Gosto de confiar e não me desiludir, de poder contar com as pessoas, de lealdades, de amizades verdadeiras e incondicionais, de sacrifícios pelos outros, da empatia entre duas pessoas, de cumplicidades, de pessoas que se interessam, que se lembram, que se esforçam, que se preocupam, que perdem uns segundinhos por coisas que realmente importam, que param para ajudar alguém desinteressadamente..
Não gosto que não me respondam quando pergunto alguma coisa - há mensagens, mails, correio, telefones, telemóveis, messenger, pombos-correio, sinais de fumo, tambores, estafetas, etc... Não considero que não dizer nada corresponda a um não, porque do mesmo modo pode ser um sim, um não vi a pergunta, um quero lá saber disto, um esqueci-me, um deixei passar o prazo sem querer... É só carregar no reply e escrever "Não". Até pode ser sem til ou sem maiúscula. É melhor que nada. Irritam-me o silêncio absoluto e a indiferença...
Gosto de miúdas espigadotas com piada, de conversas diferentes, de mudanças de ritmo que provocam nós no cérebro, de engates entre estranhos, de conhecer mais e mais pessoas, de acasos e destinos, do que estava escrito que tinha de acontecer por mais estranho que pareça, do que parecia impossível há uns tempos atrás e de ver pessoas felizes a aproveitarem a vida.
Não gosto de fuçangas, nervoseiras, choraminguices e choradeiras. Na estrada, nas filas, nas festas, à mesa, à conversa, ao telefone... Sosseguem, acalmem-se, relaxem... O stress mata e chateia-me.
Gosto que perguntem directamente aquilo que querem saber, que digam aquilo que querem dizer, que assumam o que querem e que façam o que lhes apetece fazer sem ligar a mais nada. Gosto de mudar, de escrever o que quero, de fazer o que quero, de ser compreendido ou muito mal entendido, de perder a cabeça e saltar de olhos fechados, do caos e do pandemónio.
Não gosto de indirectas, de jogos interesseiros sem interesse, de meias palavras para bons entendedores, de quem espera que adivinhem aquilo que era suposto fazer sem darem nunca um sinal do que seria, de recriminações por tudo e por nada, de berros e de quem fala alto só para ter a razão do volume, de mentiras, traições, cínicos, azedos, sonsas e panhanhas.
Gosto de praia, sol, conduzir à chuva, de noite e em estradas sinuosas, morangos, desportos colectivos e de jogar para ganhar, convívio, copos, festas, música, conversa, relaxar na praia, livros, vinho e tapas, lareiras e cacau quente, puffs, jogos, coisas novas e diferentes, filmes de terror e outros, de desafios, chocolate, de piadas parvas, pratical jokes e non-sense, de surpresas, fotografias, de arriscar, de prendas pensadas, de gestos únicos e carinhosos, aguardente velha, de cães, de promessas cumpridas, velas acesas e incenso a queimar, de viver a 110% e de excessos, de segredos guardados e amigos fiéis.
Não gosto de côco, de lulas, de esferovite, desmarcações à última hora, novelas, leite puro, religiosos extremistas ou supersticiosos embrutecidos, tacanhices e mesquinhices, pacotes vazios no frigorífico, meninos/as da mamã, fraquezas de espírito, chicos-espertos, corruptos, anis, pessimistas, desmancha-prazeres, heavy metal, show-off, varandas marquisadas, sítios com muito fumo ou apertados, famílias mokambo, aparências e pessoas calculistas.