domingo, março 16, 2008

VW Polo


100.000 kms e 10 anos depois chegou ao final a nossa relação. Tanto passeio, tanta viagem, risos e lágrimas, sustos e surpresas, fases boas e más, por tudo isto passei ao volante do JT. Agora é altura de dizer adeus e escolheres um novo dono. O motor 1.0 a gasolina que me locomoveu durante estes últimos tempos tem tudo para fazer outro tanto, fiel e regular como sempre. De mim ficam só boas referências para quem as quiser ouvir.

1500 euros são um valor escasso para tanta memória mas a vida é assim mesmo...

sexta-feira, março 14, 2008

Homens & Mulheres

Li num blog chocolateiro o desabafo de uma amiga sobre o relacionamento entre homens e mulheres. Nem a dita miúda é burra nem acredito que se preste muito a desempenhar tal papel. Por outro lado, há coisas que não são mesmo para perceber ou para meter a foice em seara alheia.
Salvaguardado este ponto, acho que já não vivemos (este nós refere-se principalmente a pessoas da minha geração, cultas, instruídas, inteligentes, emocionalmente estáveis e, no geral, urbanas e evoluídas) numa altura em que se possam manter ou encarnar de livre vontade esses chavões de burras e machistas. É certo que cada um tem aquilo que (faz por) merece(r) e só se mete nas merdas quem quer, pelo que, ultrapassada que está a queima dos sutiãs dos anos 60 (mesmo dado o habitual lag da tradicionalista e conservadora (se calhar mesmo só inerte e preguiçosa) sociedade Portuguesa quanto aos hábitos, usos e costumes) e lutas pela igualdade de deveres e direitos, é tempo de partir para a assunção honesta das diferenças existentes entre géneros, quanto a mim a única e verdadeira maneira de respeitar todos por igual, para facilitar o diálogo que, de vez em quando, parece estar a ser falado em línguas completamente diferentes pelas partes envolvidas. O respeito mútuo, a confiança (tão difícil de recuperar uma vez perdida) e a compreensão são pilares sobre os quais assenta uma relação seja ela de que cariz for e não há, para mim, espaço para imposições autistas lado a lado com amor, amizade e carinho.
Felizmente, a cada dia que passa e por força das imutáveis leis de "mercado", procura e oferta, e se não faltar força de vontade, personalidade e carácter, escasseiam estes dinossauros que caminham para a extinção ou para nichos muito reduzidos.

quinta-feira, março 13, 2008

Viking - Strip Bar

Por ocasião da festa pós-ante-estreia dos passaroucos enamorados, calhou por força do destino e das circunstâncias que o cast & crew do filme rumasse ao Cais do Sodré e a este antro em particular. O contraste entre a entourage cinematográfica e os frequentadores habituais do tasco fazia lembrar uma sopa passada com pedaços. O caldo era semelhante mas os legumes inteiros destacavam-se. Mais ainda se destacava uma tríade de dignos personagens entre os locals:

Um Patrick Swayze em versão marinheiro tatuado, degradado e drogado que dançava de braços cruzados sobre o peito, gesto de rockeiro com dedos em riste nas mãos e ar de concentração introspectiva enquanto entoava para si as letras profundas da playlist infernal que emanava da cabine do DJ.

Um ser híbrido de cabelo à la actual Nick Cave revamped para mais careca e mais poupa, óculos dourados redondos, semblante enigmático, olhar perdido e um viveiro de herpes simplex, duplex e triplex em que insistentemente remexia num tique obsessivo-compulsivo.

Uma stripper, Vivianne, mecânica e sem réstia de sensualidade, em regime de exibição despudurada em palco desmontada à saída em pêlo pelo meio da assistência por entre olhares provocadores para a cabine do DJ e um sorriso confiante de quem tem, pelo menos parte, da assistência masculina refém do seu tarimbado corpo.

Decadente. Ambiente estranhamente familiar para a fauna de habitués residentes. Degradante. Pleno de histórias, estórias e personagens absolutamente cativantes e fora do normal. Depravado. Atraente e repulsivo ao mesmo tempo na óptica do observador.

Escasseava por lá classe, nível, sensualidade, limpeza, elevação, dignidade, aprumo, saúde física ou mental.


Apesar de haver escassa a informação sobre esta banda, posso garantir que os rapazes são simpáticos, têm um som sério e que gostam do que fazem. Será por isso um gosto o concerto de hoje no Music Box, numa das ultimas zonas sérias de Lisboa: o cais do Sodré.

quarta-feira, março 12, 2008

Benfiquices

Ultimamente tudo escasseia para os lados da luz.
Boas exibições. Vitórias. Pontos. Golos. E ultimamente até jogadores (7 indisponíveis, 3 dos quais titulares indiscutíveis entre os quais a dupla de centrais titulares e o melhor marcador, para o jogo de logo num plantel de 25 fazem alguma mossa) e treinador...
Seja como for, do outro lado a coisa também não está fácil para Laudrup, com poucas escolhas disponíveis e a cantera a ter também de colaborar para a elaboração da lista dos convocados.
O apoio, como sempre, mantém-se porque a vitória é o único caminho!
O palpite:
Quim; Leo, Katsouranis, Edcarlos, Nélson; Rodriguez, Petit, Rui Costa, Maxi; Nuno Gomes, Makukula
Do banco sairão: Sepsi, Mantorras e Di Maria para os lugares de Maxi, Nuno Gomes e Makukula
Marcadores: Rui Costa, Makukula e Mantorras. De La Red pelos espanhóis.
E que o resultado não peque por escasso!

terça-feira, março 11, 2008

Exposição

A escassez é, não só o critério de valor mais utilizado, o que significa que uma coisa valerá mais ou menos, não pelas qualidades próprias que possui, mas, pela circunstância acidental de ser ou não abundante, mas também e necessariamente a contrario, mecanismo que extingue o valor do seu antónimo abundante. Tentarei exemplificar.

Muy raro, tio...

Como sinónimo de escasso, raro é, em português, muito utilizado mas toma em espanhol um outro significado, similar é certo, mas mais positivo. O de precioso.
Nesse sentido, temos que há coisas verdadeiramente raras nesta vida às quais nem sempre damos o valor que merecem. Tal costuma suceder apenas quando nos faltam, quando não estão, como sempre esperámos que estivessem, lá. Ou quando se tornam escassas.
Por outro lado, é certo que sendo o que é demais moléstia o que é de menos também não é bom. Pode argumentar-se que a necessidade estimula o engenho mas pode acabar por aparecer uma solução imprevista. Em resumo, a dose faz o veneno, frase lindíssima retirada de uma aula de bioquímica perdida no tempo.
Como o tempo é escasso e o trabalho abunda, de momento não vai dar para mais.

segunda-feira, março 10, 2008

Ser escasso

Há palavras que se usam noutras línguas em sentidos que fazem falta à língua portuguesa. Uma delas é o italiano scarso que, correspondendo também ao português escasso, é muito utilizado para definir a insuficiente capacidade de alguém para desempenhar determinada função.
Muitas vezes me apetece dizer que o Luís Filipe Menezes é escassíssimo como líder da oposição, que a Ministra da Educação é escassa ou que o Ronny enquanto lateral esquerdo do Sporting é notoriamente escasso. Na falta deste sentido, sou obrigado a utilizar substitutos não totalmente satisfatórios, como idiota, desastrado e incapaz. Não respectivamente.

Não tanto escassa como mal distribuída

Disse David Hume que a escassez era a fonte de todos os conflitos. É uma maneira de ver as coisas. Outra pode ser a má distruibuição. Face à crescente inovação tecnológica que permite a exploração de matérias primas cada vez mais distantes ou anteriormente consideradas não rentáveis ou inatingíveis (no limite fora do nosso berlinde azul) e ao aumento do uso de energias renováveis, inesgotáveis por definição, será válido manter esta premissa? Penso que não e que passará antes pela desigualdade na acumulação e controlo de certos bens e serviços, essa sim alimentada por algo aparentemente ilimitado: a ganância humana. Concordo que, para já, vivemos "presos" neste mundo cada vez mais mundinho e que importa ser racional na utilização de alguns recursos como a àgua potável (cuja privatização, da rede pública, adianto, vejo como perigosa e sem retorno), sob pena de assistirmos ao encarecimento dela até se tornar num bem de tal modo caro que o seu uso sem restrições se torne apanágio dos ricos e poderosos e se transforme (como de certa forma já o é na agricultura e indústria) num factor limitante para o desenvolvimento e mesmo para a sobrevivência, à imagem do que vimos em grandes filmes (premonitórios?) como Mad Max ou no fiasco Waterworld.

Escassez e neurose

Os denominadores comuns que encontro na geração a que pertenço são a escassez e, por via dela, a neurose. Houve, em tudo o que passei, sempre a nota de escasso, de recurso a disputar, de limitação. Uma voz a dizer “não há para todos” e violentar os que ficam de fora. Falo das vagas para entrada na universidade, dos elegíveis estágios profissionais, dos empregos, da segurança social, do serviço de saúde, enfim…tudo o que a geração anterior teve em barda, mas que resolveu apresentar à minha como escasso. Por isso, há na geração a que pertenço, uma permanente sensação de risco, de medo de perder do que há pouco. Uma permanente neurose, que resulta da impossibilidade de ter mão na escassez. Mais importantes que a traição que os pais do estado social fizeram aos seus filhos, serão as consequências que essa terá no futuro.

sexta-feira, março 07, 2008

Gostar de pés

Há quem adore. Não eu mas, por exemplo, o Tarantino. E essa fixação do Tarantino traz-nos desgostos, como os feios pés da Uma Thurman, em grande plano no Kill Bill. Os pés dos filmes do Tarantino aqui.

Levar ou dar com os pés

Faz parte. Acontece. Quando uma relação, seja ela de que índole for, corre mal eventualmente é algo que sucede. Sim, é triste. Sim, custa. Mas, tantas vezes, é mesmo a melhor coisa que se pode fazer ainda que não seja fácil ver isso na altura. Para "ambos os dois". Para quem dá com eles porque chegou ao limite, para quem leva com eles porque não faz sentido querer ficar com quem não quer ficar. Do choque nasce a mudança e uma vontade de melhorar, uma oportunidade para crescer, para nos reinventarmos. Às vezes perpetuamos uma relação apenas por comodismo, por inércia, pela manutenção do status quo. É a paz podre só para evitar a convulsão da ruptura. Mas a ruptura pode ser boa e até necessária para avançar, para evoluir.
O mais importante nestas alturas de perda é assumir o sucedido, recuperar a auto-estima, sarar o orgulho ferido e levantar a cabeça, mais que não seja pelo simples motivo de não valer a pena querer quem não nos quer, ficar com a pessoa errada e porque o sentimento tem de ser recíproco (mais a mais, por vezes gostar, mesmo que seja muito, não chega). A quebra dos hábitos e das rotinas é sempre dolorosa mas não é por adiarmos algo que o problema se resolve. E mais vale resolvermos o problema nos nossos termos e calendário do que esperar que ele se resolva por si ou por terceiros.
Claro que falar é fácil mas, por muito que pareça impossível perceber isto no momento em que ocorre a ruptura, o passar do tempo ajuda imenso e há sempre amigos e farras para ocupar o espírito e ajudar no processo. Também é necessário fazer uma auto-avaliação para ver quais os pontos a melhorar, se os houver, quais os erros cometidos, para evitar cometê-los de novo, e avaliar compatibilidades, para não sair outra fava na rifa. Por muito difícil e frio que isto pareça, as feridas saram, a disponibilidade para novo envolvimento emocional ressurge e, com sorte, sem forçar nada, acaba por aparecer outra pessoa. Com muita sorte, a pessoa certa. Aquela com que apetece ficarmos para o resto da vida. Aquela que faz todo o sentido e que dá sentido a tudo.
Eu sinto-me com sorte, com muita sorte mesmo. Isto apesar de ontem, no jogo de futebol das quintas, me terem dado com um pé. Aliás, com mais do que um pé. Vendo bem, deram-me cabo de um pé. Mais precisamente, acho que me partiram um dedo do pé. Hélas. Faz parte...

quinta-feira, março 06, 2008

PES - Pro Evolution Soccer

Ou, como o conheci originalmente, Winning Eleven. Muito, muito bom! Talvez até, nas últimas versões, demasiado bom, demasiado completo, se isto pode ser um defeito, tornando-se menos rápido ou intuitivo o domínio sobre as capacidades do jogo, o que acaba por exigir mais empenho e horas de treino para se poder efectivamente usufruir plenamente desta pérola da programação de simuladores de futebol.
Relembro as horas passadas em frente à televisão (com este e com outros jogos, inclusivamente um certo fim de semana, de sexta a domingo, em que a minha realidade se transferiu para o interior do fabuloso mundo do Final Fantasy IX com grande frustração por, independentemente de apenas ter feito curtas pausas para comer e dormir, não ter sequer terminado o primeiro dos três CDs) a ganhar calos nas mãos e entoando já com um razoável domínio da pronúncia japonesa os cânticos dos adeptos da J-League. Kashima Antlers, Sanfrecce Hiroshima, Urawa Reds...
Ossoiotoiossoiotoio! 出場停止選手のお知らせ!!! Goooooooool!!

Hoje ao norte, 12 ao sul, 13 em todo o lado

The LoveBirds

Corto uma unha do pé. Os sistemas têm o doce desespero da inclusão total. Limo uma unha do pé. Os fechados, mas também os abertos, pois estes têm na definição de fronteira, outra vez o doce desespero da inclusão total. Raspo um calo do pé. O mecanismo de inclusão que mais me comove nos sistemas fechados é o argumento a contrario, pois exige que se postule uma dualidade absoluta entre o que está dentro e o que está fora. Tiro um espigão da mão.

quarta-feira, março 05, 2008

Pés p'rá cova

Os últimos suicídios e acidentes mortais em Portugal fazem-me lembrar o caso JFK, em que as testemunhas-chave tinham o estranho hábito de se suicidarem com tiros na nuca.

terça-feira, março 04, 2008

O glorioso mundo dos PEZ

A elegância tem sempre pés de barro.

Só tem pés de barro o que não é de barro. Se de barro fosse, não se falaria nos pés.

Ter pés de barro, é, na verdade só ter de barro os pés. Por isto, gosto dos de pés de barro. Fortes e frágeis: a derrubável e gentil força.

segunda-feira, março 03, 2008

Dependente e

Inútil é o que me sinto por não conseguir calçar a próprias meias ou atar os próprios atacadores. Ainda que seja temporário e por um breve período, serve de lição aos 31 anos: tudo fazer para chegar aos 131 conseguindo tocar sem dificuldade nas pontas dos pés.

Happy feet

Provavelmente os pés mais habilidosos do mundo, e que serão em breve também os mais bem pagos, os de Cristiano Ronaldo continuam este ano a mostrar que nem só de malabarismo vivem, com a veia goleadora que, aparentemente apenas por decisão sua - do género, ai são golos que querem?, - decidiram mostrar para coleccionar mais um recorde - o de Gerge Best, com 32 golos numa época, juntando a essa uma forte candidatura aos prémios de melhor marcador da Liga Inglesa, Liga dos Campeões e Bota de Ouro Europeia. O que mais será preciso para calar as eternas críticas de vaidade e arrogância, claramente coisa de quem não tem mais nada que lhe apontar na sua área específica de especialização em que se mostra como o melhor do mundo que sempre assumiu, com justas pretensões, que quis ser e tudo tem feito para lá chegar? Será assim tão necessário mascarar o seu brilho com uma falsa modéstia que, diga-se, a ser usada seria, certamente, também alvo de maledicência? Auguro-lhe para este ano, para além dos títulos individuais, a conquista da Premiership e da Champions. E já agora, venha daí o Europeu para verem o que é bom para a tosse. O puto é bom. É muito bom mesmo. É, neste momento, o melhor do mundo - a recente atribuição do imerecido terceiro lugar pela FIFA mais não fez que espicaçar-lhe o orgulho, pelo que agradecemos - e ponto final. Aliás, ponto de exclamação porque ele merece!

sábado, março 01, 2008

Deusa

A eterna questão sobre se Deus existe parece esquecer um pormenor importante: o género!

Porquê esta insistência num Deus masculino e que criou o Homem à sua imagem e a mulher a partir de uma costela deste? Este masculinocentrismo que prespassa toda a civilização ocidental bem que já ia dar uma volta ao bilhar grande... É que bem vistas as coisas, não podemos falar de uma representação plena da Humanidade sem mencionar os dois lados que a compõem, o yin e yang, o masculino e o feminino. Não somos uma sociedade matriarcal mas longe vão os tempos em que à mulher era apenas reservado um papel secundário nesta trama. Entenda-se secundário, mesmo nesses tempos, como apenas aparente porque mesmo (e a maior parte das vezes é mesmo assim) os maiores machistas caem derretidos (ainda que a maioria apenas no retiro escondido do lar) aos pés da eleita do seu coração. E vice-versa (sim, nada de feminismos exacerbados porque isto vale para os dois lados).

Pessoalmente assumo que posso até ter algumas dúvidas teológicas por resolver mas não tenho nenhuma dúvida sobre quem é a minha Αφροδίτη.