quarta-feira, abril 19, 2006

4000 velas

De um apelo na blogosfera nasceu a ideia de acender 4000 velas, marcando os 500 anos do massacre de 19 de Abril de 1506, em Lisboa. Uma vela por cada vítima.
Parece-me uma boa oportunidade para testar duas coisas: o poder actual dos blogs e se o orgulho nacional que atravessa este país de bandeiras desbotadas à janela também lhe permite aceitar as coisas mais feias que nele foram feitas.
Deste massacre nunca ninguém me falou na escola. O que são 4000 judeus ao pé dos feitos gloriosos que deram novos mundos ao mundo...

Na sequência do post anterior




Sugiro uma visita a este site. Lá poderás escolher o teu próximo líder.

Um abraço,




ainda que atrasado, de Boa Páscoa aos deputados da nação.
Obrigado por não nos deixarem esquecer a vossa mediocridade.

quinta-feira, abril 13, 2006

JUNTO AO MONDEGO, NUM DIA CINZENTO, AO LADO DO BARCO "BASÓFIAS" - toda a verdade

Tudo me parecia um pouco sinistro, e não encaixava nada bem. Estava eu a fazer os primeiros cálculos para um projecto que a NASA me encomendou e simultaneamente a rever mentalmente a partida de xadrez que disputei na passada semana com o meu amigo Kasparov, sentado numa esplanada à beira Mondego, com as agradáveis vozes de jovens brasileiras que serviam à mesa, quando algo estranho me chamou a atenção. Um tipo velhote, barba branca e cabelo comprido, lançava fulminantes olhares de ódio, por cima de um jornal, a duas senhoras iguais a quaisquer duas outras que se podiam encontrar em qualquer esplanada do mundo.

Os cálculos saiam-me bem e não conseguia esconder o sorriso pelas imagens da minha retumbante vitória no xadrez. Que grande jogo! Pobre Kasparov, já houve tempos, quando o conheci numa animada tertúlia a bordo do comboio que nos levava a Vladivostok, em que me dava luta.

Coimbra por trás. Aquela figura sinistra pela frente. O cabelo comprido a tentar parecer radical a contrastar com tudo o resto. Sempre achei que devia haver algo de muito errado com quem se esforça por parecer um intelectual. Passam alguns estudantes, de capa e batina. Os olhos do velhote enchem-se ainda mais de ódio. "Vão trabalhar, seus inúteis!", gritou-lhes enquanto tomava, à pressa, um comprimido. Esperou uns minutos, fechou a revista porno e a edição do Le Monde Diplomatique que a escondia e dirigiu-se para a Ferreira Borges, ainda a resmungar. Decidi segui-lo. Passou na Bertrand sem olhar, soltando apenas um resmungo que não pude perceber. Foi à loja das meias de onde saiu com três camisas e duas gravatas e seguiu para a Almedina. Não entrou e limitou-se a mais uns resmungos, de que consegui ouvir as palavras, "Paris", "Bruxelas", "Lisboa" e "provincianos". Seguiu para a Visconde da Luz e só parou junto às escadas, onde, olhando para as paredes, os seus olhos brilharam pela primeira vez de alegria. Correu para a esquina da rua, olhou para os dois lados e arrancou da parede os papéis de funerárias que ali estavam. Dobrou-os cuidadosamente e meteu-os no bolso do casaco. Voltou a olhar para os dois lados e seguiu para a Praça 8 de Maio, agora mais contente. Descia a Visconde da Luz quando percebo que não sou o único a seguir o homem. Atrás de mim dois estudantes trajados seguiam-no tirando apontamentos. Dirigi-me a eles e perguntei-lhes quem eram. Informaram-me que eram estudantes de Psicologia. Estavam a fazer o seu trabalho final de licenciatura sobre distúrbios de humor causados por complexos de superioridade associados a sentimentos de ódio. Voltei para trás, ainda a pensar naquela genial abertura.

terça-feira, abril 11, 2006

CPE e os estudantes em França - a falácia

"É sabido que um mercado laboral rígido causa desemprego entre os jovens, impede a mobilidade social, retarda as mudanças necessárias."

Frase mais falaciosa sobre o assunto que esta do João Miranda no Blasfémias seria difícil... A velha técnica de utilizar uma verdade geral que não se aplica ao caso particular em todo o seu esplendor. O que faltou dizer é que a flexibilidade do mercado laboral que pode permitir que os jovens, especialmente os qualificados, entrem no mercado é a flexibilidade de TODO o mercado.

Ao flexibilizar só o mercado dos mais jovens o governo francês manteria a protecção aos trabalhadores "instalados" - insiders - enquanto os jovens não só não viam aumentadas as possibilidades de competirem com eles por um emprego como ganhavam anos de precariedade e, se bem conhecemos o empresário mediterrânico (convém notar que o entrave mais significativo a um maior desenvolvimento da economia francesa é a cultura da cunha nas contratações e da sucessão familiar na direcção das empresas, que nós por cá tão bem conhecemos), de exploração.

Coincidência



Um grande dia para Itália. Berlusconi perde as eleições e foi preso Bernardo Provenzano. Il capo di tutti capi foi preso em Corleone, onde foi visitar a família.
Coincidência? Não acredito nelas...

segunda-feira, abril 10, 2006

Portugal

Ao contrário do que diz o nosso colega italiano, não somos um blog do Brasil mas de Portugal. Mas hoje tudo se desculpa. Hoje ao fim do dia, ele e eu, em países diferentes, festejaremos o mesmo resultado!
Sono un coglione anch'io!

Eu nem tenho dito nada

para não dar azar. Mas acho que é hoje...

quinta-feira, abril 06, 2006

Solamente me pongo en vez en cuando




Extremo duro, Me estoy quitando

Lá como cá

Suspeito que, lá como cá, até depois de casados os meninos continuam a viver à custa da família...

A ITÁLIA DOS "MAMMA BOYS"

Vivem em casa dos pais, não ganham mais de mil euros e mesmo quando ganham não arriscam. Não contam nem na demografia nem na campanha eleitoral.

O que faz de Roma uma das capitais mais visitadas do mundo é o mesmo que impediu sempre o metropolitano da cidade de se desenvolver. "Obras de arte por todo o lado, sim, é verdade. É no meio disto que se vive em Roma", diz Fabrizio Turchetti. Mas este romano de 27 anos abdicaria amanhã da casa dos seus pais onde vive e trocaria um quotidiano feito no centro de todos os tesouros por uma casa nos subúrbios: "E nem precisava de ter carro, nunca faria um empréstimo para comprar um carro novo, bastava que o metro me levasse mais ou menos rapidamente da casa ao trabalho."
A verdade é que a Fabrizio Turchetti não falta só o metro. Precisava antes de um emprego ao qual correspondesse um salário real. "Com isso começava a fazer as malas."
Nem todos os italianos pensam assim. Na Itália de hoje, com uma das maiores esperanças de vida do mundo, idêntica à da Suécia e do Japão, e mais de metade da população acima dos 40 anos, os jovens saem cada vez mais tarde de casa. Têm menos filhos e têm-nos mais tarde, muito mais tarde. Fabrizio diz que isto acontece em parte "porque os italianos não querem deixar a boa vida".
Geração Mil Euros é o título de um livro assinado por dois jovens de Milão, alguns anos mais velhos do que Fabrizio. Foi disponibilizado há alguns meses na Internet e mais de 24 mil downloads depois os direitos foram vendidos para o cinema. Claudio, o protagonista, é inspirado na vida dos dois autores, Alessandro Rimassa e Antonio Incorvaia, 31 anos e muitos empregos no currículo. Mil euros de salário.

"Se ganhasse mil euros, casava"
Segundo um estudo publicado este ano, 89,2 por cento dos italianos entre os 17 e os 24 anos ganham menos do que isso. No grupo etário de Rimassa e Incorvaia, dos 25 aos 32, são cerca de 65 por cento os que não chegam a este valor. Cláudio, o herói dos jovens jornalistas de Milão, tem 27 anos e não deixa de viajar, jantar fora ou comprar roupa. O que não fez foi sair de casa. "Se ganhasse mil euros casava amanhã!" E pronto. "Para a casa sim, faria um empréstimo", garante Fabrizio. Não o faz porque depois de uma licenciatura em Economia na Universidade de Roma e de um mestrado em Buenos Aires ainda só conseguiu um contrato de seis meses numa consultora internacional que trabalha com empresas com projectos no Terceiro Mundo. Para além de ganhar 300 euros e não mil, com o tipo de contrato que tem não consegue um empréstimo. "O problema, mais do que social ou económico, é existencial. Penso que há uma precariedade existencial na geração com cerca de 30 anos, e isso deve-se principalmente a uma ausência de comunicação entre gerações", defende Mario Adinolfi. Aos 34 anos, Adinolfi considera-se muito ocupado: autor de um dos blogues mais lidos do país, tem um programa de rádio, assinou já vários livros sobre a juventude ou temas políticos. No blogue e na rádio tenta tratar o que considera ser "o mais grave problema de hoje em Itália". Por um lado, jovens numa situação mais precária que a francesa - "é interessante olhar para França, adultos que fazem uma lei para mudar a vida dos jovens sem falarem com eles, a diferença é que em Itália não se reage". Por outro, "uma sociedade completamente fechada em todas as áreas importantes" - os media, o ensino, as empresas. "É verdade que a economia está estagnada, mas isso é assim porque não se faz pesquisa, não se inova, não há cérebros jovens nas empresas."

"Preguiça instalada"
Nesta campanha eleitoral, os "mammones" ou "mamma boys" contam pouco. Quando Silvio Berlusconi propõe aumentar as pensões ou abolir o imposto sobre a propriedade para quem já possui casa, não é neles que está a pensar. "Os políticos que temos não falam para nós, falam na nossa situação como um problema, mas na realidade não querem saber", lamenta Adinolfi. Fabrizio Turchetti sublinha a "falta de coerência" no discurso dominante dos que têm a sua idade ou um pouco mais. "Todos dizem que têm problemas, lamentam não poder casar, fazer planos, pensar em ter filhos. Mas quando finalmente saem de perto dos pais é porque têm à espera casas com tudo", resume. "Mas tudo! Móveis caros, electrodomésticos, nada para construir, já tudo pronto." Para Adinolfi, que saiu de casa aos 20 anos e já esteve dez anos com contrato a termo, também "há uma responsabilidade que é nossa, dos jovens". "Uma parte está muito cómoda, é preciso perceber isso. Estão integrados no seu sistema familiar, são mantidos pelos pais e não vão à procura da sua vida. Temos uma geração
acomodada e sem vontade para fazer nada. Há uma preguiça instalada a que chamaria mesmo um complexo de depressão."



Texto do Público de hoje

quarta-feira, abril 05, 2006

tralha

A amizade pode ser terrível. Por vezes, estar com quem mais gostamos é assinar uma lenta asfixia.

terça-feira, abril 04, 2006

Portugal está assim porque

Ouvi hoje o Ministro Alberto Costa dizer, no âmbito da demissão do Director da Judiciária, que confiança é algo que o Ministro tem num Director e que nunca a falta de confiança de um Director num Ministro pode ser invocada para um pedido de demissão do Director.
Passaram mais de 30 anos, mas às vezes nem parece...

segunda-feira, abril 03, 2006

tralha

Gerir os créditos junto da pessoa com quem se vive, perdê-los,ganha-lo ou aplica-los, revela o doce vício pequeno-burguês de reproduzir na esfera privada as relações comerciais em que é mestre na sua esfera pública. Trazer a contabilidade para o amor é não só dar à ciência das contitas uma função que ela nunca pediu, como assumir o mais doce charme da burguesia.

sexta-feira, março 31, 2006

tralha

Num contexto de repressão sexual as mulheres exaltam essencialmente a sua função reprodutora, e os homens procuram nelas uma actualização adulta da relação maternal. As relações entre homem e mulher regem-se precisamente pelas mesmas regras das relações outrora havidas com o pai ou com a mãe. Assim, naquele contexto de repressãio os homens nunca passam de meninos grandes, que se portam bem à frente da mãe, e mal com as putas. É esta dicotomia feminina mãe / puta explorada por inúmeros autores que deve ser ultrapassada.

Não consegues ser mais concreto?
Mais?

quinta-feira, março 30, 2006

Dreams can come true

"A day will come when all the nations of this continent, without losing their distinct qualities or their glorious individuality, will fuse together in a higher unity and form the European brotherhood. A day will come when there will be no other battlefields than those of the mind - open marketplaces for ideas. A day will come when bullets and bombs will be replaced by votes".



Victor Hugo, 1849

tralha

Quer as democracias quer as ditaduras praticam essencialemente a mesma descriminação da minoria.

terça-feira, março 28, 2006

Ser Benfiquista é

saber que o Ronaldinho Gaúcho vai ser marcado pelo Rocky Rocha e acreditar, com todas as forças, que tudo vai correr bem.

Eis

a mulher mais sexy do mundo.


As que ficaram nos lugares 2 a 10 também não estão mal. Para ver aqui.

tralha

deitar tarde e cedo erguer dá olheiras e faz crescer

segunda-feira, março 27, 2006

tralha : F D S.

"pois foi, pois foi...sim, sim...É pá...pois, pois...adeusinho, adeus. tb t amo."

quinta-feira, março 23, 2006

Psicoblog

O que escrevemos no blog nunca é o que é. É sempre o que gostaríamos que fosse. Ou o que, cegos, doentes, achamos que é mas não é.
O que é não pode ou não precisa de ser escrito.

tralha

como fazer alguma coisa com os espirros

Lavar as mãos com àgua fria. Aguardar.
Pegar na escova de dentes.
colocar a pasta
esfregar bem, e reservar na boca o caldo
inspirar fundo
e
aplicar à parte de trás da lingua toda potencia do ar expelido

Abir bem a boca e fechar bem os olhos. Pescoço para trás.

quarta-feira, março 22, 2006

tralha

Vidas: há-as mais curtas que cumpridas.

terça-feira, março 21, 2006

tralha

para representar o mundo é preciso estranhar o mundo.

domingo, março 19, 2006

surfando blogs de quase meio metro

isto é um povo de poetas! de poetas povo! de poetas que não arriscam uma unha lascada, mas que escrevem como se tivessem um sabre nas entranhas. Poetas da saudade abstrata, da dor imaginária, do medo infantil. Poetas das petas. Poetas que extasiados com a dor que deveras escrevem, deveras sentem. Poetas que murmuram todos os dias a mesma ladainha light. Merdetas. Putretas. poetas que quase choram, que quase morrem, que quase vivem...Poetas salvos por sentimentos altos e e nobre e lúcidos, sim, altos nobres e lúcidos.

sexta-feira, março 17, 2006

Chuva

A volta matinal pelos blogs só rendeu isto:

Modo de vida: "Receber sem orgulho, perder com serenidade."
Marco Aurélio,
Pensamentos para mim próprio, VIII, 33.



Pouco mas muito bom.
Se calhar é da chuva... Pode ser que seja da chuva...

quinta-feira, março 16, 2006

¿?



Puede que hayas
nacido en la cara
buena del mundo
Yo nací en la cara mala,
llevo la marca
del Lado Oscuro.

No me sonrojo
si te digo que te quiero,
y que me dejes o te deje,
eso ya no me da miedo.
Tú habías sido
sin dudarlo la más bella,
de entre todas las estrellas
que yo vi en el firmamento.

¿Cómo ganarse el cielo,
cuando uno ama
con toda el alma?
Y es que el cariño
que te tengo
no se paga con dinero.
¿Cómo decirte
que sin ti muero?



Jarabe de Palo, El lado oscuro

quarta-feira, março 15, 2006

Burocracia n

Não há um puto ano em que as declarações de impostos peçam as mesmas informações que no ano anterior?

Estas alterações são particularmente inconvenientes para quem entrega no último dia...

terça-feira, março 14, 2006

Quem me dera, ao menos uma vez

Enquanto eu não consigo dizer a palavra certa na altura certa.
Enquanto não consigo dizer as palavras que acalmam o espírito e fazem parecer tudo melhor e mais lógico...

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
(...)
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.



Inocentes. Enquanto conseguirmos ser inocentes, está tudo certo.

sexta-feira, março 10, 2006

O 1.º de Abril a 10 de Março

Cem mil portugueses considerados "fundamentais para o país", devido aos cargos que ocupam, vão receber antivirais em caso de pandemia provocada pelo vírus da gripe das aves, anunciou hoje a sub-directora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Eu desde já me declaro dispensável ao país, tal como declaro o país dispensável a mim. Também declaro que, em caso de pandemia, posso eventualmente transformar-me num cidadão violento com vista a eliminar algumas pessoas "fundamentais para o país", libertando assim uma ou outra dose de vacina para pessoas que o país considera acessórias mas que para mim são fundamentais.

Para que serve uma casa 1

As casas sem livros comovem-me às lágrimas.

quarta-feira, março 08, 2006

Dúvida

Quando os meus olhos vêem os teus olhos diferentes, que olhos é que mudaram?

Final

Sim, para os benfiquistas o jogo de hoje tem o sabor de uma final europeia. E só nós sabemos por que razões.

terça-feira, março 07, 2006

palavrinhas...


Caro leitor interessado: escasseias. Perdeste tempo a ler o texto, a pensar nele e a escrever um comentário. É raro, lidar assim com a imagem de uma sapateira transformada por um espirro em granizo. Mas contradizes-te! Dizes que o texto é bom, mas que não é romântico, que é bom mais pouco realista, que é bom mas não lhe vês o objectivo. Caro: para ti o texto é mau! E para mim, embora por outras razões, também! O texto é como é, porque é assim que tem de ser. Porque foi isso que João fez. Foi isso que aconteceu. E é isso que eu tenho escrever. Tenho de escrever o que aconteceu e com verdade. E quanto ao objectivo da arte: batatinhas...Não meto foice em discussões alheiras, nem gosto de arroz malandrinho em tacho de pantomineiros.

segunda-feira, março 06, 2006

Pegar o toiro pelos cornos

Ou agarrar a economia pela econometria. O primeiro impacto foi um sucesso. Agora vamos ver se me aguento um ano agarrado aos chifres da besta...

João Deão


E fumam e fumam e fumam. Então, cansado de tentar pescar o olhar do empregado para lhe pedir um café, João, tira de dentro do saco uma sapateira, uma tábua de madeira e um martelo. Com o martelo, abre fissuras nas patas largas do marisco, e com as unhas saca-lhes o interior carnudo. Mastiga tudo bem mastigado e reserva o bolo alimentar nas bochechas dilatadas. Depois, retira um frasco com pimenta do bolso direito das calças, inspira-a decidido e de olhos fechados e barriga ao léu vira-se para o sol. As mulheres fumam. Uma convulsão, uma lágrima, um corrimento pelo nariz e um espirro amplo como as tempestades de granizo afasta as duas mulheres da frente do balcão. João pede o café.

sexta-feira, março 03, 2006

a não implica b, b não implica a, nem vice-versa

Quando o governo português discute aumentos de salários os portugueses são pouco produtivos e de nada interessa a economia subterrânea.

Quando o governo português quer explicar o défice das contas públicas a economia subterrânea representa 22% do PIB português, mas isso em nada afecta a produtividade ou os salários.

Burocracia...

10h: Pessoas com quem trabalho ligam-me para saber a que horas é a reunião que marcaram e de que eu nem tenho conhecimento;

10h30: Faltou um documento para a reunião. É preciso tê-lo de prevenção;

11h: Ligam de uma entidade pública para quem fizemos uma acção de formação. Para nos pagarem, exigem que nós insiramos no sistema deles os dados dos formandos. Isto não estava combinado. Eu digo que o faremos;

11h30: Para entrar no sistema informático dessa entidade é preciso ter uma senha. Ligo para lá. Eles não a sabem. O informático não está. A menina simpática que sabe usar o e-mail não está. Da parte da tarde não estará ninguém. Estarão todos em reuniões fora. Tinha-me esquecido que é sexta-feira;

12h: Chegou o último logotipo para os certificados que estão à espera dele desde ontem. Afinal era igual a um dos que já me tinham mandado;

12h30: Ligam-me do banco. Recusam-se a dar-nos um novo livro de cheques sem que lhes entreguemos dezenas de fotocópias com dados de administradores que o deixarão de ser em menos de 30 dias. Explico-lhes que não faz sentido. Dizem-me que não há nada a fazer;

13h: Almoço;

14h30: Vou directamente para o banco. Explico o ridículo da situação dos cheques. Proponho uma alternativa. Irrito-me mas não me enervo. Esqueço-me que para a gerente aquilo é só um emprego, como este é para mim, e dou a entender que deixamos de usar a conta. Faz efeito, mas pouco. Nada a fazer;

16h: Chego ao escritório e tenho uma carta de outro banco. Este faz-nos depósitos a prazo de dezenas de milhares de euros pelo telefone mas recusa-se a prestar informações ao nosso ROC por a nossa carta que o solicita ter apenas uma das duas assinaturas que obrigam a sociedade;

16h30: Estou farto. Nunca quis isto. Somos quase todos burocratas afundados em papel ou peças a mais num sistema podre.

quinta-feira, março 02, 2006

Glória aos vencedores; pontapés aos vencidos.

Não vejo sensibilidade nem bom senso. Talvez esteja a precisar de ir ao cinema.

João Deão


João acorda numa convulsão, afasta os lençóis e toca na unha do pé escanhoada, aparada e inteira. Levanta-se, lava a cara, veste-se, escada a baixo e sai para o emprego. João, carteiro por razões místicas, aguarda um café cheio no quiosque da esquina. À sua frente, a impedir o indispensável contacto visual com o empregado: duas mulheres. Uma, de cara oval, olhos esbugalhados e dedos sapudos, fuma um cigarro longo e fino; outra, esquálida, de lábios pretos e finos e com sardas macilentas ao canto dos olhos, mantem, com dificuldade entre os dedos um charuto-barrica. Discutem alto e fumam mais alto ainda. Tão alto que impedem que João peça o seu café longo com 3 centímetros de espuma. João pede licença. Elas calam-se, olham-no, expiram simultaneamente uma longa bafurada e no preciso momento em que do outro lado da rua passa um autocarro, voltam à discussão e à fumarada.

quarta-feira, março 01, 2006

Para, por, porque

Podia ser só assim: uma alegria sem medidas nem limites. Se acabasse tudo aos 35? Se não viveremos para sempre, ao menos vivemos uma vez.

João Deão


10:30. João põe a cabeça de fora dos lençóis. Descerra as pálpebras, expõe os globos oculares à luz da manhã e transforma as ondas da energia solar em latejar doloroso entre a testa e a meninge: punhadas, atrás dos olhos, que mantêm hoje, a sensação de irrealidade que, ontem, o álcool iniciou à tarde, e que apenas a ideia de duche ajuda a dissipar. João entra na casa de banho, bate com a ponta do dedo do pé no degrau e acto contínuo: esfacela a unha. Metade parte-se, salta para dentro da banheira e escorrega até ao ralo, e outra metade enterra-se para atrás do dedo. A dor do latejar da cabeça é atraída, como a luz a um buraco negro, ao dedo grande do pé. E, aí multiplicada por mil. Em ondas sucessivas. Como se lhe tivessem arrancado um dente do pé sem anestesia, João, transformado em terminação nervosa, vibra de dor. Desmaia.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

joão deão capitulo I I

Leitor desocupado: ide produzir. Mergulha nas facturas atrasadas e nos requerimentos articulados, aplica o teu ágil espírito nas amostras pequeninas e nos gráficos rectangulares, sê verbo para os clientes e ouvidos para os fornecedores e não desperdices tempo com estas histórias. Com fantasias de personagens que não passam de letras juntas. Ide. Ide tomar conta da facturação dos outros, da aprendizagem dos outros, das queixas dos outros e deixa estas ilusões. Escolhe ir. Escolhe produzir. Porque se ficares e deixares que estas histórias criem em ti imagens, emoções ou lugares, acredita-me: estás louco! Escuta: estas histórias não são reais! As personagens não existem para além da tua imaginação. Por isso vai, sai enquanto é tempo. Sai para cuidar do mundo dos outros, e não te atrevas a começar a construir o teu.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Why me?

"Quite often, people who mean well inquire whether I ever ask myself, in the face of my diseases, 'Why me?'
I never do. If I ask 'Why me?' as I am assaulted with heart disease and AIDS, I must also ask 'Why me?' about my blessings."

Arthur Ashe

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Sit Trag

Ligo a televisão e está a dar o debate do estado da Nação (ainda se chama assim?).
Fico preso ao écran como só o Seinfeld me consegue prender. A receita televisiva é a mesma: aquela antecipação do embaraço provocado por uma mistura de maldade e mediocridade que nos envergonha por eles serem apenas 99% diferentes de nós.
O Marques Mendes faz um bom George, mas ao Sócrates falta capacidade de se rir de si próprio para fazer um Seinfeld credível.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Em contagem decrescente para a festa retro

Das Putas que não têm género, ou melhor, das filhas-da-putice

Há frases que ficaram comigo para o resto da vida. Uma delas foi ouvida no consultório do meu primeiro dentista. Lembro-me como se fosse hoje e foi há uns 15 anos. O chão inclinado do prédio velho. O banco desconfortável encostado à janela onde eu lia uma revista (provavelmente uma TV Guia ou uma Nova Gente). O banco, igual ao meu, por baixo da prateleira das revistas, onde duas senhoras, que se conheceram ali, conversavam. Uma explicava à outra a história da mulher que lhe roubara o marido e a quem tudo parecia correr bem na vida. "As Putas têm sempre sorte!", dizia ela no fim de cada explicação sobre as coisas boas que aconteciam na vida da outra. Da ladra. "As Putas têm sempre sorte!", alto, para que todos pudessem ouvir. Especialmente a palavra Putas.
Lembro-me da cena como se tivesse sido hoje. Provavelmente porque pensei muito nela. Que sentido tem isto tudo, se são as Putas que têm sempre sorte? O que é o mundo se são as Putas que triunfam? De cada vez que vejo uma a ter sorte, a frase da senhora exaltada no consultório volta à minha cabeça.
A resposta às minhas dúvidas só chegou muitos anos mais tarde. Quando a minha jornalista preferida, num dos seus primeiros textos, explicou a razão por que "A fila vizinha anda sempre mais que a minha". Tal como no trânsito, nas Putas nem tudo o que parece é. Só que quando uma puta tem sorte isso mexe connosco e marcamos o acontecimento no nosso cérebro. Quando ela tem azar nós achamos isso normal e justo e seguimos em frente.
Se pensarmos bem, qual é a probabilidade de as Putas virem a ser felizes no longo prazo? E melhor ainda, por que misérias passaram já para se estarem agora a comportar assim?
Mas acredito, e sei, que ver Putas a terem sorte custa imenso. E, felizmente, até agora nenhuma delas me roubou a mulher...

O meu filme do ano


Walk the line

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Pergunta

A pergunta que tenho medo de fazer aos meus amigos católicos:

Vocês acreditam que Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Cereais pijama

Buscando sem saber bem o quê
Perdido como quem não vê
Calado como quem não tem resposta para quem o chama
Desesperado, como quem por ter medo da desilusão não ama
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama

Quebrando os seus ossos na rua
Fugindo da verdade nua
Como se abrir as portas ao Mundo fosse uma coisa obscena
Desencontrado como quem por ter medo da foz o rio condena
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama

E já que nós nunca estamos sós
Vamos lá desatar os nós
E vamos lá chegar inteiros, onde quer que a vida nos leve
E enquanto é tempo
Deixa ver esse sorriso, que isso torna a pena mais leve
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama



Jorge Palma, Yogi Pijama

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

...

-Pois é...
-Pois é...
-Isto hoje ficou mais calor...
-É pá, está uma brasa...
-Pois é...
-Pois é...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Dia da Valentina

Para lá do vidro

Há coisas que não se fazem. Há coisas que não se repetem. Há coisas que não se fazem. Quando a Sheryl Crow cantava "If it makes you happy it can't be that bad" não o dizia de forma absoluta. O que é bom para nós pode ser muito mau se for mau para os outros.
Neste tempo de blogs, caixas de comentários e sitemeters, ajudar e magoar é cada vez mais fácil, está cada vez mais à mão.
Há coisas que não se fazem. E não há nada pior que atirar a pedra e esconder a mão. A não ser, talvez, atirar a pedra, esconder a mão e deixar que nos vejam com um sorrizinho nos lábios.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Small Time Crooks

Ler os jornais, nacionais ou regionais, e os blogs dos politiqueiros de Coimbra provocam hoje sensações muito estranhas. É tanto o lixo que vai na política portuguesa e de Coimbra que a medida mais acertada talvez fosse meter os meninos e os mais crescinhos, vestidos com t-shirts com caricaturas de Maomé, num avião para o Irão.
Depois, como diz uma amiga minha, logo se via...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Facilidade de comunicação

-Hoje vou ver o Brokeback Mountain.
-Vais ver o quê?
-Aquele filme dos cowboys paneleiros.
-Ahhh!

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Cara mas boa

E se de repente descobrisses que perder o telemóvel é uma coisa boa?

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

And now the moment we've all been waiting for...


Scarlett Johansson e Keira Knightley nuas na capa da Vanity Fair.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Conspirativo é o meu nome do meio

Mas sou eu o único a achar estranho que de repente, num país onde até as escutas telefónicas são públicas, a SONAE anuncie inesperadamente uma OPA sobre uma empresa quatro vezes maior que ela própria, sabendo-se que:

1. O Estado detem golden shares na PT que se tem recusado a eliminar apesar da forte pressão da Comissão Europeia para o fazer;

2. A operação desencadeará um processo complicadíssimo a nível da Autoridade da Concorrência, quer por causa das comunicações fixas (à quase-monopolista PT juntar-se-á a pequena Novis)quer por causa das móveis (desaparecia, finalmente, em Portugal, a única concorrência potencial a TMN e Vodafone, o que as duas companhias já tentaram, sem sucesso, há não muito tempo);

3. Nós conhecemos Portugal e sabemos que estas duas questõs levarão eternidades a ser resolvidas;

4. Belmiro de Azevedo reuniu com Sócrates antes de avançar.

A mim cheira-me a esturro. Ou melhor, cheira-me que perante a iminência de uma OPA vinda de além-fronteiras, os habituais defensores da pátria decidiram envolver o Grupo PT numa confusão tal que nos próximos anos ninguém se atreverá a tentar comprá-la...

Serve o velho argumento do "é fundamental manter os centros de decisão em Portugal" para esconder o nacionalismo foleiro...

assim seria...


segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Ontem

No fim de tarde do vinil faltou esta. Mas o dia foi tão bom que tudo se perdoa...





Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
sono un italiano

Buongiorno Italia gli spaghetti al dente
e un partigiano come Presidente
con l'autoradio sempre nella mano destra
e un canarino sopra la finestra
Buongiorno Italia con i tuoi artisti
con troppa America sui manifesti
con le canzoni con amore
con il cuore
con piu' donne sempre meno suore
Buongiorno Italia
buongiorno Maria
con gli occhi pieni di malinconia
buongiorno Dio
lo sai che ci sono anch'io

Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
una canzone piano piano
Lasciatemi cantare
perche' ne sono fiero
sono un italiano
un italiano vero

Buongiorno Italia che non si spaventa
e con la crema da barba alla menta
con un vestito gessato sul blu
e la moviola la domenica in TV
Buongiorno Italia col caffe' ristretto
le calze nuove nel primo cassetto
con la bandiera in tintoria
e una 600 giu' di carrozzeria
Buongiorno Italia
buongiorno Maria
con gli occhi pieni di malinconia
buongiorno Dio
lo sai che ci sono anch'io

Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
una canzone piano piano
Lasciatemi cantare
perche' ne sono fiero
sono un italiano
un italiano vero




Toto Cotugno, L'italiano

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Free rider. Literalmente.

Há momentos assim, de profunda alegria, quando se vive num país como este.
Numa viagem Porto-Coimbra, sair na indicação para a A29 e fazer o mesmo caminho, numa estrada da mesma qualidade, poupando 2,25 euros.
Viva a SCUT paralela à A1!!!

domingo, janeiro 29, 2006

Piada privada, ou o eterno retorno...

-Isto hoje neva!
-Tás doido! Em Lisboa não neva.
-Olha que isto hoje neva.
-Não neva, nada.
-Olha que sim.
-Olha que não.
-Isto neva, neva...
-Não...
-Ou há alguém com muita caspa sentado no teu tejadilho ou neva...
-É caspa...
-Olha que que está a nevar...

quinta-feira, janeiro 26, 2006

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Que horas são agora em Kuala Lumpur?

Diálogo provocado por um discurso de Pinto da Costa:
- Não sei como é que alguém inteligente pode ser radical em relação a seja o que for... - diz ela, em tom provocatório.
- Não sei como é que alguém inteligente pode ser do FC do Porto... - responde ele, de forma radical.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

2

Autocarro de aeroporto em Roma-Fiumicino. Um homem está a abraçar uma mulher sardenta, que está de costas para ele. Roupas leves e sapatilhas. Ele tem uma mochila às costas. Têm os dois quarenta anos. O burburinho que os rodeia em nada interfere com a sua paz. São a imagem viva do amor e da felicidade.

Desde esse dia que não consigo ter sonhos só para um.





Butterò questo mio enorme cuore tra le stelle un giorno
giuro che lo farò

Do tamanho apenas


De que tamanho queremos a nossa?

No fundo, foi também esta a argumentação do Cavaco...

O Marcel é o Marcel, o Serjão é o Serjão.

Serjão, novo reforço da Briosa, na sua apresentação em Coimbra

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O que Alegre fará dia 22 à noite

O cadáver jazia ainda sobre a cama, já vestido, à espera do caixão.
A passos lentos aproximou-se e fitou durante alguns momentos a figura hirta e mirrada do defunto. De repente, num ímpeto, deitou-lhe as mãos às abas do casaco, ergueu-o e rouquejou, fora de si:
- Estás morto, é o que te vale. Mas mesmo assim não vais deste mundo sem duas bofetadas na cara, covarde!
E deu-lhas!



Miguel Torga, A Confissão (Novos Contos da Montanha)

Soraia


A Sic Radical podia ficar semanas a passar em loop a entrevista que esta moça deu ontem ao Pedro Ribeiro. Os outros canais podiam fechar nesse período.

(Se uma pessoa que eu cá sei tivesse estado ao meu lado ontem não teria parado de dizer: "Tira esse sorriso estúpido da cara!")

quinta-feira, janeiro 19, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Espelho meu

Há uns meses vi uma entrevista do Figo, em que lhe mostraram uma fotografia de quando tinha vinte anos e longos caracóis e perguntaram o que achava daquele penteado.
O Figo, nessa entrevista com um cabelo mais ridículo do que nunca, fez um ar meio envergonhado, meio divertido e disse "São coisas da idade".
Também a mim, quando "olho para o que fui" em determinados momentos, me apetece perguntar, meio envergonhado, meio divertido: "Espelho do que fui eu, havia alguém mais ridículo do que eu?"

Factor humano


terça-feira, janeiro 17, 2006

O estado da ética

Mário Soares vai visitar uns estaleiros navais em Viana do Castelo e garante aos trabalhadores que o governo não está a pensar privitizá-los. Segundo Soares, foi o ministro da Defesa quem lhe telefonou da China e lhe disse que podia transmitir a boa nova.
Desde quando é que um candidato a Presidente da República faz anúncios em nome do governo?
Por que raio é que o ministro em visita à China telefonou a Mário Soares?
Quem é que pagou a chamada China-Portugal, para o Sr. ministro falar com Mário Soares?

Quem é que paga a viagem de Sócrates ao norte do país para jantar com Soares?

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Fin de la Ronde


O Estado da justiça II

O processo apito dourado não avança.
E, em resultado disso, a época futebolística voltou a ser estranha como as de antigamente.

Há duas jornadas o Porto jogou com o Penafiel. Na jornada anterior o melhor (quase único) jogador do Penafiel, N'Doye, foi expulso por uma falta que não cometeu e não pôde jogar contra o Porto.

Na jornada passada o Porto jogou contra o União de Leiria e o melhor jogador do Leiria, Maciel, emprestado pelo Porto, não jogou devido a um "acordo de cavalheiros" entre os dois clubes, o que é claramente contra os regulamentos.

Esta semana o Porto jogou contra o Estrela da Amadora. O guarda-redes do Estrela, Bruno Vale, emprestado pelo Porto, lesionou-se misteriosamente a meio da semana e não jogou (querem apostar que esta semana já joga?) e Paulo Machado, emprestado pelo Porto e uma das figuras da equipa, não saiu do banco, apesar de na segunda parte ser óbvio que o Estrela precisava de um jogador com as características dele em campo.

Parece que voltou a ser preciso mover montanhas para ganhar ao Porto.
Tudo, creio eu, porque o apito dourado não avança.

O Estado da Justiça I

O PS não descansará enquanto não convencer Jorge Sampaio a mandar embora Souto de Moura. O tempo escasseia para Sampaio enquanto Presidente e Cavaco não será propriamente influenciável pelo PS, pelo que a pressão tem aumentado de forma ridícula nos últimos dias. É tempo de vingança.

É triste que seja isto que aconteça a quem mexe com os poderes instalados...

sábado, janeiro 14, 2006

sexta-feira, janeiro 13, 2006

O candidato

Vi ontem os 20 minutos finais da entrevista de Garcia Pereira no Canal 1. Mesmo considerando uma ou outra coisa dita em matéria do que deve ser o futuro da economia do país, que eu considero disparates, foi sem dúvida a melhor intervenção feita por um candidato à presidência.

Entre muitas muitas outras coisas certas e ditas sem medo, Gacia Pereira foi capaz de dizer a coisa óbvia e fundamental, que nenhum outro candidato diz: se um governo é eleito com base numa promessa de não aumentar impostos e os aumenta, é obrigação do Presidente da República chamar o primeiro-ministro e anunciar-lhe que ou ele volta atrás com a decisão ou o seu governo acabou.

É isto que eu espero de um Presidente da República, mesmo que tratando-se de Garcia Pereira eu fique um pouco assustado por o admitir...

O polígrafo


quinta-feira, janeiro 12, 2006

quarta-feira, janeiro 11, 2006

terça-feira, janeiro 10, 2006

TGV

Um texto muito interessante sobre o TGV.

Bom dia

De há dois dias para cá tenho a tentação de ver o meu mail antes de sair de casa.
Qualquer desculpa é boa para ver a Scarlett Johansson, deitada num sofá posto no meio do desktop, a desejar-me um bom dia.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

"a luz deve servir a narrativa..."


Lasciare la bicicletta sul muro



Cosa sarà?, Lucio Dalla e Francesco de Gregori


Cosa sarà che fa crescere gli alberi, la felicità,
che fa morire a vent'anni anche se vivi fino a cento?
Cosa sarà a far muovere il vento,
a fermare un poeta ubriaco,
a dare la morte per un pezzo di pane o un bacio non dato?
oh... cosa sarà
che ti svegli al mattino e sei serio,
che ti fa morire ridendo di notte all'ombra di un desiderio?
oh... cosa sarà
che ti spinge ad amare una donna bassina e perduta,
la bottiglia che ti ubriaca, anche se non l'hai bevuta?

Cosa sarà che ti spinge a picchiare il tuo re,
che ti porta a cercare il giusto dove giustizia non c'è?
Cosa sarà che ti fa comprare di tutto anche se è di niente che hai bisogno?
Cosa sarà che ti strappa dal sogno?
oh... cosa sarà
che ti fa uscire di tasca dei "no, non ci sto",
che ti getta nel mare e ti viene a salvare?
oh... cosa sarà
che dobbiamo cercare... che dobbiamo cercare?

Cosa sarà che ci fa lasciare la bicicletta sul muro
e camminare a sera con un amico a parlare del futuro?
Cosa sarà questo strano coraggio o paura che ci prende
e ci porta ad ascoltare la notte che scende?
oh... cosa sarà
quell'uomo e il suo cuore benedetto,
che sceso dalle scarpe e dal letto, si è sentito solo
e come un uccello che in volo...
e come un uccello che in volo si ferma e guarda giù...


sexta-feira, janeiro 06, 2006

brave new world


Comentários

Na sequência de muitas queixas, abrimos completamente as nossas caixas de comentários. É comentar, ó fregueses!

Uma questão de n (n de Neidi)

Grande capa a do Independente de hoje. Ficamos a conhecer a Neidi. A Neidi é uma brasileira que trabalhava num restaurante e agora é coordenadora do gabinete de logística do Ministério da Justiça. Ganha 1700 euros dos nossos impostos por mês. Tem contrato por três anos.
Ficamos ainda a saber que o nosso amigo Constâncio (ainda ontem falei dele) tem investido na frota automóvel do Banco de Portugal. E que das contas do Exército estão desaparecidos 17 milhões de euros. Coisa pouca.

A questão pertinente é: quem é que andava a comer na Neidi?

Janeiro de 2006

A gravata vermelha do Cavaco assusta-me tanto como a ida do Jerónimo ao Benfica. Se o falar arrastado de Soares me dá uma vontade sincera de comer um pratinho de chispe ensalsado, a lingua ponta e mola do Louça dá-me ainda mais. Fica o Pereira e os funerais à chuva. Embora esteticamente aprecie os dois, politicamente prefiro os segundos. De resto: queria voltar a ter net em casa.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Wishful thinking

Há quantos anos é que Vítor Constâncio e o Banco de Portugal andam com a conversa de que "este ainda vai ser um ano mau, mas para o ano começa a retoma"?

Uma vez ainda pode ser entendido como uma tentativa de criar expectativas. Tantas vezes só pode ser incapacidade...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

GooglePC

Um computador por menos de 200 euros, com ligação à internet e todo o software "tipo office" disponível on line?
Correm rumores de que será o novo produto da Google.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Humanos, em versão para chinês

Muda de vida
Não deves vender contrafeito

Abraço solidário

Neste início de ano a minha primeira palavra vai para o nosso primeiro-ministro José Sócrates. Esse bravo guerreiro que deixou os portugueses a esbanjar os seus fabulosos aumentos de 1,5% e foi enfrentar o rigoroso frio das neves suíças, tendo-se lesionado na sempre difícil luta por um melhor ski.

Rápidas melhoras, Eng.º Sócrates. V. Exa. transpira rigor, bom senso e sentido de Estado.