depois do amanhecer...
Estrelas nascem e morrem, explodem na minha cabeça, mundos rodam lentamente cumprindo o seu roteiro enquanto cá fora a chuva cai de mansinho e o sol nasce para acordar milhões para mais um dia. Mundos dentro de mundos, a escala é tudo. Indiferente ao que por outros planos acontece, para mim o exterior real passa ali a ser algo de incorpóreo e o incorpóreo real e alheio à restante população. Transferido temporariamente para os recantos do que está fora do alcance da mesquinhez humana, da vidinha corriqueira do dia-a-dia, refugiado naquele mundinho bom onde nem tudo obedece à minha vontade mas onde sei que os acontecimentos são da minha subconsciente responsabilidade. Chamem-lhe dissociação. Chamem-lhe fuga. Chamem-lhe delírios. Como quiserem. Dá-me igual. Se quiserem mesmo chamar-lhe qualquer coisa, chamem alto e abanem-me porque de outra maneira não vos vou ouvir. Queria tanto voltar para lá agora. É que estava-me a saber mesmo bem; dormia sossegado no mundo real e sonhava feliz com tanto do que persigo.
Raios partam o despertador, némesis inclemente que destruíu de um ápice todo um maravilhoso universo de arquétipos sem repor o equilíbrio naquele para o qual cruelmente me despertou...









