tralha : F D S.
"pois foi, pois foi...sim, sim...É pá...pois, pois...adeusinho, adeus. tb t amo."
"pois foi, pois foi...sim, sim...É pá...pois, pois...adeusinho, adeus. tb t amo."
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O que escrevemos no blog nunca é o que é. É sempre o que gostaríamos que fosse. Ou o que, cegos, doentes, achamos que é mas não é.
O que é não pode ou não precisa de ser escrito.
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como fazer alguma coisa com os espirros
Lavar as mãos com àgua fria. Aguardar.
Pegar na escova de dentes.
colocar a pasta
esfregar bem, e reservar na boca o caldo
inspirar fundo
e
aplicar à parte de trás da lingua toda potencia do ar expelido
Abir bem a boca e fechar bem os olhos. Pescoço para trás.
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Vidas: há-as mais curtas que cumpridas.
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para representar o mundo é preciso estranhar o mundo.
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isto é um povo de poetas! de poetas povo! de poetas que não arriscam uma unha lascada, mas que escrevem como se tivessem um sabre nas entranhas. Poetas da saudade abstrata, da dor imaginária, do medo infantil. Poetas das petas. Poetas que extasiados com a dor que deveras escrevem, deveras sentem. Poetas que murmuram todos os dias a mesma ladainha light. Merdetas. Putretas. poetas que quase choram, que quase morrem, que quase vivem...Poetas salvos por sentimentos altos e e nobre e lúcidos, sim, altos nobres e lúcidos.
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A volta matinal pelos blogs só rendeu isto:
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Puede que hayas
nacido en la cara
buena del mundo
Yo nací en la cara mala,
llevo la marca
del Lado Oscuro.
No me sonrojo
si te digo que te quiero,
y que me dejes o te deje,
eso ya no me da miedo.
Tú habías sido
sin dudarlo la más bella,
de entre todas las estrellas
que yo vi en el firmamento.
¿Cómo ganarse el cielo,
cuando uno ama
con toda el alma?
Y es que el cariño
que te tengo
no se paga con dinero.
¿Cómo decirte
que sin ti muero?
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Não há um puto ano em que as declarações de impostos peçam as mesmas informações que no ano anterior?
Estas alterações são particularmente inconvenientes para quem entrega no último dia...
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Enquanto eu não consigo dizer a palavra certa na altura certa.
Enquanto não consigo dizer as palavras que acalmam o espírito e fazem parecer tudo melhor e mais lógico...
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Cem mil portugueses considerados "fundamentais para o país", devido aos cargos que ocupam, vão receber antivirais em caso de pandemia provocada pelo vírus da gripe das aves, anunciou hoje a sub-directora-geral da Saúde, Graça Freitas.
Eu desde já me declaro dispensável ao país, tal como declaro o país dispensável a mim. Também declaro que, em caso de pandemia, posso eventualmente transformar-me num cidadão violento com vista a eliminar algumas pessoas "fundamentais para o país", libertando assim uma ou outra dose de vacina para pessoas que o país considera acessórias mas que para mim são fundamentais.
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As casas sem livros comovem-me às lágrimas.
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Quando os meus olhos vêem os teus olhos diferentes, que olhos é que mudaram?
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Sim, para os benfiquistas o jogo de hoje tem o sabor de uma final europeia. E só nós sabemos por que razões.
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Caro leitor interessado: escasseias. Perdeste tempo a ler o texto, a pensar nele e a escrever um comentário. É raro, lidar assim com a imagem de uma sapateira transformada por um espirro em granizo. Mas contradizes-te! Dizes que o texto é bom, mas que não é romântico, que é bom mais pouco realista, que é bom mas não lhe vês o objectivo. Caro: para ti o texto é mau! E para mim, embora por outras razões, também! O texto é como é, porque é assim que tem de ser. Porque foi isso que João fez. Foi isso que aconteceu. E é isso que eu tenho escrever. Tenho de escrever o que aconteceu e com verdade. E quanto ao objectivo da arte: batatinhas...Não meto foice em discussões alheiras, nem gosto de arroz malandrinho em tacho de pantomineiros.
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Ou agarrar a economia pela econometria. O primeiro impacto foi um sucesso. Agora vamos ver se me aguento um ano agarrado aos chifres da besta...
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E fumam e fumam e fumam. Então, cansado de tentar pescar o olhar do empregado para lhe pedir um café, João, tira de dentro do saco uma sapateira, uma tábua de madeira e um martelo. Com o martelo, abre fissuras nas patas largas do marisco, e com as unhas saca-lhes o interior carnudo. Mastiga tudo bem mastigado e reserva o bolo alimentar nas bochechas dilatadas. Depois, retira um frasco com pimenta do bolso direito das calças, inspira-a decidido e de olhos fechados e barriga ao léu vira-se para o sol. As mulheres fumam. Uma convulsão, uma lágrima, um corrimento pelo nariz e um espirro amplo como as tempestades de granizo afasta as duas mulheres da frente do balcão. João pede o café.
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Quando o governo português discute aumentos de salários os portugueses são pouco produtivos e de nada interessa a economia subterrânea.
Quando o governo português quer explicar o défice das contas públicas a economia subterrânea representa 22% do PIB português, mas isso em nada afecta a produtividade ou os salários.
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10h: Pessoas com quem trabalho ligam-me para saber a que horas é a reunião que marcaram e de que eu nem tenho conhecimento;
10h30: Faltou um documento para a reunião. É preciso tê-lo de prevenção;
11h: Ligam de uma entidade pública para quem fizemos uma acção de formação. Para nos pagarem, exigem que nós insiramos no sistema deles os dados dos formandos. Isto não estava combinado. Eu digo que o faremos;
11h30: Para entrar no sistema informático dessa entidade é preciso ter uma senha. Ligo para lá. Eles não a sabem. O informático não está. A menina simpática que sabe usar o e-mail não está. Da parte da tarde não estará ninguém. Estarão todos em reuniões fora. Tinha-me esquecido que é sexta-feira;
12h: Chegou o último logotipo para os certificados que estão à espera dele desde ontem. Afinal era igual a um dos que já me tinham mandado;
12h30: Ligam-me do banco. Recusam-se a dar-nos um novo livro de cheques sem que lhes entreguemos dezenas de fotocópias com dados de administradores que o deixarão de ser em menos de 30 dias. Explico-lhes que não faz sentido. Dizem-me que não há nada a fazer;
13h: Almoço;
14h30: Vou directamente para o banco. Explico o ridículo da situação dos cheques. Proponho uma alternativa. Irrito-me mas não me enervo. Esqueço-me que para a gerente aquilo é só um emprego, como este é para mim, e dou a entender que deixamos de usar a conta. Faz efeito, mas pouco. Nada a fazer;
16h: Chego ao escritório e tenho uma carta de outro banco. Este faz-nos depósitos a prazo de dezenas de milhares de euros pelo telefone mas recusa-se a prestar informações ao nosso ROC por a nossa carta que o solicita ter apenas uma das duas assinaturas que obrigam a sociedade;
16h30: Estou farto. Nunca quis isto. Somos quase todos burocratas afundados em papel ou peças a mais num sistema podre.
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Não vejo sensibilidade nem bom senso. Talvez esteja a precisar de ir ao cinema.
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João acorda numa convulsão, afasta os lençóis e toca na unha do pé escanhoada, aparada e inteira. Levanta-se, lava a cara, veste-se, escada a baixo e sai para o emprego. João, carteiro por razões místicas, aguarda um café cheio no quiosque da esquina. À sua frente, a impedir o indispensável contacto visual com o empregado: duas mulheres. Uma, de cara oval, olhos esbugalhados e dedos sapudos, fuma um cigarro longo e fino; outra, esquálida, de lábios pretos e finos e com sardas macilentas ao canto dos olhos, mantem, com dificuldade entre os dedos um charuto-barrica. Discutem alto e fumam mais alto ainda. Tão alto que impedem que João peça o seu café longo com 3 centímetros de espuma. João pede licença. Elas calam-se, olham-no, expiram simultaneamente uma longa bafurada e no preciso momento em que do outro lado da rua passa um autocarro, voltam à discussão e à fumarada.
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Podia ser só assim: uma alegria sem medidas nem limites. Se acabasse tudo aos 35? Se não viveremos para sempre, ao menos vivemos uma vez.
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10:30. João põe a cabeça de fora dos lençóis. Descerra as pálpebras, expõe os globos oculares à luz da manhã e transforma as ondas da energia solar em latejar doloroso entre a testa e a meninge: punhadas, atrás dos olhos, que mantêm hoje, a sensação de irrealidade que, ontem, o álcool iniciou à tarde, e que apenas a ideia de duche ajuda a dissipar. João entra na casa de banho, bate com a ponta do dedo do pé no degrau e acto contínuo: esfacela a unha. Metade parte-se, salta para dentro da banheira e escorrega até ao ralo, e outra metade enterra-se para atrás do dedo. A dor do latejar da cabeça é atraída, como a luz a um buraco negro, ao dedo grande do pé. E, aí multiplicada por mil. Em ondas sucessivas. Como se lhe tivessem arrancado um dente do pé sem anestesia, João, transformado em terminação nervosa, vibra de dor. Desmaia.
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Leitor desocupado: ide produzir. Mergulha nas facturas atrasadas e nos requerimentos articulados, aplica o teu ágil espírito nas amostras pequeninas e nos gráficos rectangulares, sê verbo para os clientes e ouvidos para os fornecedores e não desperdices tempo com estas histórias. Com fantasias de personagens que não passam de letras juntas. Ide. Ide tomar conta da facturação dos outros, da aprendizagem dos outros, das queixas dos outros e deixa estas ilusões. Escolhe ir. Escolhe produzir. Porque se ficares e deixares que estas histórias criem em ti imagens, emoções ou lugares, acredita-me: estás louco! Escuta: estas histórias não são reais! As personagens não existem para além da tua imaginação. Por isso vai, sai enquanto é tempo. Sai para cuidar do mundo dos outros, e não te atrevas a começar a construir o teu.
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"Quite often, people who mean well inquire whether I ever ask myself, in the face of my diseases, 'Why me?'
I never do. If I ask 'Why me?' as I am assaulted with heart disease and AIDS, I must also ask 'Why me?' about my blessings."
Arthur Ashe
Posted by at at 27.2.06 4 comments Links to this post
Ligo a televisão e está a dar o debate do estado da Nação (ainda se chama assim?).
Fico preso ao écran como só o Seinfeld me consegue prender. A receita televisiva é a mesma: aquela antecipação do embaraço provocado por uma mistura de maldade e mediocridade que nos envergonha por eles serem apenas 99% diferentes de nós.
O Marques Mendes faz um bom George, mas ao Sócrates falta capacidade de se rir de si próprio para fazer um Seinfeld credível.
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Há frases que ficaram comigo para o resto da vida. Uma delas foi ouvida no consultório do meu primeiro dentista. Lembro-me como se fosse hoje e foi há uns 15 anos. O chão inclinado do prédio velho. O banco desconfortável encostado à janela onde eu lia uma revista (provavelmente uma TV Guia ou uma Nova Gente). O banco, igual ao meu, por baixo da prateleira das revistas, onde duas senhoras, que se conheceram ali, conversavam. Uma explicava à outra a história da mulher que lhe roubara o marido e a quem tudo parecia correr bem na vida. "As Putas têm sempre sorte!", dizia ela no fim de cada explicação sobre as coisas boas que aconteciam na vida da outra. Da ladra. "As Putas têm sempre sorte!", alto, para que todos pudessem ouvir. Especialmente a palavra Putas.
Lembro-me da cena como se tivesse sido hoje. Provavelmente porque pensei muito nela. Que sentido tem isto tudo, se são as Putas que têm sempre sorte? O que é o mundo se são as Putas que triunfam? De cada vez que vejo uma a ter sorte, a frase da senhora exaltada no consultório volta à minha cabeça.
A resposta às minhas dúvidas só chegou muitos anos mais tarde. Quando a minha jornalista preferida, num dos seus primeiros textos, explicou a razão por que "A fila vizinha anda sempre mais que a minha". Tal como no trânsito, nas Putas nem tudo o que parece é. Só que quando uma puta tem sorte isso mexe connosco e marcamos o acontecimento no nosso cérebro. Quando ela tem azar nós achamos isso normal e justo e seguimos em frente.
Se pensarmos bem, qual é a probabilidade de as Putas virem a ser felizes no longo prazo? E melhor ainda, por que misérias passaram já para se estarem agora a comportar assim?
Mas acredito, e sei, que ver Putas a terem sorte custa imenso. E, felizmente, até agora nenhuma delas me roubou a mulher...
Posted by at at 23.2.06 2 comments Links to this post
A pergunta que tenho medo de fazer aos meus amigos católicos:
Vocês acreditam que Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos?
Posted by at at 21.2.06 3 comments Links to this post
Buscando sem saber bem o quê
Perdido como quem não vê
Calado como quem não tem resposta para quem o chama
Desesperado, como quem por ter medo da desilusão não ama
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama
Quebrando os seus ossos na rua
Fugindo da verdade nua
Como se abrir as portas ao Mundo fosse uma coisa obscena
Desencontrado como quem por ter medo da foz o rio condena
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama
E já que nós nunca estamos sós
Vamos lá desatar os nós
E vamos lá chegar inteiros, onde quer que a vida nos leve
E enquanto é tempo
Deixa ver esse sorriso, que isso torna a pena mais leve
Yogi Pijama
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre
Como uma vela sem mastro
Ou um barco sem leme
Condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá
Ao sabor da corrente
Yogi Pijama
Olha que andar ao deus dará nunca foi coisa boa
Yogi Pijama
Posted by at at 20.2.06 0 comments Links to this post
-Pois é...
-Pois é...
-Isto hoje ficou mais calor...
-É pá, está uma brasa...
-Pois é...
-Pois é...
Posted by at at 15.2.06 0 comments Links to this post
Há coisas que não se fazem. Há coisas que não se repetem. Há coisas que não se fazem. Quando a Sheryl Crow cantava "If it makes you happy it can't be that bad" não o dizia de forma absoluta. O que é bom para nós pode ser muito mau se for mau para os outros.
Neste tempo de blogs, caixas de comentários e sitemeters, ajudar e magoar é cada vez mais fácil, está cada vez mais à mão.
Há coisas que não se fazem. E não há nada pior que atirar a pedra e esconder a mão. A não ser, talvez, atirar a pedra, esconder a mão e deixar que nos vejam com um sorrizinho nos lábios.
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Ler os jornais, nacionais ou regionais, e os blogs dos politiqueiros de Coimbra provocam hoje sensações muito estranhas. É tanto o lixo que vai na política portuguesa e de Coimbra que a medida mais acertada talvez fosse meter os meninos e os mais crescinhos, vestidos com t-shirts com caricaturas de Maomé, num avião para o Irão.
Depois, como diz uma amiga minha, logo se via...
Posted by at at 13.2.06 1 comments Links to this post
-Hoje vou ver o Brokeback Mountain.
-Vais ver o quê?
-Aquele filme dos cowboys paneleiros.
-Ahhh!
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E se de repente descobrisses que perder o telemóvel é uma coisa boa?
Posted by at at 9.2.06 0 comments Links to this post
Mas sou eu o único a achar estranho que de repente, num país onde até as escutas telefónicas são públicas, a SONAE anuncie inesperadamente uma OPA sobre uma empresa quatro vezes maior que ela própria, sabendo-se que:
1. O Estado detem golden shares na PT que se tem recusado a eliminar apesar da forte pressão da Comissão Europeia para o fazer;
2. A operação desencadeará um processo complicadíssimo a nível da Autoridade da Concorrência, quer por causa das comunicações fixas (à quase-monopolista PT juntar-se-á a pequena Novis)quer por causa das móveis (desaparecia, finalmente, em Portugal, a única concorrência potencial a TMN e Vodafone, o que as duas companhias já tentaram, sem sucesso, há não muito tempo);
3. Nós conhecemos Portugal e sabemos que estas duas questõs levarão eternidades a ser resolvidas;
4. Belmiro de Azevedo reuniu com Sócrates antes de avançar.
A mim cheira-me a esturro. Ou melhor, cheira-me que perante a iminência de uma OPA vinda de além-fronteiras, os habituais defensores da pátria decidiram envolver o Grupo PT numa confusão tal que nos próximos anos ninguém se atreverá a tentar comprá-la...
Serve o velho argumento do "é fundamental manter os centros de decisão em Portugal" para esconder o nacionalismo foleiro...
Posted by at at 7.2.06 2 comments Links to this post
No fim de tarde do vinil faltou esta. Mas o dia foi tão bom que tudo se perdoa...
Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
sono un italiano
Buongiorno Italia gli spaghetti al dente
e un partigiano come Presidente
con l'autoradio sempre nella mano destra
e un canarino sopra la finestra
Buongiorno Italia con i tuoi artisti
con troppa America sui manifesti
con le canzoni con amore
con il cuore
con piu' donne sempre meno suore
Buongiorno Italia
buongiorno Maria
con gli occhi pieni di malinconia
buongiorno Dio
lo sai che ci sono anch'io
Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
una canzone piano piano
Lasciatemi cantare
perche' ne sono fiero
sono un italiano
un italiano vero
Buongiorno Italia che non si spaventa
e con la crema da barba alla menta
con un vestito gessato sul blu
e la moviola la domenica in TV
Buongiorno Italia col caffe' ristretto
le calze nuove nel primo cassetto
con la bandiera in tintoria
e una 600 giu' di carrozzeria
Buongiorno Italia
buongiorno Maria
con gli occhi pieni di malinconia
buongiorno Dio
lo sai che ci sono anch'io
Lasciatemi cantare
con la chitarra in mano
lasciatemi cantare
una canzone piano piano
Lasciatemi cantare
perche' ne sono fiero
sono un italiano
un italiano vero
Posted by at at 6.2.06 3 comments Links to this post
Há momentos assim, de profunda alegria, quando se vive num país como este.
Numa viagem Porto-Coimbra, sair na indicação para a A29 e fazer o mesmo caminho, numa estrada da mesma qualidade, poupando 2,25 euros.
Viva a SCUT paralela à A1!!!
Posted by at at 1.2.06 1 comments Links to this post
-Isto hoje neva!
-Tás doido! Em Lisboa não neva.
-Olha que isto hoje neva.
-Não neva, nada.
-Olha que sim.
-Olha que não.
-Isto neva, neva...
-Não...
-Ou há alguém com muita caspa sentado no teu tejadilho ou neva...
-É caspa...
-Olha que que está a nevar...
Posted by at at 29.1.06 2 comments Links to this post
Diálogo provocado por um discurso de Pinto da Costa:
- Não sei como é que alguém inteligente pode ser radical em relação a seja o que for... - diz ela, em tom provocatório.
- Não sei como é que alguém inteligente pode ser do FC do Porto... - responde ele, de forma radical.
Posted by at at 25.1.06 0 comments Links to this post
Autocarro de aeroporto em Roma-Fiumicino. Um homem está a abraçar uma mulher sardenta, que está de costas para ele. Roupas leves e sapatilhas. Ele tem uma mochila às costas. Têm os dois quarenta anos. O burburinho que os rodeia em nada interfere com a sua paz. São a imagem viva do amor e da felicidade.
Desde esse dia que não consigo ter sonhos só para um.
Posted by at at 23.1.06 3 comments Links to this post
O Marcel é o Marcel, o Serjão é o Serjão.
Serjão, novo reforço da Briosa, na sua apresentação em Coimbra
Posted by at at 23.1.06 0 comments Links to this post
O cadáver jazia ainda sobre a cama, já vestido, à espera do caixão.
A passos lentos aproximou-se e fitou durante alguns momentos a figura hirta e mirrada do defunto. De repente, num ímpeto, deitou-lhe as mãos às abas do casaco, ergueu-o e rouquejou, fora de si:
- Estás morto, é o que te vale. Mas mesmo assim não vais deste mundo sem duas bofetadas na cara, covarde!
E deu-lhas!
Posted by at at 20.1.06 0 comments Links to this post
A Sic Radical podia ficar semanas a passar em loop a entrevista que esta moça deu ontem ao Pedro Ribeiro. Os outros canais podiam fechar nesse período.
(Se uma pessoa que eu cá sei tivesse estado ao meu lado ontem não teria parado de dizer: "Tira esse sorriso estúpido da cara!")
Posted by at at 20.1.06 0 comments Links to this post
Há uns meses vi uma entrevista do Figo, em que lhe mostraram uma fotografia de quando tinha vinte anos e longos caracóis e perguntaram o que achava daquele penteado.
O Figo, nessa entrevista com um cabelo mais ridículo do que nunca, fez um ar meio envergonhado, meio divertido e disse "São coisas da idade".
Também a mim, quando "olho para o que fui" em determinados momentos, me apetece perguntar, meio envergonhado, meio divertido: "Espelho do que fui eu, havia alguém mais ridículo do que eu?"
Posted by at at 18.1.06 0 comments Links to this post
Mário Soares vai visitar uns estaleiros navais em Viana do Castelo e garante aos trabalhadores que o governo não está a pensar privitizá-los. Segundo Soares, foi o ministro da Defesa quem lhe telefonou da China e lhe disse que podia transmitir a boa nova.
Desde quando é que um candidato a Presidente da República faz anúncios em nome do governo?
Por que raio é que o ministro em visita à China telefonou a Mário Soares?
Quem é que pagou a chamada China-Portugal, para o Sr. ministro falar com Mário Soares?
Quem é que paga a viagem de Sócrates ao norte do país para jantar com Soares?
Posted by at at 17.1.06 0 comments Links to this post
O processo apito dourado não avança.
E, em resultado disso, a época futebolística voltou a ser estranha como as de antigamente.
Há duas jornadas o Porto jogou com o Penafiel. Na jornada anterior o melhor (quase único) jogador do Penafiel, N'Doye, foi expulso por uma falta que não cometeu e não pôde jogar contra o Porto.
Na jornada passada o Porto jogou contra o União de Leiria e o melhor jogador do Leiria, Maciel, emprestado pelo Porto, não jogou devido a um "acordo de cavalheiros" entre os dois clubes, o que é claramente contra os regulamentos.
Esta semana o Porto jogou contra o Estrela da Amadora. O guarda-redes do Estrela, Bruno Vale, emprestado pelo Porto, lesionou-se misteriosamente a meio da semana e não jogou (querem apostar que esta semana já joga?) e Paulo Machado, emprestado pelo Porto e uma das figuras da equipa, não saiu do banco, apesar de na segunda parte ser óbvio que o Estrela precisava de um jogador com as características dele em campo.
Parece que voltou a ser preciso mover montanhas para ganhar ao Porto.
Tudo, creio eu, porque o apito dourado não avança.
Posted by at at 16.1.06 1 comments Links to this post
O PS não descansará enquanto não convencer Jorge Sampaio a mandar embora Souto de Moura. O tempo escasseia para Sampaio enquanto Presidente e Cavaco não será propriamente influenciável pelo PS, pelo que a pressão tem aumentado de forma ridícula nos últimos dias. É tempo de vingança.
É triste que seja isto que aconteça a quem mexe com os poderes instalados...
Posted by at at 16.1.06 0 comments Links to this post
Vi ontem os 20 minutos finais da entrevista de Garcia Pereira no Canal 1. Mesmo considerando uma ou outra coisa dita em matéria do que deve ser o futuro da economia do país, que eu considero disparates, foi sem dúvida a melhor intervenção feita por um candidato à presidência.
Entre muitas muitas outras coisas certas e ditas sem medo, Gacia Pereira foi capaz de dizer a coisa óbvia e fundamental, que nenhum outro candidato diz: se um governo é eleito com base numa promessa de não aumentar impostos e os aumenta, é obrigação do Presidente da República chamar o primeiro-ministro e anunciar-lhe que ou ele volta atrás com a decisão ou o seu governo acabou.
É isto que eu espero de um Presidente da República, mesmo que tratando-se de Garcia Pereira eu fique um pouco assustado por o admitir...
Posted by at at 13.1.06 2 comments Links to this post
De há dois dias para cá tenho a tentação de ver o meu mail antes de sair de casa.
Qualquer desculpa é boa para ver a Scarlett Johansson, deitada num sofá posto no meio do desktop, a desejar-me um bom dia.
Posted by at at 10.1.06 0 comments Links to this post
Cosa sarà?, Lucio Dalla e Francesco de Gregori
Cosa sarà che fa crescere gli alberi, la felicità,
che fa morire a vent'anni anche se vivi fino a cento?
Cosa sarà a far muovere il vento,
a fermare un poeta ubriaco,
a dare la morte per un pezzo di pane o un bacio non dato?
oh... cosa sarà
che ti svegli al mattino e sei serio,
che ti fa morire ridendo di notte all'ombra di un desiderio?
oh... cosa sarà
che ti spinge ad amare una donna bassina e perduta,
la bottiglia che ti ubriaca, anche se non l'hai bevuta?
Cosa sarà che ti spinge a picchiare il tuo re,
che ti porta a cercare il giusto dove giustizia non c'è?
Cosa sarà che ti fa comprare di tutto anche se è di niente che hai bisogno?
Cosa sarà che ti strappa dal sogno?
oh... cosa sarà
che ti fa uscire di tasca dei "no, non ci sto",
che ti getta nel mare e ti viene a salvare?
oh... cosa sarà
che dobbiamo cercare... che dobbiamo cercare?
Cosa sarà che ci fa lasciare la bicicletta sul muro
e camminare a sera con un amico a parlare del futuro?
Cosa sarà questo strano coraggio o paura che ci prende
e ci porta ad ascoltare la notte che scende?
oh... cosa sarà
quell'uomo e il suo cuore benedetto,
che sceso dalle scarpe e dal letto, si è sentito solo
e come un uccello che in volo...
e come un uccello che in volo si ferma e guarda giù...
Posted by at at 9.1.06 0 comments Links to this post
Na sequência de muitas queixas, abrimos completamente as nossas caixas de comentários. É comentar, ó fregueses!
Posted by at at 6.1.06 1 comments Links to this post
Grande capa a do Independente de hoje. Ficamos a conhecer a Neidi. A Neidi é uma brasileira que trabalhava num restaurante e agora é coordenadora do gabinete de logística do Ministério da Justiça. Ganha 1700 euros dos nossos impostos por mês. Tem contrato por três anos.
Ficamos ainda a saber que o nosso amigo Constâncio (ainda ontem falei dele) tem investido na frota automóvel do Banco de Portugal. E que das contas do Exército estão desaparecidos 17 milhões de euros. Coisa pouca.
A questão pertinente é: quem é que andava a comer na Neidi?
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A gravata vermelha do Cavaco assusta-me tanto como a ida do Jerónimo ao Benfica. Se o falar arrastado de Soares me dá uma vontade sincera de comer um pratinho de chispe ensalsado, a lingua ponta e mola do Louça dá-me ainda mais. Fica o Pereira e os funerais à chuva. Embora esteticamente aprecie os dois, politicamente prefiro os segundos. De resto: queria voltar a ter net em casa.
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Há quantos anos é que Vítor Constâncio e o Banco de Portugal andam com a conversa de que "este ainda vai ser um ano mau, mas para o ano começa a retoma"?
Uma vez ainda pode ser entendido como uma tentativa de criar expectativas. Tantas vezes só pode ser incapacidade...
Posted by at at 5.1.06 0 comments Links to this post
Um computador por menos de 200 euros, com ligação à internet e todo o software "tipo office" disponível on line?
Correm rumores de que será o novo produto da Google.
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Muda de vida
Não deves vender contrafeito
Posted by at at 2.1.06 0 comments Links to this post
Neste início de ano a minha primeira palavra vai para o nosso primeiro-ministro José Sócrates. Esse bravo guerreiro que deixou os portugueses a esbanjar os seus fabulosos aumentos de 1,5% e foi enfrentar o rigoroso frio das neves suíças, tendo-se lesionado na sempre difícil luta por um melhor ski.
Rápidas melhoras, Eng.º Sócrates. V. Exa. transpira rigor, bom senso e sentido de Estado.
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O meu 2005 devia ter acabado hoje à noite, quando a voz perfeita cantou os versos que o resumem:
Eu fui contigo ao inferno
Fomos ao fundo do mar
Oh meu amor que eu mais amo
Deixa-me eu te embalar
Pedro Ayres de Magalhães, Canto de embalar
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Se estás a pensar votar Soares nestas presidenciais, não o faças sem antes ver este pequeno filme.
Link roubado ao Pulo do Lobo.
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As paredes da fotografia estão a ser construídas em Santo António dos Olivais, mesmo em frente à Junta de Freguesia. No centro de Coimbra.

Mas não se pense que a segurança de quem passa é descurada. Enquanto as pessoas passam por baixo dos tijolos periclitantes, fazendo SS para fugir aos grossos pingos de cimento que caiem para a rua, os trabalhadores, zelosos, repetem até à exaustão, ao mesmo tempo que trabalham: "Cuidado com a cabeça! Cuidado com a cabeça! Cuidado com a cabeça! Cuidado..."
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-Estás com uma cara
-Uma mosca...não dormi nada esta noite.
-Abriste a janela...
-A gaja não quer sair.
-Tens comida no quarto?
-Migalhas na lã de uns carapins velhos.
-Sujos?
-Aquilo não se suja, estão usados.
-Lava-os com Sofelã e seca-os na lareira. A mosca desaparece.
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-O Natal faz-me azia...
-Carregas nas velhoses?
-Agora, só vou às fillhoses...
-E a pastelaria fina, interessa-te?
-São caras...e detesto o princípio.
-Podes parar a minha casa é já aqui.
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Rodou o puxador metalizado da porta a 180 graus e fechou-a devagarinho atrás de si, invertendo o sentido do puxador e do futuro. Caminhou estrada fora durante uns minutos, sempre a olhar para A janela, mas quando chegou ao final da rua foi como se lhe tivessem partido um serviço de loiça na boca do estômago. Começou a correr e só parou quando já não conseguia aguentar a dor de burro. "Já está, consegui", disse o cérebro ao corpo, enquanto os olhos se fixavam na sua triste figura reflectida nos painéis publicitários das paragens de autocarro.
foto-esfera
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Podia ter acontecido ontem ou cinco anos atrás. Sentia agora que, se calhar, tinha sido preciso passar aquele tempo todo: exactamente seis anos, dois meses e catorze dias.
Enquanto recuperava o fôlego da corrida (afinal, porque lhe faltava o ar, logo a ele, que estava habituado a abusar do corpo, a levá-lo tantas vezes ao limite onde a taquicardia definitivamente acaba?), cruzou-se com a memória desse dia.
moulin-rose
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Trazias uma t-shirt branca não muito justa, o cabelo solto e um sorriso que me desarmou ao primeiro olhar. Pediste-me que tirasse a camisa e me deitasse num tom de voz tão baixo que me foi difícil perceber o que dizias. Obedeci-te prontamente, expectante. Observei todos os teus gestos: o acender do incenso, o correr da persiana, o gesto profissional com que aquecias sempre as mãos uma na outra.
mercuriocromo
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Esse fora, na verdade, o primeiro dia da memória. Recordava-o sempre com a mesma comovida estranheza, sempre a mesma sensação de ter assistido ao próprio parto.
Quando, recomposto do esforço, se viu de novo reflectido sobre um qualquer anúncio de comida para cão, achou que o corpo não lhe assentava bem. Sentiu-o demasiado velho e vários números acima da memória franzina que trazia consigo. E só então se deu conta das palavras que o acompanhavam desde o primeiro minuto. Eram a legenda do poster desbotado ao lado d'A janela. Lera-as apenas uma vez, naquele dia. Mas foi como se o seu cérebro as tivesse sugado para dentro de si devido a uma inexplicável ausência de pressão: "O ponto VG11 (Shendao) situa-se no dorso, entre os processos espinhosos da 5a e 6a vértebras torácicas. A agulha atravessa a pele, o tecido celular subcutâneo e os ligamentos supra-espinhal e interespinhal e atinge o ligamento amarelo; relaciona-se superficialmente com os ramos cutâneos do ramo dorsal do 5º nervo torácico e, profundamente, com o ramo dorsal do 5º nervo torácico. A estimulação deste ponto está indicada em situações de ansiedade, tristeza, perturbação mental, amnésia..."
outras tantas madrugadas
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Chegou novamente com a respiração ofegante e abriu outra vez o puxador metalizado, agora já com medo de ser repreendido. Tinha saltado sem parar só para chegar aquela sala às oito horas em ponto. Tinha que ser às oito horas. Fez o que devia ser feito. Deitou no lixo os pedaços de papel que trazia nos bolsos, atirou as sapatilhas para o canto da sala, tirou os restos de baton da cara e deitou fora a tela, com aquela mulher estampada, que estava pendurada à direita da sua cama. E o corpo foi atrás do sofá azul marinho. Naquele dia conseguia prometer à senhora da sala n.º22 que no dia seguinte não acordaria às 5 da manhã a declamar poesia aos berros e nem ouviria Rachmaninov ao pequeno-almoço. No dia seguinte também tinha marcado na sua agenda um único encontro. Talvez o terceiro da sua vida. Desta vez era necessário calçar os sapatos pretos e a gravata escura. o fato ainda tinha que o ir comprar.
quero-te bem
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Parecer louco sem o ser é bem mais difícil que ser louco sem o parecer. As mãos não tremem com facilidade e nunca é certo que os olhos de loucura sejam convincentes. Nos primeiros meses foi preciso representar muito, mas aos poucos a personagem entrou-lhe no corpo. Afinal, ao fim de seis anos o que parece dificilmente não é.
São oito e dez e os medicamentos do almoço já lá vão. (Talvez a enfermeira não fique à espera de o ver tomar os do jantar...) O cérebro está desperto e consciente de que o fim está próximo. Não será aquele cartaz a impedir uma vingança a que seis anos foram dedicados. As palavras no cartaz enchem-lhe a cabeça. Todos os dias precisa de ver A janela. Todos os dias precisa de fugir do cartaz. Correr o mais que pode até ao virar da esquina. Desde ontem que não há nada por trás da janela, mas o plano continua.
Amanhã, na tua campa, jurarei, com mais força que nunca, o que jurei cada dia, nos últimos seis anos, dois meses e catorze dias, à tua janela.
Batem à porta:
- Joaquim, são oito e vinte. Estão todos à mesa menos tu!
- Estou a ir, Paula, desculpe.
Limpou o baton da cara e saiu para o corredor.
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Haverá por aí um acaso que queira falar?
Posted by at at 19.12.05 0 comments Links to this post
Fui ao Porto e perguntei onde ficava a estação de metro mais próxima. Não me insultaram.
Posted by at at 16.12.05 0 comments Links to this post
"Aquilo não tinha pés nem cabeça"
Paulo Pedroso, hoje em entrevista à SIC
Posted by at at 15.12.05 0 comments Links to this post
O espírito de Natal anda muito atrasado este ano. A duas semanas do grande dia a Gabardina contribui com música. Começamos com o sempre natalício Frank Sinatra.
Posted by at at 12.12.05 0 comments Links to this post
Em Itália, em 2005, há um jogador que sai assim de campo, enquanto nas bancadas os adeptos da Lazio exibem cruzes celtas e cantam hinos a Mussolini. Às vezes é difícil perceber que mundo é este.
Posted by at at 12.12.05 1 comments Links to this post
Mulher:
-vais perder o curso.
Rapaz:
-Para o ano...
Homem:
-Segura aqui. Acho ela queria que ficasses com isto.
O rapaz segura o capacete e olha-o.
O homem tira do bolso do uma caixa pequena e entrega-a a João Deão.
Posted by at at 9.12.05 0 comments Links to this post
Como eu gosto de grandes noites europeias!!!
Posted by at at 7.12.05 0 comments Links to this post
Silêncio. O reflexo da cruz vermelha numa poça de água agita-se quando João a pisa. Ao fundo a porta das urgências. A luz florescente do interior passa pelas quadriculas de arame do vidro. A porta abre. Um casal de meia-idade sai. A mulher cabisbaixa tem os braços à volta do corpo e um capacete preso ao cotovelo. O homem com o braço por cima da mulher vê ao longe o rapaz.
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Rapariga:
-Amor, estás em casa? tenho que ir ter contigo, agora.
Rapaz:
-Estou, mas o avião é ás 8. Tens de ser rápida. Até já. Cuidado... com esta chuva, a estrada está perigosa.
Posted by at at 5.12.05 0 comments Links to this post
Depois de muitos falsos alarmes, a Gabardina está em condições de anunciar que será ele o novo treinador do Real Madrid:
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Basta estar acordado um segundo para para ter vários dias de alegria. É muito fácil.
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Começa a chover. De cima, -pop- os guarda-chuvas: pop, pop, pop - como os cogumelos eclodem depois chuva tapando a calçada portuguesa. O toldo da Nacional. Com o capacete preso no braço, a rapariga procura o telefone no bolso lateral das calças. Liga. O rapaz está em casa a arrumar a mochila. Pára para pensar do que precisa. E quando mais pensa, mais percebe que não precisa de nada. Podia ir com a roupa que tem vestida. Um ano no Japão a fazer um curso sobre o neo-realismo nipónico reduzem-lhe as necessidades a nada. Uns sapatos, alguma roupa servem para cumprir a formalidade da bagagem. Apenas um casaco: o casaco. Desse nunca se esqueceria. Toca o telefone.
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