sábado, maio 12, 2007

40º à sombra - Radar kadafi

No fundo da avenida
Bebendo um capilé
Quarenta graus à sombra
Nas mesas do café
E aquela rapariga
Eu já não sei o que dizer
O que fazer
O que dizer
O que fazer

Aihaiah
Mediterrâneo agosto
Em pleno verão
Aihaiah
O sol a pino e eu faço
Uma revolução
Aihaiah

Parte um navio
Desce a maré
Vejo o céu vermelho
Tomara que estivesse a arder
E aquela rapariga
Eu já não sei o que dizer
O que fazer
O que dizer
O que fazer

Aihaiah
Mediterrâneo agosto
Em pleno verão
Aihaiah
O sol a pino e eu faço
Uma revolução
Aihaiah

Eu só te quero a ti
Eu só te quero para mim
Agosto aqui para mim
Só ter um fim
É ter-te a ti
Só para mim
Agosto aqui
Só para mim

Especialmente dedicada...

Gin soaked boy - for your earing pleasure



realmente uma música fantástica...

obrigado Camionista Tarzan.
valeu pela música

sexta-feira, maio 11, 2007

Sampi V (acho) Moodicetea

A dada altura Sampi atingiu um ponto de verdadeira saturação com o estilo de vida que levava. Era só loucura, inconsequência, inconstância. Precisava de algo mais sério. Algo mais estável. Decidiu que tinha chegado o tempo para tentar uma abordagem diferente. Afinal, depois de tantos anos de diversão com os locais, se calhar, podia agora dar-lhes qualquer coisinha em troca. Para além das bebidas, drogas e explosivos, claro. E todas aquelas formas de arte incompreensíveis que pareciam apelar de uma forma estranha ao imaginário dos humanos, como a louça das Caldas, a ripa de madeira inclinada em cima de um tijolo e os filmes do Manoel de Oliveira.

Bom, mas isso praticamente não contava para a grande ordem das coisas. Precisava de sentir a realidade deles para os compreender. De estar integrado naquela realidade e não de estar acima dela ou dentro da sarjeta, como era mais habitual. Aderiu a um ginásio. Ajudou mas faltava algo. Abraçou a filosofia, leu, escreveu, puxou pela cabeça, tentou descobrir o sentido da vida, a resposta à grande pergunta sobre a vida, o universo e tudo o resto (que como quase toda a gente sabe é: quanto são seis vezes sete?) porque não conseguia aceitar a resposta 42 como sendo assim tão reveladora sobre tudo o que ele conhecia. Tentou o budismo, yoga, tantras, mantras, drogas, mantas, deserto, escreveu as musicas dos doors e deu-as ao Jim Morrison enquanto este andava perdidinho por lá, incenso, hinduísmo, paganismo, bruxaria, vudu, búzios, ler tarot, as mãos, os pés, mãe de santo e quejandos.

Encarnou o líder espiritual de que seguem trechos das suas prédicas aos crentes:

Mestre, o que é mais pesado para a alma? O que é mais nobre? Sofrer na alma As flechas da fortuna ultrajante Ou pegar em armas contra um mar de dores Pondo-lhes um fim?

Eh pá, também já estive nessa. Isso e saber se preferia que me arrancassem pelos do cu pelo nariz ou pelos do nariz pelo cu...

Mestre, fala-nos do dia-a-dia!

O dia-a-dia é uma seca. Quem me dera ter um controlo remoto para passar as partes chatas...

Mestre, diz-nos o que pensa do amor?

Humm. Tramado. Humm. Muito tramado. Nas palavras do poeta, o amor é fodido, Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer, ora zumba na caneca e estamos na fossa outra vez! O melhor é mesmo nem pensar nisso. Se por acaso alguém apanhar uma coisa dessas, é fazer o mesmo que com as constipações: Cama, muitos líquidos e esperar que passe!

Mestre, e o trabalho?

Chiça penico. Onde? Quem? Eu? Porra! Ah... bom... o trabalho... tou de baixa.

Mestre, sobre a música...

Isso é que é. Taí coisa para demorar... Vai do "Lá, lá, lá, dá-me favas com chouriço,..." até aquela coisa tcham tcham tcham tcham do Ludwig, passando por Van der Graaf Generator e Gogol Bordello. Sem esquecer o grande exito "conan o homem rã" e o atirei o pau ao gato.

(inspiração: “O profeta”, “Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”, HC, comments deste blog)

quarta-feira, maio 09, 2007

il dolce fare niente...


Shortbus II



"A necessidade promove acasalamentos estranhos!" Quarta Lei de Farber ;)

Shortbus I

terça-feira, maio 08, 2007

A vida simples...

Nestes dias em que os ideais ecologistas ganham popularidade por força da crescente demonstração de poder por parte da natureza face à civilização humana (sempre normal reagir melhor ao medo do que à razão, principalmente em comportamento de manada), seria de reler o que diz Thoreau sobre a vida natural e simples (embora sem com isto estar a advogar o retorno à Idade das Trevas ou ao Paganismo).

Com o evoluir descontrolado da ciência e da tecnologia assistimos durante uns anos ao transformar lento mas paulatino de homens em máquinas, cada vez mais frios e impessoais, regidos por princípios egoístas desde o enunciar do postulado de Adam Smith sobre o crescimento económico. De seguida, a Ciência matou Deus (com a preciosa ajuda de Nietzche e para gáudio dos ateus e niilistas) mas abdicou da gestão das almas e destinos dos homens com a consequente perda de valores morais até hoje não substituídos à altura. Depois entrou a globalização que nos atirou para um caos cultural, social, racial e religioso do qual muito se pode esperar pela exposição a maneiras diferentes de pensar e pelo convívio com a diferença mas do qual ainda tanto se teme (sendo a homogeneização um dos perigos) e do qual pode resultar uma convulsão enorme com perdas imensas (não estamos fora do alcance das leis da evolução e, portanto, os menos adaptados caminham para a extinção) se o processo não for adequadamente conduzido para o bem comum. Com a pressão crescente do consumismo, media e publicidade com recurso à manipulação de ideiais de estilos de vida, status, desejos e ícones criámos o monstro da depressão por ser quase impossível cumprir com tudo aquilo com que somos bombardeados e devíamos ter ou ser para atingir a felicidade. A desproporcionalidade na distribuição da riqueza não explica tudo, embora conduza sem dúvida a pressões sociais, emigração clandestina, sobre endividamento, aumento do crime e queixas sobre as condições de vida. Mais ainda, com o evoluir da ciência médica a nossa esperança média de vida aumentou incrivelmente mas não em proporção à qualidade com que a gozamos. No meio de tanto egoísmo e desinteresse pelo próximo, cresce a corrupção que prejudica indiscriminadamente populações inteiras.

Felizmente está sol, há praia e mar, vem aí o subsídio de férias e nada disto interessa. Vamos no bom caminho! Em frente! O precipício é já ali...

Foi há dez anos





segunda-feira, maio 07, 2007

Memórias...

Segundo um artigo que li recentemente a fiabilidade das nossas memórias pode ser muito mais fraca do que aquilo em que gostaríamos de acreditar. Tendo em consideração que muitas vezes agimos de acordo com as experiências passadas e sabendo ainda a nossa percepção em tempo real não é também 100% fiel, pois depende de demasiados factores como estado de espírito, capacidade de observação, estado de alerta, stress, fármacos, capacidades sensoriais, etc, fica um pouco abalada a noção de uma ligação firme à realidade. Ou melhor, a uma só versão de realidade. Mais ainda para quem prefere colorir as partes cinzentas com uma palete de cores imaginárias.

sexta-feira, maio 04, 2007

Flower Party

Também é de ir!


"festa das flores . sexta 11 maio . abertura de portas 00h00 . preço: 15 € – c/ oferta de bebida . dress code: flores"

"Em plena Primavera, e já com um cheirinho a Verão, a Open Up, a Soundz, a Crush e as Produções Banana unem-se mais uma vez, desta feita para vos apresentar a FESTA DAS FLORES!!! Depois do sucesso da festa de Halloween, regressamos ao magnífico PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES do Instituto Superior de Agronomia, situado no coração de um dos maiores e mais belos espaços verdes da cidade de Lisboa - a TAPADA DA AJUDA!!!"

in mailing list das produções banana


Ciclo de cinema fantástico no Quarteto

Os melhores do Fantas!
É de ir! De 4 a 6 de Maio e de 11 a 13 de Maio!

for your laughing pleasure...



Apresentamos o grande, o único, o incomparável:


CHUCK NORRIS!


http://www.thechucknorrisfacts.com/


quinta-feira, maio 03, 2007

Sondagem Independente

Agora que estamos todos esclarecidos sobre a história do diploma de José Sócrates, está na hora de acabar com a sondagem da Gabardina. Para a história ficam os resultados dos 45 votos.

A pergunta era:
Se se provasse que o primeiro-ministro comprou o diploma sem ir a exames (e ele pedisse desculpas pelo facto) poderia continuar no cargo?

E as hipóteses de resposta:
Sim. Todos merecem uma segunda oportunidade.
Não. De maneira nenhuma. O primeiro-ministro não pode ser um vigarista.


Os resultados foram os seguintes:


contextos, falta de cultura, medo de assumir que não se sabe ou desinteresse?

Num artigo recente que me enviaram, um jornal (Washington Post) dedicou-se a uma experiência engraçada: Colocaram um dos melhores violinistas da actualidade, considerado uma estrela pop da música clássica, Joshua Bell, no metro, de t-shirt, jeans e boné a tocar vários temas num Stradivarius de 1713 (3,5 milhões de dólares) três dias depois deste ter dado um concerto onde os bilhetes custavam 100 dólares e que esgotou. A reacção do público que passava apressado foi quase zero, exceptuando umas poucas crianças e alguns adultos que abradaram. Noutra história semelhante na essência que ouvi também há pouco tempo, contaram-me uma troca que fizeram entre aipo e umas plantas daninhas, entregues a alguém que cozinhava e exigia aipo para o que estava a fazer e não deu pela troca, aceitando de bom grado as ervas. A net está cheia de fws de mails contento gravíssimas incorrecções e mitos urbanos que estão lentamente a ser absorvidos como verdadeiros. Um miúdo na televisão dizia que o 25 de Abril foi mau por se terem obrigado crianças a combater como se via nas fotografias.
O primeiro caso choca pelo pouco impacto que algo declaradamente belo teve nas pessoas. A arte verdadeira precisa mesmo do contexto dos museus, críticos, holofotes, revistas e televisão? Aparentemente sim. A segunda choca pela arrogância do conhecimento, desconhecimento e pela negação do desconhecimento. Nem comento os fws sobre canibais chineses com três cabeças do espaço. A quarta é cá do nosso burgo, cheios de minhocas na cabeça por não conseguirmos falar abertamente das coisas, sem extremismos ou histerias.
Outros acontecem diariamente mesmo à nossa frente, onde o valor das coisas é sempre relativo à escala que deixamos que os outros nos imponham ou por olharmos demasiado para dentro do nosso próprio mundinho.
O que falta? Interesse? Tempo? Perspectiva? Cultura? Sinceridade? Atenção? Tudo, provavelmente...

quarta-feira, maio 02, 2007

mudanças, interacções, variações, diversidade e evolução



Apesar de a certa altura já tudo nos parecer mais do mesmo, pelos livros que lês sobre um tema, pelas músicas que ouves sobre algo, pelos filmes que vês sobre o mesmo assunto, pelas experiências que te contam ou que te sucederam, existe sempre algo diferente e novo à espreita, seja uma variação sobre o mesmo tema ou um tema completamente novo (ou o mesmo visto de um ângulo diferente). Confesso que há alturas em que me parece que passamos todos pelas mesmas fases de vida, sofremos com os mesmos problemas, somos apenas mais um no meio de milhões que ouvem a mesma canção, ainda que pareça sempre que foi escrita só para nós. Desvantagens de meios pequenos, uniformidade da educação, exposição às mesmas influências ou apenas percursos que fazem parte do processo de crescimento e evolução pessoal? Ouço problemas pelos quais já passei, assim como os tinha ouvido antes e achava que por eles nunca iria passar. Sacudindo rapidamente noções como destino, inevitabilidade, acaso, sorte e azar deste texto, passava antes para as mudanças, que o tempo, a experiência e o conhecimento que absorvemos por vivência própria ou por interposta pessoa, pelas quais passamos e, como no anúncio manhoso do ice tea, nos transformam em perfeitos estranhos para nós mesmos (quanto mais para os outros). Parar é morrer, ou pelo menos na biologia diz-se que um sistema em equilíbrio é um sistema morto por não ter diferenças motrizes; agora será que a renovação pela qual devemos fatalmente passar para nos adaptarmos às condições que nos rodeiam faz de nós outras pessoas? Algumas coisas não mudam, por estarem mais entranhadas, mas muito do que constitui o eu é certo que fica irremediavelmente alterado por aquilo que fazemos ou vivemos e mais e mais cresceremos e mudaremos quanto maior for a nossa capacidade para lidar com a diversidade. Será isto doença própria de quem vive no Caos ou a Ordem também muda? Por definição seria de acreditar numa maior rigidez da Ordem, mas também não deve ser imune à mudança, assim como até o Caos pode ter uma teoria subjacente que o reja.

Vonnegut

Kurt Vonnegut morreu a 11 de Abril deste ano. Descobri isso na semana passada.
Quando li que tinha morrido lembrei-me do livro que li há uns 16 ou 17 anos atrás: o Barba-Azul. Sei que foi aí que começou a mudar o que penso sobre arte, os preços da arte e a distinção hobby/profissão.
Fui à procura do livro. O parágrafo decisivo está numa nota do autor prévia ao romance:

Deixem-me dizer-lhes também que muito do que coloco no livro foi inspirado pelos preços absurdos pagos por obras de arte neste último século. Tremendas concentrações de riqueza em papel-moeda permitiram que algumas pessoas ou instituições dedicassem a certos tipos de brincadeiras humanas uma inadequada e aflitiva seriedade. Refiro-me não apenas aos borrões artísticos, mas também aos jogos infantis - correr, pular, agarrar, atirar.
Ou dançar.
Ou cantar.

terça-feira, maio 01, 2007

indeterminação e complementaridade

http://www.dhnet.org.br/
direitos/
militantes/
freibetto/
betto_indeterm.html

agora é só montar o endereço pela ordem em que está disposto em linhas...
um problema qualquer impede-me de postar o link de forma convencional.
talvez assim?

link

na terra dos sonhos

31x364+((31/4)*1)+1 (mais ou menos)

Sabendo que me torno transparente mas sem querer que me tomem por translúcido, gostava de agradecer a preocupação mas dispensar o excesso de atenção. Uma vez chamaram-me a atenção para esse problema e vejo agora o grau de gravidade que pode tomar. Mais ainda gostava que os meus doutos leitores não me tomassem assim por tão fácil de ler. Gostava de acrescentar mais e mais coisas, sobre assuntos importantes que me corroem por dentro ou que me aquecem como se uma estrela carregasse em mim, mas vejo que devo tomar algum cuidado para não ser mal interpretado por quem por tão bem julga tomar-me como algo que de verdade não sou.
Não posso, no entanto, deixar passar uma ocasião como esta sem deixar aqui algo que ficou por dizer quando a garganta se turvou com tamanha reunião de amigos (que só posso tomar por sinceros e que se por sinceridade não agem, confio que por de igual montante de razão se tomam, para que tal motivo seja suficiente para traição de nobre princípio). Agradeço muito do fundo do que sou terem estado, nos vários graus e delongas, o que e como estiveram junto de mim hoje! Obrigado porque realmente gosto muito de todos vocês (entre os que estiveram e os que queriam ter estado)! Menos seria ser muito mal agradecido; muito mais seria lamechas. Se fiz o que fiz, só o fiz porque sou o que faço! Para quem não sabe o que por esta altura já devia saber, sem duvidar, espero um dia poder demonstrá-lo... BEIJOS&ABRAÇOS!

segunda-feira, abril 30, 2007

Fim-de-semana desportivo

Os Chicago Bulls fizeram história na NBA ao eliminarem por 4-0 os campeões em título na primeira ronda do play-off.

Por cá o fim-de-semana foi calmo e sem nada de relevante a assinalar...