segunda-feira, novembro 12, 2007

How many roads must a man walk down before you call him a man?

Já dizia o Bob Dylan e com razão... hoje acrescentei mais uma ao meu repertório. A N117. Temo ter encontrado a minha némisis asfaltada. Mal mas asfaltada. Senti estranhos arrepios (estarei doente?) enquanto a percorria, totalmente perdido, acrescento, por não ter ainda aderido à embrutecedora moda do GPS. Perdi-me como se não houvesse amanhã. Perdi-me como se não tivesse hora de entrada. Perdi-me como se não soubesse onde estava.
Foram cardos, foram prosas, foram kms em estradas horrorosas. Curvas, contracurvas, lombas, valas, buracos, camiões, traços contínuos... adorei! Acabou a monotonia da IC19! Agora há adrenalina total todos os dias. Até ao dia... Há ali uma curva particularmente manhosa que, qual abismo, me atrai. Vejo-me a galgá-la rumo ao precipício ainda que não tenha, longe disso, qualquer fascínio mórbido pelo suicídio. Há um limite para tudo e tenho de encontrar o meu naquela estrada. Ou então virar um homenzinho e guiar como um velho...
Pela estrada fora eu vou bem contente,
até ao belo dia em que tiver um acidente!
Pela estrada fora eu vou bem sozinho,
Ui, caraças, que não vi aquele camiãozinho!
Pela estrada fora eu vou bem feliz
Chiça, não matei aquele velho por um triz!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Pó de arroz

Pó-de-arroz
Na face das pequenas
Será beleza apenas
Só uma corzinha
Sim, pó-de-arroz (Pó, ahaa)
Rosa é, mulher o pôs
E um homem vai nas cenas
Eva e Adão outra vez
É como alindar um embrulho
Arroz com gorgulho talvez
[CHORUS]
Pó-de-arroz
Do teu arrozal
Esse pó que é fatal
És a tal que me encanta
Com pó-de-arroz
Não faz nenhum mal
É de arroz integral
Infernal quando chegas
Com todo o teu arroz
Todo o teu arroz
Pó-de-arroz
Tens hoje só p'ra mim
Pós de pirlim-pim-pim
E és um arroz-doce
Sim, pode ser
Um canto de sereia
Serei a tua teia
E tu serás o meu algoz
Mas quando te vais alindar
Alindada vens dar-me o arroz
[CHORUS][+1 Tom:]
Pó-de-arroz
[CHORUS]
Pó-de-arroz, Pó-de-arroz...

Pó por pó temos por cá muito, ele é cefazolina, ele é cefuroxima, ele é cefotaxima... agora pó de arroz não temos, lamentamos... Mas fica a música para as comentaristas de serviço.

Piratas de fim de semana


Se alguém alinhar numa garrafa de rum... Arrrr..... Bom fim de semana!

Corrente Literária

Dando seguimento a um desafio postado nas Glórias do Calhabé, aqui fica o que foi possível encontrar num fim de tarde de trabalho:

"However technology has advanced since that time, particulary in container sterilization monitoring and control techniques and in starting material production technology and these advances have, to some extent, compensated for the increase in effort required to ensure that the filled product is suitable for its intended purpose."

Seguindo as regras, acima está a 5a frase completa da página 162 do livro que tinha mais à mão: Aseptic Pharmaceutical Manufactoring

Isto declamado com voz colocada, assim para o radiofónica, tem uma certa, enfim, um certo, digamos, bom, na verdade não tem interesse nenhum, nem para o menino Jesus. O próprio autor teve muitas dificuldades para o acabar uma vez que adormecia de parágrafo a parágrafo enquanto o redigia. Livro chato este. Chiça penico. Era isto ou o índice Merck mas acho que não tem frases completas. Também tinha o catálogo da Roth, ver ponto anterior, e a lista telefónica da Terrugem mas nem 162 telefones há, quanto mais páginas.

Deixo convites para dar continuidade, caso assim o entendam, aos blogs:
Pensar
Arroz de Casca
Humm... Canela
Foto-esfera
Abrupto
(aposto que este cortes não vai alinhar na brincadeira...)

quinta-feira, novembro 08, 2007

Obrigado Realidade!

Por provares à exaustão que há sempre um pantone mais negro por mais que achemos que chegámos ao fim da escala.

Não te preocupes. Eu apanho-te na volta do correio e mostro-te com quantos paus se faz uma pira funerária para iluminar esta negritude com que me brindas.

Is there all that is? Apostava que não mas provavelmente perdia. O que vale é que, nestas alturas, tenho mau perder, faço batota, birra, esperneio, rosno e mordo. Mas depois passa-me.

Rodo-aviário

As aves raras que habitam as nossas estradas estão longe da extinção. Desde as bestas predatórias que atacam o alcatrão como se não houvesse amanhã (entre as quais este vosso criado se inclui, ainda que com alguma, passe a imodéstia, perícia) até aos asnos superdefensivos que guiam com a mão no botão dos 4 piscas [hábito odioso, diga-se, e que conduz ao pânico de massas (coisa linda de se ver, esparguete assustado... isto para não falar num ravioli absolutamente aterrorizado que vi outro dia - perdoem-me este parentesis aloilado mas não resisti) a que se assiste agora sempre que alguém espirra].
Perceber que se pode facilitar a vida aos outros, mesmo que seja à custa das regras do código, é algo que escapa à maior parte dos craques que a DGV autorizou a circular por aí, a troco de uns leitões e frangos certamente, neste país de vias travessas onde há sempre alguém prontinho para estacionar "só por uns minutinhos" em 3a via, para assistir no regresso ao pandemónio de 5 kms que provocou e resmungando entre dentes "estes gajos são uns chatos" ou um muito mais cool "Que se lixe! Azaréu!" ou ainda o enervante "Esperem que eu também esperei 9 meses para nascer". A subtileza da emenda para 12 certamente que lhes escapará, sendo por isso escusado usá-la à laia de insulto nestas ocasiões.
Hoje encontrei duas senhoras muito bem compostas depois de uma ter esmagado a sua frente contra a traseira da outra (imagens do "Bound, sem limites" misturadas com o "Crash" surgem-me no espírito sem que tenha sobre isto qualquer controlo), que civicamente demoraram 30 minutos no mínimo (ocorreu antes de lá chegar e saí de lá antes de estar concluído o processo) para descobrir e resolver que a culpa foi de quem bateu por trás numa recta enganadoramente desprovida de obstáculos com o trânsito a rolar a 50 kms/h, uma manobra que, como todos nós sabemos, se conta entre as mais complexas que o cérebro humano pode abarcar no que toca ao domínio sobre uma viatura e sobre a coordenação visual-motora, salvo nas ocasiões em que estamos ocupados a pintar os olhos, a mudar a estação de rádio, a micar a miúda do carro do lado ou ao telemóvel, instrumento que, acrescento, parecia estar a ser inestimável para solucionar o tal berbicacho pois ambas as madames o ostentavam com aquele ar de enfado que uma fila buzinante de 10 kms por perto pode provocar. Custava muito terem levado os carrinhos amolgados para a berma? Será que na berma não há rede? Será que o código proíbe o preenchimento da declaração amigável na berma? Será necessidade de protagonismo que a berma não preenche? Será falta de glamour por parte da berma? Atenção que falo educadamente da berma e não da valeta para onde as remeteria para gáudio de muitos. Os olhares com que foram brindadas durante o tempo que lá passaram certamente que não tinham nada de elogioso, méritos físicos ou de indumentária que pudessem ter, e sobre os pensamentos abstenho-me de qualquer tentativa de reprodução em nome da correcção linguística que este blog se orgulha de manter. Quem diz a berma diz, a propósito de correcção, o raio que as parta, desde que longe dali e fora da estrada.
Atenção que nada disto tem um carácter pejorativo sobre a condução feminina! Circunstancialmente estavam ali 2 dignas representantes do género, nabiças, mas facilmente poderiam ser nabos. Civismo, Educação, Amabilidade, Compreensão, Desenrascanço são tudo palavras do dicionário (menos a última, segundo o DLPO online) cujo significado certamente escapa aos donos do asfalto mas, ao que julgo saber, um dicionário, ao contrário dos coletes garridos que infestaram a comunidade automobilizada, não se conta entre os items obrigatórios para estarmos habilitados a guiar. É pena.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Parar é morrer...

Diz o adágio e há tanta verdade nisto que chega a assustar. É verdade na biologia, na economia, na carreira, na vida. Há dias em que, por força do excesso de trabalho, da falta de sono, do cansaço ou outra desculpa qualquer, só dá vontade de pudinzar no sofá. Seja, sou tão fã disso como outra pessoa qualquer uma vez por outra, até porque sabe mesmo bem relaxar. Agora outra coisa é fazer disso regra e desse hábito um estilo de vida. É ouvir "Ehh... hoje não, estou mesmo cansado..." dia após dia. Isso! Cansa-te da vida e pode ser que um dia a vida se canse de ti. Não pode ser! Acordem! Sacudam essa letargia castradora que tolhe e limita! Isto passa a correr e ninguém nos dá outra volta. Se não fizeres, se não tentares, se não correres, se não experimentares, ninguém o fará por ti. Há sempre, tem de haver, energia para mais! Quanto mais fazes, mais podes fazer; quanto mais queres, mais consegues fazer. Nesta altura do campeonato, só queria que os meus dias tivessem 48 horas para ter tempo para mais e mais. Tempo, tempo, tempo! Para os amigos, para ler, para desporto, para comer, para pensar, para a família, para trabalhar (também tem de ser), para cozinhar, para viajar, para festas, para música, para descobrir, para filmes, para dormir, para estudar, para teatro, para criar, para escrever, para os hobbies, para a net, para exposições, para o carro, para conhecer pessoas, para aparvalhar, para a casa, para museus, para jardins, para namoriscar indecentemente, para estar ao sol, para concertos, e sim, também para ficar no sofá! Há coisas boas demais para fazer com o tempo para nos podermos dar ao luxo de o desperdiçar por falta de vontade. Vamos! Mais, mais, mais!! Up, up and away!!!

(P.S. 1 - Agora que penso nisso, se calhar os 6 cafés, os 6 kms de corrida e as 6 horas de sono por dia andam a deixar-me um pouco eléctrico... eheheheh)

(P.S. 2 - Para todos os que não vejo ou falo há imenso tempo fica o pedido de desculpas público e promessa de remissão do pecado de ausência & desaparecimento para com todos aqueles com quem tenho estado em falta...)

(P.S. 3 - Energia e vontade à parte, hoje está a ser um daqueles dias em que mais valia nem me ter dado ao trabalho de acordar para acumular horas de sono para dias que valessem mesmo a pena. Que Quarta-feira perfeitamente horrorosa e desnecessária. Tudo corre mal. Carregas no Send quando querias o Delete, escreves Vergas quando querias Verbas, enfim... agora das duas uma: ou aparece a cereja podre no topo do bolo queimado e piso um monte de m**** fresca ou surge o raio de sol redentor mesmo sabendo que já é noite lá fora)

segunda-feira, novembro 05, 2007

"Move it, move it, move it!"

Hoje é dia de mudanças. Mais um ano que se completa por terras da capital, mais uma casa nova onde morar. Começo a habituar-me a este ritmo em que nada permanece, tudo muda. Por um lado não me posso queixar de monotonia ou da rotina, por outro perdem-se um pouco as raízes criadas numa casa que assistiu a momentos bons e maus que necessariamente marcaram e deixaram memórias. Deixo casa e companheiros de casa. Deixo um bairro simpático. Vamos ver o que me reserva o novo lar e por quanto tempo lá ficarei. Fica prometida a festa de inauguração para breve, assim que a poeira assentar.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Quadras aparvalhadas VIII

Labutei até agora
Trabalhei com afã
Está na hora de ir embora
Antes que fique tantan

Fica um conselho amigo
Retirado de um livro antigo:
Ao almoço, ao jantar e à ceia
Comam carne de baleia

Contente vou pela estrada
Rumo aos copos de vinho
Com a saída marcada
Posso mesmo ser tolinho

A vírgula da diferença I

Roubaram-te o Alfa, Romeu?

Já fizeram a vossa higiene, pessoal?

Apetecia-me escrever mais umas quantas mas agora não me sai mais nenhuma... pode ser que daqui a bocado, em mais um acto de rebeldia profissional, por aqui passe, pare e poste (continuo a gostar muito da conjugação deste verbo).

Quadras aparvalhadas VII

Queria tanto estar a trabalhar
Como ficar sem um braço
Ou arrancarem-me um olho
Ou perfurarem-me o baço

Quadras aparvalhadas VI

Nem sabem quanto me aperreiam
Estou pior que um atum
Quanto mais me chateiam
Mais eu faço nenhum

Quadras aparvalhadas V

Estou triste e derreado,
Pior que um pudim,
Estou mesmo chateado,
De estar aqui sem tim

Era mesmo aqui...




Bem sei que isto é masoquismo mas não consigo evitar... deve ser o ar bafiento que os HEPA estão a deitar aqui para a cave que me está a perturbar a lucidez...
Para os privilegiados que puderem lá ir fica o link: http://www.sanalfonso.cl/

Ah, e a certeza que, se lá forem mesmo sem mim, garantiram o meu ódio eterno e ardente, o que num dia como este será, mais coisa menos coisa, suficiente para alimentar meio inferno (num tema relacionado, uma recente classificação de rendimento energético classificou o Hades como A+. Ao que parece queimar almas não polui).

Quadras aparvalhadas IV

Não gosto de trabalhar
Quando devia estar de férias
Quem gosta disto é parvo
E o resto são lérias.

Quadras aparvalhadas III

Se eu fosse a lua eras a minha terra
Se eu fosse a terra eras o meu sol
Gosto de ti mais que de queijo da serra
E agora apetece-me um rissol

Quadras aparvalhadas II

Eu queria ser rico
Para te dar um castelo
Para que tu me contemplasses
Como eu te contempelo

Quadras aparvalhadas I

Eu queria ser um chinelo
Chinelo que tu calçasses
Para ir onde tu fosses
Para estar onde tu estasses

quarta-feira, outubro 31, 2007

Os canhanhos de cinema

“Outra margem” de Luís Filipe Rocha, tem como matéria-prima as silhuetas planas e distantes, em que cada um de nós se transforma, quando esconde dos outros as suas fragilidades. Tal qual, as personagens deste filme. Maria, Mãe de Vasco esconde-se por detrás do esforço e dedicação ao filho. José, pai de Maria e Ricardo, esquiva-se à reconciliação. Ricardo recusa a morte do namorado. E Luísa, abandonada no dia do casamento por Ricardo, espera -ainda- o noivo. Personagens separadas pelo rio da incomunicabilidade.
Porém há Vasco. Um rapaz que precisamente pela sua fragilidade, consegue resgatar das margens as personagens isoladas e fazê-las renascer. É, neste sentido, que este filme trata da superação da morte. Não física, mas da morte emocional que implica viver à margem dos outros. Para cada personagem, e para cada um de nós.
Dos actores, destaco Tomás Almeida (Vasco). Este não só nos torna cúmplices do seu ponto de vista, como cria com Maria d´Aires (Maria, mãe de Vasco) com Horácio Manuel (avô) e com Horácio Manuel (tio), uma relação de ternura e simplicidade que há muito não via no cinema Português. Recordo três momentos exemplares: a festinha na cara da mãe enquanto esta trabalha, o almoço com o avô, e o modo como se aproxima do tio quando este dorme no quarto. Mas se tudo isto, são apenas ideias de realização a que os actores conseguiram dar a melhor interpretação, foi o realizador, que na montagem materializou as ideias com sons e imagens. Recordo a valsa de olhares entre mãe e filho, depois de este dizer que escutara o tio a chorar; e a montagem em paralelo de Ricardo a cantar, e a cremação do seu namorado.
Em “Outra Margem” Luís Filipe Rocha recupera a nota documental que marcou o início da sua carreira. O filme, através das actividades quotidianas das personagens, regista o dia-a-dia das pequenas cidades do interior: o trabalho de Maria na fábrica, a idas ao cinema, as compras da semana, e os novos espaços de diversão nocturna. E assim, constrói um ambiente de dia-a-dia concreto. Muito delicado e muito difícil. Porém, e aqui reside o que mais me afastou do filme, esta sensação de quotidiano a acontecer, é quebrada por alguns diálogos abstractos, e por uma utilização lírica de partes da música. Ora, abstracto e lírico é o que o filme seguramente não é. É por isto que merece muito ser visto. Pois apesar da transparência das suas imagens e sons, há emoções e sentidos genuinamente humanos.

terça-feira, outubro 30, 2007

Já que falas nisso...

E porque o tema é um bom tema, já não é segunda-feira, o sol brilha e tal, apetece-me discorrer um pouco também sobre o amor e filhozes do género. Não estou a falar de gostar, de carências, de relógios biológicos, de necessidade, de desejo, de amizades com pantone... Não. É mesmo a coisa genuína, a que, qual algodão sentimental, não engana! Aquela que não só move montanhas se necessário for, como faz com que nem reparemos se, por acaso, alguma das ditas montanhas resolver ir dar uma inesperada volta ao bilhar grande. A que nos faz dizer coisas absoluta e escandalosamente ridículas sem que disso tenhamos sequer noção, ou, tendo-a, não faz diferença nenhuma. A que nos adoça a voz, a que adiciona "inhos" a tudo, a que nos põe um sorriso parvo logo abaixo do olhar parvo, mesmo no meio da cara de parvo, a que não nos sai da cabeça a dormir ou acordado, a que nos inspira carinho e cuidado, a que coloca o bem-estar da outra pessoa acima de nós próprios, que provoca mais suspiros contemplativos por minuto que a tubercolose provoca tosse. A dos arrepios, suores frios, dores de estômago mas que não passa por intoxicações alimentares. Aquela que relaciona noção do tempo a passar e distância entre pessoas numa função inversamente proporcional. A que nos impede de pensar em consequências, nos faz acreditar sempre num final feliz, nos renova a fé na Humanidade. A que faz um dia cinzento de chuva parecer bonito, independentemente de estarmos na praia, roxinhos a tiritar de frio. A que nos faz perder a cabeça, o juízo, o norte, o rumo e, em dias mais complicados, a correcção gramatical. A que sabe mesmo bem quando bate certo e que quando bate certo, bate forte. A que está lá nos dias maus da mesma maneira que nos bons, fazendo com que, pensando bem, acreditar que o dia até nem foi assim tão mau. A que ultrapassa problemas e crises em nome da felicidade mútua sem a intervenção da polícia anti-motim, da sogra ou do rolo da massa. A que permite comunicar sem palavras, ler pensamentos, adivinhar vontades, habilidade particularmente útil naquela festa chata na altura de ir embora. Aberta, assumida, intensa, terna, honesta, quente, carinhosa, reconfortante, sólida, recíproca, calorosa, expansiva. Sem ressentimentos, recriminações, queixas, acusações, dúvidas, medos, hesitações. Tão bom que devia vir em embalagens de 20. Tão bom que devia ser ilegal, para lhe acrescentar o prazer do proibido (e vou excluir o adultério e a pedofilia porque... enfim, seja, ficam. Gostos são gostos e o código penal não tem nada a ver com isso). Tão bom que devia acontecer a todos pelo menos uma vez e durar para sempre, de preferência na mesma vez para não criar problemas de continuidade ou sobreposições na realidade.

A que fez, faz e fará falta a tantas relações falhadas, e a algumas não falhadas também, no século XXI e, arrisco eu a extrapolação, noutros séculos também, porque estou a ver muito boa gente a aturar grandes berbicachos conjugais na idade média sem uma réstia de amor que fosse, com a agravante da proliferação de achas de armas, lanças, espadas, flechas e quejandos que por essa altura existiam em qualquer lar decente e resolveriam o problema de um modo muito mais rápido e indolor, dependendo do lado da arma que estivessemos, claro.

E, como não pode ser tudo bom e a medalha tem sempre um reverso, a que dói mesmo muito quando corre mal. Chiça penico! Antes cortes de papel na retina e lágrimas de álcool...