segunda-feira, maio 07, 2007

Memórias...

Segundo um artigo que li recentemente a fiabilidade das nossas memórias pode ser muito mais fraca do que aquilo em que gostaríamos de acreditar. Tendo em consideração que muitas vezes agimos de acordo com as experiências passadas e sabendo ainda a nossa percepção em tempo real não é também 100% fiel, pois depende de demasiados factores como estado de espírito, capacidade de observação, estado de alerta, stress, fármacos, capacidades sensoriais, etc, fica um pouco abalada a noção de uma ligação firme à realidade. Ou melhor, a uma só versão de realidade. Mais ainda para quem prefere colorir as partes cinzentas com uma palete de cores imaginárias.

sexta-feira, maio 04, 2007

Flower Party

Também é de ir!


"festa das flores . sexta 11 maio . abertura de portas 00h00 . preço: 15 € – c/ oferta de bebida . dress code: flores"

"Em plena Primavera, e já com um cheirinho a Verão, a Open Up, a Soundz, a Crush e as Produções Banana unem-se mais uma vez, desta feita para vos apresentar a FESTA DAS FLORES!!! Depois do sucesso da festa de Halloween, regressamos ao magnífico PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES do Instituto Superior de Agronomia, situado no coração de um dos maiores e mais belos espaços verdes da cidade de Lisboa - a TAPADA DA AJUDA!!!"

in mailing list das produções banana


Ciclo de cinema fantástico no Quarteto

Os melhores do Fantas!
É de ir! De 4 a 6 de Maio e de 11 a 13 de Maio!

for your laughing pleasure...



Apresentamos o grande, o único, o incomparável:


CHUCK NORRIS!


http://www.thechucknorrisfacts.com/


quinta-feira, maio 03, 2007

Sondagem Independente

Agora que estamos todos esclarecidos sobre a história do diploma de José Sócrates, está na hora de acabar com a sondagem da Gabardina. Para a história ficam os resultados dos 45 votos.

A pergunta era:
Se se provasse que o primeiro-ministro comprou o diploma sem ir a exames (e ele pedisse desculpas pelo facto) poderia continuar no cargo?

E as hipóteses de resposta:
Sim. Todos merecem uma segunda oportunidade.
Não. De maneira nenhuma. O primeiro-ministro não pode ser um vigarista.


Os resultados foram os seguintes:


contextos, falta de cultura, medo de assumir que não se sabe ou desinteresse?

Num artigo recente que me enviaram, um jornal (Washington Post) dedicou-se a uma experiência engraçada: Colocaram um dos melhores violinistas da actualidade, considerado uma estrela pop da música clássica, Joshua Bell, no metro, de t-shirt, jeans e boné a tocar vários temas num Stradivarius de 1713 (3,5 milhões de dólares) três dias depois deste ter dado um concerto onde os bilhetes custavam 100 dólares e que esgotou. A reacção do público que passava apressado foi quase zero, exceptuando umas poucas crianças e alguns adultos que abradaram. Noutra história semelhante na essência que ouvi também há pouco tempo, contaram-me uma troca que fizeram entre aipo e umas plantas daninhas, entregues a alguém que cozinhava e exigia aipo para o que estava a fazer e não deu pela troca, aceitando de bom grado as ervas. A net está cheia de fws de mails contento gravíssimas incorrecções e mitos urbanos que estão lentamente a ser absorvidos como verdadeiros. Um miúdo na televisão dizia que o 25 de Abril foi mau por se terem obrigado crianças a combater como se via nas fotografias.
O primeiro caso choca pelo pouco impacto que algo declaradamente belo teve nas pessoas. A arte verdadeira precisa mesmo do contexto dos museus, críticos, holofotes, revistas e televisão? Aparentemente sim. A segunda choca pela arrogância do conhecimento, desconhecimento e pela negação do desconhecimento. Nem comento os fws sobre canibais chineses com três cabeças do espaço. A quarta é cá do nosso burgo, cheios de minhocas na cabeça por não conseguirmos falar abertamente das coisas, sem extremismos ou histerias.
Outros acontecem diariamente mesmo à nossa frente, onde o valor das coisas é sempre relativo à escala que deixamos que os outros nos imponham ou por olharmos demasiado para dentro do nosso próprio mundinho.
O que falta? Interesse? Tempo? Perspectiva? Cultura? Sinceridade? Atenção? Tudo, provavelmente...

quarta-feira, maio 02, 2007

mudanças, interacções, variações, diversidade e evolução



Apesar de a certa altura já tudo nos parecer mais do mesmo, pelos livros que lês sobre um tema, pelas músicas que ouves sobre algo, pelos filmes que vês sobre o mesmo assunto, pelas experiências que te contam ou que te sucederam, existe sempre algo diferente e novo à espreita, seja uma variação sobre o mesmo tema ou um tema completamente novo (ou o mesmo visto de um ângulo diferente). Confesso que há alturas em que me parece que passamos todos pelas mesmas fases de vida, sofremos com os mesmos problemas, somos apenas mais um no meio de milhões que ouvem a mesma canção, ainda que pareça sempre que foi escrita só para nós. Desvantagens de meios pequenos, uniformidade da educação, exposição às mesmas influências ou apenas percursos que fazem parte do processo de crescimento e evolução pessoal? Ouço problemas pelos quais já passei, assim como os tinha ouvido antes e achava que por eles nunca iria passar. Sacudindo rapidamente noções como destino, inevitabilidade, acaso, sorte e azar deste texto, passava antes para as mudanças, que o tempo, a experiência e o conhecimento que absorvemos por vivência própria ou por interposta pessoa, pelas quais passamos e, como no anúncio manhoso do ice tea, nos transformam em perfeitos estranhos para nós mesmos (quanto mais para os outros). Parar é morrer, ou pelo menos na biologia diz-se que um sistema em equilíbrio é um sistema morto por não ter diferenças motrizes; agora será que a renovação pela qual devemos fatalmente passar para nos adaptarmos às condições que nos rodeiam faz de nós outras pessoas? Algumas coisas não mudam, por estarem mais entranhadas, mas muito do que constitui o eu é certo que fica irremediavelmente alterado por aquilo que fazemos ou vivemos e mais e mais cresceremos e mudaremos quanto maior for a nossa capacidade para lidar com a diversidade. Será isto doença própria de quem vive no Caos ou a Ordem também muda? Por definição seria de acreditar numa maior rigidez da Ordem, mas também não deve ser imune à mudança, assim como até o Caos pode ter uma teoria subjacente que o reja.

Vonnegut

Kurt Vonnegut morreu a 11 de Abril deste ano. Descobri isso na semana passada.
Quando li que tinha morrido lembrei-me do livro que li há uns 16 ou 17 anos atrás: o Barba-Azul. Sei que foi aí que começou a mudar o que penso sobre arte, os preços da arte e a distinção hobby/profissão.
Fui à procura do livro. O parágrafo decisivo está numa nota do autor prévia ao romance:

Deixem-me dizer-lhes também que muito do que coloco no livro foi inspirado pelos preços absurdos pagos por obras de arte neste último século. Tremendas concentrações de riqueza em papel-moeda permitiram que algumas pessoas ou instituições dedicassem a certos tipos de brincadeiras humanas uma inadequada e aflitiva seriedade. Refiro-me não apenas aos borrões artísticos, mas também aos jogos infantis - correr, pular, agarrar, atirar.
Ou dançar.
Ou cantar.

terça-feira, maio 01, 2007

indeterminação e complementaridade

http://www.dhnet.org.br/
direitos/
militantes/
freibetto/
betto_indeterm.html

agora é só montar o endereço pela ordem em que está disposto em linhas...
um problema qualquer impede-me de postar o link de forma convencional.
talvez assim?

link

na terra dos sonhos

31x364+((31/4)*1)+1 (mais ou menos)

Sabendo que me torno transparente mas sem querer que me tomem por translúcido, gostava de agradecer a preocupação mas dispensar o excesso de atenção. Uma vez chamaram-me a atenção para esse problema e vejo agora o grau de gravidade que pode tomar. Mais ainda gostava que os meus doutos leitores não me tomassem assim por tão fácil de ler. Gostava de acrescentar mais e mais coisas, sobre assuntos importantes que me corroem por dentro ou que me aquecem como se uma estrela carregasse em mim, mas vejo que devo tomar algum cuidado para não ser mal interpretado por quem por tão bem julga tomar-me como algo que de verdade não sou.
Não posso, no entanto, deixar passar uma ocasião como esta sem deixar aqui algo que ficou por dizer quando a garganta se turvou com tamanha reunião de amigos (que só posso tomar por sinceros e que se por sinceridade não agem, confio que por de igual montante de razão se tomam, para que tal motivo seja suficiente para traição de nobre princípio). Agradeço muito do fundo do que sou terem estado, nos vários graus e delongas, o que e como estiveram junto de mim hoje! Obrigado porque realmente gosto muito de todos vocês (entre os que estiveram e os que queriam ter estado)! Menos seria ser muito mal agradecido; muito mais seria lamechas. Se fiz o que fiz, só o fiz porque sou o que faço! Para quem não sabe o que por esta altura já devia saber, sem duvidar, espero um dia poder demonstrá-lo... BEIJOS&ABRAÇOS!

segunda-feira, abril 30, 2007

Fim-de-semana desportivo

Os Chicago Bulls fizeram história na NBA ao eliminarem por 4-0 os campeões em título na primeira ronda do play-off.

Por cá o fim-de-semana foi calmo e sem nada de relevante a assinalar...

Fighting 31


domingo, abril 29, 2007

Pata pata - e fosse tudo assim tão simples e verdadeiro

Ariups... e voltamos à sela!

enquanto o sono não chega....

e os pesadelos do costume não me vêm assustar outra vez... outra e outra vez... sempre os mesmos... sempre da mesma maneira... já nada faz sentido como já fez... será que não vai voltar a fazer? a solidão de ser aquilo que já fui assola-me... ondas e ondas de negritude onde me vou outra vez afogar... há uma vertigem que me arrasta para o fundo daquele poço onde já estive e já não sei se volto à tona... amanhã acordo com a sensação de arrependimento do que deixei por fazer e aquilo que repito para mim é só mais uma série de frases estafadas... mas vai ter de servir como motivação ou recheio para o perú de supermercado que compro num ready made de futilidade que me preencherá uma vez mais... seja...

now the drugs don't work...



nunca isto fez tanto sentido como agora...

sábado, abril 28, 2007

demasiado sol na cabeça...

Desculpem a série de filmes mas claramente apanhei sol demais na cabeça e regredi, aparvalhei, insaneci, enlouqueci... it's been known to happen from time to time.

E poupei-vos aos outros milhares de videos parvos só com os marretas... Animal and Moreno, marretas matrix, marretas e REM, pigs in space, Miss Piggy, Beaker, Swedish Chef... a lista é infindável; é só mergulhar no youtube...

fraggles rock

Manamana

Era uma vez o espaço...

Les Mystérieuses Cités d'Or

Voto de riqueza

No DN leio a reportagem "Um dia no Vaticano com o cardeal Saraiva Martins". O cardeal que desempenha essa nobre tarefa de decidir "quem é santo" mora num "enorme apartamento privado" com vista para a Praça de São Pedro, capela particular e antena parabólica para ver a RTP Internacional. No seu apartamento vivem três freiras "que se ocupam da sua vida" (os muçulmanos compreenderão isto melhor do que eu?). A irmã Terezinha faz a comidinha portuguesa que o cardeal come a todas as refeições. "Está sempre vestida de branco, com um avental igualmente branco imaculado". O cardeal desloca-se num carro com motorista e tem um secretário particular. Tem um serviço de pratos com as suas '"armas" de cardeal' e é adepto da Lazio, a equipa dos fascistas de Roma.

Vamos dar mais dinheiro à Igreja Católica. Para ajudar os pobres, os que mais precisam, os que passam fome.

sexta-feira, abril 27, 2007

Eu...

Gosto de confiar e não me desiludir, de poder contar com as pessoas, de lealdades, de amizades verdadeiras e incondicionais, de sacrifícios pelos outros, da empatia entre duas pessoas, de cumplicidades, de pessoas que se interessam, que se lembram, que se esforçam, que se preocupam, que perdem uns segundinhos por coisas que realmente importam, que param para ajudar alguém desinteressadamente..

Não gosto que não me respondam quando pergunto alguma coisa - há mensagens, mails, correio, telefones, telemóveis, messenger, pombos-correio, sinais de fumo, tambores, estafetas, etc... Não considero que não dizer nada corresponda a um não, porque do mesmo modo pode ser um sim, um não vi a pergunta, um quero lá saber disto, um esqueci-me, um deixei passar o prazo sem querer... É só carregar no reply e escrever "Não". Até pode ser sem til ou sem maiúscula. É melhor que nada. Irritam-me o silêncio absoluto e a indiferença...

Gosto de miúdas espigadotas com piada, de conversas diferentes, de mudanças de ritmo que provocam nós no cérebro, de engates entre estranhos, de conhecer mais e mais pessoas, de acasos e destinos, do que estava escrito que tinha de acontecer por mais estranho que pareça, do que parecia impossível há uns tempos atrás e de ver pessoas felizes a aproveitarem a vida.

Não gosto de fuçangas, nervoseiras, choraminguices e choradeiras. Na estrada, nas filas, nas festas, à mesa, à conversa, ao telefone... Sosseguem, acalmem-se, relaxem... O stress mata e chateia-me.

Gosto que perguntem directamente aquilo que querem saber, que digam aquilo que querem dizer, que assumam o que querem e que façam o que lhes apetece fazer sem ligar a mais nada. Gosto de mudar, de escrever o que quero, de fazer o que quero, de ser compreendido ou muito mal entendido, de perder a cabeça e saltar de olhos fechados, do caos e do pandemónio.

Não gosto de indirectas, de jogos interesseiros sem interesse, de meias palavras para bons entendedores, de quem espera que adivinhem aquilo que era suposto fazer sem darem nunca um sinal do que seria, de recriminações por tudo e por nada, de berros e de quem fala alto só para ter a razão do volume, de mentiras, traições, cínicos, azedos, sonsas e panhanhas.

Gosto de praia, sol, conduzir à chuva, de noite e em estradas sinuosas, morangos, desportos colectivos e de jogar para ganhar, convívio, copos, festas, música, conversa, relaxar na praia, livros, vinho e tapas, lareiras e cacau quente, puffs, jogos, coisas novas e diferentes, filmes de terror e outros, de desafios, chocolate, de piadas parvas, pratical jokes e non-sense, de surpresas, fotografias, de arriscar, de prendas pensadas, de gestos únicos e carinhosos, aguardente velha, de cães, de promessas cumpridas, velas acesas e incenso a queimar, de viver a 110% e de excessos, de segredos guardados e amigos fiéis.

Não gosto de côco, de lulas, de esferovite, desmarcações à última hora, novelas, leite puro, religiosos extremistas ou supersticiosos embrutecidos, tacanhices e mesquinhices, pacotes vazios no frigorífico, meninos/as da mamã, fraquezas de espírito, chicos-espertos, corruptos, anis, pessimistas, desmancha-prazeres, heavy metal, show-off, varandas marquisadas, sítios com muito fumo ou apertados, famílias mokambo, aparências e pessoas calculistas.

Classe


Roubada ao Piolho.

quinta-feira, abril 26, 2007

Igreja Católica elimina o limbo para crianças que morrem por baptizar

O momento em que o porteiro abre uma excepção para deixar entrar um tipo sapatilhas - mesmo que sejam umas Puma de 100€ - marca o princípio do fim do estabelecimento com classe.

25 de Abril

No discurso de 25 de Abril do Presidente da República estava quase tudo o que o país precisa fazer para ser um país decente.
Não admira que os partidos políticos o tenham criticado.

terça-feira, abril 24, 2007

Numa dimensão paralela II

De regresso do almoço o rádio continuava na sua toada tranquila. O mesmo já não se podia dizer dos telefones, do computador, do trabalho em geral que corria furioso sem dar sinais de acalmia. Afigurava-se uma tarde complicada pela frente. Como há coisas que não podem ser adiadas avançou decidido e qual ceifeira debulhadora deu cabo de todas as tarefas que lhe apareceram pela frente, resolvendo as que podia e diligentemente alimentando o triturador de papel, o seu fiel ajudante para o que não tinha modo de tratar (a decisão mais racional para certas coisas, tendo o cuidado de aproveitar o papel para reciclagem, claro!). Felizmente era véspera de feriado, o que lhe dava sempre um ânimo extra para enfrentar tudo com um sorriso nos lábios, sabendo de antemão que a diversão estava ao virar da esquina. Com o aproximar do final do dia, e podendo finalmente vislumbrar a luz ao fundo do túnel que as pilhas de papel formavam à sua volta, estava na altura para ver quais seriam os planos para essa noite. Esse pensamento bastou para que o Calvin dentro dele subitamente tomasse conta da situação! Era chegada a hora do pandemónio completo! Segundo as sempre acertadas previsões de Madame Zandinga a noite prometia. Primeiro urgia reunir a turma do balão mágico: A Mónica e o Cebolinha, a Abelha Maia, o Capuchinho Vermelho, o Tom Sawyer e o Huckleberry Flin, Fred e Wilma Flinstone, o Monstro das Bolachas, o Cocas e a Miss Piggy, o Gonzo e o Fonzy Bear, o Asterix, o Obelix e a bela Falbala, o Bafo de Onça, o Tico e o Teco, a Mafaldinha, o Filipinho, o Manuel e a Susaninha, a Madame Min e a Maga Patológica, o Peter Pan e a Sininho, o Gollum, a Ellen Ripley, o Indiana Jones, o James Bond, Norman Bates, Vito Corleone, Robin Hood, Hannibal Lecter, o ET e o Freddy Kruger. Depois o roteiro das festas, importantíssimo, tendo ficado decidido passar pelo Mundo dos Fragles, na Àrvore dos Patafúrdios, na Aldeia dos Estrumpfes, na Terra do Nunca e nas Misteriosas Cidades do Ouro. A loucura e a imaginação cedo começaram a substituir a pálida realidade, contra as quais, aliás, nunca teve qualquer hipótese, sendo que a transição entre estes mundos era apenas possível para aqueles seres possuidores de uma centelha de magia dentro de si. Para trás ficavam os pragmáticos, os pessimistas, os cínicos, os cinzentos, os banais, abandonados à sorte de quem vive ancorado à terra e que nunca disfrutam de voos mais altos por medo ou inépcia de tentar algo mais. Assegurada a passagem, reunidos os membros da irmandade, tudo ganhava novo significado, invisível e incompreensível para os restantes que abanavam a cabeça, resmungando censuras entredentes, incrédulos com o que presenciavam nestas situações ou furiosos por terem sido deixados de fora. Sem lugar para considerações ou inibições, imperava a necessidade de experimentar livremente tudo o que apetecia no momento. E a noite da celebração, do riso solto e fácil, das facas longas na bainha da liga, das saias curtas, dos bigodes farfalhudos, de copos ao alto, de lua cheia e estrelas no céu, quente, forte, intensa, carregada de bons presságios e augúrios estava a chegar...
(continua)

FUKITOL!!


Um dia chato? O chefe não larga? A/O namorada/o está com a telha? A família "encheu o saco" até rebentar? A conta bancária está a negativos? Ninguém te liga?

FUKITOL!!! Toma um, esquece isso tudo e anda daí divertir-te! Amanhã é feriado!

Moda Japão 2007


Jeans-biquini. Parece-me bem.

PoP!

segunda-feira, abril 23, 2007

APAV-FU - o spot promocional


Cada família (piu piu, o pintaínho faz piu piu)... cada família tinha um filho , um filho unicamente, a quem era confiado o comando da situação. Assim sendo tornava-se impossível comunicar por telefone, porque nas casas os aparelhos eram imediatamente interceptados pelos meninos, que durante horas...

Nanni Moretti, Caro Diario

Agora que os Gato Fedorento já gozaram já não é tão feio...

Se os alunos americanos fossem como José Sócrates os massacres em escolas seriam impossíveis por falta de comparência das vítimas.

domingo, abril 22, 2007

"It’s not really a knockout if you see the punch coming."

in the Boxing Scene from The LoveBirds. Em rodagem.

quinta-feira, abril 19, 2007

[Cuéntame] si has conocido la felicidad

Já lá vão três anos. Eu estava de férias em Madrid e a única condição era voltar para casa cedo para ver o Cuéntame e o Aqui no hay quien viva. No domingo estreia o Conta-me como foi que provavelmente não será muito melhor que o Aqui não há quem viva (minus Soraia Chaves)... Mas haverá sempre um quiosque numa qualquer cidade espanhola para perguntar se quedan d-uve-ds do original.
E a música continua tão bonita como dantes...





Cuéntame como te ha ido
en tu viajar por ese mundo de amor,
volverás dije aquel día,
nada tenía y te fuiste de mi.

Háblame de lo que has encontrado
en tu largo caminar

Cuéntame como te ha ido
si has conocido la felicidad
cuéntame como te ha ido
si has conocido la felicidad

Cómo estás sin un amigo
te has convencido que yo tenía razón.
Es igual, vente conmigo aún sigue vivo
tu amor en mi corazón

Háblame de los que has encontrado
en tu largo caminar

Cuéntame como te ha ido
si has conocido la felicidad
cuéntame como te ha ido
si has conocido la felicidad

Te soñaba, sin cesar
y hacerte, ya lo ves
y una voz, en mi ser
repetía, en un nuevo día
volverá, en un nuevo día
volverá, en un nuevo día
volverá, volverá.

Cuéntame como te ha ido
si has conocido la felicidad
cuéntame como te ha ido
si has conocido la felicidad…

O que és?

Existem imensos testes na internet, uns melhores, outros piores, uns com piada e outros mais sérios. As bases científicas ou estatísticas que estão por trás deles não as conheço e nem posso falar sobre a sua validade ou precisão. Valem o que valem e aceitemo-los como são. As conclusões sobre o resultado ficam para cada um tirar e rir um pouco!

Aqui ficam alguns links e os resultados que obtive:
www.thesuperheroquiz.com/
you are SpiderMan 85%

http://www.thesuperheroquiz.com/villain/
you are Dr. Doom 75%

http://similarminds.com/
Non serious Personality Test:
Classic Movie: Salteadores da Arca Perdida
Famouos Leader: JFK

Advanced Global Personality Test (126 questions):

TRAIT SNAPSHOT RESULTS: messy, disorganized, social, tough, outgoing, rarely worries, self revealing, open, risk taker, likes the unknown, likes large parties, makes friends easily, likes to stand out, likes to make fun of people, reckless, optimistic, positive, strong, does not like to be alone, ambivalent about chaos, abstract, impractical, not good at saving money, fearless, trusting, thrill seeker, not rule conscious, enjoys leadership, strange, loves food, abstract, rarely irritated, anti-authority, attracted to the counter culture.

Avancem, testem-se, partilhem! ;)

Se eu pudesse voltar atrás...

Dizem que arrependimento pode matar e que não vale a pena pensar no passado porque o que passou já não volta e nada podemos fazer sobre isso. Enfim, só porque Einstein postulou que era impossível não temos todos de acreditar nisso. O senhor até era esperto e tal mas não era engenheiro e pode-se ter enganado numa casa decimal. Seja como for, até alguém tirar isso a limpo, para bem da nossa saúde mental não é grande ideia andar sempre a matutar no que poderíamos ter feito de um modo diferente. Não o fizémos, não quisémos, não pudémos ou não conseguímos. E como tantos e tantos filmes e livros disseram e mostraram qualquer alteração atirar-nos-ia provavelmente para uma realidade alternativa em que tudo poderia ser radicalmente diferente, graças a uma cascata imprevisível de acontecimentos inter-relacionados, para pior ou para melhor. Ou talvez não, e está tudo predefinido. Mesmo com tudo isto presente não consigo deixar de pensar que, sem querer cair num arrependimento estúpido ou de descontentamento com o que tenho e sou agora, sei que faria imensas coisas de um modo diferente. Não para me ter poupado a sofrimentos ou para procurar algo que não tenho agora (isso faz parte do processo) mas para não desperdiçar algumas oportunidades que passaram em detrimento de outras coisas que tiveram o seu peso e importância mas que, aprendida a lição, não valeriam a pena voltar a viver (algumas nem uma vez quanto mais duas) pois o conhecimento e a experiência já estariam incorporados e assim teria mais tempo para outras coisas que não vivi ou conheci. O clássico "se eu soubesse ontem o que sei hoje..." Claro que certas coisas teriam sempre de acontecer, vez após vez, pelo que representaram, pelo que fizeram pela (de)formação do que sou, pelo papel (higiénico ou não) que desempenharam e pelo que quero que continuem a ser no momento presente. Já outras claramente não valeram todos aqueles grãos de areia da ampulheta (e, no entanto, provavelmente umas não existiriam sem as outras). Enfim, faz tudo parte da vidinha parece-me, por isso deixa-me cá aproveitar bem a minha enquanto posso porque há muita coisa para viver e o meu rádio não toca sempre a mesma música de manhã!

quarta-feira, abril 18, 2007

In memoriam

Alguém viu esta alminha? Rumores situavam-no no Burundi no que dizia ser uma peregrinação introspectiva em busca do plano perfeito.
A sua falta está a ser imensamente sentida entre aqueles que seguem a sua vida, registo clínicos, cadastro e carreira.
Dão-se alvíssaras a quem fornecer informações sobre o seu paradeiro ou que conduzam à sua captura, de preferência vivo e minimamente coerente.

coisas para fazer com o euromilhões que mais uma vez não ganhei...

Mais uns euros deitados fora (ou melhor, oferecidos à Santa Casa para que esta possa continuar a sua santa obra ou coisa que o valha) em mais uma semana de frustração por não ter ganho nada... Pelo menos tenho sempre a satisfação daqueles 15 minutos em que sonho acordado com o que faria com a pipa de massa que um dia eu sei que vou ganhar naquele jogo imbecil. E mais uns projectos se adicionaram à já longa lista de coisas para fazer:

- carregar um cessna com um metro cúbico do mais fresco e mal-cheiroso estrume para depois o deixar cair em cima de quem não gosto, qual cagadela de pombo à escala cósmica;
- proporcionar momentos de verdadeira e saudável paranóia fazendo seguir os meus amigos por personagens dos seus filmes favoritos, que soubessem o nome deles e os incorporassem nos guiões dos filmes a que pertencem;
- mandar entregar cabeças de cavalo ao Valentim Loureiro, Pinto da Costa, Fátima Felgueiras e companhia só para saberem como é o outro lado da máfia;
- estacionar um elefante em cima do carro daquela besta que põe sempre o carro no meu lugar;
- raptar pessoas escolhidas a dedo e enviá-las para 1 semana de férias em locais paradisíacos contra a sua vontade, onde tudo estaria preparado para os receber;
- despedir-me em grande estilo do emprego durante um mês de loucura completa em que nada ficaria por fazer ou dizer, incluindo mandar vir 4 strippers a cantar Ágata para o chefe durante a reunião da manhã e ligar uma botija de gás nitroso ao HVAC;
- mandar colocar batatas nos tubos de escape de todos os carros de Lisboa na segunda feira de manhã para poder andar à vontade sem trânsito;
- alugar carrinhas da family frost para levar ao pandemónio todas as escolas do país com gelados de borla;

ahh, a lista cresce e temos mais um sorteio na próxima 6a feira...

terça-feira, abril 17, 2007

Personagens Caricatas III

E mais um, este não sei bem quem seja mas de qualquer modo merece figurar entre os outros já seleccionados. Resta acrescentar que o cliente é o da farda de cozinheiro ao contrário do que poderia parecer...

Personagens Caricatas II

Já não me lembro bem como se chamava esta série de fotos de personagens reais que se encontram por aí... De qualquer maneira gostava de vos apresentar o António Variações que encontrei no metro outro dia a ler um manual de psiquiatria. Dado o ar totalmente abilolado do rapaz parece-me que ele tem mesmo muito que ler...

300!

Hoje sinto-me Espartano!

HAAAAAAAUUUUUUMMMMMM!!

E havia tantas coisas que se resolviam bem com uma lança, uma espada e um escudo...

E um ou outro discurso empolgante sobre a honra, a glória, a vitória, a morte e essas coisas...

E um belíssimo grafismo à lá Frank Miller...

E, vá, umas cenas lamechas que fazem o estilo épico perder o ritmo e que podiam ter sido feitas de outra maneira...

De qualquer maneira, HAAAAUUUUUUMMMMM!!!

Falhar II

Não ser capaz de escrever uma canção assim.


Falhar I

Não jogar futebol como o Van Basten. (Roubado aqui.)


segunda-feira, abril 16, 2007

APAV FU

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima do Filho Único (APAV FU) é uma entidade sem fins lucrativos fundada no passado sábado, em Coimbra, entre um bacalhau à casa e um arroz doce com canela.
Os fundadores, cansados de verem os FU recalcarem as suas ideias, nunca as publicando no seu blog (para não dividirem os holofotes que os papás sempre lhes apontaram), decidiram unir-se em associação pública para que outras vítimas não tenham que passar pelo mesmo ou para que se sintam acompanhadas nestes momentos de dor.




Design de Mrs. French Guard, sócia n.º1 da APAV FU
Todos os direitos reservados



Se divides a tua vida com um FU, se também tu és uma vítima, junta-te a nós!
Não guardes dentro de ti todo esse sofrimento!

O sócio n.º 2 da APAV FU

domingo, abril 15, 2007

plácidos domingos...

Sol, Lisboa, tapas, vinho gelado, amigos, conversas, rio, livros, jardim, música, gelados, relax, champagne, relva, pastéis de belém...

e a vida sorri!

































sábado, abril 14, 2007

Um bongo....



Dedicado a Heidi, Abelha Maia, Capuchinho Vermelho e Alice.

sexta-feira, abril 13, 2007

Só para viciados

Quem passava horas no jogo de livres do site do Roberto Baggio? Cá está ele, em écran inteiro, com a única desvantagem de não ter os comentários ridículos do próprio Codino após cada pontapé!
Have fun!

Cada vez regozijamos mais!

O primeiro-ministro, José Sócrates, estudou Direito na Universidade Lusíada, em Lisboa, entre 1987 e 1993, ainda que não tenha concluído nenhuma cadeira do primeiro ano, revelou a TVI.

Deve ser da sexta feira 13...

Apetece-me algo. Nem sei bem o que é. Sei o que não é, sei que não é mais disto, o mesmo dia-a-dia. Apetece-me fazer asneiras, encarnar a sexta-feira 13. Apetece-me chatear, melgar, importunar. Apetece-me pregar um susto a quem passa distraído, ladrar a um cão, sair pela janela e carregar naquele botão que diz para não carregar lá. Apetece-me fazer perguntas parvas e sem sentido; dar respostas ao que não foi perguntado. Quero o caos, o imprevisto e o non-sense. Queria mesmo que um elefante verde a fumar cachimbo me perguntasse se gosto do sabor dos dias de inverno. Quero o surreal, o inédito e o inaudito. Gostava de atravessar o espelho, de cair num buraco e passar para outro lugar. Gostava de usar um cajado e uma túnica com runas e falar sobre o final dos tempos em aramaico de forma muito convincente e logo a seguir desmentir tudo e comprar as acções mais baratas. Gostava de improvavelmente subir para baixo, descer para cima e ver os cacos erguerem-se num copo. Suspeito que existem mais coisas à nossa volta do que nos é dado saber e preferia acreditar que não é só paranóia. Sei que há uma maneira de abrir a passagem secreta no armário e de tirar a espada do bloco de pedra. Acho que ando a jogar playstation demais e nem tenho cá a consola...

Wiki to Blogs and Bloggers

http://blogging.wikia.com/wiki/Blogging_Wikia

Guia de Conduta para blogs e bloggers em elaboração.

quinta-feira, abril 12, 2007

Insultos...

A nobre e mui antiga arte do insulto, refinado ou em bruto, tem, nos últimos anos, andado realmente em baixo com a proliferação de termos banais e sem imaginação nenhuma. Posso dizê-lo pois vim de um local onde nos bons tempos teria ouvido uma bela e ampla gama dos mais variados e imaginativos impropérios mas que hoje ficou bastante aquém do esperado - um estádio de futebol. Urge reanimar esta área do conhecimento, pois, agora mais do que nunca, existe uma enorme necessidade de injuriar e insultar uma variedade de pessoas que de facto o merecem e, se tivermos em conta o que fizeram para o merecer, merecem muito mais do que palavras gastas pela repetição e uso abusivo que extravasa já o âmbito do puro linguajar verrinoso e ofensivo. Muito se tem estudado sobre esta milenar disciplina da linguagem que se julga ter nascido logo após a invenção dos primeiros vocábulos, existindo mesmo uma corrente de opinião de alguns peritos que perfilham que o primeiro vocábulo terá certamente sido um palavrão dada a grande utilidade que se teoriza ter tido na alvorada da civilização mostrar desagrado a um colega hominídeo por este lhe ter acabado de acidentalmente lascado uma apara de sílex para a vista ou pelo osso que tinha atirado ao ar ao som de "Also Sprach Zarathustra", perto do obelisco negro, lhe ter inadvertidamente pousado suavemente no crânio. Assim, e escalpelizando (isto não é uma piada sobre o crânio do atrás mencionado hominídeo) um pouco o tema, temos então 2 grandes tipos de insultos: os mono vocabulares e os compostos. Dentro dos primeiros podemos incluir os formados por fusão entre palavras (excepto hifenizadas que se incluem nos compostos) e dentro dos segundos temos os formados por mais que uma palavra com especial destaque para os chorrilhos, ou seja o encadear de um número apreciável de asneiras e/ou insultos. Para além destes dois grupos existe ainda uma classe especial, as frases insultuosas que curiosamente nem sempre incluem palavras que por si só constituam uma ofensa.

Fica desde já aqui aberto o fórum de comentários para que livremente (anonimamente se assim o entenderem) possam expressar o vosso desagrado sobre seja o que for e nos termos que mais vos aprouverem, salientando de novo a necessidade de serem criativos nas palavras e conceitos empregues. Resta acrescentar, por motivos óbvios, que é de todo desnecessário identificar o alvo dos vossos insultos excepto se for absolutamente vital para a compreensão do que escreverem. Pensem em coisas enervantes, pensem em coisas irritantes, pensem em pessoas que vos tiram do sério, pensem nas piores situações em que já estiveram, pensem no governo, no trânsito, nos impostos, no amigo da onça, naquele vizinho niquento, no polícia que vos multou, na pessoa que vos enganou, naquele superior irritante ou o subordinado insolente, no pior corolário da Lei de Murphy, no senhor do apito... Inspirem-se! Avancem! Desabafem!

Vida que vai na sela dessas dores

Para tudo parece haver um processo de aprendizagem. Os primeiros dois anos de textos no blog, bem espremidos, são uma espécie de agenda fundida com diário. Leio os posts e lembro-me dos dias, das alegrias, das tristezas, dos encantos e dos desesperos.
Depois tudo muda. Não é pudor, é juízo. E é quando chega o juízo que vão embora a loucura e a beleza. É sempre que chega o juízo que se vão as coisas de que mais gostamos. O juízo é estúpido. O juízo é irracional. O juízo não é natural. O juízo não é normal.

quarta-feira, abril 11, 2007

Suicídio!

Eu nem queria mas com a actual superpopulação do mundo algo tem de ser feito e há claramente para aí gente a mais... Assim, com a melhor intenção possível, aqui ficam 10 boas razões para caíres de uma ponte (uma das altas e isso rápido para não perturbar o trânsito!!):
1 – Dívidas excessivas
2 – Desgostos de amor
3 – Família disfuncional
4 – Desemprego ou desaires do estudo
5 – Derrotas em geral, do clube, do partido, da guerra com o condomínio, do negócio...
6 – Alcoolismo e/ou outros vícios
7 – Doenças graves
8 – Solidão
9 – Empurrarem-te
10 – Escorregares

Pensa bem nisto tudo; vê lá se a vida vale mesmo a pena viver, porque tristezas não pagam dívidas (ver primeiro ponto) e isto é realmente um mundo de merda, as pessoas são horríveis, mentem, enganam, matam, o amor perdido ou não correspondido é a pior coisa que há, a traição, a angústia sabe-se lá de quê (os outros pontos todos)... É que para andar por aí aos caídos, a ver a banda passar também não vale a pena, não é? Esqueçam lá isso de as coisas poderem melhorar, dar a volta por cima, esqueçam família e amigos, esqueçam os bons momentos passados e os que ainda podem vir a viver, esqueçam o bem que sabe estar alegre, feliz e contente. Afinal de contas ninguém quer mesmo saber; desde que não se atirem para a frente do carro deles ou do comboio e a malta chegue atrasada a algum lugar... Vá, vamos lá seguir a inspiração desse portento de inteligência que é o João Pinto (jogador de futebol do FCP) e dar o passo em frente na beira do precipício!

Bom, como não quero que me acusem de estar aqui de só dar um lado da questão e como acho que, como chamada de atenção, matarem-se deixa muito a desejar em termos de eficácia, inteligência e avaliação risco/benefício deixo aqui um artigo muito útil: http://www.pointlesswasteoftime.com/suicide.html que explica uma série de coisas sobre o assunto para o caso de quererem mesmo tentar comprar um bilhete para esta viagem sem volta. (E não se esqueçam de me deixar o carro, a casa e a coleção de cd's, transferirem tudo para a minha conta bancária e darem uma vista de olhos à minha lista de 1001 pessoas para matar antes de morrer!)

terça-feira, abril 10, 2007

Das religiões

Há dois mil anos a Alexandra Solnado teria sido profeta.

Gozo e regozo

Eu regozijo
Tu regozijas
Ele regozija
Nós regozijamos
Vós regozijais
Eles regozijam

Todos regozijamos com o percurso académico de José Sócrates.

segunda-feira, abril 09, 2007

existências insignificantes

Is that all that is? Nasce, cresce, amadurece, ganha, ama, mata, cria, perde, pensa, mirra, morre. De sol a sol, sem nada para fazer senão o que tiver de ser, sem mais o que fazer senão passar pelo mesmo que tantos outros, iguais a milhões, sem mais do que repetir o que outros já leram, ouviram, viveram e souberam. E se for só experimentar para descobrir que é tudo igual para nós como foi para outros, que nada muda, escravos das estatísticas e da psicologia de massas que nos empurra os carrinhos de compras para o alinhamento dos enlatados, ao som da música que nos faz gastar mais? Fazes parte dos 25% com isto, dos 25% sem aquilo ou dos 50% que não sabe ou não responde (ainda pensei em falhar os 100% e fazer uma piadola sobre a soma das partes e o todo mas depois mudei de ideias)? Ou vives atrás de uma barreira impermeável que mantém tudo asséptico e arrumadinho nas suas pastas de ficheiros multimédia (ou mais arcaico, no diário e no armário) a ler o que podia ser vivido e a escrever aquilo que querias ter feito...

O que é que faz a diferença para ti? Para mim, hoje, confesso que não sei... A guerra? A fome? As doenças? As drogas? A eutanásia? A felicidade? A paz na terra? O amor? Talvez a sopinha de legumes que comi ao almoço. Estava bem boa e não me levantou nenhum problema existencial profundo! Estava perfeitamente amoral, apolítica, atéia, neutra, despida de preconceitos ou polémicas e tenho quase a certeza que não tinha grandes convicções sobre coisa nenhuma, como, aliás, tantas outras sopas... vá, faltava-lhe um pouco de sal.

Insignificâncias existenciais

Existem momentos nas vidas de todos nós em que somos confrontados com escolhas. Aliás, todos os momentos são escolhas. Em cada instante abrem-se milhões de cenários possíveis para percorrer e existem decerto consequências bem diferentes para cada uma delas (ou talvez não, para quem acredita na predestinação das grandes coisas). Assim, confrontamo-nos com escolhas que vão do banal ao vital, das aparentemente inócuas mas que se revelam, numa cascata amplificadora, inacreditavelmente essenciais para o desenrolar da nossa vida e da vida de outros ou das aparentemente importantes mas que, por erro de avaliação ou inevitabilidade, se revelam afinal completamente irrelevantes para o resultado final.

Acrescente-se a isto 7 factores que, grosso modo, tomamos em consideração para ponderar o que fazer nas diversas situações: influências de outras opiniões, tempo para pensar a decisão, constrangimentos circunstanciais, experiências passadas relevantes, informação disponível, instinto e o acaso.

Assim, saibam que existe a possibilidade de na próxima vez que escolherem queijo fresco ao almoço poderem apanhar uma pequena intoxicação, que vos levará à casa de banho a meio da noite com febre, tropeçarão nos chinelos deixados no meio do quarto, baterão com a cabeça na esquina da cadeira, rachando a cabeça o que vos obrigará a uma ida ao hospital, a caminho do qual terão uma avaria na altura errada pois estavam a passar 2 delinquentes que vos assaltam e deixam sem nada; a pé seguem então até ao dito hospital onde ficam três horas à espera com dores e diarreias, finalmente são atendidos por um tipo mal disposto que vos faz milhares de perguntas parvas para as quais não há resposta possível àquela hora da manhã, saem de lá com a cabeça enfaixada, cambaleando sozinhos em direcção a casa. São 5,23 da manhã, um carro passa por uma poça de lama, encharca-vos, e quando caem vencidos pelo cansaço e pelo ocorridos na últimas horas, amaldiçoando o queijo estragado que provocou toda esta cadeia insana de acontecimentos, reparam num bilhete do euromilhões no chão com os números do jackpot dessa 6ª feira, confirmam que é verdade num jornal que por ali jazia, descobrem também que no dia seguinte fará bom tempo, a gasolina baixou de preço, a guerra no Iraque acabou, descobriram a cura para o cancro, foi preso um político corrupto em Portugal, e rumam a casa tão bem dispostos, que, quando passam por uma rapariga lá do bairro, por sinal lindíssima, simpática, inteligente, e que nunca tinham tido a coragem de abordar, ela, inspirada por ver alguém em tão clara situação de desgraça (sujo, cabeça partida, olheiras, roupa rasgada,...) mas tão feliz, resolve vencer a inércia e a vergonha que a tinham anteriormente impedido de confessar uma certa atracção e aborda-vos no que será o início de uma bela relação.

Bom, depois disto e resolvidas com facilidade as questões que me tenho vindo a colocar sobre o meu emprego, casa, carro, família, amigos, relações amorosas, finanças, religião, política e sentido da vida, estou na dúvida sobre o que verdadeiramente interessa e que pode determinar todo o resto do meu curso de vida: o que vou escolher para o almoço? Bacalhau com natas ou massa com espinafres, bacon e... queijo fresco!?

sexta-feira, abril 06, 2007

A Independente não arranja um diploma para a Neidi?

De acordo com a SIC o super-Professor que fez cinco exames a José Sócrates é o mesmo homem que contratou a célebre Neidi para o Ministério da Justiça. Tinha sido contratado para o governo de Sócrates. Curiosamente, também já tinha sido contratado pelo anterior governo em que Sócrates foi ministro.
Também curioso é o facto de o novo Reitor da Independente vir da CGD, onde trabalhava na Direcção de Armando Vara, esse homem cuja seriedade está acima de qualquer suspeita.
Ainda curioso é o facto de o mesmo Vara, que também fazia parte do primeiro governo de Guterres (do qual saiu devido ao famoso escândalo ligado a uma Fundação para a Prevenção Rodoviária), ter terminado a licenciatura pouco tempo antes de ser nomeado para a CGD, por Sócrates, numa tal de Universidade Independente...

O tempo...


http://www.worldtimeserver.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Time
Tudo em nós está orientado em função do tempo, ainda mais nos dias que correm em que tudo passa a voar e até mesmo os dias correm, já não se arrastam como antigamente. A vida acelera para velocidades impressionantes em que tudo é medido pelo tempo que se pode perder conforme aquilo que se pode receber em troca. Isto perverte toda a nossa maneira de encarar a vida e acrescenta esse sub-produto terrível, o stress, que nos corrói por dentro se perdermos o controlo e formos por ele governados. O tempo, conforme o artificialmente definimos, passa, na nossa realidade, sempre ao mesmo ritmo, implacável e imparável na sua marcha. Ao mesmo tempo, retirando mais ou menos de cada segundo, minuto, hora, dia, mês, ano, podemos alterar este passo ao nosso gosto, fazendo de cada momento algo único, como verdadeiramente é, saboreado na sua plenitude ou então, gastadores insensatos, deixar passar tudo e ver a areia escorrer descontroladamente na ampulheta. Cada um saberá melhor ou pior ver o que lhe convém, sabendo, pois, que fomos construídos para operar numa sequência de causalidade linear, e, por isso, ele não volta para trás e não pára; quando muito abranda em determinados momentos chave, bons ou maus, por exclusiva obra da nossa percepção consciente. Por isso, da próxima vez que estiverem numa situação má que vos pareça interminável, mudem de modo operativo e gastem esse tempo lento noutra coisa para a qual não teriam paciência se estivessem com pressa, saturando os sentidos com tudo o que nos rodeia. De igual modo, naquelas circunstâncias em que parece que as coisas boas fazem o tempo passar a correr, suguem tudo ao máximo, espremendo a situação para mais tarde recordar. Nunca mas nunca achem é que há sempre mais e mais tempo, porque, de facto, até prova em contrário, temos todos a nossa dose já servida e não há segundo prato; aproveitem! Além disso, tudo tem o seu tempo próprio e há oportunidades que não voltam mais depois de desperdiçadas, assim como há desperdícios de tempo que devem ser evitados depois de aprendida a lição (lamentar o passado, chover no molhado, marrar contra a parede...), num claro incentivo ao conhecido "seize the day". Agora tenho mesmo de ir porque não tenho mais tempo a perder: calculei agora a minha esperança média de vida (85 anos) e descobri que, estatisticamente e se não for atropelado por uma betoneira ou esmagado por um piano, as duas coisas que mais me atemorizam neste momento, claramente, já só tenho 55 verões, 55 primaveras, 55 invernos, 55 outonos, 2860 fins de semana/semanas, 20020 dias, 480480 horas pela frente, nem todos vão ser bons de certeza e o rendimento que tirar deles vai depender do meu ritmo de evolução/declínio... afinal não deve dar para ir fazer BTT a fundo aos 83, entre as aulas de paraquedismo, o alpinismo, o brídge, o tiro com arco, ensinar inutilidades perturbadoras aos netos, a colecção de caricas e o dominó no parque ao fim da tarde, sendo certo que, com as actuais reformas da segurança social, terei mesmo de vir trabalhar depois de morto.

quinta-feira, abril 05, 2007

Universidades privadas

O problema das Universidades privadas em Portugal parece ser a falta de coerência do seu conjunto. A Moderna não era nada independente e a Independente não parece nada moderna. A Autónoma parece não ter orgulho em ser portucalense. A Portucalense não tem espírito intenacional e a Internacional não está muito católica. A Católica não é nada independente, nem autónoma. E o que dizer da Lusíada e da Fernando Pessoa?
Decidam-se, porra! Assim desunidas não vão a lado nenhum!

quarta-feira, abril 04, 2007

numa dimensão paralela...

A radio tocava um som calmo, o trabalho estava em cima da mesa, o mail aberto com mensagens a chegar, os telefones tocavam urgentes e o tempo passava. Tudo corria com tranquilidade até que um morto-vivo fez a sua aparição. "Olá!", exclamou com a voz gutural saída do fundo da sua garganta putrefacta. "Sabe dizer-me onde fica a casa de banho?" ao que respondi "Tem de pedir a chave na sala do fundo, à esquerda e depois é ali ao virar da esquina daquele corredor.". "Obrigado" respondeu, deixando cair um naco de carne apodrecida na soleira da porta do gabinete. "Com licença!" rosnou Voldemort, com brusquidão, entrando decidido pela sala dentro, quase derrubando o pobre morto vivo. Dirigiu-se à fotocopiadora e levou os seus textos arcanos de maldições antigas que tinha acabado de tirar da internet. Puff, transportou-se para o seu retiro escuro, deixando para trás uma nuvem de enxofre. Ao fundo, atarefados como sempre, o Quarteto Fantástico estava reunido em redor do último relatório, tentando salvar o mundo e a produção pela terceira vez naquela semana. Ouvia-se a voz do Coisa dizendo qualquer coisa sobre abelhas, entre as gargalhadas do Tocha Humana, do Sr. Fantástico e a Mulher invisível. Um gnomo amistoso zanzava pelos corredores, sempre ocupado com os seus utensílios, procurando zelosamente manter uma certa ordem naquele covil de estranhas personagens. Na secretária em frente, Herr Flick from the Gestapo resmugava algo incompreensível em alemão ao telefone. A azáfama do dia a dia era uma constante, entre raios de energia, objectos voadores, explosões, tele-transportes e o ar sempre carregado de magia e leitura de mentes, mas o trabalho tinha de ser feito, a fábrica não podia parar e os objectivos a cumprir pairavam por todo o lado, ameaçadores na sua inflexibilidade. Despachei o que faltava daquele dossier, parando apenas para abrir mais umas quantas resmas de papel para a impressora com o sabre de luz.
Com isto era quase hora do almoço decidi invocar alguns aliados: D'Artagnan o mosqueteiro, Eliot Ness dos intocáveis, Blossom a PowerPuff Girl, a Heidi das Montanhas, Dorothy de Oz, entre outros. Na cantina a azáfama era a habitual com os grupos do costume nas suas brincadeiras e conversas a encherem o ar. Estavam lá o Knight Rider, o Hulk, 3 ou 4 Cylons, Spock o Vulcano, George Constanza, 6 elfos, a Bruxa má do Oeste, a Bruxa má do Leste, Morgana e Merlin, a Dory e o Nemo, Chucky o Boneco Diabólico, meia dúzia de estrumpfes com a estrumpfina, Roger Rabbit e a Jessica, o Noddy e Bob, o construtor, 4 throlls, o homem aranha na sua versão Peter Parker, o Tintin e o Lucky Luke, Conan o Bárbaro e a Elektra. Na cozinha os Hobbits afadigavam-se para a frente e para trás com os tabuleiros de comida, trazendo constantemente as mais variadas iguarias exóticas, a maioria das quais de origem desconhecida e ingredientes que também ninguém queria conhecer. Abrindo caminho por entre toda esta algazarra até um espaço vazio nas longas e rudimentares mesas corridas de madeira escura, o grupo instalou-se debaixo de um dos candelabros de ferro forjado. A conversa fluia entre piadas e comentários, com o ocasional uso de um superpoder ou habilidade por parte de alguém para melhor marcar o seu ponto de vista. Assim, por mais de uma vez, viu-se um hobbit passar a voar depois de uma palmadinha nas costas do Hulk, a careca do Constanza fulminada por um raio de Merlin, o cabelo da Heidi aparado pelo D’Artagnan e o Chucky a tentar arrancar à dentada um braço do Noddy e uma perna do Bob. Tudo normal.
Enquanto isso, ia cortando fatias, fininhas como convém, da carne assada com o meu fiel sabre de luz, ferramente indispensável para qualquer função, como desentupir canos, tirar etiquetas de camisolas, descarnar fio eléctrico, etc (excepto fazer a barba, coçar as costas ou tirar gatos de cima de árvores). Entretanto, pelo canto do olho, reparo que chega Xena a Princesa Guerreira com o seu costumeiro grupo para o almoço, distraio-me completamente do que estava a fazer e amputo o dedo mindinho da Dorothy. Bolas. Desculpa lá isso, pode ser que volte a crescer em Oz. Para me redimir uso a Força para trazer um tabuleiro de cafés para a malta, que tive entretanto de arrancar do lado negro, pois o Darth Vader estava com pressa e tentou outra vez a sorte com os meus cafés, o sacaninha.

Sondagem

Na sequência de uma conversa de ontem, fiquei com a curiosidade de saber o que pensa a maioria das pessoas sobre o que deveria acontecer ao Sócrates no caso (altamente improvável) de ele ter comprado o seu diploma sem ter feito os exames respectivos e de isso se vir a descobrir.
Se pedisse desculpas públicas poderia continua a ser primeiro-ministro?
Ou não aceitaríamos nunca um pequeno vigarista para governar Portugal?
A sondagem está aberta na coluna da esquerda.

terça-feira, abril 03, 2007

Seinfeld vs. Oliver Stone



Só para quem viu o JFK.
Viva a Sic Radical por trazer de volta estes momentos!

segunda-feira, abril 02, 2007

Arrogante e politicamente incorrecto

No caso "licenciatura de Sócrates" o que mais me aborrece não é pensar que o processo na Independente tenha sido falsificado. Não é sequer não acreditar que o primeiro-ministro alguma vez tenha ido a uma aula na Independente. Ou tenha feito algum exame. (Cada um acredita no que quer) Não é ainda que o diploma tenha sido assinado à pressa e que ao escolher uma data num período conveniente não se tenha reparado que era dia de domingo (ou será que a data foi uma pequena maldade de uma qualquer secretária farta de trafulhices?).
O que verdadeiramente me aborrece é que o país tenha chegado a um ponto em que o primeiro-ministro é alguém que foi acabar o curso à pressa a uma qualquer Universidade privada. Seguramente porque considera que ter o canudo é importante. Com certeza porque não foi capaz de o obter com mérito numa Universidade pública.
Porque, tristemente, parece não haver nada por aqui que não se possa comprar.

domingo, abril 01, 2007

bebedo

estou demasiado bêbedo para escrever coisas com sentido mas só sei dizer que queria muito algo que não está agora aqui.... caca.... eu sei que não se pode ter tudo mas também não era tudo era só ...................................... talvez um dia................................ah boa, já está, encontrei-a.... estava no chão outra vez....... a almofada

A chamada pandemia do século XX (XXI?), a depressão (com a ajuda do sempre presente stress, suplemento actual de todas as componentes da vida - tudo agora gera stress, até a diversão e o relax), tem conseguido uma expansão incrível, entre doentes convictos e adeptos simpatizantes, a julgar pelo tom de permanente tristeza que ouço nas pessoas hoje em dia. Tudo é mau, tudo é triste, tudo é tédio, desinteresse, apatia e falta de vontade ou energia. Isto é incrivelmente contagiante e assume inúmeras formas. A depressão da velhice, por falta de companhia e estímulos; a depressão do adolescente, eterno acno-incompreendido, hormono-dependente, habitante do armário; a depressão da meia idade por constatação do tempo que passou, do que ficou por viver e do abandono do lar pelos filhos; a depressão dos trinta anos por desfazamento geracional de objectivos com os pais, etc... para essas depressões, graves e preocupantes, há ajuda possível, como explicam os links

http://www.depression.com/,

http://www.nimh.nih.gov/publicat/depression.cfm,

http://en.wikipedia.org/wiki/Clinical_depression

http://society.guardian.co.uk/socialcare/story/0,,2044862,00.html (nem que seja falar com um computador sobre isso)

Há, no entanto, uma em particular que, por ser tão fútil e falsa, me chateia incrivelmente: depressões de meninas filhas do papá ou meninos filhos da mamã, pudins mimados amorfos, não me suscitam qualquer tipo de solidariedade ou compreensão. Normalmente as queixas são do género: A minha vida é uma tristeza, não tenho isto ou aquilo, faltam-me amigos, estou sozinho/a, não tenho interesses, o meu trabalho não me motiva, não gosto do meu carro novo, não tenho a casa que quero, não fiz o que queria fazer, cometi tantos erros no passado, etc, e só aparecem em determinadas alturas de sua própria conveniência, por falta de fibra e força de vontade. Enfim, quando aparecem problemas normais da vida real que todos temos de enfrentar num processo de crescimento mas que os "deprimem", tadinhos, pois não queriam nada ter de lidar com eles e preferem espernear para chamar a atenção que lhes supostamente é negada e serem apaparicados, esquecendo-se que só suscitando interesse neles próprios e fazendo algo por si mesmos (em vez de esperarem por soluções externas) podem ter o que querem. Normalmente, depois de se lamuriarem durante uns tempos arranjam um brinquedo novo qualquer e, qual fénix, renascem das próprias cinzas às quais se tinham reduzido eles mesmos, surgindo brilhantes e equilibrados, exemplos de protagonismo social e cultural, lágrimas secas que já não escorrem da torneira de queixas que momentos antes parecia não poder fechar. É só até à próxima desventura chegar, claro, mas isso não interessa nada, desde que a máscarazinha das mentirolas que contam a si próprios não caia, que as falsas amizades com que se cercam não se afastem quando forem chamadas à pedra pelas necessidades da vida, o brinquedo novo canse, se parta ou vá embora, o desinteresse se instale de novo na vida pastel que levam ou que a família mokambo em que normalmente se inserem acabe mais uma vez por sair do cenário pseudo idílico de catálogo de moda onde pretendem habitar. Esses sim, são os problemas que deviam encarar e resolver, mas que insistem em colocar de parte como inexistentes, inevitáveis ou irresolúveis. Este modo de vida de permanentes queixas e lamúrias afasta qualquer boa alma que por eles se interesse pois ninguém quer conviver com uma alminha triste e apagada, em perene necessidade de um amparo, sorvedouros da felicidade alheia que tudo têm de experimentar por interposta pessoa, o que tende apenas a reforçar o ciclo num feedback positivo. Há um limite para o que quem os rodeia consegue dar, animar, ajudar sem que esse esforço leve algo em troca, esgotando o que parecia inesgotável, lentamente, gota a gota até que o poço seca e a depressão (quase) conquista por contaminação mais uns para as suas fileiras.

Para eles, os eternos entristecidos, há um remédio: é levantar a cabeça e encarar as coisas de frente; é tempo de viver com energia e alegria; gozarem bem o que têm e lutarem pelo que querem e não têm, interessarem-se em serem interessantes; sacudirem para longe essa neura castrante que os debilita, nas palavras musicadas de Johnny Cash - Get rhythm (when you get the blues) e adoptarem um estilo stressless ligeiro/despreocupado que não sendo fácil e acarrentando riscos (cair na inconsequência, no levianismo ou na dispersão), traz, a meu ver, a grande recompensa da felicidade, derradeiro objectivo de uma vida equilibrada.

sábado, março 31, 2007

Opções de vida

Pela calada, sorrateiro, invisível nas sombras, aguardava vigilante. A emoção da caçada, embora não fosse a primeira, continuava a estimulá-lo. Mais do que isso; permitia-lhe suportar todo o resto do dia seguinte. Só de pensar nisso bocejou, antecipando o tédio e a monotonia que iria seguramente experimentar em mais um longo e aborrecido dia de trabalho. As vantagens daquele emprego banal neste momento escapavam-se-lhe da mente. Teve de se esforçar para recuperar a ideia que somente mantendo um exterior de normalidade, ou pelo menos de saudável excentricidade, lhe seria permitido continuar aquilo que verdadeiramente fazia o seu coração continuar a bater. Era esse o segredo. Isso e infelizmente nunca poder assumir perante ninguém as atrocidades que cometia quando estava na pele do seu alter ego. Uma pena, pensou, mas de todo necessário. Apesar de todos os livros e filmes de psicopatas que glorificavam a psicopatia dos mega-vilões geniais do crime e da violência ser hoje, mais do que nunca, graficamente atraente, sabia que a justiça era inclemente e ele não era nenhum actor de cinema. Não representava para ninguém, não tinha público nem fans, não ansiava por aplausos ou compreensão. Gostava, no entanto, um dia, de poder despejar o que lhe ia no âmago, não pela catarse nem por querer ser detido. Era mais pela conversa. O tema agradava-lhe bastante e era tão difícil encontrar alguém para discutir a parte técnica, as vítimas certas, a parte artística, os melhores métodos, o que fazer quando as coisas não correm bem, etc... Durante algum tempo alimentou esperanças de encontrar um chat ou um fórum sms sobre o assunto onde participar mas depois desiludiu-se com o que encontrou e mudou de vida; tornou-se taxista em Lisboa. Sempre dava uns trocos, podia sempre falar sobre o que lhe apetecesse que isso não era um problema, por mais estranho que parecesse o tema e matar todos os outros que o aborrecessem com temas de merda como o tempo ou o trânsito e despejá-los em Fernão Ferro.

quarta-feira, março 28, 2007

A DGV aconselha

Às vezes parece-me que, mais do que um sentido da vida, com tanta regras, códigos de conduta e espectativas criadas, existe antes um sentido obrigatório na vida. E um sentido proibido. Um limite de velocidade. Um proibido estacionar. Vendo bem, toda a metáfora do trânsito faz sentido, sendo o carro e como o guias a postura/máscara/atitude com que conduzes a vida. Podes sempre trocar de carro em certas alturas e andar mais depressa ou mais devagar conforme o estado de espírito e a conveniência.
Há por aí veículos ligeiros, pesados, de mercadorias, atrelados, especiais, chaços, clássicos, de competição, de construção, tunnings, usados, de luxo, roubados, emprestados, descapotáveis, utilitários, jipes, motociclos a motor e a pedal, o carro de gelados da Family Frost, ambulâncias, bombeiros e polícias, o carro com o megafone da CGTP, táxis, tanques, transportes públicos e carros funerários. Os personagens estão todos lá. Depois temos também os acessórios, derivados e associados, como a sinalização e o código da estrada, os trajectos (com ou sem mapa/GPS) e os atalhos, o trânsito, as garagens e estacionamentos, os acidentes, a BT e as multas, o seguro, as inspecções e o mecânico, as corridas, os furos, aquela estrada manhosa com a curva perigosa, aquele cruzamento onde toda a gente se perde, a bagagem, o combustível, o óleo, a água e os aditivos, etc.
Em casos particulares, já todos encontrámos ou fomos quem muda de faixa sem fazer pisca e provoca acidentes, aquela besta que nos indicou um atalho que afinal só nos fez perder tempo, a estrada esburacada onde passámos um mau bocado. Já tivémos que escolher para que lado virar na bifurcação com as devidas consequências futuras, algumas irreversíveis. Já demos boleia à pessoa errada ou fomos largados na beira da estrada. Já de certeza fomos ao mecânico, mandados parar pela polícia por termos infringido a lei e já tivémos acidentes mais ou menos graves, por culpa nossa ou de outros, sendo mais ou menos prudentes.
Mas também há alturas em que conduzimos tranquilos numa estrada lisa, junto à costa num dia de sol, o motor a roncar baixo e certinho, capota aberta com o vento a soprar suave, a música certa a tocar no rádio, a companhia certa no lugar do pendura ou um animado grupo de bons amigos a encher todo o carro. Se for mesmo o caso da companhia ser a tal, até dá para pensar em trocar o 2 lugares por um familiar. Ou então, solitário, livre e desapegado, ir de mota a fundo na faixa da esquerda.

Por falar em carro, já lavava o meu...

terça-feira, março 27, 2007

O seu parceiro

Quando se previa que os juros iam subir os bancos vendiam empréstimos à habitação com taxa variável.
Agora que se prevê que os juros vão estabilizar e depois descer os bancos fazem campanhas a anunciar empréstimos com taxas fixas.

segunda-feira, março 26, 2007

domingo, março 25, 2007

BLOG PARTY

Festa

Máscara

Blog

Quando, onde, quem, como?

Considerações de ressaca de um domingo qualquer

Homens e mulheres, nestas coisas de relações amorosas, gostam que lhes dêem para trás, gostam de quem os trata com indiferença com ocasionais torrões de açucar no caminho, o tal macho à antiga, figura autoritária paternalista que mande, ou mulher fatal que arrasta tudo à passagem, indiferente. Gostava mesmo de acreditar que não será sempre assim mas vejo que, de facto, na maioria dos casos, é mesmo verdade. Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti - na versão metafórica claro, atesta a sabedoria popular vertida em provérbio. A razão na base de tudo isto deve estar relacionado com os tradicionais "capachos" deitados aos pés dessas meninas e meninos que lhes elevam o ego até ao céu. Uma vez lá em cima instala-se o tédio de terem tudo o que querem por esse meio e a única estimulação decente (da "caça") que obtém tem, então, de vir daqueles que as renegam e que as desprezam, por não aceitarem a derrota. Observei já vários exemplares destes em acção, uns mais óbvios outros menos, mas todos incapazes de admiti-lo, elas refugiando-se nos chavões habituais sobre romantismo e como deviam ser tratadas pelos homens, eles com a soberba masculina de quem nunca sofre desgostos de amor. De seguida, nestes casos, quando encontram quem as/os trata bem, quem faz qualquer coisa por elas/eles, quem se mata e se esfola, quem se baba, quem é verdadeiramente romântico e apaixonado, esmifram o que podem para voltar à mó de cima e depois borrifam. Vão atrás da/do sacana que os/as trata mal, perdem-se em esforços para agradar a quem lhes deu para trás, ficam em sofrimento por quem os/as ignora. Desse sofrimento nasce a necessidade do tal séquito de adoradores que competem entre si pelo privilégio de um raio de sol, apenas para verem aparecer o zézinha/o campeã/ão levar a taça em 5 minutos, com falinhas mansas, num ciclo vicioso sem fim. Ora, depois de constatados os factos, acontece por vezes a alguns, reunidos o Tico e o Teco em deliberação profunda e irracional, sofrer um ataque de amargor e desilusão profundas, deliberar não mais voltar a ser tanso/a com quem não merece o esforço e passar a ser uma besta como os/as outras/os. Temporariamente este ataque de cinismo ainda pode acontecer (e acontece) e será, em certa medida, tão compreensível (não para as/os visadas/os pelo bruto/a, óbvio) como inadmissível. Para sempre não me parece nada saudável como modo de vida, até porque envolve alterações demasiado profundas e dá asneira vezes demais com quem não merece.
Acho muito mais engraçado e interessante quando a dança a dois flui sem entraves ou hesitações, simples, assumida, num cortejar mútuo de quem não pensa muito no que está a acontecer e saboreia cada momento sem julgamentos de intenções ou jogos de interesses.

sexta-feira, março 23, 2007

Faz Domingo 50 anos



Dizem as crónicas que o dia amanheceu chuvoso em Roma e que, celebrando-se a Anunciação, os sinos das Igrejas tocavam por toda a cidade.

A 25 de Março de 1957 Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha e Itália assinavam na capital italiana os tratados que fundaram a CEE e a Euratom. Desde então os povos dos países das Comunidades vivem em PAZ e com estabilidade. E já somos 27



quinta-feira, março 22, 2007

Cosa nostra e a Universidade

Há uns meses almocei com um senhor italiano que, desiludido com Itália, me falou de uma família de oito pessoas que trabalhavam, lado a lado, na mesma faculdade da Universidade de Bari.

Hoje voltei a esbarrar com a família Massari e decidi trazer aqui um pouco da história. Afinal são nove, em Economia em Bari. Irmãos, sobrinhos e primos. Todos professores e investigadores.

Mas há outras famílias importantes na Universidade de Bari. O Professor Tatarano ensina Direito Privado. Os filhos, um rapaz e uma rapariga, têm gabinetes no mesmo corredor. Mais, mas mais discretos, porque se dividem por andares, são os Dell'Atti. Familiares e professores mas em quatro andares diferentes na Universidade.

Os jornalistas do Repubblica perguntaram pelo Gabinete do Professor Girone, o Magnífico (lá como cá...) Reitor da Universidade. Girone quem? Perguntou o funcionário. Giovanni Girone, o Reitor? Ou Raffaella Girone, a filha? Ou Gianluca Girone, o filho? Ou Giulia Girone, a mulher? Gabinetes 3, 26, 58 e 13, respectivamente. E temos ainda o doutor Campobasso, marido da filha Raffaella, professor associado de Estatística. Gabinete 19.

E o concurso em Bari para duas posições na Faculdade de Letras?
Três candidatos:
Davide Canfora, filho de Professor e intelectual destacado da Universidade de Bari.
Federico Sanguinetti, herdeiro de um grande poeta italiano.
Maurizio Campanelli, filho de um electricista.
Canfora, o filho do Professor, é o mais novo e tem o currículo mais fraco. Fica, portanto, com a Cátedra.
E quem fica sem nada? Vale mesmo a pena responder?
Canfora assume apenas mais uma posição para a família na Universidade. Para além dele e do pai com cátedras de literatura, temos a Mãe que é professora de filologia clássica, a irmã Irene, professora de Direito Agrário e a mulher, investigadora do departamento de italianistica. Apenas mais um clã.

O Magnífico Girone responde aos jornalistas do Repubblica: "Os nomes não contam, os concursos são correctos ou não são correctos. E nos casos da minha mulher e dos meus filhos foi tudo correctíssimo: o que conta é apenas a produção científica." Disse o grande chefe tribal.

E em Coimbra, na "minha" Universidade? Sabemos que é tudo correctíssimo. Mas vale uma peça jornalística? Talvez haja matéria para várias teses de doutoramento...

Son I

wanted to tell you that you will be the next CEO!




Era tão bonito aquele mito da gestão em Portugal que dizia que na Sonae os filhos do Belmiro começavam por baixo, como qualquer outro funcionário. É uma coincidência incrível que de entre os milhares de licenciados que começam por baixo no Grupo Sonae tenha sido o filho do Belmiro a revelar-se o melhor.

Solução

E para combater um qualquer ataque de misantropia, sacudir o cansaço do dia-a-dia, revigorar corpo e mente qual redbull sem contra indicações, aliviar o stress e deixar em casa a má disposição há sempre uma óptima e divertida solução no encanto do teatro da Comuna!

quarta-feira, março 21, 2007

Felicidade de longa duração

Li recentemente um artigo sobre a felicidade duradoura.
Genética, comportamento, circunstâncias, motivação e objectivos de vida somam-se para compor a nossa dose de felicidade. Também são sugeridas algumas explicações para a constante insatisfação que sentimos e soluções para a "hedonic adaptation" que sofremos depois de esgotado um pico de euforia. Para os que têm um nível base baixo parecem ser más notícias mas há sempre algo a fazer para contrariar essa tendência.
Vale o que vale mas parece fazer sentido. E basta vermos os estudos de mercado e as estratégias de marketing que nos tentam e conseguem fazer crer que a vida só faz sentido com aquele detergente para descobrirmos que somos mais transparentes e previsíveis do que pensamos.
Escolhendo acreditar nisto ou não, recorrendo às mais variadas estratégias, teorias e discursos, o que importa no fim de tudo é estar bem, alegre, feliz e contente; afinal todos sonhamos com o "...e viveram felizes para sempre!"

domingo, março 18, 2007

a besta negra

A criatura grotesca emergiu das trevas, veloz e voraz, atacando sem hesitar. O seu poder imenso, em conjunto com a selvajaria que caracterizava os da sua espécie, permitiam-lhe essa imprudência, confrontar e destruir qualquer um que se atravessasse, incauto, no seu caminho. O ímpeto desastrado desse primeiro avanço permitiu que se esquivasse, graças aos reflexos treinados por anos de patrulha, rolando pelo chão. O lugar onde anteriormente estava de pé foi atravessado por garras que brilharam, frias, à luz do luar. Que animal era aquele? A besta imobilizou-se do outro lado da clareira, e sob a luz da lua e das estrelas, observou-a. Toda ela era músculo sólido, dentes afiados, garras longas e olhos cruéis em quase 3 metros do que parecia um felino cruzado com um crocodilo. A pele escamosa reflectia a pouca luz existente de um modo maligno. E não tinha tempo para mais pois de novo ela carregava, em fúria. Decidido, enfrentou-a cara a cara, acreditando que seria essa a melhor estratégia para confundir algo que não estaria muito habituado a ser abordado de frente. O choque ressoou pela floresta escura, animal contra homem, pele contra armadura, garras contra lâminas. Mutuamente repelidos, aparentemente sem danos, a ideia funcionara pois o estranho ser olhava-o agora, surpreso por não ter sido bem sucedido. Aproveitando essa pausa, atacou-o, mantendo a vantagem conquistada do seu lado. Um golpe violento com a sua espada apanhou o flanco desguarnecido da criatura, infligindo-lhe um corte de onde sangrou abundantemente algo espesso e escuro. Urrando de dor, o animal furioso ripostou, saltando-lhe para cima, garras enclavinhadas nos seus ombros e tentado arrancar-lhe a cabeça. Sustendo o peso imenso da criatura, cambaleou para trás. Felizmente o elmo que usava aparou as primeiras dentadas mas não lhe parecia que pudesse aguentar muitas mais, pois sentia já a pressão daquelas mandíbulas poderosas a esmagar-lhe o crânio. Desesperado, tentou um último golpe, alcançando a espada curta que tinha presa às costas, deixou-se cair para o chão e afundou o aço no peito da coisa. Ao perceber o colapso daquele corpo imenso, alegrou-se com o seu sucesso pois tinha escapado com vida a mais uma batalha. Saindo debaixo do cadáver, sacudiu o pó e a terra de cima de si e virou costas à clareira, decidido a prosseguir a sua patrulha. Um erro. Tivesse ele reparado que a ferida do flanco da besta tinha desaparecido, curada, sem deixar marcas e talvez não ficasse tão certo da sua vitória. A surpresa estampou-se no seu rosto durante um instante enquanto foi cortado em dois e tombou morto no chão encarando um recuperado e esfomeado animal que, quase podia jurar, sorria ao arrancar-lhe parte de uma perna. A besta negra atacara de novo...

sábado, março 17, 2007


O céu é azul, o sol brilha, os pássaros chilreiam nas árvores, os rios correm nos leitos, estou bem disposto! E porquê? Não sei. Tem mesmo de haver uma razão? Até pode ser que exista, de facto, uma. Ou até mais que uma. Mas será preciso que assim seja? Nem sequer precisa de ser pelo oposto, pela infelicidade dos outros ou pela própria. Só sei que de facto me sinto melhor assim do que ao contrário e isso basta. Há coisas melhores, há coisas piores, nem está tudo sempre bem e nem está tudo sempre mal. De facto não há grande sentido nem significado para a vida à vista desarmada, não há, aparentemente, justiça ou razão para as coisas acontecerem. E então? Mais um motivo para seguir em frente contente, feliz e descontraído e aproveitar a viagem. Não é o mesmo que desinteressado ou desinteressante como alguns patetas alegres que para aí andam, imunes a tudo ou protegidos por uma casca grossa de cinismo carrascão. Nem como os eternos deprimidos, revoltados com a vida, sempre à procura da próxima rasteira de um mundo sempre contra eles. Nem egoísta ou autista em relação aos outros ou completamente obcecado com uma coisa qualquer ou alguém. Mas para quem é assim, bom para eles; para mim dá-me igual, desde que não chateiem. Não tenho tudo o que quero nem me falta tudo o que preciso e ainda bem. Não sei tudo, não vivi tudo, não fiz metade do que quero fazer, nem vou fazer um décimo do que podia ter feito. E depois? Morrem pessoas aqui e ali, outras roubam, outras matam, algumas mentem, enganam, fogem e escondem-se de tudo, com medo. Posso enlouquecer profundamente amanhã e separar-me da maioria. Posso cair morto daqui a segundos, atropelado na passadeira ou engasgado com uma ervilha. Expétaclaaaaaar! Impecáááábel! Uma ervilha ia fazer todo o sentido para mim. Pelo menos mais do que uma abóbora, acho. A minha sobrinha disse-me olá ao telefone e chamou-me tio. Fui ao teatro ver uma boa peça com uma companhia agradável. O Benfica ganhou ao PSG. Mais uma vez não ganhei o euromilhões mas passei uns bons quinze minutos a sonhar (depois lembrei-me que não tinha jogado o que explica muita coisa). Acabei de reler o meu livro favorito. O último album dos Arcade Fire é muito bom. Está sol e calor. Dormi bem, entre sonhos variados, e acordei antes do despertador, para ficar na preguiça um bocado. Tenho emprego, casa e carro (que está de parabéns por ter feito 9 anos com saúde). O Pinto da Costa foi constituído arguido. Tive uma conversa interessante com alguém que não conhecia bem. Já marquei as minhas férias para este ano. Tenho amigos porreiros que não falham (uma em particular que anda feliz da vida e ainda bem). Os semáforos estavam todos verdes e encontrei lugar para estacionar à primeira, perto de casa. Há coisas fantásticas (como na tvcabo mas com anúncios melhores). A EDP devolveu-me dinheiro que tinha pago a mais. O almoço que fiz estava óptimo. O meu tornozelo esquerdo dói-me quando vai chover e assim nunca me esqueço de levar casaco ou guarda-chuva (tudo tem um lado positivo e como não tem chovido, neste caso tem dois: também não dói). O pc não pifou a meio deste texto (e se pifasse o autosave recuperava-o de certeza). Estou cheio de energia e apetece-me tudo! Tudo e mais ainda! O que não conseguir comer aqui e agora é para levar para depois, fáchavor, ó chefe!

quarta-feira, março 14, 2007

Podia perfeitamente acontecer...

Há coisas que mais vale deixar quietas. Como antigas maldições faraónicas, monstros pré-históricos ou pragas interestelares. Mas ao que parece, como qualquer filme de série B nos poderia dizer, ninguém sabe disso. E, volta e meia, a malta insiste em provocar a sorte e ver no que dá, mesmo sabendo que vai dar asneira. Pois foi mesmo este o caso que venho aqui relatar, em que uma série de circunstâncias levou ao aparecimento de um ser cataclísmico, capaz de gerar devastação em barda e, enfim, muito transtorno em geral. Tudo começou com um acaso que levou a que, certo dia, um meteoro infectado com um super-vírus do espaço caísse num lago pré-histórico da Terra. Esse vírus sobreviveu e contaminou o lago onde, de seguida, um monstro incrível, praticamente desconhecido nos dias de hoje, foi beber e ficou infectado. Durante uns dias este ser incubou a doença alienígena e acabou por cair numa poça de âmbar líquido, onde ficou dormente, graças à protecção que o vírus lhe conferiu. O âmbar solidificou e foi, uns poucos milhões de anos mais tarde, descoberto pelos egípcios que o consideraram um tesouro inestimável. Durante uns anos foi figura de destaque na corte de Tutankamon, até que foi levado para o seu túmulo e enterrado ao seu lado, coberto pelas maldições mais poderosas conhecidas na altura. Este cocktail improvável foi deixado a marinar durante mais uns milhares de anos até que um parvo (que nunca tinha ido ao cinema) o roubou do túmulo e levou para casa, para mais tarde o tentar vender. Ora, como não podia deixar de ser, calhava nessa noite um alinhamento estelar e planetário único, acompanhado pela explosão de uma super-nova, o solestício de verão, uma tempestade solar, um eclipse lunar e estava prestes a rebentar uma trovoada. Assim, o nosso braço do destino, o parvo, estava no sofá relaxado, a ler a Bola, quando um relâmpago lhe fulminou a casa, acertando em cheio no bloco de âmbar, derrentendo-o e libertando a coisa inominável que de lá saiu. Meio trôpego, o atordoado e atarantado ladrão de sepulturas acorreu para ver o que se passava com o seu mais recente achado. Foi com horror que encontrou um destroço fumegante, ainda carregado de electricidade, todo esparramado pela sua cozinha. Que grande porcaria, amanhã a dona Gertrudes vai ter cá uma trabalheira!, pensava ele, quando reparou que nem tudo estava destruído. Ali no meio, algo se movia. Pior, algo respirava. Recuou um passo, ficando encostado a uma parede, enquanto um vulto se deslocava lenta mas declaradamente na sua direcção. Com o dissipar do fumo, os contornos tornaram-se mais nítidos e apercebeu-se, aterrorizado, que estava na presença de um ser inominável que lhe saltou para cima. Era pequeno, com pelo curto encaracolado e verde, lambendo-lhe a cara, enquanto latia animado. Chamou-lhe Frufru e viveram felizes para sempre.

segunda-feira, março 12, 2007