segunda-feira, dezembro 03, 2007
O Sapo é parvo
O Sapo é parvo. Mesmo parvo. Escolheu para vencedor do festival de microfilmes um filme parvo, de uma francesa parva, sobre um franco-argelino parvo (aka Zizou que fazia dos adversários parvos), com uma história parva com dois piões parvos. Os enviados da Gabardina à sessão de encerramento protestaram veemente e silenciosamente contra a escolha. É só compadrios, estava tudo minado! Nós, de um modo perfeitamente isento, torcíamos pelo realizador da casa. À falta de prémios e revoltados com a injustiça de tudo isto, afogámos as mágoas da derrota pelas ruas do bairro. Dessa e a dos senhores de vermelho que perderam contra uns parvos de azul. Parvalhões.Posted by Catarse at 3.12.07 2 comments Links to this post
American Gangster
O filme é um bom filme. O final é um final. Os gangster tinham pinta, muita pinta. Gostava de ter vivido nesta altura. Gostava também de ter sido um gangster ainda que, muito provavelmente, o glamour aqui representado não compensasse uma boa e sólida bala no lombo. Isto para não falar nuns sapatinhos de cimento e num sobretudo de pinho. Mas, ainda assim, tem muito mais charme cinematográfico vender pó branco com um casaco de chinchila do que com uma bata branca. Ainda que, olhando para um armazém cheio de produto (dito assim soa mesmo bem) capaz de tratar milhares de doentes (desde que paguem), a imoralidade do acto permaneça essencialmente a mesma. Um pó destina-se a curar os males do corpo, outro pó serve para aplacar as maleitas de um espírito desfeito e de uma vida inclemente.
"Quitting while you're ahead is not the same as just quitting" é um bom conselho, venha ele ou não de um barão de droga no sodueste asiático. "Easy comes, easy goes" também, este cortesia da casa.
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domingo, dezembro 02, 2007
Um país que é como aquela família
que, não tendo dinheiro para comer, compra um Jaguar para mostrar aos vizinhos que está em grande.
Salários congelados
Dívida pública excessiva
Défices orçamentais
Pobreza
Fome
Greves
Câmaras Municipais falidas
Estado português paga, com o dinheiro dos impostos dos seus pobres cidadãos, tela pintada há centenas de anos por milhão e meio de euros...
Onde é que se assina uma petição para acabar com os subsídios à "cultura"?
E tudo é ainda mais ridículo porque
Ministra da Cultura desconhece interesse do Estado em comprar quadro de Giovanni Tiepolo
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sábado, dezembro 01, 2007
Angústia de Presidente da República
"O que é que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?"
Talvez...
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sexta-feira, novembro 30, 2007
Lisboa
Passados 2 anos de pleno usufruto, posso dizer, sem reservas, que estou perfeitamente rendido a tudo o que ela tem para oferecer, restando ainda tanto para descobrir numa cidade que se renova em permanente mudança por possuir massa crítica suficiente para tal. Anos que passem e haverá sempre algo novo para conhecer, haja também espírito e vontade para o fazer. Acredito que, para quem cá sempre viveu, este espírito de novidade se esgote e até adianto que, contingências da vida o permitam, venha a existir a possibilidade de rumar a outra metrópole de uma escala e nível de vida superior como Barcelona, Madrid, Londres, Nova Iorque, São Francisco, Tóquio, Hong-Kong, Paris, Roma, Milão, São Paulo, Rio de Janeiro ou Berlim. Também aceito que não se tenha essa vontade e que outros queiram ficar mais tranquilamente instalados na pacatez de uma cidade pequena. Tudo depende dos objectivos, gostos e fases da vida. Por mim assumo o gosto pela cosmopoliticidade e animação cultural que Lisboa (ou outra das mencionadas) me oferece nesta altura. Gosto de viver aqui. Vejo-me a viver aqui.
Há teatros, concertos, restaurantes, noite, comércio, habitação, jardins, museus, estádios, empregos, acessibilidades, arquitectura, educação, pessoas, diferenças, escala, cultura, risco, novidades, oportunidades, feiras, festas, esplanadas, diversão, entretenimento, desporto, praia, monumentos, movimento e animação em quantidade suficiente para combater o tédio e o comodismo. Claro que também há poluição, trânsito, crime, custo de vida e todos os restantes malefícios das cidades grandes mas tem de haver um preço a pagar pela maior oferta...
Inicío este terceiro ano com mais mudanças à vista, depois de 2 empregos e 3 casas, depois de fases boas e menos boas, depois de experiências variadas com que aprendi imenso, depois de conhecer pessoas diferentes e interessantes, entre as quais tive a felicidade de reter bons amigos. Não posso dizer que espero de Lisboa em 2008 pelo menos o mesmo porque espero mais ainda!
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quarta-feira, novembro 28, 2007
Conversas de cantina II
Em conversa, surgiu a seguinte frase:
"- A primeira mensagem que recebo todos os anos a dar-me os parabéns é do cartão GALP."
E ainda esta:
"- Todos os dias de manhã, ao receber a primeira mensagem do dia, penso: deixa-ver quem me ama. E quase todos os dias é o cartão FNAC ou a TMN."
Atenção que não falo de nenhum ermita ou anti-social; apenas uma pessoa como tantas outras. A verdade é que nos tempos que correm quando abrimos o mail somos bombardeados com FWs e correntes, spam, publicidade, promoções, mailing lists e piadas. Um textozinho a perguntar como vão as coisas ou um convite para isto ou aquilo é que vai sendo raro. Agora a moda propaga-se ao telemóvel, onde já nem o som da mensagem que chega é garantia que alguém quer saber.
E já que estou no tema e dada a quantidade de tempo que tenho perdido a trabalhar, admito que, por vezes, me desleixo com alguns amigos e não tenho, eu próprio, perdido os dois minutos necessários para obsequiar com a lembrança quem não vejo ou ouço falar durante dias e dias ou até semanas a fio. A todos eles (aos que visitam aqui o tasco e a todos os outros) deixo aqui o Beijo & Abraçada da praxe!
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segunda-feira, novembro 26, 2007
Starship Enterprise - The rescue
Starship Enterprise - The rescue
Captain's logStar date 20071126.1847
Starship Enterprise has received an emergency distress signal coming from the deep unknown space surrounding Nebula K25899. The origem of the signal was unidentifiable. Its contents minimal and gloomy: "Please assist. We've abandoned all hope.” The sadness and despair within such short message were overwhelming. Somewhere in the lonely immensities of the cold interstellar vacuum, sentient and intelligent beings were suffering. Assistance was undeniable. The routine mission had to be postponed and the ship's course changed to intercept the source of the transmission that was drifting randomly without control. Speeding up to warp 7, we rushed to the scene, hoping to arrive in time to be of some help. As we got closer, we're able to get a visual of our target, an old and rusty freighter, dangling and wobbling without course. Sensor scan revealed that no danger or risks could arise from them. A tractor beam caught it and brought it closer for inspection. Battered and abused, it had seen better days and surely must have some stories to tell. Laser and torpedo scars marked it from side to side. A name could hardly be read: Kat-Arse. Weird to say the least. Scanning for life forms, we found a signal. Someone was still alive in there. As its life signs got weaker, we've beamed it aboard, directly to sick bay. Shortly after being put on life support, it attempted to speak. The computer registered it and tried to translate promptly: "Fónix! Que ressaca! Nunca mais bebo cristais de dilítio! Alguém tem uma cervejinha gelada? Hey! Quem é aquele tipo de pele verde que está ali a olhar para mim? O gajo existe mesmo? Estás a olhar para quem, ó lagartixa?! Vê lá se te transformo em tapete de casa de banho."
Posted by Catarse at 26.11.07 4 comments Links to this post
the day the earth stood still...
Ontem à tarde, sem que quase ninguém tenha dado por isso, o tempo parou.
Entre dois segundos, o ar congelou, o sol parou, um avião ficou suspenso no ar, as pessoas silenciaram-se, os carros imobilizaram-se...
Instantes depois retomou a sua marcha e tudo estava igual mas nada ficou na mesma.
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domingo, novembro 25, 2007
sexta-feira, novembro 23, 2007
Discussões de cantina I
-É melhor que a/o mais que tudo nos traia com alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto?
-Eu preferia que escolhesse outro sexo. Que vá e não volte.
-Eh pá, difícil essa. Por um lado é de pensar que trocou de lado porque não há melhor no meu, por outro, posso ter representado tão mal o meu género que decidiu explorar outras pastagens.
-Ou então podes pensar que o teu instinto te levou a procurar alguém de sexualidade duvidosa o que, por sua vez, põe em causa a tua própria orientação...
- E se fores um casal homossexual? Vocês estão cheios de preconceitos.
-Passa-me a salada, por favor.
Posted by Catarse at 23.11.07 0 comments Links to this post
Astróloga Newton - a consulta no Café da Vila
"O rapaz Touro é muito insistente e não desiste do objectivo que escolheu com facilidade. Ronda o seu alvo até conseguir o que quer. O ascendente Leão dá-lhe a capacidade de interagir socialmente e fazer amigos com facilidade. Idealmente relacionar-se-á com uma rapariga Aquário, que mantém o seu espaço mas gosta da atenção dispensada, com afinidade recíproca por Touro."
Nada como um pouco de astrologia para me indicar o caminho! Seguirei, como não poderia deixar de ser, os seus doutos conselhos. Muito agradecido pela iluminação astral!
E, na onda, fica o horroróscopo para hoje: www.nobeliefs.com/horrorscope.htm
(a imagem da cabala acima foi acrescentada apenas por motivos estéticos e não traduzem qualquer crença ou confusão simbólica)
(estou seriamente a pensar em comprar o livro de São Cipriano, velas amarelas daquelas antigas, um crânio, um pentagrama e uma Ouija Board para uma elaborada sessão espírita cheiínha de mambo jambo, com direito a uma música assim levezinha para dar ambiente, talvez uma Tocatta et Fuga de Bach)
(não acreditando em nada disto no geral, mas não descurando nenhuma hipótese, vade-retro Satanás, salvé, salvé, mãe de santo, Iemanjá e o camandro, gosto do poder de sugestão que estas coisas conseguem gerar)
Posted by Catarse at 23.11.07 2 comments Links to this post
Como é que eu sei que vivo num país ridículo? II
Porque o Presidente da Comissão Parlamentar "Orçamento e Finanças" e porta-voz do PSD no debate do Orçamento, Jorge Neto, afirma do palanque: "Como sabemos, as despesas com saúde crescem e crescerão sempre mais que o Produto".
Ficámos assim a saber que dentro de alguns anos (só não sabemos quantos) tudo o que produzirmos não chegará para pagar a saúde. E que daí para frente a situação só se agravará. Nesse dia já não poderemos comer, nem comprar roupa. Nada mais será produzido que não a saúde. Teremos cuidados de saúde, mas, infelizmente, ninguém viverá mais de um dia porque nada haverá para comer.
Os restantes incompetentes nas bancadas não reagiram.
Posted by artur at 23.11.07 0 comments Links to this post
Como é que eu sei que vivo num país ridículo?
Porque num país em que há uma década só se fala de deficit orçamental, se manda apertar o cinto e se congelaram salários da função pública, o Orçamento de Estado para 2008 prevê um crescimento da despesa corrente primária acima da inflação...
Posted by artur at 23.11.07 0 comments Links to this post
série 27 em competição
Caros leitores:
Postarei nos próximos dias os filmes da série 27 com que decidi concorrer ao festival de micro filmes do sapo. Não só quero apresentar as novas versões dos filmes, como quero mostrar no sítio onde tudo começou o filme especialmente feito para o festival. Começo por esse.
O voto facultativo é aqui.
http://videos.sapo.pt/fFjzjN6zEtHbZfOmLjhR
Posted by tcravidao at 23.11.07 0 comments Links to this post
quinta-feira, novembro 22, 2007
Selecção Nacional
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Máquina do tempo
Neste artigo explicam que é possível. Difícil mas possível. Admitindo as viagens no tempo como reais, levantam-se imensos paradoxos como por exemplo o grandfather paradox - em que viajamos para trás no tempo e matamos o nosso próprio avô antes da concepção do nosso pai. Assim, se não temos antepassados como existimos para cometer o crime? É uma pescadinha de rabo na boca à lá relatividade. Há quem diga que somente acontecimentos chave têm o potencial para provocar alterações em cascata e que todas as outras seriam "acomodadas" pela realidade. Outros dizem que há graus de alterações, desde a deformação menor até à destruição completa daquela realidade. Há ainda a teoria do multiverso que nos dá milhões de cenários para todas os gostos, a irradiarem a partir de cada alternativa e que viajar no tempo permitiria escolher outro "ramal" de realidade (escolher o outro caminho na bifurcação).
Gosto da ideia e, pensando para trás, identifico alguns momentos chave na minha vida que alterava (ou gostava de ver no que dava se alterasse). Valeria a pena? Daria no mesmo? De facto, até que alguém descubra um modo de o fazer de uma maneira segura, fica tudo no campo das hipóteses mas não nego alguma atracção pela noção de que poderia reescrever capítulos com os quais não estou contente ou onde conseguia ver-me neles de outra maneira. Aceito que façam parte do processo de crescimento e aprendizagem mas, da maneira como imagino isto, o conhecimento e memórias do que tinha corrido mal estariam intactos acrescendo apenas a possibilidade de viver outra experiência, outra vida, mesmo sem garantias de que corresse melhor ou pior. Admito algum egocentrismo nesta maneira de ver as coisas até porque estaria a reformular a realidade em função do meu ponto de vista com as evidentes consequências para terceiros mas a curiosidade de saber "como seria se..." (os comics da marvel que devorava avidamente tinham uma série intitulada "O que aconteceria se..." que adorava por permitir explorar cenários fora do enredo normal das personagens sem prejuízo da continuidade) é enorme e irresistível.
Isto para não falar em regressar à semana anterior daquele mega jackpot do euromilhões com os números certos. Ou em voltar a dormir as últimas três horas de hoje que me estavam a saber tão bem...
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quarta-feira, novembro 21, 2007
Digital art
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Substituir engraçado por profundo e performance por comoção.
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terça-feira, novembro 20, 2007
Do ódio ao oblívio
Posted by Catarse at 20.11.07 4 comments Links to this post
Excepto se os pontos de fuga formarem um plano imanente próprio.
Posted by tcravidao at 20.11.07 0 comments Links to this post
segunda-feira, novembro 19, 2007
Se tudo é ponto de fuga, então deixa de haver plano de imanência.
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Frio & Chuva
Fã incondicional do sol e do calor, vejo chegar o frio e a chuva com algumas saudades. Saudades do cheiro da terra molhada, do barulho compassado das bátegas de água nas janelas ou no tejadilho do carro, da roupa pesada e impermeável, de desistir de correr à chuva depois de molhado até aos ossos pelo gozo do abandono, da sensação revigorante de uma chávena de chá fervente, do prazer da condução escorregadia pelo alcatrão encharcado, do céu cinzento a emoldurar uma paisagem a preto e branco, do calor reconfortante de alguém que te aquece, da preguiça e letargia de sair da cama e de casa, de jogar futebol à chuva com a água a escorrer no corpo como se não houvesse amanhã, do poder inclemente e primitivo de um bom temporal, de saltar para dentro de uma poça gigante porque tantas e tantas vezes não saltei. Gosto!Posted by Catarse at 19.11.07 5 comments Links to this post
sábado, novembro 17, 2007
aranhas em cima de cabelo
e
usb em vinagre frio (muito frio)
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sexta-feira, novembro 16, 2007
Defeitos de fabrico II
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quinta-feira, novembro 15, 2007
Defeitos de fabrico
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quarta-feira, novembro 14, 2007
Nem sempre meia palavra basta...
É impressionante o número de mal entendidos que teima em acontecer. Entre pessoas que se conhecem mal entendo melhor; afinal há maneiras diferentes de dizer ou fazer as coisas e a mensagem pode sofrer interferências por falta de conhecimento mútuo. Há preconceitos que levam tempo a erradicar. Há medos e barreiras de afastamento que demoram a dissolver. Mais a mais, há normalmente pruridos em questionar ou tirar dúvidas por falta de confiança. E o erro segue, a confusão perpetua-se e, nos piores casos, as pessoas afastam-se e as relações esfriam. Daí a importância de falar abertamente, esquecidos os melindres castradores, para resolver as situações. Isto no caso de haver realmente interesse em conhecer a pessoa em causa para além da superficialidade do imediato.
No outro extremo ficam as boas intenções que resultam em tantas e tantas vezes em death by friendly fire - lá por vir do lado amigo não quer dizer que não doa na mesma. Lá diz o povo, naquela perspicácia reunida pela experiência e condensada em frases lapidares (tantas e tantas vezes cheiínha de asneiras mas adiante): de boas intenções está o inferno cheio. A maior parte das vezes acontecem por desconhecimento de causa, por inépcia ou excesso de inocência mas as consequências podem ser tão más como as decorrentes da pior malícia.
Então nos casos em que as duas coisas (mal-entendidos ardilosamente urdidos) acontecem ao mesmo tempo é o verdadeiro salve-se quem puder. Valem depois as horas de conversa para desatar esses nós górdios sociais. Por mim, prefiro sempre, na dúvida, perguntar, ainda que, por vezes, perguntar ofenda. A seguir vem a parte de entender as respostas e aquela história do bom entendedor tem muito que se lhe diga. Depende do entendedor, da meia palavra, de quem a diz, de como a diz e quando. É necessário uma cumplicidade acima da média para ler pensamentos, adivinhar intenções e antecipar necessidades e nem todos a têm, pensem disso o que pensarem. Da minha parte gosto bastante de frases não ditas, de innuendos e jogos de palavras mas dentro de certos limites, até porque há riscos associados a esta práctica, que, a ser continuada, pode levar a alguma falta de frontalidade ou esconder alguma fobia.
Por isso, seja ao vivo e a cores, por mail, sms, telefone, blog, carta (gosto tanto), sinais de fumo, telegrama cantado, post-it, messenger, VOIP, pombo-correio, fax, tambores, sinais de luzes, morse ou o que seja, conversem, falem, entendam-se! Blá, blá, blá, yada, yada, yada. Há dias em que mesmo uma conversa da treta sabe bem. E as operadoras de tele-e-não-só-comunicações agradecem.
Há pessoas-cebola à espera de serem descascadas, camada após camada, para além da casca castanha desinteressante! Há pessoas-melancia, verdes por fora, vermelhas por dentro, à espera de serem talhadas! Há pessoas-ananás, agradáveis debaixo da casca espinhosa! Claro está que há sempre uma ou outra peça podre na fruteira mas isso faz parte das surpresas do processo...
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terça-feira, novembro 13, 2007
OS DEZ MANDAMENTOS de Salvatore Lo Piccolo aka Il Barone, líder da Mafia
1.º - Proibido emprestar dinheiro a um amigo.
2.º - Não se pode olhar para as mulheres dos amigos.
3.º - Proibido manter qualquer relação com a polícia.
4.º - Homem honrado não aparece em lojas nem em círculos sociais.
5.º - “Se o dever te chama, deves estar sempre disponível, mesmo que a tua mulher esteja quase a dar à luz”.
6.º - Observar a pontualidade e o respeito aos outros de forma categórica.
7.º - Fidelidade total à mulher.
8.º - Dizer sempre a verdade em qualquer situação.
9.º - Pode matar-se, extorquir ou traficar, mas nunca roubar dinheiro a mafiosos.
10.º - Não é permitida a entrada a quem tenha um familiar na polícia
Se ao menos a política partidária e a sociedade em geral se regessem por estes mesmos rígidos princípios morais...
Às vezes acho que alguém lhes devia fazer uma daquelas ofertas que não se podem recusar.
Posted by Catarse at 13.11.07 1 comments Links to this post
TCHARAM!! Ou melhor, vrummm, vrummmm, ui, schriiiiii, crash, schriiiiiii... sua besta!
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segunda-feira, novembro 12, 2007
As secretárias e os carros de serviço
No Brasil, quando um português conhece alguém pertencente aos 98% da população menos afortunada do país, a frase que se ouve mais vezes (mais do que as referências ao Eusébio ou à Amália) é "Tenho uma prima que foi trabalhar de secretária lá em Portugal". A verdade é que secretárias brasileiras em Portugal nunca conheci nenhuma.
Em Portugal há uma quantidade incrível de pessoas a comprar carros de serviço. "Fiz um grande negócio! Era um carro de serviço e fizeram-me um desconto do caraças!" Há muitos carros de serviço. Os tipos dos stands devem fazer horas extraordinárias só para poderem guiar tantos carros de serviço. Pergunto-me a quem serão vendidos os carros dos rent-a-car? A verdade é que não conheço ninguém que afirme ter comprado um carro que tenha sido de um rent-a-car.
Mesmo colectivamente somos capazes de acreditar em coisas verdadeiramente improváveis, se elas nos derem jeito.
Quem cabritos come e cabras não tem...
Posted by artur at 12.11.07 5 comments Links to this post
Grand Pianoramax & Mike Ladd
Grand pianoramax é o projecto do suíço Léo Tardin, que juntará as suas viagens pelo jazz e hip-hop à voz de Mike Ladd - anunciava assim a newsletter da Flur este concerto no sábado passado na Galeria Zé dos Bois (ZdB). Ao que seria de acrescentar a vertente de spoken word que apareceu em duas ou três faixas, ao sabor do improviso e da imaginação. Houve Soul, Funk e Jazz numa mistura diferente e agradável de seguir. Sempre gostei do som do Hammond e similares, numa sonoridade muito ao estilo Ray Manzarek, e neste caso com direito a update de samplers, mesa de mistura e muito bem coordenado com um baterista inspirado, servidos simples ou com as palavras inflamadas do Mike Ladd a acompanhar. Bom som! Não comprei o CD na altura e agora terei de escaranfunchar pela net à procura daquilo... Primeira parte a cargo dos DJ Ride Quartet que cumpriram, ainda que o som estivesse mauzinho para a sala e (pouco) público presente.
Gracias pelo convite M!
Gracias pela companhia S & D!
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How many roads must a man walk down before you call him a man?
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sexta-feira, novembro 09, 2007
Pó de arroz
Pó-de-arroz
Na face das pequenas
Será beleza apenas
Só uma corzinha
Sim, pó-de-arroz (Pó, ahaa)
Rosa é, mulher o pôs
E um homem vai nas cenas
Eva e Adão outra vez
É como alindar um embrulho
Arroz com gorgulho talvez
[CHORUS]
Pó-de-arroz
Do teu arrozal
Esse pó que é fatal
És a tal que me encanta
Com pó-de-arroz
Não faz nenhum mal
É de arroz integral
Infernal quando chegas
Com todo o teu arroz
Todo o teu arroz
Pó-de-arroz
Tens hoje só p'ra mim
Pós de pirlim-pim-pim
E és um arroz-doce
Sim, pode ser
Um canto de sereia
Serei a tua teia
E tu serás o meu algoz
Mas quando te vais alindar
Alindada vens dar-me o arroz
[CHORUS][+1 Tom:]
Pó-de-arroz
[CHORUS]
Pó-de-arroz, Pó-de-arroz...
Pó por pó temos por cá muito, ele é cefazolina, ele é cefuroxima, ele é cefotaxima... agora pó de arroz não temos, lamentamos... Mas fica a música para as comentaristas de serviço.
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Corrente Literária
Dando seguimento a um desafio postado nas Glórias do Calhabé, aqui fica o que foi possível encontrar num fim de tarde de trabalho:
"However technology has advanced since that time, particulary in container sterilization monitoring and control techniques and in starting material production technology and these advances have, to some extent, compensated for the increase in effort required to ensure that the filled product is suitable for its intended purpose."
Seguindo as regras, acima está a 5a frase completa da página 162 do livro que tinha mais à mão: Aseptic Pharmaceutical Manufactoring
Isto declamado com voz colocada, assim para o radiofónica, tem uma certa, enfim, um certo, digamos, bom, na verdade não tem interesse nenhum, nem para o menino Jesus. O próprio autor teve muitas dificuldades para o acabar uma vez que adormecia de parágrafo a parágrafo enquanto o redigia. Livro chato este. Chiça penico. Era isto ou o índice Merck mas acho que não tem frases completas. Também tinha o catálogo da Roth, ver ponto anterior, e a lista telefónica da Terrugem mas nem 162 telefones há, quanto mais páginas.
Deixo convites para dar continuidade, caso assim o entendam, aos blogs:
Pensar
Arroz de Casca
Humm... Canela
Foto-esfera
Abrupto (aposto que este cortes não vai alinhar na brincadeira...)
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quinta-feira, novembro 08, 2007
Obrigado Realidade!
Por provares à exaustão que há sempre um pantone mais negro por mais que achemos que chegámos ao fim da escala. Não te preocupes. Eu apanho-te na volta do correio e mostro-te com quantos paus se faz uma pira funerária para iluminar esta negritude com que me brindas.
Is there all that is? Apostava que não mas provavelmente perdia. O que vale é que, nestas alturas, tenho mau perder, faço batota, birra, esperneio, rosno e mordo. Mas depois passa-me.
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Rodo-aviário
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quarta-feira, novembro 07, 2007
Parar é morrer...
Diz o adágio e há tanta verdade nisto que chega a assustar. É verdade na biologia, na economia, na carreira, na vida. Há dias em que, por força do excesso de trabalho, da falta de sono, do cansaço ou outra desculpa qualquer, só dá vontade de pudinzar no sofá. Seja, sou tão fã disso como outra pessoa qualquer uma vez por outra, até porque sabe mesmo bem relaxar. Agora outra coisa é fazer disso regra e desse hábito um estilo de vida. É ouvir "Ehh... hoje não, estou mesmo cansado..." dia após dia. Isso! Cansa-te da vida e pode ser que um dia a vida se canse de ti. Não pode ser! Acordem! Sacudam essa letargia castradora que tolhe e limita! Isto passa a correr e ninguém nos dá outra volta. Se não fizeres, se não tentares, se não correres, se não experimentares, ninguém o fará por ti. Há sempre, tem de haver, energia para mais! Quanto mais fazes, mais podes fazer; quanto mais queres, mais consegues fazer. Nesta altura do campeonato, só queria que os meus dias tivessem 48 horas para ter tempo para mais e mais. Tempo, tempo, tempo! Para os amigos, para ler, para desporto, para comer, para pensar, para a família, para trabalhar (também tem de ser), para cozinhar, para viajar, para festas, para música, para descobrir, para filmes, para dormir, para estudar, para teatro, para criar, para escrever, para os hobbies, para a net, para exposições, para o carro, para conhecer pessoas, para aparvalhar, para a casa, para museus, para jardins, para namoriscar indecentemente, para estar ao sol, para concertos, e sim, também para ficar no sofá! Há coisas boas demais para fazer com o tempo para nos podermos dar ao luxo de o desperdiçar por falta de vontade. Vamos! Mais, mais, mais!! Up, up and away!!!
(P.S. 1 - Agora que penso nisso, se calhar os 6 cafés, os 6 kms de corrida e as 6 horas de sono por dia andam a deixar-me um pouco eléctrico... eheheheh)
(P.S. 2 - Para todos os que não vejo ou falo há imenso tempo fica o pedido de desculpas público e promessa de remissão do pecado de ausência & desaparecimento para com todos aqueles com quem tenho estado em falta...)
(P.S. 3 - Energia e vontade à parte, hoje está a ser um daqueles dias em que mais valia nem me ter dado ao trabalho de acordar para acumular horas de sono para dias que valessem mesmo a pena. Que Quarta-feira perfeitamente horrorosa e desnecessária. Tudo corre mal. Carregas no Send quando querias o Delete, escreves Vergas quando querias Verbas, enfim... agora das duas uma: ou aparece a cereja podre no topo do bolo queimado e piso um monte de m**** fresca ou surge o raio de sol redentor mesmo sabendo que já é noite lá fora)
Posted by Catarse at 7.11.07 10 comments Links to this post
segunda-feira, novembro 05, 2007
"Move it, move it, move it!"
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sexta-feira, novembro 02, 2007
Quadras aparvalhadas VIII
Labutei até agora
Trabalhei com afã
Está na hora de ir embora
Antes que fique tantan
Fica um conselho amigo
Retirado de um livro antigo:
Ao almoço, ao jantar e à ceia
Comam carne de baleia
Contente vou pela estrada
Rumo aos copos de vinho
Com a saída marcada
Posso mesmo ser tolinho
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A vírgula da diferença I
Roubaram-te o Alfa, Romeu?
Já fizeram a vossa higiene, pessoal?
Apetecia-me escrever mais umas quantas mas agora não me sai mais nenhuma... pode ser que daqui a bocado, em mais um acto de rebeldia profissional, por aqui passe, pare e poste (continuo a gostar muito da conjugação deste verbo).
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Quadras aparvalhadas VII
Queria tanto estar a trabalhar
Como ficar sem um braço
Ou arrancarem-me um olho
Ou perfurarem-me o baço
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Quadras aparvalhadas VI
Nem sabem quanto me aperreiam
Estou pior que um atum
Quanto mais me chateiam
Mais eu faço nenhum
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Quadras aparvalhadas V
Estou triste e derreado,
Pior que um pudim,
Estou mesmo chateado,
De estar aqui sem tim
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Era mesmo aqui...


Bem sei que isto é masoquismo mas não consigo evitar... deve ser o ar bafiento que os HEPA estão a deitar aqui para a cave que me está a perturbar a lucidez... Posted by Catarse at 2.11.07 4 comments Links to this post
Quadras aparvalhadas IV
Não gosto de trabalhar
Quando devia estar de férias
Quem gosta disto é parvo
E o resto são lérias.
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Quadras aparvalhadas III
Se eu fosse a lua eras a minha terra
Se eu fosse a terra eras o meu sol
Gosto de ti mais que de queijo da serra
E agora apetece-me um rissol
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Quadras aparvalhadas II
Eu queria ser rico
Para te dar um castelo
Para que tu me contemplasses
Como eu te contempelo
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Quadras aparvalhadas I
Eu queria ser um chinelo
Chinelo que tu calçasses
Para ir onde tu fosses
Para estar onde tu estasses
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quarta-feira, outubro 31, 2007
Os canhanhos de cinema
“Outra margem” de Luís Filipe Rocha, tem como matéria-prima as silhuetas planas e distantes, em que cada um de nós se transforma, quando esconde dos outros as suas fragilidades. Tal qual, as personagens deste filme. Maria, Mãe de Vasco esconde-se por detrás do esforço e dedicação ao filho. José, pai de Maria e Ricardo, esquiva-se à reconciliação. Ricardo recusa a morte do namorado. E Luísa, abandonada no dia do casamento por Ricardo, espera -ainda- o noivo. Personagens separadas pelo rio da incomunicabilidade.
Porém há Vasco. Um rapaz que precisamente pela sua fragilidade, consegue resgatar das margens as personagens isoladas e fazê-las renascer. É, neste sentido, que este filme trata da superação da morte. Não física, mas da morte emocional que implica viver à margem dos outros. Para cada personagem, e para cada um de nós.
Dos actores, destaco Tomás Almeida (Vasco). Este não só nos torna cúmplices do seu ponto de vista, como cria com Maria d´Aires (Maria, mãe de Vasco) com Horácio Manuel (avô) e com Horácio Manuel (tio), uma relação de ternura e simplicidade que há muito não via no cinema Português. Recordo três momentos exemplares: a festinha na cara da mãe enquanto esta trabalha, o almoço com o avô, e o modo como se aproxima do tio quando este dorme no quarto. Mas se tudo isto, são apenas ideias de realização a que os actores conseguiram dar a melhor interpretação, foi o realizador, que na montagem materializou as ideias com sons e imagens. Recordo a valsa de olhares entre mãe e filho, depois de este dizer que escutara o tio a chorar; e a montagem em paralelo de Ricardo a cantar, e a cremação do seu namorado.
Em “Outra Margem” Luís Filipe Rocha recupera a nota documental que marcou o início da sua carreira. O filme, através das actividades quotidianas das personagens, regista o dia-a-dia das pequenas cidades do interior: o trabalho de Maria na fábrica, a idas ao cinema, as compras da semana, e os novos espaços de diversão nocturna. E assim, constrói um ambiente de dia-a-dia concreto. Muito delicado e muito difícil. Porém, e aqui reside o que mais me afastou do filme, esta sensação de quotidiano a acontecer, é quebrada por alguns diálogos abstractos, e por uma utilização lírica de partes da música. Ora, abstracto e lírico é o que o filme seguramente não é. É por isto que merece muito ser visto. Pois apesar da transparência das suas imagens e sons, há emoções e sentidos genuinamente humanos.
Posted by tcravidao at 31.10.07 0 comments Links to this post
terça-feira, outubro 30, 2007
Já que falas nisso...
E porque o tema é um bom tema, já não é segunda-feira, o sol brilha e tal, apetece-me discorrer um pouco também sobre o amor e filhozes do género. Não estou a falar de gostar, de carências, de relógios biológicos, de necessidade, de desejo, de amizades com pantone... Não. É mesmo a coisa genuína, a que, qual algodão sentimental, não engana! Aquela que não só move montanhas se necessário for, como faz com que nem reparemos se, por acaso, alguma das ditas montanhas resolver ir dar uma inesperada volta ao bilhar grande. A que nos faz dizer coisas absoluta e escandalosamente ridículas sem que disso tenhamos sequer noção, ou, tendo-a, não faz diferença nenhuma. A que nos adoça a voz, a que adiciona "inhos" a tudo, a que nos põe um sorriso parvo logo abaixo do olhar parvo, mesmo no meio da cara de parvo, a que não nos sai da cabeça a dormir ou acordado, a que nos inspira carinho e cuidado, a que coloca o bem-estar da outra pessoa acima de nós próprios, que provoca mais suspiros contemplativos por minuto que a tubercolose provoca tosse. A dos arrepios, suores frios, dores de estômago mas que não passa por intoxicações alimentares. Aquela que relaciona noção do tempo a passar e distância entre pessoas numa função inversamente proporcional. A que nos impede de pensar em consequências, nos faz acreditar sempre num final feliz, nos renova a fé na Humanidade. A que faz um dia cinzento de chuva parecer bonito, independentemente de estarmos na praia, roxinhos a tiritar de frio. A que nos faz perder a cabeça, o juízo, o norte, o rumo e, em dias mais complicados, a correcção gramatical. A que sabe mesmo bem quando bate certo e que quando bate certo, bate forte. A que está lá nos dias maus da mesma maneira que nos bons, fazendo com que, pensando bem, acreditar que o dia até nem foi assim tão mau. A que ultrapassa problemas e crises em nome da felicidade mútua sem a intervenção da polícia anti-motim, da sogra ou do rolo da massa. A que permite comunicar sem palavras, ler pensamentos, adivinhar vontades, habilidade particularmente útil naquela festa chata na altura de ir embora. Aberta, assumida, intensa, terna, honesta, quente, carinhosa, reconfortante, sólida, recíproca, calorosa, expansiva. Sem ressentimentos, recriminações, queixas, acusações, dúvidas, medos, hesitações. Tão bom que devia vir em embalagens de 20. Tão bom que devia ser ilegal, para lhe acrescentar o prazer do proibido (e vou excluir o adultério e a pedofilia porque... enfim, seja, ficam. Gostos são gostos e o código penal não tem nada a ver com isso). Tão bom que devia acontecer a todos pelo menos uma vez e durar para sempre, de preferência na mesma vez para não criar problemas de continuidade ou sobreposições na realidade.
A que fez, faz e fará falta a tantas relações falhadas, e a algumas não falhadas também, no século XXI e, arrisco eu a extrapolação, noutros séculos também, porque estou a ver muito boa gente a aturar grandes berbicachos conjugais na idade média sem uma réstia de amor que fosse, com a agravante da proliferação de achas de armas, lanças, espadas, flechas e quejandos que por essa altura existiam em qualquer lar decente e resolveriam o problema de um modo muito mais rápido e indolor, dependendo do lado da arma que estivessemos, claro.
E, como não pode ser tudo bom e a medalha tem sempre um reverso, a que dói mesmo muito quando corre mal. Chiça penico! Antes cortes de papel na retina e lágrimas de álcool...
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Tudo sobre as relações amorosas no século XXI
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segunda-feira, outubro 29, 2007
Monday sucks!!!
(Cantar com a música do Mickey Mouse)
What's the worst day of the week that gets us all depressed?
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Here comes more aggravation and a brand new week of stress!
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Monday Sucks, Monday Sucks! Monday Sucks, Monday Sucks!
Forever will it make you want to cry, cry, cry, cry!
So come along and sing this song, now get it off your chest.
M-O-N, D-A-Y, S, U, C, K, S.
Ouvir música completa aqui.
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sexta-feira, outubro 26, 2007
Putin que parin!
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Contos curtos sobre nada: Obrigado, amigo!
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quinta-feira, outubro 25, 2007
Gracias Tacuara aka Cardozo
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Ig Nobel Awards
Porque nem toda a curiosidade é séria e porque a idade dos porquês, às vezes, dura mais do que o esperado, surgem perguntas parvas que, inesperadamente e envolvendo pesquisa séria, produzem respostas igualmente parvas. Eu gosto!
Alguém achou que havia motivo de reportagem, como diria o outro, e, melhor ainda, que era bom atribuir prémios.
Os Anais da Pesquisa Improvável vêm provar que há mesmo quem queira saber alguma coisa sobre a Necrofilia Homossexual dos Patos Bravos (ver prémio de biologia de 2003) ou, o meu favorito pessoal, Linguistica 2007: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Nuria Sebastian-Galles, por determinarem que as ratazanas, por vezes, não conseguem distinguir entre Japonês ouvido de trás para a frente e Holandês ouvido de trás para a frente.
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quarta-feira, outubro 24, 2007
Sem querer fazer concorrência
aos amigos Minimalistas, deixo um mapa de onde estava há dez anos atrás. Não no campismo, que não havia dinheiro para isso. Mas depois de dormir num Fiat Uno com mais quatro pessoas ainda demos um mergulhinho nesta praia (alguém deve ter uma foto nossa junto à placa... não era uma placa muito grande...) da localidade. O aeródromo da ilha, como podem ver ao centro se aumentarem a imagem, tem um nome igualmente sugestivo.
Um sítio a que é preciso voltar (falo da ilha!).
Posted by artur at 24.10.07 1 comments Links to this post
Sampi VI - A batalha (parte II)
Sampi, como tantos entre nós, era uma criatura pacata, simpática, tranquila, amável e de todo não totalmente desprovido de capacidade para as maiores atrocidades quando devidamente motivado ou assoberbado pelo tédio. Entre isso, uma consciência descartável, um talento inato para a asneira e um sobredesenvolvido sentido do insuportável, conseguiu angariar um considerável leque de inimizades. A bem do equilíbrio natural das coisas diga-se que angariou também um reconhecido grupo de amigos fiéis, todos eles, como o próprio advogava tantas e tantas vezes ser a maneira correcta de fazer as coisas, perfeitamente capazes de lhe espetar um abraço traiçoeiro pelas costas enquanto o esfaqueavam no peito olhando-o nos olhos, essa sim a grande diferença entre trastes e trastes, porque falhar todos falham; a questão é assumi-lo abertamente. No caso em mãos, a coisa revestia-se de particular delicadeza porque se tratava de um ex-grande amigo, um dos melhores e que tinha resvalado, como algumas vezes acontece, perdida a confiança, para o outro lado, o lado errado para se estar na perspectiva de Sampi, vulgo, contra ele. Poucas coisas pela negativa o fariam perder a cabeça a ponto de não medir consequências nefastas para ele próprio. Esta seguramente não estava incluída no lote daquelas que não teriam tal efeito. Aliás, no hierarquizado sistema de classificação que tinha inscrito na alma, este elevava a fasquia acima do record olímpico para asco indoor, uma modalidade muito popular nos jogos galácticos inter-espécies, diga-se, da qual Sampi era excelso e exímio praticante. Vasculhando por entre os destroços do que tinha sido o seu lar, recolheu alguns pertences e partiu rumo à sua casa de férias para dar início aos preparativos de batalha. Isto incluia um acumular de tensões, irritações, raiva profunda e mesquinha (não confundir), nervos, stress que poderia ter gerado energia suficiente para alimentar 273 ascensões e quedas do império Romano. Treinou afincadamente trânsito, atendimento ao cliente da TVCabo, repartições de finanças, livros de reclamações, discussões com funcionários da Emel, jantar em restaurantes de praia cheios, reinstalar o Windows, discussões de café sobre política externa, futebol e religião, programar o vídeo, enfiar uma linha numa agulha segura por uma pessoa com parkinson, catar piolhos com luvas de boxe, e, quando terminou, estava energeticamente pronto para descarregar o maior ataque de fúria jamais testemunhado desde que Deus deu uma topeirada na cama e detonou o Big Bang. Agora só faltava encontrá-lo, à sua némesis, o que não deixava de ser fácil. Estaria, certamente e como sempre, no pior ghetto, cercado pelos maiores facínoras e crápulas, na pior zona possível, à pior hora possível, a conspirar sobre maneiras de tornar as pessoas miseravelmente infelizes. Pensou um pouco, considerou as hipóteses, saiu de casa e foi almoçar à cantina do Parlamento.
(to be continued)
Posted by Catarse at 24.10.07 0 comments Links to this post
terça-feira, outubro 23, 2007
Another day in paradise
Informática O computador tem nove meses, é um Pentium IV vendido por 2.000 euros quando qualquer computador de 600 tinha Core Duo. Está todo avariadinho. A loja (que é uma loja de aeromodelismo e não de informática) prometeu que o arranjo era num instante. Vão lá quinze dias e ninguém sabe de nada a não ser o técnico. O técnico está incontactável.
TV Cabo A Power Box alugada ontem, primeiro não funcionava, depois funcionou e logo deixou de funcionar outra vez. Depois de 7€ gastos em chamadas para o atendimento, vão mandar uma equipa técnica a casa. Mas essa equipa não pode instalar uma segunda ficha de TV Cabo. Para isso tem que se pagar uma deslocação de 25€ a outra equipa.
Transportes IKEA Comprados os móveis e pago o transporte na caixa, a IKEA subcontrata o transporte. Para além de demorar mais de 15 dias, ficaram de ligar ontem ou hoje e até agora... nada.
Simplex O António Luís Matias Santos Ferreira Silva (nome fictício) está na Certidão de Registo Comercial como Luís Matias Santos Ferreira Silva. Assim sendo, o notário recusa-se a reconhecer a assinatura. Coitados dos americanos que são aos milhões e só têm um apelido cada.
Posted by artur at 23.10.07 1 comments Links to this post
Opus Vigarei
Então a conta do maroto do miúdo já vai em 12 milhões e ninguém me dizia nada... Quando for assim têm que me avisar!
Vá, usem as minhas duas últimas senhas de presença das reuniões do Conselho de Supervisão para pagar isso e fiquem com o troco.
Posted by artur at 23.10.07 0 comments Links to this post
segunda-feira, outubro 22, 2007
Segunda-feira...
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quinta-feira, outubro 18, 2007
Bocejo
Uuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...
Peço imensa desculpa mas era isto ou espreguiçar-me aqui em frente a esta malta toda.
Continuemos serenamente rumo ao fim do dia...
Posted by Catarse at 18.10.07 0 comments Links to this post
quarta-feira, outubro 17, 2007
Levanta-te
e vai trabalhar, ó mandrião!!!
(este post manifestamente fascista e que me garante entrada directa lá onde até as chamas têm calor, serve apenas para celebrar o regresso da internet de banda larga à minha vida!)
Posted by artur at 17.10.07 1 comments Links to this post
O excesso formal foi sempre índice de decadência.
Posted by tcravidao at 17.10.07 1 comments Links to this post
segunda-feira, outubro 15, 2007
Ena Pá! 2000... anos no inferno!
És cruel
Mataste a tua filha com um cordel
Transformaste a tua casa num bordel
És cruel
És tarado
Drogaste os teus filhos, que pecado
Praticas swing à bruta e és casado
És tarado
És um porco imundo
Quando queres vais até ao fundo
Não sei onde vais parar
És ignóbil
Levaste o cadáver no automóbil
E cremaste a criancinha em Chernobil
És ignóbil
És vaidoso
Andaste a foder a vizinhança
E davas droga a uma criança
És vaidoso
És um porco imundo
Quando queres vais até ao fundo
Não sei onde vais parar
És obtuso
Bebes vinho em vez de agua do Luso
Agora tás mais enroscado c’um parafuso
És tarado
És obsceno
Encheste as veias de Maddie com veneno
Encharcas-te com vinho do Reno
És cruel
És um porco imundo
Quando queres vais até ao fundo
Eu sei onde vais parar
És um porco imundo
Quando queres vais até ao fundo
Eu sei onde vais parar
Eu sei onde vais parar
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Piadola sádica e gratuita
10 miúdos vão jogar às escondidas. Quem ganha?
A Maddie...
(via email)
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Máquina do tempo
Adiante-se que poucas coisas têm o nível de um fraque de pé descalço. Muito poucas mesmo. Uma coisa séria! Uma coisa digna! Uma coisa para a qual é necessária uma coragem que não está ao alcance de todos. Eu diria que era uma bota difícil de descalçar mas a imagem contradiz-me...
E para terminar em beleza, no dia seguinte ao almoço, numa tasca escondida apenas encontrada a conselho de quem sabe, um cabrito grelhado absolutamente delicioso!
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sexta-feira, outubro 12, 2007
A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade?!?
A verdade, expoente máximo da relatividade, tem-me surgido ultimamente sob as suas mais variadas formas, em vários momentos e situações. Há a verdade dos factos, matemática, fria, implacável e que, mesmo assim, por vezes, teima em ser deformada para se conformar aos superiores desígnios de quem a tenta controlar. Neste aspecto em particular, trabalhar na indústria tem servido para me elucidar sobre este assunto - uma assinatura e uma data são suficientes na maioria dos casos, ainda que, por vezes, seja necessário algo um pouco mais elaborado. Seja. Podemos sempre vender para mercados menos exigentes ou incluir um disclaimer no folheto informativo: Reacções adversas - O que não mata, engorda. Adiante. Melhor que o 2+2=5 com que me confronto profissionalmente, ficam as verdades temporárias. Pena é que nem sempre se lembrem de colocar o aviso: Esta verdade autodestruir-se-á dentro de 30 minutos. Por favor abstenha-se de agir em conformidade com versões desactualizadas a seguir a esse período de tempo. Outro tipo ainda refere-se às verdades que, na verdade, não precisamos de saber - a chamada need to know basis. Isto pode ser 1) muito enervante quando nos apercebemos que estamos a ser levados por tolos; 2) muito conveniente quando o melhor mesmo é nunca saber para não termos de agir em função desse conhecimento; 3) absolutamente indiferente e só ocupa espaço. A questão está toda em quem decide essa need to know e, muito importante, qual o grau de confiança que depositamos nessa pessoa e os riscos que estamos dispostos a correr baseados nessa confiança. Há também a verdade como nós a vemos, nem sempre consentânea com aquela vista por outros ou com a realidade, e, dessa disparidade, nasce a necessidade de termos amigos fiéis para nos ajudarem, para nos abrirem os olhos, para dizerem aquelas verdades inconvenientes, para serem as lentes que nos corrigem a visão deformada, para nos trazerem os pés de volta à terra ou para nos darem aquele empurrão que nos tira os pés do chão. Muito más são as verdades cruéis, a verdade de arremesso, aquelas que nos atiram à cara da pior forma possível, sabendo que sabíamos ou não, pelo gosto de apreciar o impacto no muro de cimento da realidade não amortecida. Também não é bom andarmos a alimentar verdades que não o são, como aquela do pior cego, o que não quer ver, ou só vermos um lado dessa verdade, como se tivéssemos palas nos olhos que nos obrigassem a uma perspectiva cubista das coisas ou polarizadores que nos obriguem a uma realidade a preto e branco, sem tons de cinzento intermédios. Ainda assim melhorzinhas, ficam as verdades libertadoras, que nos tiram um peso de cima quando reveladas ou confirmadas. Gosto também do equilíbrio de verdades, entre uma visão ligeira e simplificada do mundo, de uma verdade assim um pouco naif e despreocupada, do género "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", e uma visão absolutamente paranóica e delirante (versão da verdade também disponível a seguir à administração de LSD) em que não uma coisa pode não ser só uma coisa, como pode até ser uma coisa pequena e peluda com muitas patas, dentes e garras. Já dizia o Mulder, the truth is out there, e, procurando bem, acho que conseguimos encontrar uma verdade para cada um de nós. A que melhor nos convenha. A que nos faça mais felizes. A que melhor se encaixe naquilo que procuramos.
Como dizia outro dia em conversa, ainda que nem tudo o que digo deva ser entendido como a verdade convencionalmente aceite, até porque é sempre bom deixar uma margem para mal entendidos, innuendos, segundos e terceiros sentidos, trocadilhos e confusões, no que realmente importa, na minha ordem de valores, claro, já que não posso usar outra, sou absolutamente sincero - I always tell the truth, even when I lie. Recuso-me, de momento, a revelar a tal escala a conselho do meu advogado e porque a CMVM - Comissão de Mercado de Valores (A/I)Morais - suspendeu recentemente a sua cotação na bolsa por suspeitas de especulação.
A verdade é perigosa, a verdade liberta, a verdade magoa, a verdade desperta. E, ah, é verdade, se vão mesmo ter de aldrabar, não sejam apanhados... parece verdadeiramente mal.
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quarta-feira, outubro 10, 2007
Sampi VI - A batalha (parte I)
Sampi, confortável com a vida que há já algum tempo levava errando por todo o espaço-tempo desta esfera terrestra à qual chamamos Terra e à qual ele chamava, carinhosamente diga-se, ermo perdido no canto errado da galáxia, mas do qual, no fundo, no fundo, bem lá no fundo do poço negro e recôndito a que ele chamava alma, lá debaixo daquela camadinha de lodo apodrecido e fétido que revestia um recanto esquecido do seu âmago extraterrestre, até tinha acabado por gostar bastante, estava a passar por um período de acalmia generalizada em todos os aspectos da sua até agora bem turbulenta, ainda que divertida e educativa, travessia desta parte do universo. Quem diz acalmia generalizada diz entropia apenas ligeiramente abaixo do encontrado num tornado grau 5. E isso era estranho. Muito estranho. Não tão estranho quanto os chinelos de quarto de Sampi, feitos a partir de dois exemplares de uma espécie de texugo trombudo venenoso já extinta, mumificados em âmbar e enfeitiçados para andarem sozinhos e atenderem pelo nome (trobix e trombão, esquerdo e direito, respectivamente), mas mesmo assim atingindo um grau razoável de esquisitice na escala de Pikuynwickz-Schyzovrenius. Sampi sentia-se irrequieto, incomodado, nervoso, agitado mas isso nem era o pior e deve ter sido o sushi de baleia de ontem que não estava bem morto. Sentia comichão, formigueiro, calor, vermelhidão e apareceram-lhe umas borbulhinhas suspeitas mas isso devia ser uma doença venérea desconhecida apanhada no seu último safari. Levantou-se. Sentou-se. Mexeu-se. Remexeu-se. Coçou-se. Foi-se deitar. No dia seguinte estava na mesma com uma diferença subtil. Deitou-se na cama na sua mansão e, ao acordar, estendeu a mão para a mesa de cabeceira e encontrou apenas uma pilha de escombros. Tentou o outro lado com o mesmo resultado. Abriu os olhos. Escombros. Tacteou a cama. Escombros. Casa de banho. Corredor. Sala. Escombros. Escombros. Escombros. Isto começava a ficar monótono. Pensativo, perambulou ao acaso e pontapeou distraído o resto do plasma enquanto ponderava as hipóteses que poderiam explicar o sucedido: Copos? Nahh, só tinha bebido as três garrafitas de vinho da praxe ao jantar e a habitual garrafa de scotch antes de dormir. Drogas? Nope, o haxixe já não faz este efeito e a cocaína não bate assim. Azia? Nem por isso; o Benfica ganhou. Mau feitio? Até podia ter sido mas, como sempre, tinha tido o cuidado de arrasar uma montanha depois do ginásio e sentia-se relaxado. Isto era coisa de outra pessoa, e mais, este estilo era-lhe familiar... será que... humm... mas.... bolas... nem pensar... no entanto... deixa ver... AAAAAAHHHHHHHHHHHH! Estropício!! Estupor!! Alarve!! Estava mesmo a ver isto! Tinha de ser ELE!!! Vai pagá-las!!!
(to be continued)
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segunda-feira, outubro 08, 2007
E, felizmente, há dias assim...
Sem sangria no parque, sem alimentar animais no zoo e sem filmes mas, mesmo assim, perfeito! Um dia tão cheio que passou a correr. Com castelos perto da praia. Com conversa, brincadeira e riso. Com gelado, gatos, bebidas esquisitas e poemas parvos sobre grades e trepadeiras. Com cães atrevidos e parapentes trôpegos. Com tacos de basebol e frases estranhas que fazem virar cabeças a sorrir... Quero mais!
E, num registo diferente, em companhia diferente, mas também agradavelmente preenchido, há dias de passeio pela história, por locais intocados onde o tempo não passa, onde mistérios parecem surgir das brumas do passado, onde estórias de cultos e ritos secretos ganham vida para assombrar os tempos modernos, onde túneis, poços e passagens secretas alimentam a imaginação e a paisagem nos eleva para longe da realidade demasiado fria e crua dos nossos dias.
Em jeito de guia turístico, no bom e velho estilo do vá para fora cá dentro, a solo ou com a companhia que bem entenderem, aconselho vivamente Óbidos e Sintra. Há ginjinha e travesseiros. Há castelos e palácios. Há praia e campo. Há estórias e História!
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quinta-feira, outubro 04, 2007
Uma história de amor
que começou ao meu lado. Leiam tudo aqui.
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Contos curtos sobre nada: Conversa parva
- Porque assim não tinha piada nenhuma.
- Ah!,..., e porque é que não tinha piada se era o que queria?
- Porque sem esforço não dá gozo nenhum.
- E quando não consegues o que queres?
- Ficas triste nessa altura mas mais contente quando conseguires a próxima.
- Forma o carácter, é isso?
- Sim, qualquer coisa como isso.
- Hum... E se eu afinal só quiser uma coisa?
- Uma coisa?
- Sim, só uma! Uma, mais que tudo o resto!
- Ei! Assim não vale. É batota!
- Gosto tanto! Sabes?
- Sei...
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O meu Benfica...
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terça-feira, outubro 02, 2007
Historietas da vida real
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segunda-feira, outubro 01, 2007
10
Faz dez anos esta noite eu não consegui dormir. Olhos abertos de medo e emoção e de muita vontade de ir. Faz dez anos esta noite que começou um ano como nunca tinha tido, como nunca mais tive e como nunca mais terei.
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A vida é um jogo...
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