sexta-feira, abril 13, 2007

Deve ser da sexta feira 13...

Apetece-me algo. Nem sei bem o que é. Sei o que não é, sei que não é mais disto, o mesmo dia-a-dia. Apetece-me fazer asneiras, encarnar a sexta-feira 13. Apetece-me chatear, melgar, importunar. Apetece-me pregar um susto a quem passa distraído, ladrar a um cão, sair pela janela e carregar naquele botão que diz para não carregar lá. Apetece-me fazer perguntas parvas e sem sentido; dar respostas ao que não foi perguntado. Quero o caos, o imprevisto e o non-sense. Queria mesmo que um elefante verde a fumar cachimbo me perguntasse se gosto do sabor dos dias de inverno. Quero o surreal, o inédito e o inaudito. Gostava de atravessar o espelho, de cair num buraco e passar para outro lugar. Gostava de usar um cajado e uma túnica com runas e falar sobre o final dos tempos em aramaico de forma muito convincente e logo a seguir desmentir tudo e comprar as acções mais baratas. Gostava de improvavelmente subir para baixo, descer para cima e ver os cacos erguerem-se num copo. Suspeito que existem mais coisas à nossa volta do que nos é dado saber e preferia acreditar que não é só paranóia. Sei que há uma maneira de abrir a passagem secreta no armário e de tirar a espada do bloco de pedra. Acho que ando a jogar playstation demais e nem tenho cá a consola...

Wiki to Blogs and Bloggers

http://blogging.wikia.com/wiki/Blogging_Wikia

Guia de Conduta para blogs e bloggers em elaboração.

quinta-feira, abril 12, 2007

Insultos...

A nobre e mui antiga arte do insulto, refinado ou em bruto, tem, nos últimos anos, andado realmente em baixo com a proliferação de termos banais e sem imaginação nenhuma. Posso dizê-lo pois vim de um local onde nos bons tempos teria ouvido uma bela e ampla gama dos mais variados e imaginativos impropérios mas que hoje ficou bastante aquém do esperado - um estádio de futebol. Urge reanimar esta área do conhecimento, pois, agora mais do que nunca, existe uma enorme necessidade de injuriar e insultar uma variedade de pessoas que de facto o merecem e, se tivermos em conta o que fizeram para o merecer, merecem muito mais do que palavras gastas pela repetição e uso abusivo que extravasa já o âmbito do puro linguajar verrinoso e ofensivo. Muito se tem estudado sobre esta milenar disciplina da linguagem que se julga ter nascido logo após a invenção dos primeiros vocábulos, existindo mesmo uma corrente de opinião de alguns peritos que perfilham que o primeiro vocábulo terá certamente sido um palavrão dada a grande utilidade que se teoriza ter tido na alvorada da civilização mostrar desagrado a um colega hominídeo por este lhe ter acabado de acidentalmente lascado uma apara de sílex para a vista ou pelo osso que tinha atirado ao ar ao som de "Also Sprach Zarathustra", perto do obelisco negro, lhe ter inadvertidamente pousado suavemente no crânio. Assim, e escalpelizando (isto não é uma piada sobre o crânio do atrás mencionado hominídeo) um pouco o tema, temos então 2 grandes tipos de insultos: os mono vocabulares e os compostos. Dentro dos primeiros podemos incluir os formados por fusão entre palavras (excepto hifenizadas que se incluem nos compostos) e dentro dos segundos temos os formados por mais que uma palavra com especial destaque para os chorrilhos, ou seja o encadear de um número apreciável de asneiras e/ou insultos. Para além destes dois grupos existe ainda uma classe especial, as frases insultuosas que curiosamente nem sempre incluem palavras que por si só constituam uma ofensa.

Fica desde já aqui aberto o fórum de comentários para que livremente (anonimamente se assim o entenderem) possam expressar o vosso desagrado sobre seja o que for e nos termos que mais vos aprouverem, salientando de novo a necessidade de serem criativos nas palavras e conceitos empregues. Resta acrescentar, por motivos óbvios, que é de todo desnecessário identificar o alvo dos vossos insultos excepto se for absolutamente vital para a compreensão do que escreverem. Pensem em coisas enervantes, pensem em coisas irritantes, pensem em pessoas que vos tiram do sério, pensem nas piores situações em que já estiveram, pensem no governo, no trânsito, nos impostos, no amigo da onça, naquele vizinho niquento, no polícia que vos multou, na pessoa que vos enganou, naquele superior irritante ou o subordinado insolente, no pior corolário da Lei de Murphy, no senhor do apito... Inspirem-se! Avancem! Desabafem!

Vida que vai na sela dessas dores

Para tudo parece haver um processo de aprendizagem. Os primeiros dois anos de textos no blog, bem espremidos, são uma espécie de agenda fundida com diário. Leio os posts e lembro-me dos dias, das alegrias, das tristezas, dos encantos e dos desesperos.
Depois tudo muda. Não é pudor, é juízo. E é quando chega o juízo que vão embora a loucura e a beleza. É sempre que chega o juízo que se vão as coisas de que mais gostamos. O juízo é estúpido. O juízo é irracional. O juízo não é natural. O juízo não é normal.

quarta-feira, abril 11, 2007

Suicídio!

Eu nem queria mas com a actual superpopulação do mundo algo tem de ser feito e há claramente para aí gente a mais... Assim, com a melhor intenção possível, aqui ficam 10 boas razões para caíres de uma ponte (uma das altas e isso rápido para não perturbar o trânsito!!):
1 – Dívidas excessivas
2 – Desgostos de amor
3 – Família disfuncional
4 – Desemprego ou desaires do estudo
5 – Derrotas em geral, do clube, do partido, da guerra com o condomínio, do negócio...
6 – Alcoolismo e/ou outros vícios
7 – Doenças graves
8 – Solidão
9 – Empurrarem-te
10 – Escorregares

Pensa bem nisto tudo; vê lá se a vida vale mesmo a pena viver, porque tristezas não pagam dívidas (ver primeiro ponto) e isto é realmente um mundo de merda, as pessoas são horríveis, mentem, enganam, matam, o amor perdido ou não correspondido é a pior coisa que há, a traição, a angústia sabe-se lá de quê (os outros pontos todos)... É que para andar por aí aos caídos, a ver a banda passar também não vale a pena, não é? Esqueçam lá isso de as coisas poderem melhorar, dar a volta por cima, esqueçam família e amigos, esqueçam os bons momentos passados e os que ainda podem vir a viver, esqueçam o bem que sabe estar alegre, feliz e contente. Afinal de contas ninguém quer mesmo saber; desde que não se atirem para a frente do carro deles ou do comboio e a malta chegue atrasada a algum lugar... Vá, vamos lá seguir a inspiração desse portento de inteligência que é o João Pinto (jogador de futebol do FCP) e dar o passo em frente na beira do precipício!

Bom, como não quero que me acusem de estar aqui de só dar um lado da questão e como acho que, como chamada de atenção, matarem-se deixa muito a desejar em termos de eficácia, inteligência e avaliação risco/benefício deixo aqui um artigo muito útil: http://www.pointlesswasteoftime.com/suicide.html que explica uma série de coisas sobre o assunto para o caso de quererem mesmo tentar comprar um bilhete para esta viagem sem volta. (E não se esqueçam de me deixar o carro, a casa e a coleção de cd's, transferirem tudo para a minha conta bancária e darem uma vista de olhos à minha lista de 1001 pessoas para matar antes de morrer!)

terça-feira, abril 10, 2007

Das religiões

Há dois mil anos a Alexandra Solnado teria sido profeta.

Gozo e regozo

Eu regozijo
Tu regozijas
Ele regozija
Nós regozijamos
Vós regozijais
Eles regozijam

Todos regozijamos com o percurso académico de José Sócrates.

segunda-feira, abril 09, 2007

existências insignificantes

Is that all that is? Nasce, cresce, amadurece, ganha, ama, mata, cria, perde, pensa, mirra, morre. De sol a sol, sem nada para fazer senão o que tiver de ser, sem mais o que fazer senão passar pelo mesmo que tantos outros, iguais a milhões, sem mais do que repetir o que outros já leram, ouviram, viveram e souberam. E se for só experimentar para descobrir que é tudo igual para nós como foi para outros, que nada muda, escravos das estatísticas e da psicologia de massas que nos empurra os carrinhos de compras para o alinhamento dos enlatados, ao som da música que nos faz gastar mais? Fazes parte dos 25% com isto, dos 25% sem aquilo ou dos 50% que não sabe ou não responde (ainda pensei em falhar os 100% e fazer uma piadola sobre a soma das partes e o todo mas depois mudei de ideias)? Ou vives atrás de uma barreira impermeável que mantém tudo asséptico e arrumadinho nas suas pastas de ficheiros multimédia (ou mais arcaico, no diário e no armário) a ler o que podia ser vivido e a escrever aquilo que querias ter feito...

O que é que faz a diferença para ti? Para mim, hoje, confesso que não sei... A guerra? A fome? As doenças? As drogas? A eutanásia? A felicidade? A paz na terra? O amor? Talvez a sopinha de legumes que comi ao almoço. Estava bem boa e não me levantou nenhum problema existencial profundo! Estava perfeitamente amoral, apolítica, atéia, neutra, despida de preconceitos ou polémicas e tenho quase a certeza que não tinha grandes convicções sobre coisa nenhuma, como, aliás, tantas outras sopas... vá, faltava-lhe um pouco de sal.

Insignificâncias existenciais

Existem momentos nas vidas de todos nós em que somos confrontados com escolhas. Aliás, todos os momentos são escolhas. Em cada instante abrem-se milhões de cenários possíveis para percorrer e existem decerto consequências bem diferentes para cada uma delas (ou talvez não, para quem acredita na predestinação das grandes coisas). Assim, confrontamo-nos com escolhas que vão do banal ao vital, das aparentemente inócuas mas que se revelam, numa cascata amplificadora, inacreditavelmente essenciais para o desenrolar da nossa vida e da vida de outros ou das aparentemente importantes mas que, por erro de avaliação ou inevitabilidade, se revelam afinal completamente irrelevantes para o resultado final.

Acrescente-se a isto 7 factores que, grosso modo, tomamos em consideração para ponderar o que fazer nas diversas situações: influências de outras opiniões, tempo para pensar a decisão, constrangimentos circunstanciais, experiências passadas relevantes, informação disponível, instinto e o acaso.

Assim, saibam que existe a possibilidade de na próxima vez que escolherem queijo fresco ao almoço poderem apanhar uma pequena intoxicação, que vos levará à casa de banho a meio da noite com febre, tropeçarão nos chinelos deixados no meio do quarto, baterão com a cabeça na esquina da cadeira, rachando a cabeça o que vos obrigará a uma ida ao hospital, a caminho do qual terão uma avaria na altura errada pois estavam a passar 2 delinquentes que vos assaltam e deixam sem nada; a pé seguem então até ao dito hospital onde ficam três horas à espera com dores e diarreias, finalmente são atendidos por um tipo mal disposto que vos faz milhares de perguntas parvas para as quais não há resposta possível àquela hora da manhã, saem de lá com a cabeça enfaixada, cambaleando sozinhos em direcção a casa. São 5,23 da manhã, um carro passa por uma poça de lama, encharca-vos, e quando caem vencidos pelo cansaço e pelo ocorridos na últimas horas, amaldiçoando o queijo estragado que provocou toda esta cadeia insana de acontecimentos, reparam num bilhete do euromilhões no chão com os números do jackpot dessa 6ª feira, confirmam que é verdade num jornal que por ali jazia, descobrem também que no dia seguinte fará bom tempo, a gasolina baixou de preço, a guerra no Iraque acabou, descobriram a cura para o cancro, foi preso um político corrupto em Portugal, e rumam a casa tão bem dispostos, que, quando passam por uma rapariga lá do bairro, por sinal lindíssima, simpática, inteligente, e que nunca tinham tido a coragem de abordar, ela, inspirada por ver alguém em tão clara situação de desgraça (sujo, cabeça partida, olheiras, roupa rasgada,...) mas tão feliz, resolve vencer a inércia e a vergonha que a tinham anteriormente impedido de confessar uma certa atracção e aborda-vos no que será o início de uma bela relação.

Bom, depois disto e resolvidas com facilidade as questões que me tenho vindo a colocar sobre o meu emprego, casa, carro, família, amigos, relações amorosas, finanças, religião, política e sentido da vida, estou na dúvida sobre o que verdadeiramente interessa e que pode determinar todo o resto do meu curso de vida: o que vou escolher para o almoço? Bacalhau com natas ou massa com espinafres, bacon e... queijo fresco!?

sexta-feira, abril 06, 2007

A Independente não arranja um diploma para a Neidi?

De acordo com a SIC o super-Professor que fez cinco exames a José Sócrates é o mesmo homem que contratou a célebre Neidi para o Ministério da Justiça. Tinha sido contratado para o governo de Sócrates. Curiosamente, também já tinha sido contratado pelo anterior governo em que Sócrates foi ministro.
Também curioso é o facto de o novo Reitor da Independente vir da CGD, onde trabalhava na Direcção de Armando Vara, esse homem cuja seriedade está acima de qualquer suspeita.
Ainda curioso é o facto de o mesmo Vara, que também fazia parte do primeiro governo de Guterres (do qual saiu devido ao famoso escândalo ligado a uma Fundação para a Prevenção Rodoviária), ter terminado a licenciatura pouco tempo antes de ser nomeado para a CGD, por Sócrates, numa tal de Universidade Independente...

O tempo...


http://www.worldtimeserver.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Time
Tudo em nós está orientado em função do tempo, ainda mais nos dias que correm em que tudo passa a voar e até mesmo os dias correm, já não se arrastam como antigamente. A vida acelera para velocidades impressionantes em que tudo é medido pelo tempo que se pode perder conforme aquilo que se pode receber em troca. Isto perverte toda a nossa maneira de encarar a vida e acrescenta esse sub-produto terrível, o stress, que nos corrói por dentro se perdermos o controlo e formos por ele governados. O tempo, conforme o artificialmente definimos, passa, na nossa realidade, sempre ao mesmo ritmo, implacável e imparável na sua marcha. Ao mesmo tempo, retirando mais ou menos de cada segundo, minuto, hora, dia, mês, ano, podemos alterar este passo ao nosso gosto, fazendo de cada momento algo único, como verdadeiramente é, saboreado na sua plenitude ou então, gastadores insensatos, deixar passar tudo e ver a areia escorrer descontroladamente na ampulheta. Cada um saberá melhor ou pior ver o que lhe convém, sabendo, pois, que fomos construídos para operar numa sequência de causalidade linear, e, por isso, ele não volta para trás e não pára; quando muito abranda em determinados momentos chave, bons ou maus, por exclusiva obra da nossa percepção consciente. Por isso, da próxima vez que estiverem numa situação má que vos pareça interminável, mudem de modo operativo e gastem esse tempo lento noutra coisa para a qual não teriam paciência se estivessem com pressa, saturando os sentidos com tudo o que nos rodeia. De igual modo, naquelas circunstâncias em que parece que as coisas boas fazem o tempo passar a correr, suguem tudo ao máximo, espremendo a situação para mais tarde recordar. Nunca mas nunca achem é que há sempre mais e mais tempo, porque, de facto, até prova em contrário, temos todos a nossa dose já servida e não há segundo prato; aproveitem! Além disso, tudo tem o seu tempo próprio e há oportunidades que não voltam mais depois de desperdiçadas, assim como há desperdícios de tempo que devem ser evitados depois de aprendida a lição (lamentar o passado, chover no molhado, marrar contra a parede...), num claro incentivo ao conhecido "seize the day". Agora tenho mesmo de ir porque não tenho mais tempo a perder: calculei agora a minha esperança média de vida (85 anos) e descobri que, estatisticamente e se não for atropelado por uma betoneira ou esmagado por um piano, as duas coisas que mais me atemorizam neste momento, claramente, já só tenho 55 verões, 55 primaveras, 55 invernos, 55 outonos, 2860 fins de semana/semanas, 20020 dias, 480480 horas pela frente, nem todos vão ser bons de certeza e o rendimento que tirar deles vai depender do meu ritmo de evolução/declínio... afinal não deve dar para ir fazer BTT a fundo aos 83, entre as aulas de paraquedismo, o alpinismo, o brídge, o tiro com arco, ensinar inutilidades perturbadoras aos netos, a colecção de caricas e o dominó no parque ao fim da tarde, sendo certo que, com as actuais reformas da segurança social, terei mesmo de vir trabalhar depois de morto.

quinta-feira, abril 05, 2007

Universidades privadas

O problema das Universidades privadas em Portugal parece ser a falta de coerência do seu conjunto. A Moderna não era nada independente e a Independente não parece nada moderna. A Autónoma parece não ter orgulho em ser portucalense. A Portucalense não tem espírito intenacional e a Internacional não está muito católica. A Católica não é nada independente, nem autónoma. E o que dizer da Lusíada e da Fernando Pessoa?
Decidam-se, porra! Assim desunidas não vão a lado nenhum!

quarta-feira, abril 04, 2007

numa dimensão paralela...

A radio tocava um som calmo, o trabalho estava em cima da mesa, o mail aberto com mensagens a chegar, os telefones tocavam urgentes e o tempo passava. Tudo corria com tranquilidade até que um morto-vivo fez a sua aparição. "Olá!", exclamou com a voz gutural saída do fundo da sua garganta putrefacta. "Sabe dizer-me onde fica a casa de banho?" ao que respondi "Tem de pedir a chave na sala do fundo, à esquerda e depois é ali ao virar da esquina daquele corredor.". "Obrigado" respondeu, deixando cair um naco de carne apodrecida na soleira da porta do gabinete. "Com licença!" rosnou Voldemort, com brusquidão, entrando decidido pela sala dentro, quase derrubando o pobre morto vivo. Dirigiu-se à fotocopiadora e levou os seus textos arcanos de maldições antigas que tinha acabado de tirar da internet. Puff, transportou-se para o seu retiro escuro, deixando para trás uma nuvem de enxofre. Ao fundo, atarefados como sempre, o Quarteto Fantástico estava reunido em redor do último relatório, tentando salvar o mundo e a produção pela terceira vez naquela semana. Ouvia-se a voz do Coisa dizendo qualquer coisa sobre abelhas, entre as gargalhadas do Tocha Humana, do Sr. Fantástico e a Mulher invisível. Um gnomo amistoso zanzava pelos corredores, sempre ocupado com os seus utensílios, procurando zelosamente manter uma certa ordem naquele covil de estranhas personagens. Na secretária em frente, Herr Flick from the Gestapo resmugava algo incompreensível em alemão ao telefone. A azáfama do dia a dia era uma constante, entre raios de energia, objectos voadores, explosões, tele-transportes e o ar sempre carregado de magia e leitura de mentes, mas o trabalho tinha de ser feito, a fábrica não podia parar e os objectivos a cumprir pairavam por todo o lado, ameaçadores na sua inflexibilidade. Despachei o que faltava daquele dossier, parando apenas para abrir mais umas quantas resmas de papel para a impressora com o sabre de luz.
Com isto era quase hora do almoço decidi invocar alguns aliados: D'Artagnan o mosqueteiro, Eliot Ness dos intocáveis, Blossom a PowerPuff Girl, a Heidi das Montanhas, Dorothy de Oz, entre outros. Na cantina a azáfama era a habitual com os grupos do costume nas suas brincadeiras e conversas a encherem o ar. Estavam lá o Knight Rider, o Hulk, 3 ou 4 Cylons, Spock o Vulcano, George Constanza, 6 elfos, a Bruxa má do Oeste, a Bruxa má do Leste, Morgana e Merlin, a Dory e o Nemo, Chucky o Boneco Diabólico, meia dúzia de estrumpfes com a estrumpfina, Roger Rabbit e a Jessica, o Noddy e Bob, o construtor, 4 throlls, o homem aranha na sua versão Peter Parker, o Tintin e o Lucky Luke, Conan o Bárbaro e a Elektra. Na cozinha os Hobbits afadigavam-se para a frente e para trás com os tabuleiros de comida, trazendo constantemente as mais variadas iguarias exóticas, a maioria das quais de origem desconhecida e ingredientes que também ninguém queria conhecer. Abrindo caminho por entre toda esta algazarra até um espaço vazio nas longas e rudimentares mesas corridas de madeira escura, o grupo instalou-se debaixo de um dos candelabros de ferro forjado. A conversa fluia entre piadas e comentários, com o ocasional uso de um superpoder ou habilidade por parte de alguém para melhor marcar o seu ponto de vista. Assim, por mais de uma vez, viu-se um hobbit passar a voar depois de uma palmadinha nas costas do Hulk, a careca do Constanza fulminada por um raio de Merlin, o cabelo da Heidi aparado pelo D’Artagnan e o Chucky a tentar arrancar à dentada um braço do Noddy e uma perna do Bob. Tudo normal.
Enquanto isso, ia cortando fatias, fininhas como convém, da carne assada com o meu fiel sabre de luz, ferramente indispensável para qualquer função, como desentupir canos, tirar etiquetas de camisolas, descarnar fio eléctrico, etc (excepto fazer a barba, coçar as costas ou tirar gatos de cima de árvores). Entretanto, pelo canto do olho, reparo que chega Xena a Princesa Guerreira com o seu costumeiro grupo para o almoço, distraio-me completamente do que estava a fazer e amputo o dedo mindinho da Dorothy. Bolas. Desculpa lá isso, pode ser que volte a crescer em Oz. Para me redimir uso a Força para trazer um tabuleiro de cafés para a malta, que tive entretanto de arrancar do lado negro, pois o Darth Vader estava com pressa e tentou outra vez a sorte com os meus cafés, o sacaninha.

Sondagem

Na sequência de uma conversa de ontem, fiquei com a curiosidade de saber o que pensa a maioria das pessoas sobre o que deveria acontecer ao Sócrates no caso (altamente improvável) de ele ter comprado o seu diploma sem ter feito os exames respectivos e de isso se vir a descobrir.
Se pedisse desculpas públicas poderia continua a ser primeiro-ministro?
Ou não aceitaríamos nunca um pequeno vigarista para governar Portugal?
A sondagem está aberta na coluna da esquerda.

terça-feira, abril 03, 2007

Seinfeld vs. Oliver Stone



Só para quem viu o JFK.
Viva a Sic Radical por trazer de volta estes momentos!

segunda-feira, abril 02, 2007

Arrogante e politicamente incorrecto

No caso "licenciatura de Sócrates" o que mais me aborrece não é pensar que o processo na Independente tenha sido falsificado. Não é sequer não acreditar que o primeiro-ministro alguma vez tenha ido a uma aula na Independente. Ou tenha feito algum exame. (Cada um acredita no que quer) Não é ainda que o diploma tenha sido assinado à pressa e que ao escolher uma data num período conveniente não se tenha reparado que era dia de domingo (ou será que a data foi uma pequena maldade de uma qualquer secretária farta de trafulhices?).
O que verdadeiramente me aborrece é que o país tenha chegado a um ponto em que o primeiro-ministro é alguém que foi acabar o curso à pressa a uma qualquer Universidade privada. Seguramente porque considera que ter o canudo é importante. Com certeza porque não foi capaz de o obter com mérito numa Universidade pública.
Porque, tristemente, parece não haver nada por aqui que não se possa comprar.

domingo, abril 01, 2007

bebedo

estou demasiado bêbedo para escrever coisas com sentido mas só sei dizer que queria muito algo que não está agora aqui.... caca.... eu sei que não se pode ter tudo mas também não era tudo era só ...................................... talvez um dia................................ah boa, já está, encontrei-a.... estava no chão outra vez....... a almofada

A chamada pandemia do século XX (XXI?), a depressão (com a ajuda do sempre presente stress, suplemento actual de todas as componentes da vida - tudo agora gera stress, até a diversão e o relax), tem conseguido uma expansão incrível, entre doentes convictos e adeptos simpatizantes, a julgar pelo tom de permanente tristeza que ouço nas pessoas hoje em dia. Tudo é mau, tudo é triste, tudo é tédio, desinteresse, apatia e falta de vontade ou energia. Isto é incrivelmente contagiante e assume inúmeras formas. A depressão da velhice, por falta de companhia e estímulos; a depressão do adolescente, eterno acno-incompreendido, hormono-dependente, habitante do armário; a depressão da meia idade por constatação do tempo que passou, do que ficou por viver e do abandono do lar pelos filhos; a depressão dos trinta anos por desfazamento geracional de objectivos com os pais, etc... para essas depressões, graves e preocupantes, há ajuda possível, como explicam os links

http://www.depression.com/,

http://www.nimh.nih.gov/publicat/depression.cfm,

http://en.wikipedia.org/wiki/Clinical_depression

http://society.guardian.co.uk/socialcare/story/0,,2044862,00.html (nem que seja falar com um computador sobre isso)

Há, no entanto, uma em particular que, por ser tão fútil e falsa, me chateia incrivelmente: depressões de meninas filhas do papá ou meninos filhos da mamã, pudins mimados amorfos, não me suscitam qualquer tipo de solidariedade ou compreensão. Normalmente as queixas são do género: A minha vida é uma tristeza, não tenho isto ou aquilo, faltam-me amigos, estou sozinho/a, não tenho interesses, o meu trabalho não me motiva, não gosto do meu carro novo, não tenho a casa que quero, não fiz o que queria fazer, cometi tantos erros no passado, etc, e só aparecem em determinadas alturas de sua própria conveniência, por falta de fibra e força de vontade. Enfim, quando aparecem problemas normais da vida real que todos temos de enfrentar num processo de crescimento mas que os "deprimem", tadinhos, pois não queriam nada ter de lidar com eles e preferem espernear para chamar a atenção que lhes supostamente é negada e serem apaparicados, esquecendo-se que só suscitando interesse neles próprios e fazendo algo por si mesmos (em vez de esperarem por soluções externas) podem ter o que querem. Normalmente, depois de se lamuriarem durante uns tempos arranjam um brinquedo novo qualquer e, qual fénix, renascem das próprias cinzas às quais se tinham reduzido eles mesmos, surgindo brilhantes e equilibrados, exemplos de protagonismo social e cultural, lágrimas secas que já não escorrem da torneira de queixas que momentos antes parecia não poder fechar. É só até à próxima desventura chegar, claro, mas isso não interessa nada, desde que a máscarazinha das mentirolas que contam a si próprios não caia, que as falsas amizades com que se cercam não se afastem quando forem chamadas à pedra pelas necessidades da vida, o brinquedo novo canse, se parta ou vá embora, o desinteresse se instale de novo na vida pastel que levam ou que a família mokambo em que normalmente se inserem acabe mais uma vez por sair do cenário pseudo idílico de catálogo de moda onde pretendem habitar. Esses sim, são os problemas que deviam encarar e resolver, mas que insistem em colocar de parte como inexistentes, inevitáveis ou irresolúveis. Este modo de vida de permanentes queixas e lamúrias afasta qualquer boa alma que por eles se interesse pois ninguém quer conviver com uma alminha triste e apagada, em perene necessidade de um amparo, sorvedouros da felicidade alheia que tudo têm de experimentar por interposta pessoa, o que tende apenas a reforçar o ciclo num feedback positivo. Há um limite para o que quem os rodeia consegue dar, animar, ajudar sem que esse esforço leve algo em troca, esgotando o que parecia inesgotável, lentamente, gota a gota até que o poço seca e a depressão (quase) conquista por contaminação mais uns para as suas fileiras.

Para eles, os eternos entristecidos, há um remédio: é levantar a cabeça e encarar as coisas de frente; é tempo de viver com energia e alegria; gozarem bem o que têm e lutarem pelo que querem e não têm, interessarem-se em serem interessantes; sacudirem para longe essa neura castrante que os debilita, nas palavras musicadas de Johnny Cash - Get rhythm (when you get the blues) e adoptarem um estilo stressless ligeiro/despreocupado que não sendo fácil e acarrentando riscos (cair na inconsequência, no levianismo ou na dispersão), traz, a meu ver, a grande recompensa da felicidade, derradeiro objectivo de uma vida equilibrada.

sábado, março 31, 2007

Opções de vida

Pela calada, sorrateiro, invisível nas sombras, aguardava vigilante. A emoção da caçada, embora não fosse a primeira, continuava a estimulá-lo. Mais do que isso; permitia-lhe suportar todo o resto do dia seguinte. Só de pensar nisso bocejou, antecipando o tédio e a monotonia que iria seguramente experimentar em mais um longo e aborrecido dia de trabalho. As vantagens daquele emprego banal neste momento escapavam-se-lhe da mente. Teve de se esforçar para recuperar a ideia que somente mantendo um exterior de normalidade, ou pelo menos de saudável excentricidade, lhe seria permitido continuar aquilo que verdadeiramente fazia o seu coração continuar a bater. Era esse o segredo. Isso e infelizmente nunca poder assumir perante ninguém as atrocidades que cometia quando estava na pele do seu alter ego. Uma pena, pensou, mas de todo necessário. Apesar de todos os livros e filmes de psicopatas que glorificavam a psicopatia dos mega-vilões geniais do crime e da violência ser hoje, mais do que nunca, graficamente atraente, sabia que a justiça era inclemente e ele não era nenhum actor de cinema. Não representava para ninguém, não tinha público nem fans, não ansiava por aplausos ou compreensão. Gostava, no entanto, um dia, de poder despejar o que lhe ia no âmago, não pela catarse nem por querer ser detido. Era mais pela conversa. O tema agradava-lhe bastante e era tão difícil encontrar alguém para discutir a parte técnica, as vítimas certas, a parte artística, os melhores métodos, o que fazer quando as coisas não correm bem, etc... Durante algum tempo alimentou esperanças de encontrar um chat ou um fórum sms sobre o assunto onde participar mas depois desiludiu-se com o que encontrou e mudou de vida; tornou-se taxista em Lisboa. Sempre dava uns trocos, podia sempre falar sobre o que lhe apetecesse que isso não era um problema, por mais estranho que parecesse o tema e matar todos os outros que o aborrecessem com temas de merda como o tempo ou o trânsito e despejá-los em Fernão Ferro.

quarta-feira, março 28, 2007

A DGV aconselha

Às vezes parece-me que, mais do que um sentido da vida, com tanta regras, códigos de conduta e espectativas criadas, existe antes um sentido obrigatório na vida. E um sentido proibido. Um limite de velocidade. Um proibido estacionar. Vendo bem, toda a metáfora do trânsito faz sentido, sendo o carro e como o guias a postura/máscara/atitude com que conduzes a vida. Podes sempre trocar de carro em certas alturas e andar mais depressa ou mais devagar conforme o estado de espírito e a conveniência.
Há por aí veículos ligeiros, pesados, de mercadorias, atrelados, especiais, chaços, clássicos, de competição, de construção, tunnings, usados, de luxo, roubados, emprestados, descapotáveis, utilitários, jipes, motociclos a motor e a pedal, o carro de gelados da Family Frost, ambulâncias, bombeiros e polícias, o carro com o megafone da CGTP, táxis, tanques, transportes públicos e carros funerários. Os personagens estão todos lá. Depois temos também os acessórios, derivados e associados, como a sinalização e o código da estrada, os trajectos (com ou sem mapa/GPS) e os atalhos, o trânsito, as garagens e estacionamentos, os acidentes, a BT e as multas, o seguro, as inspecções e o mecânico, as corridas, os furos, aquela estrada manhosa com a curva perigosa, aquele cruzamento onde toda a gente se perde, a bagagem, o combustível, o óleo, a água e os aditivos, etc.
Em casos particulares, já todos encontrámos ou fomos quem muda de faixa sem fazer pisca e provoca acidentes, aquela besta que nos indicou um atalho que afinal só nos fez perder tempo, a estrada esburacada onde passámos um mau bocado. Já tivémos que escolher para que lado virar na bifurcação com as devidas consequências futuras, algumas irreversíveis. Já demos boleia à pessoa errada ou fomos largados na beira da estrada. Já de certeza fomos ao mecânico, mandados parar pela polícia por termos infringido a lei e já tivémos acidentes mais ou menos graves, por culpa nossa ou de outros, sendo mais ou menos prudentes.
Mas também há alturas em que conduzimos tranquilos numa estrada lisa, junto à costa num dia de sol, o motor a roncar baixo e certinho, capota aberta com o vento a soprar suave, a música certa a tocar no rádio, a companhia certa no lugar do pendura ou um animado grupo de bons amigos a encher todo o carro. Se for mesmo o caso da companhia ser a tal, até dá para pensar em trocar o 2 lugares por um familiar. Ou então, solitário, livre e desapegado, ir de mota a fundo na faixa da esquerda.

Por falar em carro, já lavava o meu...

terça-feira, março 27, 2007

O seu parceiro

Quando se previa que os juros iam subir os bancos vendiam empréstimos à habitação com taxa variável.
Agora que se prevê que os juros vão estabilizar e depois descer os bancos fazem campanhas a anunciar empréstimos com taxas fixas.

segunda-feira, março 26, 2007

domingo, março 25, 2007

BLOG PARTY

Festa

Máscara

Blog

Quando, onde, quem, como?

Considerações de ressaca de um domingo qualquer

Homens e mulheres, nestas coisas de relações amorosas, gostam que lhes dêem para trás, gostam de quem os trata com indiferença com ocasionais torrões de açucar no caminho, o tal macho à antiga, figura autoritária paternalista que mande, ou mulher fatal que arrasta tudo à passagem, indiferente. Gostava mesmo de acreditar que não será sempre assim mas vejo que, de facto, na maioria dos casos, é mesmo verdade. Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti - na versão metafórica claro, atesta a sabedoria popular vertida em provérbio. A razão na base de tudo isto deve estar relacionado com os tradicionais "capachos" deitados aos pés dessas meninas e meninos que lhes elevam o ego até ao céu. Uma vez lá em cima instala-se o tédio de terem tudo o que querem por esse meio e a única estimulação decente (da "caça") que obtém tem, então, de vir daqueles que as renegam e que as desprezam, por não aceitarem a derrota. Observei já vários exemplares destes em acção, uns mais óbvios outros menos, mas todos incapazes de admiti-lo, elas refugiando-se nos chavões habituais sobre romantismo e como deviam ser tratadas pelos homens, eles com a soberba masculina de quem nunca sofre desgostos de amor. De seguida, nestes casos, quando encontram quem as/os trata bem, quem faz qualquer coisa por elas/eles, quem se mata e se esfola, quem se baba, quem é verdadeiramente romântico e apaixonado, esmifram o que podem para voltar à mó de cima e depois borrifam. Vão atrás da/do sacana que os/as trata mal, perdem-se em esforços para agradar a quem lhes deu para trás, ficam em sofrimento por quem os/as ignora. Desse sofrimento nasce a necessidade do tal séquito de adoradores que competem entre si pelo privilégio de um raio de sol, apenas para verem aparecer o zézinha/o campeã/ão levar a taça em 5 minutos, com falinhas mansas, num ciclo vicioso sem fim. Ora, depois de constatados os factos, acontece por vezes a alguns, reunidos o Tico e o Teco em deliberação profunda e irracional, sofrer um ataque de amargor e desilusão profundas, deliberar não mais voltar a ser tanso/a com quem não merece o esforço e passar a ser uma besta como os/as outras/os. Temporariamente este ataque de cinismo ainda pode acontecer (e acontece) e será, em certa medida, tão compreensível (não para as/os visadas/os pelo bruto/a, óbvio) como inadmissível. Para sempre não me parece nada saudável como modo de vida, até porque envolve alterações demasiado profundas e dá asneira vezes demais com quem não merece.
Acho muito mais engraçado e interessante quando a dança a dois flui sem entraves ou hesitações, simples, assumida, num cortejar mútuo de quem não pensa muito no que está a acontecer e saboreia cada momento sem julgamentos de intenções ou jogos de interesses.

sexta-feira, março 23, 2007

Faz Domingo 50 anos



Dizem as crónicas que o dia amanheceu chuvoso em Roma e que, celebrando-se a Anunciação, os sinos das Igrejas tocavam por toda a cidade.

A 25 de Março de 1957 Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha e Itália assinavam na capital italiana os tratados que fundaram a CEE e a Euratom. Desde então os povos dos países das Comunidades vivem em PAZ e com estabilidade. E já somos 27



quinta-feira, março 22, 2007

Cosa nostra e a Universidade

Há uns meses almocei com um senhor italiano que, desiludido com Itália, me falou de uma família de oito pessoas que trabalhavam, lado a lado, na mesma faculdade da Universidade de Bari.

Hoje voltei a esbarrar com a família Massari e decidi trazer aqui um pouco da história. Afinal são nove, em Economia em Bari. Irmãos, sobrinhos e primos. Todos professores e investigadores.

Mas há outras famílias importantes na Universidade de Bari. O Professor Tatarano ensina Direito Privado. Os filhos, um rapaz e uma rapariga, têm gabinetes no mesmo corredor. Mais, mas mais discretos, porque se dividem por andares, são os Dell'Atti. Familiares e professores mas em quatro andares diferentes na Universidade.

Os jornalistas do Repubblica perguntaram pelo Gabinete do Professor Girone, o Magnífico (lá como cá...) Reitor da Universidade. Girone quem? Perguntou o funcionário. Giovanni Girone, o Reitor? Ou Raffaella Girone, a filha? Ou Gianluca Girone, o filho? Ou Giulia Girone, a mulher? Gabinetes 3, 26, 58 e 13, respectivamente. E temos ainda o doutor Campobasso, marido da filha Raffaella, professor associado de Estatística. Gabinete 19.

E o concurso em Bari para duas posições na Faculdade de Letras?
Três candidatos:
Davide Canfora, filho de Professor e intelectual destacado da Universidade de Bari.
Federico Sanguinetti, herdeiro de um grande poeta italiano.
Maurizio Campanelli, filho de um electricista.
Canfora, o filho do Professor, é o mais novo e tem o currículo mais fraco. Fica, portanto, com a Cátedra.
E quem fica sem nada? Vale mesmo a pena responder?
Canfora assume apenas mais uma posição para a família na Universidade. Para além dele e do pai com cátedras de literatura, temos a Mãe que é professora de filologia clássica, a irmã Irene, professora de Direito Agrário e a mulher, investigadora do departamento de italianistica. Apenas mais um clã.

O Magnífico Girone responde aos jornalistas do Repubblica: "Os nomes não contam, os concursos são correctos ou não são correctos. E nos casos da minha mulher e dos meus filhos foi tudo correctíssimo: o que conta é apenas a produção científica." Disse o grande chefe tribal.

E em Coimbra, na "minha" Universidade? Sabemos que é tudo correctíssimo. Mas vale uma peça jornalística? Talvez haja matéria para várias teses de doutoramento...

Son I

wanted to tell you that you will be the next CEO!




Era tão bonito aquele mito da gestão em Portugal que dizia que na Sonae os filhos do Belmiro começavam por baixo, como qualquer outro funcionário. É uma coincidência incrível que de entre os milhares de licenciados que começam por baixo no Grupo Sonae tenha sido o filho do Belmiro a revelar-se o melhor.

Solução

E para combater um qualquer ataque de misantropia, sacudir o cansaço do dia-a-dia, revigorar corpo e mente qual redbull sem contra indicações, aliviar o stress e deixar em casa a má disposição há sempre uma óptima e divertida solução no encanto do teatro da Comuna!

quarta-feira, março 21, 2007

Felicidade de longa duração

Li recentemente um artigo sobre a felicidade duradoura.
Genética, comportamento, circunstâncias, motivação e objectivos de vida somam-se para compor a nossa dose de felicidade. Também são sugeridas algumas explicações para a constante insatisfação que sentimos e soluções para a "hedonic adaptation" que sofremos depois de esgotado um pico de euforia. Para os que têm um nível base baixo parecem ser más notícias mas há sempre algo a fazer para contrariar essa tendência.
Vale o que vale mas parece fazer sentido. E basta vermos os estudos de mercado e as estratégias de marketing que nos tentam e conseguem fazer crer que a vida só faz sentido com aquele detergente para descobrirmos que somos mais transparentes e previsíveis do que pensamos.
Escolhendo acreditar nisto ou não, recorrendo às mais variadas estratégias, teorias e discursos, o que importa no fim de tudo é estar bem, alegre, feliz e contente; afinal todos sonhamos com o "...e viveram felizes para sempre!"

domingo, março 18, 2007

a besta negra

A criatura grotesca emergiu das trevas, veloz e voraz, atacando sem hesitar. O seu poder imenso, em conjunto com a selvajaria que caracterizava os da sua espécie, permitiam-lhe essa imprudência, confrontar e destruir qualquer um que se atravessasse, incauto, no seu caminho. O ímpeto desastrado desse primeiro avanço permitiu que se esquivasse, graças aos reflexos treinados por anos de patrulha, rolando pelo chão. O lugar onde anteriormente estava de pé foi atravessado por garras que brilharam, frias, à luz do luar. Que animal era aquele? A besta imobilizou-se do outro lado da clareira, e sob a luz da lua e das estrelas, observou-a. Toda ela era músculo sólido, dentes afiados, garras longas e olhos cruéis em quase 3 metros do que parecia um felino cruzado com um crocodilo. A pele escamosa reflectia a pouca luz existente de um modo maligno. E não tinha tempo para mais pois de novo ela carregava, em fúria. Decidido, enfrentou-a cara a cara, acreditando que seria essa a melhor estratégia para confundir algo que não estaria muito habituado a ser abordado de frente. O choque ressoou pela floresta escura, animal contra homem, pele contra armadura, garras contra lâminas. Mutuamente repelidos, aparentemente sem danos, a ideia funcionara pois o estranho ser olhava-o agora, surpreso por não ter sido bem sucedido. Aproveitando essa pausa, atacou-o, mantendo a vantagem conquistada do seu lado. Um golpe violento com a sua espada apanhou o flanco desguarnecido da criatura, infligindo-lhe um corte de onde sangrou abundantemente algo espesso e escuro. Urrando de dor, o animal furioso ripostou, saltando-lhe para cima, garras enclavinhadas nos seus ombros e tentado arrancar-lhe a cabeça. Sustendo o peso imenso da criatura, cambaleou para trás. Felizmente o elmo que usava aparou as primeiras dentadas mas não lhe parecia que pudesse aguentar muitas mais, pois sentia já a pressão daquelas mandíbulas poderosas a esmagar-lhe o crânio. Desesperado, tentou um último golpe, alcançando a espada curta que tinha presa às costas, deixou-se cair para o chão e afundou o aço no peito da coisa. Ao perceber o colapso daquele corpo imenso, alegrou-se com o seu sucesso pois tinha escapado com vida a mais uma batalha. Saindo debaixo do cadáver, sacudiu o pó e a terra de cima de si e virou costas à clareira, decidido a prosseguir a sua patrulha. Um erro. Tivesse ele reparado que a ferida do flanco da besta tinha desaparecido, curada, sem deixar marcas e talvez não ficasse tão certo da sua vitória. A surpresa estampou-se no seu rosto durante um instante enquanto foi cortado em dois e tombou morto no chão encarando um recuperado e esfomeado animal que, quase podia jurar, sorria ao arrancar-lhe parte de uma perna. A besta negra atacara de novo...

sábado, março 17, 2007


O céu é azul, o sol brilha, os pássaros chilreiam nas árvores, os rios correm nos leitos, estou bem disposto! E porquê? Não sei. Tem mesmo de haver uma razão? Até pode ser que exista, de facto, uma. Ou até mais que uma. Mas será preciso que assim seja? Nem sequer precisa de ser pelo oposto, pela infelicidade dos outros ou pela própria. Só sei que de facto me sinto melhor assim do que ao contrário e isso basta. Há coisas melhores, há coisas piores, nem está tudo sempre bem e nem está tudo sempre mal. De facto não há grande sentido nem significado para a vida à vista desarmada, não há, aparentemente, justiça ou razão para as coisas acontecerem. E então? Mais um motivo para seguir em frente contente, feliz e descontraído e aproveitar a viagem. Não é o mesmo que desinteressado ou desinteressante como alguns patetas alegres que para aí andam, imunes a tudo ou protegidos por uma casca grossa de cinismo carrascão. Nem como os eternos deprimidos, revoltados com a vida, sempre à procura da próxima rasteira de um mundo sempre contra eles. Nem egoísta ou autista em relação aos outros ou completamente obcecado com uma coisa qualquer ou alguém. Mas para quem é assim, bom para eles; para mim dá-me igual, desde que não chateiem. Não tenho tudo o que quero nem me falta tudo o que preciso e ainda bem. Não sei tudo, não vivi tudo, não fiz metade do que quero fazer, nem vou fazer um décimo do que podia ter feito. E depois? Morrem pessoas aqui e ali, outras roubam, outras matam, algumas mentem, enganam, fogem e escondem-se de tudo, com medo. Posso enlouquecer profundamente amanhã e separar-me da maioria. Posso cair morto daqui a segundos, atropelado na passadeira ou engasgado com uma ervilha. Expétaclaaaaaar! Impecáááábel! Uma ervilha ia fazer todo o sentido para mim. Pelo menos mais do que uma abóbora, acho. A minha sobrinha disse-me olá ao telefone e chamou-me tio. Fui ao teatro ver uma boa peça com uma companhia agradável. O Benfica ganhou ao PSG. Mais uma vez não ganhei o euromilhões mas passei uns bons quinze minutos a sonhar (depois lembrei-me que não tinha jogado o que explica muita coisa). Acabei de reler o meu livro favorito. O último album dos Arcade Fire é muito bom. Está sol e calor. Dormi bem, entre sonhos variados, e acordei antes do despertador, para ficar na preguiça um bocado. Tenho emprego, casa e carro (que está de parabéns por ter feito 9 anos com saúde). O Pinto da Costa foi constituído arguido. Tive uma conversa interessante com alguém que não conhecia bem. Já marquei as minhas férias para este ano. Tenho amigos porreiros que não falham (uma em particular que anda feliz da vida e ainda bem). Os semáforos estavam todos verdes e encontrei lugar para estacionar à primeira, perto de casa. Há coisas fantásticas (como na tvcabo mas com anúncios melhores). A EDP devolveu-me dinheiro que tinha pago a mais. O almoço que fiz estava óptimo. O meu tornozelo esquerdo dói-me quando vai chover e assim nunca me esqueço de levar casaco ou guarda-chuva (tudo tem um lado positivo e como não tem chovido, neste caso tem dois: também não dói). O pc não pifou a meio deste texto (e se pifasse o autosave recuperava-o de certeza). Estou cheio de energia e apetece-me tudo! Tudo e mais ainda! O que não conseguir comer aqui e agora é para levar para depois, fáchavor, ó chefe!

quarta-feira, março 14, 2007

Podia perfeitamente acontecer...

Há coisas que mais vale deixar quietas. Como antigas maldições faraónicas, monstros pré-históricos ou pragas interestelares. Mas ao que parece, como qualquer filme de série B nos poderia dizer, ninguém sabe disso. E, volta e meia, a malta insiste em provocar a sorte e ver no que dá, mesmo sabendo que vai dar asneira. Pois foi mesmo este o caso que venho aqui relatar, em que uma série de circunstâncias levou ao aparecimento de um ser cataclísmico, capaz de gerar devastação em barda e, enfim, muito transtorno em geral. Tudo começou com um acaso que levou a que, certo dia, um meteoro infectado com um super-vírus do espaço caísse num lago pré-histórico da Terra. Esse vírus sobreviveu e contaminou o lago onde, de seguida, um monstro incrível, praticamente desconhecido nos dias de hoje, foi beber e ficou infectado. Durante uns dias este ser incubou a doença alienígena e acabou por cair numa poça de âmbar líquido, onde ficou dormente, graças à protecção que o vírus lhe conferiu. O âmbar solidificou e foi, uns poucos milhões de anos mais tarde, descoberto pelos egípcios que o consideraram um tesouro inestimável. Durante uns anos foi figura de destaque na corte de Tutankamon, até que foi levado para o seu túmulo e enterrado ao seu lado, coberto pelas maldições mais poderosas conhecidas na altura. Este cocktail improvável foi deixado a marinar durante mais uns milhares de anos até que um parvo (que nunca tinha ido ao cinema) o roubou do túmulo e levou para casa, para mais tarde o tentar vender. Ora, como não podia deixar de ser, calhava nessa noite um alinhamento estelar e planetário único, acompanhado pela explosão de uma super-nova, o solestício de verão, uma tempestade solar, um eclipse lunar e estava prestes a rebentar uma trovoada. Assim, o nosso braço do destino, o parvo, estava no sofá relaxado, a ler a Bola, quando um relâmpago lhe fulminou a casa, acertando em cheio no bloco de âmbar, derrentendo-o e libertando a coisa inominável que de lá saiu. Meio trôpego, o atordoado e atarantado ladrão de sepulturas acorreu para ver o que se passava com o seu mais recente achado. Foi com horror que encontrou um destroço fumegante, ainda carregado de electricidade, todo esparramado pela sua cozinha. Que grande porcaria, amanhã a dona Gertrudes vai ter cá uma trabalheira!, pensava ele, quando reparou que nem tudo estava destruído. Ali no meio, algo se movia. Pior, algo respirava. Recuou um passo, ficando encostado a uma parede, enquanto um vulto se deslocava lenta mas declaradamente na sua direcção. Com o dissipar do fumo, os contornos tornaram-se mais nítidos e apercebeu-se, aterrorizado, que estava na presença de um ser inominável que lhe saltou para cima. Era pequeno, com pelo curto encaracolado e verde, lambendo-lhe a cara, enquanto latia animado. Chamou-lhe Frufru e viveram felizes para sempre.

segunda-feira, março 12, 2007

sábado, março 10, 2007

Sampi - episódio 5 - A realidade

A dada altura Sampi atingiu um ponto de verdadeira saturação com o estilo de vida que levava. Era só loucura, inconsequência, inconstância. Precisava de algo mais sério. Algo mais estável. Decidiu que tinha chegado o tempo para tentar uma abordagem diferente. Afinal, depois de tantos anos de diversão com os locais, se calhar, podia agora dar-lhes qualquer coisinha em troca. Para além das bebidas, drogas e explosivos, claro. E todas aquelas formas de arte incompreensíveis que pareciam apelar de uma forma estranha ao imaginário dos humanos, como a louça das Caldas, a ripa de madeira inclinada em cima de um tijolo e os filmes do Manoel de Oliveira. Bom, mas isso praticamente não contava para a grande ordem das coisas. Precisava de sentir a realidade deles para os compreender. De estar integrado naquela realidade e não de estar acima, abaixo ou ao lado dela. Tentou ver o mundo como a maioria deles o via, adaptar a sua escala de valores à deles. Passou a usar o poder, o status, o dinheiro e os bens materiais como cartão de identificação, a medir as pessoas aos créditos e pontos, a fazer aquilo que todos esperavam que ele fizesse, procurou o que todos procuravam e, rapidamente, viu-se mergulhado num banho ácido de mentiras, decepção, expectativas frustradas, falsas amizades, segundas intenções, joguinhos de interesses, manipulações e facadas nas costas. Pensou, se isto é um jogo, eu, como sempre, vou jogar para ganhar. E, sentindo-se em casa, jogou entre os melhores e cantou as melhores canções do bandido jamais ouvidas. Se era preciso ser ordinário, ele era um bardino, se era preciso mentir ele era o Pinóquio Depardieu, se era preciso elogiar, ele era graxa pura, se era preciso ser lamechas ele desfazia-se em mel, se era preciso ser macho ele era o Stalone com esteróides (mais?!?), se era preciso dinheiro, poder e influência ele era o Onassis, o presidente dos EUA e o Papa. Dia após dia lá foi ele conseguindo tudo o que todos queriam, sem na realidade querer, fazendo tudo o que todos queriam, sem na realidade querer, tendo tudo o que todos queriam, sem na realidade querer. Apoderou-se dele uma certa sensação de mau estar e frustração inexplicável. Uma depressão intolerável que nada conseguia aplacar, não importava o que fizesse. Não sabia o que queria, o que sentia, o que faltava, para onde ia. Estava mal, deprimido. Foi então que se apercebeu de que estava agora mais integrado do que alguma vez estivera, mais próximo da normalidade humana do que alguma vez tinha estado. Era igual aos demais, comungava com a multidão na manjedoura comum. Claro que tinha os seus momentos de euforia, mas, efémeros, rapidamente se esvaíam, assim que a adrenalina do imediato se esgotava, deixando-o um degrau mais abaixo do que aquele onde estava anteriormente. Não fora um inato sentido de sobrevivência extraterrestre que o puxou daquela espiral de insanidade e teria sido uma viagem sem volta, rumo ao destino da maioria dos habitantes daquele planeta, a fossa séptica da banalidade.

quarta-feira, março 07, 2007

Soluções hipotéticas para um problema real...

O Povo é sereno!
É certamente com base nesta premissa que continuamos a ser vítimas de escândalos públicos atrás de escândalos públicos e já nem reagimos, de tal maneira está esgotada a capacidade de indignação. No máximo, ouvem-se algumas conversas de café sobre o assunto ou então muda-se de canal para não termos de ser confrontados com algo que passou a ser a norma em vez de anormalidade. "Todos fazem". "Ao menos este vai fazendo alguma coisa". "São todos iguais". "Nunca lhes acontece nada". "Estão todos feitos uns com os outros". Estas frases reflectem bem o actual estado das coisas e o total desinteresse que suscitam as eleições à grande maioria do eleitorado. Vendo bem, estudando bem as hipóteses que estão nos boletins é capaz de ser verdade e fazia falta aquele quadrado que dizia "nenhuma das anteriores". Como mudar isto?

Se, hipoteticamente, o povo deixasse de ser sereno talvez as coisas tomassem um novo rumo. Num cenário totalmente hipotético, pensem no que aconteceria se uns quantos destes maus dirigentes e gestores públicos da nossa praça aparecessem mortos. Simultaneamente, uma carta de origem anónima seria, hipoteticamente, enviada aos jornais explicando os motivos que levaram a esse desfecho, enumerando os danos, os abusos de poder perpetrados sem que o castigo correspondesse ao crime e que terminaria com "Os inocentes nada deverão temer. Os outros...". Nunca existiria apenas um executor, nem existiria mentor ou organizador, apenas revolta popular pura e simples neste cenário hipotetico.

Na prática, todos sabemos que somos inocentes até prova em contrário e para isso é que existem os tribunais, blá blá blá. Mas isso é válido para proteger aqueles que são envolvidos em situações limite, onde ainda há réstia de inocência. Sem esquecer que muitos destes abusos exploram fraquezas da lei e por isso passam incólumes, apenas alvo do julgamento moral da sociedade, que rapidamente esquece e os reelege. Quando existem gravações de conversas que provam o crime e que, apenas por motivos processuais, são dadas como inválidas e os réus reclamam de imediato inocência indignada, poderemos esquecer que o crime foi mesmo cometido? Podemos esquecer que todos saímos lesados com estes roubos constantes? Os nossos impostos levam-nos uma fatia importante dos rendimentos e, em lugar de servirem para termos mais e melhores hospitais e escolas, mais e melhores empregos e infraestruturas, melhor cultura e condições de vida, servem apenas para encher os bolsos de uns chicos-espertos sem vergonha na cara.

Uma dificuldade de toda esta solução hipotética residiria na decisão de quem seria alvo deste exemplo disciplinador e na ordem em que seriam dispostos. Outra no risco de cairmos no exagero, nas vinganças pessoais, políticas, económicas ou clubísticas. Com um pouco de distanciamento e encarado isto com seriedade e coerência, penso que meia dúzia de exemplos mais ou menos unânimes e de todos os quadrantes políticos seriam facilmente encontrados, hipoteticamente é claro. Concordo que isto não seria uma solução civilizada (mesmo sendo hipotética) mas aparentemente também não vivemos num país muito civilizado e algo tem de ser feito. Outro cenário hipotético seria passarmos a cuspir-lhes em cima (ovos podres também seriam algo a considerar) à laia de agradecimento pelos bons serviços prestados à nação.

Mas note-se que tudo isto não passa de um cenário hipotético e fantasioso. Convém lembrar que existem leis e tribunais para resolver estas questões e que o homicídio, mesmo de autarcas corruptos e gestores vigaristas, é crime e não é solução para nada. Afinal de contas, vivemos num país livre, democrático, justo e de direito instituído, onde as más acções são punidas atempadamente pelo poder judicial, daí que praticamente não tenhamos escândalos, corrupção, cunhas, falcatruas, injustiças... Eu nem conheço ninguém que alguma vez se tenha aproveitado de uma dessas situações em benefício próprio senão era certinho que, como qualquer outra pessoa de bem, a denunciaria em sede apropriada. Ou, hipoteticamente, talvez não...

Lembrem-se loucos e potenciais suicidas (e restantes habitantes): O voto e a participação de pessoas de bem e capazes nas estruturas democráticas são a verdadeira solução! Não desperdicem a vossa morte, perdão, vida sem deixarem uma marca na democracia!

segunda-feira, março 05, 2007

A-CA-DÉ-MI-CA

Depois do episódio dos envelopes cheios de dinheiro no carro do presidente, dizem os jornais que um vice-presidente da Briosa tentou enganar o jogador Dame N'Doye, levando-o a assinar um contrato metido entre os documentos para a compra de um carro.

Até onde vamos deixar cair a Académica?
Quando é que expulsamos estes dirigentes do nosso clube?

domingo, março 04, 2007

If a tree falls alone in the woods does it make a sound?

Egocentric mood: Without me you're all just a bunch of trees falling alone, silently in the woods!

Lonely mood: Without you I'm just a tree falling alone, silently in the woods!

Drunk mood: Stop moving, you damned floor. I'm getting sick of falling!

Drug mood: Hey, look at the stars! It feels great to be lying down here in the woods! Good shit, man!

Paranoid mood: If I'm alone in the woods, WHO PUSHED ME?

Squirrel mood: Fuck, watch out! That last one almost hit me!

Philosophical mood: Is it better to be alone and true or to lie to one self and live amongst other liars that pretend that they didn´t hear that?

Horny mood: Well, since we're already on the floor and alone in the woods and no one is listening how about...

Ecological mood: Stop cutting trees down and take your philosophical questions elsewhere! Leave the woods alone!

Schizophrenic mood: I'm a tree? I thought I was a hedgehog! That explains a lot, thanks.

Lumberjack mood: That's it, little trees! Keep falling by yourselves and save me the trouble.

Bird mood: If it keeps on like this, I'll have to move to some other forest! I'm running out of nests!

Deaf mood: Free calls on the hood and still make a pound? Where? I'm in!

Statistic mood: Space is infinite. As sounds are just waves of energy moving around through space, the average sum of all sounds on the total infinite space of the universe is zero. Corollary: Every sound you hear is just a product of your imagination.

sexta-feira, março 02, 2007

McSalad - Go green


Se eu quisesse começar hoje uma tese em marketing tentaria fazer uma análise comparativa das histórias e estratégias de marketing da McDonald's e da Igreja Católica.
Interessa-me que aparentemente a história da McDonald's seja a história da Igreja Católica em fast forward.
Interessa-me a localização dos estabelecimentos.
Interessa-me a figura do Ronald McDonald.
Interessa-me a progressiva diferenciação da oferta.
Interessam-me produtos como os Chicken McNuggets e o Filet'o'Fish enquanto portas abertas para clientes que dizem "eu sei que a McDonalds fez e faz coisas que são más, não posso concordar com elas, mas venho aqui e como estas coisas que são mais saudáveis que hamburgueres."
Interessa-me tentar adivinhar qual será a McSalada da Igreja Católica.


quinta-feira, março 01, 2007

Miss Torrada


O Verão está à porta e é necessário eleger a Miss Torrada 2007, para isso a organização do concurso percorrerá disfarçada todos os lugares de venda ao público de torradas. A votação far-se-á de acordo três critérios objectivos e um crtério subjectivo. Preço, tempo de confecção, relação manteiga/pão e o gosto pessoal. Os leitores são convidados a votar e frequentar as casas recomendadas. Que começem os jogos !

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

OPA

A Sonae.com quer comprar as acções da PT mas oferece muito dinheiro a quem não vender. Tem lógica. É como querer comprar um carro e oferecer dinheiro para o actual dono não mo vender.
A OPA cheira cada vez menos a OPA e cada vez mais a uma rebuscada mega operação financeira.
Por quanto é que a Sonae.com comprou as acções da PT que já possui?



Fonte: Agência financeira

E por quanto as vai vender se a OPA falhar?

17,15

Há qualquer coisa de estranho com as 17,15. Ainda não percebi bem o que será mas parece ser sempre por volta dessa altura que sucedem determinados acontecimentos twilightzoneanos. Uma certa inquietação de espírito apodera-se das pessoas e depois... Parece a hora coca-cola light mas mais tarde, sem coca-cola e sem a parte do tipo em tronco nu. Não é que um dia, pelo andar da carruagem, isto não descambe para aí, em jeito de pratical joke, mas até agora é mais em formato electrónico. Tipo vírus provocatório insidioso que induz uma certa boa disposição, um je não sei quê argumentativo, uma maionese de gambas com pretensões a molho de bróculos. Os sintomas perduram por vezes durante todo o percurso do IC19 fazendo com que, mesmo no meio do trânsito caótico, seja o único tipo que se vai a rir sozinho no meio daquela gente toda, o que, já se sabe, tende a irritar muito boa gente que ouve a rádio renascença sem o mesmo efeito.

Consultório Sentimental 2

O prof. Catarse regressa para mais uma sessão do seu consultório sentimental, desta vez para dar resposta à menina Suzy Silva, de 17 anos, da Baixa da Banheira, que escreveu:

"Oi Prof! Tá tudo? Ixto por aki n tá nada bem. Desde k fui levada pra um ritual pagão numa mata perto de Massamá, de k n me lembro mto bem por causa dos kopos e das drogas, k acho k algo está a crescer ká por dentro. Tenho mta vontade de komer koisas exkisitas, ganhei uma língua komo a das kobras, brilho no escuro e akordo de noite a flutuar meio metro acima da kama. E todas as noites passam ká por kasa uns tipos mto extranhos com antenas e nem extamos no karnaval. O k devo fazer? BxB rules. Props pá crew do Bleguitas!"

Cara SS, o seu caso não é o primeiro que me aparece por aqui. Trata-se de mais um episódio de extraterrestres desocupados, fanáticos dos Ficheiros Secretos. Andam por aí sem muito o que fazer, ovni novo, dinheiro dos pais, completamente irresponsáveis. Gostam é de farra, copos e orgias desenfreadas. O seu m.o. é muito simples: abrem uma página no Hi5, criam um grupo de fans, organizam uns rituais e abusam de raparigas inocentes e indefesas, sem que nada lhes aconteça a coberto da história de não serem de cá! No seu caso, certamente por causa dos químicos na água da torneira da Baixa da Banheira, foi ultrapassada a barreira fértil interespécies e está agora grávida de um híbrido, o que claramente está a deixar os ET's muito nervosos por causa dos possíveis testes de paternidade e processos legais para atribuíção de pensão! Se fosse a si não hesitava em ter o mutante, perdão, a criança e em processá-los! Caso necessite de ajuda estarei ao seu dispor!

"Oi Prof! Segui o seu konselho e tive a kriança. O processo de paternidade ainda vai demorar porke a força aérea não os konsegue katar. Pelo menos a koisa, o puto, é saudável. Ker dizer, axo k é saudável. Pelo menos voa a direito, konsegue arrankar árvores pela raíz e gosta mto de roer kabos de aço! E tem tanta piada kuando me traz vakas mortas de noite! Mesmo assim, axo k ele precisa de kem o eduke. Anda um poko selvagem e tenho medo k faça mal a alguém, sem kerer, klaro! Vou passar aí por sua kasa ainda esta semana! Obrigado!"

Minha menina, o prof. Catarse já não mora aqui. Fez as malas e partiu para parte incerta. Não deixou morada ou contacto, lamento. Escusa de se maçar em vir para estes lados. Aqui não há nada de interesse, nem jardins de infância, nem jardins zoológicos sequer. Cumprimentos. A porteira.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Geração iPod

Auriculares nos cafés, na ruas, nos metros, de pé e sentados, a andar e parados.
Já nem comboios e aviões são bons sítios para meter conversa.

sábado, fevereiro 24, 2007

causa e efeito

Um prenúncio de chuva deixou toda a população indígena encharcada por antecipação, dada a inevitabilidade que o futuro assumia naquele lugar. As coisas aconteciam porque tinham de acontecer e não era só porque afinal alguém decidiu sair com o chapéu de chuva ao ouvir o oráculo dizer que ia apanhar uma molha que isso ia deixar de acontecer como estava previamente determinado. Claro que isto era um grande transtorno para o fluxo linear do tempo e para o destino, que tinha de fazer horas extra para trazer um tufão vindo de lugar nenhum e poder fazer aquilo que antes da previsão teria conseguido com um simples aguaceiro, não fora o parvo ter levado um guarda-chuva - agora pulverizado pelos ventos ciclónicos. Como estas coisas são mesmo assim e ninguém faz as perguntas certas aos oráculos, nunca saberemos se a morte tenebrosa que o tipo do guarda chuva sofreu devido ao tufão teria igualmente sucedido com o aguaceiro. Ou melhor, nunca teríamos sabido não fora o facto de um anónimo estivador da marinha mercante não tivesse feito uma observação jocosa com o sucedido:

Apanha antes com uma chuvada

Não provoques o destino

Ou um piano vindo do nada

Ainda te trespassa o intestino

Ora sucede que isto foi dito na presença de um dos maiores físicos teóricos da actualidade que rapidamente sacou da régua de cálculo (de parte incerta, uma vez que estava num quarto de uma pensão reles, nu e com um estivador da marinha mercante) e brilhantemente enunciou pela primeira vez a primeira lei de Gaynerdovski: "Os acontecimentos chave, que servem de âncora a essa realidade, acontecerão sempre, independentemente de todas as outras variáveis." E o corolário: "Quanto mais força for exercida para impedir ou modificar um acontecimento chave, maior será a força contrária exercida por esse acontecimento chave nos acontecimentos vizinhos." Ou em linguagem mais corrente: "Algumas merdas têm mesmo de acontecer e quanto mais as tentas evitar, de mais alto elas te caem em cima!" As implicações desta lei foram imediatas e rapidamente os oráculos foram parar ao desemprego e um turbilhão de inevitabilidade irresponsável assolou o mundo. Ninguém se importava com as consequências dos seus actos e as seguradoras foram à falência. Era a loucura completa mas, simultaneamente, eram tempos felizes pois ninguém andava preocupado. Aliás, em breve ninguém andava para lado nenhum pois a probabilidade de acontecer algo tenebroso subiram em flecha com os condutores de avião iniciados, os móveis pela janela, os tiros e facas atiradas ao ar e o pior de tudo, a quantidade de gente nua pelas ruas que desafiava a concentração do condutor mais atento e assim, mal por mal, as pessoas preferiam ficar em casa a ver televisão e a ter ideias esquisitas. Até que um acontecimento chave chegou, vindo sabe-se lá de onde, inexorável como poucas coisas (talvez um tsunami de 50 metros de altura a 250 kms/hora desse uma pálida ideia mas…), imparável no seu trajecto. "Desculpem, disse o cientista, tenho andado a pensar na minha teoria e descobri um pequeno erro. É que a minha régua de cálculo estava um pouco, enfim, difícil de ler e afinal os acontecimentos chave inevitáveis só acontecem de 10000 em 10000 anos e a uma escala cósmica. Não ao tentar voar montado num aspirador do 7º andar! Eh. Pois, foi uma pequena falha na casa decimal… Eh. Eh. Bom, vou andando…" O motivo pelo qual este era um dos acontecimentos chave está relacionado com o facto de o que sucedeu ao pequeno cientista ter sido tão desagradável que deu origem a um movimento compensatório de amor e carinho global que salvou a Humanidade do seu triste destino de auto extinção.

pérolas...

A vida é como uma caixa de chocolates: nunca há aquele que queremos e para o fim só ficam aqueles esquisitos, recheados com uma coisa verde inidentificável.

O amor é como os soluços. Além de te obrigar a fazer coisas estranhas, como prender a respiração e beber água pelo lado de fora do copo, quando pensas que já passou, vem mais um.
A verdade é o bem mais precioso do mundo. Para impedir a sua desvalorização não a devemos dar a toda a gente.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Há dias assim...

Há dias assim... não sai uma para a caixa. Em nada. A conversa não flui. A condução está perra. O sono não descansa. A comida não sabe bem. Tudo irrita. Tudo é mau. Há uma nuvem negra que tapa o sol. Está frio. Está calor. Chove. Acaba a gasolina. Acaba o saldo e a bateria do telemóvel. Chegam 4 contas no correio. A renda subiu outra vez. Não tenho dinheiro na carteira quando vou pagar o almoço e não há MB. Sujo as calças ou a camisa sabe-se lá onde. Não há lugar à porta. O emprego não motiva, ainda por cima é mal pago e ainda me enganei a enviar aquele documento importante portanto o mais certo é vir a ser despedido em breve. Não há programa nem companhia. Os amigos não atendem. A namorada foi embora. O cão morreu e matou o periquito antes. O carro não pega e quando pega tem um pneu furado (nem vou falar do sobresselente e do macaco). A net não liga. O word não responde a meio do texto não guardado. Esqueci-me da chave na gaveta do emprego. Esqueci-me dos óculos em casa. Perdi a carteira quando estava a tentar pagar o almoço. Deixei a janela aberta (e, ver acima, choveu); a luz acesa, que fundiu e não há mais lâmpadas; a torneira a correr e inundou o resto do chão de madeira que a chuva tinha poupado. Não há roupa lavada porque não pus a roupa a secar e aquela camisola vermelha transformou metade do meu guarda roupa num pesadelo cor de rosa. Não tirei o jantar do congelador e só há uma lata de anchovas na dispensa, fora do prazo, claro. A lâmpada ao fundir deitou o quadro abaixo e desligou o frigorífico que descongelou e estragou tudo o que tinha dentro. A louça está por lavar e o único copo acaba de cair ao chão. A mulher que está à minha frente na fila tirou o dia para falar sobre a novela. A televisão não dá nada de jeito. O DVD pifou com o filme do clube de vídeo atrasado para entrega lá dentro. Há imensas coisas para fazer mas não apetece fazer nada do que podia e só quero fazer o que não posso. Não sei do livro que estava a ler e quando o encontro perdi a marcação da página. Não posso tirar férias nos próximos 4 meses. Estou a ficar doente com as anchovas que comi. Acabou o papel higiénico. O armário dos medicamentos só tem pastilhas para garganta e 5 caixas vazias que me podiam ajudar imenso se não estivessem vazias. A última das quais era a de valium para dormir ou para me matar. Moro num primeiro andar e só me magoava se saltasse. Reparo que cortaram o gás quando tento meter a cabeça no forno. Não tenho corda para me enforcar nem sítio para a pendurar em casa descubro eu quando encontro o cinto do roupão, que também era curto demais. A pistola do meu avô não tem balas que funcionem, mas também os vizinhos iam reclamar do barulho e ficava tudo sujo. A ponte fica longe e não me apetece ir até lá a pé. Saio para espairecer um pouco e sou assaltado. Como não tinha carteira e o telemóvel não funcionava, o gajo espeta-me com uma faca tão cheia de doenças que o vírus da Sida morreu lá. Enquanto me esvaio em sangue no chão, tento encontrar algo que me ajude, passa um carro com a minha ex-namorada e o seu novo namorado por cima de uma poça e molham-me com lama que arde na ferida. Tiro um papel do bolso da camisa e vejo na televisão da loja ao lado os números do jackpot do euromilhões a saírem iguais ao do meu boletim. Fraquejo e solto o papel que esvoaça para longe, enquanto morro com dores... Acreditem ou não, isto já me aconteceu três vezes este ano e só estamos em Fevereiro!

um miminho

O guincho do metal arrastando-se na pedra rasgou a noite. Um rasto vermelho marcava o percurso por onde tinha passado o machado. A lâmina embotada testemunhava a violência dos golpes desferidos. Mas onde, quem, porquê? O cenário lúgubre e desolado não prometia nada de bom. A cara fechada do homem vestido de negro que carregava a ferramenta sangrenta também não. Já o mimo que jazia morto a uns metros dava um toque mais agradável a toda a cena, pois, como é do conhecimento público, o único mimo bom é o mimo morto. E uma vez que se tratava de um daqueles vestidos de Pierrot, especialmente irritantes, deu direito a bónus extra. 1000 pontos, diria eu. E mais 500 porque a primeira machadada apanhou-o a fazer a cena da parede invisível, que aparentemente era mais frágil do que parecia. Não se pode confiar nas paredes imaginárias como dantes para deter um bom e sólido machado de lenhador apontado com mestria ao cachaço. Louve-se a tentativa de defesa que o mimo esboçou, tentando inutilmente explicar por gestos que até nem era má pessoa. Não resultou. Se não era fácil em circunstâncias normais gesticular noções como clemência, piedade, misericórdia e prometo nunca mais ser mimo e arranjar um emprego decente, sem os bracinhos ficou tudo muito mais difícil.

domingo, fevereiro 18, 2007

Finais

José Mourinho diz que foram feitas para serem ganhas.
Alguém tem que as perder. Que não seja por falta de comparência.

entrevista

Excerto fictício do que poderia ser uma entrevista a um jogador de futebol se lhes fizessem perguntas de jeito ou se eles não respondessem sempre a mesma coisa:

Diga-me lá qual foi o sabor do golo da vitória sobre o Real?
Hummmm... Morango. Sim, morango.
E agora, atingiram os 1/4 de final. Qual é a ambição da equipa? Chegar à final?
Não, nem por isso. Acho que ficamos por aqui. Temos outras coisas para fazer.
Acha que passou ao lado de uma grande carreira por ter ficado tanto tempo aqui no Freamunde? Olhe que até nem estava à espera de chegar tão longe. Eu nem sei jogar bem futebol. Gosto mesmo é de curling.
Ao intervalo pareciam um pouco cansados mas depois entraram com mais energia. O que se passou?
Doping. O mister trouxe uns comprimidos verdes e disse para tomarmos. Aquilo dá cá um pedal...
Acha que as coisas podiam ter sido diferentes se o árbitro não tivesse expulso três jogadores e assinalado aqueles 2 penaltis nos primeiros 15 minutos de jogo contra a outra equipa?
Olhe que não. Os gajos que foram expulsos ainda jogam pior que eu. Os penaltis nem fizeram muita diferença, afinal o guarda redes deles é meu primo e já lhe tinha prometido uma viagem ao Brasil com uma gajas se ele desse umas abébias.
Gostou de ter sido substituído de 10 minutos depois de ter entrado?
Claro. Tinha combinado outras coisas e deu-me muito jeito sair mais cedo. Eu nem estava para vir.

O direito ao duelo

Proponho que se restitua imediatamente o direito ao duelo (ou então que se despenalize o assassinato por motivos imperiosos – do género, ele estava mesmo a pedi-las, com aquele mau feitio). É que anda para aí cada besta que merecia tanto... Mal por mal, em Portugal, já se mata tanta gente e, ainda por cima, sem critérios válidos - na estrada, nos abortos ilegais, com a má alimentação, com os acidentes de trabalho, com os incêndios, com a droga, o tabaco e o álcool. Só vejo vantagens: a população estaria mais em forma, para se poder defender (e não só física como mentalmente, já que um novo artigo na lei dos duelos permitiria que o desafio fosse de outros âmbitos que não o da violência física – quem recusasse mais do que três âmbitos de duelo para a resolução de uma questão assumiria a sua falha e transitaria para o código legal apropriado de livre vontade – por outro lado quem desafiasse sem razão, mais do que três vezes perderia o direito a desafiar por um período a determinar). Estariamos todos mais atentos para não provocar ninguém sem motivo e todos tratariam os outros com maior consideração e respeito. A sociedade, livre dos pesos mortos inúteis e da sobrepopulação, que sorvem recursos preciosos, evoluíria rapidamente para algo mais civilizado, em que a honra e a dignidade seriam valores a ter em conta. Claro que o preço a pagar é alto mas também o seria a recompensa. Já vejo o reluzir de duas alabardas a voltear num parque, combates intensos e fatais de par ou ímpar num qualquer vão de escada, duelos de chapada de mão aberta ou de cócegas até à morte, verdadeiras chacinas com achas de armas ou lutas acesas entre trovadores de cítaras em riste, desfiando estrofes verrinosas.

Apelo

JP desapareceu de sua casa há cerca de 3 dias, tendo sido visto pela última vez vestido de cinzento. A sua falta está a ser imensamente sentida, o dia a dia está completamente comprometido, não se desenrolando da forma usual. O regresso à normalidade está a ser muito difícil, dada a importância de que se revestia a sua presença.

Juízo Perfeito, onde quer que estejas, nunca serás esquecido nem substituído por qualquer forma de terapia ou tratamento, não importa o que dizem os senhores de branco.

sábado, fevereiro 17, 2007

desperdício

O maior problema com os acidentes nas estradas portuguesas não é o número de acidentes ou de mortos. É nunca acontecerem às pessoas certas!
Que desperdício de desgraças...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

read my lips

Não pagamos nem mais um cêntimo por cada acção da PT!
Vá, pagamos mais um euro. Mas agora não pagamos nem mais um cêntimo!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Tempo

Sem imaginação: Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Hummm, que bom. Já passaram mais 30 segundos. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Mais 30 segundos. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Mais 30. Ainda faltam 8 horas, 58 minutos e 30 segundos para me ir embora. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca.
Com imaginação: O relógio avançava velozmente, inexoravelmente, indiferente a todo o que sucedia, marcava a compasso o tempo que passava sem volta. De repente, mesmo quando estava a olhar para o mostrador, parou. Tudo se imobilizou, congelado. O que se passava? Aparentemente era ele o único não afectado por este estranho acontecimento. Lentamente moveu-se pelo espaço, sentindo algo de indefinível, como se faltasse consistência ao ar e às coisas. E faltava: uma dimensão. Apercebendo-se do sucedido, milhares de hipóteses lhe acorreram ao espírito: estava livre para fazer tudo o que quisesse. Ninguém o podia deter ou impedir! E deu largas à imaginação; carta branca aos seus desejos. Fez de tudo e de todos o que lhe passou pela cabeça, do mais banal e previsível ao mais insano. Razão pela qual, na altura em que o fluxo do tempo, retemperado pelo descanso, retomou a sua marcha, foi com imensa surpresa que a reunião mensal do conselho de administração o encontrou nu, de óculos escuros e coberto de chocolate, deitado na sua mesa de reuniões, deitando champanhe no decote da vice presidente enquanto fumava um charuto e cantava "Ora zumba na caneca" aos berros.

Inquietação, inquietação...

A pressão negativa que a sociedade, consciente ou inconscientemente, exerce sobre os solteiros atinge hoje, quarta-feira, 14/02, o seu expoente máximo com a celebração dessa data intragável que é o dia dos namorados. Atente-se à hipocrisia comercial dos slogans que prometem amor eterno a quem comprar pneus, uma casa ou aquele iogurte torna-se quase insuportável, fazendo crer a todos que a recompensa da felicidade a dois vale todos os sacrifícios e que está mesmo ali ao virar da esquina, rápida e acessível. Não há filme, canção, anúncio ou festa que escape (filme obrigatório para dia 14/02: No soy vos, soy yo). Os restaurantes estão cheios de casais enamorados que, ainda o ano passado, diziam as mesmas frases feitas a outra pessoa qualquer e que, para o ano, as dirão a outra diferente. Tudo se suporta para não se ficar sozinho, derradeiro falhanço social ao que parece, desde discussões constantes a feitios incompatíveis. As pistas do final inevitável estão lá mas o tal "amor" mascara tudo isso e faz-nos estoicamente continuar a tentar adiá-lo. As estatísticas estão mesmo a nossa frente, com o número de divórcios a subir e o dos casamentos a descer ou a sua duração encurtada (quando um casamento dura menos que uma BIC algo está errado). As trocas constantes de par na nossa geração reflectem bem a futilidade de copiar o modelo dos nossos pais, o de uma relação para sempre, e fazem-nos sentir miseráveis por falharmos. A questão é que os tempos mudaram e agora nada dura mais do que um instante. O emprego, o carro, a casa, a relação. Outros objectivos de vida, pérfidos na deturpação do sentido último da vida – a perpetuação da espécie - mas verdadeiros para o egoísmo da felicidade individual, contribuem também para este cenário que ganha contornos de realidade com o envelhecimento da população. Estamos desadequados, desenquadrados e complicados (ouvir conversa entre Danny Archer e Solomon Vandy, no Diamante de Sangue, sobre objectivos de vida); lutamos para cumprir com o plano da geração anterior sem perceber que já não é a nossa. Agora é a intensidade do efémero que conta, é o experimentalismo do imediato, é queimar todos os cartuchos porque, de facto, não há motivo para os guardar. Para quem, para quê? Não há nenhuma grande ordem das coisas, não há nenhum significado escondido, não há recompensa ou castigo eterno à nossa espera no final, ou pelo menos, é essa a sensação que fica ao observarmos o dia a dia. Apesar de tudo, este frio modo de pensar, quando confrontado com a chama da paixão ou perspectivado pelo filtro cor de rosa do amor, não tem a mínima hipótese, pois não há abordagem racional possível perante a loucura irracional desses sentimentos. Claro que existirá o amor verdadeiro mas, ao que parece, como tantas outras coisas, está a sentir algumas dificuldades com este cínico estilo de vida, e é espantoso como, se quantificássemos em 10% as vezes em que é mesmo verdadeiro, estaríamos todos incluídos nesses 10% e os outros é que seriam a vasta maioria dos iludidos. Tadinhos deles. Resta acrescentar que, nas circunstâncias certas, me comportarei e comporto como os demais, ou pior ainda, escravo voluntário de um romantismo incurável que procura o mesmo que todos os outros; o final feliz! Bom dia dos Animais para todos!

Há monstros debaixo da cama?

Estou sozinho em casa e ouço um raspar indistinto, vindo de parte incerta. De início ignoro. Depois repete-se e já nem sequer é igual à primeira vez. Mudou de sítio? A suspeita cresce e começo a racionalizar. São os canos. É o soalho de madeira que é velho. Vem de casa do vizinho. Que parvoíce a minha, o que é que pode ser? No máximo, um rato dentro da parede ou outro bicho qualquer. É que parece mesmo qualquer coisa viva. Sem saber bem porquê. Bom, que se lixe. Vou mas é dormir que isto não é nada e estou só para aqui a imaginar coisas. Quando estou quase a adormecer, eis que surge de novo. Mais sólido que nunca. Mais distinto que nunca. Não há dúvidas. Está cá dentro, mesmo perto da porta. Bolas. Agora tenho de ir ver, não vá ser um insecto nojento qualquer mesmo à espera de me apanhar durante o sono para se passear pela minha cara. Acendemos a luz. Olhamos em volta. Nada. Caca. Eu sabia. Apago a luz. Deito-me. Será que ouvi alguma coisa? Já que acordei ao menos levanto-me e dou uma olhadela pela casa. Acendo a luz de novo. Espreito o chão, olho para baixo da cama, para trás da porta e em redor vistorio as paredes e o tecto. O quarto está limpo. Nada à vista. Abro a porta devagar, cauteloso. Nada no corredor. Faço uma ronda rápida pela casa. Portas e janelas fechadas. Excepto uma que está só encostada. Hummm, que estranho. Podia jurar que tinha fechado todas. Deve ter passado. Fecho-a. Ao virar-me parece mesmo que ali atrás do sofá algo passou veloz, apenas um vulto. Que bela merda. Porquê que fui ver o filme de terror? Agora estou completamente paranóico. Acabou. Vou dormir! Quarto e cama. Demoro um pouco a voltar ao sono porque o barulho misterioso insiste. Que se lixe, é para ignorar e dormir, que amanhã trabalho cedo. Adormeço. A meio da noite, enquanto me viro na cama, entreabro os olhos por segundos, mesmo a tempo de apanhar um vislumbre de algo pálido de olhos negros raiados de sangue, garras e dentes afiados caindo do tecto, rosnando baixinho, na minha direcção…

Rocky Balboa

O regresso de Sylvester Stalone ao grande ecran sob a forma de um Rocky Balboa entrevado mas com problemas por resolver, deve ser entendido como tal. Entrevado e com problemas por resolver. O filme tem o perfume dos clássicos dos anos 80, com todos os ingredientes que esperávamos encontrar, se bem que as doses em que são servidos estejam um pouco diferentes de outras versões. Por exemplo, o primeiro murro é apenas desferido passados que estavam 60 minutos de filme. É pouco mas entende-se que o Balboa de 50 anos tenha amadurecido e agora prefira conversar sobre os seus problemas. Escusava era de ter 8 discursos moralizadores, daqueles que normalmente antecedem os grandes momentos deste tipo de histórias, em vez do tradicional único e épico. Ele fala com o filho, com o amigo, com a amiga, com a mulher morta, com ele próprio, outra vez com o filho, com o cão, com o filho da amiga, e, de discurso estafado em discurso forçado, passa o tempo até entrar a música grandiosa para o Rocky começar a malhar ferro rumo ao combate. Todos sentimos (pelo menos um pouco) aquele frémito que nos puxa para fora da cadeira do cinema para fazermos flexões com ele. O beijo da praxe da amiga ambígua e eis que chega o grande dia, com a entrada no ringue ao som de Sinatra. Dezenas de murros trocados, litros de sangue escorrido (vá, meio litro, que o senhor não caminha para novo e aquele tipo de sangue já não se fabrica), golpes furiosos, momentos de nenhum suspense com as previsíveis idas ao tapete de parte a parte e as inversões de domínio e, momento decisivo, um flashback com a Adrian para conseguir com que Rocky se levante de novo para um ataque final. Mau? Sim. Mau demais? Está bem. Mas dá a volta e vê-se, perdido o amor ao dinheiro do bilhete, principalmente para quem tem idade para ter vibrado com os outros. "ADRIAAAAAAAAAAAAN!"

O despertar da mente

Num local recôndito da mente, bem abaixo dos níveis iluminados da consciência, um lodo mental viscoso goteja e escorre pelas sinuosidades do cérebro primitivo. Lenta mas deliberadamente começa a tomar forma e, produto de recalcamentos, frustrações, medos, raiva, maus sentimentos e feridas antigas, não é uma forma agradável. A gosma ganha força e expressão e insinua-se rumo aos centros superiores de decisão, mas subreptíciamente, nunca ostensiva, para não ser detectada e contrariada nas suas péssimas intenções. Um toque aqui, uma palavra ali, puxa, morde, mexe, por vezes de dia, muitas vezes de noite quando sabe que a vulnerabilidade é maior. Usando todos os expedientes e aliados, como a dúvida, o medo e a mágoa, vai reunindo potencial. Até que a oportunidade surge, cínica e cirurgicamente calculada para optimizar o efeito, para o ataque certeiro e mortífero numa manhã fria e chuvosa de segunda-feira.

Piiiiiiii, piiiiiiiiiii, piiiiiiiiiiiiiiii, ......

Rapidamente, o braço emerge dos cobertores que o escondiam e decidido lança-se no espaço que separa a cama do botão snoooze do despertador. Ahhhhhhhhh...que se lixe, hoje não vou trabalhar!!! Mudando de direcção para o botão do alarme, silencia o aparelho maldito de uma vez por todas, antes que este inicie o seu concerto infernal pela 4ª vez naquele dia.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

segunda oportunidade

A coisa mais interessante que ouvi dizer nos últimos tempos sobre relações (acho que foi na Oprah ou no Dr. Phil) é que temos tendência para nos apaixonarmos por pessoas que partilham defeitos graves com os nossos pais (pai no caso das mulheres, mãe no caso dos homens).
Esta tendência será provocada pela vontade de ter uma segunda oportunidade para resolvermos problemas que não conseguimos resolver até à adolescência.
Apesar de um pouco assustadora, esta teoria parece explicar por que razão (estranhamente, digo eu) têm grande sucesso junto do sexo oposto pessoas com defeitos muito marcados e característicos da geração dos nossos pais: homens mulherengos ou do género quero-posso-e-mando e mulheres chatas e sofridas.

Assim sendo, não há nada melhor para o nosso ego do que ter uma mulher ou namorada que acredita que o seu pai é o melhor homem do mundo.

sábado, fevereiro 10, 2007

pontos de vista

http://abandeiravermelha.blogs.sapo.pt/40885.html

curioso. interessante. diferente.

"Eu odeio pessoas felizes! Quero matá-las todas!" Esta era a premissa que orientava a vida de Alcides. E com base nela, todos seus os testes psicotécnicos eram unânimes em afirmar que as únicas profissões que lhe serviam eram as de terrorista ou assassino. Assim, o nosso herói decidiu ser assassino de massas (em inglês, mass murderer). Homens, mulheres, novos ou velhos, mesmo animais, desde que felizes, não escapavam à fúria homicida de Alcides que acumulava mortes atrás de mortes. Não era esquisito. Marchavam todos e de todas as maneiras. Baleados, esfaqueados, atropelados, envenenados, esmagados, triturados, queimados ou fritos em azeite. Mas havia algo, uma insatisfação que Alcides não conseguia bem definir e que o impedia de se sentir realizado com a sua profissão. Faltava um desafio à altura das suas capacidades; aquela missão que seria o seu orgulho. E um dia surgiu-lhe no espírito a ideia do que poderia ser. Matar a pessoa mais feliz do mundo. E quem era ela? Essa sim era a parte complicada. Não permitindo que isso o detivesse, arregaçou as mangas e deitou-se ao trabalho. Leu todas as estatísticas dos níveis de satisfação e indicadores de qualidade de vida, leu os grandes filósofos, estudou psicologia e bebeu uns copos. Passados uns anos, Alcides tinha chegado a uma conclusão. A pessoa mais feliz do mundo era a senhora Felicidade dos Anjos. Os motivos e cálculos que o levaram a esta conclusão não são importantes. A verdade é que tinha acertado. Passou à acção e, para revolta de todos quantos a conheciam, matou-a da forma mais atroz que conseguiu imaginar, quebrando todas as barreiras conhecidas da dor e do sofrimento humano. "Ah!", exclamou, "Finalmente! Agora sim, estou....feliz?!". Fiel aos seus princípios, sacou da arma e suicidou-se.

sim