quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Há dias assim...

Há dias assim... não sai uma para a caixa. Em nada. A conversa não flui. A condução está perra. O sono não descansa. A comida não sabe bem. Tudo irrita. Tudo é mau. Há uma nuvem negra que tapa o sol. Está frio. Está calor. Chove. Acaba a gasolina. Acaba o saldo e a bateria do telemóvel. Chegam 4 contas no correio. A renda subiu outra vez. Não tenho dinheiro na carteira quando vou pagar o almoço e não há MB. Sujo as calças ou a camisa sabe-se lá onde. Não há lugar à porta. O emprego não motiva, ainda por cima é mal pago e ainda me enganei a enviar aquele documento importante portanto o mais certo é vir a ser despedido em breve. Não há programa nem companhia. Os amigos não atendem. A namorada foi embora. O cão morreu e matou o periquito antes. O carro não pega e quando pega tem um pneu furado (nem vou falar do sobresselente e do macaco). A net não liga. O word não responde a meio do texto não guardado. Esqueci-me da chave na gaveta do emprego. Esqueci-me dos óculos em casa. Perdi a carteira quando estava a tentar pagar o almoço. Deixei a janela aberta (e, ver acima, choveu); a luz acesa, que fundiu e não há mais lâmpadas; a torneira a correr e inundou o resto do chão de madeira que a chuva tinha poupado. Não há roupa lavada porque não pus a roupa a secar e aquela camisola vermelha transformou metade do meu guarda roupa num pesadelo cor de rosa. Não tirei o jantar do congelador e só há uma lata de anchovas na dispensa, fora do prazo, claro. A lâmpada ao fundir deitou o quadro abaixo e desligou o frigorífico que descongelou e estragou tudo o que tinha dentro. A louça está por lavar e o único copo acaba de cair ao chão. A mulher que está à minha frente na fila tirou o dia para falar sobre a novela. A televisão não dá nada de jeito. O DVD pifou com o filme do clube de vídeo atrasado para entrega lá dentro. Há imensas coisas para fazer mas não apetece fazer nada do que podia e só quero fazer o que não posso. Não sei do livro que estava a ler e quando o encontro perdi a marcação da página. Não posso tirar férias nos próximos 4 meses. Estou a ficar doente com as anchovas que comi. Acabou o papel higiénico. O armário dos medicamentos só tem pastilhas para garganta e 5 caixas vazias que me podiam ajudar imenso se não estivessem vazias. A última das quais era a de valium para dormir ou para me matar. Moro num primeiro andar e só me magoava se saltasse. Reparo que cortaram o gás quando tento meter a cabeça no forno. Não tenho corda para me enforcar nem sítio para a pendurar em casa descubro eu quando encontro o cinto do roupão, que também era curto demais. A pistola do meu avô não tem balas que funcionem, mas também os vizinhos iam reclamar do barulho e ficava tudo sujo. A ponte fica longe e não me apetece ir até lá a pé. Saio para espairecer um pouco e sou assaltado. Como não tinha carteira e o telemóvel não funcionava, o gajo espeta-me com uma faca tão cheia de doenças que o vírus da Sida morreu lá. Enquanto me esvaio em sangue no chão, tento encontrar algo que me ajude, passa um carro com a minha ex-namorada e o seu novo namorado por cima de uma poça e molham-me com lama que arde na ferida. Tiro um papel do bolso da camisa e vejo na televisão da loja ao lado os números do jackpot do euromilhões a saírem iguais ao do meu boletim. Fraquejo e solto o papel que esvoaça para longe, enquanto morro com dores... Acreditem ou não, isto já me aconteceu três vezes este ano e só estamos em Fevereiro!

um miminho

O guincho do metal arrastando-se na pedra rasgou a noite. Um rasto vermelho marcava o percurso por onde tinha passado o machado. A lâmina embotada testemunhava a violência dos golpes desferidos. Mas onde, quem, porquê? O cenário lúgubre e desolado não prometia nada de bom. A cara fechada do homem vestido de negro que carregava a ferramenta sangrenta também não. Já o mimo que jazia morto a uns metros dava um toque mais agradável a toda a cena, pois, como é do conhecimento público, o único mimo bom é o mimo morto. E uma vez que se tratava de um daqueles vestidos de Pierrot, especialmente irritantes, deu direito a bónus extra. 1000 pontos, diria eu. E mais 500 porque a primeira machadada apanhou-o a fazer a cena da parede invisível, que aparentemente era mais frágil do que parecia. Não se pode confiar nas paredes imaginárias como dantes para deter um bom e sólido machado de lenhador apontado com mestria ao cachaço. Louve-se a tentativa de defesa que o mimo esboçou, tentando inutilmente explicar por gestos que até nem era má pessoa. Não resultou. Se não era fácil em circunstâncias normais gesticular noções como clemência, piedade, misericórdia e prometo nunca mais ser mimo e arranjar um emprego decente, sem os bracinhos ficou tudo muito mais difícil.

domingo, fevereiro 18, 2007

Finais

José Mourinho diz que foram feitas para serem ganhas.
Alguém tem que as perder. Que não seja por falta de comparência.

entrevista

Excerto fictício do que poderia ser uma entrevista a um jogador de futebol se lhes fizessem perguntas de jeito ou se eles não respondessem sempre a mesma coisa:

Diga-me lá qual foi o sabor do golo da vitória sobre o Real?
Hummmm... Morango. Sim, morango.
E agora, atingiram os 1/4 de final. Qual é a ambição da equipa? Chegar à final?
Não, nem por isso. Acho que ficamos por aqui. Temos outras coisas para fazer.
Acha que passou ao lado de uma grande carreira por ter ficado tanto tempo aqui no Freamunde? Olhe que até nem estava à espera de chegar tão longe. Eu nem sei jogar bem futebol. Gosto mesmo é de curling.
Ao intervalo pareciam um pouco cansados mas depois entraram com mais energia. O que se passou?
Doping. O mister trouxe uns comprimidos verdes e disse para tomarmos. Aquilo dá cá um pedal...
Acha que as coisas podiam ter sido diferentes se o árbitro não tivesse expulso três jogadores e assinalado aqueles 2 penaltis nos primeiros 15 minutos de jogo contra a outra equipa?
Olhe que não. Os gajos que foram expulsos ainda jogam pior que eu. Os penaltis nem fizeram muita diferença, afinal o guarda redes deles é meu primo e já lhe tinha prometido uma viagem ao Brasil com uma gajas se ele desse umas abébias.
Gostou de ter sido substituído de 10 minutos depois de ter entrado?
Claro. Tinha combinado outras coisas e deu-me muito jeito sair mais cedo. Eu nem estava para vir.

O direito ao duelo

Proponho que se restitua imediatamente o direito ao duelo (ou então que se despenalize o assassinato por motivos imperiosos – do género, ele estava mesmo a pedi-las, com aquele mau feitio). É que anda para aí cada besta que merecia tanto... Mal por mal, em Portugal, já se mata tanta gente e, ainda por cima, sem critérios válidos - na estrada, nos abortos ilegais, com a má alimentação, com os acidentes de trabalho, com os incêndios, com a droga, o tabaco e o álcool. Só vejo vantagens: a população estaria mais em forma, para se poder defender (e não só física como mentalmente, já que um novo artigo na lei dos duelos permitiria que o desafio fosse de outros âmbitos que não o da violência física – quem recusasse mais do que três âmbitos de duelo para a resolução de uma questão assumiria a sua falha e transitaria para o código legal apropriado de livre vontade – por outro lado quem desafiasse sem razão, mais do que três vezes perderia o direito a desafiar por um período a determinar). Estariamos todos mais atentos para não provocar ninguém sem motivo e todos tratariam os outros com maior consideração e respeito. A sociedade, livre dos pesos mortos inúteis e da sobrepopulação, que sorvem recursos preciosos, evoluíria rapidamente para algo mais civilizado, em que a honra e a dignidade seriam valores a ter em conta. Claro que o preço a pagar é alto mas também o seria a recompensa. Já vejo o reluzir de duas alabardas a voltear num parque, combates intensos e fatais de par ou ímpar num qualquer vão de escada, duelos de chapada de mão aberta ou de cócegas até à morte, verdadeiras chacinas com achas de armas ou lutas acesas entre trovadores de cítaras em riste, desfiando estrofes verrinosas.

Apelo

JP desapareceu de sua casa há cerca de 3 dias, tendo sido visto pela última vez vestido de cinzento. A sua falta está a ser imensamente sentida, o dia a dia está completamente comprometido, não se desenrolando da forma usual. O regresso à normalidade está a ser muito difícil, dada a importância de que se revestia a sua presença.

Juízo Perfeito, onde quer que estejas, nunca serás esquecido nem substituído por qualquer forma de terapia ou tratamento, não importa o que dizem os senhores de branco.

sábado, fevereiro 17, 2007

desperdício

O maior problema com os acidentes nas estradas portuguesas não é o número de acidentes ou de mortos. É nunca acontecerem às pessoas certas!
Que desperdício de desgraças...

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

read my lips

Não pagamos nem mais um cêntimo por cada acção da PT!
Vá, pagamos mais um euro. Mas agora não pagamos nem mais um cêntimo!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Tempo

Sem imaginação: Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Hummm, que bom. Já passaram mais 30 segundos. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Mais 30 segundos. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Mais 30. Ainda faltam 8 horas, 58 minutos e 30 segundos para me ir embora. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Tédio. Seca. Seca. Seca.
Com imaginação: O relógio avançava velozmente, inexoravelmente, indiferente a todo o que sucedia, marcava a compasso o tempo que passava sem volta. De repente, mesmo quando estava a olhar para o mostrador, parou. Tudo se imobilizou, congelado. O que se passava? Aparentemente era ele o único não afectado por este estranho acontecimento. Lentamente moveu-se pelo espaço, sentindo algo de indefinível, como se faltasse consistência ao ar e às coisas. E faltava: uma dimensão. Apercebendo-se do sucedido, milhares de hipóteses lhe acorreram ao espírito: estava livre para fazer tudo o que quisesse. Ninguém o podia deter ou impedir! E deu largas à imaginação; carta branca aos seus desejos. Fez de tudo e de todos o que lhe passou pela cabeça, do mais banal e previsível ao mais insano. Razão pela qual, na altura em que o fluxo do tempo, retemperado pelo descanso, retomou a sua marcha, foi com imensa surpresa que a reunião mensal do conselho de administração o encontrou nu, de óculos escuros e coberto de chocolate, deitado na sua mesa de reuniões, deitando champanhe no decote da vice presidente enquanto fumava um charuto e cantava "Ora zumba na caneca" aos berros.

Inquietação, inquietação...

A pressão negativa que a sociedade, consciente ou inconscientemente, exerce sobre os solteiros atinge hoje, quarta-feira, 14/02, o seu expoente máximo com a celebração dessa data intragável que é o dia dos namorados. Atente-se à hipocrisia comercial dos slogans que prometem amor eterno a quem comprar pneus, uma casa ou aquele iogurte torna-se quase insuportável, fazendo crer a todos que a recompensa da felicidade a dois vale todos os sacrifícios e que está mesmo ali ao virar da esquina, rápida e acessível. Não há filme, canção, anúncio ou festa que escape (filme obrigatório para dia 14/02: No soy vos, soy yo). Os restaurantes estão cheios de casais enamorados que, ainda o ano passado, diziam as mesmas frases feitas a outra pessoa qualquer e que, para o ano, as dirão a outra diferente. Tudo se suporta para não se ficar sozinho, derradeiro falhanço social ao que parece, desde discussões constantes a feitios incompatíveis. As pistas do final inevitável estão lá mas o tal "amor" mascara tudo isso e faz-nos estoicamente continuar a tentar adiá-lo. As estatísticas estão mesmo a nossa frente, com o número de divórcios a subir e o dos casamentos a descer ou a sua duração encurtada (quando um casamento dura menos que uma BIC algo está errado). As trocas constantes de par na nossa geração reflectem bem a futilidade de copiar o modelo dos nossos pais, o de uma relação para sempre, e fazem-nos sentir miseráveis por falharmos. A questão é que os tempos mudaram e agora nada dura mais do que um instante. O emprego, o carro, a casa, a relação. Outros objectivos de vida, pérfidos na deturpação do sentido último da vida – a perpetuação da espécie - mas verdadeiros para o egoísmo da felicidade individual, contribuem também para este cenário que ganha contornos de realidade com o envelhecimento da população. Estamos desadequados, desenquadrados e complicados (ouvir conversa entre Danny Archer e Solomon Vandy, no Diamante de Sangue, sobre objectivos de vida); lutamos para cumprir com o plano da geração anterior sem perceber que já não é a nossa. Agora é a intensidade do efémero que conta, é o experimentalismo do imediato, é queimar todos os cartuchos porque, de facto, não há motivo para os guardar. Para quem, para quê? Não há nenhuma grande ordem das coisas, não há nenhum significado escondido, não há recompensa ou castigo eterno à nossa espera no final, ou pelo menos, é essa a sensação que fica ao observarmos o dia a dia. Apesar de tudo, este frio modo de pensar, quando confrontado com a chama da paixão ou perspectivado pelo filtro cor de rosa do amor, não tem a mínima hipótese, pois não há abordagem racional possível perante a loucura irracional desses sentimentos. Claro que existirá o amor verdadeiro mas, ao que parece, como tantas outras coisas, está a sentir algumas dificuldades com este cínico estilo de vida, e é espantoso como, se quantificássemos em 10% as vezes em que é mesmo verdadeiro, estaríamos todos incluídos nesses 10% e os outros é que seriam a vasta maioria dos iludidos. Tadinhos deles. Resta acrescentar que, nas circunstâncias certas, me comportarei e comporto como os demais, ou pior ainda, escravo voluntário de um romantismo incurável que procura o mesmo que todos os outros; o final feliz! Bom dia dos Animais para todos!

Há monstros debaixo da cama?

Estou sozinho em casa e ouço um raspar indistinto, vindo de parte incerta. De início ignoro. Depois repete-se e já nem sequer é igual à primeira vez. Mudou de sítio? A suspeita cresce e começo a racionalizar. São os canos. É o soalho de madeira que é velho. Vem de casa do vizinho. Que parvoíce a minha, o que é que pode ser? No máximo, um rato dentro da parede ou outro bicho qualquer. É que parece mesmo qualquer coisa viva. Sem saber bem porquê. Bom, que se lixe. Vou mas é dormir que isto não é nada e estou só para aqui a imaginar coisas. Quando estou quase a adormecer, eis que surge de novo. Mais sólido que nunca. Mais distinto que nunca. Não há dúvidas. Está cá dentro, mesmo perto da porta. Bolas. Agora tenho de ir ver, não vá ser um insecto nojento qualquer mesmo à espera de me apanhar durante o sono para se passear pela minha cara. Acendemos a luz. Olhamos em volta. Nada. Caca. Eu sabia. Apago a luz. Deito-me. Será que ouvi alguma coisa? Já que acordei ao menos levanto-me e dou uma olhadela pela casa. Acendo a luz de novo. Espreito o chão, olho para baixo da cama, para trás da porta e em redor vistorio as paredes e o tecto. O quarto está limpo. Nada à vista. Abro a porta devagar, cauteloso. Nada no corredor. Faço uma ronda rápida pela casa. Portas e janelas fechadas. Excepto uma que está só encostada. Hummm, que estranho. Podia jurar que tinha fechado todas. Deve ter passado. Fecho-a. Ao virar-me parece mesmo que ali atrás do sofá algo passou veloz, apenas um vulto. Que bela merda. Porquê que fui ver o filme de terror? Agora estou completamente paranóico. Acabou. Vou dormir! Quarto e cama. Demoro um pouco a voltar ao sono porque o barulho misterioso insiste. Que se lixe, é para ignorar e dormir, que amanhã trabalho cedo. Adormeço. A meio da noite, enquanto me viro na cama, entreabro os olhos por segundos, mesmo a tempo de apanhar um vislumbre de algo pálido de olhos negros raiados de sangue, garras e dentes afiados caindo do tecto, rosnando baixinho, na minha direcção…

Rocky Balboa

O regresso de Sylvester Stalone ao grande ecran sob a forma de um Rocky Balboa entrevado mas com problemas por resolver, deve ser entendido como tal. Entrevado e com problemas por resolver. O filme tem o perfume dos clássicos dos anos 80, com todos os ingredientes que esperávamos encontrar, se bem que as doses em que são servidos estejam um pouco diferentes de outras versões. Por exemplo, o primeiro murro é apenas desferido passados que estavam 60 minutos de filme. É pouco mas entende-se que o Balboa de 50 anos tenha amadurecido e agora prefira conversar sobre os seus problemas. Escusava era de ter 8 discursos moralizadores, daqueles que normalmente antecedem os grandes momentos deste tipo de histórias, em vez do tradicional único e épico. Ele fala com o filho, com o amigo, com a amiga, com a mulher morta, com ele próprio, outra vez com o filho, com o cão, com o filho da amiga, e, de discurso estafado em discurso forçado, passa o tempo até entrar a música grandiosa para o Rocky começar a malhar ferro rumo ao combate. Todos sentimos (pelo menos um pouco) aquele frémito que nos puxa para fora da cadeira do cinema para fazermos flexões com ele. O beijo da praxe da amiga ambígua e eis que chega o grande dia, com a entrada no ringue ao som de Sinatra. Dezenas de murros trocados, litros de sangue escorrido (vá, meio litro, que o senhor não caminha para novo e aquele tipo de sangue já não se fabrica), golpes furiosos, momentos de nenhum suspense com as previsíveis idas ao tapete de parte a parte e as inversões de domínio e, momento decisivo, um flashback com a Adrian para conseguir com que Rocky se levante de novo para um ataque final. Mau? Sim. Mau demais? Está bem. Mas dá a volta e vê-se, perdido o amor ao dinheiro do bilhete, principalmente para quem tem idade para ter vibrado com os outros. "ADRIAAAAAAAAAAAAN!"

O despertar da mente

Num local recôndito da mente, bem abaixo dos níveis iluminados da consciência, um lodo mental viscoso goteja e escorre pelas sinuosidades do cérebro primitivo. Lenta mas deliberadamente começa a tomar forma e, produto de recalcamentos, frustrações, medos, raiva, maus sentimentos e feridas antigas, não é uma forma agradável. A gosma ganha força e expressão e insinua-se rumo aos centros superiores de decisão, mas subreptíciamente, nunca ostensiva, para não ser detectada e contrariada nas suas péssimas intenções. Um toque aqui, uma palavra ali, puxa, morde, mexe, por vezes de dia, muitas vezes de noite quando sabe que a vulnerabilidade é maior. Usando todos os expedientes e aliados, como a dúvida, o medo e a mágoa, vai reunindo potencial. Até que a oportunidade surge, cínica e cirurgicamente calculada para optimizar o efeito, para o ataque certeiro e mortífero numa manhã fria e chuvosa de segunda-feira.

Piiiiiiii, piiiiiiiiiii, piiiiiiiiiiiiiiii, ......

Rapidamente, o braço emerge dos cobertores que o escondiam e decidido lança-se no espaço que separa a cama do botão snoooze do despertador. Ahhhhhhhhh...que se lixe, hoje não vou trabalhar!!! Mudando de direcção para o botão do alarme, silencia o aparelho maldito de uma vez por todas, antes que este inicie o seu concerto infernal pela 4ª vez naquele dia.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

segunda oportunidade

A coisa mais interessante que ouvi dizer nos últimos tempos sobre relações (acho que foi na Oprah ou no Dr. Phil) é que temos tendência para nos apaixonarmos por pessoas que partilham defeitos graves com os nossos pais (pai no caso das mulheres, mãe no caso dos homens).
Esta tendência será provocada pela vontade de ter uma segunda oportunidade para resolvermos problemas que não conseguimos resolver até à adolescência.
Apesar de um pouco assustadora, esta teoria parece explicar por que razão (estranhamente, digo eu) têm grande sucesso junto do sexo oposto pessoas com defeitos muito marcados e característicos da geração dos nossos pais: homens mulherengos ou do género quero-posso-e-mando e mulheres chatas e sofridas.

Assim sendo, não há nada melhor para o nosso ego do que ter uma mulher ou namorada que acredita que o seu pai é o melhor homem do mundo.

sábado, fevereiro 10, 2007

pontos de vista

http://abandeiravermelha.blogs.sapo.pt/40885.html

curioso. interessante. diferente.

"Eu odeio pessoas felizes! Quero matá-las todas!" Esta era a premissa que orientava a vida de Alcides. E com base nela, todos seus os testes psicotécnicos eram unânimes em afirmar que as únicas profissões que lhe serviam eram as de terrorista ou assassino. Assim, o nosso herói decidiu ser assassino de massas (em inglês, mass murderer). Homens, mulheres, novos ou velhos, mesmo animais, desde que felizes, não escapavam à fúria homicida de Alcides que acumulava mortes atrás de mortes. Não era esquisito. Marchavam todos e de todas as maneiras. Baleados, esfaqueados, atropelados, envenenados, esmagados, triturados, queimados ou fritos em azeite. Mas havia algo, uma insatisfação que Alcides não conseguia bem definir e que o impedia de se sentir realizado com a sua profissão. Faltava um desafio à altura das suas capacidades; aquela missão que seria o seu orgulho. E um dia surgiu-lhe no espírito a ideia do que poderia ser. Matar a pessoa mais feliz do mundo. E quem era ela? Essa sim era a parte complicada. Não permitindo que isso o detivesse, arregaçou as mangas e deitou-se ao trabalho. Leu todas as estatísticas dos níveis de satisfação e indicadores de qualidade de vida, leu os grandes filósofos, estudou psicologia e bebeu uns copos. Passados uns anos, Alcides tinha chegado a uma conclusão. A pessoa mais feliz do mundo era a senhora Felicidade dos Anjos. Os motivos e cálculos que o levaram a esta conclusão não são importantes. A verdade é que tinha acertado. Passou à acção e, para revolta de todos quantos a conheciam, matou-a da forma mais atroz que conseguiu imaginar, quebrando todas as barreiras conhecidas da dor e do sofrimento humano. "Ah!", exclamou, "Finalmente! Agora sim, estou....feliz?!". Fiel aos seus princípios, sacou da arma e suicidou-se.

sim

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Nossa Senhora chora


"Nós somos os legisladores a quem Deus pedirá contas"
'Está nas nossas mãos proteger as vidas inocentes por nascer. E ai de quem votar "para atraiçoá-las às mãos de médicos ou de outras"'
"NÃO! Em nome de Deus"
"Bom povo português, não vos deixeis enganar! Este referendo é uma batalha pela alma de Portugal"
"Povo português, não atraiçoeis a Virgem Santíssima! Votai como Ela gostaria que votásseis"
"Se estiver interessado em colaborar neste projecto para ajudar Nossa Senhora de Fátima e defender a Fé Católica em Portugal, queira contactar connosco para o seguinte endereço:"

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Episódio 15

até tive sorte e foi o melhor que me aconteceu

Recorrentemente deparo-me com aquela figura tipicamente portuguesa que é o "no fundo até tive sorte" que contrasta e compensa outra característica também muito lusa que é sermos todos, em bom vernáculo português para ser bem claro, uns queixinhas de merda. Está sempre tudo mal, tudo contra nós, tudo é miséria e infelicidade, chatices e lamentos. É a vida está cara, as doenças que nos apoquentam, o trânsito que é horrível, a televisão que não dá nada de jeito... E o pior é que nem são os grandes males do planeta que mais nos afligem e que provocam a interminável ladainha de queixas. São as coisinhas pequenas! Foi a topeirada que dei ontem na esquina da cama e a torrada que caiu com a manteiga para baixo. O tempo chuvoso que não dá para fazer nada e o rádio do carro que só apanha bem a Rádio Renascença.
Por outro lado, quando se dão as grandes catástrofes ou desgraças, afinal até tivemos sorte. Se parti um pé, até tive sorte porque deu para ficar uns dias em casa. Se apanhei uma pneumonia tive sorte porque podia ser pior e ser tuberculose multi resistente ou cancro do pulmão. Se fui atropelado tive sorte porque não fiquei paraplégico. Se fiquei paraplégico podia ser pior porque podia ter morrido. Se morri até tive sorte porque podia ter ficado tetraplégico, sofrido imenso ou pírulas da cabeça. Melhor é que há sempre alguém que conhece alguém que sofreu o tal destino bem pior que o nosso e que, por comparação, nos faz sentir que somos imensamente afortunados. "Eh pá, não te queixes só porque estás aí preso a uma cama com as 2 pernas partidas e soldadas pelos joelhos com ferros que nunca mais te deixarão dobrá-las para atar os atacadores ou sentares-te decentemente, os braços amputados, sarna e chatos sem te poderes coçar, com diarreias e soluços crónicos que disparam as diarreias porque eu conheço um gajo que foi atropelado por uma ceifeira debulhadora desgovernada e que ficou dois dias a ser comido vivo por formigas e que o deixaram cego, surdo e gago. Como vês até tens sorte. Podia ser bem pior."
Em última análise só há um tipo no mundo que teve azar. Todos os outros têm sempre a sorte da comparação favorável, dispostos por sucessivos níveis comparativos do que lhes aconteceu relativamente ao indivíduo de referência.

consequências

Saltitando e rolando lentamente pelas pedras da calçada ia uma couve. Saltitando pelas pedras da calçada ia também uma beringela. Seguiram-se três nabos, um zuchinni, pimentos, um repolho, dois aipos e um molho de brócolos. Primeiro devagar, depois ganhando embalo em saltos cada vez maiores, lá iam eles, cada vez mais juntos, cada vez mais alto. Como se fossem nadadores sincronizados todos saltaram para dentro de um saco de papel vazio que cabriolava por sua vez pela calçada, agora com todos os legumes saltitantes já mais calmos dentro dele. Num esforço enorme, o saco reúne as suas forças e, carregado como estava, eleva-se no ar, boca para cima. Simultaneamente um tipo que jazia no chão, pincha como uma bola de borracha, estende os braços e deixa que o saco lá se aninhe confortável e diz: !ohlaraC mesmo antes de encaixar o pé num alto do passeio e ficar de pé com o saco na mão.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Fotograma do episódio quinze


Xeque ao cardeal?

O referendo ao aborto transformou-se num referendo para saber se a Igreja Católica ainda tem algum poder na sociedade portuguesa, para além do económico.
Dia 11 ficaremos a saber.

domingo, fevereiro 04, 2007

Estórias de Sampi, o ET esquizofrénico IV – O lado negro

A loucura da mudança foi boa; ocupou o seu espaço e tempo; deixou recordações, marcas, fotografias inenarráveis, filmes interditos a pessoas sãs de espírito, estragos avultados... enfim nada que uma horda imensa de bárbaros loucos gigantes com lsd e esteróides não conseguisse fazer se lhes fosse concedida meia eternidade.
Agora era tempo da loucura na continuidade. Porque sejamos francos, Sampi tinha a sua piada, o seu encanto negro, o seu charme de bandido mas nada disto alterava o facto de, por vezes, conseguir ser completamente disfuncional, anti-social, psicopata e sanguinário.
Andava ele muito bem, feliz e contente com a vida, alguns diziam apaixonado baixinho, a divertir-se com o seu novo hobby, que consistia em criar novas formas de misturar químicos explosivos com fins recreativos, e nisto começou um reinado de terror.
Tudo provocado por um ataque de fúria com um paspalho. Terá, um dia mais tarde, Sampi dito sobre esse assunto numa entrevista: "Repare-se que esta situação, a minha reacção algo descontrolada na altura, seria de todo em todo injustificável se estivéssemos a falar de um simples paspalho. De um parlapatão, um lorpa. Um cretino odioso. Anormal, erro da natureza, no caso dele não é assassinato, é interrupção voluntária da gravidez mesmo que tivesse já 70 anos. Uma bestiaga repugnante de um anormal enfezado cuja definição de atrasadice mental escapa ao conjunto de insultos até hoje condensados em todo e qualquer dicionário ou enciclopédia, proferidos em qualquer língua, intentados ou inventados, mesmo imaginados de raspão. Nem sequer naquela situação em que batemos com o dedo mindinho do pé descalço na esquina de um móvel rijo como um corno poderemos chegar junto do que me apetecia dizer agora sobre esse c""#%# de $145!%!!$, filho de &#!$# e /%%/"$& cheio de (""/%( até ao pescoço, raios partam esse /&/)/)*`= e */(%=, ª$#`&*`#&%$" de "$%&"$%/*"%$/`*"$%/...." E continuou assim durante mais 3 horas e meia, num discurso crescente de raiva insultuosa criativa, que, se não fosse tão perturbadora e selvática, constituiria uma obra de arte por si só, de um alcance e grandiosidade comparável a uma sinfonia de Beethoven, altura em que esmagou a cabeça da repórter com o gravador (só com recurso às mais avançadas tecnologias e 200 horas de trabalho é que foi possível recuperar o conteúdo da entrevista para averiguar as causas do que sucedeu de seguida), usou o corpo semi-decapitado da infeliz para destruir a mobília daquela divisão, abriu caminho ao pontapé e à dentada pelas paredes do palacete granítico em que vivia, arrasou meia floresta e respectivos habitantes, transformando-a num ecossistema mais morto e sem vida que a música dos Delfins, reformatou à chapada uma cordilheira vizinha num vale profundo, fartou-se das limitações deste estilo de violência unipessoal e ordenou a extinção de 39158 formas de vida... "Bom! – disse, virando-se para o gravador que, milagrosamente, ainda recolheu este último excerto – Felizmente agora estou muito mais calmo e já não perco a cabeça tão facilmente com esse assunto!" E chutou a pobre máquina para outro continente.
Quem era o paspalho e o que fez, nunca ninguém quis arriscar perguntar ou gabar-se de saber, com medo de dar início a um novo holocausto, mesmo com esta nova postura mais calma de Sampi sobre o assunto.

sábado, fevereiro 03, 2007

Ementas

Aborto? Hummm... é fresquinho? De anteontem? Então não, obrigado! Queria antes o bife da casa mal passado, por favor.

A sangue frio

A lâmina dura e fria penetrou de forma violenta e, no entanto, lânguida, a superfície da carne macia. Da ferida aberta jorrou sangue em golfadas que escorreram pela superfície até à cerâmica que revestia o chão. Retrocedendo pelo caminho aberto com o golpe inicial, a faca afiada golpeou vigorosa e ritmicamente aquela zona, estraçalhando músculo, gordura e ossos para além de qualquer esperança de recuperação. Finalmente, satisfeito com o efeito produzido, aquele que empunhava o vil instrumento cortante, o fatigado autor da violenta carnificina que ali se tinha desenrolado, recuou um passo para avaliar a sua obra. Era suficiente. Para já teria de chegar, embora tenha ainda hesitado um pouco, ansioso por retomar a labuta sangrenta. Acalmando-se e recuperando o fôlego, virou-se e disse:

"Ó dona Cremilde, quilo e meio de costeletas chega-lhe?"

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O que Manuel Pinho poderia ter dito

Portugal é um país de mão-de-obra barata. Os salários são tão baixos que eu sou o melhor ministro da economia que os portugueses podem pagar.

Portugal é um país de mão-de-obra barata. Para compensar o baixo nível dos rendimentos os políticos portugueses titulares de cargos públicos contratam dezenas de assessores incompetentes, que de outra forma não teriam emprego, pagando-lhes pequenas fortunas.

Os portugueses têm salários baixos. Mas fazemos questão de cobrar muitos impostos. Aliás um dos portugueses mais bem pagos é o Director-geral de finanças que ganha mais de 60 salários mínimos por mês.

Os portugueses têm salário baixos, mas as reformas são altíssimas. Pelo menos para os nossos companheiros da política.

Os portugueses são mão-de-obra barata. Mas são dos melhores gestores do mundo. Ganham pouco, pagam casas, carros, combustíveis, roupas e comida aos preços mais altos da Europa e conseguem sobreviver. Isto é gestão de excelência.


Estes eram argumentos de peso para conquistar investimento chinês. E sempre sem faltar à verdade.

Grandes Portugueses


quinta-feira, fevereiro 01, 2007

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Manuel Pinho tem razão

Todos criticam o ministro Manuel Pinho por andar na China a vender Portugal como país de mão-de-obra barata. A Gabardina, ao contrário, felicita-o por essa iniciativa que já tardava.
Foi, aliás, a Gabardina, em Outubro de 2005, a primeira voz a dizer que era esse o caminho para que Portugal fosse um país com futuro.
Agora limitamo-nos a ficar contentes por ver que o Governo lê este blog e adopta as nossas ideias. Assim sim!

Porquê?

Não podemos escolher aquilo que sentimos. Será que podemos fazer alguma outra coisa para não ficarmos escravos desse lado tirano das nossas mentes? Qual é o equivalente para as emoções de um cobertor quando sentimos frio? E de uma cervejinha gelada à beira-mar quando quando está calor? Onde está o banho revigorante e fresco para lavarmos a alma das conspurcações mentais? O betadine para as feridas da desilusão? O mapa da mina para saírmos da confusão? Se calhar por nada disto existir é que as boas sensações também não têm igual! (salvo na materialização óbvia do anúncio da nescafé com a música do "I can see clearly now", o pôr do sol com a chavena de café e o cobertor) Existe ainda a felicidade química ready-made do valium & prozac mas, de algum modo, não é bem a mesma coisa. Pessoalmente, prefiro a companhia de amigos - e que belo fim de semana este que passou, nesse aspecto!
Enfim, são 7,30 da manhã de quarta-feira, está frio, chove e preciso mesmo de ir ali tomar o belo cafézinho quente matinal com um cheirinho de realidade e uma colher de açúcar...

terça-feira, janeiro 30, 2007

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Gato Fedorento

Saudando os grandes momentos das duas últimas semanas (Big brother grandes portugueses e imitação de Marcelo Rebelo de Sousa), queria deixar duas sugestões:
- Um big brother grandes portugueses em que o Marco (e quem mais quisesse) dê calduços a salazar;
- A recuperação desse grande figura nacional que é Paulo Futre para o segmento de tesourinhos deprimentes da RTP. E eu lembro-me de pelo menos quatro grandes momentos deprimentes do Futre em frente às câmaras. A saber:
1. A entrevista com Manuela Moura Guedes para o Telejornal, em que o fenómeno do Montijo, vivendo há pouco mais de 15 dias em Espanha, lhe atira com cerrado sotaque castelhano a frase "E tu, Manuela, quanto ganhas?".
2. A reportagem sobre o dia-a-dia do clã Futre em Madrid, com a apresentação do célebre Porsche amarelo e a revelação de que o craque só cortava os belos caracóis no Montijo.
3. A apresentação do menino no Estádio da Luz, em que se passeou pelo relvado de braços no ar e punhos fechados gritando "À MORTE, C***LHO, À MORTE!!!!"
4. Uma das muitas conferências de imprensa para anunciar o fim da carreira, em que fez a comunicação aos jornalistas a olhar para uma chuteiras que segurava na mão direita.

Um deus....

Na possibilidade improvável (vá-se lá dar a coisa por impossível e depois descobrir que até havia vagas mas que não estamos qualificados porque não acreditamos...) de poder vir a ser deificado nos tempos mais próximos, decidi desde já anunciar que não serei um deus benevolente. Talvez arbitrário seja uma palavra mais adequada, embora vingativo, demente, divertido, surpreendente, bizarro, promíscuo, irónico e experimentalista também não sejam de desprezar. Para manter todos atentos e alerta, existirá em todas as alturas alguma probabilidade de serem a) soterrados em merda bovina dentro de casa ou ao ar livre b) desenvolverem temporariamente asas, caudas, cascos e/ou penugem verde sem motivo ou aviso aparente c) acometidos por diarreias explosivas, cólicas violentas e pestilentos gases verdes fluorescentes nas situações mais delicadas d) engolidos por sapos-toupeira gigantes a caminho de casa e) sexualmente atraídos por nenúfares no outono f) adquirirem a consistência de gelatina de morango à tardinha antes do jantar g) abalroados por abóboras voadoras errantes h) emparedados vivos em ranhoca semi-sólida sempre que me chatearem com coisas que se já não interessavam ao menino Jesus, quanto mais a mim i) condenados à comichão eterna e dotados de mãos de lixa áspera e suor alcoólico, entre outras tantas experiências fascinantes que, certamente, vos farão crescer como indivíduos. E daí talvez não, mas fiquem certos que, mesmo que morram de um modo horrível, deixarão para os que ficam preciosos ensinamentos sobre o facto de falarem mal de mim. Alguns destes acontecimentos serão, claro, justo castigo para algum pecadilho ou falha do tempo AM (antes de mim) mas o mais certo é só terem estado no sítio errado à hora errada, numa clara medida para melhorar o trânsito e diminuir o tédio. Os rituais religiosos serão obrigatórios, em alturas e locais variados, incluindo uma dose generosa de libertinagem, devassidão e excessos, a presença frequente de anjos, demónios e outras criaturas dispostas a colaborar ou a encorajar acólitos reticentes, sacrifícios e oferendas de vários géneros, música e consumíveis variados. Agora voltem lá à vossa vida, porque um destes dias...

domingo, janeiro 28, 2007

devaneios

À distância ouvia-se o tropel de cadeiras selvagens que cavalgavam velozmente rumo a lugar nenhum e um cheiro fresco e agradável a púrpura empestava o ar. Seguramente que estes dois acontecimentos estavam relacionados mas isso são coisas que não nos interessam agora; talvez daqui a bocado. Afinal pode ser agora. Abróteas peroravam nas esquinas das árvores sobre a fatalidade inevitável (passe o pelionasmo – estes peixes das profundezas, embriagados pelo oxigénio, sempre dados aos exageros de linguagem) do cheiro a púrpura que se liberta das cadeiras selvagens quando estas cavalgavam, principalmente e de um modo mais intenso quando vão rumo a lugar nenhum. Já as cadeiras selvagens, das abróteas e das suas conversas sobre odores coloridos só queriam mesmo era distância, razão pela qual rumavam para lugar nenhum.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Esses loucos anos

Vejam esta pérola!




E já agora também esta, talvez ainda melhor, de que não me deixam pôr o vídeo...

PS - Vejo o público e imagino-me daqui a 15 anos num concerto de Simon & Garfunkel (os dois de bengala) e toda uma geração daqui a 35 num concerto dos D'zrt.

Proposta de Lei

1 - Constituem contra-ordenações puníveis com choques eléctricos dados pelas cadeiras dos parlamentares:

a) A utilização por parte dos deputados ou membros do governo, em qualquer sessão realizada na Assembleia da República Portuguesa, das expressões "Muito bem" ou "Bem lembrado" durante qualquer discurso;

b) A utilização de expressões ou grunhidos de efeito equivalente;

2 - A intensidade dos choques deverá ser progressiva, atingindo potência letal quando o ocupante de uma mesma cadeira cometer a terceira infracção.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Série 27 Episódio Script

CENA 1
INT. DIA. CORRIMÃO DE ESCADAS
Corrimão vazio.
Som de porta.
Rapariga sobe escadas pausadamente com a mão leve sobre o corrimão.
Rapaz sai de casa a correr e desce apressado. Na curva, puxa-se contra o corrimão.
Rapariga pára. Agarra com força o corrimão e sobe. (plano de pormenor).
Rapaz passa pela rapariga. Pára e volta a subir (plano pormenor).
Rapariga sobe.
Rapaz pára e volta-se e desce.
Rapariga pára, volta-se e desce.
Rapaz desce.
Rapariga pára, volta-se e sobe.
Rapaz sai do prédio.
Rapariga entra em casa.
Porta rua abre-se com força. Rapaz entra a correr.
Rapariga sai a correr.
Encontram-se a meio.
Desaparecem as mãos.
Sobem os dois.

PARA AMANTES DA LÍNGUA PORTUGUESA (via mail)

Apesar da extensão do texto, acho que merece a divulgação! Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa:
"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo era bem definido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, ilábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro. Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, erapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula. Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros. Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício. Que loucura, meu Deus. Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas. Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."

Um sapato

Um sapato caminhava rua fora. A seu lado, de tempos a tempos, estava o seu duplo simétrico, ora imóvel ora em movimento pendular. Em redor, outros sapatos vulgares, elegantes ou de salto alto, sapatilhas enérgicas, botas imponentes, sandálias frescas, mocassins ligeiros, socas rígidas, ténis ágeis e chinelos confortáveis calcorreavam pela calçada em ritmo sincopado com os seus pares idênticos e dessíncronos com os restantes. Acontecimentos dignos de nota na comunidade consistiam na sua maioria em pisar pastilha elástica (mau), bola (bom), caca de cão (mau), poça de àgua (depende de ser goretex ou não), pisadela (equivalente a pancadaria), escovadela ou engraxadela (amor e carinho). A espaços, sucedia um momento ímpar de rara poesia quando uns quantos membros do clã do calçado marchavam em uníssono em paradas, na mais pura sintonia rítmica de uma dança ou bailado ou ainda trauteando melodias num sapateado empolgante. Em contraste, não podemos esquecer os momentos de tristeza inenarrável de um par irremediavelmente condenado ao ostracismo do fundo do armário pela súbita alteração do habitat (a moda, essa ferramente darwinista implacável do mundo da alta sapataria, não perdoa) ou a dor profunda sentida quando, apesar de todos os esforços envidados pelo curandeiro-sapateiro, um deles não resistia aos maus tratos inflingidos por uma vida de maus pavimentos e era declarado inapto, arrastando a dupla para o olvido final.

Press Release

A sociedade comercial de entretenimentos esquizofrénicos Catarse, Lda relembra a todos os seus clientes que nada do que diz deve ser levado à letra e que, no geral, estes textos são gerados ao acaso, em situações limite de stress, cansaço, perturbações mentais, alpinismo sonâmbulo, consumo e abuso de substâncias lícitas e ilícitas e/ou privação de sono.
Ao consumir as produções Catarse, reforçamos o aviso da OMS sobre o mínimo de precauções adequadas a tomar:
- obraigatório uso de equipamento pessoal de protecção pesado apropriado para ambientes tóxicos, como luvas, óculos, máscara respitatória com filtros, botas e bata;
- evitar exposição prolongada e respeitar smepre a dosagem aconselhada na literatura inclusa;
- profilaxia e tratamento pós contágio com doses maciças de realidade intravenosa;
- não recomendável a grávidas, crianças, idosos, minorias étnicas ou religiosas, pessoas com vidas estáveis e equilibradas ou de moralidade inquestionável;
- em caso de diagnóstico de stress pós traumático deve-se evitar nova exposição.

Regra geral, o autor não acredita na realidade, ou melhor, nesta realidade, que, acrecenta, considera ser apenas fruto da imaginação. Às vezes sente-se mais inclinado para a ideia de que é apenas um bocado irregular de xisto (as rochas metamórficas são as mais criativas – o basalto e as outras rochas ígneas são muito limitadas) que, por estar um pouco aborrecido desde há uns quantos milhões de anos para cá, criou esta palpitante novela para matar tempo e onde desempenha esporadicamente alguns papéis.

E, já agora, pede desculpa pela invenção do canto gregoriano em versão pan pipes – um erro deveras lamentável que tem causado muita preocupação, dor e transtorno a todos.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Compro uma caixa. É de plástico, branca, esterilizada, e tem lá dentro quatro hambúrgueres frescos. Comovido, em homenagem ao civilizado acesso que os taparueres proporcionam aos produtos alimentares, leio, detalhadamente, os ingredientes do bife picado. 80% de carne de vaca. 80% de carne de vaca? 80% de carne de vaca! Leio: ovos. Ovos! Farinha animal? E-339! E-423! E-544! Gordura vegetal e corantes. Abro a caixa. Um aviso: “contém nitratos”. Nas mãos, tenho um hambúrguer kitado, na mente, um ready-made do tunning alimentar e no fogão uma sertã a crepitar. Passo às frituras. A carne frita, mas guincha também, e, é assim que vai ficando de outra cor. Protejo a cara com as mãos, reviro a peça, pressiono com a espátula e num gesto coloco-a num prato. Provo que tal como um opel corsa xuning, apesar de não ser corsa continua opel, o meu hambuguer apesar de continuar redondo, sabe a salsicha. Provo um hambúrguer que sabe a outra coisa, almoço com a sensação de que tudo isto tem um sentido que não alcanço, bebo um trago de água que sabe a limão, e fico a desfrutar aquele suave aumento de circulação sanguínea após uma refeição, responsável pelo adormecimento ao Sol, pelos acidentes de viação e um certo sentido da vida mediterrânica.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O País que somos, os grandes portugueses que temos II

Já não via nada tão cómico como a dança dos eurodeputados (não podia faltar o tuga) com terroristas desde a dança de Jerónimo de Sousa na campanha para as Presidenciais.

Se bem que a participação especial do Marco no Gato Fedorento foi quase tão boa!

O País que somos, os grandes portugueses que temos

Cada vez que penso que o Salazar e o Cunhal estão entre os dez finalistas dos grandes portugueses dá-me vontade de fazer como quando de férias nos cruzamos com outros portugueses: hablar castellano.

domingo, janeiro 21, 2007

Cosmogonia

“Fónix!” disse o feiticeiro supremo, “estou mesmo farto destes tipinhos”! Invocando rapidamente meia dúzia de divindades arcanas, puff, transformou-os a todos em carneiros. “Ah!, muito melhor.”, disse enquanto se afastava, “Pode ser que assim andem mais contentes por uns tempos, a pastar despreocupados!”, e foi ver como corria a evolução das algas cabeludas de silicone em Gzorbliak III.

Felizmente o conjuro era indolor, incolor, inodoro, insípido, imaterial e silencioso e os enfeitiçados nunca se aperceberam da mudança operada, excepto por uma invulgar tendência que desenvolveram para discutir o estado do tempo em elevadores!

Dizeres incoerentes que podiam ter sido mas não são provérbios

Ao almoço, ao jantar e à ceia coma carne de baleia! Mas se não acabas o curso comes mesmo é sopa de urso!

Acrescento: És parvo, panhanhas, caguinchas e armado ao pingarelho; tenho lá um bastão de basebol em casa que me diz que não chegas a velho.

E outra: Se já tens um bom pé-de-meia, não escolhas amor de cara feia mas se não sentes nada lembra-te: podes sempre envenená-la!

Mais ainda: Rouba tudo o que puderes, não te esqueças das mulheres, mas cuidado, pensa bem, não te fazem antes falta talheres?

Só mais um: Mau tempo a abrir o telejornal, pouca vergonha em Felgueiras, devo estar em Portugal para ouvir tantas asneiras!

Afinal mais esta: Bebe tudo o que quiseres mas nunca te esqueças de onde estás, senão, vê lá, ainda acordas com uma valente dor lá atrás!

Ainda outra: Amigo do meu amigo, não sei porque estou a falar contigo!

Para finalizar: Maus amigos e gajas reles chuta para longe os que puderes, mas só depois de tirares tudo aquilo que queres!

Agora é que é a última: Rins, fígado, olhos, pulmões e coração tens de estimar porque só te fazem falta enquanto deles eu não precisar!

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Só para festejar o regresso do youtube

Tenho saudades do meu clube



Importam-se de expulsar o "Presidente dos envelopes" com urgência, por favor?

quinta-feira, janeiro 18, 2007

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Estórias de Sampi, o ET esquizofrénico III – Escolhas

(ver Sampi I e II em Gabardina Setembro 2006)
Como é do conhecimento (aprovado pelo governo para consumo) público, existem, presentemente, cerca de 6 biliões de seres humanos neste planeta. Se contarmos com a capacidade de se deslocar no eixo do tempo que Sampi possui, este número crescerá de um modo perturbador e obsceno, e que, por razões de saúde pública e decoro, nos abstemos de mencionar. (Desculpem, mas muitas vezes uso o plural real para me referir a mim próprio – tenho uma auto-estima bastante saudável, além de que, como referi algures, tenho imensa personalidade, perdão, imensas personalidades – nota do narrador)
Ao aperceber-se deste facto, Sampi sentiu o equivalente em felicidade a 2,6 vezes a potência da bomba de Hiroshima. Escolha! Variedade! Oferta! Foi quase como se a Imelda Marcos tivesse entrado na antiga Biblioteca de Alexandria e gostasse de livros em vez de sapatos! Assim, Sampi, qual turista destemido que chega a uma cidade onde não é conhecido, partiu para a borga, devassa e pilhagem. Um desvario. No início, a coisa nem era muito sofisticada: desde que ainda tivesse dentes e um conjunto funcional de equipamento sensorial e reprodutivo, marchava. Tipo test-drive, Sampi ensaiou corpos de todas as formas, cores, feitios e sexos. E quando não gostava de algum não hesitava em fazer obras profundas, se considerava que tinha algum potencial ou em abandonar a carapaça vazia qual trapo velho. A esta fase experimentalista devemos alguns dos habitantes mais bizarros que marcaram as páginas da nossa história. Para nomear apenas alguns dos mais conhecidos: Marquês de Sade; Merlin; Aleister Crowley; Weird Al Yankovic; Marilyn Manson (óbvio – o gajo original era perfeitamente normal); Michael Jackson; António Variações (de tempos a tempos como músico pop – umas férias bem merecidas); Platão (primeira trip conhecida de LSD com aquela cena da caverna); Yeti – o abominável homem das neves; Cleópatra (alguém no seu perfeito juízo bebe pérolas em vinagre?!); Dennis Rodman (a fase pós-Detroit); o primeiro gajo que bebeu leite de uma vaca (era aquele hominídeo que estava atrás à esquerda na cena inicial do 2001 do Kubrick); Conde Dracul;... Enfim, a lista estende-se...
Lamentavelmente nem sempre se pode dizer que ao sair Sampi fosse dos melhores inquilinos...mas também diga-se que a maioria dos recipientes que Sampi escolheu tinham já dentro de si a semente da demência! Alguns tardavam em recuperar o seu estado normal (poucos o conseguiram na totalidade), sendo que a maioria reteve alguma excentricidade para o resto da sua curta existência (a ciência médica não estava muito avançada; era tramado arranjar um transplante fosse do que fosse antes de 1950 ou psicoterapia antes de Sampimoid Freud). Mas nem todos se podem queixar. Aliás, não fora o frenesim de mudanças por volta do século XV e, provavelmente, hoje não teríamos tido o Renascimento!

Ficções: E se numa noite....

Começou como realmente quase tudo começa. Antes do princípio, quando ainda não há forma, conteúdo, motivo, consciência, razão ou sentimento. Nem sequer instinto.
Começou num momento indefinido e indefinível para onde convergiram pessoas, sentimentos, vontades vertidas em linhas de texto cuja razão de existirem se perdeu mas de propósito recriado ao serem lidas naquele instante. Palavras cruzadas prendem a atenção e tudo começa de uma forma insuspeita.
A interacção continua. Avança e recua, progride, respira e expande-se fazendo crescer a vontade de concretizar o imaginário virtual em realidade palpável.
Uma proposta. Uma resposta. Um encontro. Entre lugares, copos e música estende-se uma ponte do texto para os olhos... Rápido, forte, cru. Ardente, longo, lânguido. Voraz, intenso, sentido.
Mas não perfeito. Nada é perfeito. Como um aviso à navegação, a realidade deixa um sinal aos viajantes para não se afastarem demasiado ou a queda de regresso poderá ser demasiado dura. Haverá pessoas mais diferentes do que aquelas que têm quase tudo em comum?

terça-feira, janeiro 16, 2007

Estreia na quinta dia 18


Paradoxo da Baixa

Na Baixa de Coimbra fechou a mítica Valentim de Carvalho. Há lojas de roupa em liquidação total. Outras lojas que se trespassam. Prédios com grandes cartazes de "Vende-se".
Na Baixa de Coimbra aguentam-se os bancos e as farmácias e os quiosques de gente mal-encarada que há 25 anos, pelo menos, assegura antipatia diária.
Na Baixa de Coimbra, os sapatos, em saldo, anunciam-se a preços de Paris e Nova Iorque e os donos das sapatarias queixam-se da crise.
Na Baixa de Coimbra os políticos dão entrevistas e falam em defesa da Baixa, enquanto preparam a mudança do Tribunal para a outra margem.
Na Baixa de Coimbra os edifícios históricos estão abandonados e há uma empresa, que existe há anos mas só serve para pagar altos salários a boys, a deitar prédios abaixo.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Gabardina beta

A Gabardina avança para o novo blogger com um look mais beta. Comentários, sugestões e contributos na caixa deste post. Obrigados.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

the special man

David Bowie fez 60 anos e eu deixei passar o dia sem dizer nada. Dele que é um dos meus artistas preferidos. Dele que é a maior celebridade de quem já estive a um palmo de distância. Hoje para compensar, depois da foto que postei do "Terceiro passo" (em que Bowie faz de inventor), deixo-vos 60 factos sobre Bowie, escolhidos pela BBC.
Para aguçar a curiosidade, fica o facto número 16

Bowie's first hit in the UK - 1969's Space Oddity - was used by the BBC in its coverage of the moon landing.

E deixo-vos também a música. A minha preferida.

always watch good moves


Terceiro passo
Ser o que se quer parecer.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Visão do actual estado das coisas (depois do noticiário das 8)

O actual estado das coisas está que não se pode. Não se pode ir a lado nenhum porque a gasolina está cara. Não se indo a lado nenhum fica-se em casa, que acrescente-se ou a renda é cara ou a taxa do empréstimo sobe mais rápido que o Saddam desceu. Em casa não se pode gastar electricidade porque está cara nem água porque não é ecológico. Não se pode ver televisão nem ligar o pc nem ir à net pelas razões acima mencionadas e porque a) os monitores fazem mal à vista b) televisão a mais faz mal c) só dão programas de caca d) a internet só tem pornografia (e depois temos de estar sempre a limpar o histórico mas mesmo assim aparece sempre um pop up de sexo quando outra pessoa usa o nosso computador) e vírus e spam. Não se pode bater na mulher por motivos vários: é crime; com esta história do body combat e dos ginásios pode ser algo arriscado; com as paredes de papel dos apartamentos de hoje em dia ouve-se tudo e os vizinhos iam reclamar dos gritos (e ainda porque depois das nove da noite, que é quando apetece mais, é crime fazer barulho); os advogados e os hospitais andam pela hora da morte (no caso dos hospitais é garantido que ainda por cima apanhamos um daqueles bicharocos mais resistentes que nós e lerpamos) e, pró caso, não tenho mulher (ainda pensei em encomendar uma russa mas com a sorte que tenho saía-me um camafeu, frígida e chata com ligações à máfia). Não se pode falar ao telemóvel porque as radiações fritam a mioleira (e é caro). Não se pode ler o jornal porque 60% (sou ainda um pouco inocente e acredito no pai natal) das notícias são encomendadas com o objectivo de manipular a opinião e o resto é publicidade, difamação, vida alheia e desgraças. Não se pode ouvir rádio porque estão sempre a dar anúncios ou quando ouvimos a música que queríamos está quase no fim ou não se apanha bem. Não se podem comer ovos, frango, vaca, peixe, porco, gorduras, batatas fritas, enchidos, açúcar, fruta, doces ou chocolate porque têm respectivamente H5N1, BSE, estão quase extintos e são caros e têm espinhas, tem nitratos, hormonas e/ou ténias, matam, matam, matam, dá cabo dos dentes, cara, diabetes e vicia. Não se pode fumar porque é proibido, mata, causa impotência, cancro, é caro e os maços do Português que já não é Suave já não são lindos de morrer com as frases tétricas e as fotografias de órgãos todos esfarelados. Não se pode fazer desporto porque não há onde ou com quem e é certinho que vamos torcer um pé mesmo no fim (depois ver acima hospitais: caros e matam). Não se pode viajar porque há terrorismo e doenças que não temos cá e com o trabalho que dá fazer agora o check in nos aeroportos mal por mal mais vale morrer de tédio em casa, num acidente na estrada ou de brucelose com aquele queijinho fresco que por acaso nem estava nada de especial. Não se pode ir ao correio porque são só contas e publicidade não endereçada mesmo depois de termos desfigurado o hall de entrada do prédio com aqueles autocolantes amarelos horrorosos, além do que já ninguém escreve mesmo, excepto para fazer forward daquela corrente espectacular que lhe trará imensa sorte/azar/amor/azia/cães amorosos/salvar e/ou encontrar crianças perdidas no buraco do ozono da floresta Amazónia. Não se pode beber álcool ou consumir drogas porque... porque... porque... hummmm... volto já!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Destino ou Acaso

Desde há já algum tempo que me tenho vindo a deparar com esta questão, nas suas mais variadas ramificações e implicações no dia-a-dia e não me consigo decidir por nenhuma das conclusões face aos argumentos que se perfilam em ambos lados da barricada. Mais ainda se torna difícil a escolha por estes conterem uma razoável dose de subjectividade e dependerem, em grande parte, de acontecimentos recentes (acabam por ter algum peso extra por estarem mais frescos na memória) para serem ou não validados. Provavelmente, como noutras situações, a verdade jaz algures no meio mas vale a pena considerarmos os prós e contras das duas hipóteses.

Assim, de um lado fica uma visão do mundo mais prosaica e despida de qualquer influência externa, que nos deixa à mercê do presente para determinar o rumo dos acontecimentos. Ou seja, momento a momento, o futuro é traçado pelas decisões por nós tomadas. Os únicos seres capazes então de provocar qualquer ateração no curso dos acontecimentos (e também de percepcionar as suas repercursões) somos nós, enquanto seres conscientes e possuidores de vontade própria para decidir. Tudo o resto não passa apenas de um enorme conjunto heterogéneo de objectos que obedecem cegamente às regras da física vigentes. Não houve início e não haverá fim.

Do outro lado fica uma visão determinista, onde não existe mais do que a causa-efeito e a acção-reacção. Tudo está já escolhido e o guião escrito. Um conjunto de regras e leis naturais regem o Universo em que habitamos e tudo o resto não passa de corolários dessas leis. De uma acção inicial nasceu esta megalónoma carambola cósmica que nos (a nós e a tudo o resto) levará inexoravelmente a uma conclusão.

Por enquadrar nestas visões ficam algumas questões, como por exemplo: (se existirem) outros seres possuidores de consciência (onde se poderão incluir vários graus de consciência, acima e abaixo da nossa – dos objectos a Deus(es)); a possibilidade de milagres ou acontecimentos (ainda?) não explicados pela actual ciência; quem ou o quê gerou o impulso inicial (se existiu apenas um ou se isto não passa de um carrocel gigante oscilando de Big Bang em Big Bang) e qual o nosso papel no meio de tudo isto?

Parece-me demasiadamente egocêntrico da nossa parte assumir que estamos sós nesta história da consciência. Mais ainda considerarmos que somos o topo da escala. Por outro lado, afigura-se-me algo fútil não existir um qualquer desígnio para a nossa (leia-se a do Universo (se for só um)) existência. Mas assim sendo, seremos participantes de pleno direito ou marionetas? Existirá um Maestro que nos conduz subtilmente ou um Observador que nos vigia? Será isto um teste (uma mosca que se frita num mata-moscas chumbou no grandioso teste?) ou apenas falta de perspectiva (a mosca cumpriu o seu micro-desígnio na mega-ordem das coisas)? Se a Teoria do Caos nos diz que o bater de asas da borboleta em Tóquio faz chover em Nova Iorque passados uns dias, quem me garante que não foi uma formiga a dançar rumba há dois anos atrás no Burundi que me fez comer ovos estrelados ao almoço ontem?

Giorgio loves Duvidoso

Há dias em que nem o penalty roubado os salva.
Há dias em que as influências do Giorgio não são suficientes.
Viva o Atlético que saiu de Lisboa de autocarro às sete da manhã, sabendo que o prémio de vitória seria um jantar de leitão no regresso, e ganhou ao Porto, ao sistema e ao árbitro.
Agora respira-se melhor na Taça de Portugal.

domingo, janeiro 07, 2007

Será?

"Os olhos são os intérpretes do coração, mas só os interessados entendem essa linguagem."

Espero que alguém me tenha entendido...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

À discussão!

Numa homenagem a um grande sketch dos Monty Python gostava de iniciar aqui uma discussão.

Melhor ainda, várias! Para isso, deixo desde já o pedido para que avancem um tema, qualquer tema, banal ou elaborado, pacífico ou conflituoso. Da colheita da azeitona na Idade Média à eutanásia; do valor da vida no Médio Oriente à cor do cabelo do Vítor Espadinha; da política externa do Botswana à melhor receita de bacalhau; de tácticas avançadas de berlinde no gelo à secular questão da primazia do ovo sobre a galinha e, já agora, porque que esta atravessou a estrada...

Venha de lá essa posta de pescada, essa pérola da sabedoria popular, essa citação malandra tirada de um obscuro manual celta ou mesmo o comentário à última capa da Nova Gente. De imediato, prometo ofender, maltratar, menosprezar, contrariar, negar, insultar, contrapor de um modo absolutamente enervante e redutor só pelo prazer de contrariar!

Há lá coisa melhor para aquecer as noites de inverno do que uma bela discussão da treta sem sentido em que ninguém aceita nada, ninguém aprende nada, ninguém admite qualquer falha e ainda para mais, de brinde, saímos de lá a pensar que o outro tipo é um belo parvalhão e que nunca mais lhe falamos na vida mas da qual saímos retemperados pelo exercício da retórica!?

Como alguém disse (ver série 27 episódio "A arte do assassinato" ano I), e parafraseando, na arte da discussão o que conta é a maneira como se diz e não o que se está mesmo a querer dizer, se é mesmo verdade ou ainda, que raio de ideia, quem tem razão sobre o quê!

Vá! Quantos são? A mim ninguém me cala! Penso eu de que! Não tenho medo de ninguém! E mais, nunca me engano e raramente tenho dúvidas! Venham eles! Sua cambada de biltres, facínoras, trastes, madraços, filisteus, sacanas, pulhas e sacristas!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O erro de Zapatero

Com terroristas não se negoceia. Os terroristas prendem-se ou matam-se.
Quem mata inocentes não pode, em nenhuma situação, conseguir algo de positivo em troca dessas mortes.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Fui lá dentro dar uma deliberadela e saiu isto:

Tendo como certo que a dúvida é aliada da inércia e que ultimamente não tenho a certeza de quase nada, é mais que natural que feche o ano a pensar que nada fiz por mim próprio e que me limitei a seguir os trilhos que estavam à minha frente. Assoberbado por questões que me transcendem, em busca de respostas para perguntas mal formuladas ou cujo interesse em as ver resolvidas permanece no plano meramente teórico, fico agora com a impressão de que poderia ter aproveitado mais se pensasse menos. Embora também saiba que poderia provavelmente estar em mau estado na minha inconsciência se o decidisse fazer na altura errada - leia-se o equivalente metafórico da vida a atravessar 6 faixas de rodagem à hora de ponta sem olhar.

Substituir os verbos pensar, meditar, divagar ou ponderar por outros como fazer, ir, experimentar e sentir afigura-se-me agora como o caminho a seguir, até por me ver a isso obrigado pela inflexível lei natural das compensações. Mais ainda ao considerar que o tempo só flui num sentido e que pior do que lastimar um erro é perder a oportunidade para o cometer, vejo agora que há coisas que não fiz e que já não irei fazer pois o seu tempo passou e já não querem dizer o mesmo. Não quero dizer que vá agora de repente tomar um rumo de kamikaze existencialista disposto a tudo sem nunca hesitar, mas vejo com algum desalento o que deixei para trás por fazer com medo ou indecisão.

Com tanta encruzilhada, vejo percursos de vida que não reconheço, uns que não queria para mim, também alguns que querendo não posso ter e outros ainda que levam a sítios que não conheço... mas será assim com quase todos, excepção feita aos muito novos, aos muito velhos ou aos que não têm ou não querem ter escolha. Assim, já que tenho a sorte de me relacionar com pessoas muito diferentes (origem, maneira de ser, idade, filosofia de vida, profissão, etc...) tenho visto como a mesma coisa é diferente para todos eles e como, na maior parte das vezes, isso dá numa destas confusões que ninguém sabe resolver... Uns falam demais, outros falam a menos, outros não se percebe nada do que querem dizer e assim vamos andando todos desencontrados, a tentar ler os segundos e terceiros sentidos do que só tem um e muitas vezes nenhum...

Com isto tudo digo (volto a dizer, agora em 2007, em novo formato e retemperado pelas passas xamanísticas da meia noite): Não à máscara! Não ao filtro confortável que nos protege das chatices mas que torna tudo cinzento! Arre!!! Chiça!!! Apre!!! Sujeitemo-nos às máximas orientadoras do povo, fruto do saber milenar acumulado, que nos dizem: quem anda à chuva molha-se; só se mete nas m..... quem quer; cada um tem aquilo que merece e, last but not least, salta sem olhares e terás ovos no teu cesto!!!

Divirtam-se! Não tenho bem a certeza de haver outro crédito neste jogo...

O fim do filelodge

A música está de regresso e com o truque de esconder o player. Tudo graças a um exercício de espionagem ao código-fonte da Bomba. Há que aprender com os melhores!


Mais um 27

A Roménia e a Bulgária juntaram-se à União Europeia.

Fim do bug (por agora)

Depois de uma pesquisa com o google percebi que o bug que mandava a minha página directamente para um site de endereço txthub.com era posto no blog pelo filelogde.com, que eu uso para carregar músicas para a Gabardina.
Assim, se estiverem a ter o mesmo problema, bastará apagarem as programações que remetam para um ficheiro alojado no filelodge. Adeus bug!

Bug

O bug que manda as minhas páginas (esta mais do que as outras) para páginas de publicidade dois segundos depois de elas abrirem está a dar comigo em doido...

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Desejos para 2007 (the soft version)

Chegando a esta altura do ano, perto do seu final, é hábito de todos realizar 12 pedidos para o próximo ano. Alguns fazem-no com as 12 badaladas, outros com as 12 passas, mas quase todos o fazem. Se estes se realizam ou não, ou mesmo se, no dia seguinte, alguém se lembra do que desejou, essa é outra história.

De qualquer maneira, aqui ficam os meus desejos para 2007, não vá alguém querer mesmo saber para os tornar realidade ou para outra coisa qualquer:

1 – Encontrar a mulher da minha vida! Já que é só pedir, que seja modelo de lingerie, alta, morena, olhos verdes, curvilínea, sensual, criativa, com sentido de humor, inteligente, desportista, culta, poliglota, boa dançarina, especialista em massagens, grande conversadora, saiba cozinhar e apaixonadíssima por mim. Se não der, pode ser uma polinésia anã, meia surda e coxa!

2 – Mudar de emprego! Para o ano quero ser estrela de rock, artista de cinema, astronauta ou presidente da república.

3 – Visitar outro planeta! Não necessariamente neste sistema solar.

4 – Ganhar um prémio Nobel! Pode ser um que já tenha sido atribuído a outra pessoa qualquer. Ia ficar tão bem em cima da lareira.

5 – Escrever um best-seller que bata todos os records de vendas, influencie uma geração e mude mentalidades! Não precisa de ter muitas páginas, mas tem de ter figuras.

6 – Ser nomeado rei ou imperador de um país qualquer! Desde que tenha uma área superior a 100 km2 e mais que 10000 escravos, perdão, habitantes, serve perfeitamente.

7 – Encontrar o continente perdido da Atlântida! De preferência ali para os lados de Sintra, para não perder muito tempo a caminho do trabalho.

8 – Descobrir o Sentido da Vida! O filme dos Monty Python (não sei onde deixei o DVD) e o real.

9 – Aprender a voar! Sozinho, sem para-quedas, avião, para pente, helicóptero ou foguetão. É mais por causa do trânsito, porque de resto não dá grande jeito para levar bagagem ou com mau tempo.

10 – Ser o mais velho jogador-revelação profissional de futebol de sempre, ser internacional, ganhar todas as competições e alinhar nas equipas do Benfica, Barcelona, Real, Chelsea, Manchester, Milan e Juventus. Vá. Não precisam de ser todas em 2007.

11 – Descobrir vida extraterrestre! Mas daquela a sério, não aqueles tipos esquisitos que vemos às vezes no metro.

12 – Aprender 15 línguas estrangeiras, incluindo latim, sânscrito e aramaico.

E bom, está tudo. Espero não ficar desiludido… Daqui a um ano logo se vê.

Desejo que todos consigam os vossos pedidos, desde que não entrem em conflito directo com os meus (a modelo é só minha), provoquem excesso de população na Terra (fim das doenças), esgotem os recursos naturais (fim da fome), sejam muito parvos (paz na Terra), ou impliquem que eu tenha de fazer alguma coisa que não me apeteça ou tenha de me incomodar com eles (todos os outros). Bom 2007!!!

2007

Um ano de oportunidades.

sábado, dezembro 23, 2006

Considerações da época natalícia

Alguém cantava mesmo agora no meu leitor de cd's: "...be afraid of the lame, they'll inherit the land..." (lame=dull and uninspiring), e dificilmente poderia estar mais certo!!!

Inserido num novo meio, ganho novas perspectivas do que me rodeia. Sinto-me um privilegiado!
Dou graças pela genuinidade, honestidade e simplicidade que ainda podemos encontrar por aí nos locais mais insuspeitos! Agradeço o que me calhou em sorte, o que fiz por merecer ou o que me estava destinado (ainda não me decidi sobre isto), pois declaradamente não tinha paciência para mais duplos sentidos, melindres e poses fingidas de quem claramente não merece nem é grato por aquilo que tem!

Hoje ouvi uma frase (se calhar um lugar comum...) que nunca tinha ouvido mas que, do nada, fez todo o sentido: If you don't have what you like, like what you have!

Obrigado!!!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Aos que por aqui passam

um EXCELENTE NATAL!



Se o filelodge ajudasse a música seria mais natalícia...

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Figurinhas




Dou assim início a mais uma fascinante, abjecta, censurável, moralmente reprovável e muito interessante série de fotos reais de habitantes reais do mundo real que, no entanto, poderiam perfeitamente ser belíssimos personagens de ficção de um qualquer filme hollywoodesco!

Neste episódio, atentem ao pormenor dos rotundos e super-desenvolvidos glúteos, alvo da nossa câmara indiscreta! As imagens não são suficientes para descreverem aquilo que ali estava, pelo que terão de aceitar a palavra deste vosso repórter de ocasião para vos assegurar que estive na presença de um dos maiores "pandeiros" que terei até agora visto ao vivo e a cores num qualquer estabelecimento comercial em Lisboa, dada a escala corporal (1,60m/60 kgs aprox.) da dona de tamanho portento! Impressionante, digo-vos!

Não percam os próximos episódios com mais fotos incríveis de criaturas espantosas que coexistem pacificamente (e até agora anonimamente) entre nós! Enviem-nos as vossas fotos, sugestões e comentários!!

Publicidade Institucional

Sofre de escrúpulos? Sente-se sórdido? Medo de ser investigado pela PJ ou Tribunal de Contas?

Não se preocupe!!

Agora há Exílio!

Um chuto no rabo do governo, um telefonema a um amigo, uma nomeação e já está!!

Com Exílio é o fim da maçada!!!

Erasmus: 20 anos, 1.500.000 nomes

O programa a que Jacques Delors chamou a melhor coisa que foi feita no processo de construção europeia está de parabéns.
Eu também estou: uma vez erasmus, erasmus para toda a vida.
Vale a pena ver este site sobre erasmus e o seu aniversário.
Happy Birthday Erasmus!!!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Madalena, Judas e Pilatos

Os notáveis do FC Porto acham que Pinto da Costa se deve demitir. Miguel Sousa Tavares, Rui Moreira e António Lobo Xavier (este último de forma mais tímida) têm tido intervenções públicas no sentido de deixar cair o Presidente do Porto, por causa do livro de Carolina Salgado.

Mas por que deve demitir-se Pinto da Costa agora? Tavares, Moreira e Xavier não se importavam que o FC Porto se comportasse assim desde que tal comportamento não fosse do conhecimento público? Ou vão alegar que, ao contrário dos restantes dez milhões de portugueses, não sabiam que era assim que o Porto dominava a cena futebolística nacional?

Como não acredito que os três senhores aceitem a primeira hipótese, resta-me a ingenuidade. Tão ingénuos que eram os três meninos.
Viram Balakov, Figo, Iordanov, Paulo Sousa e Juskowiak serem derrotados pelas suas equipas ridículas.
Viram o golo do Petit tirado de dentro da baliza não contar.
Viram o golo do Amaral que Isidoro Rodrigues quis anular.
Viram o golo do Kandaurov que não contou.
Viram as mil e uma faltas não assinaladas. Os mil e um cartões não mostrados.
Viram a carreira do Paulinho Santos.
Viram as dezenas de craques azuis-e-brancos a falharem no estrangeiro.
Viram a factura da Cosmos, a chegada do Pinto da Costa ao tribunal de Gondomar, as conversas de Reinaldo Teles sobre os quinhentinhos.
Mas são ingénuos. Nunca perceberam nada. Achavam que os títulos eram conquistados em campo, com mérito.

Agora que Carolina Salgado escreveu um livro, chegou a hora de dar o beijo de Judas, abandonar o homem e entregá-lo à justiça, e lavar as mão como Pilatos, ficando com um clube cheio de títulos, como se estes fossem seus por direito, e o que Pinto da Costa fez nos últimos vinte e muitos anos em nada afectasse a justiça da atribuição desses títulos.

Veremos o Moreira, o Tavares ou o Xavier numa próxima direcção do FC Porto, a tirar fotografias no museu do clube, com as taças em fundo e a falar com orgulho do passado cheio de conquistas? Eu acho que sim.

You're like a disease without any cure

Ver o American Pie - O casamento tem destas coisas.
E depois há versos que valem uma música inteira...
Se eu tivesse uma psicóloga ou psiquiatra ela teria passado, várias vezes e em momentos diferentes, horas e horas a dizer-me isso. E eu estaria hoje tão arrependido.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Um passo confuso na direcção certa

Um despacho do Ministro da Saúde define que "o exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no SNS, independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público".

Mais valia assumir de vez que o SNS só pode funcionar convenientemente quando todos os seus profissionais estiverem em exclusividade no sector público. Porque é verdade, como diz o Ministro, que "ninguém pode servir dois amos de forma igualmente fiel" e a fidelidade, neste caso, é jurada ao privado.

Mas é um passo na direcção certa, o que já é muito bom nos tempos que correm. Virão os corporativistas da Ordem e dos sindicatos acenar com o fantasma de que os melhores médicos sairão para a privada. Mas alguém está disposto a pagar consultas na privada a médicos que não trabalhem no sector público?

Quanto vale, por consulta, a referência "Director do Serviço X dos Hospitais da Universidade de Coimbra"?

Coisas que eu não percebo II

As certezas que tantos parecem ter sobre o referendo do aborto. Para mim são tudo dúvidas:
Uma vida deixa de ser uma vida em caso de violação?
É possível que um aborto não seja uma coisa terrível para uma mulher? Se é (e imagino que deva ser) por que é que há tantas que o fazem?
Temos o direito de condicionar a vida de uma mulher não a deixando abortar quando ela não quer ter um filho?

Não voto porque não sei as respostas. Espantam-me tantas certezas.

Coisas que eu não percebo

Como é que um clube como a Académica se deixa arrastar para a situação de ter um Presidente que foi apanhado, há meses, com 200 mil euros em envelopes dentro do carro?

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Insatisfações...

Dada a minha recente indisponibilidade para a locomoção física neste nosso universo em determinadas horas e em determinado eixo viário já sobejamente mencionado em ocasiões anteriores, sinto-me inclinado para grandes incursões no reino da imaginação, da contemplação, da introspecção e da especulação, principalmente quando o rádio se desliga sozinho.

Hoje, num destes momentos, rapidamente me encontrei imerso nos mais profundos pensamentos sobre a natureza humana. Estava eu no auge das congeminações sobre o tema, quase no limite de uma conclusão que se poderia considerar brilhante pelos padrões locais, passe a imodéstia, quando o clamor inconfundível de uma buzina de uma Hiace me acordou para a realidade de estar parado a bloquear uma fila imensa de veículos, que se pudessem acompanhar as divagações que me atravessavam o cérebro decerto não se importariam de ter ficado quietos mais uns minutos enquanto concluía o raciocínio.

Assim, lamento informar, não poderei aqui deixar nada do que tinha em mente pois, com o sucedido, varreu-se-me!!

O lado negro

(respiração cavernosa) Nada temam... (respiração cavernosa de asmático com pneumonia) este bando de personalidades delico-doces que se julga no poder nada pode contra o lado negro de Catarse! (respiração cavernosa de asmático com pneumonia de um habitante do Hades) Hahahaha.... (gargalhada satânica) ... (tosse)... Luke, traz um copo de àgua ao pai. E deixa o sabre de luz em paz que a mãe precisa dele para cortar a carne assada do jantar!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Os meus heróis do desporto II


Jean Jacques a afundar "na cara" de Dominique Wilkins, na famosa vitória do Benfica contra o Panathinaikos, em 1996.

Os meus heróis do desporto


Nelson Piquet

domingo, dezembro 10, 2006

Comunicado

Devido aos recorrentes ataques de mau feitio, a personalidade responsável pela publicação de "ode ao ódio" foi executado ao raiar do dia. Obrigado pela atenção.

Ode ao ódio

Sem querer impor mas impondo, gostava desde já anunciar que decidi criar uma hit list de ódios.

Se tal coisa ofende alguém, acrescento desde já que pode ficar imediatamente habilitado a um lugar na lista.

Como será normal, ou talvez não nesta época de seres cool e ambíguos sem qualquer traço de personalidade, não se pode ter ódios de estimação.
Ora, no meu entender (e se não for no entender dos queridos e estimados leitores que se lixe...o entender e não os leitores... e vendo bem, já que assim o entendem, porque não estender o conceito...), um ódio tem o mesmo direito à existência que outra emoção qualquer. E a verdade é que os há! Partindo então, ou não - porque me é igual, desse conceito, gostava de dizer que odeio:

- pessoas cinzentas que se refugiam em lugares comuns e/ou confortáveis porque tiveram más experiências no passado;
- pessoas sem coragem de assumir gostos ou preferências pessoais com medo que isso as exclua da norma da sociedade;
- pessoas que não assumem qualquer tipo risco, excentricidade, gosto, vontade, apetite ou fetiche com medo da não aceitação pelos outros;

(onde se leu pessoas leia-se merdas, porque um bom e saudável ódio não passa sem a gratuitidade do vernáculo)

- aqueles merdas que se escondem por trás do socialmente aceite, de um traje de carneiros, de uma pele de banalidade insípida mascarada por frivolidades sociais!
- carneiros cuja vulgar pele de lobo não passa de uma fantasia idealizada sem reflexo no real e protegidos da verdade dos factos por uma redoma artificial criada pelo mimo do dinheiro ou por pais bem intencionados mas pouco habilitados.
- e, descendo à terra, todos aqueles estupores que, sem se esforçarem, têm tudo aquilo que querem e que nunca se vão encontrar perante as dificuldades sérias da vida do dia-a-dia.
- gajos (e gajas para que não se sintam excluídas mas antes devidamente odiadas) que têm tudo sem nunca terem mexido uma palha nesse sentido.
- um ou outro exemplar com quem não posso e que atropelaria na passadeira se não fosse apanhado por motivos vários...

E muitos, muito outros sem que me apeteça agora e aqui explicar.

Alguns poderão querer obstar que isto não é ódio mas sim inveja ou ciúme, ao que respondo:

Estão desde já no topo da lista de ódios, seus merdas!! É por essas e por outras que não posso com vocês...

Em contraponto, posso acrescentar que acho imensa piada a muita gente e que felizmente isso é recíproco! Isto não é um louvor ao ódio por si só mas antes um relembrar de uma emoção mal compreendida nos dias de hoje!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

IC19 e o seu impacto na vida do quotidiano

Como um dos mais recentes membros do sempre crescente clube dos utentes do IC19, gostaria daqui deixar um pequeno comentário sobre este troço, que, qual via dolorosa, percorro desde há 2 semanas no chamado bom sentido (vulgo - contra o trânsito):

Nos dias bons, aquilo é mauzito! Nos dias normais, aquilo é mau! Nos dias maus aquilo devia ser o castigo para criminosos acusados de crimes hediondos! Nada como ter de fazer 6 voltas diárias ao trajecto à hora de ponta aos dias da semana e com mau tempo para diminuir a criminalidade neste país! Sem direito a rádio ou ar condicionado! E num chaço de 1973 em mau estado! E com um pendura daqueles muito chatos, sempre a falar sobre a última aquisição da sua colecção de bolas de cotão! E atrás de uma camioneta equipada com aspersor de fumo negro no lugar do tubo de escape!

Enfim... agora vou-me deitar que tenho de me levantar às 3,15 da manhã para me fazer ao meu trajecto de 30 kms e chegar a tempo ao trabalho, porque ouvi dizer que amanhã era dia de greve de transportes, vai chover, houve um acidente entre 2 betoneiras e um camião cisterna e que uma das faixas vai estar cortada devido a obras. Com sorte consigo apanhar o meu trajecto alternativo que é apanhar a A1, sair pela A13 em direcção à A2, dar a volta na outra margem, regressar pela ponte 25 de Abril, e apanhar a marginal até a Sintra...

sábado, dezembro 02, 2006

O Milagre Português

Lembro-me de há uns anos ter lido um artigo do Prof. César das Neves em que se explicava que Portugal tinha crescido nas últimas décadas apesar de sucessivos erros na condução da economia lusitana. A este fenómeno que não conseguia explicar o Prof. César das Neves chamava "Milagre Português". A sorte acabou e os resultados dos sucessivos erros estão aí.

Os pequenos milagres continuam a acontecer em Portugal todos os dias. Ontem, numa rua da baixa de Coimbra um prédio de quatro andares ruiu. Apesar de o prédio ter começado a ceder há três dias, as ruas que o ladeavam estavam abertas e só por milagre não há mortes a lamentar do desabamento.

De acontecimentos como a queda da ponte de Entre-os-Rios não aprendemos nada.

As imagens da derrocada estão nos primeiros trinta segundos deste filme. Foi mais um milagre português. E quando a sorte acabar?


sexta-feira, dezembro 01, 2006

O regresso...

Voltei.... peço desculpa pela interrupção mas era de todo necessária!

Alguns poderiam chamar-lhe pausa técnica, mas eu prefiro chamar-lhe o que verdadeiramente foi:

Desinspiração! Poderia escudar-me na mudança de emprego ou em motivos pessoais, mas na verdade foi só mesmo falta de inspiração... Tinha imensa coisa para escrever mas não quero acreditar que fosse mesmo interessante.... ou relevante... ou sequer algo digno de figurar numa música bem esgalhada!

Regresso agora com novos e variados temas do vosso ou do meu exclusivo interesse, não fazendo quaisquer promessas que não consiga desde já quebrar ou cumprir, mas avisando que estive a reequacionar várias coisas, desde o banal ao vital, e escolhendo, por exemplo, para agora um sólido assunto:

Ovos estrelados!!!!

Gosto!!!

E se nada mais importa...

...zzzzzzzzzzzzzzzz.... ...hummmmmmmmmmmmm... uuuuuuaaaaaahhhhhhhhh.....

Voltei!

quinta-feira, novembro 30, 2006

quarta-feira, novembro 29, 2006

Danificar a camisola e o clube

terça-feira, novembro 28, 2006

Série 27 segunda temporada


Começa na próxima Quinta-feira a segunda temporada da Série 27. Novas histórias, novos actores, nova produção. Fica um fotograma.

I vari modi di chiamare la vagina

Benigni, para rir.


la gattina, la chitarrina, la passerottina, la fisarmonica... ognuno gli ha messo il nome suo. La passerotta, la mona, la picchia, la crepaccia, la pucchiacca. Pensa ai napoletani: ...a pucchiacca ! E' bellissimo, è focoso ! La tacchina, la topa, la sorca, la patonza, ... la patonza, la bernarda, la gnocca, la gnacchera, l'anonima sequestri. Quelli medici: la vagina, la vulva. La vulva fa paura. Guarda che vulva, 740 turbo diesel. Anche per quello maschile, per il pisello: pisello, pisellino, pistolino, pipino. Poi quando si cresce: il randello, la banana, la verga, la mazza, il cetriolo, 'o pesce, l'uccello, lo sventrapapere...