terça-feira, janeiro 10, 2006
Bom dia
De há dois dias para cá tenho a tentação de ver o meu mail antes de sair de casa.
Qualquer desculpa é boa para ver a Scarlett Johansson, deitada num sofá posto no meio do desktop, a desejar-me um bom dia.
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segunda-feira, janeiro 09, 2006
Lasciare la bicicletta sul muro
Cosa sarà?, Lucio Dalla e Francesco de Gregori
Cosa sarà che fa crescere gli alberi, la felicità,
che fa morire a vent'anni anche se vivi fino a cento?
Cosa sarà a far muovere il vento,
a fermare un poeta ubriaco,
a dare la morte per un pezzo di pane o un bacio non dato?
oh... cosa sarà
che ti svegli al mattino e sei serio,
che ti fa morire ridendo di notte all'ombra di un desiderio?
oh... cosa sarà
che ti spinge ad amare una donna bassina e perduta,
la bottiglia che ti ubriaca, anche se non l'hai bevuta?
Cosa sarà che ti spinge a picchiare il tuo re,
che ti porta a cercare il giusto dove giustizia non c'è?
Cosa sarà che ti fa comprare di tutto anche se è di niente che hai bisogno?
Cosa sarà che ti strappa dal sogno?
oh... cosa sarà
che ti fa uscire di tasca dei "no, non ci sto",
che ti getta nel mare e ti viene a salvare?
oh... cosa sarà
che dobbiamo cercare... che dobbiamo cercare?
Cosa sarà che ci fa lasciare la bicicletta sul muro
e camminare a sera con un amico a parlare del futuro?
Cosa sarà questo strano coraggio o paura che ci prende
e ci porta ad ascoltare la notte che scende?
oh... cosa sarà
quell'uomo e il suo cuore benedetto,
che sceso dalle scarpe e dal letto, si è sentito solo
e come un uccello che in volo...
e come un uccello che in volo si ferma e guarda giù...
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sexta-feira, janeiro 06, 2006
Comentários
Na sequência de muitas queixas, abrimos completamente as nossas caixas de comentários. É comentar, ó fregueses!
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Uma questão de n (n de Neidi)
Grande capa a do Independente de hoje. Ficamos a conhecer a Neidi. A Neidi é uma brasileira que trabalhava num restaurante e agora é coordenadora do gabinete de logística do Ministério da Justiça. Ganha 1700 euros dos nossos impostos por mês. Tem contrato por três anos.
Ficamos ainda a saber que o nosso amigo Constâncio (ainda ontem falei dele) tem investido na frota automóvel do Banco de Portugal. E que das contas do Exército estão desaparecidos 17 milhões de euros. Coisa pouca.
A questão pertinente é: quem é que andava a comer na Neidi?
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Janeiro de 2006
A gravata vermelha do Cavaco assusta-me tanto como a ida do Jerónimo ao Benfica. Se o falar arrastado de Soares me dá uma vontade sincera de comer um pratinho de chispe ensalsado, a lingua ponta e mola do Louça dá-me ainda mais. Fica o Pereira e os funerais à chuva. Embora esteticamente aprecie os dois, politicamente prefiro os segundos. De resto: queria voltar a ter net em casa.
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quinta-feira, janeiro 05, 2006
Wishful thinking
Há quantos anos é que Vítor Constâncio e o Banco de Portugal andam com a conversa de que "este ainda vai ser um ano mau, mas para o ano começa a retoma"?
Uma vez ainda pode ser entendido como uma tentativa de criar expectativas. Tantas vezes só pode ser incapacidade...
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quarta-feira, janeiro 04, 2006
GooglePC
Um computador por menos de 200 euros, com ligação à internet e todo o software "tipo office" disponível on line?
Correm rumores de que será o novo produto da Google.
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terça-feira, janeiro 03, 2006
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Humanos, em versão para chinês
Muda de vida
Não deves vender contrafeito
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Abraço solidário
Neste início de ano a minha primeira palavra vai para o nosso primeiro-ministro José Sócrates. Esse bravo guerreiro que deixou os portugueses a esbanjar os seus fabulosos aumentos de 1,5% e foi enfrentar o rigoroso frio das neves suíças, tendo-se lesionado na sempre difícil luta por um melhor ski.
Rápidas melhoras, Eng.º Sócrates. V. Exa. transpira rigor, bom senso e sentido de Estado.
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quinta-feira, dezembro 29, 2005
Fim de 2005
O meu 2005 devia ter acabado hoje à noite, quando a voz perfeita cantou os versos que o resumem:
Eu fui contigo ao inferno
Fomos ao fundo do mar
Oh meu amor que eu mais amo
Deixa-me eu te embalar
Pedro Ayres de Magalhães, Canto de embalar
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
Genial
Se estás a pensar votar Soares nestas presidenciais, não o faças sem antes ver este pequeno filme.
Link roubado ao Pulo do Lobo.
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quinta-feira, dezembro 22, 2005
Segurança no trabalho e licenciamento de obras
As paredes da fotografia estão a ser construídas em Santo António dos Olivais, mesmo em frente à Junta de Freguesia. No centro de Coimbra.

Mas não se pense que a segurança de quem passa é descurada. Enquanto as pessoas passam por baixo dos tijolos periclitantes, fazendo SS para fugir aos grossos pingos de cimento que caiem para a rua, os trabalhadores, zelosos, repetem até à exaustão, ao mesmo tempo que trabalham: "Cuidado com a cabeça! Cuidado com a cabeça! Cuidado com a cabeça! Cuidado..."
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Conto de Natal 2
-Estás com uma cara
-Uma mosca...não dormi nada esta noite.
-Abriste a janela...
-A gaja não quer sair.
-Tens comida no quarto?
-Migalhas na lã de uns carapins velhos.
-Sujos?
-Aquilo não se suja, estão usados.
-Lava-os com Sofelã e seca-os na lareira. A mosca desaparece.
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quarta-feira, dezembro 21, 2005
Conto de Natal 1
-O Natal faz-me azia...
-Carregas nas velhoses?
-Agora, só vou às fillhoses...
-E a pastelaria fina, interessa-te?
-São caras...e detesto o princípio.
-Podes parar a minha casa é já aqui.
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terça-feira, dezembro 20, 2005
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Quem conta um conto...
Rodou o puxador metalizado da porta a 180 graus e fechou-a devagarinho atrás de si, invertendo o sentido do puxador e do futuro. Caminhou estrada fora durante uns minutos, sempre a olhar para A janela, mas quando chegou ao final da rua foi como se lhe tivessem partido um serviço de loiça na boca do estômago. Começou a correr e só parou quando já não conseguia aguentar a dor de burro. "Já está, consegui", disse o cérebro ao corpo, enquanto os olhos se fixavam na sua triste figura reflectida nos painéis publicitários das paragens de autocarro.
foto-esfera
.
Podia ter acontecido ontem ou cinco anos atrás. Sentia agora que, se calhar, tinha sido preciso passar aquele tempo todo: exactamente seis anos, dois meses e catorze dias.
Enquanto recuperava o fôlego da corrida (afinal, porque lhe faltava o ar, logo a ele, que estava habituado a abusar do corpo, a levá-lo tantas vezes ao limite onde a taquicardia definitivamente acaba?), cruzou-se com a memória desse dia.
moulin-rose
.
Trazias uma t-shirt branca não muito justa, o cabelo solto e um sorriso que me desarmou ao primeiro olhar. Pediste-me que tirasse a camisa e me deitasse num tom de voz tão baixo que me foi difícil perceber o que dizias. Obedeci-te prontamente, expectante. Observei todos os teus gestos: o acender do incenso, o correr da persiana, o gesto profissional com que aquecias sempre as mãos uma na outra.
mercuriocromo
.
Esse fora, na verdade, o primeiro dia da memória. Recordava-o sempre com a mesma comovida estranheza, sempre a mesma sensação de ter assistido ao próprio parto.
Quando, recomposto do esforço, se viu de novo reflectido sobre um qualquer anúncio de comida para cão, achou que o corpo não lhe assentava bem. Sentiu-o demasiado velho e vários números acima da memória franzina que trazia consigo. E só então se deu conta das palavras que o acompanhavam desde o primeiro minuto. Eram a legenda do poster desbotado ao lado d'A janela. Lera-as apenas uma vez, naquele dia. Mas foi como se o seu cérebro as tivesse sugado para dentro de si devido a uma inexplicável ausência de pressão: "O ponto VG11 (Shendao) situa-se no dorso, entre os processos espinhosos da 5a e 6a vértebras torácicas. A agulha atravessa a pele, o tecido celular subcutâneo e os ligamentos supra-espinhal e interespinhal e atinge o ligamento amarelo; relaciona-se superficialmente com os ramos cutâneos do ramo dorsal do 5º nervo torácico e, profundamente, com o ramo dorsal do 5º nervo torácico. A estimulação deste ponto está indicada em situações de ansiedade, tristeza, perturbação mental, amnésia..."
outras tantas madrugadas
.
Chegou novamente com a respiração ofegante e abriu outra vez o puxador metalizado, agora já com medo de ser repreendido. Tinha saltado sem parar só para chegar aquela sala às oito horas em ponto. Tinha que ser às oito horas. Fez o que devia ser feito. Deitou no lixo os pedaços de papel que trazia nos bolsos, atirou as sapatilhas para o canto da sala, tirou os restos de baton da cara e deitou fora a tela, com aquela mulher estampada, que estava pendurada à direita da sua cama. E o corpo foi atrás do sofá azul marinho. Naquele dia conseguia prometer à senhora da sala n.º22 que no dia seguinte não acordaria às 5 da manhã a declamar poesia aos berros e nem ouviria Rachmaninov ao pequeno-almoço. No dia seguinte também tinha marcado na sua agenda um único encontro. Talvez o terceiro da sua vida. Desta vez era necessário calçar os sapatos pretos e a gravata escura. o fato ainda tinha que o ir comprar.
quero-te bem
.
Parecer louco sem o ser é bem mais difícil que ser louco sem o parecer. As mãos não tremem com facilidade e nunca é certo que os olhos de loucura sejam convincentes. Nos primeiros meses foi preciso representar muito, mas aos poucos a personagem entrou-lhe no corpo. Afinal, ao fim de seis anos o que parece dificilmente não é.
São oito e dez e os medicamentos do almoço já lá vão. (Talvez a enfermeira não fique à espera de o ver tomar os do jantar...) O cérebro está desperto e consciente de que o fim está próximo. Não será aquele cartaz a impedir uma vingança a que seis anos foram dedicados. As palavras no cartaz enchem-lhe a cabeça. Todos os dias precisa de ver A janela. Todos os dias precisa de fugir do cartaz. Correr o mais que pode até ao virar da esquina. Desde ontem que não há nada por trás da janela, mas o plano continua.
Amanhã, na tua campa, jurarei, com mais força que nunca, o que jurei cada dia, nos últimos seis anos, dois meses e catorze dias, à tua janela.
Batem à porta:
- Joaquim, são oito e vinte. Estão todos à mesa menos tu!
- Estou a ir, Paula, desculpe.
Limpou o baton da cara e saiu para o corredor.
.
Haverá por aí um acaso que queira falar?
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sexta-feira, dezembro 16, 2005
Tudo muda
Fui ao Porto e perguntei onde ficava a estação de metro mais próxima. Não me insultaram.
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quinta-feira, dezembro 15, 2005
Tecnicamente, não poderia ser uma criança
"Aquilo não tinha pés nem cabeça"
Paulo Pedroso, hoje em entrevista à SIC
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segunda-feira, dezembro 12, 2005
Natal
O espírito de Natal anda muito atrasado este ano. A duas semanas do grande dia a Gabardina contribui com música. Começamos com o sempre natalício Frank Sinatra.
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Antes o pirete do Cristiano Ronaldo
Em Itália, em 2005, há um jogador que sai assim de campo, enquanto nas bancadas os adeptos da Lazio exibem cruzes celtas e cantam hinos a Mussolini. Às vezes é difícil perceber que mundo é este.
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sexta-feira, dezembro 09, 2005
João Deão 45
Mulher:
-vais perder o curso.
Rapaz:
-Para o ano...
Homem:
-Segura aqui. Acho ela queria que ficasses com isto.
O rapaz segura o capacete e olha-o.
O homem tira do bolso do uma caixa pequena e entrega-a a João Deão.
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quarta-feira, dezembro 07, 2005
Fazem parte da minha vida
Como eu gosto de grandes noites europeias!!!
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João Deão 44
Silêncio. O reflexo da cruz vermelha numa poça de água agita-se quando João a pisa. Ao fundo a porta das urgências. A luz florescente do interior passa pelas quadriculas de arame do vidro. A porta abre. Um casal de meia-idade sai. A mulher cabisbaixa tem os braços à volta do corpo e um capacete preso ao cotovelo. O homem com o braço por cima da mulher vê ao longe o rapaz.
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segunda-feira, dezembro 05, 2005
João Deão 43
Rapariga:
-Amor, estás em casa? tenho que ir ter contigo, agora.
Rapaz:
-Estou, mas o avião é ás 8. Tens de ser rápida. Até já. Cuidado... com esta chuva, a estrada está perigosa.
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É desta!
Depois de muitos falsos alarmes, a Gabardina está em condições de anunciar que será ele o novo treinador do Real Madrid:
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Um só
Basta estar acordado um segundo para para ter vários dias de alegria. É muito fácil.
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domingo, dezembro 04, 2005
João Deão 42
Começa a chover. De cima, -pop- os guarda-chuvas: pop, pop, pop - como os cogumelos eclodem depois chuva tapando a calçada portuguesa. O toldo da Nacional. Com o capacete preso no braço, a rapariga procura o telefone no bolso lateral das calças. Liga. O rapaz está em casa a arrumar a mochila. Pára para pensar do que precisa. E quando mais pensa, mais percebe que não precisa de nada. Podia ir com a roupa que tem vestida. Um ano no Japão a fazer um curso sobre o neo-realismo nipónico reduzem-lhe as necessidades a nada. Uns sapatos, alguma roupa servem para cumprir a formalidade da bagagem. Apenas um casaco: o casaco. Desse nunca se esqueceria. Toca o telefone.
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quarta-feira, novembro 30, 2005
Função pública em Portugal
Na Inspecção Geral do Trabalho de Coimbra o atendimento ao público é feito por uns rapazes com fardas da Prosegur.
Hoje um dos ditos moços queria recusar-me um quadro de pessoal, alegando que o raio do papel estava mal preenchido...
QUERO FUGIR!!!!!!!!!!!!!!!!
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João Deão 41
Mota estacionada, cadeado colocado na roda de trás, capacete na mão. A rapariga em passo rápido avança pela rua do Ouro. Fumo dos vendedores de castanhas, "trabalha em Lisboa?", nórdicos sentados frente a cerveja morta e japoneses com sacos V.L. A rapariga entra numa ourivesaria. "E deste gosta?, temos este... e este..." "Não, não e não" "quero aquele". A rapariga de capacete debaixo do braço, sai da loja.
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terça-feira, novembro 29, 2005
Mais Ota
Já sabemos que quem mais vai ganhar com os terrenos da Ota será aquele senhor cujo avião de luxo está retido na Venezuela (apanhado, ao serviço da Air Luxor, com uma carga de droga no bucho).
O que falta saber é quem serão os privados que vão investir na Ota, quem são os boys que têm grandes tachos garantidos, quem será autorizado a construir nos actuais terrenos da Portela...
Enfim, de que me queixo eu, que vivo numa cidade (Coimbra) que terá um aeroporto internacional a uma hora de distância, um TGV com paragem cá na terra, tem um estádio para 30.000 espectadores no centro da cidade que nunca encheu e anda há mais de dez anos a fingir que quer ter um metropolitano de superfície, tudo à custa dos vossos impostos?
Montem aqui uma Disneylândia, um pavilhão de hóquei no gelo, organizem uns Jogos Olímpicos, tragam para cá a sede das Nações Unidas, caraças!
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segunda-feira, novembro 28, 2005
João Deão 40
Exterior, noite, Avenida da Liberdade. O trânsito, cobrão vermelho para quem vai, e branco para quem vem, está parado. Os reflexos das luzes dos carros duplicam-se no chão molhado, triplicam-se nos vidros das montras e fazem caleidoscópios nos pára-brisas, nos retrovisores e nas chapas dos carros. Os semáforos passam de vermelho a verde.Ironicamente. Os escapes fumam. Pacientemente. No eixo geométrico, entre o vermelho e o branco, a rapariga vai passando pelo meio desta massa orgânica a latejar. Desvio de um espelho aqui, equilíbrio ali. Numa gincana infantil chega aos restauradores. Até ao Rossio, serão mais dois minutos.
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Quem é quem?
Ser preconceituoso não está fácil.
É cada vez mais difícil distinguir um gay de um "tuning de subúrbio".
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Closer
Para todos que não se conseguem libertar do filme nem da banda sonora. Especialmente para o quilas e para a redbackspider.
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domingo, novembro 27, 2005
João Deão 39
A rapariga, abrupta, pega no capacete, fecha a porta de casa com estrondo e hesita quando vê que chove. "Que se lixe"-. Tira a mota da garagem, liga-a e, religiosamente, aguarda que a 916 vermelha aqueça. Quando o motor deixa de fazer o barulho de metal a tilintar, baixa o pé esquerdo, dá uma pancada nas mudanças e larga a embraiagem. Suavemente.
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sexta-feira, novembro 25, 2005
Correcção
Os insultos são permitidos nas caixas de comentários deste blog, mas apenas quando dirigidos aos autores dos textos e nunca a outras pessoas mencionadas nos mesmos.
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quinta-feira, novembro 24, 2005
io, sinceramente, seguo la poesia
Generale, dietro la collina
ci sta la notte buia e assassina,
e in mezzo al prato c'è una contadina,
curva sul tramonto sembra una bambina,
di cinquant'anni e di cinque figli,
venuti al mondo come conigli,
partiti al mondo come soldati
e non ancora tornati.
Generale, dietro la stazione
lo vedi il treno che portava al sole,
non fa più fermate neanche per pisciare,
si va dritti a casa senza più pensare,
che la guerra è bella anche se fa male,
che torneremo ancora a cantare
e a farci fare l'amore, l'amore dalle infermiere.
Generale, la guerra è finita,
il nemico è scappato, è vinto, è battuto,
dietro la collina non c'è più nessuno,
solo aghi di pino e silenzio e funghi
buoni da mangiare, buoni da seccare,
da farci il sugo quando viene Natale,
quando i bambini piangono
e a dormire non ci vogliono andare.
Generale, queste cinque stelle,
queste cinque lacrime sulla mia pelle
che senso hanno dentro al rumore di questo treno,
che è mezzo vuoto e mezzo pieno
e va veloce verso il ritorno,
tra due minuti è quasi giorno,
è quasi casa, è quasi amore.
Generale, Francesco de Gregori, cantada ao vivo por Vasco Rossi
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Fado, futebol e Fátima ou Calcio, Italiano e Vaticano
Os ódios e as perturbações mentais da extrema-direita fascista italiana saíram à rua esta semana. O "La Padania", jornal da Liga Norte, insurge-se hoje contra o facto de o Inter de Milão ter jogado com 11 jogadores estrangeiros no seu jogo de ontem da Champions League (que, por acaso, ganhou 4-0). O fim do futebol, porque em campo entra uma Babel de línguas, raças, tradições e escolas de futebol, escreve o Padania, para logo a seguir passar a outro dos argumentos sempre queridos aos fascistas: o amor à língua. Imagine-se que há um treinador de uma equipa de basket em Itália que, nos descontos de tempo, fala em inglês. Uma vergonha!
Para que a semana fosse perfeita, faltava que o Papa viesse dizer um qualquer disparate fascista contra os homossexuais. Mas isso é muito improvável...
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quarta-feira, novembro 23, 2005
Amigo
Nas primeiras vezes em que um de nós disse ao outro (ou deu a entender) "Não te metas nisso. É um erro! Ela vai dar-te cabo da vida!", foi só problemas. Andávamos meses sem grande vontade de cafés ou conversas.
Agora já sei - acho que tu também - que temos sempre razão. Não nos chateamos. Também não damos razão ao outro (a cegueira é mesmo assim).
De qualquer maneira, venha de lá essa garrafa de Grant's! Tenho mais um "Tinhas toda a razão! Teria sido um erro!" para te dizer.
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Primeira vez
Pela primeira vez censurei um comentário na Gabardina. Insultos não são permitidos.
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terça-feira, novembro 22, 2005
Larápios a bordo?
O Porta-aviões não só lê a Gabardina como faz bons resumos dos nossos textos. Chegam a substituir expressões por outras de significado semelhante! É bom saber que há gente com esta qualidade de síntese no PSD de Coimbra!
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segunda-feira, novembro 21, 2005
On prend photos des mourants au lieu de leur donner de l'eau
Especialmente para ti.
Madame X et ses enfants
Tout l'hiver sans chauffage
Caravane pour des gens
Même pas du voyage
Et pourtant comme elle dit
C'est pas elle la plus mal lotie
Elle en connaît qui couche dehors
Dans les parages
Quand y a toutes ces voitures de sport
Dans les garages
Madame à savoir comment
Fait deux fois plus que son âge
Elle s'endort avec des gants
Au fond d'un sac de couchage
Et pourtant comme elle dit
C'est pas elle la plus mal lotie
Elle en connaît qui restent
Accrochés aux grillages
En espérant qu'un camion
Manque le virage
C'était un pays charmant
C'était un pays comme il faut
Elle dit, elle dit maintenant
Maintenant on prend
Quelques photos des mourants
Au lieu de leur donner de l'eau
Elle dit pas ça méchamment
Pour l'instant...
Madame X et ses enfants
Toujours pas de chauffage
Madame X, Francis Cabrel
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Tomar
Que bom deve ser ter um estabelecimento comercial numa cidade em que tem piada que um café se chame "Tomar café" e uma casa de chá "Tomar chá".
Para quando uma sauna/quarto-escuro chamada "Tomar por culo"?
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sexta-feira, novembro 18, 2005
quinta-feira, novembro 17, 2005
Otários
Escreve o Prof. Vital Moreira que
A Gabardina, que nunca pediu os estudos, decidiu ir ler os que o Prof. Vital linkou. Ora o link levou-me a uma empresa, que promoveu os referidos estudos. A NAER - Novo Aeroporto, SA (levará o nome da empresa a algum pré-conceito nos estudos realizados?), tem por objecto "Proceder ao Desenvolvimento dos trabalhos necessários à preparação e execução das decisões referentes aos processos de planeamento e lançamento da construção de um novo aeroporto no território de Portugal Continental".
Começo a consultar os estudos e percebo que o único que equaciona o aumento de capacidade da Portela (e apenas para adiar a construção de um novo aeroporto) data de 1999. É, portanto, anterior ao 11 de Setembro de 2001 e à explosão das companhias low cost em Portugal, só para citar dois fenómenos relevantes. O documento, numa versão "scannada" ainda com algumas anotações à mão (já não existe o texto original no computador nem uma versão limpa em papel?), está escrito num português de fraca qualidade.
Todos os restantes relatórios, anteriores e posteriores a este, são sobre o novo aeroporto (SA?). O primeiro deles (ainda não da responsabilidade da Novo Aeroporto, que iniciou actividade em 1998), tem como capa a seguinte pérola:
Para realizar estas nobres tarefas a Novo Aeroporto, SA tem ao seu serviço sete funcionários e teve em 2004 custos com o pessoal que ultrapassaram os 369 mil euros (como pode ser comprovado no Relatório e Contas de 2004, disponibilizado no site).
Não são estes os estudos que temos que discutir. Não é esta a discussão. Queremos discutir se é preciso ou não um novo aeroporto. Em 2005, com o tráfego de hoje, depois do 11 de Setembro, com companhias low cost e de custos "normais". E talvez valha a pena discutir também quem é responsável pelas muitas centenas de milhares de contos que a Novo Aeroporto, SA gastou nos últimos sete anos.
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terça-feira, novembro 15, 2005
Falam, falam, falam, falam (o original)
Marco, do Big Brother 1, a fazer magia com as palavras.
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segunda-feira, novembro 14, 2005
nun nce scassate 'o cazzo!
(se a música tiver cortes, é fazer stop, deixar a linha branca percorrer mais de metade do seu caminho e fazer play. Obrigados.)
Je so' pazzo je so' pazzo
e vogl'essere chi vogl'io
ascite fora d'a casa mia
je so' pazzo je so' pazzo
ci ho il popolo che mi aspetta
e scusate vado di fretta
non mi date sempre ragione
io lo so che sono un errore
nella vita voglio vivere
almeno un giorno da leone
e lo Stato questa volta
non mi deve condannare
pecche` so' pazzo je so' pazzo
ed oggi voglio parlare.
Je so' pazzo je so' pazzo
si se 'ntosta 'a nervatura
metto a tutti 'nfaccia o muro
je so' pazzo je so' pazzo
e chi dice che Masaniello
poi negro non sia piu` bello?
e non sono menomato
sono pure diplomato
e la faccia nera l'ho dipinta
per essere notato
Masaniello e` crisiuto
Masaniello e` turnato
je so' pazzo je so' pazzo
nun nce scassate 'o cazzo!
Pino Daniele
(cantada ao vivo por Pino Daniele, Fiorella Mannoia, Francesco de Gregori e Ron)
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Insónias
Entro num sítio chamado "Insónias bar" e logo a piadita fácil: onde está a Sónia? Mais apóstrofe menos apóstrofe e o bar chamar-se-ia "In Sónia's bar". Ou, passando a uma versão porno, não estranha a este blog, "In Sónia's pussy". E, de repente, o conceito faz todo o sentido: o bar em forma de vagina! É fácil imaginar a porta, a entrada, as paredes, as cores... Bebida oficial e única: orgasmo. Com excepção de cinco dias por mês, em que só se beberia sangria. Sempre a começar a "vintóito".
Por cima do bar principal o toque de classe: uma tarja com as palavras "It's Sónia's pussy: lamb it or leave it!"
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sexta-feira, novembro 11, 2005
quinta-feira, novembro 10, 2005
Sem comentários
A MULHER DO PRÓXIMO*
a mulher de marques mendes era adjunta do secretário a. amaro... a mulher do ministro da agricultura a. de carvalho era secretária de couto dos santos... a mulher de álvaro era empregada do conselho de ministros... a mulher de dias loureiro colaborava com a secretária da cultura... paula t. da cruz, mulher do subsecretário estado da presidência com o mesmo apelido era assessora de m. mendes... a mulher de nogueira era adjunta do secretário da saúde... recorda-se? foi em 92, em pleno cavaquistão, era marques mendes secretário de estado da p.c.m. e deu uma novela no mexicana no independente. os ministros e secretários de estado(nessa altura ainda existiam governantes naturais... ou com ligações a coimbra) empregavam as suas mulheres no governo...
por cá, o caro e-leitor, guardando as devidas distâncias, sabe se as/os familiares mais próximos dos nossos politicos fazem destas cenas?
(*manchete do independente de 9-2-92)
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In her shoes
i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you do, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear no fate ( for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart (i carry it in my heart)
e.e. cummings
Se for dito pela Cameron Diaz... melhor.
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terça-feira, novembro 08, 2005
Há muitos hinos
Não era a melhor escola do mundo, mas tinha um hino engraçado.
Tem
Um portão
E um lago ao fundo
Uma ilha e um bosque p'ra sonhar
Tem
Mil histórias
De uma vida inteira
Um futuro que vais poder conquistar
Vem
Vem connosco
Construir, inventar, dar de ti
Vem
Vem connosco
A sorrir, a brincar
É bom estar aqui
Pequeno Mundo p'ra nós
Canção, mistério que vais desvendar
Poema escrito p'ra ti
Sorriso aberto em cada manhã
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segunda-feira, novembro 07, 2005
Paris, Texas... Lis boa... merda?
O grande erro francês foi ter dado educação aos jovens dos subúrbios. Os meninos cresceram sabendo ler e escrever, e viram como vivem os "outros". E perceberam que para que os "outros" tenham grandes casas, grandes carros, grandes festas e grandes férias, alguém tem que viver nos bairros pobres e passar dificuldades. E revoltaram-se.
O grande erro francês foi não ter seguido o exemplo brasileiro. No Brasil os jovens miseráveis não sabem ler nem escrever e acreditam que o mundo acaba no fim da sua favela. Vivem a 500 metros da mais obscena riqueza mas não se revoltam. Não sabem como vivem os "outros". E os "outros" vivem em paz, nos seus condomínios fechados. E os turistas estão felizes, nos seus resorts de luxo e voltam a cantar maravilhas das suas férias.
Os portugueses nada têm com que se preocupar. Os jovens nos nossos subúrbios sabem ler e escrever. Sabem ver a diferença entre a Amadora e os condomínios fechados da linha (ao estilo brasileiro). Mas as revoltas e as revoluções não estão no sangue lusitano. Se dependesse dos portugueses nunca teria havido um 25 de Abril. Viveríamos em paz, a dizer mal de uns vermelhos que por aí andavam, a escrever na net. Íamos à missa ao domingo pedir perdão dos pecados e saúdinha. Uns viviam na opulência e os outros na pobreza. E estaria no poder um qualquer sucedâneo de Salazar, tipo Sócrates ou Durão, mas quem mandava verdadeiramente era um tipo com o perfil do Jorge Coelho.
Existiu mesmo um 25 de Abril?
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sexta-feira, novembro 04, 2005
Arrependo-me hoje
de todas as loucuras que pensei fazer e não fiz.
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Marca a assinalar
Mais de 25.000 leitores com mais de 61.000 page views.
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quinta-feira, novembro 03, 2005
Encher pneus

É a nova moda dos ambientalistas na Europa (por cá tudo chega mais tarde...): esvaziar pneus de SUVs. Com o objectivo de despertar a consciência ambiental dos seus proprietários.
O movimento começou em França mas rapidamente se alargou a Bélgica e Itália. Recentemente em Bruxelas 40 SUVs ficaram com os pneus esvaziados numa só noite.
Em Coimbra não faltará trabalho aos esvaziadores!
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João Deão 38
A rapariga mais bonita do mundo dorme num segundo andar de uma pensão de duas estrelas. Ao ouvir a porta do quarto fechar-se, estremece, sussurra umas palavras tépidas mas não acorda. João desce as escadas da pensão, paga o quarto e envergonha-se com o sorriso do porteiro. Com passo acelerado, vai expulsando a raiva que o pedido de Isabelle lhe causou. Preservativos. Ele que estava disposto a correr todos os riscos por ela. Todos! Implicasse o que implicasse amá-la hoje, não ia aturar esse tipo de conveniências sociais. João fora traído. É carne em nervo a percorrer as avenidas com o peso do mundo nos pés. Uma voz chama-o.
-Então? por aqui? sozinho?
-Sim
-Vou ter com os amigos, não queres vir? Beber umas cervejas?
"Umas cervejas" eis a expressão que sincronizou o passo de João com o de Pedro, um amigo a quem não se tem de explicar nada, e que os guia na direcção do bairro alto.
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quarta-feira, novembro 02, 2005
terça-feira, novembro 01, 2005
João Deão 37
E, no momento, em que João abriu a porta do quarto onde Isabelle dormia, quando a luz do corredor iluminou o ultimo milímetro de tecido da ponta do lençol que tocava no chão, a prostituta acendeu um cigarro na mão de um ex-presidiário que por tique nervoso pisca muito os olhos e, recordou o que segue:
A venda por atacado de cona, cu e mamas na via publica não é pêra doce. Há as esporradelas-lancetas vazadoras de vistas, os perigosos barrotes abrasadores de cus, e os democráticos indicadores esgarabulhões. Se com os últimos posso bem, da cegueira por beita e da esfolação marsapial dos folhos do cu, confesso ter um certo receio. A puta de esquina, para se defender não precisa de cascos pintados, do pudor da puta casada, ou da promiscuidade da puta de igreja. A puta de esquina precisa apenas de duas brutais gambias, de umas tetas práticas, e de dominar medianamente a arte da cabeçada de cona: potente projecção da zona púbica para a frente, com ou sem kiay. Eu aprendi quando um primo me lambia, e a despropósito me deu incisivos no treçolho abaixo do montinho pentilhoso. Um golpe curvo partiu-lhe o pescoço. A c3. Com um mineteiro paraplégico entre pernas a arregalar-me muito os olhitos para lá da carqueja, e com o talo dorido, puxei-lhe o cabelo da nuca para lhe tirar o focinho da rata. Recordo que pestanejava muito.
Passa um carro a toda a brida. Lá dentro, o rádio grita: Pa-Pa-Pa-Geno, Pa-Pa-Pa-Gena
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segunda-feira, outubro 31, 2005
Dia U2
Tenho a frase guardada há meses. Para citar naquele dia em que ela faça sentido. Por motivos óbvios ela ficava melhor num dia quente de Verão, com ar irrespirável e o céu cinzento de fumo. Pensei vezes sem conta no dia em que iria publicá-la. De repente, com a chuva que cai, sei que a frase amanhã não fará sentido. Não vou correr o risco de que a poesia seja confundida com a meteorologia, ou de que tenha que esperar por um outro verão quente para que a frase faça sentido no meu sistema solar.
Fica escrita, sem sentido nenhum, para que saia da minha cabeça:
After the flood all the colors came out
Já está. Venha mais chuva.
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It's just a moment, this time will pass
E se o mundo acabar daqui a dois meses, que sentido terão tido essas coisas todas que vocês andam a fazer?
I will not forsake, the colors that you bring
But the nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted by the light you brought to me
I listen through your ears, and through your eyes I can see
And you are such a fool
To worry like you do
I know it's tough, and you can never get enough
Of what you don't really need now ... my oh my
You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Oh love look at you now
You've got yourself stuck in a moment and you can't get out of it
U2
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sexta-feira, outubro 28, 2005
Conclusão do almoço
Há poucas dores que uma boa canja não ajude a passar.
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quinta-feira, outubro 27, 2005
São dois peixes
Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar
Descansa em meu pobre peito
Que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, morena
Com jeito de te agradar
Vem ouvir lindas histórias
Que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, morena
Por mares que só eu sei
O seu homem foi-se embora
Prometendo voltar já
Mas as ondas não tem hora, morena
De partir ou de voltar
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
Agora, morena, vem
Chico Buarque
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quarta-feira, outubro 26, 2005
João Deão 36
"Nous avons un menu rédigé en Francais.
Restaurant Indien Internacional
Visitez notre restaurant indien et venez manger les meilleures specialites indiennés
Nous avons des plats pour tout les gouts:
Boeuf
Poulet
Crevettes
Rotti tandori (indian specialites)
Vegetarien avec aux sans piquant a votre choix.
Bon appetite"
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Resistir sempre
Resistir nas pequenas coisas. Resistir vale a pena. O mal não se combate por dentro do sistema. O mal combate-se combatendo o sistema.
Rosa Parks, a mulher negra que a 1 de Dezembro de 1955 se recusou a ceder o seu lugar a um homem branco num autocarro, e com isso mudou o mundo para melhor, morreu aos 92 anos.
Resistir é preciso.
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Alice
Quando um filme começa com o símbolo do Ministério da Cultura e estão vinte tipos numa sala de cinema onde cabem duzentos para o ver, não deveriam os bilhetes ser gratuitos? Pela coragem, pelo atrevimento, pelo masoquismo?
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segunda-feira, outubro 24, 2005
Amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu
Eu gosto da missa, não gosto é do povo com quem tenho que estar quando vou à missa...
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O melhor aluno de um liceu de província
Há textos que estão escritos na minha cabeça e depois são puxados para fora por uma frase de outra pessoa.
Foi o que aconteceu com este. Há anos que a definição "o melhor aluno de um liceu de província" cataloga para mim uma série de pessoas com quem me cruzei ao longo do curso.
Uma série de pessoas chegadas a Coimbra no seu ano de caloiras, cheias de confiança no olhar, a citar Sartre nas conversas de café (agora Eugénio de Andrade deve estar mais na moda). São metódicos e trabalhadores, mas os exames chegam e, regra geral, a mediania é inevitável. Foi o que eu li hoje no texto do Joel Neto:
Mas eu lembro-me de quando cheguei dos Açores com uma média colossal e me armei ao pingarelho com o professor de Direito - e o homem olhou para mim, respirou fundo e, então, eu pude ver-lhe nos olhos: «Se o menino era o melhor lá na sua província, fique sabendo que os seus 130 colegas eram todos os melhores das respectivas províncias...»
O melhor aluno do liceu de província, habituado a ser monopolista de notas, passa a uma vida diferente em Coimbra: veste roupas radicais, vai a concertos dos Morphine e dos Belle Chase, não perde um ciclo de cinema polaco, embebeda-se e continuar a citar.
Quando acaba o curso, o melhor aluno de um liceu de província não volta para a terra. O Dr. volta a casa para visitar a família, mas mal dele se o seu brilhantismo não lhe permitisse viver em Coimbra, ou mesmo em Lisboa. Ninguém está disposto a deixar de ser um mito e a aceitar que é mediano.
Todos, cada um de nós em várias coisas, somos o melhor aluno de um liceu de província. Se somos craques em literatura da Lituânia, há seguramente em Nova Iorque 15 estudiosos que sabem de trás para a frente toda a escrita dos autores lituanos e mesmo esses parecem meninos de escola primária ao pé daquele especialista russo que há trinta anos não se afasta mais de três metros dos seus livros de autores cujos nomes acabam sempre em auskas.
Sempre que temos a pretensão de sermos verdadeiramente bons em alguma coisa não estamos a ser menos ingénuos que o melhor aluno do liceu de província que, chegado a Coimbra aos 18 anos, olhou para a Torre da Universidade e se imaginou, um dia, Presidente da República ou Nobel de uma coisa qualquer, na convicção de que eram essas as coisas importantes na vida.
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quinta-feira, outubro 20, 2005
Desejo
as maiores felicidades ao indivíduo que hoje entrou no meu escritório e me roubou a carteira. Vai ser um prazer voltar a tirar todos os documentos.
Vai roubar quem te rouba a ti, ó burro!
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quarta-feira, outubro 19, 2005
Ch Ch Ch Ch Ch Ch...
Nos últimos dois anos aprendi claramente onde acabam as minhas forças. Nos últimos dois dias percebi duas coisas muito importantes, uma para enterrar o passado e outra para viver no futuro. O engraçado desta casa do Big Brother Anónimos é que nunca paramos de aprender.
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terça-feira, outubro 18, 2005
João Deão 35
"Seja mais rato que os ratos!
Como descobri-los? Siga as suas pistas!
Ratos ou ratazanas mortos ou vivos
Gotas ou manchas de gordura
Excrementos
Pegadas, carreiros muitas vezes manchadas de gordura
Ninhos ou tocas
Ruídos da sua presença
Alimentos, madeiras ou outros materiais roídos"
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Finalmente uma medida corajosa
Orçamento para a Saúde contempla o fim das limitações geográficas e de população para a abertura de novas farmácias. (ver página 8 - necessário Acrobat Reader).
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A Brigada
Todas as terças e sextas é o mesmo. A Brigada chega a meio da manhã. A campaínha toca várias vezes e as batas brancas invadem a casa. Bom dia. Começam os gritos. O cano do aspirador roça no chão durante uma hora. Oiço discussões sobre limpeza e telemóveis, distribuição de tarefas, filhos não se sabe se desejados e maridos violentos. As vassouras e o aspirador batem na minha cadeira, esteja eu sentado nela ou não. Uns pedem licença, desculpa e agradecem vezes sem conta. Outros não abrem a boca e parecem nem saber que aqui estão. A esfregona, cheia de cera preta, nem sempre percebe a divisória entre o chão negro e a parede branca. Há sempre um lavatório, sempre o mesmo, que fica com o ralo tapado, e uma janela, sempre a mesma, que não fica trancada (agora felizmente está partida). As plantas nunca são regadas e as a caixa do correio nunca viu um pano. Já passaste a esfregona na escada, Marisa? Já! Não passaste nada, vai já passar! Ao fim de uma hora chega a carrinha grande. A Brigada sai da casa, sem ordem. O último fecha a porta, mas não como eu. Desce o degrau, vira-se e, então sim, puxa pela maçaneta. Às vezes ninguém a fecha e às vezes alguém volta atrás para a fechar. Até sexta!
As empresas não servem só para ganhar dinheiro. A vida não é só eficiência. Em que é que vocês pensam quando aqui estão?
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segunda-feira, outubro 17, 2005
João Deão 34
Atenção desratização:
"Os ratos são uma praga! Directamente ou através dos seus parasitas, os ratos são uma fonte de doenças graves!
Salmonelose
Peste
Tifo
Cólera
Um só casal de ratos pode originar 2 000 novos ratos por ano!
Têm enorme capacidade de reprodução!
Têm enorme capacidade de sobrevivência!
Dificulte o acesso dos ratos à agua! Elimine os pequenos charcos de água estagnada.
Tape os ralos.
Feche bem as torneiras
Vede bem os poços."
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Em poucas palavras
Futebolisticamente, para um adepto de Académica e Benfica, o fim-de-semana foi perfeito.
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sábado, outubro 15, 2005
João Deão 33
No exacto momento em que Isabelle, sonhando que caía, estremece, João vira as costas à prostituta-eloquente. Acelera o passo e passa ao largo da pensão onde Isabelle adormecida espera por ele.
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sexta-feira, outubro 14, 2005
O próximo Bond
Parece que Daniel Craig venceu Clive Owen, Jude Law e mais uns quantos na corrida às Bond Girls dos próximos anos.
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quarta-feira, outubro 12, 2005
Bola
O jogo deste fim-de-semana entre Benfica e Porto, se não for vítima da arbitragem, servirá sobretudo para se perceber se Co Adriaanse é mais um Quinito que gosta de pôr a carne toda no assador ou um treinador que aos 57 anos descobriu o caminho das vitórias.
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terça-feira, outubro 11, 2005
Com o devido bacio
à João.
Sa cosa stavo pensando? Io stavo pensando una cosa molto triste, cioé che io, anche in una società più decente di questa, mi troverò sempre con una minoranza di persone. Ma non nel senso di quei film dove c'é un uomo e una donna che si odiano, si sbranano su un'isola deserta perché il regista non crede nelle persone. Io credo nelle persone, però non credo nella maggioranza delle persone. Mi sa che mi troverò sempre a mio agio e d'accordo con una minoranza...e quindi...
Nanni Moretti em Caro Diario
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Nobel
Afinal, ao contrário do que disse a Gabardina, nem todos os membros do Comité Nobel dormiam descansados.
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Cavalos votados
Por que é que os políticos portugueses têm, quase todos, os dentes podres?
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segunda-feira, outubro 10, 2005
Poeta
Isto é futebol. É um bocado como a vida, de vez em quando as coisas correm bem, de vez em quando as coisa correm mal.
Artur Jorge, seleccionador nacional dos Camarões, à RR, depois de a sua equipa ter falhado, no último minuto da fase de apuramento, um penalty que garantiria a presença na fase final do próximo Campeonato do Mundo de Futebol.
Ou como diria Valentim Loureiro...
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Desilusão
Valentim Loureiro está louco, eufórico, irritado, impaciente. Farto de não ter um microfone para falar, arranca-o das mãos do técnico de som gritando "Foda-se!".
Eu espero pelo grande insulto a Marques Mendes (daqueles tão puxadinhos que em vez de começarem por filho começam por filha). Mas tudo o que Valentim chama ao homem é "Zé Ninguém qualquer".
Foi uma noite de desilusão.
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quinta-feira, outubro 06, 2005
João Deão 32
Estabeleci a minha lojinha da foda no meio do passeio: um ândito solarengo, género open-space, em calçada Portuguesa a tornejar rua Almirante Reis para a rua Maria, e, que por ter chão calcário, permite de imediato, fazer o teste ácido-base à esporra do cliente. Aí, bati punhetas por atacado, fiz broches a retalho e, pari pelo gasganete, pregões de corar Calígulas. "Enche-me a tripa de carne"; "Amor, vai de apanha cavacas?"; "Atesta-me de meita, e arruma-me os lençóis da cona". Longos anos assar o olho e a boca do corpo com fricção de barrote zarolho, ensinaram-me o talmude das putas: é o jingle usas que escolhe a esporra que bebes. Era assim nos clássicos e é assim agora. O jingle para atrair anciões para arejamento das peles e tirar o mofo à pintelheira rala: "é a última amor". Para capões que só lambem: "Tu tens é tesão no cu, Oh! meu corno paneleiro". Para os juvenis basta olhar e exibir língua tesa. A esporra que se bebe dos velhos: uma aguadilha macilenta, dos panascas: pequenos grumos, e dos juvenis litradas de nha-nha peganhenta com sabor a diospiro verde. Todas as beberagens são ricas em proteínas e fazem bem à pele.
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terça-feira, outubro 04, 2005
Hoje em Coimbra
Adelaide Ferreira canta na discoteca Broadway.
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Portugal tem futuro
Enquanto políticos, economistas e cidadãos em geral se desdobram em comentários sobre os perigos que representam a China e a Índia para o nosso país, chorando pelas fábricas que se deslocam para aqueles países, uma luz intensa parece surgir ao fundo do túnel da economia portuguesa.
É verdade que muitas indústrias e mesmo alguns serviços têm sido passados para a Ásia. Não é menos verdade que outras empresas têm sido transferidas para a Suécia, para a Finlândia ou para a Alemanha. Portugal parece, assim, ter sido apanhado a meio caminho nesta revolução tecnológica. Não somos suficientemente pobres nem suficientemente desenvolvidos para atrair investimento estrangeiro.
Mas o tempo joga a nosso favor e a estratégia de desenvolvimento que tem vindo a ser seguida nos últimos anos deverá dar resultados. Daqui a dez ou quinze anos a China e a Índia, fruto do seu actual crescimento, terão já empresas competitivas a nível internacional, que quererão instalar filiais na Europa. As empresas dos países do primeiro mundo, preferem ter as suas filiais europeias instaladas nos países nórdicos, na Alemanha ou na Irlanda, pois não conseguem viver sem eficiência e transparência.
Mas às empresas asiáticas interessará sobretudo o baixo custo e um pouco de promiscuidade com a classe política não será de todo mal vinda. Neste cenário Portugal reune todas as condições para garantir que uma parte significaticva do investimento asiático na Europa se instale por cá:
-Salários baixos;
-Grande quantidade de recibos verdes e contratos a prazo mesmo quando essas situações não se justificam;
-O direito à greve no sector privado só é exercido em empresas em situação de falência;
-99 em cada 100 portugueses pensam que a greve só deve ser feita quando não prejudicar ninguém;
-Altos índices de corrupção.
O investimento chinês será nosso! Portugal tem futuro!
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João Deão 31
Dona de papudos beiços, treçolho enorme e fartas cerdas, vim-me pelo nariz e estreei piça na glote na mesma tarde de vindimas. Uns tratavam da bucha: eu dava caralhinho juvenil à cona esfaimada. Escarranchada de cócoras, em cima do rapazote que com o polegar quase me inaugurou o cu, cheirei marsapo vetusto por perto. "E o que fazes ao meu netinho, sua porca?" Como se seguram os cachos de uvas antes do corte, assim aparei os colhões do avozinho da criatura que me areava o cono. Desapertei as calças de sarapinheira seguras por uma corda e, abocanhei inteira e de só trago, toda essa massa de pele que lhe caia abaixo do umbigo. Cheia a boca do corpo de piço viçoso de neto, e a boca da cara, de piço macilento de avô, decidi que estava na altura de me vir. Porém, as pregas mortiças que tinha na boca, começaram a fermentar. Um cepo de velho intumescia contra meu palato e, não tendo para onde medrar, esgueirou-se-me garganta abaixo, cortando-me a respiração. Fiquei da cor do vinho e sem vontade de me vir. De igrejo caralho encravado na garganta, e de pila noviça a esbodegar-me a cona, meti frenética, indicador no cu do velho para que se viesse nesse instante. Com os movimentos bruscos, o neto desferiu esguiços lancinantes e o avô pingões de torneira mal fechada. Ainda hoje, quando gargarejo, sento o mofo que sua esporra deixou no meu nariz.
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segunda-feira, outubro 03, 2005
João Deão 30
Para senaita afogueada, esfregaço de beita. Para picha chorona, ranhola de cona. Saber de experiência feito, este tipo de mézinhas são a encíclica das putas: o conhecimento passado de Madalenas em Madalenas, até às Madalenas de hoje. Mas quando, não há norma que preveja, situação sub judicatura, então: inventa-se. Recordo um celerado. Entremeava o rego do cu com pedra de esquina, cigarros com imperiais e vontade de foder com vontade de mijar, quando o cabrão chegou. Com chumaço de pau feito, ajeitou a picha para cima, antes de me falar. "E o preço? E a pensão? E gostas de ver" "oh filho, dás-me 5 contos e sou tua por meia hora." Pelo cu rijo, e pela língua pontuda, topei-o: ou artista ou atleta. Já deitada, com a berbigona a latejar aguardei por injecção de carne, porém, o dançarino, dono de piça afilada e mui longa, cabriolou como um fauno em êxtase. Em pontas executou um battement frappé e um échappé. De seguida, pirouette piquée. Termina em Arabesque*. Aí, estático, sacou o margalho de dentro coquilha apaneleirada, olhou a berbigona assanhada e vai de esgalhar pessegueiro. Em equilíbrio. Perdida no que fazer e não recordando solução para o caso: inventei. Então, apertei bem o indicador e médio contra a rata, fiz pontaria como só as mulheres sabem fazer. De seguida, solto um peidinho e um de esguicho da cerveja bebida com potencia diurética dos cigarros fumados. O tipinho, cego, continuou frenético, como se as luzes do palco o impedissem de ver o público. Veio-se em todas as direcções. No chão, deste palco de pensão, as pétalas de rosas eram pétalas de esporra.
Nota:
Arabesque-Uma posição onde o dançarino eleva uma perna, recta ou dobrada, com a outra estendida para trás, geralmente em ângulos similares ao do corpo,
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Causa também minha
Eu que tantas vezes tenho criticado os textos de Ana Gomes, aconselho a leitura deste. Muito bom. Concordo plenamente. Assino por baixo.
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