sábado, fevereiro 10, 2007

pontos de vista

http://abandeiravermelha.blogs.sapo.pt/40885.html

curioso. interessante. diferente.

"Eu odeio pessoas felizes! Quero matá-las todas!" Esta era a premissa que orientava a vida de Alcides. E com base nela, todos seus os testes psicotécnicos eram unânimes em afirmar que as únicas profissões que lhe serviam eram as de terrorista ou assassino. Assim, o nosso herói decidiu ser assassino de massas (em inglês, mass murderer). Homens, mulheres, novos ou velhos, mesmo animais, desde que felizes, não escapavam à fúria homicida de Alcides que acumulava mortes atrás de mortes. Não era esquisito. Marchavam todos e de todas as maneiras. Baleados, esfaqueados, atropelados, envenenados, esmagados, triturados, queimados ou fritos em azeite. Mas havia algo, uma insatisfação que Alcides não conseguia bem definir e que o impedia de se sentir realizado com a sua profissão. Faltava um desafio à altura das suas capacidades; aquela missão que seria o seu orgulho. E um dia surgiu-lhe no espírito a ideia do que poderia ser. Matar a pessoa mais feliz do mundo. E quem era ela? Essa sim era a parte complicada. Não permitindo que isso o detivesse, arregaçou as mangas e deitou-se ao trabalho. Leu todas as estatísticas dos níveis de satisfação e indicadores de qualidade de vida, leu os grandes filósofos, estudou psicologia e bebeu uns copos. Passados uns anos, Alcides tinha chegado a uma conclusão. A pessoa mais feliz do mundo era a senhora Felicidade dos Anjos. Os motivos e cálculos que o levaram a esta conclusão não são importantes. A verdade é que tinha acertado. Passou à acção e, para revolta de todos quantos a conheciam, matou-a da forma mais atroz que conseguiu imaginar, quebrando todas as barreiras conhecidas da dor e do sofrimento humano. "Ah!", exclamou, "Finalmente! Agora sim, estou....feliz?!". Fiel aos seus princípios, sacou da arma e suicidou-se.

sim

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Nossa Senhora chora


"Nós somos os legisladores a quem Deus pedirá contas"
'Está nas nossas mãos proteger as vidas inocentes por nascer. E ai de quem votar "para atraiçoá-las às mãos de médicos ou de outras"'
"NÃO! Em nome de Deus"
"Bom povo português, não vos deixeis enganar! Este referendo é uma batalha pela alma de Portugal"
"Povo português, não atraiçoeis a Virgem Santíssima! Votai como Ela gostaria que votásseis"
"Se estiver interessado em colaborar neste projecto para ajudar Nossa Senhora de Fátima e defender a Fé Católica em Portugal, queira contactar connosco para o seguinte endereço:"

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Episódio 15

até tive sorte e foi o melhor que me aconteceu

Recorrentemente deparo-me com aquela figura tipicamente portuguesa que é o "no fundo até tive sorte" que contrasta e compensa outra característica também muito lusa que é sermos todos, em bom vernáculo português para ser bem claro, uns queixinhas de merda. Está sempre tudo mal, tudo contra nós, tudo é miséria e infelicidade, chatices e lamentos. É a vida está cara, as doenças que nos apoquentam, o trânsito que é horrível, a televisão que não dá nada de jeito... E o pior é que nem são os grandes males do planeta que mais nos afligem e que provocam a interminável ladainha de queixas. São as coisinhas pequenas! Foi a topeirada que dei ontem na esquina da cama e a torrada que caiu com a manteiga para baixo. O tempo chuvoso que não dá para fazer nada e o rádio do carro que só apanha bem a Rádio Renascença.
Por outro lado, quando se dão as grandes catástrofes ou desgraças, afinal até tivemos sorte. Se parti um pé, até tive sorte porque deu para ficar uns dias em casa. Se apanhei uma pneumonia tive sorte porque podia ser pior e ser tuberculose multi resistente ou cancro do pulmão. Se fui atropelado tive sorte porque não fiquei paraplégico. Se fiquei paraplégico podia ser pior porque podia ter morrido. Se morri até tive sorte porque podia ter ficado tetraplégico, sofrido imenso ou pírulas da cabeça. Melhor é que há sempre alguém que conhece alguém que sofreu o tal destino bem pior que o nosso e que, por comparação, nos faz sentir que somos imensamente afortunados. "Eh pá, não te queixes só porque estás aí preso a uma cama com as 2 pernas partidas e soldadas pelos joelhos com ferros que nunca mais te deixarão dobrá-las para atar os atacadores ou sentares-te decentemente, os braços amputados, sarna e chatos sem te poderes coçar, com diarreias e soluços crónicos que disparam as diarreias porque eu conheço um gajo que foi atropelado por uma ceifeira debulhadora desgovernada e que ficou dois dias a ser comido vivo por formigas e que o deixaram cego, surdo e gago. Como vês até tens sorte. Podia ser bem pior."
Em última análise só há um tipo no mundo que teve azar. Todos os outros têm sempre a sorte da comparação favorável, dispostos por sucessivos níveis comparativos do que lhes aconteceu relativamente ao indivíduo de referência.

consequências

Saltitando e rolando lentamente pelas pedras da calçada ia uma couve. Saltitando pelas pedras da calçada ia também uma beringela. Seguiram-se três nabos, um zuchinni, pimentos, um repolho, dois aipos e um molho de brócolos. Primeiro devagar, depois ganhando embalo em saltos cada vez maiores, lá iam eles, cada vez mais juntos, cada vez mais alto. Como se fossem nadadores sincronizados todos saltaram para dentro de um saco de papel vazio que cabriolava por sua vez pela calçada, agora com todos os legumes saltitantes já mais calmos dentro dele. Num esforço enorme, o saco reúne as suas forças e, carregado como estava, eleva-se no ar, boca para cima. Simultaneamente um tipo que jazia no chão, pincha como uma bola de borracha, estende os braços e deixa que o saco lá se aninhe confortável e diz: !ohlaraC mesmo antes de encaixar o pé num alto do passeio e ficar de pé com o saco na mão.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Fotograma do episódio quinze


Xeque ao cardeal?

O referendo ao aborto transformou-se num referendo para saber se a Igreja Católica ainda tem algum poder na sociedade portuguesa, para além do económico.
Dia 11 ficaremos a saber.

domingo, fevereiro 04, 2007

Estórias de Sampi, o ET esquizofrénico IV – O lado negro

A loucura da mudança foi boa; ocupou o seu espaço e tempo; deixou recordações, marcas, fotografias inenarráveis, filmes interditos a pessoas sãs de espírito, estragos avultados... enfim nada que uma horda imensa de bárbaros loucos gigantes com lsd e esteróides não conseguisse fazer se lhes fosse concedida meia eternidade.
Agora era tempo da loucura na continuidade. Porque sejamos francos, Sampi tinha a sua piada, o seu encanto negro, o seu charme de bandido mas nada disto alterava o facto de, por vezes, conseguir ser completamente disfuncional, anti-social, psicopata e sanguinário.
Andava ele muito bem, feliz e contente com a vida, alguns diziam apaixonado baixinho, a divertir-se com o seu novo hobby, que consistia em criar novas formas de misturar químicos explosivos com fins recreativos, e nisto começou um reinado de terror.
Tudo provocado por um ataque de fúria com um paspalho. Terá, um dia mais tarde, Sampi dito sobre esse assunto numa entrevista: "Repare-se que esta situação, a minha reacção algo descontrolada na altura, seria de todo em todo injustificável se estivéssemos a falar de um simples paspalho. De um parlapatão, um lorpa. Um cretino odioso. Anormal, erro da natureza, no caso dele não é assassinato, é interrupção voluntária da gravidez mesmo que tivesse já 70 anos. Uma bestiaga repugnante de um anormal enfezado cuja definição de atrasadice mental escapa ao conjunto de insultos até hoje condensados em todo e qualquer dicionário ou enciclopédia, proferidos em qualquer língua, intentados ou inventados, mesmo imaginados de raspão. Nem sequer naquela situação em que batemos com o dedo mindinho do pé descalço na esquina de um móvel rijo como um corno poderemos chegar junto do que me apetecia dizer agora sobre esse c""#%# de $145!%!!$, filho de &#!$# e /%%/"$& cheio de (""/%( até ao pescoço, raios partam esse /&/)/)*`= e */(%=, ª$#`&*`#&%$" de "$%&"$%/*"%$/`*"$%/...." E continuou assim durante mais 3 horas e meia, num discurso crescente de raiva insultuosa criativa, que, se não fosse tão perturbadora e selvática, constituiria uma obra de arte por si só, de um alcance e grandiosidade comparável a uma sinfonia de Beethoven, altura em que esmagou a cabeça da repórter com o gravador (só com recurso às mais avançadas tecnologias e 200 horas de trabalho é que foi possível recuperar o conteúdo da entrevista para averiguar as causas do que sucedeu de seguida), usou o corpo semi-decapitado da infeliz para destruir a mobília daquela divisão, abriu caminho ao pontapé e à dentada pelas paredes do palacete granítico em que vivia, arrasou meia floresta e respectivos habitantes, transformando-a num ecossistema mais morto e sem vida que a música dos Delfins, reformatou à chapada uma cordilheira vizinha num vale profundo, fartou-se das limitações deste estilo de violência unipessoal e ordenou a extinção de 39158 formas de vida... "Bom! – disse, virando-se para o gravador que, milagrosamente, ainda recolheu este último excerto – Felizmente agora estou muito mais calmo e já não perco a cabeça tão facilmente com esse assunto!" E chutou a pobre máquina para outro continente.
Quem era o paspalho e o que fez, nunca ninguém quis arriscar perguntar ou gabar-se de saber, com medo de dar início a um novo holocausto, mesmo com esta nova postura mais calma de Sampi sobre o assunto.

sábado, fevereiro 03, 2007

Ementas

Aborto? Hummm... é fresquinho? De anteontem? Então não, obrigado! Queria antes o bife da casa mal passado, por favor.

A sangue frio

A lâmina dura e fria penetrou de forma violenta e, no entanto, lânguida, a superfície da carne macia. Da ferida aberta jorrou sangue em golfadas que escorreram pela superfície até à cerâmica que revestia o chão. Retrocedendo pelo caminho aberto com o golpe inicial, a faca afiada golpeou vigorosa e ritmicamente aquela zona, estraçalhando músculo, gordura e ossos para além de qualquer esperança de recuperação. Finalmente, satisfeito com o efeito produzido, aquele que empunhava o vil instrumento cortante, o fatigado autor da violenta carnificina que ali se tinha desenrolado, recuou um passo para avaliar a sua obra. Era suficiente. Para já teria de chegar, embora tenha ainda hesitado um pouco, ansioso por retomar a labuta sangrenta. Acalmando-se e recuperando o fôlego, virou-se e disse:

"Ó dona Cremilde, quilo e meio de costeletas chega-lhe?"

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O que Manuel Pinho poderia ter dito

Portugal é um país de mão-de-obra barata. Os salários são tão baixos que eu sou o melhor ministro da economia que os portugueses podem pagar.

Portugal é um país de mão-de-obra barata. Para compensar o baixo nível dos rendimentos os políticos portugueses titulares de cargos públicos contratam dezenas de assessores incompetentes, que de outra forma não teriam emprego, pagando-lhes pequenas fortunas.

Os portugueses têm salários baixos. Mas fazemos questão de cobrar muitos impostos. Aliás um dos portugueses mais bem pagos é o Director-geral de finanças que ganha mais de 60 salários mínimos por mês.

Os portugueses têm salário baixos, mas as reformas são altíssimas. Pelo menos para os nossos companheiros da política.

Os portugueses são mão-de-obra barata. Mas são dos melhores gestores do mundo. Ganham pouco, pagam casas, carros, combustíveis, roupas e comida aos preços mais altos da Europa e conseguem sobreviver. Isto é gestão de excelência.


Estes eram argumentos de peso para conquistar investimento chinês. E sempre sem faltar à verdade.

Grandes Portugueses


quinta-feira, fevereiro 01, 2007

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Manuel Pinho tem razão

Todos criticam o ministro Manuel Pinho por andar na China a vender Portugal como país de mão-de-obra barata. A Gabardina, ao contrário, felicita-o por essa iniciativa que já tardava.
Foi, aliás, a Gabardina, em Outubro de 2005, a primeira voz a dizer que era esse o caminho para que Portugal fosse um país com futuro.
Agora limitamo-nos a ficar contentes por ver que o Governo lê este blog e adopta as nossas ideias. Assim sim!

Porquê?

Não podemos escolher aquilo que sentimos. Será que podemos fazer alguma outra coisa para não ficarmos escravos desse lado tirano das nossas mentes? Qual é o equivalente para as emoções de um cobertor quando sentimos frio? E de uma cervejinha gelada à beira-mar quando quando está calor? Onde está o banho revigorante e fresco para lavarmos a alma das conspurcações mentais? O betadine para as feridas da desilusão? O mapa da mina para saírmos da confusão? Se calhar por nada disto existir é que as boas sensações também não têm igual! (salvo na materialização óbvia do anúncio da nescafé com a música do "I can see clearly now", o pôr do sol com a chavena de café e o cobertor) Existe ainda a felicidade química ready-made do valium & prozac mas, de algum modo, não é bem a mesma coisa. Pessoalmente, prefiro a companhia de amigos - e que belo fim de semana este que passou, nesse aspecto!
Enfim, são 7,30 da manhã de quarta-feira, está frio, chove e preciso mesmo de ir ali tomar o belo cafézinho quente matinal com um cheirinho de realidade e uma colher de açúcar...

terça-feira, janeiro 30, 2007

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Gato Fedorento

Saudando os grandes momentos das duas últimas semanas (Big brother grandes portugueses e imitação de Marcelo Rebelo de Sousa), queria deixar duas sugestões:
- Um big brother grandes portugueses em que o Marco (e quem mais quisesse) dê calduços a salazar;
- A recuperação desse grande figura nacional que é Paulo Futre para o segmento de tesourinhos deprimentes da RTP. E eu lembro-me de pelo menos quatro grandes momentos deprimentes do Futre em frente às câmaras. A saber:
1. A entrevista com Manuela Moura Guedes para o Telejornal, em que o fenómeno do Montijo, vivendo há pouco mais de 15 dias em Espanha, lhe atira com cerrado sotaque castelhano a frase "E tu, Manuela, quanto ganhas?".
2. A reportagem sobre o dia-a-dia do clã Futre em Madrid, com a apresentação do célebre Porsche amarelo e a revelação de que o craque só cortava os belos caracóis no Montijo.
3. A apresentação do menino no Estádio da Luz, em que se passeou pelo relvado de braços no ar e punhos fechados gritando "À MORTE, C***LHO, À MORTE!!!!"
4. Uma das muitas conferências de imprensa para anunciar o fim da carreira, em que fez a comunicação aos jornalistas a olhar para uma chuteiras que segurava na mão direita.