E agradeço essa sorte todos os dias!

quinta-feira, abril 03, 2008

Música

A vida precisa de uma banda sonora, risos e aplausos! Calvin dixit, ou frase semelhante.
O conceito é muito bom até porque esta divina comédia em que vivemos teria tudo a ganhar com este mui cinematográfico acrescento sonoro. Em boa verdade, graças à propagação indescriminada dos leitores de mp3, a noção de música portátil e em qualquer lado deu um significativo salto em frente (e adivinha-se já o próximo: música digital de difusão wireless portátil), com tudo de bom, música em qualquer altura e lugar, e mau, os autistas dos phones, que isso acarreta.
Eu gosto e não dispenso. No trabalho, no relax, no estudo, no carro, em casa, na praia, na rua, no café, nas compras e, combinação perfeita, na pista de dança. Os estilos são variados, do pop ao rock, do alternativo ao clássico, do pimba ao electrónico. Em português, inglês, brasileiro, francês, italiano, japonês... Há alturas e disposições para todos eles.
Há-as para ambientes mais tranquilos, mais românticos, mais animados, mais contemplativos, mais tristes, mais divertidos, mais melancólicos, mais reaccionários ou revolucionários, mais tresloucados... É escolher o efeito pretendido, de sedução a sedição, e alguém já compôs o acompanhamento musical! É escolher o tema, de break-ups a breakfasts, e alguém já redigiu a letra perfeita!
A propósito, estas linhas são escritas ao som das bandas sonoras da trilogia Matrix e do Lost Highway - messiânicas, épicas, empolgantes, dão vontade de pegar num machado, sabre de luz, AK-47 ou equivalente e ir ali num instantinho derrotar o mal ou conquistar o universo. Até já!

Money, it's a crime

E o melhor presidente que o dinheiro da Mota-Engil pode pagar é... Jorge Coelho!

Foi tudo dito há muito tempo, nesta música dos Pink Floyd, que cada dia nos descreve melhor.

quarta-feira, abril 02, 2008

Vira o disco e toca o mesmo...

A banda sonora podia ser a música do Padrinho mas mais provavelmente só com os intocáveis do Eliott Ness lá chegarão infelizmente...
As acusações sucedem-se, as histórias mais ou menos credíveis sobre prendas, viagens, prostitutas, bolas no frigorífico, ameaças, espancamentos, chantagens são já do conhecimento público, as gravações das escutas estão lá, preto no branco ainda que cinzentas à luz das normas processuais que deveriam ter sido seguidas para que não fossem declaradas inválidas. O poder e a impunidade andam, neste país, lado a lado juntamente com a pouca vergonha de quem ainda comemora com desfaçatez os títulos justificando-os com os sucessos extra-portas. Ora, somente com o descanso artifical da liga interna que lhes garantiu sucessivas presenças na Champions, foi possível orçamentar e ganhar o calo tão necessário para formar equipas cada vez mais fortes e competitivas, é verdade, e mais tranquilas pela senda de vitórias internas, porque já se sabe qual o impacto de feedback positivo que têm os resultados positivos no desporto. Os paralelos com o Marselha de Tapie ganham força e eco lá fora a cada dia que passa manchando para sempre o nome do FCPorto, tanto tempo associado a um bom exemplo e que, sem dúvida, tem algumas lições, principalmente em termos de organização, planeamento e capacidade negocial para dar. Mas o âmago podre mantém-se e conspurca tudo o resto...
Que os grandes sempre gozaram de um certo poder extra sobre os pequenos é certo e sabido (e sim, tempos houve em que outros clubes empunharam o ceptro negro do propalado sistema, o que não pode servir de argumentação para o que sucede agora, em tempos mais modernos e esclarecidos), com a justificação a cair na maior representatividade destes, no âmbito da natureza humana e das paixões intensas que impedem uma leitura isenta no desporto-rei. Influências maiores ou menores deste ou daquele personagem, pelas suas características e habilidades, idem. A força do capital também não é excepção no futebol para o que se vê na restante sociedade em que este se insere. Agora há e tem de haver limites para o que se pode fazer antes que o desporto perca o seu encanto por despido de competição. E se os outros grandes têm títulos a lamentar, que dizer daqueles clubes de linha secundária que lá poderiam, pontualmente como o Boavista, lá ter ido? E, pela tabela classificativa abaixo, os sonhos europeus destruídos, as descidas de divisão e as extinções de clubes históricos? A nódoa do apito dourado (e de processos semelhantes que têm de continuar a existir porque, gorada uma via, certamente que este cancro continuará a crescer até ser extripado, bastando ver resultados recentes tão bem conseguidos em campo próprio e alheio mau grado a larga vantagem já conquistada - quando roubar é um hábito de tão boas lembranças, é difícil largar o vício) tem de ser vista sob um prisma mais alargado que o da habitual tríade de candidatos a campeões. Mancha a peça toda e não apenas a face mais visível.
A justiça civil deu início ao processo até porque a desportiva, que só agora, tarde e a más horas dá mostras de um tímido arranque, está inquinada desde há muito tempo por uma teia de compadrio que prende tudo e todos a um código de silêncio e lealdade de um por todos e todos fora da cadeia que, tombada a primeira peça do dominó, virá a ruir pela base frágil onde assenta: os corruptos ratos do navio.
A música tem de mudar para bem de um desporto que arrasta multidões. Football is coming home e tem de sair dos bordéis onde andou a ser jogado para voltar ao habitat natural: a relva!

terça-feira, abril 01, 2008

Música de paz

Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes (ALA) à revista Visão (V) onde, às tantas, se evoca a "guerra do Ultramar", em Angola.

V: Ainda sonha com a guerra?
ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que, agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.
V: Parava a guerra?
ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?
V: Não vou pôr isso na entrevista...
ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?



PS:
Prestígio em França, Canadá, Reino Unido, Austrália, EUA, Espanha, Itália, Holanda, enfim, um pouco por todo o mundo.

E foi assim, nesta data, que a música começou...


Poucas pessoas podem ter a prova documental do momento em que tudo começou, do episódio zero da saga, do dia em que a música começou a tocar para não mais parar, numa coreografia perfeita... O acaso tem, felizmente, destas cerejas no topo do bolo! And the beat goes on...

sexta-feira, março 28, 2008

Os sete pecados magníficos... perdão, mortais

Quem nunca pecou que atire a primeira pedra... ao contrário do que cada um de nós estará pronto a afirmar, não surge após esta frase nenhuma revoada de calhaus, seja para que audiência for proferida. Sempre prontos para afirmar solenemente uma qualquer qualidade camuflada de defeito como teimosia por persistência ou demasiado críticos numa espiral depressiva, é dificil ser assertivo numa auto-análise. Tomando como referência, por exemplo, os sete pecados mortais, temos:
Da minha parte, destes posso dizer been there, done that pelo que o meu lugar no Inferno estaria garantido se tal local ainda existisse. Claro que o grau em que os cometes importa e era importante aferi-los por uma qualquer escala para se poder ter uma melhor noção sobre o dito pecado. Por exemplo, por Gula nunca fiz mais do que ficar mal disposto. Por luxúria se calhar estava caladinho. Avareza é um ponto fraco da minha parte e teria muito a melhorar neste capítulo para poder garantir bilhete. Ira sim, um must; ainda que raros, tenho no cadastro uns épicos ataques de fúria daqueles que fazem ver tudo em vermelho sendo que, ultimamente, estou bem mais tranquilo. Soberba, sim, dado que não nego que gosto das coisas boas da vida, tanto materiais como imateriais. Vaidade, na óptica da minha óptima auto-estima, admito-a em certo grau. Quanto à Preguiça, já foi pior, bem pior, tendo agora uma dose razoável que me permite apreciar um belo fim de tarde espapaçado ao sol tranquilamente.
Como em tudo é a dose que faz o veneno e por isso, mesmo um pecado pode ser o tempero certo para condimentar uma vida demasiado insossa. Em demasia pode estragar tudo, pelo que todo o cuidado é pouco. É pecar, malta, é pecar. Mas com juízo! A redenção está à porta assim como o fim de semana! Aproveitem e depois confessem-se aqui!

quinta-feira, março 27, 2008

Adoro traidores. Detesto mentirosos, mas adoro traidores. Traidores à séria. Os que escolhem construir sozinhos o seu próprio caminho, contra as expectativas da família, dos amigos, do estado ou da religião. Esses sim, são os sozinhos. Os singulares, os que interessam. A traição, enquanto acto contrário às expectativas que uma instituição, ou pessoa tem de outra, é por definição sempre um acto de liberdade.

Selecção Nacional e a sua némesis

"Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilibrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é."

Deve ser por isto que volta e meia levamos uma coça destes gajos; para nos porem no nosso lugar. Bom, nunca sabem bem mas se há altura para uma derrota é num amigável. Agora aprendam com os erros para ver se não os repetem quando for a doer.

E que falta faz o Karagounis ao meio campo do Benfica...

quarta-feira, março 26, 2008

Democratite

Lindíssima forma de governo que funciona com base num pressuposto de que todos somos iguais no direito ao voto e na escolha de um governo eleito pela mairia mas que na prática e no nosso ainda demasiado imaturo sistema:
- Impede que falem mal dela própria por causa do papão do fascismo (que serve de areia para os olhos enquanto enchem os bolsos);
- Impede que falem mal dela porque é anti-democrático (parabéns pelo inovador conceito de pôr anti antes de qualquer forma de crítica a algo);
- Impede que falem mal dela própria porque não há outra melhor;
- Porque as assimetrias socio-económicas colocam demasiado stress num sistema que priveligia a igualdade;
- Porque o sistema fiscal é demasiado falível e permeável na distribuição da riqueza;
- Porque a segurança social é tudo menos segura;
- Porque há quem troque votos por sacos de plástico e electrodomésticos;
- Porque há crime sem castigo e a justiça há muito que deixou de ser cega;
- Porque há quem tenha elegido a Fátima Felgueiras, o Valentim Loureiro, o Alberto João Jardim e o Avelino Ferreira Torres, assista à pouca vergonha e ainda goste deles e venha para as ruas falar (Quem lhes deu o direito de expressão e o direito ao voto não os pode revogar por justa causa?);
- Porque os políticos mentem mais do que fazem e ninguém tem já paciência para os desmentir
- Porque a imprensa tem o rabo preso e cala-se ou diz o que lhe mandam;
-Porque já poucos se interessam (quem se pode dar a esse luxo) ou votam ou porque têm muito mais com que se preocupar dado o aumento do custo de vida;
- Porque enquanto não houver igualdade de educação e civismo o conceito não funciona porque os votos não valem todos o mesmo se não forem votos informados;
- Porque com a falência de todas as outras soluções governativas que faliram ou secaram perto do eucalipto democrático hegemónico, este reina agora soberano, incontestado e descontrolado (salvo uns poucos feudos ditatoriais ou utópicos ainda mais descontrolados) como qualquer monopólio.

My thoughts exactly

Só que para ser politicamente incorrecto, eu diria: quem nos anda a roubar?

Leiam isto.

Se o preço do barril de petróleo em euros desceu de 2000 até agora, por que é que o gasóleo custa agora mais do dobro do que custava então?

E quando o dólar começar a subir, será essa a justificação para que os preços dos combustíveis continuem a disparar?

Que roubalheira...

Hoje, ser politicamente incorrecto, é ter uma opinião precedida pela classificação de que a opinião que se segue é politicamente incorrecta. É assim, como, classificar de pintura tudo o que foi pintado, ou de cinema tudo o que foi filmado. Ser politicamente incorrecto é ser politicamente correcto. Por causa do advérbio. Os advérbios são as lulas da corte. Os moldáveis, os intriguistas, os traidores. Tal como os politicamente incorrectos. Prefiro o tipo substantivo. Calhau abrupto, burro, elefante parado, Bartleby, que só sai para a guerra quando sabe que pode perder tudo. Por isso, borrifo-me em ter opiniões sobre as contingências da governação, sobre ambiguidades das vontades ou sobre questões fracturantes. Prefiro ver saias rodadas, o medo de ser descoberto a fumar, a falta de preservativos, a tosse que o vinagre das saladas causa na garganta, as aftas dos outros, as bifanas gordurentas, os empregados do cinema, os mendigos na rua, as escolhas de comprar ou não comprar um carro, as hesitações e as palavras trocadas.

terça-feira, março 25, 2008

Só que na Islândia os sifões são mais caros

A Madeira pode vir a ser uma ilha sustentável. Mas apenas em termos energéticos. De resto, comparar a Islândia à ilha em que vigora o "andavas de jerico a vender sifões e agora és milionário", só por brincadeira...

(este post é uma experiência. se tudo correr bem, na página do Público linkada a Gabardina terá link de volta. Viva a tecnologia!)

O pequeno Necrotério Rêgo Grande Cólica de Jesus era coxo, anão, preto e albino (uma combinação raríssima e supinamente infeliz), cego, surdo, mudo, maneta, corcunda, vesgo, paraplégico, mongolóide, desdentado, gordo, zarolho, atrasado mental, careca, feio (mesmo sabendo que há gostos para tudo e que estes não se discutem, neste caso havia consenso generalizado sobre o quão hediondo era o rapazinho), sopinha de massa e gago (titubeava ciciante os gemidos incoerentes que a custo conseguia emitir entre rios de baba), tinha mau feitio, lábio leporino, síndroma de Tourette (felizmente era mudo e por isso não incomodava muito), acne, lepra, gases, sarna, artrite, renite, lúpus, sida, herpes, hepatite, doença de crohn, parkinson, alzheimer, unha encravada, halitose, pele oleosa, caspa e pulgas, era gay, judeu ortodoxo, fumava, ressonava, consumia gorduras saturadas e álcool, drogas, conduzia (a cadeira de rodas, claro) como um louco que, adianto, também era (paranóico - sempre que passava achava que toda a gente ficava a olhar para ele; e histriónico - adorava ser o centro das atenções) e votou Santana, Soares e Sócrates nas últimas eleições, não respectivamente. Mas acreditava piamente na reencarnação, razão pela qual tinha muita fé que um dia, nem que fosse na próxima vida, pertenceria a uma minoria mais feliz e menos discriminada. Teve azar. Nasceu portista.

segunda-feira, março 24, 2008

Blogar é uma forma de engate

Quando os mais ilustres assumem coisas semelhantes, não há por que o negar: este blog existe para o engate.
Ter este blog não é propriamente andar no Second Life, site que todos sabemos para o que serve. (Não quer dizer que alguns dos seus colaboradores não tenham por lá um avatar... a gerência não põe as mãos no fogo nem por ela própria). Ter este blog é, digamos assim, um meio termo aceitável e socialmente correcto entre ser uma pessoa estável, dedicada à família, e passar os dias fechado num quarto sombrio, a fumar, sem tomar banho, a tentar convencer desconhecidas a fazer sexo via messenger.
Apesar dos textos mais ou menos artísticos, da preocupação estética e da oferta musical, textos e caixas de comentários, títulos e sitemeter servem um único e nobre propósito: o engate.
A julgar pela reportagem sobre o Second Life, e exclusivamente em termos de eficácia, este blog tem-se revelado um acertadíssimo investimento.

Números de telemóvel nesta caixa de comentários. Na ausência de forma de contacto, uma leitura mais demorada poderá ser encarada como tentativa de aproximação e o teu IP investigado exaustivamente até que cheguemos até ti. Volta sempre.