terça-feira, outubro 30, 2007

Já que falas nisso...

E porque o tema é um bom tema, já não é segunda-feira, o sol brilha e tal, apetece-me discorrer um pouco também sobre o amor e filhozes do género. Não estou a falar de gostar, de carências, de relógios biológicos, de necessidade, de desejo, de amizades com pantone... Não. É mesmo a coisa genuína, a que, qual algodão sentimental, não engana! Aquela que não só move montanhas se necessário for, como faz com que nem reparemos se, por acaso, alguma das ditas montanhas resolver ir dar uma inesperada volta ao bilhar grande. A que nos faz dizer coisas absoluta e escandalosamente ridículas sem que disso tenhamos sequer noção, ou, tendo-a, não faz diferença nenhuma. A que nos adoça a voz, a que adiciona "inhos" a tudo, a que nos põe um sorriso parvo logo abaixo do olhar parvo, mesmo no meio da cara de parvo, a que não nos sai da cabeça a dormir ou acordado, a que nos inspira carinho e cuidado, a que coloca o bem-estar da outra pessoa acima de nós próprios, que provoca mais suspiros contemplativos por minuto que a tubercolose provoca tosse. A dos arrepios, suores frios, dores de estômago mas que não passa por intoxicações alimentares. Aquela que relaciona noção do tempo a passar e distância entre pessoas numa função inversamente proporcional. A que nos impede de pensar em consequências, nos faz acreditar sempre num final feliz, nos renova a fé na Humanidade. A que faz um dia cinzento de chuva parecer bonito, independentemente de estarmos na praia, roxinhos a tiritar de frio. A que nos faz perder a cabeça, o juízo, o norte, o rumo e, em dias mais complicados, a correcção gramatical. A que sabe mesmo bem quando bate certo e que quando bate certo, bate forte. A que está lá nos dias maus da mesma maneira que nos bons, fazendo com que, pensando bem, acreditar que o dia até nem foi assim tão mau. A que ultrapassa problemas e crises em nome da felicidade mútua sem a intervenção da polícia anti-motim, da sogra ou do rolo da massa. A que permite comunicar sem palavras, ler pensamentos, adivinhar vontades, habilidade particularmente útil naquela festa chata na altura de ir embora. Aberta, assumida, intensa, terna, honesta, quente, carinhosa, reconfortante, sólida, recíproca, calorosa, expansiva. Sem ressentimentos, recriminações, queixas, acusações, dúvidas, medos, hesitações. Tão bom que devia vir em embalagens de 20. Tão bom que devia ser ilegal, para lhe acrescentar o prazer do proibido (e vou excluir o adultério e a pedofilia porque... enfim, seja, ficam. Gostos são gostos e o código penal não tem nada a ver com isso). Tão bom que devia acontecer a todos pelo menos uma vez e durar para sempre, de preferência na mesma vez para não criar problemas de continuidade ou sobreposições na realidade.

A que fez, faz e fará falta a tantas relações falhadas, e a algumas não falhadas também, no século XXI e, arrisco eu a extrapolação, noutros séculos também, porque estou a ver muito boa gente a aturar grandes berbicachos conjugais na idade média sem uma réstia de amor que fosse, com a agravante da proliferação de achas de armas, lanças, espadas, flechas e quejandos que por essa altura existiam em qualquer lar decente e resolveriam o problema de um modo muito mais rápido e indolor, dependendo do lado da arma que estivessemos, claro.

E, como não pode ser tudo bom e a medalha tem sempre um reverso, a que dói mesmo muito quando corre mal. Chiça penico! Antes cortes de papel na retina e lágrimas de álcool...

Tudo sobre as relações amorosas no século XXI

Aqui

segunda-feira, outubro 29, 2007

Monday sucks!!!

E cá chegou mais uma destas inevitabilidades da vida, tão certa como os impostos, a merda e a morte: uma segunda-feira. E das más. Cinzenta, com jet-lag da mudança de hora, trânsito, tristonha, muito trabalho, muito aborrecida... Vamos!, cantemos para espantar os males:

(Cantar com a música do Mickey Mouse)

What's the worst day of the week that gets us all depressed?
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Here comes more aggravation and a brand new week of stress!
M-O-N, D-A-Y, S-U-C-K-S.
Monday Sucks, Monday Sucks! Monday Sucks, Monday Sucks!
Forever will it make you want to cry, cry, cry, cry!
So come along and sing this song, now get it off your chest.
M-O-N, D-A-Y, S, U, C, K, S.

Ouvir música completa aqui.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Putin que parin!

Invadiu-me ontem um súbito fervor tchetcheno eivado do mais puro ódio nacionalista pelo ridículo do meu próprio país (ou, fruto da representatividade democrática, por quem o gere) quando me vi obrigatoriamente parado na A5 a assistir ao desfile feérico de luzes que acompanhava a caravana do líder russo e não pude deixar de desejar ter um taco de basebol a jeito. E não é que tinha mesmo um na mala? Pena é que, quando finalmente lá cheguei, já o senhor tinha seguido viagem e era eu o causador do engarramento. Para não perder a ida à bagageira ou o ódio fervoroso, aliado ao facto de seguramente não restar um único agente capaz de manter a lei e a ordem na cidade, incitei a restante populaça ao motim por motivos ainda não inteiramente compreendidos pelas autoridades ou pelos médicos, aos quais não me darei ao trabalho de explicar, ou por mim próprio, porque acordei um pouco baralhado desta última alucinação, mais ainda porque, de facto, ontem vim pela A5 e porque aquilo estava mesmo engarrussafado (espero que tenham explorado todas as possibilidades humorísticas contidas nesta fusão de palavras).

Contos curtos sobre nada: Obrigado, amigo!

Obrigado, amigo, pela noite porreira do fim de semana passado. Estava tudo óptimo. Que grande ideia a tua de irmos de carro até à costa pela estrada sinuosa e encantadora da serra. Realmente ver aquele pôr do sol com cervejinhas e conquilhas foi excepcional. A jantarada no tasco lá perto foi inesquecível, principalmente a parte das beldades exóticas nórdicas com que achaste por bem meter conversa. Ui, aquele bar se falasse, as histórias que contava. E por falar em histórias, estiveste hilariante na resposta que deste aos locais que não paravam de mandar bocas lá do fundo. Melhor só mesmo o concurso de shots que lançaste com aqueles tipos do rugby e a parte em que perdeste o cartão e saímos sem pagar.

Hoje, aqui sentado no hospital onde acordei, lembrei-me de tudo isso lentamente, depois de passar o efeito da anestesia geral, a amnésia temporária da concussão e o stress pós-traumático de tudo aquilo por que passámos juntos.
O primeiro biqueiro nos dentes do porteiro foi de uma agilidade incrível para um bisonte daquele tamanho. E ainda estava a pensar se aquilo me iria doer ou não durante muito tempo, quando encontrámos os meninos dos shots que prontamente me esclareceram essa dúvida. O que vale é que a gonorreia/fungo/sífilis das lambisgóias de cabelo pintado da Rinchoa sempre distrai um pouco quando arde e comicha. Coincidência incrível do destino foi aquela de, no cruzamento, teres jurado que era para a esquerda e termos voltado ao primeiro bar, mesmo a tempo de perguntares à besta peluda, o tal que por um feliz acaso era cabo da GNR local, que insultaste, de um modo genial diga-se, horas antes de chifrudo manso impotente, por indicações de trânsito com a garrafa de vodka na mão. Se não tivéssemos caído, ao puxares o travão de mão, pela ribanceira que ladeava a tal estrada sinuosa e encantadora da serra, sempre queria ter visto o efeito que aquele taco de basebol teve no meu descapotável novo e, já agora, encontrava o papel da multa que ele nos passou para saber em quanto ficou a mostarda. Agora desculpa-me mas tenho de voltar a chamar a enfermeira porque as conquilhas de confiança daquele sítio que disseste que conhecias desde pequeno voltaram a detonar a diarreia explosiva e ainda não me habituei a usar o coto que restou do meu braço direito para carregar no botão.

Grande abraço! Quando finalmente sair daqui eu ligo-te.
Melhor, encontro-te para te agradecer pessoalmente!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Gracias Tacuara aka Cardozo

Ontem, depois de uma primeira parte algo fraca de uma equipa que permanentemente tem sido privada de jogadores fulcrais e ainda a ressacar de uma mudança de treinador, assisti a uma segunda parte esforçada e colectiva, com vontade de ganhar e espírito de sacrifício. O resultado final, a vitória, muito importante nesta altura tanto pelos pontos como pela moral, peca por escassa em golos para ambos os lados, com o mérito da vitória encarnada a ser, no entanto, indiscutível. Claro que, pelas circunstâncias típicas de ter acontecido pela margem mínima e já perto do final, podia ter corrido mal, não obstante o mérito. Claro que era melhor ter marcado mais e mais cedo. Claro que, a pensar assim, o melhor é ir apoiando rotativamente a equipa que melhor futebol pratique e esquecer a monogamia futebolística. Não há tal coisa como objectividade neste desporto, até porque a bola é redonda e a sorte caprichosa, pelo que resta a emoção e a parcialidade da clubite (bem disposta e tolerante) que nos faz ver nas camisolas vermelhas o melhor clube do mundo em todos os momentos e classificações. Não é perfeito, não é isento de erros, não ganha sempre, mas, à imagem de qualquer outra paixão, para mim é impossível não ver ali o clube mais bonito do mundo! Como diz o slogan da Olá!, quem gosta gosta sempre! Há espaço para melhorar, como em tudo; há lugar à crítica construtiva, como sempre; e tem de haver, a par da paixão fervorosa nas vitórias, fair play e poder de encaixe nas derrotas. No título agradeci ao marcador do golo, alvo de imensas críticas, algumas justas dado o nítido mau momento de forma física e decréscimo de confiança, outras absolutamente maldosas e de quem nada (ou muito) percebe do desporto em geral e de futebol em particular. Na minha humilde opinião de praticante amador, o senhor tem algum talento para o que faz, embora lhe reconheça algumas fragilidades (jogo aéreo e pé direito) que poderão ser colmatadas com a natural evolução que a idade lhe permite e um bom treinador, que temos, proporcionará, tornando-o num ponta de lança de respeito. O resto é mental e ainda lhe veremos muitos golos esta época! Ontem dei por bem empregues as quase duas horitas que espremi da minha super-lotada agenda.

Ig Nobel Awards

Porque nem toda a curiosidade é séria e porque a idade dos porquês, às vezes, dura mais do que o esperado, surgem perguntas parvas que, inesperadamente e envolvendo pesquisa séria, produzem respostas igualmente parvas. Eu gosto!

Alguém achou que havia motivo de reportagem, como diria o outro, e, melhor ainda, que era bom atribuir prémios.

Os Anais da Pesquisa Improvável vêm provar que há mesmo quem queira saber alguma coisa sobre a Necrofilia Homossexual dos Patos Bravos (ver prémio de biologia de 2003) ou, o meu favorito pessoal, Linguistica 2007: Juan Manuel Toro, Josep B. Trobalon e Nuria Sebastian-Galles, por determinarem que as ratazanas, por vezes, não conseguem distinguir entre Japonês ouvido de trás para a frente e Holandês ouvido de trás para a frente.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Sem querer fazer concorrência


aos amigos Minimalistas, deixo um mapa de onde estava há dez anos atrás. Não no campismo, que não havia dinheiro para isso. Mas depois de dormir num Fiat Uno com mais quatro pessoas ainda demos um mergulhinho nesta praia (alguém deve ter uma foto nossa junto à placa... não era uma placa muito grande...) da localidade. O aeródromo da ilha, como podem ver ao centro se aumentarem a imagem, tem um nome igualmente sugestivo.
Um sítio a que é preciso voltar (falo da ilha!).

Sampi VI - A batalha (parte II)

Sampi, como tantos entre nós, era uma criatura pacata, simpática, tranquila, amável e de todo não totalmente desprovido de capacidade para as maiores atrocidades quando devidamente motivado ou assoberbado pelo tédio. Entre isso, uma consciência descartável, um talento inato para a asneira e um sobredesenvolvido sentido do insuportável, conseguiu angariar um considerável leque de inimizades. A bem do equilíbrio natural das coisas diga-se que angariou também um reconhecido grupo de amigos fiéis, todos eles, como o próprio advogava tantas e tantas vezes ser a maneira correcta de fazer as coisas, perfeitamente capazes de lhe espetar um abraço traiçoeiro pelas costas enquanto o esfaqueavam no peito olhando-o nos olhos, essa sim a grande diferença entre trastes e trastes, porque falhar todos falham; a questão é assumi-lo abertamente. No caso em mãos, a coisa revestia-se de particular delicadeza porque se tratava de um ex-grande amigo, um dos melhores e que tinha resvalado, como algumas vezes acontece, perdida a confiança, para o outro lado, o lado errado para se estar na perspectiva de Sampi, vulgo, contra ele. Poucas coisas pela negativa o fariam perder a cabeça a ponto de não medir consequências nefastas para ele próprio. Esta seguramente não estava incluída no lote daquelas que não teriam tal efeito. Aliás, no hierarquizado sistema de classificação que tinha inscrito na alma, este elevava a fasquia acima do record olímpico para asco indoor, uma modalidade muito popular nos jogos galácticos inter-espécies, diga-se, da qual Sampi era excelso e exímio praticante. Vasculhando por entre os destroços do que tinha sido o seu lar, recolheu alguns pertences e partiu rumo à sua casa de férias para dar início aos preparativos de batalha. Isto incluia um acumular de tensões, irritações, raiva profunda e mesquinha (não confundir), nervos, stress que poderia ter gerado energia suficiente para alimentar 273 ascensões e quedas do império Romano. Treinou afincadamente trânsito, atendimento ao cliente da TVCabo, repartições de finanças, livros de reclamações, discussões com funcionários da Emel, jantar em restaurantes de praia cheios, reinstalar o Windows, discussões de café sobre política externa, futebol e religião, programar o vídeo, enfiar uma linha numa agulha segura por uma pessoa com parkinson, catar piolhos com luvas de boxe, e, quando terminou, estava energeticamente pronto para descarregar o maior ataque de fúria jamais testemunhado desde que Deus deu uma topeirada na cama e detonou o Big Bang. Agora só faltava encontrá-lo, à sua némesis, o que não deixava de ser fácil. Estaria, certamente e como sempre, no pior ghetto, cercado pelos maiores facínoras e crápulas, na pior zona possível, à pior hora possível, a conspirar sobre maneiras de tornar as pessoas miseravelmente infelizes. Pensou um pouco, considerou as hipóteses, saiu de casa e foi almoçar à cantina do Parlamento.

(to be continued)

terça-feira, outubro 23, 2007

Another day in paradise

Informática O computador tem nove meses, é um Pentium IV vendido por 2.000 euros quando qualquer computador de 600 tinha Core Duo. Está todo avariadinho. A loja (que é uma loja de aeromodelismo e não de informática) prometeu que o arranjo era num instante. Vão lá quinze dias e ninguém sabe de nada a não ser o técnico. O técnico está incontactável.

TV Cabo A Power Box alugada ontem, primeiro não funcionava, depois funcionou e logo deixou de funcionar outra vez. Depois de 7€ gastos em chamadas para o atendimento, vão mandar uma equipa técnica a casa. Mas essa equipa não pode instalar uma segunda ficha de TV Cabo. Para isso tem que se pagar uma deslocação de 25€ a outra equipa.

Transportes IKEA Comprados os móveis e pago o transporte na caixa, a IKEA subcontrata o transporte. Para além de demorar mais de 15 dias, ficaram de ligar ontem ou hoje e até agora... nada.

Simplex O António Luís Matias Santos Ferreira Silva (nome fictício) está na Certidão de Registo Comercial como Luís Matias Santos Ferreira Silva. Assim sendo, o notário recusa-se a reconhecer a assinatura. Coitados dos americanos que são aos milhões e só têm um apelido cada.

Apenas um ponto

.

Opus Vigarei

Então a conta do maroto do miúdo já vai em 12 milhões e ninguém me dizia nada... Quando for assim têm que me avisar!
Vá, usem as minhas duas últimas senhas de presença das reuniões do Conselho de Supervisão para pagar isso e fiquem com o troco.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Segunda-feira...

Hoje levantei-me a custo para enfrentar o que já seria um dia penoso, ou não fosse segunda-feira, apenas para me deparar com uma prenda colada ao pára-brisas do carro e não, não era uma caganita. Antes fosse, raios partam a cloaca de onde aquele pedaço de papel veio. E, começando mal, um dia raramente se endireita. Apressado para chegar ao local do meu suplício laboral, atirei-me para a A5, confiante na designação de auto-estrada daquela via para me fazer chegar a tempo ao destino. Está bem abelha. Velocidade só na cobrança pela via verde, o resto eram só avisos sobre trânsito lento. Animado, diria mesmo refrescado por este belíssimo começo que me arrancou da cama quentinha, fui prontamente saudado pelos 100% de humidade que a serra de Sintra prende do lado errado do mundo. Óptimo. Falhado o café matinal por falta de tempo, caiu-me em cima uma tal carga de trabalho estupidificante que nem tive tempo de ficar muito mal-disposto. Salvou-se um raio de sol que apanhei de raspão a meio da manhã para resgatar a minha alma imortalmente entediada do purgatório do tédio para onde estava e estou a ser remetido. E ainda o dia ia a meio quando surgiu a tarefa que relegaria todo o restante fardo de Sísifo lá para o topo da montanha (de onde amanhã virá certamente a rebolar com velocidade redobrada direitinho aos meus ombros). Ao fim do dia reorganizar o arquivo. Ui, que bom. O meu reino por um lança-chamas e depois arquivo tudo em C de Cinzas. Se Kafka tivesse trabalhado aqui, "O Processo" teria 5 volumes e a floresta amazónica mais uns quantos hectares. O que mais me estará reservado? Tremo só de pensar. Valha-me que as paredes podem prender o meu corpo mas o administrador da rede ainda não bloqueou este endereço! Espero não estar a falar antes do tempo, senão, como último recurso, restar-me-ia apenas sair daqui em espírito, fuga essa escondida por um ar de intensa e intrasponível concentração, como convém. Bom, de volta à labuta que os cinco minutos de pausa já se esgotaram e para aqueles que acham mesmo que o ditado "Paus e pedras podem quebrar meus ossos mas palavras não me atingem" nunca ouviu "Estás despedido!" ou "Horas extra não remuneradas!".

quinta-feira, outubro 18, 2007

Bocejo

Uuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...

Peço imensa desculpa mas era isto ou espreguiçar-me aqui em frente a esta malta toda.

Continuemos serenamente rumo ao fim do dia...

quarta-feira, outubro 17, 2007

Levanta-te

contra a pobreza

e vai trabalhar, ó mandrião!!!

(este post manifestamente fascista e que me garante entrada directa lá onde até as chamas têm calor, serve apenas para celebrar o regresso da internet de banda larga à minha vida!)

O excesso formal foi sempre índice de decadência.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Ena Pá! 2000... anos no inferno!

És cruel

Mataste a tua filha com um cordel

Transformaste a tua casa num bordel

És cruel

És tarado

Drogaste os teus filhos, que pecado

Praticas swing à bruta e és casado

És tarado

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Não sei onde vais parar

És ignóbil

Levaste o cadáver no automóbil

E cremaste a criancinha em Chernobil

És ignóbil

És vaidoso

Andaste a foder a vizinhança

E davas droga a uma criança

És vaidoso

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Não sei onde vais parar

És obtuso

Bebes vinho em vez de agua do Luso

Agora tás mais enroscado c’um parafuso

És tarado

És obsceno

Encheste as veias de Maddie com veneno

Encharcas-te com vinho do Reno

És cruel

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Eu sei onde vais parar

És um porco imundo

Quando queres vais até ao fundo

Eu sei onde vais parar

Eu sei onde vais parar

Piadola sádica e gratuita

10 miúdos vão jogar às escondidas. Quem ganha?

A Maddie...

(via email)

Máquina do tempo

Ultimamente, noto que os casamentos se tornam em máquinas do tempo pelas reuniões que proporcionam entre amigos de longa data e/ou separados por distância física ou estilos de vida. Claro que nem todos possuem igual potencial para este efeito mas agradaram-me muito, nesse aspecto, os últimos a que fui. Quando o espírito está lá, e ainda está tanto, basta um empurrazinho e as peripécias sucedem-se em alegre catadupa. Chaves partidas ou perdidas, quedas e tropeções, poses, desencontros, figuras, frases e fotografias marcantes, gaffes, gralhas e quejandos, tudo isto perdido entre abraços e gargalhadas regadas a contento, com a euforia típica de quem celebra a vida como ela merece e ao lado dos amigos de sempre. Muito bom!

Adiante-se que poucas coisas têm o nível de um fraque de pé descalço. Muito poucas mesmo. Uma coisa séria! Uma coisa digna! Uma coisa para a qual é necessária uma coragem que não está ao alcance de todos. Eu diria que era uma bota difícil de descalçar mas a imagem contradiz-me...

E para terminar em beleza, no dia seguinte ao almoço, numa tasca escondida apenas encontrada a conselho de quem sabe, um cabrito grelhado absolutamente delicioso!

sexta-feira, outubro 12, 2007

A verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade?!?

A verdade, expoente máximo da relatividade, tem-me surgido ultimamente sob as suas mais variadas formas, em vários momentos e situações. Há a verdade dos factos, matemática, fria, implacável e que, mesmo assim, por vezes, teima em ser deformada para se conformar aos superiores desígnios de quem a tenta controlar. Neste aspecto em particular, trabalhar na indústria tem servido para me elucidar sobre este assunto - uma assinatura e uma data são suficientes na maioria dos casos, ainda que, por vezes, seja necessário algo um pouco mais elaborado. Seja. Podemos sempre vender para mercados menos exigentes ou incluir um disclaimer no folheto informativo: Reacções adversas - O que não mata, engorda. Adiante. Melhor que o 2+2=5 com que me confronto profissionalmente, ficam as verdades temporárias. Pena é que nem sempre se lembrem de colocar o aviso: Esta verdade autodestruir-se-á dentro de 30 minutos. Por favor abstenha-se de agir em conformidade com versões desactualizadas a seguir a esse período de tempo. Outro tipo ainda refere-se às verdades que, na verdade, não precisamos de saber - a chamada need to know basis. Isto pode ser 1) muito enervante quando nos apercebemos que estamos a ser levados por tolos; 2) muito conveniente quando o melhor mesmo é nunca saber para não termos de agir em função desse conhecimento; 3) absolutamente indiferente e só ocupa espaço. A questão está toda em quem decide essa need to know e, muito importante, qual o grau de confiança que depositamos nessa pessoa e os riscos que estamos dispostos a correr baseados nessa confiança. Há também a verdade como nós a vemos, nem sempre consentânea com aquela vista por outros ou com a realidade, e, dessa disparidade, nasce a necessidade de termos amigos fiéis para nos ajudarem, para nos abrirem os olhos, para dizerem aquelas verdades inconvenientes, para serem as lentes que nos corrigem a visão deformada, para nos trazerem os pés de volta à terra ou para nos darem aquele empurrão que nos tira os pés do chão. Muito más são as verdades cruéis, a verdade de arremesso, aquelas que nos atiram à cara da pior forma possível, sabendo que sabíamos ou não, pelo gosto de apreciar o impacto no muro de cimento da realidade não amortecida. Também não é bom andarmos a alimentar verdades que não o são, como aquela do pior cego, o que não quer ver, ou só vermos um lado dessa verdade, como se tivéssemos palas nos olhos que nos obrigassem a uma perspectiva cubista das coisas ou polarizadores que nos obriguem a uma realidade a preto e branco, sem tons de cinzento intermédios. Ainda assim melhorzinhas, ficam as verdades libertadoras, que nos tiram um peso de cima quando reveladas ou confirmadas. Gosto também do equilíbrio de verdades, entre uma visão ligeira e simplificada do mundo, de uma verdade assim um pouco naif e despreocupada, do género "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", e uma visão absolutamente paranóica e delirante (versão da verdade também disponível a seguir à administração de LSD) em que não uma coisa pode não ser só uma coisa, como pode até ser uma coisa pequena e peluda com muitas patas, dentes e garras. Já dizia o Mulder, the truth is out there, e, procurando bem, acho que conseguimos encontrar uma verdade para cada um de nós. A que melhor nos convenha. A que nos faça mais felizes. A que melhor se encaixe naquilo que procuramos.

Como dizia outro dia em conversa, ainda que nem tudo o que digo deva ser entendido como a verdade convencionalmente aceite, até porque é sempre bom deixar uma margem para mal entendidos, innuendos, segundos e terceiros sentidos, trocadilhos e confusões, no que realmente importa, na minha ordem de valores, claro, já que não posso usar outra, sou absolutamente sincero - I always tell the truth, even when I lie. Recuso-me, de momento, a revelar a tal escala a conselho do meu advogado e porque a CMVM - Comissão de Mercado de Valores (A/I)Morais - suspendeu recentemente a sua cotação na bolsa por suspeitas de especulação.

A verdade é perigosa, a verdade liberta, a verdade magoa, a verdade desperta. E, ah, é verdade, se vão mesmo ter de aldrabar, não sejam apanhados... parece verdadeiramente mal.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sampi VI - A batalha (parte I)

Sampi, confortável com a vida que há já algum tempo levava errando por todo o espaço-tempo desta esfera terrestra à qual chamamos Terra e à qual ele chamava, carinhosamente diga-se, ermo perdido no canto errado da galáxia, mas do qual, no fundo, no fundo, bem lá no fundo do poço negro e recôndito a que ele chamava alma, lá debaixo daquela camadinha de lodo apodrecido e fétido que revestia um recanto esquecido do seu âmago extraterrestre, até tinha acabado por gostar bastante, estava a passar por um período de acalmia generalizada em todos os aspectos da sua até agora bem turbulenta, ainda que divertida e educativa, travessia desta parte do universo. Quem diz acalmia generalizada diz entropia apenas ligeiramente abaixo do encontrado num tornado grau 5. E isso era estranho. Muito estranho. Não tão estranho quanto os chinelos de quarto de Sampi, feitos a partir de dois exemplares de uma espécie de texugo trombudo venenoso já extinta, mumificados em âmbar e enfeitiçados para andarem sozinhos e atenderem pelo nome (trobix e trombão, esquerdo e direito, respectivamente), mas mesmo assim atingindo um grau razoável de esquisitice na escala de Pikuynwickz-Schyzovrenius. Sampi sentia-se irrequieto, incomodado, nervoso, agitado mas isso nem era o pior e deve ter sido o sushi de baleia de ontem que não estava bem morto. Sentia comichão, formigueiro, calor, vermelhidão e apareceram-lhe umas borbulhinhas suspeitas mas isso devia ser uma doença venérea desconhecida apanhada no seu último safari. Levantou-se. Sentou-se. Mexeu-se. Remexeu-se. Coçou-se. Foi-se deitar. No dia seguinte estava na mesma com uma diferença subtil. Deitou-se na cama na sua mansão e, ao acordar, estendeu a mão para a mesa de cabeceira e encontrou apenas uma pilha de escombros. Tentou o outro lado com o mesmo resultado. Abriu os olhos. Escombros. Tacteou a cama. Escombros. Casa de banho. Corredor. Sala. Escombros. Escombros. Escombros. Isto começava a ficar monótono. Pensativo, perambulou ao acaso e pontapeou distraído o resto do plasma enquanto ponderava as hipóteses que poderiam explicar o sucedido: Copos? Nahh, só tinha bebido as três garrafitas de vinho da praxe ao jantar e a habitual garrafa de scotch antes de dormir. Drogas? Nope, o haxixe já não faz este efeito e a cocaína não bate assim. Azia? Nem por isso; o Benfica ganhou. Mau feitio? Até podia ter sido mas, como sempre, tinha tido o cuidado de arrasar uma montanha depois do ginásio e sentia-se relaxado. Isto era coisa de outra pessoa, e mais, este estilo era-lhe familiar... será que... humm... mas.... bolas... nem pensar... no entanto... deixa ver... AAAAAAHHHHHHHHHHHH! Estropício!! Estupor!! Alarve!! Estava mesmo a ver isto! Tinha de ser ELE!!! Vai pagá-las!!!

(to be continued)

segunda-feira, outubro 08, 2007

E, felizmente, há dias assim...

Sem sangria no parque, sem alimentar animais no zoo e sem filmes mas, mesmo assim, perfeito! Um dia tão cheio que passou a correr. Com castelos perto da praia. Com conversa, brincadeira e riso. Com gelado, gatos, bebidas esquisitas e poemas parvos sobre grades e trepadeiras. Com cães atrevidos e parapentes trôpegos. Com tacos de basebol e frases estranhas que fazem virar cabeças a sorrir... Quero mais!

E, num registo diferente, em companhia diferente, mas também agradavelmente preenchido, há dias de passeio pela história, por locais intocados onde o tempo não passa, onde mistérios parecem surgir das brumas do passado, onde estórias de cultos e ritos secretos ganham vida para assombrar os tempos modernos, onde túneis, poços e passagens secretas alimentam a imaginação e a paisagem nos eleva para longe da realidade demasiado fria e crua dos nossos dias.

Em jeito de guia turístico, no bom e velho estilo do vá para fora cá dentro, a solo ou com a companhia que bem entenderem, aconselho vivamente Óbidos e Sintra. Há ginjinha e travesseiros. Há castelos e palácios. Há praia e campo. Há estórias e História!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Uma história de amor

que começou ao meu lado. Leiam tudo aqui.

Contos curtos sobre nada: Conversa parva

- Relembra-me lá porque é que não se pode ter tudo o que se quer?
- Porque assim não tinha piada nenhuma.
- Ah!,..., e porque é que não tinha piada se era o que queria?
- Porque sem esforço não dá gozo nenhum.
- E quando não consegues o que queres?
- Ficas triste nessa altura mas mais contente quando conseguires a próxima.
- Forma o carácter, é isso?
- Sim, qualquer coisa como isso.
- Estás a querer insinuar que não tenho?
- Eu não disse nada... O carácter é teu e a consciência também!
- A minha consciência é descartável.
- Estou a ver. Também queria uma assim.
- Mas olha que tens. E se não tivesses, dava-te a minha. Tudo o que quiseres, sabes disso.
- Tudo? Fazes mesmo tudo?
- Tudo! Menos quando é para o teu bem, claro. Isso e quebrar as leis da física. Ou algumas, pelo menos.
- Também não ia querer tudo, já te disse. E tu também não devias...
- Hum... E se eu afinal só quiser uma coisa?
- Uma coisa?
- Sim, só uma! Uma, mais que tudo o resto!
- E o que é?
- Tu sabes...
- Ei! Assim não vale. É batota!
- Gosto tanto! Sabes?
- Sei...

O meu Benfica...

Ora bolas... caca... raios... que triste e pálida imagem de uma equipa de futebol que ontem ficou em campo. Que bela porcaria de jogo fizeram, com o correspondente resultado no marcador. Que falta de espírito de equipa, de orientação... Pareciam um bando de amadores a correr cada um para o seu lado, desgarrados. Agora começo a perceber o verdadeiro alcance das palavras do treinador. Pediu tempo. Ui! Precisa tanto dele! Precisa que aqueles meninos verdes, tenrinhos comecem a entender que precisam uns dos outros para formar um colectivo, para serem mais do que a soma das partes. Di Maria, Rodriguez, Pereira, Cardozo (que falta de confiança - terá apanhado o vírus do Nuno Gomes? Ao lado deste paraguaio cansado e desmoralizado, a Anabela até parece que respira moral e futebol), Nélson (meu deus!, que erro e, pior, que consequências isto trará para um jogador, jovem e promissor ainda, cujo rendimento depende e varia tanto com a confiança que sente e lhe transmitem - onde andam os centros tensos que serviam os avançados ainda há bem pouco tempo?), Adu, Miguel Vítor, Romeu Ribeiro, Binya, Coentrão, Dabao, Edcarlos, Bergessio, David Luís são miúdos com pouco mais de 20 anos e pouca experiência na primeira liga (ou mesmo no futebol europeu) mas com qualidade suficiente para (alguns) virem a ser jogadores sólidos. Deixá-los cair agora é perder a oportunidade de os ver brilhar em breve porque nota-se talento na maioria deles e grande parte da falência actual da equipa vem da falta de confiança e entrosamento entre eles. Nesta altura há uma responsabilidade acrescida para o treinador (que tanto conseguiu há pouco tempo e que já deu mostras de saber o que faz) e para os jogadores mais experientes e com mais anos de casa como Petit, Rui Costa, Luisão, Leo, Katsouranis e Quim (grande momento de forma!, salve-se algum...) para ajudarem os colegas nesta hora difícil. É preciso fechar e proteger o grupo do exterior porque o que não falta para aí são predadores oportunistas (leia-se imprensa encomendada) prontos para bater quando vêem a presa no chão. Claro que é grave hipotecar tanto de uma época logo no início e deve-se tentar perceber o que está a acontecer para corrigir (Di Maria sempre preso ao lado direito?, Cardozo longe da área?, poucos cruzamentos?, dependência organizacional do Rui Costa?, falta de soluções fiáveis no banco?, falta de confiança?, falhas nas movimentações atacantes sem bola?, falta de golos e vitórias!!) o que está mal mas não é tempo de baixar os braços! Nem pouco mais ou menos! Há ainda objectivos para atingir, sob pena de nos vermos eliminados da Taça de Portugal, Taça da Liga, restantes competições europeias (Grupos da Champions, difícil, ou Taça UEFA) e ver comprometido o apuramento para as competições europeias da próxima época ou repetido o péssimo 6º lugar de há uns anos. Mesmo o campeonato está mais difícil mas não impossível. Não se podia nem devia exigir tanto a uma equipa que perdeu o jogador mais influente da Liga, que sofreu alterações de fundo, director desportivo, treinador e táctica incluídos, e que apostou muito no futuro promissor de miúdos, sabendo, à partida, que resultados imediatos seriam quase impossíveis e que o caminho passava e passa por ter paciência e esperar. Não é um para o ano há mais porque há ainda muito para fazer este ano para poder colher frutos depois. É preciso força e convicção para manter o rumo traçado de início, para não termos de passar outra vez por aquele sentimento amargo de ver bons jogadores (ainda não tão bons como os quiseram fazer nem tão maus como os rotulam agora) brilhar em clubes rivais...

Já não sou o doente da bola que era há uns anos atrás mas continuo a gostar muito de futebol, (pensado, jogado e/ou falado) e, claro, do Glorioso e custa-me demasiado assistir a este arranque penoso e conturbado para deixar passar em claro. Ficar calado nas alturas más para só falar nas boas não me parece grande ideia. Assobiar e criticar a equipa nesta altura, então, é de uma falta de inteligência atroz. Os fans, sócios, adeptos e simpatizantes querem-se ainda mais ao lado do clube nos momentos mais complicados e têm também um papel importante a desempenhar.

Equipa para próximo jogo: Quim, Leo, Luisão, Edcarlos, Luís Filipe, Katsouranis, Maxi Pereira, C. Rodriguez, Rui Costa, Fábio Coentrão, Nuno Gomes. Vamos lá SLB!!!! É para ganhar!!

terça-feira, outubro 02, 2007

Historietas da vida real

2 casais dirigem-se a um restaurante em Tavira, junto ao rio, aprestando-se para se refastelarem com um prato típico de sardinha na brasa. Escolhido um restaurante, um pouco ao calhas é certo, sentaram-se e esperaram pela empregada. Aparece uma rapariga oriental (o que, em conjunto com a decoração do interior do estabelecimento, veio mais tarde provar uma recente mudança no tipo de comida servida de tipicamente chinesa para portuguesa típica) que pergunta pelos pedidos.
- Eram 4 doses de sardinha, por favor!, diz o cliente
- 4 não, 1!
- 1? Porquê? Queremos 4.
- 4 não. Pedir 1 e provar. Se gostar pedir mais.
- Como?
- Às vezes pessoas comer e gostar. Às vezes não comer e reclamar. Eu não querer problemas. Pedir 1.
- Como?
- Eu não saber se sardinhas serem frescas. Comprar no Recheio. Pessoas às vezes comer tudo. Outras vezes deixar no prato. Eu não querer problemas.
- Hum... queríamos 4 bitoques, por favor.
(Ouvido ao vivo, baseado num caso real e reproduzido na íntegra tanto quanto a memória o permite, o que equivale a dizer que não é minimamente de fiar, e também sem nenhum consentimento dos envolvidos, nem que seja tácito. Enfim, em abono da verdade, também não me proibiram e nem sequer posso dar qualquer garantia de que isto não seja absolutamente apócrifo. Adianto ainda que lavo já daqui as minhas mãos, qual Pôncio Pilatos, dos problemas resultantes para o sucesso das sardinhas do Recheio, do turismo em Tavira no geral e deste tasco em particular. Eu não querer problemas! Chamar a ASAE!)

segunda-feira, outubro 01, 2007

10


Faz dez anos esta noite eu não consegui dormir. Olhos abertos de medo e emoção e de muita vontade de ir. Faz dez anos esta noite que começou um ano como nunca tinha tido, como nunca mais tive e como nunca mais terei.

A vida é um jogo...

Ou pelo menos a minha assim parece... nos últimos tempos tenho tido a nítida sensação de que alguém algures tem um comando na mão ligado ao que me acontece. Sensação de paranóia à parte (até gosto de uma frase que diz: I am a kind of paranoiac in reverse. I suspect people of plotting to make me happy.), começam a acumular-se evidências fortes que, reme para onde remar, é sempre contra a corrente. Ou melhor, assim que desisto de tentar vencer os obstáculos que uma determinada decisão levanta e aceito o oposto como dado adquirido, deparo-me com novas barreiras desse lado, inacreditavelmente erguidas da noite para o dia mas que parecem sempre lá ter estado. Assim não vale! Tenho, neste momento, a certeza que assim que estiver a oficializar a minha escolha um meteoro destruirá toda a vida na terra, excepção feita a mim próprio que cá ficarei com uma terceira via que não estava prevista... O que me resta? A loucura? Não me parece; estou contente com a que tenho. Até no resultado do derby deste fim de semana procurei, por sugestão e aposta com uma amiga, indícios, uma pista, uma luz, determinando que caso vencesse o SLB era a hipótese A que ganhava, caso vencesse o SCP era a hipótese B... resultado final: um empate, está mais que visto!! A culpa afinal nem é do Pedro Henriques, do Nuno Gomes ou do Liedson. É minha! E posso adiantar que, pela primeira e única vez, um golo do Sporting ter-me-ia deixado muito feliz... Bom, seja... aceito tudo o que vier aí... decidirei no par ou ímpar, na moeda ao ar se for preciso. Ou num regresso ao passado, ponho uma série a passar e lanço um Agora Escolha! Ainda ontem recorri a esta táctica para resolver outro assunto e ganhou o cenário B, que aguardo com muita espectativa que venha a suceder...

sexta-feira, setembro 28, 2007

Loucura? Pois... não sei... se calhar via mais nitidamente do que muitos ditos saudáveis...

Algures numa vila junto à costa, uma senhora aproxima-se de um casal e diz:
- Peço desculpa de incomodar, mas posso fazer-vos uma pergunta? Não me levem a mal mas passam-me estas coisas pela cabeça e queria mesmo saber.
- Claro! Diga.
- Eu não sei se sabem responder a isto mas estão a ver aqueles barquinhos todos ali no mar? Eu acho que também há uns ali para os lados de Belém... Estes barcos são do Estado ou particulares? Não que eu queira comprar um nem nada mas acho que são muito giros.
- Pois... Particulares, acho... Mas realmente não sei de todos...
- Ah... São tão giros. E em Belém também há uns assim, dizem-me. Está bem. Olhem, e posso dizer-vos mais uma coisa? Não levem a mal nem nada mas gostava de dizer mais uma coisa.
- Sim, não há problema. Diga.
- Acho que são os dois muito bonitos! Muito bonitos! Por dentro e por fora! Ficam muito bonitos os dois. Acho mesmo.
- Ehh... obrigado...
- E queria dizer só mais uma coisa, não me levem a mal estas coisas que digo. Dêem muitos beijinhos os dois e aproveitem bem a vida que é tão curta!
- Ehh... pois... tem toda a razão...
- Adeusinho e felicidades. Não pensem que eu sou maluca ou assim... Desculpem o incómodo.
- De maneira nenhuma! Não incomodou nada... obrigado... igualmente.
As pessoas desenvolvem filtros e defesas, refugiam-se atrás de racionalizações, convenções, normas e padrões de comportamento aceites mas de vez em quando algumas fogem a estas regras não escritas e surpreendem pela nitidez com que vêem as coisas e pela simplicidade com que se expressam e pela espontaneidade demonstrada. Depois vem a realidade cinzenta, fria, dura, cruel, inclemente e triste que se revela afinal muito menos idílica... às vezes fico mesmo sem saber quem são os loucos, principalmente quando olho através das grades auto-impostas com que contemos tudo aquilo que achamos inconveniente ou impróprio, quando vejo a maneira como tornamos a nossa vida estanque a tanto daquilo que nos rodeia...

Por que há coisas que merecem...

Wich of the RWC ´minnows´ impressed you most? No site http://www.planetrugby.com/ está a decorrer uma votação para determinar qual a equipa que te impressionou mais no mundial. Só pelo facto de serem amadores, merecem o nosso voto. Só pelo facto de cantarem a Portuguesa, como se não houvesse dia amanhã, merecem o nosso voto! Os Lobos são portugueses. Estão à espera de quê para votar em Portugal? (reprodução de e-mail)

Apesar de todos os casos com que somos bombardeados no dia-a-dia (Casa Pia, UNI, Apito Dourado, facturas falsas, Felgueiras, etc) somos também aquilo que os Lobos representam, aqueles que tão bem mostraram que há valores e uma força escondida que, por vezes, aparece e nos dá alento para continuar, que nos faz sentir orgulho em sermos o que somos. Porque nem tudo o que é Português está relacionado com vergonhas, mentiras, mesquinhices, corrupção e fracassos. Mesmo que seja só um desporto. Mesmo que nem sequer tenham ganho nada a não ser o respeito e a consideração de todos os que (ainda) têm fé e esperança em dias melhores, de todos os que têm uma escala de valores não pervertida pelo poder ou pelo dinheiro, por todos os que têm espírito ganhador e são capazes de dar o máximo contra tudo e contra todos!

quinta-feira, setembro 27, 2007

automated for the people...

Nesta semana, por decisão superior da gerência, todos os trabalhadores da fábrica onde laboro (todos inclui mesmo todos por uma questão de exemplo e de motivação) foram convocados para 2 horas diárias (mínimo) no departamento de embalagem. Isto implica 2 horas de trabalho manual, repetitivo, automático, monótono. Colocar frascos em blisters (aquelas plaquinhas de plástico) e blisters em caixas com o folheto informativo, marcar as caixas e arrumar tudo em paletes. Enfim, provavelmente não o tipo de trabalho mais recompensante do mundo mas para variar das actividades rotineiras até posso dizer que tem sido surpreendentemente interessante. Conversa-se, ouve-se música, comenta-se, convive-se, mudam-se rotinas e hábitos. A acrescer ao banho de humildade que a iniciativa oferece por abranger todos, independentemente do posto hierárquico, nivelando-nos (claro que há sempre os mais baldas que se esquivam como podem ao trabalho "comunitário" mas...), há ainda a libertação da mente para pensar e divagar sobre tanta coisa que é incrível como é que as caixinhas aparecem prontas e em bom estado sem que me lembre que as horas passaram. Isto para não falar nos inúmeros esquemas tentados para optimizar a função e distrair o espírito. Muito saudável! Claro está que tudo isto se relaciona com a noção sempre presente de que se trata de uma situação esporádica e temporária para cumprir com um prazo de entrega, numa altura crítica em que a máquina que normalmente desempenharia esta função não estava disponível...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Ridiculo ou assustador?

A notícia da recente visita do líder iraniano aos EUA, mais concretamente a uma universidade onde discursou e respondeu livremente a perguntas da audiência, revelou alguns aspectos preocupantes sobre o estado do mundo e sobre as pessoas que estão à frente dos nossos destinos.
O que move alguém com tamanhas responsabilidades a tomar tais atitudes? Aquele tipo acredita sinceramente que não tem homossexuais no Irão? Aquele tipo acredita sinceramente que não houve holocausto? Aquele tipo acredita sinceramente que uma nação naturalmente (milenarmente) belicosa, inserida bem no meio do maior barril de pólvora do mundo, quer energia nuclear para fins pacíficos? Aquele tipo fala da liberdade de expressão quando não a permite em casa? Será ele um completo imbecil (medo), um fanático religioso (medo), um louco egocêntrico (medo), um maníaco ardilosamente inteligente (medo) ou todas as anteriores (muito medo)?
Será falta de inteligência, falta de tacto ou um mau gabinete de propaganda? Argumentos sobre a luta judaico-palestiniana enraizam realmente numa série de más soluções criadas por maus líderes do passado para problemas que, também se terá de admitir, não sei se teriam solução fácil, mas é desnecessário renegar um acontecimento triste mas indelevelmente registado a negro nas páginas da História da Humanidade (mesmo sabendo da não separação dos poderes político e religioso no Irão e sabendo também da tradicional inflexibilidade associada aos assuntos da fé, isto parece-me demasiado descabido). Mesmo em termos de propaganda interna resulta a ilação de estar o tal tipo a falar exclusivamente para uma cambada de bárbaros ignorantes sedentos de sangue sem outro propósito que os faça felizes que não a imposição a todo o custo dos seus ideais a todos os outros, assumindo a liberdade para a diferença que têm desde que assumam que não poderão estar orgolhosamente sós num mundo cada vez mais global. Em termos de marketing para o exterior o tipo passa por pouco inteligente, teimoso e irracional o que, para quem quer ser uma potência nuclear, o desqualifica aos olhos da comunidade internacional (isto se tomarmos em conta que, ao contrário de outros tipos pouco inteligentes, teimosos e irracionais, não tem o poder político, militar e económico para impôr a sua vontade).
Não é menos verdade que algumas regras de etiqueta foram quebradas pelo reitor na recepção mas também quem anda à chuva molha-se e o tipo estava mesmo a pedi-las. Haja também, e felizmente existe, a capacidade de insultar como merece o outro tipo, o que está a frente dos destinos de muitos mais bárbaros ignorantes (e infelizmente também dos restantes habitantes do planeta), aquele que também tem responsabilidades face ao estado em que está o mundo. Será que alguém se importa de fechar estes dois imbecis (e mais uns quantos, alguns eleitos(!) o que também serve para qualificar como medíocre o sistema democrático que os pôs lá, como otários os que votaram e como irresponsáveis os que não o fizeram) numa sala longe de tudo, cheia dos mais variados objectos destinados a causar danos morais e severas humilhações, de preferência com transmissão televisiva para gáudio de quem quiser assistir? Porra! Se concordam que isto está de facto mal não podem ficar escondidos atrás do conforto da afirmação de nada poder fazer para mudar o actual estado das coisas! Protestem! Votem! Falem! Ajam! Criem! Mudem! Peçam! Censurem! Envergonhem! Critiquem! Esperneiem! Achincalhem! Ostracizem (confesso um gosto pessoal enorme por esta figura legal de punição da antiguidade clássica, sendo que lhe acrescentaria humilhação pública física e moral, bem como sevícias corporais levemente dolorosas, irritantes e não letais como beliscões, fisgadas, cuspidelas, rasteiras, ovos podres, papel higiénico molhado, pneus furados, açucar no depósito, batatas no tubo de escape e pontapés nas canelas - se nos tratam como crianças...)!

terça-feira, setembro 25, 2007

O filme da série 27 feito e estreado para leitores da Gabardina foi visto por mais de 4 000 pessoas e destacado na página do Sapo. Ser leitor da Gabardina tem assim um certo risco: estar sempre um pouquinho à frente.

http://videos.sapo.pt/UfSMTwMyPVO6Y1bTIcrK

segunda-feira, setembro 24, 2007

Razão vs Emoção

Já muitas vezes tenho pensado na natureza dual que a maior parte das coisas que nos rodeiam têm, como o fotão: onda/partícula. É como se, da física à natureza humana, algumas regras gerais tivessem sido impostas, fazendo de nós mecanismos da mesma máquina gigante. No caso presente a questão em mãos prende-se com uma decisão que oscila entre a razão e a emoção, entre o plano pessoal e o profissional. Em ambos os lados a decisão está tomada. Pena é que tenham chegado a conclusões diametralmente opostas. A vida não é fácil nem justa, se bem que, uma vez por outra podia ser, para variar, ou pelo menos injusta a meu favor. Bolas...
Bom, seja como for, o relógio está a contar para o prazo final, sábado, e há um lado, o profissional, que está em vantagem para levar a sua avante. A questão é que, para mim, o lado pessoal, mesmo em inferioridade numérica, logística, contra tudo e contra todos, será sempre mais importante, desde que lhe dêem uma hipótese. Se dependesse só de mim, sei bem qual seria o rumo a tomar mas... Admito que não é fácil de decidir este tipo de coisas, ainda mais quando involve mais do que uma pessoa, mas não há como o evitar porque, de outro modo, a decisão acabará por ser tomada por inércia, o que me parece ser muito pior do que assumir as consequências de mudar de vida. E, em última análise, nada é irreversível nem fica escrito em pedra, há (quase) sempre volta a dar, mas se queremos alguma coisa temos mesmo de lutar por ela, arriscar sem medos, em vez de assistirmos passivamente ao desenrolar da história ou de esperarmos que o acaso ou o destino nos faça cair o que queremos no colo.
Serão sempre as pessoas, sempre, o mais importante para mim. Principalmente aquelas a quem esta frase se aplica: “The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awww!” (J. Kerouac) Uma vez disseram-me: "És louco e queres arrastar-me para a tua loucura!" Sim! É mesmo isso! Anda! Vive a vida louca! Faz pipocas de panela aberta!!

sábado, setembro 22, 2007

Duo Ele e Ela

Um dos melhores momentos de sempre na televisão portuguesa. Vale a pena cada minuto!



Uma vez tava desorientado, afinquei na testa de uma mulher, fiz-lhe um galo. Tava.. tah!!! Ela fez-me avariar. Eu não tinha coragem de bater com as mãos, ela tava a dormir... Tau!!! Ficou um galo... aí... um ganda galo! Isto era muita rijo, pá!


Ah ganda Crispim! A primeira ainda acertava sempre!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Objectivos

Todos temos, assumidos ou inconscientes, objectivos na vida. Uns mais fáceis de atingir, outros apenas sonhos impossíveis que mantemos pelo estímulo de imaginar uma realidade diferente daquela que nos traz o dia-a-dia. Entre os mais comuns, eleitos no top 5 de quase todos, ficam, não necessariamente por esta mesma ordem, casa própria, carro próprio, emprego estável, relação/núcleo familiar estável, saúde. Haverá também quem, mais pragmaticamente, resuma isto em 3 pontos: dinheiro, sorte e felicidade, o que, para mim, me parece uma abordagem saudável, desde que se mantenha tudo isto nas devidas proporções, já que ambicionar mais do que se pode ter leva rapidamente à insatisfação e assim nem se aproveita o que se tem. Há também sempre presente na maioria dos espíritos uma preocupação imensa e constante com bens materiais, consumo e dinheiro (mais concretamente com a falta dele) que acho absolutamente enervante e castradora... se virmos bem, há sempre quem tenha mais e melhor, mas também quem tenha menos e pior. É algo a que não podemos escapar. Podemos tentar lutar por mais, ambicionar o melhor, mas nem sempre isso será recompensado na devida proporção, o que não deve diminuir-nos a perspectiva de uma vida mais ou menos feliz. Por vezes, como tantas outras pessoas, não consigo escapar à vertigem de ambicionar o que não tenho ou não posso ter, o que vejo nos outros, o que me passa fora do alcance, o luxo e o fausto de estilos de vida que não posso ter e, em dias piores, olho para os items que tenho da lista dos objectivos e dou por mim insatisfeito com todos... e nem é por me relembrar que há quem tenha menos que a ideia se torna mais tolerável... Nesses dias é preciso um bom copo cheio de perspectiva fresquinha ou uma chapada de realidade na tromba para acordar para a vida em vez de ficar a mixordar (não sei se existe mas gosto muito da palavra) no que está fora do alcance. É por poder apreciar o que tenho, por viver o que posso, por ver que há um pássaro na mão em vez de olhar para os que passam a voar lá em cima... porque para esses... deixa-os pousar!! Para já a minha próxima meta é ir almoçar para saciar esta fome insana que me está a corroer por dentro... gosto de objectivos realistas.

terça-feira, setembro 18, 2007

Quem não gostava de ter um jogador assim?

Carta dos tiffosi milanistas a Rui Costa

«Sempre dissera: ‘Gostava de acabar a carreira no Benfica’. Rui Costa nunca escondeu de ninguém a vontade de pendurar as botas em casa. Em 2001, o fora-de-série aceitou vestir a camisola do AC Milan. Depois de sete anos na Fiorentina, Rui jogou cinco épocas como rossonero, vencendo uma Champions League, um Scudetto, uma Supertaça europeia, uma Supertaça italiana e uma Taça de Itália. Mas, sobretudo, o português deixou uma herança feita de paixão, emoções, assistências (mais de 50), números e classe. Os tiffosi do AC Milan seguiram-no e quiseram-no. E amaram-no do princípio ao fim. No entanto, Rui Costa não teve oportunidade de se despedir. Mas o mundo milanista está pronto a revê-lo e abraçá-lo. Terá outra camisola, o nosso Rui, mas as coisas, mesmo assim, não deixarão de estar muito nítidas. San Siro aguarda com ansiedade a hora de o ver novamente no relvado onde deu tudo durante cinco anos. A abraçar os seus antigos companheiros e amigos. Criado o mais escaldante ambiente rossonero, teremos toda a vontade de lhe dizer, mesmo que vestindo a pele do adversário: ‘Obrigado por tudo, Rui’.»

segunda-feira, setembro 17, 2007

Ik ben een... Amsterdamer!
















Amsterdão Estou fã! Uma aldeia do tamanho de uma cidade! Uma cidade com look de aldeia!

Os canais e os barcos, as bicicletas (conduzidas por psicopatas com tendências homicidas e de dedo colado à campaínha enquanto ziguezagueiam pela multidão de pedestres como se não houvesse amanhã), a conversa fácil, as fachadas cheias de janelas enormes e abertas para a rua, um povo bonito, as cores, os sons e os cheiros, o relax das coffee shops e a ostentação do red light district, os museus, os bares, a mistura internacional de pessoas que para lá convergem...

Esta é daquelas para regressar...

terça-feira, setembro 11, 2007

Amsterdam here I go!!


E cá vou eu... a caminho de terras de Sua Majestade a Rainha Beatrix Wilhelmina Armgard, Princess of the Netherlands, Princess of Orange-Nassau, Princess of Lippe-Biesterfeld (esta malta gosta dos títulos completos) por uns dias... para os devidos efeitos já decorei algumas das mais úteis frases em holandês: Ik begrijp het niet (não compreendo.); Waar is het toilet? (onde fica a casa de banho?); Doe dat maar, alstublieft (quero aquilo, por favor) e een mooie vrouw (uma mulher bonita!)... não necessariamente a utilizar por esta mesma ordem... volto em breve ou melhor: Spoedig achter ben!

segunda-feira, setembro 10, 2007

Chick habit - April March (death proof OST)



Estou completamente viciado nesta música...

Decisões decisões....

Aparentemente tomar decisões é fácil. Pomos os prós de um lado e os contras do outro. Depois é só ver para que lado cai a balança...

E, em algumas alturas, até pesámos tudo antes de conhecer tudo o que está nos pratos... depois, de repente, há um novo ingrediente, um extra mais denso que altera tudo. Ou então vem aquele medo de falhar na avaliação... Ou de nos vincularmos a uma escolha e perdermos todas as outras hipóteses. E, quando o cérebro já calculou tudo, surgem os imponderáveis, aquelas coisas com que não podemos contar, que não podemos conhecer mas que teimamos em pôr na equação.

Em tudo há um risco e só o medo nos mete estas coisas na cabeça, turvando uma decisão que parecia clara... E tão mais clara podia ser se ao menos algo pesasse mais ou outro algo pesasse menos... Decisões, decisões... não dá para evitá-las e esperar que alguém as tome por nós, confortavelmente sentado no sofá a jogar consola... É limpar a cabeça, pensar um pouco e decidir o melhor que conseguirmos, com a ajuda dos conselhos dos amigos e com um cheirinho de instinto a ajudar... O resto... o resto fica a cargo do tempo... sem remorsos, sem arrependimentos...

Consultório Sentimental do Prof. Catarse: O regresso

Desgosto de amor?
Amor não correspondido?
Paixão assolapada?
Caso no escritório?
Vontade de cometer um crime passional?
Escapadela com a vizinha/o?
Taras e manias que nem às paredes confessas?
Facadas no matrimónio?
Fartinha/o do conjuge?
Timidez ou falta de coragem para assumir?
Paixão que arde mais que os incêndios no verão, que consome mais que o meu carro às 6000 rpm, que queima mais que uma incineradora de uma cimenteira com resíduos perigosos?

Tudo isso e casos ainda mais estranhos (como felicidade conjugal, fidelidade, relações estáveis e duradouras) aqui no consultório online... O Prof., qual Liedson, resolve! Catarse garantida ou o seu dinheiro de volta. Consultas grátis. Sigilo garantido - garanto que todos os que não sabem ler português (e os que só sabem braille) e/ou que não conhecem o blog nunca saberão... a não ser que alguém lhes diga ou venda a informação... coisa que eu era incapaz de fazer... agora aquele Sampi ou as outras personalidades mais coscuvilheiras é que já não sei. Aceitamos inscrições anónimas desde que assinem a declaração de confidencialidade do blog, que, adianto, não temos e mesmo que tivéssemos não cumpríamos. Não deixe de passar pela loja onde poderá encontrar mezinhas, poções, filtros para todos os seus problemas; se não tivermos inventamos na hora baratinho!

E para quem acha que não tem problemas, é só escrever a pedir. Eu arranjo-os.
I'm listening... the doctor is in... é escrever, é escrever... O prof. responde a tudo!

VOGLIO UNA VITA COME STEVE MCQUEEN

Passam dez anos desde que nos víamos todos os dias e há dois não nos encontrávamos. Fizemos 1.800 quilómetros para te ver casar e cada metro de braseiro andaluz sem ar condicionado valeu a pena. O resumo do fim-de-semana faz-se com duas músicas das muitas dezenas que ouvi nos últimos quatro dias.
Ainda ouvimos a mesma canção.



Jarabe de Palo - El lado oscuro


E POI CI TROVEREMO COME LE STAR
A BERE DEL WHISKY AL ROXY BAR
O FORSE NON C'INCONTREREMO MAI
OGNUNO A RINCORRERE I SUOI GUAI
OGNUNO COL SUO VIAGGIO
OGNUNO DIVERSO
OGNUNO IN FONDO PERSO
DENTRO I CAZZI SUOI


Vasco Rossi - Vita Spericolata

domingo, setembro 09, 2007

Grémio Lisbonense

http://www.petitiononline.com/GREMIO/petition.html

Contra o despejo do Grémio Lisbonense, se ainda forem a tempo...

Gold digger Diplo Remix

The Sounds - Painted by numbers

Crónicas da bola sobre a esmeraldina relva

E vai Asdrúbal no seu estilo inconfundível, ou não, esperem, é Paneira, não, afinal é mesmo Asdrúbal, o Paneira já deve estar a fazer tijolo em algum lugar perdido dos confins do mundo há muito tempo.... Asdrúbal segue com a redonda colada ao pé, cabeça levantada, e encara de frente o opositor que lhe surge de repente ao caminho, Torcato, no seu estilo muito físico, tentando o desarme por esmagamento que lhe é tão característico, Asdrúbal furta-se ao primeiro contacto com um primor técnico indescritível e segue em frente, velocíssimo. E eis que lhe surge novo oponente. É Torcato novamente e desta vez tenta a sua segunda melhor arma, o desarme por asfixia. Asdrúbal escapa-lhe mais uma vez e cruza a divisória do meio campo enfrentando novo jogador. Pasme-se, é Torcato!, que executa agora uma técnica de amputação dos membros inferiores e/ou perfuração do baço a que Asdrúbal se esquiva com um movimento acrobático, mantendo a posse de bola. Já com a grande área à vista, resta um outro jogador para ultrapassar, que é... é... é... Torcato, pois então, desta vez determinado em acabar com a jogada, ou melhor, em acabar com Asdrúbal primeiro e, se der, com a jogada. Tenta electrocussão, traumatismo, queimadura, enfim, tudo o que há na lista e mais uns da sua própria lavra, certamente proibidos pela convenção de genebra ainda que apenas puníveis com cartão amarelo ou admoestação verbal, dependendo do rigor do arbitro e de quanta "fruta" recebeu no dia anterior. A coisa não parece boa para Asdrúbal que subitamente se apercebe que a bola que julgava levar junto ao pé é afinal a cabeça do seu colega Rodolfo que tinha sido decapitado logo no início do jogo ao tentar interceptar com a cabeça um lançamento de linha lateral fraco de Torcato. Regressando ao lance anterior, Asdrúbal, em choque com a sua descoberta, hesita em reviengar a carola do seu amigo, hesitação essa que lhe sai cara, embatendo violentamente contra os pitons de alumínio de Torcato, o que até nem foi mau porque o alumínio até é só um metal ao passo que o material de que é feito Torcato é ainda uma incógnita para a ciência, estando em equação ser usado pela NASA para substituir a cobertura do vaivém que viajará ao interior do Sol. Os efeitos do choque, comparável ao do meteoro que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos e que se teoriza ainda que poderá ter sido apenas Torcato a levantar-se da cama um pouco mais bruscamente, serão omitidos em nome do pudor e por falta de adjectivos suficientemente descritivos ainda que manuais de anatomia e talhantes tenham sido consultados para o efeito. Conquistada a meloa, Torcato sai a jogar mas tropeça na língua de Rodolfo e tomba no relvado com uma magnitude de 36,8 na escala de Ritcher.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Machistas - Porque ainda os há!, se calhar escondidos atrás de uma touca enquanto põem creme hidratante e se depilam mas...

A Associação Nacional Dos Amadores Machistas Saudosos, Esclavagistas, Chauvinistas, Assolapados, Acostumados No Testado, Estudado, Saudoso, Quimerico Estado Levemente Sadico, Mas Ainda Usual (ANDA MAS É CÁ ANTES QUE LEVES, MAU), que se dedica à manutenção dos costumes dos homens de outrora, em que voto, condução, carreira e mulher só cabiam na mesma frase do seguinte modo:

Faço votos para que te estejas a conduzir para o quarto ou para a cozinha senão meto-te já na carreira para o Burundi, mulher.

Vem deste modo comunicar que estudos recentes publicados em revistas internacionais de grande prestígio, como a Playboy, provam finalmente a correlação directa entre o uso de silicone, lingerie e fardas de enfermeira, criada francesa, etc e o aumento da inteligência nas mulheres. Algumas das cobaias, perdão, coelhas, perdão, testadas chegaram mesmo a conseguir construir um discurso coerente em que respondiam a questões complexas como signo, hobbies, idade e preferências sexuais.

Veja-se o caso da Miss Setembro que conseguiu dizer que era Sagitário, tinha 21 anos, gostava de massagens e de fazer amor em praias desertas enquanto era fotografada vestindo um trapinho semi transparente de renda em poses anatomicamente pouco naturais.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Mosquitos - Boombox

contos curtos sobre nada III: Um hobby

Pela calada, sorrateiro, invisível nas sombras, aguardava vigilante. A emoção da caçada, embora não fosse a primeira, continuava a estimulá-lo. Mais do que isso; permitia-lhe suportar todo o resto do dia seguinte. Só de pensar nisso bocejou, antecipando o tédio e a monotonia que iria seguramente experimentar em mais um longo e aborrecido dia de trabalho. As vantagens de estar empregado naquele emprego banal neste momento escapavam-se-lhe da mente. Teve de se esforçar para recuperar a ideia que somente mantendo um exterior de normalidade, ou pelo menos de saudável excentricidade, lhe seria permitido continuar aquilo que verdadeiramente fazia o seu coração continuar a bater. Era esse o segredo. Isso e infelizmente nunca poder assumir perante ninguém as atrocidades que cometia quando estava na pele do seu alter ego. Uma pena, pensou, mas de todo necessário. Apesar de todos os livros e filmes de psicopatas que glorificavam a psicopatia dos mega-vilões geniais do crime e da violência ser hoje, mais do que nunca, graficamente atraente, sabia que não era nenhum actor. Não representava para ninguém, não tinha público nem fans, não ansiava por aplausos ou compreensão, pensou enquanto saltava de trás da árvore onde estava emboscado, rasgando silenciosamente a garganta do transeunte que passeava insuspeito. Encostou o cadáver, que estranhamente parecia sorrir de orelha a orelha, a um caixote do lixo, e, limpando a lâmina da sua faca de cozinha IKEA com um lenço de papel e mudando de música no leitor de mp3 para algo mais alegre, continuou lentamente pela rua fora, imerso em cogitações. Gostava um dia, de poder despejar o que lhe ia no âmago, não pela catarse nem por querer ser detido. Era mais pela conversa. O tema agradava-lhe bastante e era tão difícil encontrar alguém para discutir a parte técnica, a parte artística, os melhores métodos, o que fazer quando as coisas não correm bem, etc... "Olá, boa noite, como está?", comprimentou de passagem um vizinho conhecido que lhe acenou familiarmente de volta. Já em casa abriu o frigorífico, tirou uma embalagem de sumo e anotou mentalmente que precisava de ir ao Pingo Doce. Durante algum tempo alimentou esperanças de encontrar um chat ou um fórum sms sobre o assunto onde participar ou mesmo escrever num blog mas depois desiludiu-se com o que encontrou e dedicou-se às danças de salão.

Ratatouille

Há dias em que desenhos animados fazem todo o sentido... e este foi um deles. O encanto do retorno à inocência dos primeiros anos... A trama simples de seguir... O apelo das cores e do riso... A moral da história... E, claro, o final feliz que todos queremos vir a ter...



Fica ainda o que, para mim, foi a melhor parte de um filme de desenhos animados, surpreendentemente cheio de mensagens coerentes enquanto vemos um rato cozinhar: o discurso de Ego, o crítico! Resta acrescentar que fiquei cheio de fome e vontade de experimentar umas coisas na cozinha.

"ln many ways, the work of a critic is easy. We risk very little yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read. But the bitter truth we critics must face is that, in the grand scheme of things, the average piece of junk is more meaningful than our criticism designating it so. But there are times when a critic truly risks something, and that is in the discovery and defense of the new. Last night, I experienced something new, an extraordinary meal from a singularly unexpected source. To say that both the meal and its maker have challenged my preconceptions is a gross understatement. They have rocked me to my core. In the past, I have made no secret of my disdain for Chef Gusteau's famous motto: Anyone can cook. But I realize that only now do I truly understand what he meant. Not everyone can become a great artist, but a great artist can come from anywhere. It is difficult to imagine more humble origins than those of the genius now cooking at Gusteau's, who is, in this critic's opinion, nothing less than the finest chef in France. I will be returning to Gusteau's soon, hungry for more."

terça-feira, setembro 04, 2007

Espectativas, desilusões e surpresas...

Apesar do enorme esforço que todos pomos para ter os pés no chão, é impossível conter a imaginação que nos leva a criar expectativas, sonhos e ambições. Algumas mais fáceis de concretizar, outras nem por isso. E é das segundas que nascem as desilusões, a tristeza de não conseguirmos o que queríamos quando já só pensamos nisso como um dado adquirido. Voar alto demais, já dizia a fábula de Ícaro, acarreta graves consequências (vulgo esparramarmo-nos no chão) mas, para mim, pior será sempre não sonhar, não querer, não voar... É quase como calçar uns sapatinhos de cimento, vestir um sobretudo de pinho e saltar para o rio. Nem se trata de ambição desmedida ou de objectivos completamente loucos e irrealizáveis, tipo ser o Rei de Copas ou ir aos Jogos Olímpicos pela selecção nacional de berlinde em terra batida, mas apenas de lutar por algo um nadinha além do horizonte. E se não pusermos tudo nessa luta de que vale tentar? A desilusão é o pior que nos aguarda no final desse caminho. Vá, seja, às vezes também podemos acabar tristes, endividados, estropiados, deprimidos, loucos, mortos ou todas as anteriores e mais ainda. Mas, no outro trilho, naquele que se contenta com o que está perto, fica o peso de não saber o que é o doce sabor do sucesso que parecia impossível, de não conhecer a alegria da conquista do objectivo desejado, fica uma vida amorfa e sensaborona. E para sair do poço onde a derrota nos deixa por vezes, nada melhor que a insustentável leveza do ser e embarcar noutros sonhos que nos fazem subir de novo para as nuvens! If at first you don't succeed, try and try again... ou numa versão cínico-psicótica, que não me desagrada de todo, "If at first you don't succeed...Go postal and shoot the crap outta everything!" AHAHAHAHAHAHAH... BANG BANG BANG BANG!!

E para banda sonora (há para aí malta que já escreveu músicas para tudo o que é situações... tipo a Vonda Sheppard da Allie McBeal que, apesar de ainda não ter encontrado, é bem capaz de já ter escrito uma cançoneta para aqueles dias em que acordamos ensonados, batemos com o dedo mindinho do pé esquerdo na esquina da cama, o esquentador falha e só dá àgua fria, o carro não pega, tudo isto com um refrão enternecedor sobre a prosaicidade da vida do dia-a-dia acompanhado ao piano):


Smiths - Please, Please, Please, Let Me Get What I Want


Good times for a change
See, the luck I've had

Can make a good man

Turn bad

So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time

See, the life I've had

Can make a good man bad

So for once in my life
Let me get what I want

Lord knows, it would be the first time Lord knows, it would be the first time


Ou então esta, um pouco mais down:

Cure - To Wish Impossible Things



Remember how it used to be
When the sun would fill up the sky
Remember how we used to feel
Those days would never end
Those days would never end

Remember how it used to be
When the stars would fill the sky
Remember how we used to dream
Those nights would never end
Those nights would never end

It was the sweetness of your skin
It was the hope of all we might have been
That fills me with the hope to wish
Impossible things

But now the sun shines cold
And all the sky is grey
The stars are dimmed by clouds and tears
And all I wish
Is gone away
All I wish
Is gone away

All I wish
Is gone away

Escondidas Metafísicas (à falta de melhor nome)

Regras do jogo:
Para ser jogado em grupo por não menos de três jogadores.
Um dos jogadores, rotativamente entre os participantes, pensa num local físico bem definido para se esconder, sem limites de espaço ou tempo. Ou seja, dentro do universo real ou ficcional (incluindo filmes, livros, pinturas, esculturas e música) e no passado, presente ou futuro. O tamanho do jogador pode variar, desde que este mantenha uma existência material, de angstrons a parsecs. Exige-se, é claro, alguma honestidade para manter o lugar do esconderijo e capacidade para responder às perguntas colocadas, o que implica um conhecimento razoável do local onde se escondeu. O objectivo é encontrar o desaparecido com perguntas de resposta "sim" ou "não" no menor número de questões colocadas alternadamente pelos restantes jogadores. Uma vez encontrado (ou desistindo os perseguidores) calha a vez ao próximo.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!

Ou, nas sábias palavras do filósofo, "Anyone who denies the law of non-contradiction should be beaten and burned until he admits that to be beaten is not the same as not to be beaten, and to be burned is not the same as not to be burned." [Avicenna]], Medieval Philosopher).


Isto é que é... filosofia medieval! Coisa de duros! Não há lirismos ou debates cinzentos intermináveis. Pancadaria e fogo primeiro, diálogo depois. E isto para não falar na navalha do Occam e no Princípio da explosão...

segunda-feira, setembro 03, 2007

Família Superstar

Muito bom. E agora a versão "em tudo amar e servir".


Já vos disse

que o Rui Costa é o melhor jogador do mundo?

Intuição

Avaliar pessoas é, provavelmente, uma das coisas mais complicadas que podemos tentar fazer mas que, no entanto, necessitamos e fazemos todos os dias. A dificuldade reside em vários factores. Porque mostramos quase sempre uma face adaptada ao ambiente em que estamos, o que faz com que, se basearmos a nossa avaliação no que conhecemos de uma situação apenas esta possa ficar incompleta ou mesmo errada. Porque à vista fica, também na maioria das vezes, um lado mais agradável, mais suave, mais polido para facilitar as interacções sociais. Porque há casos em que mostramos propositadamente uma outra face, ilusória, com algum objectivo em vista. Ainda assim, mesmo com tudo isto, é possível ver para além do óbvio e conhecer verdadeiramente alguém e nem acho que seja necessário muito tempo para o fazer (um tipo qualquer escreveu um livro relativamente engraçado sobre estas coisas - Blink). Claro que algumas pessoas são mais complexas que outras mas basta fazê-lo com atenção e na altura certa, nas circunstâncias certas, que o "eu" verdadeiro sai para a luz do dia. A análise pode nem ser consciente, muitas vezes não o é, mas permite descobrir se podemos confiar em alguém, se gostamos ou não de alguém, as suas qualidades e os seus defeitos. É uma espécie de instinto, de conhecimento subconsciente. Mais pormenores aparecem com mais tempo, alguns importantes, outros nem por isso, mas o essencial revela-se rapidamente. Também é verdade que, uma vez conquistado o afecto, a amizade, a confiança, é possível deitar tudo a perder com atitudes irreflectidas. Porque as pessoas cometem erros, e, nesse caso, às vezes é possível perdoar. Porque as pessoas mudam com o tempo, o que é geralmente bom porque evita que estagnem no passado, só que, às vezes, mudam para algo que já não faz sentido. Ou porque a avaliação foi mal feita de início. Ou porque só vemos o que queremos ver. Porque não somos compatíveis com toda a gente. Está tudo no subconsciente, no instinto... esperemos apenas que não seja um instinto fatal; os picadores de gelo são tramados.

Num tema relacionado, este fim de semana revi vários amigos, daqueles de há muito tempo, num casamento. Uns estavam na mesma, outros diferentes mas retendo a essência e outros são agora perfeitos estranhos para mim. Mais gordos, mais magros, mais carecas, mais grisalhos, mais casados, mais pais, mais cinzentos... havia de tudo e deu tempo para contar histórias, actualizar detalhes, comparar estilos de vida, matar saudades, conversar, rir, aparvalhar... Foi bom! Muito bom!

domingo, setembro 02, 2007

Live until I die



I'm gonna live till I die!  I'm gonna laugh 'stead of cry,
I'm gonna take the town and turn it upside down,
I'm gonna live, live, live until I die.
They're gonna say "What a guy!" I'm gonna play for the sky.
Ain't gonna miss a thing, I'm gonna have my fling,
I'm gonna live, live, live until I die.
The blues I lay low, I'll make them stay low,
They'll never trail over my head.
I'll be a devil, till I'm an angel, but until then.
Hallelujah, gonna dance, gonna fly, I'll take a chance riding high,
Before my number's up, I'm gonna fill my cup,
I'm gonna live, live, live, until I die!
The blues I lay low

Há um dia em que a arrogância natural da juventude desaparece. Para a geração que hoje tem 50/60 anos e, que actualmente assume os principais cargos do poder institucional em Portugal, esse momento foi a guerra colonial. Andava um tipo descansado da vida, a passarinhar entre o liceu, as escolas comerciais, e o salto para França, quando um dia, era obrigado a bater com os costados num país longínquo, em nome de uma pátria que tresandava a derrota. Era então que a morte, o estropiamento ou a loucura, por carta, ou na pele, reenquadravam as perspectivas e, criaram o desejo de mudar. Houve uma revolução. Hoje, a arrogância da juventude perde-se mais tarde. Tira-se um curso superior e, é ao desemprego que cabe a doce tarefa do reenquadramento. Tens 25 anos, um estilo do caraças e não podes desejar nada. Não tens futuro. Não tens trabalho seguro. Tens de passar por estágios gratuitos. A guerra colonial da geração que hoje tem 25 / 30 anos é o desemprego, o trabalho gratuito, não qualificado, e não pago. Falta a revolução.

sexta-feira, agosto 31, 2007

American Pie

Só Don Mclean saberá o que queria dizer com esta letra , mas teorias não faltam, como se comprova facilmente com uma pesquisa no Google. Aqui fica uma delas, em forma de video.


quinta-feira, agosto 30, 2007

Nina Simone: Sinnerman (last scene of Inland Empire)

SLB 2007/2008

Porque tão raras vezes me tenho dedicado a escrever sobre o glorioso, melhor altura não podia haver para o fazer do que no dia seguinte ao apuramento para a Liga dos Campeões.
Sobre o jogo de ontem há pouco a dizer... Foi sofrido mas houve empenho e vontade de ganhar. Não era o melhor onze mas era o onze possível face às lesões. Houve sorte mas a sorte procura-se e já tem havido azar suficiente. E apareceu ainda mais um livre ensaiado à Camacho que promete causar danos...

Do início e planeamento de época há muito a dizer... As saídas do Simão e do Manuel Fernandes retiraram claramente qualidade à equipa. E se a primeira até foi atempadamente compensada por ser inevitável - Di Maria, a segunda foi um autêntico tiro no pé. De certeza que havia melhores timmings para não arriscar desnecessariamente a qualificação para a Champions e o arranque da época, titubeante como se tem visto. Cheira-me que o Fernando Santos foi premeditadamente sabotado por dentro e, a ser assim, não deveria ter sido assumida a saída no final da época passada para um começo limpo? Nem tudo é mau, adiante-se. Há reforços, há jogadores para todas as posições (faltará talvez um médio semelhante ao Manuel Fernandes - zona do terreno muito exigente do ponto de vista físico - e/ou o tal avançado goleador porque do lote de atacantes disponível fico com a certeza de que Cardozo é craque, Nuno Gomes renderá mais com o apoio de outro e Bergessio é esforçado e rematador... e o resto? Mantorras está coxo, diga ele o que disser, e praticamente não conta; Yu Dabao e Freddy Adu são apenas promessas e não há espaço para rodar os dois pelo que um deveria ser emprestado... vendo isto desta maneira fica a faltar um jogador com quem se possa contar para jogar no ataque), há estádio e centro de estágio e, muito importante, há treinador!

Distribuindo os jogadores pelas posições onde actuam e por ordem de acesso à titularidade nesta altura:
GR: Quim, Butt, Moreira
Defesa:
Lat. Esq.: Leo, Miguelito
Lat .Dir.: Luís Filipe, Nélson
Centrais: Luisão, David Luís, Miguel Vítor (grande surpresa), Zoro, Edcarlos
Meio campo (em 4x4x2 sem losango):
M. def.: Petit, Katsouranis, Romeu Ribeiro
M. of.: Rui Costa, Nuno Assis
Ala Esq.: Di Maria, Fábio Centrão, Christian Rodriguez
Ala Dir.: Maxi Pereira, Christian Rodriguez, André Diaz
Ataque (em 4x4x2):
Av Fixo: Cardozo, ?, Yu Dabao
Av Móvel: Nuno Gomes, Bergessio, Freddy Adu, Mantorras
Meio campo (em 4x3x3):
M Centro: Petit, Romeu Ribeiro
M Centro: Katsouranis, ?
10: Rui Costa, Nuno Assis, Freddy Adu
Ataque (em 4x3x3):
Ext Esq.: Di Maria, Fábio Coentrão, Christian Rodriguez
Ext Dir.: Maxi Pereira, Christian Rodriguez, André Diaz
PL: Cardozo, Nuno Gomes, Bergessio, ?, Yu Dabao, Mantorras

Sendo ainda de considerar que a polivalência de alguns jogadores (Miguelito e Luís Filipe para alas; André Diaz e Zoro para lateral direito; Di Maria e Adu para médio ofensivo; Bergessio para as alas; Katsouranis para central; Nuno Gomes para N10...) permite variantes consoante o momento de forma, lesões, castigos, calendário e adversários. E há ainda dispensas (Yu Dabao, André Diaz, Miguel Vítor (?) e Romeu Ribeiro (?) para jogarem regularmente e evoluirem; Mantorras para peças) a fazer pois parece-me que o grupo é algo extenso, 28 jogadores, ainda mais com o anúncio de mais uma ou duas entradas de última hora...

Agora é dar tempo ao tempo, ver o "esférico rolar pela esmeraldina relva" e esperar pelos resultados... E para futebolês e benfiquite chega por agora. Estou cá um mister!! SLB SLB SLB!!!

Last minute: Grupo D: AC Milan, BENFICA, Celtic e Shakthar Donetsk. Tá ganho!

Inland Empire

Fui ver isto ontem ao Nimas e:
- Percebi a ideia do entrelaçar da ficção e da realidade;
- Percebi a ideia do entrelaçar do filme antigo e do novo;
- Percebi a ideia da confusão entre a vida da actriz e a vida da personagem;
- Percebi a ideia das alusões à vida de Hollywood, drogas, prostituição (no sentido lato e estrito da carreira de actriz), fidelidade e ao binómio dinheiro/felicidade;
- Percebi a ideia das narrativas circulares e cruzadas;
- Percebi a ideia do entrelaçar do papel de espectador e do papel de actor...

Depois do filme acabar (as três horas dele):
- Percebi que a minha capacidade de concentração e compreensão foram esticadas para além do razoável, ainda mais depois de um dia de trabalho;
- Percebi que se calhar não percebi nada;
- Percebi que há dias melhores que outros para ir ao cinema ver coisas destas...

Em jeito de balanço final:
- a Laura Dern é realmente uma actriz do cacete;
- o David Lynch deve ser um tipo bastante perturbado ou genial ou, mais provavelmente, genial e perturbado;
- a banda sonora é agradável, com destaque para a última música que postarei por aqui quando a encontrar;
- o próximo filme que vou ver terá de ser um pouco mais do tipo "Simpsons" ou "The Host"...

quarta-feira, agosto 29, 2007

Tavez não seja só neste país, mas...

Grande concerto de Sérgio Godinho ontem à noite. Para além das grandes canções, é tão divertido ver quem canta, por exemplo, o charlatão:

Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga

No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome

(...)

Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão


Na primeira fila era ver os charlatões a cantar. A coisa só ficou mais difícil quando se falou no nome de José Mário Branco. Aí as palmas foram quase inexistentes...

Mas estavam todos animados e rapidamente as vozes se uniam a cantar as palavras que tão bem sabem:

Se eu mandasse neles, os teus trabalhadores
Seriam uns amores
Greves era só das seis e meia às sete
Em frente ao cacetete
Primeiro de Maio só de quinze em quinze anos
Feriado em Abril só no dia dos enganos
Reivindicações quanto baste mas non troppo
- Anda beber mais um copo

Arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, concerteza
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego