sexta-feira, dezembro 07, 2007

Doação de medula óssea e spam

Na sequência de um email recente pedindo ajuda para uma situação delicada, transplante de medula para tratamento de leucemia de uma pessoa conhecida, gerou-se alguma controvérsia sobre dois temas: o processo de doação propriamente dito e o envio indescriminado (e veracidade) de emails deste género.

Sobre a primeira parte fica abaixo o esclarecimento possível que constava do email.

Sobre a segunda parte, não percebo a não utilização do campo BCC (Blind Carbon Copy). Eu não quero o meu email divulgado ad eternum pela net para receber milhares de mails da caca e, se vão mesmo mandar mails para uma infindável lista de emails ao mesmo tempo para fins indiscriminados (detesto, abomino quase todas as correntes, ofertas de telemóveis e tralha do género - são sinónimo de falta de sentido crítico e bom senso), usem essa característica muito útil presente em qualquer email ou programa de gestão de emails - BCC rules! E sim, a maior parte das vezes a menina doente ou o menino desaparecido não existem (por muito ternurentos que sejam) e fazem parte de esquemas para colher endereços de email para spam. Segue o esclarecimento da colheita de medula, tema a que, seja para quem for, não poderia ficar indiferente. E já que falo nisso, tenho mesmo de ir dar sangue.

Serve o presente texto tambem para desmistificar ideias preconcebidas sobre a doacao de medula ossea. Actualmente, existem dois processos de colheita:

1) Atraves de celulas progenitoras do sangue periferico: o sangue vindo da veia do dador circula atraves de um aparelho chamado separador celular que remove apenas as celulas necessarias para o transplante, devolvendo as restantes ao dador.

2) Colheita a partir da medula ossea: celulas progenitoras são colhidas no interior dos ossos pélvicos, requer anestesia e uma breve hospitalizacao. O dador pode sempre optar pela forma de colheita, e em qualquer momento tem a oportunidade de continuar ou desistir.

PARA SER DADOR BASTA: Ter entre 18 e 45 anos; Ser saudavel; Ter peso minimo de 50 Kg; Nunca ter recebido uma transfusao de sangue.

LISTA de LOCAIS onde o leitor se pode dirigir para se registar como DADOR:

CENTROS de HISTOCOMPATIBILIDADE: Centro de Histocompatibilidade do SUL: Alameda das Linhas de Torres, 117, 1769-001 Lisboa; Tel.: 217504100. Centro de Histocompatibilidade do CENTRO: Praceta Prof. Mota Pinto, 3001-301 Coimbra (junto aos HUC); Tel.: 239 480700. Centro de Histocompatibilidade do NORTE: Pavilhao "Maria Fernanda", Rua Roberto Frias, 4200-467 Porto; Tel.: 225573470.

SERVICOS de SANGUE dos seguintes HOSPITAIS: IPO de Lisboa; D. Estefania; Amadora-Sintra; Barreiro; Torres Novas; Abrantes; Tomar; Beja; Elvas; Evora; Faro; Portimao; Portalegre; Litoral Alentejano; Vila Franca de Xira; Funchal; Ponta Delgada; Horta.

CENTROS de SAUDE: Mafra; Coruche; Vila do Porto; Sta. Cruz das Flores; Madalena; Velas; Sta. Cruz da Graciosa; Calheta; Ribeira Grande.

No entanto, quando seja possivel reunir mais de 50 dadores, existe ainda a hipotese de deslocação de tecnicos a localidades e instituicoes.

BDs - Manara

E porque nem só para putos se faz BD, Milo Manara desenha mulheres. Desenha mulheres de uma maneira perturbadora. Desenha mulheres sensuais, irreais, surreais, lânguidas e muitas vezes despidas em poses sugestivas para gáudio dos leitores.



Loiras, morenas, ruivas, as mulheres de Manara primam pela sensualidade e erotismo presentes em todos os desenhos. Uma BD para adultos e apreciadores do género. Larga isso, puto, e vai ler o Tin-Tin!

BDs - Calvin & Hobbes


E, neste campo particular da literatura não restrita a crianças, um dos meus preferidos de sempre: Calvin & Hobbes do Bill Waterson. Muito bom! Tenho quase tudo o que foi publicado e adoro! Infantil mas profundo! Incrivelmente divertido! Imaginação delirante e prodigosa de quem não pode ver a realidade sem lhe dar um toque de distorção pessoal!


De acordo com registo familiares transmitidos por comunicação oral, vulgo "a minha mãe diz que...", ao que parece, quando era pequeno só me faltava o tigre... Aviso-te já, futura prole (e não, apesar de já ter falado nisto duas vezes nos últimos posts, não há nada que queira anunciar), por muito que gostasse de vir a ter um (não, dois ou três) pequeno terrorista com imaginação e sentido de humor em casa, eu já fui um pequeno terrorista e ainda tenho imaginação e sentido de humor e lá por teres 8 anos e 27 kgs não te safas.


quinta-feira, dezembro 06, 2007

The melancholy death of oyster boy and other stories - Tim Burton

Brie Boy had a dream he had only had twice,that his full, round head was only a slice.

The other children never let Brie Boy play ...... but at least he went well with a nice Chardonnay.

BDs - Marvel


A lista dos personagens Marvel que em tantas e tantas histórias criadas por grandes argumentistas/desenhadores, como Stan Lee ou Jack Kirby, que acompanhei é interminável... Do meu favorito pessoal, o Homem Aranha (tanto que esteve em parte ligado à minha escolha de licenciatura - sendo a alternativa enologia, seguindo outro herói da BD, este totalmente desconhecido, o homem-pipa), ao Wolverine (gosto), Capitão América (demasiado certinho para o meu gosto), Thor (muito épico), o Coisa (muito bom), o Surfista Prateado (cool), Hulk (fora os ataques de fúria, é demasiado verde), Jean Grey, Storm, Electra e Catwoman (uiiii os fatos justos), ficaria aqui horas a desfiar o rol de combates devastadores entre o Bem e o Mal que sonhei (participei) acordado. Isto para não falar dos vilões (Galactus, Dr. Doom, Dr. Octopus, Magneto), porque nem só de virtudes se vive e quem nunca elaborou um planozinho infalível e maquiavélico para dominar o mundo apenas para ser impedido no último segundo por um raio desintegrador inoportuno, vindo de um herói agonizante? Filho meu (menino ou menina) contará certamente com esta literatura para o acompanhar/formar durante a infância/adolescência e que viva feliz e contente algumas horas no glorioso mundo da fantasia e imaginação.

Gadgets

Se alguém quiser sugestões para prendas para mim, fica a lista. Uma lista pelo menos... Um dos meus favoritos é o Shooting Alarm System.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Mens sana in corpore sano

Um estudo recente descobriu uma molécula, VGF, que é produzida em resposta ao exercício físico. Esta molécula possui propriedades antidepressivas, estimula o crescimento e manutenção das fibras nervosas e está relacionada com uma sensação de bem estar generalizada conhecida como efeito Runner's high (produção de endorfinas). Está explicado o meu vício em exercício... e já agora o do chocolate, por acção da Phenylethylamine, outro forte antidepressivo. Seremos meros fantoches da química neurológica ou teremos ainda uma palavra a dizer? Seja como for, venha daí esse joguinho de futebol, volley ou squash, seguido de um chocolatinho, que o efeito da última dose está a passar... e já agora mais um cafézinho que me está a dar a moleza pós-prandial.

A vírgula da diferença II

Estás sob a minha alçada, Baptista!

Já foram a Almada, negreiros?

Não tire, Fernando. Peç(ss)a!

Sabes o que lhe faz o marido da Florbela? Espanca-a!

Au revoir Simone - Santiago Alquimista - hoje, 22H

São bonitas, de Nova Iorque, tocam teclados e cantam como se o amanhã não importasse nadinha. São as letras que trazem o campo à cidade, são os ritmos melodiosos dos sintetizadores, é a electrónica ao serviço da pop. Bom. Muito bom! Gosto. Gosto muito! É de ir.



Fica a letra de uma das músicas que logo espero ouvir (o link do youtube está momentaneamente fora de combate - é de tentar isso ou o lastfm para ouvir mais delas - já aqui coloquei uma música há uns tempos atrás)

Through The Backyards Of Our Neighbors

Baby tell me please
Is this a dream
Spending the night with you
Beneath the cherry trees
Just make a wish and everything comes true

Out the windows of my bedroom
Through the backyards of our neighbours
But I didn't leave you waiting
There was endless concentration

Then the moon swept down to greet us
It was warm and made of flowers
Into vines that barely reached us
Climbing higher than forever

Baby help me please
In knowing this
'Cause showing never tells
Was it just a breeze
Was it a kiss
Breathless exquisite chills

terça-feira, dezembro 04, 2007

Nightmare before Christmas


Ao contrário do filme do Tim Burton (de quem sou grande fã), nesta altura do ano o pesadelo é real. O pesadelo das compras, o pesadelo do consumismo, o pesadelo das pessoas que se tornam mais humanas como se pudessem agora compensar 11 meses de hostilidade declarada contra os restantes membros da Humanidade. Esta hipocrisia aborrece. Se calhar é melhor do que nada mas ao mesmo tempo faz pensar que o fim de ano, mesmo com as habituais promessas que tornarão o mundo num lugar melhor, tem efeitos amnésicos retroactivos que limpam por completo qualquer memória da quadra natalícia e eis que voltamos às trombas costumeiras, ao mau feitio, à indiferença e aos maus modos.

Sobre o materialismo associado a esta época, prendas são sempre prendas (não posso dizer que não gosto) e reflectem, mais do que a ideia de comprar uma trampa qualquer para alguém, o tempo perdido na consideração da escolha e na procura do presente ideal. Haverá maior recompensa que olhar para a cara de quem recebe e ver estampado o ar de quem recebeu o que queria? Ou de surpresa agradada? Por outro lado, se é para comprar uma caca qualquer só para dizer que se comprou, o sorriso amarelo é castigo insuficiente. Proponho re-embrulhar e oferecer de volta ao ofertante no Natal seguinte, em jeito de recado. Mais, se é para isso, deixem-se ficar em casa, comprem online, desentupam as estradas, poupem o ambiente e a minha paciência.

E porquê limitar este ritual de lembranças (materiais) ao Natal? Sabe tão bem oferecer extemporâneamente algo. Flores, chocolates, fotografias, cds, jogos, livros, filmes, bilhetes, roupa, tarecos, seja o que for, a ideia é encontrar algo que fará alguém feliz, surpreso, animado ou bem disposto, custe 8 ou 80, bastando usar a imaginação.

Este ano estou muito contente - a missão Noel 2007 está próxima da conclusão, tendo encontrado solução para quase todos aqueles que queria presentear e nem sequer perdi tempo e paciência nos intoleráveis e atulhados centros comerciais.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Sicko


O filme que não se pode perder. Vejam para onde caminha o nosso sistema de saúde.

O Sapo é parvo

O Sapo é parvo. Mesmo parvo. Escolheu para vencedor do festival de microfilmes um filme parvo, de uma francesa parva, sobre um franco-argelino parvo (aka Zizou que fazia dos adversários parvos), com uma história parva com dois piões parvos. Os enviados da Gabardina à sessão de encerramento protestaram veemente e silenciosamente contra a escolha. É só compadrios, estava tudo minado! Nós, de um modo perfeitamente isento, torcíamos pelo realizador da casa. À falta de prémios e revoltados com a injustiça de tudo isto, afogámos as mágoas da derrota pelas ruas do bairro. Dessa e a dos senhores de vermelho que perderam contra uns parvos de azul. Parvalhões.

American Gangster


O filme é um bom filme. O final é um final. Os gangster tinham pinta, muita pinta. Gostava de ter vivido nesta altura. Gostava também de ter sido um gangster ainda que, muito provavelmente, o glamour aqui representado não compensasse uma boa e sólida bala no lombo. Isto para não falar nuns sapatinhos de cimento e num sobretudo de pinho. Mas, ainda assim, tem muito mais charme cinematográfico vender pó branco com um casaco de chinchila do que com uma bata branca. Ainda que, olhando para um armazém cheio de produto (dito assim soa mesmo bem) capaz de tratar milhares de doentes (desde que paguem), a imoralidade do acto permaneça essencialmente a mesma. Um pó destina-se a curar os males do corpo, outro pó serve para aplacar as maleitas de um espírito desfeito e de uma vida inclemente.

"Quitting while you're ahead is not the same as just quitting" é um bom conselho, venha ele ou não de um barão de droga no sodueste asiático. "Easy comes, easy goes" também, este cortesia da casa.

domingo, dezembro 02, 2007

Um país que é como aquela família

que, não tendo dinheiro para comer, compra um Jaguar para mostrar aos vizinhos que está em grande.

Salários congelados
Dívida pública excessiva
Défices orçamentais
Pobreza
Fome
Greves
Câmaras Municipais falidas

Estado português paga, com o dinheiro dos impostos dos seus pobres cidadãos, tela pintada há centenas de anos por milhão e meio de euros...

Onde é que se assina uma petição para acabar com os subsídios à "cultura"?

E tudo é ainda mais ridículo porque
Ministra da Cultura desconhece interesse do Estado em comprar quadro de Giovanni Tiepolo

sábado, dezembro 01, 2007

Angústia de Presidente da República

"O que é que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?"
Talvez...

sexta-feira, novembro 30, 2007

Lisboa

Há 3 anos atrás, se me fosse perguntado, diria que não gostava desta cidade. Estava em Coimbra, estava satisfeito, integrado e de olhos bem fechados. Não percebia o encanto da capital, a atracção que a cidade exercia, o fascínio da única verdadeira cidade europeia em Portugal. Para quem assistiu à transição de fora sei que pode ter parecido deslumbramento ou snobismo de quem veio para uma cidade maior, mas, por conversas que tive sobre este assunto com quem passou pelo mesmo, percebo que aqui se abrem horizontes e que há outros estilos de vida ao alcance que estão vedados ou dificultados noutros ambientes. Há mais oportunidades e maior abertura de espírito.

Passados 2 anos de pleno usufruto, posso dizer, sem reservas, que estou perfeitamente rendido a tudo o que ela tem para oferecer, restando ainda tanto para descobrir numa cidade que se renova em permanente mudança por possuir massa crítica suficiente para tal. Anos que passem e haverá sempre algo novo para conhecer, haja também espírito e vontade para o fazer. Acredito que, para quem cá sempre viveu, este espírito de novidade se esgote e até adianto que, contingências da vida o permitam, venha a existir a possibilidade de rumar a outra metrópole de uma escala e nível de vida superior como Barcelona, Madrid, Londres, Nova Iorque, São Francisco, Tóquio, Hong-Kong, Paris, Roma, Milão, São Paulo, Rio de Janeiro ou Berlim. Também aceito que não se tenha essa vontade e que outros queiram ficar mais tranquilamente instalados na pacatez de uma cidade pequena. Tudo depende dos objectivos, gostos e fases da vida. Por mim assumo o gosto pela cosmopoliticidade e animação cultural que Lisboa (ou outra das mencionadas) me oferece nesta altura. Gosto de viver aqui. Vejo-me a viver aqui.

Há teatros, concertos, restaurantes, noite, comércio, habitação, jardins, museus, estádios, empregos, acessibilidades, arquitectura, educação, pessoas, diferenças, escala, cultura, risco, novidades, oportunidades, feiras, festas, esplanadas, diversão, entretenimento, desporto, praia, monumentos, movimento e animação em quantidade suficiente para combater o tédio e o comodismo. Claro que também há poluição, trânsito, crime, custo de vida e todos os restantes malefícios das cidades grandes mas tem de haver um preço a pagar pela maior oferta...

Inicío este terceiro ano com mais mudanças à vista, depois de 2 empregos e 3 casas, depois de fases boas e menos boas, depois de experiências variadas com que aprendi imenso, depois de conhecer pessoas diferentes e interessantes, entre as quais tive a felicidade de reter bons amigos. Não posso dizer que espero de Lisboa em 2008 pelo menos o mesmo porque espero mais ainda!

quarta-feira, novembro 28, 2007

SLB


VAMOS LÁ!!! É PARA GANHAR! ACENDA-SE O INFERNO DA LUZ!

Plácidos Domingos (e não só...)

Voltava para lá agora mesmo... provavelmente a melhor esplanada de Lisboa. Tão bom!

Conversas de cantina II

Em conversa, surgiu a seguinte frase:
"- A primeira mensagem que recebo todos os anos a dar-me os parabéns é do cartão GALP."
E ainda esta:
"- Todos os dias de manhã, ao receber a primeira mensagem do dia, penso: deixa-ver quem me ama. E quase todos os dias é o cartão FNAC ou a TMN."
Atenção que não falo de nenhum ermita ou anti-social; apenas uma pessoa como tantas outras. A verdade é que nos tempos que correm quando abrimos o mail somos bombardeados com FWs e correntes, spam, publicidade, promoções, mailing lists e piadas. Um textozinho a perguntar como vão as coisas ou um convite para isto ou aquilo é que vai sendo raro. Agora a moda propaga-se ao telemóvel, onde já nem o som da mensagem que chega é garantia que alguém quer saber.
E já que estou no tema e dada a quantidade de tempo que tenho perdido a trabalhar, admito que, por vezes, me desleixo com alguns amigos e não tenho, eu próprio, perdido os dois minutos necessários para obsequiar com a lembrança quem não vejo ou ouço falar durante dias e dias ou até semanas a fio. A todos eles (aos que visitam aqui o tasco e a todos os outros) deixo aqui o Beijo & Abraçada da praxe!

segunda-feira, novembro 26, 2007

Starship Enterprise - The rescue

Starship Enterprise - The rescue
Captain's logStar date 20071126.1847

Starship Enterprise has received an emergency distress signal coming from the deep unknown space surrounding Nebula K25899. The origem of the signal was unidentifiable. Its contents minimal and gloomy: "Please assist. We've abandoned all hope.” The sadness and despair within such short message were overwhelming. Somewhere in the lonely immensities of the cold interstellar vacuum, sentient and intelligent beings were suffering. Assistance was undeniable. The routine mission had to be postponed and the ship's course changed to intercept the source of the transmission that was drifting randomly without control. Speeding up to warp 7, we rushed to the scene, hoping to arrive in time to be of some help. As we got closer, we're able to get a visual of our target, an old and rusty freighter, dangling and wobbling without course. Sensor scan revealed that no danger or risks could arise from them. A tractor beam caught it and brought it closer for inspection. Battered and abused, it had seen better days and surely must have some stories to tell. Laser and torpedo scars marked it from side to side. A name could hardly be read: Kat-Arse. Weird to say the least. Scanning for life forms, we found a signal. Someone was still alive in there. As its life signs got weaker, we've beamed it aboard, directly to sick bay. Shortly after being put on life support, it attempted to speak. The computer registered it and tried to translate promptly: "Fónix! Que ressaca! Nunca mais bebo cristais de dilítio! Alguém tem uma cervejinha gelada? Hey! Quem é aquele tipo de pele verde que está ali a olhar para mim? O gajo existe mesmo? Estás a olhar para quem, ó lagartixa?! Vê lá se te transformo em tapete de casa de banho."

the day the earth stood still...

Ontem à tarde, sem que quase ninguém tenha dado por isso, o tempo parou.

Entre dois segundos, o ar congelou, o sol parou, um avião ficou suspenso no ar, as pessoas silenciaram-se, os carros imobilizaram-se...

Instantes depois retomou a sua marcha e tudo estava igual mas nada ficou na mesma.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Discussões de cantina I

-É melhor que a/o mais que tudo nos traia com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto?

-Eu preferia que escolhesse outro sexo. Que vá e não volte.

-Eh pá, difícil essa. Por um lado é de pensar que trocou de lado porque não há melhor no meu, por outro, posso ter representado tão mal o meu género que decidiu explorar outras pastagens.

-Ou então podes pensar que o teu instinto te levou a procurar alguém de sexualidade duvidosa o que, por sua vez, põe em causa a tua própria orientação...

- E se fores um casal homossexual? Vocês estão cheios de preconceitos.

-Passa-me a salada, por favor.

Astróloga Newton - a consulta no Café da Vila


"O rapaz Touro é muito insistente e não desiste do objectivo que escolheu com facilidade. Ronda o seu alvo até conseguir o que quer. O ascendente Leão dá-lhe a capacidade de interagir socialmente e fazer amigos com facilidade. Idealmente relacionar-se-á com uma rapariga Aquário, que mantém o seu espaço mas gosta da atenção dispensada, com afinidade recíproca por Touro."

Nada como um pouco de astrologia para me indicar o caminho! Seguirei, como não poderia deixar de ser, os seus doutos conselhos. Muito agradecido pela iluminação astral!

E, na onda, fica o horroróscopo para hoje: www.nobeliefs.com/horrorscope.htm

(a imagem da cabala acima foi acrescentada apenas por motivos estéticos e não traduzem qualquer crença ou confusão simbólica)

(estou seriamente a pensar em comprar o livro de São Cipriano, velas amarelas daquelas antigas, um crânio, um pentagrama e uma Ouija Board para uma elaborada sessão espírita cheiínha de mambo jambo, com direito a uma música assim levezinha para dar ambiente, talvez uma Tocatta et Fuga de Bach)

(não acreditando em nada disto no geral, mas não descurando nenhuma hipótese, vade-retro Satanás, salvé, salvé, mãe de santo, Iemanjá e o camandro, gosto do poder de sugestão que estas coisas conseguem gerar)

Como é que eu sei que vivo num país ridículo? II

Porque o Presidente da Comissão Parlamentar "Orçamento e Finanças" e porta-voz do PSD no debate do Orçamento, Jorge Neto, afirma do palanque: "Como sabemos, as despesas com saúde crescem e crescerão sempre mais que o Produto".

Ficámos assim a saber que dentro de alguns anos (só não sabemos quantos) tudo o que produzirmos não chegará para pagar a saúde. E que daí para frente a situação só se agravará. Nesse dia já não poderemos comer, nem comprar roupa. Nada mais será produzido que não a saúde. Teremos cuidados de saúde, mas, infelizmente, ninguém viverá mais de um dia porque nada haverá para comer.

Os restantes incompetentes nas bancadas não reagiram.

Como é que eu sei que vivo num país ridículo?

Porque num país em que há uma década só se fala de deficit orçamental, se manda apertar o cinto e se congelaram salários da função pública, o Orçamento de Estado para 2008 prevê um crescimento da despesa corrente primária acima da inflação...

série 27 em competição

Caros leitores:
Postarei nos próximos dias os filmes da série 27 com que decidi concorrer ao festival de micro filmes do sapo. Não só quero apresentar as novas versões dos filmes, como quero mostrar no sítio onde tudo começou o filme especialmente feito para o festival. Começo por esse.
O voto facultativo é aqui.
http://videos.sapo.pt/fFjzjN6zEtHbZfOmLjhR

quinta-feira, novembro 22, 2007

Selecção Nacional


Se a Selecção ontem tivesse perdido era o fim do mundo. Que raio de qualificação, que maneira de jogar, os empates fora eram sinal de medo, a estratégia/táctica estava errada, os jogadores são fracos ou pouco motivados, o Scolari não serve... Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, há méritos e erros em tudo isto, claro. Se era preferível ter a qualificação assegurada há mais tempo e só com vitórias? Claro! Se era preferível estar na pele da Inglaterra a carpir o tempo que podem agora passar a ver os jogos pela televisão? Nem por isso. Não há cenários ideiais nem perfeitos. Havia, isso sim, um objectivo para cumprir e foi-o (linda conjugação). Discutir o método só pode servir para aprender para o futuro e é cedo para saber se tal foi também atingido. Para já, sai um viva à Selecção e a todos os que ajudaram, porque, bem ou mal,
ESTAMOS LÁ E VAMOS PARA GANHAR!!!

Máquina do tempo

Neste artigo explicam que é possível. Difícil mas possível. Admitindo as viagens no tempo como reais, levantam-se imensos paradoxos como por exemplo o grandfather paradox - em que viajamos para trás no tempo e matamos o nosso próprio avô antes da concepção do nosso pai. Assim, se não temos antepassados como existimos para cometer o crime? É uma pescadinha de rabo na boca à lá relatividade. Há quem diga que somente acontecimentos chave têm o potencial para provocar alterações em cascata e que todas as outras seriam "acomodadas" pela realidade. Outros dizem que há graus de alterações, desde a deformação menor até à destruição completa daquela realidade. Há ainda a teoria do multiverso que nos dá milhões de cenários para todas os gostos, a irradiarem a partir de cada alternativa e que viajar no tempo permitiria escolher outro "ramal" de realidade (escolher o outro caminho na bifurcação).

Gosto da ideia e, pensando para trás, identifico alguns momentos chave na minha vida que alterava (ou gostava de ver no que dava se alterasse). Valeria a pena? Daria no mesmo? De facto, até que alguém descubra um modo de o fazer de uma maneira segura, fica tudo no campo das hipóteses mas não nego alguma atracção pela noção de que poderia reescrever capítulos com os quais não estou contente ou onde conseguia ver-me neles de outra maneira. Aceito que façam parte do processo de crescimento e aprendizagem mas, da maneira como imagino isto, o conhecimento e memórias do que tinha corrido mal estariam intactos acrescendo apenas a possibilidade de viver outra experiência, outra vida, mesmo sem garantias de que corresse melhor ou pior. Admito algum egocentrismo nesta maneira de ver as coisas até porque estaria a reformular a realidade em função do meu ponto de vista com as evidentes consequências para terceiros mas a curiosidade de saber "como seria se..." (os comics da marvel que devorava avidamente tinham uma série intitulada "O que aconteceria se..." que adorava por permitir explorar cenários fora do enredo normal das personagens sem prejuízo da continuidade) é enorme e irresistível.

Isto para não falar em regressar à semana anterior daquele mega jackpot do euromilhões com os números certos. Ou em voltar a dormir as últimas três horas de hoje que me estavam a saber tão bem...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Digital art


Digital Blasphemy : 3D wallpapers.

Substituir engraçado por profundo e performance por comoção.

terça-feira, novembro 20, 2007

Pergunta existencial

Será que para Escher todos os caminhos vão dar a Roma? Acho que é relativo...

Do ódio ao oblívio

Na escala das emoções negativas, sinto-me indeciso entre o que será pior e tardo em chegar a uma conclusão definitiva. Penso que dependerá do ponto de vista - origem ou visado. A primeira parece-me que, qual Bonsai de trato extremoso, necessita de cuidados, de rega, de alimentação regular para dar frutos. A segunda acaba por decorrer do laxismo e da preguiça, embora traga consigo um maior descanso de espírito. Ser odiado platonicamente deve custar menos que ser esquecido ostensivamente; por outro lado, odiar, ainda que talvez mais efémero, é mais catársico e gratificante no imediato enquanto que esquecer, se bem feito, pode ser para sempre. Dúvidas, dúvidas...

Acarinhar um ódio de estimação resolve imensos problemas de consciência. Basta ir carregando, como se de um crapot se tratasse, com todas as agruras da vida até tal sentimento se tornar um astro de grandeza e massa crítica suficientes para poder ser descarregado numa só purga (algum cuidado para manter o core deste reactor controlado para não entrar em fusão, destruindo tudo em redor). Eu tenho a minha fornalha interior particular onde incinero todo o "lixo" que não quero cá dentro a amargurar-me ou deprimir-me. A privação de um bom ódiozinho ardente pode mesmo provocar a aparição de um estilo delico-doce enjoativo a ser combatido a todo o custo. O resto, o que me dá igual (passe a colagem ao espanhol da expressão, mas gosto bastante de a usar), relego para o limbo do esquecimento por pura inutilidade. Nem para motivação serve.
Todos temos, assumidamente ou não, esta necessidade intrínseca, paralela à de amar mas de sinal contrário, que também reconforta e satisfaz. Motivo de união entre aqueles que as partilham, pode ser um ponto de partida para tanta coisa. Embirrações. Ódios. Ascos. Irritações. Raivas. Fúrias. É cuidar deles com esmero e descarregar antes que inquinem. Viva o ódio, racional ou não, fundamentado ou cego, criticável ou aceitável, particular ou de massas. Desde que não seja mesquinho... esses são para esquecer.

Excepto se os pontos de fuga formarem um plano imanente próprio.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Se tudo é ponto de fuga, então deixa de haver plano de imanência.

Frio & Chuva

Fã incondicional do sol e do calor, vejo chegar o frio e a chuva com algumas saudades. Saudades do cheiro da terra molhada, do barulho compassado das bátegas de água nas janelas ou no tejadilho do carro, da roupa pesada e impermeável, de desistir de correr à chuva depois de molhado até aos ossos pelo gozo do abandono, da sensação revigorante de uma chávena de chá fervente, do prazer da condução escorregadia pelo alcatrão encharcado, do céu cinzento a emoldurar uma paisagem a preto e branco, do calor reconfortante de alguém que te aquece, da preguiça e letargia de sair da cama e de casa, de jogar futebol à chuva com a água a escorrer no corpo como se não houvesse amanhã, do poder inclemente e primitivo de um bom temporal, de saltar para dentro de uma poça gigante porque tantas e tantas vezes não saltei. Gosto!

sábado, novembro 17, 2007

aranhas em cima de cabelo
e
usb em vinagre frio (muito frio)

sexta-feira, novembro 16, 2007

Defeitos de fabrico II

Se por um lado os defeitos de personalidade, hábitos ou feitio são da inteira responsabilidade da força de vontade que exista para os mudar, temos também os defeitos físicos. Numa sociedade que, cada vez mais, julga as pessoas pela aparência é justo dizer que, fashion victims (como diria alguém) à parte, a imagem faz parte do que somos e é inegável o seu impacto no dia-a-dia social e profissional.
Ainda esta semana recebemos na empresa a visita de auditores externos para avaliação do departamento financeiro - duas mulheres e um homem. No campo estritamente profissional nada posso comentar já que não é uma área que me diga respeito. No campo meramente estético ambas as auditoras (esquecido o auditor pela audiência masculina com quem o assunto foi comentado - imagem profissional, fato e gravata, normal) saltavam à vista, mais uma que outra, pela aparência cuidada e pelo claro desejo de serem desejadas ou pelo menos admiradas. O decote, o bronzeado, o corte das roupas, as extensões de cabelo, a pose, tudo nelas exalava uma aura marcadamente feminina e sedutora. Poder-se-à considerar excessivo (e, de uma certa maneira, desconcentravam) para um ambiente fabril e profissional mas o certo é que despercebidas não passavam. E, pessoalmente, desagrada-me a ideia de que uma mulher tem de se vestir como um homem para poder ter o devido reconhecimento profissional.
Numa altura em que quase tudo é usado para marcar a diferença, acho que passa por descuido não ter um mínimo de cuidado com a imagem que passamos para os outros. Mesmo que se adopte um look descontraído e relaxado é bom ter consciência de todas as implicações e mensagens que essa imagem passa e o impacto que tem na avaliação do conjunto. Da roupa aos acessórios, do ginásio à dieta e à cirurgia estética, vários cenários se colocam e imensas hipóteses se abrem para quem quer rever ou melhorar as características físicas com que nasceu. Como em tudo o resto, levar isto ao extremo não custuma resultar muito bem mas abaixo de um mínimo também não será grande opção.
Ultimamente tenho considerado quatro cenários: ortodôncia (aparelho ou cirurgia, inclinando-me para a segunda pelo imediato da solução - ainda que corra o risco de perder o look "de puto irreverente traquinas" como me foi descrito), correcção do desvio do septo (melhorias na qualidade de vida e saúde actual e futura), tatuagem e/ou piercing. Considerando prós e contras de tudo isto, acabarei por tomar a decisão final sobre todas elas levando inapelavelmente em conta a imagem que passarei para os outros, tanto como o meu conforto e satisfação pessoal.
Do punk ao casual, do desportivo ao gótico, do formal ao desleixado, as hipóteses são mais que muitas e até se pode ir variando conforme a ocasião; agora a noção de que nada disto importa e a defesa irracional do "vou andar de saco de batatas" só faz sentido com 16 anos ou se toda a restante construção pessoal, da personalidade ao estilo de vida, se adequar a isso num conjunto coerente e não apenas em defesa do cenário utópico em que só importa a beleza interior. Para esses a solução é virá-los do avesso para ficarem mais bonitos.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Defeitos de fabrico

Todos nascemos com defeitos. Durante o curso da vida alguns são corrigidos, outros adicionados e outros ainda amplificados com o acumular de vivências. “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”(Jo 8:7). Passe a citação religiosa, aqui colocada para referência genérica ao tema, somos lestos a reconhecer e criticar os defeitos dos outros mas ardilosos quando se trata de olhar para dentro ou ouvir uma crítica. Pior ainda, quando convidados a elencar defeitos tendemos a relatar virtudes mascaradas por uma falsa modéstia. Isso e confrontar amigos com as suas falhas, direito/dever que faz parte da função mas que raramente é posta em práctica. Em todas estas situações é devida uma lista séria e digna, de modo a evitar ilusões próprias e de outros. Há pessoa melhor qualificada que um amigo próximo para nos dizer que somos uma besta? Há pior erro do que cair na tentação de nos gabarmos em vão? Há casca de banana (voltamos à fruta) mais perigosa do que passar a mão pelo pêlo (gosto muito desta combinação de palavras: paronomásia para quem se interessa por estas coisas) de um amigo prestes a cometer um erro?
Admitamos! Somos defeituosos! Por mim falo e desde já vos aviso: dos sete pecados mortais cometi uns dez. Dante precisa de ampliar os nove círculos do inferno - de preferência algo com vista e estacionamento porque ando um pouco farto de ficar em segunda fila. Preguiçoso, guloso, desorganizado, mula (em honra à sobrinha mais linda do mundo), ciumento, competitivo a um grau irracional (um pouco abaixo disto seria virtude), disperso, imprevisível...
Os defeitos são o tempero que nos torna suportáveis uns para os outros. Desde que mantidos a um nível controlado, acrescentam carácter e personalidade ao que, de outro modo, seria apenas um conjunto aborrecido de virtudes.
Notas: Não é preciso insultar para criticar. Não é preciso humilhar para corrigir. Não é preciso arrasar para reconstruir.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Nem sempre meia palavra basta...

É impressionante o número de mal entendidos que teima em acontecer. Entre pessoas que se conhecem mal entendo melhor; afinal há maneiras diferentes de dizer ou fazer as coisas e a mensagem pode sofrer interferências por falta de conhecimento mútuo. Há preconceitos que levam tempo a erradicar. Há medos e barreiras de afastamento que demoram a dissolver. Mais a mais, há normalmente pruridos em questionar ou tirar dúvidas por falta de confiança. E o erro segue, a confusão perpetua-se e, nos piores casos, as pessoas afastam-se e as relações esfriam. Daí a importância de falar abertamente, esquecidos os melindres castradores, para resolver as situações. Isto no caso de haver realmente interesse em conhecer a pessoa em causa para além da superficialidade do imediato.

No outro extremo ficam as boas intenções que resultam em tantas e tantas vezes em death by friendly fire - lá por vir do lado amigo não quer dizer que não doa na mesma. Lá diz o povo, naquela perspicácia reunida pela experiência e condensada em frases lapidares (tantas e tantas vezes cheiínha de asneiras mas adiante): de boas intenções está o inferno cheio. A maior parte das vezes acontecem por desconhecimento de causa, por inépcia ou excesso de inocência mas as consequências podem ser tão más como as decorrentes da pior malícia.

Então nos casos em que as duas coisas (mal-entendidos ardilosamente urdidos) acontecem ao mesmo tempo é o verdadeiro salve-se quem puder. Valem depois as horas de conversa para desatar esses nós górdios sociais. Por mim, prefiro sempre, na dúvida, perguntar, ainda que, por vezes, perguntar ofenda. A seguir vem a parte de entender as respostas e aquela história do bom entendedor tem muito que se lhe diga. Depende do entendedor, da meia palavra, de quem a diz, de como a diz e quando. É necessário uma cumplicidade acima da média para ler pensamentos, adivinhar intenções e antecipar necessidades e nem todos a têm, pensem disso o que pensarem. Da minha parte gosto bastante de frases não ditas, de innuendos e jogos de palavras mas dentro de certos limites, até porque há riscos associados a esta práctica, que, a ser continuada, pode levar a alguma falta de frontalidade ou esconder alguma fobia.

Por isso, seja ao vivo e a cores, por mail, sms, telefone, blog, carta (gosto tanto), sinais de fumo, telegrama cantado, post-it, messenger, VOIP, pombo-correio, fax, tambores, sinais de luzes, morse ou o que seja, conversem, falem, entendam-se! Blá, blá, blá, yada, yada, yada. Há dias em que mesmo uma conversa da treta sabe bem. E as operadoras de tele-e-não-só-comunicações agradecem.

Há pessoas-cebola à espera de serem descascadas, camada após camada, para além da casca castanha desinteressante! Há pessoas-melancia, verdes por fora, vermelhas por dentro, à espera de serem talhadas! Há pessoas-ananás, agradáveis debaixo da casca espinhosa! Claro está que há sempre uma ou outra peça podre na fruteira mas isso faz parte das surpresas do processo...

terça-feira, novembro 13, 2007

OS DEZ MANDAMENTOS de Salvatore Lo Piccolo aka Il Barone, líder da Mafia

1.º - Proibido emprestar dinheiro a um amigo.

2.º - Não se pode olhar para as mulheres dos amigos.

3.º - Proibido manter qualquer relação com a polícia.

4.º - Homem honrado não aparece em lojas nem em círculos sociais.

5.º - “Se o dever te chama, deves estar sempre disponível, mesmo que a tua mulher esteja quase a dar à luz”.

6.º - Observar a pontualidade e o respeito aos outros de forma categórica.

7.º - Fidelidade total à mulher.

8.º - Dizer sempre a verdade em qualquer situação.

9.º - Pode matar-se, extorquir ou traficar, mas nunca roubar dinheiro a mafiosos.

10.º - Não é permitida a entrada a quem tenha um familiar na polícia

Se ao menos a política partidária e a sociedade em geral se regessem por estes mesmos rígidos princípios morais...

Às vezes acho que alguém lhes devia fazer uma daquelas ofertas que não se podem recusar.

TCHARAM!! Ou melhor, vrummm, vrummmm, ui, schriiiiii, crash, schriiiiiii... sua besta!

As palavras proféticas do Oráculo Catarse, melhor que o algodão, não enganam: Um acidente!
Fui placado por um Opel sem apelo nem agravo! Apanhou-me de lado e desprevenido, reformulando-me a lateral da viatura, de pneu a pneu, tendo esta posteriormente ficado imobilizada à esquerda do eixo da via sem, contudo, provocar estragos em terceiros ou embaraços ao normal fluir do trânsito. Os danos foram meramente materiais e ambas as viaturas ficaram em condições de prosseguir a marcha após troca de pneumático dianteiro do bólide aqui do escriba. A condutora do Opel não levantou objecções quanto à sua culpabilidade. Aguardamos relatório de danos para apurar montante dos prejuízos, que não se prevêm elevados.
Eu sabia que devia andar ainda mais rápido: tinha estado menos tempo na zona de tiro!

Grand Pianoramax

segunda-feira, novembro 12, 2007

As secretárias e os carros de serviço

No Brasil, quando um português conhece alguém pertencente aos 98% da população menos afortunada do país, a frase que se ouve mais vezes (mais do que as referências ao Eusébio ou à Amália) é "Tenho uma prima que foi trabalhar de secretária lá em Portugal". A verdade é que secretárias brasileiras em Portugal nunca conheci nenhuma.

Em Portugal há uma quantidade incrível de pessoas a comprar carros de serviço. "Fiz um grande negócio! Era um carro de serviço e fizeram-me um desconto do caraças!" Há muitos carros de serviço. Os tipos dos stands devem fazer horas extraordinárias só para poderem guiar tantos carros de serviço. Pergunto-me a quem serão vendidos os carros dos rent-a-car? A verdade é que não conheço ninguém que afirme ter comprado um carro que tenha sido de um rent-a-car.

Mesmo colectivamente somos capazes de acreditar em coisas verdadeiramente improváveis, se elas nos derem jeito.

Quem cabritos come e cabras não tem...

Grand Pianoramax & Mike Ladd

Grand pianoramax é o projecto do suíço Léo Tardin, que juntará as suas viagens pelo jazz e hip-hop à voz de Mike Ladd - anunciava assim a newsletter da Flur este concerto no sábado passado na Galeria Zé dos Bois (ZdB). Ao que seria de acrescentar a vertente de spoken word que apareceu em duas ou três faixas, ao sabor do improviso e da imaginação. Houve Soul, Funk e Jazz numa mistura diferente e agradável de seguir. Sempre gostei do som do Hammond e similares, numa sonoridade muito ao estilo Ray Manzarek, e neste caso com direito a update de samplers, mesa de mistura e muito bem coordenado com um baterista inspirado, servidos simples ou com as palavras inflamadas do Mike Ladd a acompanhar. Bom som! Não comprei o CD na altura e agora terei de escaranfunchar pela net à procura daquilo... Primeira parte a cargo dos DJ Ride Quartet que cumpriram, ainda que o som estivesse mauzinho para a sala e (pouco) público presente.

Gracias pelo convite M!

Gracias pela companhia S & D!

How many roads must a man walk down before you call him a man?

Já dizia o Bob Dylan e com razão... hoje acrescentei mais uma ao meu repertório. A N117. Temo ter encontrado a minha némisis asfaltada. Mal mas asfaltada. Senti estranhos arrepios (estarei doente?) enquanto a percorria, totalmente perdido, acrescento, por não ter ainda aderido à embrutecedora moda do GPS. Perdi-me como se não houvesse amanhã. Perdi-me como se não tivesse hora de entrada. Perdi-me como se não soubesse onde estava.
Foram cardos, foram prosas, foram kms em estradas horrorosas. Curvas, contracurvas, lombas, valas, buracos, camiões, traços contínuos... adorei! Acabou a monotonia da IC19! Agora há adrenalina total todos os dias. Até ao dia... Há ali uma curva particularmente manhosa que, qual abismo, me atrai. Vejo-me a galgá-la rumo ao precipício ainda que não tenha, longe disso, qualquer fascínio mórbido pelo suicídio. Há um limite para tudo e tenho de encontrar o meu naquela estrada. Ou então virar um homenzinho e guiar como um velho...
Pela estrada fora eu vou bem contente,
até ao belo dia em que tiver um acidente!
Pela estrada fora eu vou bem sozinho,
Ui, caraças, que não vi aquele camiãozinho!
Pela estrada fora eu vou bem feliz
Chiça, não matei aquele velho por um triz!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Pó de arroz

Pó-de-arroz
Na face das pequenas
Será beleza apenas
Só uma corzinha
Sim, pó-de-arroz (Pó, ahaa)
Rosa é, mulher o pôs
E um homem vai nas cenas
Eva e Adão outra vez
É como alindar um embrulho
Arroz com gorgulho talvez
[CHORUS]
Pó-de-arroz
Do teu arrozal
Esse pó que é fatal
És a tal que me encanta
Com pó-de-arroz
Não faz nenhum mal
É de arroz integral
Infernal quando chegas
Com todo o teu arroz
Todo o teu arroz
Pó-de-arroz
Tens hoje só p'ra mim
Pós de pirlim-pim-pim
E és um arroz-doce
Sim, pode ser
Um canto de sereia
Serei a tua teia
E tu serás o meu algoz
Mas quando te vais alindar
Alindada vens dar-me o arroz
[CHORUS][+1 Tom:]
Pó-de-arroz
[CHORUS]
Pó-de-arroz, Pó-de-arroz...

Pó por pó temos por cá muito, ele é cefazolina, ele é cefuroxima, ele é cefotaxima... agora pó de arroz não temos, lamentamos... Mas fica a música para as comentaristas de serviço.

Piratas de fim de semana


Se alguém alinhar numa garrafa de rum... Arrrr..... Bom fim de semana!

Corrente Literária

Dando seguimento a um desafio postado nas Glórias do Calhabé, aqui fica o que foi possível encontrar num fim de tarde de trabalho:

"However technology has advanced since that time, particulary in container sterilization monitoring and control techniques and in starting material production technology and these advances have, to some extent, compensated for the increase in effort required to ensure that the filled product is suitable for its intended purpose."

Seguindo as regras, acima está a 5a frase completa da página 162 do livro que tinha mais à mão: Aseptic Pharmaceutical Manufactoring

Isto declamado com voz colocada, assim para o radiofónica, tem uma certa, enfim, um certo, digamos, bom, na verdade não tem interesse nenhum, nem para o menino Jesus. O próprio autor teve muitas dificuldades para o acabar uma vez que adormecia de parágrafo a parágrafo enquanto o redigia. Livro chato este. Chiça penico. Era isto ou o índice Merck mas acho que não tem frases completas. Também tinha o catálogo da Roth, ver ponto anterior, e a lista telefónica da Terrugem mas nem 162 telefones há, quanto mais páginas.

Deixo convites para dar continuidade, caso assim o entendam, aos blogs:
Pensar
Arroz de Casca
Humm... Canela
Foto-esfera
Abrupto
(aposto que este cortes não vai alinhar na brincadeira...)

quinta-feira, novembro 08, 2007

Obrigado Realidade!

Por provares à exaustão que há sempre um pantone mais negro por mais que achemos que chegámos ao fim da escala.

Não te preocupes. Eu apanho-te na volta do correio e mostro-te com quantos paus se faz uma pira funerária para iluminar esta negritude com que me brindas.

Is there all that is? Apostava que não mas provavelmente perdia. O que vale é que, nestas alturas, tenho mau perder, faço batota, birra, esperneio, rosno e mordo. Mas depois passa-me.

Rodo-aviário

As aves raras que habitam as nossas estradas estão longe da extinção. Desde as bestas predatórias que atacam o alcatrão como se não houvesse amanhã (entre as quais este vosso criado se inclui, ainda que com alguma, passe a imodéstia, perícia) até aos asnos superdefensivos que guiam com a mão no botão dos 4 piscas [hábito odioso, diga-se, e que conduz ao pânico de massas (coisa linda de se ver, esparguete assustado... isto para não falar num ravioli absolutamente aterrorizado que vi outro dia - perdoem-me este parentesis aloilado mas não resisti) a que se assiste agora sempre que alguém espirra].
Perceber que se pode facilitar a vida aos outros, mesmo que seja à custa das regras do código, é algo que escapa à maior parte dos craques que a DGV autorizou a circular por aí, a troco de uns leitões e frangos certamente, neste país de vias travessas onde há sempre alguém prontinho para estacionar "só por uns minutinhos" em 3a via, para assistir no regresso ao pandemónio de 5 kms que provocou e resmungando entre dentes "estes gajos são uns chatos" ou um muito mais cool "Que se lixe! Azaréu!" ou ainda o enervante "Esperem que eu também esperei 9 meses para nascer". A subtileza da emenda para 12 certamente que lhes escapará, sendo por isso escusado usá-la à laia de insulto nestas ocasiões.
Hoje encontrei duas senhoras muito bem compostas depois de uma ter esmagado a sua frente contra a traseira da outra (imagens do "Bound, sem limites" misturadas com o "Crash" surgem-me no espírito sem que tenha sobre isto qualquer controlo), que civicamente demoraram 30 minutos no mínimo (ocorreu antes de lá chegar e saí de lá antes de estar concluído o processo) para descobrir e resolver que a culpa foi de quem bateu por trás numa recta enganadoramente desprovida de obstáculos com o trânsito a rolar a 50 kms/h, uma manobra que, como todos nós sabemos, se conta entre as mais complexas que o cérebro humano pode abarcar no que toca ao domínio sobre uma viatura e sobre a coordenação visual-motora, salvo nas ocasiões em que estamos ocupados a pintar os olhos, a mudar a estação de rádio, a micar a miúda do carro do lado ou ao telemóvel, instrumento que, acrescento, parecia estar a ser inestimável para solucionar o tal berbicacho pois ambas as madames o ostentavam com aquele ar de enfado que uma fila buzinante de 10 kms por perto pode provocar. Custava muito terem levado os carrinhos amolgados para a berma? Será que na berma não há rede? Será que o código proíbe o preenchimento da declaração amigável na berma? Será necessidade de protagonismo que a berma não preenche? Será falta de glamour por parte da berma? Atenção que falo educadamente da berma e não da valeta para onde as remeteria para gáudio de muitos. Os olhares com que foram brindadas durante o tempo que lá passaram certamente que não tinham nada de elogioso, méritos físicos ou de indumentária que pudessem ter, e sobre os pensamentos abstenho-me de qualquer tentativa de reprodução em nome da correcção linguística que este blog se orgulha de manter. Quem diz a berma diz, a propósito de correcção, o raio que as parta, desde que longe dali e fora da estrada.
Atenção que nada disto tem um carácter pejorativo sobre a condução feminina! Circunstancialmente estavam ali 2 dignas representantes do género, nabiças, mas facilmente poderiam ser nabos. Civismo, Educação, Amabilidade, Compreensão, Desenrascanço são tudo palavras do dicionário (menos a última, segundo o DLPO online) cujo significado certamente escapa aos donos do asfalto mas, ao que julgo saber, um dicionário, ao contrário dos coletes garridos que infestaram a comunidade automobilizada, não se conta entre os items obrigatórios para estarmos habilitados a guiar. É pena.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Parar é morrer...

Diz o adágio e há tanta verdade nisto que chega a assustar. É verdade na biologia, na economia, na carreira, na vida. Há dias em que, por força do excesso de trabalho, da falta de sono, do cansaço ou outra desculpa qualquer, só dá vontade de pudinzar no sofá. Seja, sou tão fã disso como outra pessoa qualquer uma vez por outra, até porque sabe mesmo bem relaxar. Agora outra coisa é fazer disso regra e desse hábito um estilo de vida. É ouvir "Ehh... hoje não, estou mesmo cansado..." dia após dia. Isso! Cansa-te da vida e pode ser que um dia a vida se canse de ti. Não pode ser! Acordem! Sacudam essa letargia castradora que tolhe e limita! Isto passa a correr e ninguém nos dá outra volta. Se não fizeres, se não tentares, se não correres, se não experimentares, ninguém o fará por ti. Há sempre, tem de haver, energia para mais! Quanto mais fazes, mais podes fazer; quanto mais queres, mais consegues fazer. Nesta altura do campeonato, só queria que os meus dias tivessem 48 horas para ter tempo para mais e mais. Tempo, tempo, tempo! Para os amigos, para ler, para desporto, para comer, para pensar, para a família, para trabalhar (também tem de ser), para cozinhar, para viajar, para festas, para música, para descobrir, para filmes, para dormir, para estudar, para teatro, para criar, para escrever, para os hobbies, para a net, para exposições, para o carro, para conhecer pessoas, para aparvalhar, para a casa, para museus, para jardins, para namoriscar indecentemente, para estar ao sol, para concertos, e sim, também para ficar no sofá! Há coisas boas demais para fazer com o tempo para nos podermos dar ao luxo de o desperdiçar por falta de vontade. Vamos! Mais, mais, mais!! Up, up and away!!!

(P.S. 1 - Agora que penso nisso, se calhar os 6 cafés, os 6 kms de corrida e as 6 horas de sono por dia andam a deixar-me um pouco eléctrico... eheheheh)

(P.S. 2 - Para todos os que não vejo ou falo há imenso tempo fica o pedido de desculpas público e promessa de remissão do pecado de ausência & desaparecimento para com todos aqueles com quem tenho estado em falta...)

(P.S. 3 - Energia e vontade à parte, hoje está a ser um daqueles dias em que mais valia nem me ter dado ao trabalho de acordar para acumular horas de sono para dias que valessem mesmo a pena. Que Quarta-feira perfeitamente horrorosa e desnecessária. Tudo corre mal. Carregas no Send quando querias o Delete, escreves Vergas quando querias Verbas, enfim... agora das duas uma: ou aparece a cereja podre no topo do bolo queimado e piso um monte de m**** fresca ou surge o raio de sol redentor mesmo sabendo que já é noite lá fora)

segunda-feira, novembro 05, 2007

"Move it, move it, move it!"

Hoje é dia de mudanças. Mais um ano que se completa por terras da capital, mais uma casa nova onde morar. Começo a habituar-me a este ritmo em que nada permanece, tudo muda. Por um lado não me posso queixar de monotonia ou da rotina, por outro perdem-se um pouco as raízes criadas numa casa que assistiu a momentos bons e maus que necessariamente marcaram e deixaram memórias. Deixo casa e companheiros de casa. Deixo um bairro simpático. Vamos ver o que me reserva o novo lar e por quanto tempo lá ficarei. Fica prometida a festa de inauguração para breve, assim que a poeira assentar.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Quadras aparvalhadas VIII

Labutei até agora
Trabalhei com afã
Está na hora de ir embora
Antes que fique tantan

Fica um conselho amigo
Retirado de um livro antigo:
Ao almoço, ao jantar e à ceia
Comam carne de baleia

Contente vou pela estrada
Rumo aos copos de vinho
Com a saída marcada
Posso mesmo ser tolinho

A vírgula da diferença I

Roubaram-te o Alfa, Romeu?

Já fizeram a vossa higiene, pessoal?

Apetecia-me escrever mais umas quantas mas agora não me sai mais nenhuma... pode ser que daqui a bocado, em mais um acto de rebeldia profissional, por aqui passe, pare e poste (continuo a gostar muito da conjugação deste verbo).

Quadras aparvalhadas VII

Queria tanto estar a trabalhar
Como ficar sem um braço
Ou arrancarem-me um olho
Ou perfurarem-me o baço

Quadras aparvalhadas VI

Nem sabem quanto me aperreiam
Estou pior que um atum
Quanto mais me chateiam
Mais eu faço nenhum

Quadras aparvalhadas V

Estou triste e derreado,
Pior que um pudim,
Estou mesmo chateado,
De estar aqui sem tim

Era mesmo aqui...




Bem sei que isto é masoquismo mas não consigo evitar... deve ser o ar bafiento que os HEPA estão a deitar aqui para a cave que me está a perturbar a lucidez...
Para os privilegiados que puderem lá ir fica o link: http://www.sanalfonso.cl/

Ah, e a certeza que, se lá forem mesmo sem mim, garantiram o meu ódio eterno e ardente, o que num dia como este será, mais coisa menos coisa, suficiente para alimentar meio inferno (num tema relacionado, uma recente classificação de rendimento energético classificou o Hades como A+. Ao que parece queimar almas não polui).

Quadras aparvalhadas IV

Não gosto de trabalhar
Quando devia estar de férias
Quem gosta disto é parvo
E o resto são lérias.

Quadras aparvalhadas III

Se eu fosse a lua eras a minha terra
Se eu fosse a terra eras o meu sol
Gosto de ti mais que de queijo da serra
E agora apetece-me um rissol

Quadras aparvalhadas II

Eu queria ser rico
Para te dar um castelo
Para que tu me contemplasses
Como eu te contempelo

Quadras aparvalhadas I

Eu queria ser um chinelo
Chinelo que tu calçasses
Para ir onde tu fosses
Para estar onde tu estasses

quarta-feira, outubro 31, 2007

Os canhanhos de cinema

“Outra margem” de Luís Filipe Rocha, tem como matéria-prima as silhuetas planas e distantes, em que cada um de nós se transforma, quando esconde dos outros as suas fragilidades. Tal qual, as personagens deste filme. Maria, Mãe de Vasco esconde-se por detrás do esforço e dedicação ao filho. José, pai de Maria e Ricardo, esquiva-se à reconciliação. Ricardo recusa a morte do namorado. E Luísa, abandonada no dia do casamento por Ricardo, espera -ainda- o noivo. Personagens separadas pelo rio da incomunicabilidade.
Porém há Vasco. Um rapaz que precisamente pela sua fragilidade, consegue resgatar das margens as personagens isoladas e fazê-las renascer. É, neste sentido, que este filme trata da superação da morte. Não física, mas da morte emocional que implica viver à margem dos outros. Para cada personagem, e para cada um de nós.
Dos actores, destaco Tomás Almeida (Vasco). Este não só nos torna cúmplices do seu ponto de vista, como cria com Maria d´Aires (Maria, mãe de Vasco) com Horácio Manuel (avô) e com Horácio Manuel (tio), uma relação de ternura e simplicidade que há muito não via no cinema Português. Recordo três momentos exemplares: a festinha na cara da mãe enquanto esta trabalha, o almoço com o avô, e o modo como se aproxima do tio quando este dorme no quarto. Mas se tudo isto, são apenas ideias de realização a que os actores conseguiram dar a melhor interpretação, foi o realizador, que na montagem materializou as ideias com sons e imagens. Recordo a valsa de olhares entre mãe e filho, depois de este dizer que escutara o tio a chorar; e a montagem em paralelo de Ricardo a cantar, e a cremação do seu namorado.
Em “Outra Margem” Luís Filipe Rocha recupera a nota documental que marcou o início da sua carreira. O filme, através das actividades quotidianas das personagens, regista o dia-a-dia das pequenas cidades do interior: o trabalho de Maria na fábrica, a idas ao cinema, as compras da semana, e os novos espaços de diversão nocturna. E assim, constrói um ambiente de dia-a-dia concreto. Muito delicado e muito difícil. Porém, e aqui reside o que mais me afastou do filme, esta sensação de quotidiano a acontecer, é quebrada por alguns diálogos abstractos, e por uma utilização lírica de partes da música. Ora, abstracto e lírico é o que o filme seguramente não é. É por isto que merece muito ser visto. Pois apesar da transparência das suas imagens e sons, há emoções e sentidos genuinamente humanos.

terça-feira, outubro 30, 2007

Já que falas nisso...

E porque o tema é um bom tema, já não é segunda-feira, o sol brilha e tal, apetece-me discorrer um pouco também sobre o amor e filhozes do género. Não estou a falar de gostar, de carências, de relógios biológicos, de necessidade, de desejo, de amizades com pantone... Não. É mesmo a coisa genuína, a que, qual algodão sentimental, não engana! Aquela que não só move montanhas se necessário for, como faz com que nem reparemos se, por acaso, alguma das ditas montanhas resolver ir dar uma inesperada volta ao bilhar grande. A que nos faz dizer coisas absoluta e escandalosamente ridículas sem que disso tenhamos sequer noção, ou, tendo-a, não faz diferença nenhuma. A que nos adoça a voz, a que adiciona "inhos" a tudo, a que nos põe um sorriso parvo logo abaixo do olhar parvo, mesmo no meio da cara de parvo, a que não nos sai da cabeça a dormir ou acordado, a que nos inspira carinho e cuidado, a que coloca o bem-estar da outra pessoa acima de nós próprios, que provoca mais suspiros contemplativos por minuto que a tubercolose provoca tosse. A dos arrepios, suores frios, dores de estômago mas que não passa por intoxicações alimentares. Aquela que relaciona noção do tempo a passar e distância entre pessoas numa função inversamente proporcional. A que nos impede de pensar em consequências, nos faz acreditar sempre num final feliz, nos renova a fé na Humanidade. A que faz um dia cinzento de chuva parecer bonito, independentemente de estarmos na praia, roxinhos a tiritar de frio. A que nos faz perder a cabeça, o juízo, o norte, o rumo e, em dias mais complicados, a correcção gramatical. A que sabe mesmo bem quando bate certo e que quando bate certo, bate forte. A que está lá nos dias maus da mesma maneira que nos bons, fazendo com que, pensando bem, acreditar que o dia até nem foi assim tão mau. A que ultrapassa problemas e crises em nome da felicidade mútua sem a intervenção da polícia anti-motim, da sogra ou do rolo da massa. A que permite comunicar sem palavras, ler pensamentos, adivinhar vontades, habilidade particularmente útil naquela festa chata na altura de ir embora. Aberta, assumida, intensa, terna, honesta, quente, carinhosa, reconfortante, sólida, recíproca, calorosa, expansiva. Sem ressentimentos, recriminações, queixas, acusações, dúvidas, medos, hesitações. Tão bom que devia vir em embalagens de 20. Tão bom que devia ser ilegal, para lhe acrescentar o prazer do proibido (e vou excluir o adultério e a pedofilia porque... enfim, seja, ficam. Gostos são gostos e o código penal não tem nada a ver com isso). Tão bom que devia acontecer a todos pelo menos uma vez e durar para sempre, de preferência na mesma vez para não criar problemas de continuidade ou sobreposições na realidade.

A que fez, faz e fará falta a tantas relações falhadas, e a algumas não falhadas também, no século XXI e, arrisco eu a extrapolação, noutros séculos também, porque estou a ver muito boa gente a aturar grandes berbicachos conjugais na idade média sem uma réstia de amor que fosse, com a agravante da proliferação de achas de armas, lanças, espadas, flechas e quejandos que por essa altura existiam em qualquer lar decente e resolveriam o problema de um modo muito mais rápido e indolor, dependendo do lado da arma que estivessemos, claro.

E, como não pode ser tudo bom e a medalha tem sempre um reverso, a que dói mesmo muito quando corre mal. Chiça penico! Antes cortes de papel na retina e lágrimas de álcool...

Tudo sobre as relações amorosas no século XXI

Aqui

segunda-feira, outubro 29, 2007

Monday sucks!!!

E cá chegou mais uma destas inevitabilidades da vida, tão certa como os impostos, a merda e a morte: uma segunda-feira. E das más. Cinzenta, com jet-lag da mudança de hora, trânsito, tristonha, muito trabalho, muito aborrecida... Vamos!, cantemos para espantar os males:

(Cantar com a música do Mickey Mouse)

What's the worst day of the week that gets us all depressed?
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Here comes more aggravation and a brand new week of stress!
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Monday Sucks, Monday Sucks! Monday Sucks, Monday Sucks!
Forever will it make you want to cry, cry, cry, cry!
So come along and sing this song, now get it off your chest.
M-O-N, D-A-Y, S, U, C, K, S.

Ouvir música completa aqui.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Putin que parin!

Invadiu-me ontem um súbito fervor tchetcheno eivado do mais puro ódio nacionalista pelo ridículo do meu próprio país (ou, fruto da representatividade democrática, por quem o gere) quando me vi obrigatoriamente parado na A5 a assistir ao desfile feérico de luzes que acompanhava a caravana do líder russo e não pude deixar de desejar ter um taco de basebol a jeito. E não é que tinha mesmo um na mala? Pena é que, quando finalmente lá cheguei, já o senhor tinha seguido viagem e era eu o causador do engarramento. Para não perder a ida à bagageira ou o ódio fervoroso, aliado ao facto de seguramente não restar um único agente capaz de manter a lei e a ordem na cidade, incitei a restante populaça ao motim por motivos ainda não inteiramente compreendidos pelas autoridades ou pelos médicos, aos quais não me darei ao trabalho de explicar, ou por mim próprio, porque acordei um pouco baralhado desta última alucinação, mais ainda porque, de facto, ontem vim pela A5 e porque aquilo estava mesmo engarrussafado (espero que tenham explorado todas as possibilidades humorísticas contidas nesta fusão de palavras).

Contos curtos sobre nada: Obrigado, amigo!

Obrigado, amigo, pela noite porreira do fim de semana passado. Estava tudo óptimo. Que grande ideia a tua de irmos de carro até à costa pela estrada sinuosa e encantadora da serra. Realmente ver aquele pôr do sol com cervejinhas e conquilhas foi excepcional. A jantarada no tasco lá perto foi inesquecível, principalmente a parte das beldades exóticas nórdicas com que achaste por bem meter conversa. Ui, aquele bar se falasse, as histórias que contava. E por falar em histórias, estiveste hilariante na resposta que deste aos locais que não paravam de mandar bocas lá do fundo. Melhor só mesmo o concurso de shots que lançaste com aqueles tipos do rugby e a parte em que perdeste o cartão e saímos sem pagar.

Hoje, aqui sentado no hospital onde acordei, lembrei-me de tudo isso lentamente, depois de passar o efeito da anestesia geral, a amnésia temporária da concussão e o stress pós-traumático de tudo aquilo por que passámos juntos.
O primeiro biqueiro nos dentes do porteiro foi de uma agilidade incrível para um bisonte daquele tamanho. E ainda estava a pensar se aquilo me iria doer ou não durante muito tempo, quando encontrámos os meninos dos shots que prontamente me esclareceram essa dúvida. O que vale é que a gonorreia/fungo/sífilis das lambisgóias de cabelo pintado da Rinchoa sempre distrai um pouco quando arde e comicha. Coincidência incrível do destino foi aquela de, no cruzamento, teres jurado que era para a esquerda e termos voltado ao primeiro bar, mesmo a tempo de perguntares à besta peluda, o tal que por um feliz acaso era cabo da GNR local, que insultaste, de um modo genial diga-se, horas antes de chifrudo manso impotente, por indicações de trânsito com a garrafa de vodka na mão. Se não tivéssemos caído, ao puxares o travão de mão, pela ribanceira que ladeava a tal estrada sinuosa e encantadora da serra, sempre queria ter visto o efeito que aquele taco de basebol teve no meu descapotável novo e, já agora, encontrava o papel da multa que ele nos passou para saber em quanto ficou a mostarda. Agora desculpa-me mas tenho de voltar a chamar a enfermeira porque as conquilhas de confiança daquele sítio que disseste que conhecias desde pequeno voltaram a detonar a diarreia explosiva e ainda não me habituei a usar o coto que restou do meu braço direito para carregar no botão.

Grande abraço! Quando finalmente sair daqui eu ligo-te.
Melhor, encontro-te para te agradecer pessoalmente!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Gracias Tacuara aka Cardozo

Ontem, depois de uma primeira parte algo fraca de uma equipa que permanentemente tem sido privada de jogadores fulcrais e ainda a ressacar de uma mudança de treinador, assisti a uma segunda parte esforçada e colectiva, com vontade de ganhar e espírito de sacrifício. O resultado final, a vitória, muito importante nesta altura tanto pelos pontos como pela moral, peca por escassa em golos para ambos os lados, com o mérito da vitória encarnada a ser, no entanto, indiscutível. Claro que, pelas circunstâncias típicas de ter acontecido pela margem mínima e já perto do final, podia ter corrido mal, não obstante o mérito. Claro que era melhor ter marcado mais e mais cedo. Claro que, a pensar assim, o melhor é ir apoiando rotativamente a equipa que melhor futebol pratique e esquecer a monogamia futebolística. Não há tal coisa como objectividade neste desporto, até porque a bola é redonda e a sorte caprichosa, pelo que resta a emoção e a parcialidade da clubite (bem disposta e tolerante) que nos faz ver nas camisolas vermelhas o melhor clube do mundo em todos os momentos e classificações. Não é perfeito, não é isento de erros, não ganha sempre, mas, à imagem de qualquer outra paixão, para mim é impossível não ver ali o clube mais bonito do mundo! Como diz o slogan da Olá!, quem gosta gosta sempre! Há espaço para melhorar, como em tudo; há lugar à crítica construtiva, como sempre; e tem de haver, a par da paixão fervorosa nas vitórias, fair play e poder de encaixe nas derrotas. No título agradeci ao marcador do golo, alvo de imensas críticas, algumas justas dado o nítido mau momento de forma física e decréscimo de confiança, outras absolutamente maldosas e de quem nada (ou muito) percebe do desporto em geral e de futebol em particular. Na minha humilde opinião de praticante amador, o senhor tem algum talento para o que faz, embora lhe reconheça algumas fragilidades (jogo aéreo e pé direito) que poderão ser colmatadas com a natural evolução que a idade lhe permite e um bom treinador, que temos, proporcionará, tornando-o num ponta de lança de respeito. O resto é mental e ainda lhe veremos muitos golos esta época! Ontem dei por bem empregues as quase duas horitas que espremi da minha super-lotada agenda.

Ig Nobel Awards

Porque nem toda a curiosidade é séria e porque a idade dos porquês, às vezes, dura mais do que o esperado, surgem perguntas parvas que, inesperadamente e envolvendo pesquisa séria, produzem respostas igualmente parvas. Eu gosto!

Alguém achou que havia motivo de reportagem, como diria o outro, e, melhor ainda, que era bom atribuir prémios.

Os Anais da Pesquisa Improvável vêm provar que há mesmo quem queira saber alguma coisa sobre a Necrofilia Homossexual dos Patos Bravos (ver prémio de biologia de 2003) ou, o meu favorito pessoal, Linguistica 2007: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Nuria Sebastian-Galles, por determinarem que as ratazanas, por vezes, não conseguem distinguir entre Japonês ouvido de trás para a frente e Holandês ouvido de trás para a frente.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Sem querer fazer concorrência


aos amigos Minimalistas, deixo um mapa de onde estava há dez anos atrás. Não no campismo, que não havia dinheiro para isso. Mas depois de dormir num Fiat Uno com mais quatro pessoas ainda demos um mergulhinho nesta praia (alguém deve ter uma foto nossa junto à placa... não era uma placa muito grande...) da localidade. O aeródromo da ilha, como podem ver ao centro se aumentarem a imagem, tem um nome igualmente sugestivo.
Um sítio a que é preciso voltar (falo da ilha!).

Sampi VI - A batalha (parte II)

Sampi, como tantos entre nós, era uma criatura pacata, simpática, tranquila, amável e de todo não totalmente desprovido de capacidade para as maiores atrocidades quando devidamente motivado ou assoberbado pelo tédio. Entre isso, uma consciência descartável, um talento inato para a asneira e um sobredesenvolvido sentido do insuportável, conseguiu angariar um considerável leque de inimizades. A bem do equilíbrio natural das coisas diga-se que angariou também um reconhecido grupo de amigos fiéis, todos eles, como o próprio advogava tantas e tantas vezes ser a maneira correcta de fazer as coisas, perfeitamente capazes de lhe espetar um abraço traiçoeiro pelas costas enquanto o esfaqueavam no peito olhando-o nos olhos, essa sim a grande diferença entre trastes e trastes, porque falhar todos falham; a questão é assumi-lo abertamente. No caso em mãos, a coisa revestia-se de particular delicadeza porque se tratava de um ex-grande amigo, um dos melhores e que tinha resvalado, como algumas vezes acontece, perdida a confiança, para o outro lado, o lado errado para se estar na perspectiva de Sampi, vulgo, contra ele. Poucas coisas pela negativa o fariam perder a cabeça a ponto de não medir consequências nefastas para ele próprio. Esta seguramente não estava incluída no lote daquelas que não teriam tal efeito. Aliás, no hierarquizado sistema de classificação que tinha inscrito na alma, este elevava a fasquia acima do record olímpico para asco indoor, uma modalidade muito popular nos jogos galácticos inter-espécies, diga-se, da qual Sampi era excelso e exímio praticante. Vasculhando por entre os destroços do que tinha sido o seu lar, recolheu alguns pertences e partiu rumo à sua casa de férias para dar início aos preparativos de batalha. Isto incluia um acumular de tensões, irritações, raiva profunda e mesquinha (não confundir), nervos, stress que poderia ter gerado energia suficiente para alimentar 273 ascensões e quedas do império Romano. Treinou afincadamente trânsito, atendimento ao cliente da TVCabo, repartições de finanças, livros de reclamações, discussões com funcionários da Emel, jantar em restaurantes de praia cheios, reinstalar o Windows, discussões de café sobre política externa, futebol e religião, programar o vídeo, enfiar uma linha numa agulha segura por uma pessoa com parkinson, catar piolhos com luvas de boxe, e, quando terminou, estava energeticamente pronto para descarregar o maior ataque de fúria jamais testemunhado desde que Deus deu uma topeirada na cama e detonou o Big Bang. Agora só faltava encontrá-lo, à sua némesis, o que não deixava de ser fácil. Estaria, certamente e como sempre, no pior ghetto, cercado pelos maiores facínoras e crápulas, na pior zona possível, à pior hora possível, a conspirar sobre maneiras de tornar as pessoas miseravelmente infelizes. Pensou um pouco, considerou as hipóteses, saiu de casa e foi almoçar à cantina do Parlamento.

(to be continued)

terça-feira, outubro 23, 2007

Another day in paradise

Informática O computador tem nove meses, é um Pentium IV vendido por 2.000 euros quando qualquer computador de 600 tinha Core Duo. Está todo avariadinho. A loja (que é uma loja de aeromodelismo e não de informática) prometeu que o arranjo era num instante. Vão lá quinze dias e ninguém sabe de nada a não ser o técnico. O técnico está incontactável.

TV Cabo A Power Box alugada ontem, primeiro não funcionava, depois funcionou e logo deixou de funcionar outra vez. Depois de 7€ gastos em chamadas para o atendimento, vão mandar uma equipa técnica a casa. Mas essa equipa não pode instalar uma segunda ficha de TV Cabo. Para isso tem que se pagar uma deslocação de 25€ a outra equipa.

Transportes IKEA Comprados os móveis e pago o transporte na caixa, a IKEA subcontrata o transporte. Para além de demorar mais de 15 dias, ficaram de ligar ontem ou hoje e até agora... nada.

Simplex O António Luís Matias Santos Ferreira Silva (nome fictício) está na Certidão de Registo Comercial como Luís Matias Santos Ferreira Silva. Assim sendo, o notário recusa-se a reconhecer a assinatura. Coitados dos americanos que são aos milhões e só têm um apelido cada.

Apenas um ponto

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Opus Vigarei

Então a conta do maroto do miúdo já vai em 12 milhões e ninguém me dizia nada... Quando for assim têm que me avisar!
Vá, usem as minhas duas últimas senhas de presença das reuniões do Conselho de Supervisão para pagar isso e fiquem com o troco.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Segunda-feira...

Hoje levantei-me a custo para enfrentar o que já seria um dia penoso, ou não fosse segunda-feira, apenas para me deparar com uma prenda colada ao pára-brisas do carro e não, não era uma caganita. Antes fosse, raios partam a cloaca de onde aquele pedaço de papel veio. E, começando mal, um dia raramente se endireita. Apressado para chegar ao local do meu suplício laboral, atirei-me para a A5, confiante na designação de auto-estrada daquela via para me fazer chegar a tempo ao destino. Está bem abelha. Velocidade só na cobrança pela via verde, o resto eram só avisos sobre trânsito lento. Animado, diria mesmo refrescado por este belíssimo começo que me arrancou da cama quentinha, fui prontamente saudado pelos 100% de humidade que a serra de Sintra prende do lado errado do mundo. Óptimo. Falhado o café matinal por falta de tempo, caiu-me em cima uma tal carga de trabalho estupidificante que nem tive tempo de ficar muito mal-disposto. Salvou-se um raio de sol que apanhei de raspão a meio da manhã para resgatar a minha alma imortalmente entediada do purgatório do tédio para onde estava e estou a ser remetido. E ainda o dia ia a meio quando surgiu a tarefa que relegaria todo o restante fardo de Sísifo lá para o topo da montanha (de onde amanhã virá certamente a rebolar com velocidade redobrada direitinho aos meus ombros). Ao fim do dia reorganizar o arquivo. Ui, que bom. O meu reino por um lança-chamas e depois arquivo tudo em C de Cinzas. Se Kafka tivesse trabalhado aqui, "O Processo" teria 5 volumes e a floresta amazónica mais uns quantos hectares. O que mais me estará reservado? Tremo só de pensar. Valha-me que as paredes podem prender o meu corpo mas o administrador da rede ainda não bloqueou este endereço! Espero não estar a falar antes do tempo, senão, como último recurso, restar-me-ia apenas sair daqui em espírito, fuga essa escondida por um ar de intensa e intrasponível concentração, como convém. Bom, de volta à labuta que os cinco minutos de pausa já se esgotaram e para aqueles que acham mesmo que o ditado "Paus e pedras podem quebrar meus ossos mas palavras não me atingem" nunca ouviu "Estás despedido!" ou "Horas extra não remuneradas!".

quinta-feira, outubro 18, 2007

Bocejo

Uuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...

Peço imensa desculpa mas era isto ou espreguiçar-me aqui em frente a esta malta toda.

Continuemos serenamente rumo ao fim do dia...

quarta-feira, outubro 17, 2007

Levanta-te

contra a pobreza

e vai trabalhar, ó mandrião!!!

(este post manifestamente fascista e que me garante entrada directa lá onde até as chamas têm calor, serve apenas para celebrar o regresso da internet de banda larga à minha vida!)

O excesso formal foi sempre índice de decadência.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Ena Pá! 2000... anos no inferno!

És cruel

Mataste a tua filha com um cordel

Transformaste a tua casa num bordel

És cruel

És tarado

Drogaste os teus filhos, que pecado

Praticas swing à bruta e és casado

És tarado

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Não sei onde vais parar

És ignóbil

Levaste o cadáver no automóbil

E cremaste a criancinha em Chernobil

És ignóbil

És vaidoso

Andaste a foder a vizinhança

E davas droga a uma criança

És vaidoso

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Não sei onde vais parar

És obtuso

Bebes vinho em vez de agua do Luso

Agora tás mais enroscado c’um parafuso

És tarado

És obsceno

Encheste as veias de Maddie com veneno

Encharcas-te com vinho do Reno

És cruel

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Eu sei onde vais parar

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Eu sei onde vais parar

Eu sei onde vais parar

Piadola sádica e gratuita

10 miúdos vão jogar às escondidas. Quem ganha?

A Maddie...

(via email)

Máquina do tempo

Ultimamente, noto que os casamentos se tornam em máquinas do tempo pelas reuniões que proporcionam entre amigos de longa data e/ou separados por distância física ou estilos de vida. Claro que nem todos possuem igual potencial para este efeito mas agradaram-me muito, nesse aspecto, os últimos a que fui. Quando o espírito está lá, e ainda está tanto, basta um empurrazinho e as peripécias sucedem-se em alegre catadupa. Chaves partidas ou perdidas, quedas e tropeções, poses, desencontros, figuras, frases e fotografias marcantes, gaffes, gralhas e quejandos, tudo isto perdido entre abraços e gargalhadas regadas a contento, com a euforia típica de quem celebra a vida como ela merece e ao lado dos amigos de sempre. Muito bom!

Adiante-se que poucas coisas têm o nível de um fraque de pé descalço. Muito poucas mesmo. Uma coisa séria! Uma coisa digna! Uma coisa para a qual é necessária uma coragem que não está ao alcance de todos. Eu diria que era uma bota difícil de descalçar mas a imagem contradiz-me...

E para terminar em beleza, no dia seguinte ao almoço, numa tasca escondida apenas encontrada a conselho de quem sabe, um cabrito grelhado absolutamente delicioso!

sexta-feira, outubro 12, 2007

A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade?!?

A verdade, expoente máximo da relatividade, tem-me surgido ultimamente sob as suas mais variadas formas, em vários momentos e situações. Há a verdade dos factos, matemática, fria, implacável e que, mesmo assim, por vezes, teima em ser deformada para se conformar aos superiores desígnios de quem a tenta controlar. Neste aspecto em particular, trabalhar na indústria tem servido para me elucidar sobre este assunto - uma assinatura e uma data são suficientes na maioria dos casos, ainda que, por vezes, seja necessário algo um pouco mais elaborado. Seja. Podemos sempre vender para mercados menos exigentes ou incluir um disclaimer no folheto informativo: Reacções adversas - O que não mata, engorda. Adiante. Melhor que o 2+2=5 com que me confronto profissionalmente, ficam as verdades temporárias. Pena é que nem sempre se lembrem de colocar o aviso: Esta verdade autodestruir-se-á dentro de 30 minutos. Por favor abstenha-se de agir em conformidade com versões desactualizadas a seguir a esse período de tempo. Outro tipo ainda refere-se às verdades que, na verdade, não precisamos de saber - a chamada need to know basis. Isto pode ser 1) muito enervante quando nos apercebemos que estamos a ser levados por tolos; 2) muito conveniente quando o melhor mesmo é nunca saber para não termos de agir em função desse conhecimento; 3) absolutamente indiferente e só ocupa espaço. A questão está toda em quem decide essa need to know e, muito importante, qual o grau de confiança que depositamos nessa pessoa e os riscos que estamos dispostos a correr baseados nessa confiança. Há também a verdade como nós a vemos, nem sempre consentânea com aquela vista por outros ou com a realidade, e, dessa disparidade, nasce a necessidade de termos amigos fiéis para nos ajudarem, para nos abrirem os olhos, para dizerem aquelas verdades inconvenientes, para serem as lentes que nos corrigem a visão deformada, para nos trazerem os pés de volta à terra ou para nos darem aquele empurrão que nos tira os pés do chão. Muito más são as verdades cruéis, a verdade de arremesso, aquelas que nos atiram à cara da pior forma possível, sabendo que sabíamos ou não, pelo gosto de apreciar o impacto no muro de cimento da realidade não amortecida. Também não é bom andarmos a alimentar verdades que não o são, como aquela do pior cego, o que não quer ver, ou só vermos um lado dessa verdade, como se tivéssemos palas nos olhos que nos obrigassem a uma perspectiva cubista das coisas ou polarizadores que nos obriguem a uma realidade a preto e branco, sem tons de cinzento intermédios. Ainda assim melhorzinhas, ficam as verdades libertadoras, que nos tiram um peso de cima quando reveladas ou confirmadas. Gosto também do equilíbrio de verdades, entre uma visão ligeira e simplificada do mundo, de uma verdade assim um pouco naif e despreocupada, do género "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", e uma visão absolutamente paranóica e delirante (versão da verdade também disponível a seguir à administração de LSD) em que não uma coisa pode não ser só uma coisa, como pode até ser uma coisa pequena e peluda com muitas patas, dentes e garras. Já dizia o Mulder, the truth is out there, e, procurando bem, acho que conseguimos encontrar uma verdade para cada um de nós. A que melhor nos convenha. A que nos faça mais felizes. A que melhor se encaixe naquilo que procuramos.

Como dizia outro dia em conversa, ainda que nem tudo o que digo deva ser entendido como a verdade convencionalmente aceite, até porque é sempre bom deixar uma margem para mal entendidos, innuendos, segundos e terceiros sentidos, trocadilhos e confusões, no que realmente importa, na minha ordem de valores, claro, já que não posso usar outra, sou absolutamente sincero - I always tell the truth, even when I lie. Recuso-me, de momento, a revelar a tal escala a conselho do meu advogado e porque a CMVM - Comissão de Mercado de Valores (A/I)Morais - suspendeu recentemente a sua cotação na bolsa por suspeitas de especulação.

A verdade é perigosa, a verdade liberta, a verdade magoa, a verdade desperta. E, ah, é verdade, se vão mesmo ter de aldrabar, não sejam apanhados... parece verdadeiramente mal.