terça-feira, outubro 24, 2006

sexta-feira, outubro 20, 2006

Solução para o Rivoli - Um momento liberal

Acabar com todos os subsídios directos à cultura, incentivando simultaneamente, por via fiscal, o mecenato de apoio instituições novas e artistas em início de carreira.
Sobretudo em tempo de crise, não é justo que o dinheiro de todos pague os pequenos prazeres e/ou vaidades de poucos.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Fantasias

Eu vivo num mundo de dragões e princesas,
De monstros viscosos e robots serviçais,
De conspirações escuras e lutas acesas,
De espadas de luz e naves espaciais.

Um mundo onde as formas mudam sem parar
Sempre nas sombras algo a conspirar
Onde mil cores pairam no ar
E nos teus olhos não podes confiar

Os prédios e carros ganham nova vida
Transformam-se todos nos teus adversários
Os postes, as árvores, as ruas sem saída
São grandes aliados ou somente cenários

De casa ao trabalho, a pé ou de carro
Combato terríveis seres cheios de tentáculos
Atravesso paredes como se fossem de barro
E levanto voo sobre os obstáculos

Sempre alerta, sem nunca dar baldas,
À menor suspeita saco da caçadeira
Esquivando-me lesto, fugindo das balas,
E abato os canalhas, sem tremedeira

Insectos, comboios, cães ou aviões
Rapidamente revelam ser outras criaturas
São demónios camuflados lançando maldições
Sempre comigo em todas as alturas

Mulheres cinzentas em fatos de trabalho
São grandes feiticeiras em trajes atraentes
São belas conquistas que nunca falho
Figuras exóticas, sensuais e quentes

Bem ao contrário da triste realidade
É sempre variado; nunca repetido
Embora saiba que não é verdade
Ao menos o meu mundo não é aborrecido!

(Esta é a parte onde se ouve aquela voz surreal que diz: PLAYSTATION! )

Sensibilidade masculina

Um homem estava em coma há algum tempo. A sua esposa ficava à cabeceira dele dia e noite.

Até que um dia o homem acorda, faz um sinal à mulher para se aproximar e sussurra-lhe:

- Durante todos estes anos estiveste ao meu lado. Quando me licenciei, estavas comigo. Quando a minha empresa faliu, só ficaste tu para me apoiar. Quando perdemos a casa ficaste comigo. E desde que fiquei com todos estes problemas de saúde, nunca me abandonaste. Sabes uma coisa,...

Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:

- Diz amor...

- Acho que me dás azar!!!



(via e-mail)

Vais a Coimbra este fim-de-semana? 3ª parte

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terça-feira, outubro 17, 2006

Desalentos de cidadania - parte II

Tudo o que não evolui, morre! Desde que foi adaptada como forma de governo, a democracia foi evoluindo para um sistema que quase se contradiz nos seus próprios princípios. Por exemplo, a liberdade de expressão que a caracteriza, não se aplica a si própria. Qualquer um que, levianamente, levante a voz contra alguns dos problemas da democracia (ocidental no seu conjunto, ou Portuguesa no particular), dada a nossa ainda recente transição de regime, é, automaticamente, rotulado de fascista! Qualquer um que critique a actual constituição ou tente identificar a verdadeira causa do desinteresse dos eleitores (que actualmente atingiu o limite do ridículo de nem metade dos cidadãos se interessar o suficiente para eleger os seus representantes) é anti democrata!

O lobby, na sua definição, seria a aplicação de um princípio democrático, em que muitos indivíduos se aglutinam em torno de um objectivo comum, aumentando a sua voz e capacidade de influência. No entanto, nenhum lobby deveria ter a capacidade de tornar toda a restante população refém dos seus interesses, excepto se reflectisse a vontade da maioria dos cidadãos, altura em que se constituiria em governo pelos caminhos apropriados. Atente-se ao que se observa em Portugal: os lobbys farmacêutico e médico (ainda não considerando o dos seguros ? a seu tempo) conseguiu destruir o direito básico do acesso à saúde! No entanto, ao averiguarmos responsabilidades, a culpa morre solteira? O lobby dos professores, formadores e educadores, e das escolas e universidades, conseguiu destruir o direito básico do acesso à educação! No entanto, ao averiguarmos responsabilidades, a culpa morre solteira? O lobby da construção civil, do cimento e das imobiliárias, conseguiu destruir o direito básico do acesso à habitação! No entanto, ao averiguarmos responsabilidades, a culpa morre solteira?

Mas as falhas do sistema não se esgotam nos interesses organizados. A inércia e a falta de interesse e participação dos indivíduos acarretam também alguns malefícios! Veja-se o caso do ambiente. Os sinais de catástrofe iminente sucedem-se. Buraco na camada de ozono, aumento da frequência de tempestades e tornados, situações de clima extremo (secas, chuvas, frio, calor, etc.), efeito de estufa, desaparecimento das calotas polares, subida do nível das águas do mar, entre outras situações que podemos já experimentar em qualquer país do mundo, chamam-nos a atenção para as alterações que já provocámos no meio ambiente. Não se trata já de apenas um artigo científico, de um qualquer cientista excêntrico, sem nada melhor para fazer. É a nossa casa, a nossa subsistência, o nosso estilo de vida (e mais importante, os das gerações que se seguem), que se encontra em risco. A desertificação dos terrenos, a destruição da floresta tropical, a contaminação das águas potáveis, o abuso de antibióticos, as descargas poluentes para o ar, água e solo, tudo isto é resultado de incúria e desinteresse do indivíduo. Alguns dizem que nada podem fazer, ou por falta de dinheiro ou por falta de espaço ou por comodismo. Mentira! O impacte do que cada um pode fazer é, de facto, não mensurável mas o somatório da inércia é avassalador nos seus efeitos nefastos!

Veja-se também o caso da corrupção ou do abuso dos bens públicos. Todos conhecemos ou ouvimos falar de casos em que alguém conseguiu algo por vias travessas. A expressão da indignação foi substituída por uma admiração invejosa do género ?ele é que sabe! Eu fazia o mesmo no lugar dele se pudesse!?. As Fátimas Felgueiras, os Valentins Loureiros e outros, que foram (e estão a ser) alvo de processos na justiça, ao invés de se esconderem envergonhados pela culpa, sobem ao púlpito para, bem alto e indignados, clamarem inocência, escudados num qualquer erro processual (carimbo errado, falta de assinatura ou coisa assim), que anulou o processo mas não a verdade dos factos! E o povo admira-os, cego pelo brilho dos holofotes das câmaras, iludido pela grandiloquência dos discursos.

Como se não bastasse, aqueles de entre nós que são eleitos para desempenharem cargos de liderança públicos, guiarem os nossos destinos e gerirem a riqueza comum, são, cada vez mais, os menos adequados para tal. O descrédito gerado por anos, décadas de escândalos, má gestão, roubo e corrupção deixou uma marca suja que nenhuma pessoa de bem quer ver associado ao seu nome. Ainda assim, deveria haver coragem nos que nascem líderes e com capacidades acima da média para, pelo bem de todos, resgatar o comando das instituições públicas e restaurar a confiança na democracia (ou noutra qualquer forma superior de governação).

(continua)

Governar hoje

Parece não ser mais do que surfar a onda.
Ficar com os louros da parte alta do ciclo económico e andar escondido ou a culpar o governo anterior na parte baixa.
Ficar com os louros nos anos de poucos incêndios e culpar o clima e o governo anterior nos anos de muitos incêndios.
Ficar com os louros dos novos investimentos e culpar a globalização e o governo anterior pelas fugas de investimento.

segunda-feira, outubro 16, 2006

De arrepiar

A entrevista de Maria João Avillez a Francisco Louçã na Sic Notícias.
Como é que é possível uma entrevistadora tão tão tão fraca, tão mal preparada, tão arrogante, tão cheia de preconceitos?
E a Sic-N ainda tem coragem de a repetir...

Segurança Social e Mercado Imobiliário

Têm actualmente mais em comum do que possa parecer à primeira vista.
O mercado imobiliário está em crise porque quem viveu toda a vida com os preços das casas a subir continua a acreditar que será assim para sempre e que comprar casa continuará a ser um bom investimento.
A segurança social está em crise e os nossos governantes querem fazer-nos acreditar que pensaram que a nossa pirâmide demográfica teria sempre a base mais larga que o topo, havendo, desse modo, financiamento garantido para as pensões.
Mas há casas vazias e um buraco na segurança social. Há casas a desvalorizar e pensões a descer.
Há deficits suportados pelo orçamento de Estado e IMI e despesas de condomínio e manutenção pagas pelos donos das casas.
Num caso a crise será paga pelos trabalhadores quando chegarem à reforma. No outro pelos proprietários que continuam a pensar que a crise imobiliária é passageira.
De qualquer maneira, uma casa construída assim é sempre mais difícil de sustentar...


"Vais a Coimbra este fim-de-semana?" última parte.


É na próxima quinta-feira, dia 19 de Outubro, que neste blog se ficará a saber, o que é afinal a "coisa" e o que aconteceu aos três rapazes. Até lá, uns fotogramas...

quinta-feira, outubro 12, 2006

Uma história simples

Jay Williams é um rapaz norte-americano que em 2002 foi considerado o melhor jogador de basket universitário dos EUA. Era considerado o novo Isiah Thomas, mas com uma capacidade de impulsão semelhante à de Michael Jordan. Nesse mesmo ano foi escolhido pelos Chicago Bulls na segunda posição do Draft, apenas atrás do gigante chinês Yao Ming.
Williams era o jogador escolhido pelos Bulls para ser a peça central da reconstrução da equipa que nunca mais se tinha encontrado após a saída de Jordan.
Em Junho de 2003, poucos dias antes do Draft desse ano (em que os Chicago iriam escolher um jogador que pudesse ajudar Williams), o jovem base teve um acidente de mota, nas ruas de Chicago. Primeiro prognóstico: risco de vida; provável amputação da perna esquerda; mesmo mantendo a perna não poderia nunca voltar a jogar basquetebol.
Williams sobreviveu. Os Bulls, sabendo que andar de mota era motivo para quebra de contrato sem direito a indeminização, quiseram garantir que o seu jogador teria um resto de vida sem problemas e compraram a sua saída por 3 milhões de dólares. E no draft já não escolheram um jogador para o ajudar, mas um outro, para o substituir.
O jogador assumiu o fim da carreira e dedicou-se aos comentários televisivos e a participações em eventos ligados ao basket. Numa dessas ocasiões um miúdo aproximou-se e perguntou-lhe se voltaria a jogar. A resposta negativa deixou o pequeno lavado em lágrimas.
E Williams decidiu que voltaria.
Contratou o preparador físico de Michael Jordan e começou a treinar diariamente. As múltiplas lesões no pélvis e na perna esquerda retiraram-lhe a velocidade e a capacidade de impulsão de outros tempos. Mas ele, ao contrário de todos os outros, acreditava que poderia voltar a jogar.
Depois de algumas tentativas falhadas, os New Jersey Nets, equipa da sua cidade, deram-lhe a oportunidade de se juntar ao grupo nesta pré-temporada.
Ontem fez o seu primeiro jogo.

episódio 9

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quarta-feira, outubro 11, 2006

Contente?


jarabe de palo - la flaca

Sim. E depois da reforma, todos juntos, teremos tempo para nos rirmos do que foi, do que poderia ter sido, do passado e do futuro.

terça-feira, outubro 10, 2006

Série 27 episódio 9 -O melhor barbeiro do mundo.-


O barbeiro ideal trabalha em Portugal. Em estreia pelas 00::00 de Quinta-feira.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Poesia

...
Ela já se via há muito tempo.
Depois do primeiro marido morrer.
É mesmo assim.
Junta-te aos bons e serás como eles. Junta-te aos maus e serás pior que eles.
Eu só peço por os meus.
Por os meus filhos e pela minha casa.
Por os outros peçam outros.
Por os outros pedem as freiras e os padres.
Não se esquecem desta lição que vos ensinei aqui hoje?
Por os outros pedem as freiras, os padres e as beatas, que passam a vida a rezar.
Olhem, fiquem com Deus.


Algures em Coimbra, 9 de Outubro de 2006

quinta-feira, outubro 05, 2006

terça-feira, outubro 03, 2006

King Flop

A coisa era simples: pagava 13 euros por mês e tinha as portas dos cinemas franqueadas. A coisa fazia sentido: as salas de cinema estão quase sempre vazias e, assim, mantinha-se um público regular. A coisa até era economicamente viável: o custo marginal de mais um espectador numa sala vazia é zero e os cinemas garantiam assinantes mensais. Porém, um dia, o que era simples, fazia sentido e até economicamente viável, começou a mudar. Primeiro, foi a conversa de que só se podia ver dois filmes por dia; depois a treta de que não só eram dois filmes, como teriam que estar separados por 120 minutos, finalmente o pior acontecia. Fecha o Ávila e mantêm-se os 13 euros por mês. Encerram duas dezenas de salas em Alcochete e mantêm-se os 13 euros por mês, agora, não só desaparecem os cinemas Monumental, Saldanha, Nimas e King, como os 13 Euros passam a 15. Das cerca de 60 salas em que era possível, usar o cartão KKard, restam 16 no Alvaláxia e duas em Coimbra. A coisa complicou-se portanto. Por mim, tenho claro que se trata de um comportamento ética e juridicamente abusivo por parte de Medeia filmes. E para que não se complique sempre para o mesmo lado recomendo o cancelamento da ordem bancária de débito directo e queixa formal à Deco. Para além disso, recomendo o cartão Amigo Da Cinemateca, com a sua utilização diária.

sexta-feira, setembro 29, 2006

ADSEs

Era tudo tão mais simples, tão mais barato, tão mais justo.
Vamos continuar anos e anos a discutir isto ou vamos acabar de vez com a ADSE e todos os regimes especiais de acesso à Saúde? Com os regimes especiais de pensões? Com os benefícios para saúde, educação e PPs em sede de IRS?
Quando acaba isto de haver portugueses de primeira e portugueses de segunda?

Quanto se acaba a boa vida de quem ganha muitas centenas de contos por mês, tem ADSE, ainda desconta mais umas despesas de saúde nos impostos, paga colégios privados aos filhos e é reembolsado em parte na volta do IRS e ainda vai a correr em Dezembro, com o dinheiro que aos outros não sobra, fazer Planos Poupança Reforma para pagar menos impostos?

Estórias de Sampi, o ET esquizofrénico - parte II

II ? Reconhecimentos

Qualquer um que já tenha por, pelo menos uma vez, experimentado a sensação de ser um estranho numa terra estranha, como diria alguém, saberá o que custam aqueles primeiros minutos passados num local desconhecido, onde todos os pontos de referência se perderam, onde a própria língua é um mistério, os sinais informativos são tão úteis como se tivessem sido escritos em sânscrito por alguém com Parkinson terminal, as caras, roupas, usos e costumes tão alienígenas que parecem vindos de outra galáxia ou dalgum filme de série B com legendas amarelas dos anos 80. Mesmo os sentidos acusam a diferença, nos cheiros, nas cores e texturas, nos sons falados ou não; o próprio ar penetra os pulmões com outro feeling, diferente na humidade e na temperatura. E se isto é assim quando vamos a Badajoz imaginem se tivessem saído da vossa dimensão, após alguns milhares de anos em contra mão pelo fluxo do tempo e com o jet lag habitual daqueles que viajam por warmholes. Com ou sem corpo, acreditem que não é coisa fácil de suportar sem um bom banho quente e um copo de whisky (ou o vosso equivalente cultural e fisiológico) ? Há coisas de que nem as criaturas pertencentes às mais avançadas civilizações escapam!

Sendo que qualquer destas panaceias estava, no imediato, posta de lado por dificuldades técnicas associadas à actual incorporalidade do nosso herói, este achou por bem estabelecer uma qualquer ordem de prioridades que o levasse, o mais rapidamente possível, a consegui-las. De borla, claro está! Ora, isto traz-nos de volta ao mesmo: Sampi não tinha corpo! Ou qualquer tipo de bem material, como dinheiro ou roupa. E já lá diziam na sua terra natal: quem não tem bolsos, não rouba mais do que pode levar nas mãos ou apêndices apropriados? Quem não tem mãos ou apêndices, primeiro rouba-os de quem tenha (corolário de Sampi). E assim começou a procura por um receptáculo adequado para albergar a estranha entidade deambulante.

Primeiro critério: mobilidade! Muitas das estruturas imponentes que percepcionava estavam, desde logo, excluídas pois não lhe parecia apropriado alojar-se de modo a que não pudesse, digamos, vestir qualquer coisita inapropriada e ir dar um giro para ver quem estava, quem não estava, quem bebia, quem não bebia e tal.

Segundo critério: descrição! Apesar de, por norma, não ser esta uma das características que procurava, tinha bem presente a noção de que estava a ser alvo de uma das mais espectaculares (mesmo para os seus padrões) perseguições jurídico-moralo-legalo-ético-violento-policiais que se lembrava de ter ouvido contar desde que existem cadastros inter-galácticos.

Terceira característica: estilo! Assim como muitos de nós procuram habitats com a percentagem certa de oxigénio, azoto e dióxido de carbono, Sampi tinha necessidade de estilo.

Quarta característica: diversão! Sexo, consumo de substâncias/experiências para fins de recreio e jogo ocupavam os lugares do pódio, mesmo que o pódio tivesse 426.234 lugares em vez dos três habituais aqui na Terra.

Quinta e última: uma rede neuronal desocupada! Como isto excluiu os golfinhos, Sampi escolheu o Homo Sapiens.

(to be continued)

quinta-feira, setembro 28, 2006

desalentos de cidadania parte I

Notícia de última hora: A vergonha na cara esgotou-se no território nacional! Acompanhando a tendência dos mercados internacionais, onde se assistia desde há muito a um decréscimo na produção e procura deste bem, tão necessário ao normal desenrolar da vida em sociedade, verificou-se hoje aquilo que há muito se esperava: já não há vergonha na cara!

Outros produtos associados também já rareiam em Portugal e no Mundo, como por exemplo, a capacidade de indignação, a empatia, o interesse pelo bem-estar do próximo, a caridade desinteressada, o altruísmo. Em contraponto, a corrupção, activa e passiva, o egoísmo, a mesquinhez, a maldade, o desinteresse, a conspiração e a mentira estão perto dos seus valores máximos de sempre.

Quantas e quantas vezes não assistimos agora a cenas nas ruas onde alguém está caído ou pede ajuda, sem conseguir mais do que indiferença. A insegurança tomou conta de todos, e agora, receosos de que a senhora de idade que tropeçou à nossa frente faça parte de alguma conspiração para nos roubar, enganar ou alistar em alguma religião enganosa, desviamos o olhar e seguimos o nosso rumo, de preferência com o som da música bem alto nos auscultadores do iPod e com os óculos escuros que bloqueiam sons e visões das nossas cidades degradadas.

Durante alguns anos, a máxima de Adam Smith sobre o egoísmo individual (cada um querer o melhor para si e trabalhar para isso) gerar riqueza para as nações onde habitam, governou a grande maioria das sociedades ocidentais com evidentes benefícios para o estilo de vida daqueles que conseguiram uma completa inserção e adaptação às estruturas que as sustentam. No entanto, alguns desvios à normal evolução foram sendo introduzidos lentamente, sem que nada fosse feito para o evitar, como a má distribuição da riqueza, o desigual acesso à educação e a boas condições de vida.

Em vez disso, o apodrecimento interno dos sustentáculos da democracia corroeu a base em que tudo assentava sem que disso se desse conta. Noções básicas como a separação dos poderes executivo, judicial e legislativo; o jornalismo imparcial (o quarto poder); o interesse e a participação dos cidadãos nas estruturas democráticas; a moralidade e a ética, entre outros, foram sendo lentamente corrompidas na sua essência, sendo até, actualmente, parte do problema e não parte da solução.

(continua)

Episódio 7

quarta-feira, setembro 27, 2006

Maus professores

Muito interessante a entrevista de João Gabriel Silva, Presidente do Científico e Directivo da FCTUC, ao Diário de Coimbra.
Com uma visão que me parece perfeita (quase estranhamente perfeita para alguém que está "do outro lado" da escola) de um dos maiores problemas das Universidades (da de Coimbra é certamente). Sem confundir causas, efeitos e consequências.

Quer acabar com os maus professores, que dão a ideia de que há aulas dispensáveis, um sentimento que diz ser «propagado pelos malditos veteranos, quando caem, que nem abutres, em cima dos caloiros», logo na primeira semana do ano lectivo.


A causa são os maus professores. Aqueles que as Universidades escolhem por motivos que são mais do que óbvios e que são tão especialistas nas matérias que vão ensinar como qualquer tipo que tenha lido dois ou três manuais sobre o assunto.

Acabar com eles será muito difícil. Parece-me que os maus professores são já uma larga maioria...

Episódio 7

Ainda a aguardar uma série de autorizações, estreia amanhã o Episódio 7 da Série 27. Um episódio que tem como protagonista o movimento. O movimento de rotação da Terra. Amanhã os leitores da Gabardina poderão, se calhar, pela primeira vez nas suas vidas, ser testemunhas da velocidade de rotação do planeta Terra. A isto bebam uma cerveja.

terça-feira, setembro 26, 2006

Do efeito de umas All-Star muito usadas no espírito pequeno-burguês dos responsáveis de supermercados.



Das primeiras vezes que isto aconteceu, no Pindo-Doce junto à feira popular, confesso que me diverti. Esperava que o segurança me seguisse. Parava no meio do supermercado, e, com ar pensativo hesitava onde ir. Então, demorava-me na secção de higiene feminina, onde ostensivamente cofiava a barba. Fazia-lhe razias com latas de atum Tenório e seguia, alegre, para a peixaria onde perguntava por pescada do Chile. Na fruta, demorava-me a escolher as "Granny Smith" e uma vez, que lhe passei mais próximo, recordo que resfolgou "já tás à buzar": assim mesmo com um "Z" e "a" separado.

O segurança que teme que um tipo com umas sapatilhas rotas lhe dificulte o trabalho, erra. Porque quem verdadeiramente o pode lixar, são os tipos que entram de fato e gravata, que trabalham em "outsoursing" para numa consultora de R.H e que recomendam "downsizing" à bruta. Mas quando esses entram no Pingo-Doce o segurança trágico, porque ignorante, cumprimenta e sorri, e até os leva às promoções de atum de marca branca.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Estórias de Sampi, o ET esquizofrénico - I

Sampi era um viajante de um destino longínquo, afastado de nós em espaço e tempo, de tal modo que não nos é permitido compreender facilmente de onde veio. Ou melhor, pelo menos para aqueles sem 10 anos de estudos avançados em física. Aliás, Sampi nem sequer seria a designação mais apropriada na sua dimensão de origem, mas dadas as nossas limitações de vocalização e para os devidos efeitos desta narrativa, terá de servir. Curiosamente, ao escolhermos o género masculino para nos referirmos a esta entidade, excepto num ou noutro pormenor, acertámos em cheio! Quer dizer, considerando que estamos a tentar descrever algo incorpóreo. Isto é, que escolheu ser incorpóreo nesta fase da viagem. (Menos bagagem; sem problemas na alfandega com vistos, passaporte, contrabando; não ter de saber qual o tempo que faz no destino; não ter de levar os sapatos confortáveis e os de cerimónia; nenhuma chatice com os adaptadores de corrente e carregadores; não ter sempre aquela sensação inquietante de que algo ficou esquecido em casa?enfim, só vantagens!)

Sampi poderia ser considerado um turista, um curioso, um estudioso. Mas vamos antes chamar-lhe um foragido da justiça. Não só pelo glamour da coisa mas mais ainda porque é verdade. Assim também já está melhor explicada aquela história da bagagem e do ser incorpóreo. E já que aqui estamos, outras palavras se aplicam na descrição do carácter de Sampi, como por exemplo, biltre, facínora, sacana, pulha, traste, velhaco, aldrabão, vigarista, pilha galinhas, e outras intraduzíveis?mas no fundo, no fundo, boa pessoa! Vale-lhe o sentido de humor e a boa disposição, a inspiração para o surpreendente, o timing impecável para o bitaite verrinoso, a insanidade caótica, tudo temperado por um acumulado de dados e factos na sua maioria apócrifos, pelo menos duvidosos, com toda a certeza que de interesse nulo para a grande maioria das pessoas e que poderiam muito bem ser a base cultural de uma civilização destinada ao fracasso mas que o atingisse com estilo. A única lei de que há memória que conseguisse cumprir é a 2ª lei da termodinâmica e à risca (?A entropia do universo tende a um máximo?). Alguns teorizam mesmo que o único motivo para enunciar esta lei é a existência de Sampi, o que, como é seu timbre, viola a relação natural de causa-efeito.

Ora, encontrando-se, então, este personagem curioso de passagem fugidia pelo braço esquerdo da nossa galáxia espiralada, rumo a parte incerta, mas, decerto, que para nada de certo fazer, e tendo subitamente sentido uma vontade premente para a asneira, chamou-lhe a atenção um pequeno globo azul que orbitava um outro globo amarelo, sendo por sua vez orbitado por um pequeno pedaço amarelado de rocha. Não foi tanto o globo em si, muito menos nada do que zanzava em conjunto com ele aquele sector do espaço que o atraiu mas sim o facto deste emanar para o espaço uma imensa quantidade de informação em vários comprimentos de onda, a maioria da qual dizendo respeito a pormenores da vida íntima dos seus habitantes. Ao ver assim desperta sua a curiosidade, rapidamente tratou de focar outros sentidos naquela direcção, que imediatamente se viram inundados por pensamentos, emoções e sentimentos traduzindo vários níveis de inveja, luxúria, homicídio, malícia, crime, mentira, sexo, jogo, canibalismo e pecadilhos variados. Hum, pensou, isto tem algum potencial...acho que merece uma espreitadela! (to be continued...)

30

Bob Dylan & Bruce Springsteen - Forever Young


A 12, 17, 19, 25, 30, ou a que dia for, a grande geração de 76 está a fazer 30. Esta coisa dos números redondos tem este problema: dá-nos sempre a sensação de estarmos num ponto de viragem.
A nós desejo:

May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.


May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

domingo, setembro 24, 2006

Estimativas...

Metade das pessoas que conheço não compreendem o que escrevo...

Metade das pessoas que conheço estão presas a relações pessoais das quais gostariam de se libertar...

Metade das pessoas que conheço preferia não as conhecer...

Metade das pessoas que conheço perde mais tempo a criticar a outra metade do que a tentar atingir objectivos pessoais...

Metade das pessoas que conheço sofre de dissociação mental-verbal...

Metade das pessoas que conheço são absolutamente banais e desinteressantes...

Metade das pessoas que conheço usam máscaras no dia-a-dia sem nunca revelarem o seu verdadeiro eu...

Metade das pessoas que conheço vivem lugares comuns como forma de vida preferencial...

Metade das pessoas que conheço são hipócritas ao ponto de nem sequer assumirem que partilham dos outros pontos de vista que escrevi acima...

Resta ainda acrescentar que nunca fui bom em estatística e que normalmente tendo a subestimar as coisas...

Felizmente existe a outra metade!!!!!

sábado, setembro 23, 2006

Lisboa by night

Lisboa by night

Mais uma noite de copos até às tantas em Lisboa... O roteiro tem sempre uma surpresa escondida, um local novo para acrescentar à lista de locais velhos. Ontem foi um antrozinho simpático ali para as bandas do cais do sodré, mesmo na porta ao lado do Jamaica, chamado Japão. Ou pelo menos acho que era isso... As recordações aparecem em flashes, com a qualidade de uma cassete de vídeo VHS onde já tínham sido gravados 15 programas diferentes, uns por cima dos outros. O local é simples, sem grandes pormenores de design. Um empregado porreiro; outro que era uma besta. A música esteve variada, desde os clássicos dos 80 até aos hits de hoje. A noite começou distante dali, num tasquedo chamado Adega Dantas onde até se esteve bastante bem. Comida boa e barata, copos qb, companhia interessante, moldura humana bastante composta e recheada de meninas bonitas. Como dizia um dos convivas, cenário atraente onde os olhos podem vaguear e repousar alegremente numa curva, num decote, numa carita laroca. Findo o repasto, ala para o bairro alto. Primeiro destino: Majong. Mais conversa, mais cerveja, mais convívio. A coisa embala. Em rota para o Café Diário para o já tradicional mojito, la bebida del verano (ainda que este esteja já moribundo, o verão entenda-se). E com isto eis que surge a vontade de embalar o corpo (o nosso e com um pouquito de sorte outro, feminino, acolhedor) com uma "musiquinha para machucar os coração". Decisões, decisões. Incógnito?, alvitram uns, Lux?, ouve-se também, Jamaica?,... E eis que surge a ideia vencedora:Tóquio. Uma breve descrição reúne rapidamente o consenso e lá vamos. Com a vantagem do caminho ser a descer!! Em chegando, canha na mão, mexe e remexe, baila, agita e sacode. Muito bom. Mas tudo tem o seu fim e vemo-nos subitamente na rua, olhando a porta do Jamaica que ainda está em plena velocidade de cruzeiro. Esgrimem-se argumentos, aborda-se o porteiro que se rende aos doces encantos da nossa companheira de folguedos e nos deixa entrar. Mais dança, mais copos, menos conversa que isto já não dá para tudo... Ainda assim há tempo para umas baboseiras, para nos ouvirmos a dizer coisas que deviam ter ficado por dizer, ou não, quem sabe? Enfim, também o Jamaica fecha as portas e abandona-nos na madrugada. Antes das despedidas, tempo ainda para trazer um recuerdo. Por motivos vários não direi o que é mas deixo umas pistas: alumínio reflector, triangular, tripé, amarelo, preto e vermelho. E deixem-me que vos diga que se nunca acordaram dentro de casa, deitados na cama a olhar para uma coisa daquelas, também o nó no cérebro que sofreriam não vos fará falta nenhuma!!!

quinta-feira, setembro 21, 2006

Sorteios

Sejam bem-vindos a mais um grandioso sorteio de emoções, sensações e sentimentos!! Para os que nos estão a acompanhar lá em casa, muito boa sorte! Bilhetes à mão e vamos lá!!

Ora muito bem, a primeira emoção desta noite é..., é..., ... paixão!!! Paixão!! Imaginem lá. Começamos com paixão. Muito bem. E de seguida vem,... ,... Ciúme!! Que coincidência... Paixão e Ciúme. O que teremos mais reservado para os nossos apostadores? E aí está... Saudade! Bem, bem. Será que vamos ter jackpot?? Com esta série, não sei não. Faltam mais duas e a suplementar! E... ódio. O suspense cresce, caros telespectadores. Esta foi bem surpreendente... A última bola normal é... Rejeição... Não vamos ter muitos vencedores assim. E a suplementar... Vingança!!! Repetindo, Paixão, Ciúme, Saudade, Ódio, Rejeição e Vingança.

Verifiquem os vossos estados de espírito, por favor... Aguardamos a qualquer momento o anúncio dos vencedores pelo nosso Juri da Santa Casa. Já temos os resultados... A Polícia Judiciária acaba de nos contactar e tem em sua custódia um duplo homicida!! Pelo que apuraram, foi acabado de apanhar com o sangue da mulher e do amante ainda fresco na faca do mato com que os reduziu a pequenos pedaços, fez sandwiches, embrulhou em celofane e guardou na arca da camping gás para levar ao picknick anual da empresa...

É claramente o nosso vencedor, crime passional, não há engano possível!!! Muitos parabéns! Sentiu perfeitamente a chave desta semana!! E o prémio é... um fornecimento vitalício de drogas psicossomáticas, um colete de forças branco e uma estadia numa cela almofada de um estabelecimento de saúde mental à sua escolha com direito a electrochoques e banhos gelados diários!! Bravo!! Não percam o sorteio da próxima semana... Muito boa noite para todos!

Episodio 6 "Vais a Coimbra este Fim-de-semana?" 2ª parte

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quarta-feira, setembro 20, 2006

"vais a Coimbra este Fim-de-semana" 2ª parte



Com estreia marcada para amanhã, é o momento de agradecer aos Bombeiros Sapadores de Coimbra que não só, disponibilizaram algumas das imagens confiscadas pela policia como algum de material indispensável à montagem deste segundo episódio. Entretanto, mais uma imagem.

terça-feira, setembro 19, 2006

6 informações inúteis sobre mim

Muito bem. Cá está. Mas não indico mais 6. Quem quiser, avance!

1. Uma das coisas que mais detesto fazer é consultar o meu extracto bancário.
2. Adoro futebol mas detesto a podridão do futebol português. Não dou dinheiro a clubes corruptos. Por isso, deixei de pagar quotas e de comprar bilhetes do meu clube enquanto o presidente continuar a ser um senhor que foi apanhado pela polícia com envelopes cheios de notas (200 mil euros, no total) no carro.
3. Acredito que ser rico é não ter despertador.
4. Se tivesse que confiar mil euros, por cinco minutos, a qualquer político português, acho que só o conseguiria fazer ao Presidente da República.
5. Preferia que falássemos todos inglês.
6. Divirto-me imenso a ver o Dr. Phil, o Wrestling e os programas da RTP Memória.

Sistema

Pela primeira vez em muitos anos comprei "O Jogo". Foi no domingo passado. Afinal o sistema mereceu. Bela ensinadela aos sportinguistas. É tudo uma maravilha quando são os outros a serem roubados. Quando é o sporting, é uma vergonha...
Claro que a Jaciara na capa da revista também ajudou à decisão...

segunda-feira, setembro 18, 2006

"Vais a Coimbra este fim-de-semana?" 2ª parte


Eis um fotograma da segunda parte do "Vais a Coimbra este Fim-de-semana?" Estreia neste blog na próxima Quinta-Feira, dia 21 de Setembro às 00:00.

domingo, setembro 17, 2006

Rituais de iniciação tribais

Pegue-se num grupo heterogéneo de familiares e amigos, solteiros e casados, uns quantos míudos, um padre, um DJ ou uma banda, um forógrafo, alguns criados de mesa e cozinheiros. Escolham uma capela e um recinto coberto localizado em algum recanto aprazível. Enfarpelem todas as pessoas reunidas a preceito e de acordo com os papéis a desempenhar na trama. Juntem comida e bebida em doses generosas. Agitem um pouco os ingredientes, de início com um pouco de religião ou formalidades legais, de seguida com alguma conversa de circunstância e cumprimentos a gosto. À medida que as inteacções sociais da praxe o permitam, sentem-se os convivas criteriosamente agrupados em mesas e sirvam a citada comida e bebida. Temperem tudo com música, de início qualquer coisinha calma e melódica que pode evoluir lentamente para ritmos mais exigentes e tropicais. Quando tudo estiver no ponto de caramelo, os noivos estão prontos para iniciar uma vida a dois, que se espera feliz, e os paizinhos já estarão arrependidos de terem comprado tanto álcool ao verem aquele amigo dos filhos que eles sempre olharam de lado, enrolado numa toalha de mesa com uma terrina na cabeça e pendurado no lustre da sala a cantar "Conan o homem rã" aos berros...

sábado, setembro 16, 2006

E uma lenda nasceu/Entre a bruma do passado

Grande espectáculo, ontem na Fnac de Coimbra. O público, dos 6 aos 60, gritou, cantou, acenou com t-shirt's com a famosa foto do disco d'ouro e não arredou pé sem um autógrafo.
Ninguém se importou pelo facto de o artista estar afónico e ter pedido a amigos que cantassem as suas canções ou por ter recusado o pedido de tocar o agora famoso "Favas com chouriço". Coisas do "lobby gay que passou da Antena 3 para a Comercial", disse ele.
Entre farpas ao governo e às finanças por parte do cantor, os bloggers presentes manifestaram a vontade de, na impossibilidade de uma imediata candidatura à Presidência, apoiar o Zé Cid num passso intermédio rumo ao poder, por todos nós desejado: um convite para cantar nas noites do Parque da Queima das Fitas de Coimbra.
O Cid pediu, a Gabardina apoia a ideia e, desde já, deixa a sua contribuição, colocando esta tarja no blog.
Tu, que passas os dias a bater com a mão no peito e a apoiar causas menos importantes, copia a tarja e junta-te a nós.
José Cid na Queima, já!


sexta-feira, setembro 15, 2006

Um clássico é um clássico

We all stand together


Meses e meses a ver isto ao almoço de domingo em... 1984!

quinta-feira, setembro 14, 2006

quarta-feira, setembro 13, 2006

Para baixo nenhum santo ajuda

O preço do barril do petróleo baixou de mais de 75 para 64 dólares nos últimos dias. Notícias sobre a descida da gasolina em Portugal? Nenhuma.
Quando era para subir era tudo tão rápido...

Correcção: afinal parece que alguma coisa está a descer. Mas eu garanto que ainda ontem meti gasóleo e o preço não tinha descido...

Série 27


Amanhã, ainda com os olhinhos rameladinhos, com o sabor lácteo do leitinho na língua, com cheirinho do café da vizinha e a fungar levemente, podeis visionar o novo episódio da Série 27. Para aqueles que logo pela manhã bebem cerveja, comem tremoços, chupam mãos de porco e arrotam cebolada, deixo um abraço solidário e o mesmo convite. Aqui as estreias são às Quintas. (A última frase é do produtor que insiste nesta coisa de habitar as pessoas a uma certa regularidade. Eu escuto e encolho os ombros comovido.)

terça-feira, setembro 12, 2006

forma

Hoje comi uma pescada que estava tão longe de ser uma pescada, como eu estou longe da lua. E, eu, moro num terceiro andar! Alto. Com vista desafogada, e em que é possível, quase todos os dias ver a lua. Lá no cimo, longe, muito longe, tão longe, como estava a pescada que eu hoje comi, de ser uma pescada. Uma pescada não é um carapau, nem uma sardinha grande, nem uma perca do mar. Não! a pescada é um peixe que se não compara aos outros peixes. Uma cavala, pode ser comparada a uma solha-marisca ou a uma tainha das pedras, um goraz não passa de uma faneca avermelhada com menos espinhas, um arenque, é um atum, que gosta do frio, e uma azevia uma dourada hippie. Agora, uma pescada é uma pescada. Só. E por isso, é que como deslaça nas comparações, também não liga com molhos. Servir pescada com molhos, seja manteiga aquecida, ou singela lágrima limão, é, perdoem-me a comparação, como dizer que aquilo que hoje comi era uma pescada: não faz sentido, faz uma má digestão, moralmente é duvidoso, e tem laivos de esperteza saloia. Tipo: Sim, sim, o pão é caseiro. O vinho, sem químicos. E vai-se a ver e o pão e o vinho estão tão longe de casa, e da pureza química quanto eu estou longe da lua. E, moro num terceiro andar. Alto.


segunda-feira, setembro 11, 2006

Mas não a guerra





Vejo documentários e notícias. O "voo 93". E não tenho vontade de ver mais nada. Nas torres ou no avião. No Ground Zero ou no controlo de tráfego. A fugir, a espancar terroristas ou a carregar baldes de entulho. Poderia ter sido eu em qualquer um daqueles sítios. Só não poderia ter sido eu no lugar dos terroristas. Não consigo deixar de pensar que poderia ter sido eu. Não consigo deixar de pensar no que diria naquele último telefonema. Não consigo deixar de os odiar. E estas minhas três últimas frases são apenas a prova de que eles venceram a batalha.



domingo, setembro 10, 2006

Apitos dourados e que se lixem os aficionados...

O SCP ganha com um golo irregular. O Braga ganha com um golo irregular. O SLB, mal desportivamente, apanha com um árbitro recentemente envolvido em notícias extra-futebol que quis deixar bem claro que nunca beneficiaria os encarnados e que, com uma ajudinha de alguns jogadores vermelhos de cabeca perdida e de belíssimos actores de xadrez, retalhou um jogo a cartões. Ricardo Silva, esse assassino dos relvados, escapa à expulsão, enquanto que outros sem atingirem ninguém pagam o pato de algumas conversas telefónicas. O descontrolo que se seguiu não tem desculpa mas compreende-se. O efeito deste jogo, qual bola de neve irá afectar pelo menos as duas próximas partidas. Salvam-se os golões com que os avancados do Boavista nos brindaram.

Noutro tema, se a tromba de água que se abateu sobre Freixo-de-espada-à-cinta tivesse caído em Monsaraz, havia hoje um touro mais feliz. Se o sr. árbitro João Ferreira tivesse estado em Monsaraz ontem, tinha expulso o toureiro logo na primeira entrada e havia hoje um touro mais feliz.

Há uns anos atrás eu teria pessoalmente enchido o gajo que acabou de escrever a catadupa de esterco que abaixo se pode ler, de chumbo quente ou de aco frio...

Se assim tivesse sido, nenhum de nos estaria aqui hoje, pelo que acabámos por nos habituar à ideia de que temos de nos aturar uns aos outros...

Felizmente, podemos sempre contar com o choque revitalizante da realidade, que, qual parede de tijolos, nos esborracha de volta à mediocridade em que vivemos.

sábado, setembro 09, 2006

Amor&Carinho

Do que os jogadores do Benfica precisam é de amor e carinho, terá dito Mário Wilson sobre o plantel dos encarnados há já alguns anos. E quem não precisa? Nos dias que correm em que se fala de crise, de terrorismo, de catástrofes ambientais, de guerras, de fome, de pragas, de tantas e tamanhas maldades indescritíveis por esse mundo fora, que nos tornam em cínicos de cara fechada, que não esbocam um sorriso para não revelar fraqueza, que não estendem a mão para levantar uma velhinha que caiu na rua, não serão estes sinais claros de que todos nós precisamos de ouvir a sabedoria do velho capitão?

As caras fechadas no metro e na rua, a irritacao latente dos condutores no trânsito, as respostas tortas nos servicos e lojas não são nem devem ser todas explicadas pela crise económica, que, acrescente-se, já serve de bode expiatório para quase tudo na nossa sociedade (um destes dias, de tão omnipresente, destronará o tempo como conversa número um nas conversas de elevador).

Invertendo, ou melhor, corrigindo esta implantada ordem das coisas, não será melhor considerarmos que é o índice de amor e carinho de uma dada sociedade que rege a economia? E assim, se nos concentrarmos na obtencao de felicidade como meta última das nossas existências, não estaremos, por forca da das rígidas leis económicas e sociais que criámos, a melhorar as nossas vidas? Valerá a pena desperdicarmos o tempo que temos em ser cinzentos e tristes, em lamentarmos as perdas e a pensar no que não temos?

Não é melhor aproveitarmos para andar na rua com um sorriso na cara (ainda que isso tenha tendência para fazer com que sejamos olhados de lado e julgados como malucos), deleitarmos os sentidos com todas as pequenas maravilhas que nos rodeiam (cores, formas, cheiros, sons, texturas, sabores...)? Claro que nem tudo é bom, nem tudo são rosas, como diria alguém. Mas, sem dúvida, haverá qualquer coisa a ganhar em termos uma abordagem optimista, curiosa, experimentalista, mesmo que seja um pouco ingénua, como a que tinhamos em criancas (desde que não tenhamos vivido fechados com um sociopata durante uns quantos anos), preocupados com o bem estar dos outros e sempre movidos pela sede da novidade! Se calhar alterámos a nossa ordem de valores e deixá-mo-nos enredar demasiado em preocupacões, alterando o prisma pelo qual percepcionamos a realidade, de forma que, agora, a vemos sempre com má cara...

Já estou a ouvir os comentários sarcásticos daqueles que ostentam a máscara da indiferenca amarga para se protegerem do mundo em que vivem (mesmo que seja o mundo em que vivem as pessoas que pretencem aos 90% com melhores condicoes de vida do planeta): ?- Ah, ah. Queria ver-te a dizer isso se estivesses desempregado! Ou doente! Agora se fosse rico...ou famoso!?. Ao que devo inapelavelmente responder, de uma maneira obviamente carinhosa: Vão p`ró c...!!! Mas felizes...

Agora, se me dão licenca, vou ali pregar aos peixes...

sexta-feira, setembro 08, 2006

Apito dourado

No dia em que o Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica tinha informado que iria entregar impoortantes documentos às autoridades, o Público dá a conhecer escutas telefónicas que parecem incriminar o Presidente do Benfica.

As escutas, transcritas em baixo, têm muito de surreal.
Aparentemente é o Presidente da Liga quem fala da nomeação de um árbitro que deveria ser feita pela Federação.
Apesar de as escutas acabarem com as frases

Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve!

supostamente ditas por duas das figuras mais importantes do futebol português, o título escolhido para a notícia foi
Apito Dourado: escutas apanharam Luís Filipe Vieira a escolher árbitros para o Benfica
Ficamos assim a saber que quando Valentim Loureiro diz que o Porto quer os árbitros todos é porque os considera sérios e justos e quando afirma que ao Porto qualquer um serve é porque não quer influenciar nada nem ninguém...

Partes das escutas telefónicas onde é interveniente Luís Filipe Vieira. Os seus interlocutores são Valentim Loureiro e Pinto de Sousa

Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito...(...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LPV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LPV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado.(...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LPV - Não, não quero Lucílio nenhum!(...)
VL - E o Proença?
LPV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LPV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.
Pinto de Sousa - A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: "Quem é que você está a pensar para a Taça?"... Eu disse: "Estou a pensar no Paraty"...
VL - Bem, o gajo está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?
PS - O Paraty não pode ser. (...) Até para os árbitros restantes, diziam assim: "É pá, que diabo, este gajo tem tantos internacionais e não tem mais nenhum livre, pá?!".(...)
VL - Eu nem dá para falar muito ao telefone, que ele começa para lá a desancar. (...) Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve!

quinta-feira, setembro 07, 2006

quarta-feira, setembro 06, 2006

Do écran para o mundo VI


Pulp Fiction - Royale with Cheese

"I'm fucking going"

A confirmação do NOJO

No futebol português.

Quarto episódio da Série 27




Mais um fotograma. Mais um incidente. Ontem, por volta da meia-noite os estúdios da produtora foram assaltados por dois homens que, espante-se, não levaram nenhum do material que facilmente poderiam vender, mas apenas cassetes beta, dv e mini-dv. Do que eles andaram à procura foi de um ficheiro que já está em Singapura, e que será aqui publicado às 00:00 de amanhã.

terça-feira, setembro 05, 2006

5 de Setembro

BLOGS De amigo que regressa à blogosfera e de amigas que partem para outras paragens. A coluna da esquerda continua a crescer.

SURPRESA «a investigação do processo Apito Dourado detectou, pelo menos três jogos, durante a época 2003/2004, em que houve manobras de bastidores para prejudicar o Benfica». Entre eles o Nacional-Benfica, que os «encarnados» perderam por 3-2, e o Benfica-Boavista, ganho pelas águias pelo mesmo resultado.

No que respeita ao jogo da Choupana, o DN avança «que foi interceptada uma conversa telefónica entre o empresário António Araújo e o presidente do clube madeirense, Rui Alves, sobre a actuação do árbitro Augusto Duarte». Segundo o jornal, «ao mesmo tempo, o empresário ligado ao futebol e com negócios com o FC Porto ia dando conta das diligências a Pinto da Costa e a outros dirigentes do FC Porto».

Quem é que teria imaginado isso a ver os jogos? Agora só falta descobrirem o mesmo para as épocas de 80-81, 81-82, 82-83, 83-84, 84-85, 85-86, 86-87, 87-88, 88-89, 89-90, 90-91, 91-92, 92-93, 93-94, 94-95, 95-96, 96-97, 97-98, 98-99, 99-2000, 2000-2001, 2001-2002, 2002-2003 e 2005-2006, para que a pólvora esteja descoberta de vez.

SÉRGIO PAULINHO O miúdo faz-se, se ficar longe do doping.

Série 27. Episódio 4 "Vais passar o fim-de-semana a Coimbra?"


Fomos processados. Ontem, cerca das 20:30, chegou aos escritórios da produtora da Série 27 um fax do tribunal cível a notificar que tinha sido interposta uma providência cautelar na segunda secção da décima sétima vara. O objectivo dessa medida é impedir a exibição neste blog do episódio 4 da série 27 na próxima quinta-feira dia 7 de Setembro. A produtora preparã a resposta, através da sua equipa de advogados, e enviou já ao tribunal dos direitos do homem uma carta. A carta contém uma folha escrita e está assinada por duas ou mais pessoas. A preto.

segunda-feira, setembro 04, 2006

A amizade chega com uma qualquer cegonha

E na mala traz beijos, abraços, recordações, doces e, de bónus, sons de um artista que não ainda não está contente com a sua música, mas que já a faz assim





Régis dORION - Fais-moi rêver



Régis dORION - Ptit bonhomme

Ser cabeça-no-ar é...


Levar uma estrangeira a conhecer o Porto;
Sair da Catedral em direcção a Santa Catarina escolhendo o melhor caminho com aquela tranquilidade do "eu conheço isto!";
Perder-se a meio do caminho;
Entrar numa loja para perguntar o caminho e dar de caras com um paquistanês que não fala português e achar normal;
Entrar na loja seguinte, ver um chinês e voltar a sair;
Perguntar a uma senhora na rua que diz "É para a esquerda, mas é melhor não irem por essa primeira rua" e achar normal;
Chegar a Santa Catarina;
Mais de 24 horas depois, a frase de há uns anos "Vai à Sé, compra uma barra de sabão-macaco e traz o troco em chocolate" vir-te à cabeça e, de repente, perceber tudo.

Serie 27: Episódio quatro em negociação.


Este blog disputa com dois canais de cabo a estreia nacional do episódio 4 da série 27. O episódio será transmitido na Quinta-feira aqui, ou numa televisão perto de si. Por nossa parte, continuaremos a fazer o nosso melhor para trazer aos nossos leitores o dito episódio, e deixamos, mesmo correndo o risco de seremos processados, o fotograma promocional.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Do écran para o mundo V



Pulp Fiction - Ezechiel 25:17

"You were saying something about best intentions?"

quarta-feira, agosto 30, 2006

Horóscopo (edição de 30/08/06)

Amor: Há por aí muito. É escolher: do próximo, fraternal, familiar, divino, conjugal, físico, platónico,... Enfim...depende dos gostos e da disponibilidade!

Dinheiro: Dirija-se ao multibanco mais próximo. Veja bem se não é daqueles armadilhados. Insira o cartão. Digite o código. Consulte extracto. Caso o saldo o permita, levante a improtância pretendida. Retire o cartão et voilá!!!

Sorte: A sorte de uns é o azar de outros! Certifique-se que está do lado certo da frase.

Família: Irá perder um membro da família, perdão, alguém da família perderá um membro, perdão, um membro perder-se-á da família...peço desculpa pela imprecisão mas o éter hoje está uma desgraça

Cozinha: Mau dia para grelhados por influência de Marte...Saturno impede a massa dos bolos de subir...O melhor é jantar fora!

Post multifunções

É um "revival". É parolo. É engraçado.
A um minuto não é lá, mas é perto. Estar a um minuto da anestesia desejada, sem necessidade de substâncias legais ou ilegais, é o suficiente para que aconteça algo tão estranho como lembrar-me do Mikel Erentxu.


Mikel Erentxun-A Un Minuto De Ti

Llegaré, solo hasta el umbral.
¡Qué puedo perder!
Me atreveré, cuento un paso más.
No soy como tu.

A un minuto de ti, voy detrás de ti.
A un minuto de ti, te seguiré.

Voy a arder, braceo en espiral,
me vuelvo a repetir.
Saltaré, planeo en derredor
no soy como tú.

episódio 3

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terça-feira, agosto 29, 2006

Previsão do estado de espírito:

Tcham tcham, tcham tcham, tchararam. Tcham tcham, tcham tcham, tchararam. Tchararam tchararam tcham tcham. Etc ? (Vivaldi ? Quatro estações).

(com a participação imaginária da voz de Anthímio de Azevedo)

Previsão do estado de espírito:

Boa disposição limpa ou pouco nublada. Riso em geral fraco (inferior a 20 gargalhadas/h) predominando do quadrante piada fácil, soprando moderado (20 a 35 gargalhadas/h) de noroeste no trocadilho litoral, durante a tarde, temporariamente de sudoeste no Sotavento aparvalhado. Pequena subida da alegria máxima. Neura matinal.

A norte do Cabo Carvoeiro: Ondas de tédio de noroeste com 1,5 a 2 metros. A sul do Cabo Carvoeiro: Ondas de paixão de noroeste com 1 a 1,5 metros.

Deixe ver se eu percebi o raciocínio

Defendemos a baixa dos salários, incluindo do meu e do seu?

Álcoois IV



E um dia... chega o dia. O dia em que fazemos a pergunta. A derradeira. A última. O que é que gostavas de ser e não és? O que é que querias ter e não tens? De que é que tens inveja? Quanto fiz esta pergunta, eram 08:00 da manhã de uma terça-feira de Março, acabava de ser expulso de uma discoteca da moda e, talvez por isso, a resposta foi desde logo clara.

Eu, inveja, tenho dos que conseguem pedir uma cerveja às sete da manhã como se tivessem passado a noite a beber suminhos e aguinhas. Tenho inveja dos que a essas horas e, às vezes mais tarde, pronunciam todas as sílabas na frase: "Queria uma imperial". Ou, que dizem gabarolas "se faz o favor", e terminam com na maior bazófia num "muito obrigado" límpido.

Suspiro por uma cena assim. Sete da manhã. Dia aberto, "Pode servir-me uma última cerveja, se faz o favor? Aqui tem o meu cartão. Obrigado, e continuação de uma muito boa noite de trabalho para si". Porque às sete da manhã... às sete da manhã...arrasto os pés para o bar, seguro-me ao balcão, semi-cerro os olhos, e atendem-me por piedade. Depois não falo: aponto, e tiro o cartão todo vincado e molhado, deixo-o cair no chão, e a empregada vem ao lado de cá para que me não estatele. Recebo o copo, beberico sonoramente, fecho um olho e volto para a pista. Às vezes levo Cola porque falhei no apontar, outras vezes levo um sorriso cínico da rapariga do balcão e uma vez veio um tipinho ter comigo no final.

1 livro; 1 filme; 1 album; 1 site

edição de Agosto:

L: Kafka à beira-mar
F: Donnie Darko
A: Ópera do Malandro
S: www.imdb.com

segunda-feira, agosto 28, 2006

Ideia de Negócio


O penso higiénico Noddy

Jingle:

Abram alas para o Noddy
Noddy!
No seu carro amarelo
Abram alas para o Noddy
Noddy!
O dia vai ser tão belo!

domingo, agosto 27, 2006

Consultório Sentimental do Prof. CATARSE

É com um sentimento misto de fiambre e queijo que aqui inauguramos este espaço de assistência técnica para o diagóstico e tratamento das maleitas da alma. Amores perdidos? Encontrados e perdidos outra vez? Nódoas de amor que não saem quando lavadas na máquina? Nutre sentimentos por aquela vizinha do primeiro andar mas não sabe como expressá-los? Acalenta desejos inconfessáveis ou fetiches delirantes que nem às paredes confessa? Nada tema! Agora há exalo!! Uma pastilha, um difusor, liga-se à corrente e já está!!! Perdão... Jingle errado. Nada tema! O Professor está online, à escuta. Deixe o seu comentário e em breve receberá inestimáveis pérolas que o guiarão pelos sinuosos caminhos do coração!

Em que posso ajudar?

sábado, agosto 26, 2006

Da doce dança da sedução

Uma vez mais sinto a força que me dá vontade para me levantar dos escombros onde me encontrei no final de mais um desmoronamento emocional?

Desta feita o sismo foi menor, nada comparável ao terramoto de 2003/4, que destruiu quase tudo? A técnica de construção é agora outra, mais lenta, mais cautelosa, daí que os estragos tenham sido meramente materiais, sem vítimas a lamentar.

Recomposto, embarco de novo em mais uma viagem com destino incerto. Céu ou inferno? Ou apenas um passeio curto pela mediocridade das relações de plástico, construídas num instante, periclitantes, fugazes, que se esfumam sem chama, sem glória?

Aperto o cinto ao sentir o nervoso miudinho, os suores frios, a excitação quase febril que anuncia a presença de um novo interesse amoroso! (Se calhar é só gripe)

Fico sem conseguir respirar; apetece-me saltar, gritar; penso no que devia dizer, uma frase interessante num tom calmo e cool mas sai-me um comentário bacoco sobre o tempo numa voz enguiçada e engasgada. Os nervos traem-me. A dúvida da reciprocidade angustia-me.

Mas, sem saber como, dou por mim absorto pela visão de um rosto, preso no som de uma voz, ansioso por dar aos outros sentidos uma hipótese de se enamorarem?

Será desta? A espera mata-me?

sexta-feira, agosto 25, 2006

Felicidade Esfuziante VS Insanidade Suicida

Decorreu ontem no estádio Bairro Alto pelas 23 horas mais um confronto entre estas duas equipas que tantas boas partidas nos têm proporcionado.

As equipas alinharam de início com os seus onzes titulares:

FE - Boa Música, Companhia, Copos, Alegria, Amigos, Conversa Amena, Pézinho de Dança, Bom Ambiente, Cenário Aprazível, Piada Fácil, Gente Bonita.

IS - Neura, Depressão, Solidão, Raiva, Copos Demais, Mau feitio, Más memórias, Mau ambiente, Má música, Conversa da treta, Tédio.

O terreno encontrava-se nas melhores condições para a práctica do convívio e da interacção social, factor que veio a revelar-se determinante para o fluir da partida.

Desde o início que a Felicidade Esfuziante dominou a seu bel-prazer as operações, chegando a uma vitória folgada bem patente em três momentos chave:

- (infelizmente não temos imagens deste primeiro lance)
- Aquele gajo ainda agora estava na parede do Napron!
- Olha a Rua da Emenda... -Sabes, não era para ser assim, mas...

Pela qualidade patenteada, parece que iremos assistir ao início de um ciclo de vitórias da FE!!

O mundo, a democracia e a vontade de rir no Século XXI

Centenas de totós fechados num anfiteatro votaram a retirada do estatuto de planeta a Plutão. Está certo.

meta-blog

Há sete anos tentámos os três fazer um jornal. Falhámos por falta de fundos.

Há mais de três anos dois de nós descobrimos uma maneira gratuita de escrever em público.

Agora é tempo de o terceiro elemento se juntar a nós.

Achamos que faz sentido acrescentar diversidade. Surpreender a cada abertura da Gabardina.

Mas esta mudança não vem sózinha. Mudámos o template e os textos passam a ser "assinados".

Estamos ansiosos para ver como se comporta a Gabardina com todas estas mudanças.

Desejamos boas vindas e bons textos a quem chega de novo. Todos os textos assinados por AT são da nossa responsabilidade.

Continuamos a abrir a Gabardina sempre que podemos. O prazer é o mesmo. O pudor é cada vez menor.

Até à tua próxima espreitadela

artur

tcravidao

quinta-feira, agosto 24, 2006

O custo da bondade

"A bondade - acrescentou a pequena Mrs. Pennycoop - não custa nada.
- E em geral, minha querida, é avaliada exactamente a preço de custo..."
in O custo da bondade - Jerome K Jerome

Bolsa de valores

A bolsa de Lisboa fechou esta quinta-feira em queda, ainda que ligeira, a contrariar as principais praças europeias que estão maioritariamente em alta. O PSI20 perdeu 0,06% para os 9.898,81 pontos.

A penalizar esteve sobretudo a vergonha na cara que fechou a desvalorizar 0,63% para os 3,15 euros. A vergonha anunciou que vai reduzir a actual participação na comunicação social de 30% para uma percentagem não superior a 5%, até 31 de Dezembro de 2006.

No sector financeiro, o peso pesado esperança que as coisas melhorem caiu 0,42% para os 2,36 euros, enquanto os bons sentimentos perderam 0,17% para os 11,94 euros e a sacanagem avançou 0,52% para os 5,84 euros.

A travar maiores perdas esteve a tristeza com ganhos de 0,51% para os 9,81 euros.

A fada dos dentes, presidente executiva da operadora, quer criar uma holding chamada esquizofrenia para unir a loucura e a religião, como medida anti-OPA. Por outro lado a Concorrência quer, caso seja aprovada a oferta, que o rato Mickey venda a rede cobre.

A decisão da Concorrência ainda não foi tomada, no entanto, ontem terminou o prazo para as empresas interessadas na compra de activos que «sobrem» da possível concentração sonhos e expectativas se pronunciarem.

O Olimpo respondeu que a concentração dos dois grupos deve ser chumbada e considera os «remédios» apresentados pela AdC inadequados.

A subsidiária da operadora de telecomunicações, a Tristezas da Vida, derrapou 0,52% para os 9,55 euros.

No vermelho ficou ainda a paixão que recuou 0,21% para os 4,82 euros, enquanto a casa mãe o amor fechou estável nos 1,26 euros.

Nota final para a quarta empresa com maior peso no índice nacional, a Corrupção Activa, que trepou 0,75% para os 8,07 euros, mas ainda assim insuficiente para impulsionar a bolsa nacional.

No resto da Europa, o dia encerrou em alta, à excepção do YMCA.

Nos Estados Unidos, as emoções fortes seguem a transaccionar em queda, com o ódio irracional a perder 0,19% e a xenofobia a recuar 0,31.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Início de funções

Comunicado de imprensa:

Em nome do consórcio de personalidades adiante denominado por CATARSE, segue-se uma nota introdutória sobre esta nova entidade que irá comunicar através deste blog com alguns escolhidos. E escolhidos como, poderão perguntar. Ao que se responde:

As condições de acesso são: qualquer ser dentro do universo daqueles que sabem, podem e querem ler esta língua, têm acesso à Internet, equipamento informático adequado e em boas condições de funcionamento, olhinhos (pelo menos um) ou receptor visual equivalente, dedinhos (pelo menos um) ou qualquer outro apêndice equivalente para clicar no rato (ouvi dizer que também funciona soprando por uma palhinha).

CATARSE:

Durante os próximos tempos, algumas das diferentes personalidades que compõe esta sociedade irão por aqui aparecer. Hoje, após longas horas de debate calmo e sangrento, foi decidido que seria esta a fazer as honras da casa nesta estreia. Qualquer uma das outras faria igualmente um bom trabalho, estou certo, mas, por motivos vários e pela influência de alguns fármacos, emergi para vos saudar.

Fascinantes iguarias verão a luz dos monitores pela primeira vez, fazendo as delícias da pequenada!

Frases, quadras, estórias, críticas, devaneios, consultório sentimental, horóscopo, jogos, sugestões, informações úteis, ?

Com o passar do tempo, ?só vos queria dizer que ouço vozes na minha cabeça e que elas não gostam de vocês? , desculpem esta interrup, ?ora sejam bem-vindos a mais uma sessão espírita, patrocinada por Criptas Aleluia ? O seu t0 para a vida? eterna! ?, Assim não dá. Estava combinado que era eu! Estejam calad?, ao almoço ao jantar e à ceia coma carne de baleia!!!, Mãe estou aqui! Não empurrem porcos! Oinc! Oinc! Sangue, sangue, sangue, sangue?, wefwfpd fhwefi, - xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Bom, estão-me aqui a dizer da régie que não há condições para continuar, e por isso devolvo a emissão ao estúdio.

Álcoois I I I

Confesso. Queria embebedar-me. Muito. E estava devidamente sozinho num bar, e precisava de fazer alguma coisa para continuar a beber e meti conversa com a primeira rapariga que me apareceu à frente. E se me pagasses uma cervejita? Esbugalhou os olhos, torceu o nariz e franziu a testa.

Como demorasse a reagir, disse. Desculpa, estava brincar, pensava que eras outra pessoa. O que eu queria era um Gin. Tónico. Podes ir buscar? Fomos ao bar ela pagou-me um, e eu paguei-lhe outro. Linda e maravilhosa era garrafa de onde sairiam ainda mais dois para os nossos copos. Conversamos, melhor, ela conversava e eu bebia, e às vezes acenava com a cabeça. Depois de nos ser sido recusado o terceiro Gin -ainda que prometêssemos ser o último- pensei: ou me piro já para casa, ou se quero continuar a beber tenho de a beijar já. Beijei-a. Nada a dizer. Escalope na medida certa, fricção labial frouxa ao inicio, mas forte no final. Impecável. Apetecia-me... mais... uma cerveja. Pedi. E depois mais duas. Saímos, e fomos, creio que de mão dada, a um barzinho onde há sempre sofás vermelhos livres, música ao vivo e um dos melhores Gin tónicos que conheço. Sim, fomos mesmo de mão dada, pois recordo que já no bar, larguei a mão dela para pagar o Gin. Aí, ela pendurou-se no meu pescoço, encostou-me ao bar e imprimiu-me este chupão, onde, agora, passo dois dedos. Não fora a frescura divinal do Gin e pelo chupão, tinha-a deixado ali.

Passaram os hits do Verão de 67, as putas de 89 e os chulos de sempre. Como os meus lábios já passavam mais tempo com os lábios dela que com um copo de vidro, e como as minhas mãos já estavam há mais tempo nas costas dela que a fazer sinal ao empregado para trazer mais uma cervejita, decidi que era tempo de ir para casa.

Creio que nos beijamos mesmo até eu abrir a porta. Entramos. Então, com a segurança, de quem sabia perfeitamente como é que a noite ia acabar, disse: menina, as casas são todas iguais, estás à vontade, podes dormir onde quiseres... Fui ao frigorífico, tirei a ultima cerveja e sentei-me na mesa da cozinha. No exacto momento em que o nível da cerveja passou o letering "SuperBock", apareceu-me a alminha da rapariga de cuecas à entrada da cozinha. Confesso que já me tinha esquecido que a tinha em casa, e pensei: "mas que raio está a fazer uma rapariga semi-nua à entrada da cozinha?". Disfarcei a surpresa e disse: "Das duas uma: ou estou mesmo com os copos e já me ia deitar, ou estou mesmo com os copos e já me ia deitar". Levantei-me, enchi um copo com água, passei por baixo do braço dela, afaguei-lhe as costas e disse: "Põe um trapo no pêlo que ainda agarras uma constipação". A seguir, dormi 13 horas.

terça-feira, agosto 22, 2006

Álcoois I I

04:45. Estava sentado num banco alto junto ao balcão. Comia uns pistachios iranianos quando um tipo, com uns copos a mais se aproximou e me cumprimentou efusivamente. Não o conhecia. Ele dizia que sim. Perguntou-me o que estava a fazer, onde morava, se conhecia este e aquele sítio. Respondi que estava a beber uma cerveja, que agora morava no bar e que não, não conhecia nem desejava conhecer os sítios de que me falava. Passaram umas maminhas e o tipo desandou. Mas a verdade, é que parei de beber, fiquei sóbrio, e o empregado trocou-me os deliciosos pistachios da antiga Pérsia por milho frito no novo mundo. È o que acontece a quem dá conversa a tipos com uns copos a mais.

05:15. Um bêbado barrou-me o caminho à entrada da casa-de-banho. Prendeu-me o braço com força, puxou-me para ele, e da cara inchada da bebedeira saiu um perdigoto que mergulhou no meu whisky e, que eu podia salvar do afogamento, pois caiu em cima de uma das três, digo três pedras de gelo. Mas não salvei. Do meio da saliva e do hálito a pipa de vinho mau, disse que era a primeira noite que passava sem a mulher. Ela deixara-o, por um colega de trabalho, e ao que parece era uma relação que já vinha de trás. Sujei os ouvidos por dentro e por fora, magoei o braço e perdi a vontade de ir à casa-de-banho. È o que acontece a quem tem de suportar tipos bêbados.

06:30. Danço com o que penso ser o último copo. Alguém me toca nas costas. Foi o João. Copo cheio e baço do frio. Aspecto de quem acabou de tomar banho. Não o via há - seguramente- 2 anos, porém não houve nem os abraços efusivos dos tipos que bebem uns copos a mais, nem as grandes gafanhotadas dos bêbados deprimidos. Pois esses dois anos eram bem menos importantes que o consumo excessivo de álcool. É o que acontece quando se encontra um companheiro alcoólico.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Quero blogs que tresandem a bifanas, e que fedam a caril.

Quero blogs plenos de gindungo. Abruptos. Com pêlos nas ventas. Decididos. Urgentes: fundentes.

Quero blogs de olheiras onde se cozem as bebedeiras, onde diabinhos perdem ao xadrez com freiras.

Blogs de chulos cornudos e de putas de faca e liga. Blogs com tesão, com verga e lubrificação. Blogs onde se arrisque a vida e se percam membros. Blogs onde se beba o último copo, onde se jure fidelidade e se prometa a eternidade.

Blogs profundos e leves. Portáteis, íntimos, longos.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Olha que... que...

O Estado português faz bem o papel terceiro-mundista de cobrador-do-fraque.
Não lhe ficava mal fazer o papel de pessoa de bem, honesta e que paga atempadamente as suas dívidas. Mas para isso já vamos tarde...


Vivo num Estado em que me é cobrado IRS e segurança social; segurança social à minha entidade patronal por conta do meu salário; IVA em tudo o que compro a uma das taxas mais altas da União Europeia; em que os carros são mais caros do que nos outros países e isso acontece por causa do imposto automóvel; onde ainda pago imposto de circulação; onde auto-estradas que em Espanha seriam gratuitas são pagas a peso de ouro; onde os combustíveis são mais caros do que em Espanha e isso acontece por causa dos impostos; num estado cheio de assessores, deputados, autarcas e governantes desqualificados, pagos principescamente; em que para se ser funcionário público é preciso ser filho ou amigo de alguém com influência; em que o défice das contas públicas é altíssimo mas abundam os motoristas, as secretárias e os estagiários; em que os concursos públicos (nas raras ocasiões em que são feitos) são viciados e já ninguém se dá sequer ao trabalho de os contestar; em que por um lugar num infantário se paga uma fortuna; em que a Câmara Municipal da cidade em que vivo demora mais de um ano a pagar aos seus fornecedores; em que os funcionários públicos enchem os corredores das instituições sem nada para fazer; em que se acena constantemente com a falência da segurança social; em que quase nada é bem feito, falta sempre um papel, há sempre mais uma dificuldade e uma chatice para quem usa os serviços públicos; num Estado que não paga nunca a horas e que muitas vezes cria dificuldades a quem tem dinheiro para receber.

Vivo num Estado podre, sem dignidade nem vergonha na cara. É esse o Estado que quer moralizar o sistema, publicando listas de devedores às finanças e à segurança social? Como dizia o nosso amigo Marco do Big Brother: Olha que... que... FODA-SE!!!

Cinema Reprise 1

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quarta-feira, agosto 16, 2006

Álcoois

Eu nunca engatei uma gaja numa discoteca. E sei que nunca vou engatar: sóbrio não entro em discotecas, alegre, o ritual entedia-me, bêbado, prefiro dançar e, muito bêbado não me deixam entrar. Porém, ontem, tentei.

E de repente, enquanto tocava com o harpejar da pontinha dos meus dedos as ondas desordenadas do som e da luz, censurei a vergonha de olhar uma desconhecida nos olhos e, postei-me à frente dela.

Dancei, dancei e continuei a dançar. Olhei-a nos olhos, invadi o espaço social de distância e tentei acertar os movimentos dos meus ombros, com o ondular da cintura dela. Não consegui.

Então a gaja avança em direcção ao meu ouvido e põe a mão em cima do meu ombro. Eu fecho os olhos, para me concentrar em absoluto nas primeiras palavras. Já não te vi em algum lado? Nunca a vira. Juro. Mas dado o contexto, percebi que não devia entender a pergunta literalmente e devia perceber que aquilo era apenas uma desculpa para começarmos a conversar.

Precisava de uma resposta à altura da coragem dela para quebrar as barreiras do desconhecimento. Uma resposta forte, uma resposta total. A resposta perfeita. A resposta que dispensa toda a conversa supérflua. A resposta profunda mas simples, banal mas única, biunívoca mas certeira.

És tão boa que até chupava o polegar do teu ginecologista. Seria a resposta adequada? O inicio de uma carreira de engate em discotecas? O Graal dos engatatões? Aproximei-me, coloquei a mão na cintura, rasei-lhe os lábios e segredei-lhe ao ouvido: És tão boa que chupava o dedo grande do pé ao teu ginecologista.

E passou Shakira, Madonna e creio que U 2, e só no meio da música seguinte a rapariga respondeu. Eu também estou a fazer isto pela primeira vez. E sorriu. Então, perdi a vergonha de a olhar nos olhos, de invadir o espaço de distância social e de lhe falar ao ouvido. Agora, as ondas que captava com o harpejar dos dedos tinham o mesmo ritmo que os meus ombros e a cintura dela sincronizados.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Também o texto entra a gosto

O mês de Agosto é o mês dos blogs. Para quem escreve e para quem lê. Quem escreve porque podendo fermentar ideias, pode, escrevendo menos, escrever mais. Para quem lê porque tem outro tempo. Um tempo que resulta da leve perversidade que sente quem está a trabalhar no mês de Agosto. Uma perversidade, uma reserva mental, um olhar que esconde a superioridade moral de quem às quatro da tarde, no exacto momento em que a R T P transmite a subida à torre, está frente ao Excel. E é esse olhar de soberba moral que também o é de abertura ao mundo, que convém muito a quem escreve. Pois sabe que alguém o vai ler com uma certa transformação no olhar.

sexta-feira, julho 28, 2006

Lost in the supermarket

É típico. Sempre que venho da praia à hora de jantar e paro num supermercado para comprar qualquer coisa, acontece sempre o mesmo. Enfim...entro vestido como com quem acaba precisamente de sair da praia. Chinelos com pó, calções velhos e t-shirt rota. Cabelo desgrenhado e aquele olhar de fome que só quem já passou três horas a surfar consegue ter. Passado um minuto, digo um minuto mesmo, tenho um segurança a bailar atrás de mim. Faz-se notar, pára ostensivamente, segue-me com o olhar. Preencho o cliché que a empresa de segurança o fez fixar de gente que furta em supermercados e só por isso tenho de levar com ele. Está bem.

quinta-feira, julho 27, 2006

Filosofia de vida

Os noticiários não param de passar imagens de escombros. Aposto que são os marotos do Sócrates e do Belmiro a dar conta dos restantes mamarrachos de Tróia.

Trocadilho verdadeiro e uma consideração


A perda da inocência ocorre com a constatação de que a técnica é indispensável. A recuperação da inocência ocorre quando se consegue dispensar a técnica.
Foi o trocadilho. Segue a consideração.
E porque o ciclo se fecha: é verdade. E só as coisas redondas são verdadeiras,porque só elas reisistem ao tempo. A verdade, amigos, não é uma qualidade mas uma duração. É a constancia no tempo.

quarta-feira, julho 26, 2006

NOT

I'm going to be just like you; the job, the family, the fucking big television, the washing machine, the car, the compact disc and electrical tin opener, good health, low cholesterol, dental insurance, mortage, starter home, leisurewear, luggage, three piece suite, DIY, game shows, junk food, children, walks in the park, nine-to-five, good at golf, washing the car, choice of sweaters, family Christmas, indexed pension, tax exemption, clearing the gutters, getting by, looking ahead, the day you die.

Do écran para o mundo IV


Trainspotting - Choose life
"I chose something else"

João IV


João trinca uma flor amarela. Está deitado no carro com os bancos reclinados. Teresa agarra-o pelo braço e encosta a face no ombro escutando o som da pele transpirada quando devagarinho se afasta dele.
João:
Ia ao Algarve fazer um estágio na estação de correios para onde fui destacado.
Teresa:
Trabalhas nos C T T?
João:
Sou carteiro.
Teresa:
Eu ia para Lisboa, estava de banco no Santa Maria.
João:
És do Algarve?
Teresa:
Mais, ou menos. O meu marido é...casamos ontem...
João:
E a aliança?
Teresa:
Tirei-a antes de te pedir os cigarros.
João:
Ainda bem que a tiraste.

terça-feira, julho 25, 2006

Nada contra

Os trabalhadores por conta de outrem que passam recibos verdes pagarão mais segurança social por causa disso?
Muito bem. E no dia em que eu deixar de os passar passam a pagar-me subsídio parcial de desemprego? Ou o meu dinheiro servirá para pagar as reformas milionárias do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos?

João Deão III


João dorme. Teresa passa os dedos pelo cabelo de João enquanto observa a longa fila de carros parados. Chapéus de praia abertos espalhados pelos lados da auto-estrada. Grupos de pessoas em redor das sombras das arvores isoladas no meio da erva dourada. Muito pouca actividade. Apenas algumas crianças jogam às escondidas entre os carros. Teresa limpa suavemente o suor da testa de João com o indicador. Passa com o dedo nos lábios dele. João acorda e tenta afastar a cara. Chiu, descansa. Ela inclina-se para a frente e beija-lhe os lábios fechando os olhos. João tenta resistir mas ao sentir o sabor fresco da amarga que Teresa trincara sente que esse beijo é a única coisa que faz sentido nesse meio de tarde de Verão.

segunda-feira, julho 24, 2006

Do écran para o mundo III


Bowling for Columbine - Uma breve história dos EUA

A decadência da minha cidade


Se tivesse que escolher uma figura que representasse as pessoas da minha cidade seria o Mickael Carreira.


Que está em início de carreira mas já se acha o "máior".

Que deve ganhar imenso dinheiro apesar de não fazer nada de útil para o mundo.

Que nunca teria o emprego que tem se não fosse filho de quem é.

sexta-feira, julho 21, 2006

João Deão II


O som de um carro que tenta derrubar os rails da auto-estrada acorda João. Que barulheira. O tipo ainda se vai é magoar. Incapaz de lidar com a intimidade que a posição com Teresa supunha, levanta-se como uma massa mole e arrastada. Tenho que ir buscar água. Queres água. Eu trago. Ainda tenho. Não preciso. O tempo que dormira dera-lhe uma sensação de peso, de prostração e uma certa dificuldade em manter o equilíbrio. Pálido começou a descer as quadrículas de pedra da base da ponte em direcção à auto-estrada. Um pé mal posto, e uma porção de areia esguia fizeram-no escorregar e criar aquilo a que os miúdos chamam de bate-cu. Tal foi secura do choque que trincou a língua. João quase nem se apercebeu, tal era o estado de dormência em que a sono o tinha deixado, mas quando deixou a sombra da ponte e leva com o Sol de chapa na nuca acorda para um estado de absoluta tensão. Faz movimentos abruptos, rápidos enquanto frenético procura uma porcaria de garrafa de água que ele jurara que comprara ontem. Onde está? Não tens pernas! Não ias fugir! Mas onde raio... então recordou os miúdos que se guerreavam em cima dos jipe. Bate com força a porta do carro e exaspera pela primeira vez por estar assim parado no meio do Alentejo. Que grande merda! E volta de gatas a subir as lages da ponte onde Teresa dava agora um pequeno gole numa garrafa de água. Magoaste-te? Estiveste a dormir e ficaste com a tensão muito baixa, por isso é que...Teresa ri-se com a boca mas mostra carinho com os olhos. João senta-se desengonçado, mete a boa na garrafa de água e sorve um grande gole. Depois dá AHHHH de satisfação ostensiva como se assim gozasse com as circunstâncias, coloca a parte interior do cotovelo sobre os olhos e tenta dormir.