quarta-feira, novembro 30, 2005

Função pública em Portugal

Na Inspecção Geral do Trabalho de Coimbra o atendimento ao público é feito por uns rapazes com fardas da Prosegur.
Hoje um dos ditos moços queria recusar-me um quadro de pessoal, alegando que o raio do papel estava mal preenchido...
QUERO FUGIR!!!!!!!!!!!!!!!!

João Deão 41


Mota estacionada, cadeado colocado na roda de trás, capacete na mão. A rapariga em passo rápido avança pela rua do Ouro. Fumo dos vendedores de castanhas, "trabalha em Lisboa?", nórdicos sentados frente a cerveja morta e japoneses com sacos V.L. A rapariga entra numa ourivesaria. "E deste gosta?, temos este... e este..." "Não, não e não" "quero aquele". A rapariga de capacete debaixo do braço, sai da loja.

terça-feira, novembro 29, 2005

Mais Ota

Já sabemos que quem mais vai ganhar com os terrenos da Ota será aquele senhor cujo avião de luxo está retido na Venezuela (apanhado, ao serviço da Air Luxor, com uma carga de droga no bucho).
O que falta saber é quem serão os privados que vão investir na Ota, quem são os boys que têm grandes tachos garantidos, quem será autorizado a construir nos actuais terrenos da Portela...
Enfim, de que me queixo eu, que vivo numa cidade (Coimbra) que terá um aeroporto internacional a uma hora de distância, um TGV com paragem cá na terra, tem um estádio para 30.000 espectadores no centro da cidade que nunca encheu e anda há mais de dez anos a fingir que quer ter um metropolitano de superfície, tudo à custa dos vossos impostos?
Montem aqui uma Disneylândia, um pavilhão de hóquei no gelo, organizem uns Jogos Olímpicos, tragam para cá a sede das Nações Unidas, caraças!

segunda-feira, novembro 28, 2005

João Deão 40


Exterior, noite, Avenida da Liberdade. O trânsito, cobrão vermelho para quem vai, e branco para quem vem, está parado. Os reflexos das luzes dos carros duplicam-se no chão molhado, triplicam-se nos vidros das montras e fazem caleidoscópios nos pára-brisas, nos retrovisores e nas chapas dos carros. Os semáforos passam de vermelho a verde.Ironicamente. Os escapes fumam. Pacientemente. No eixo geométrico, entre o vermelho e o branco, a rapariga vai passando pelo meio desta massa orgânica a latejar. Desvio de um espelho aqui, equilíbrio ali. Numa gincana infantil chega aos restauradores. Até ao Rossio, serão mais dois minutos.

Quem é quem?

Ser preconceituoso não está fácil.
É cada vez mais difícil distinguir um gay de um "tuning de subúrbio".

Closer

Para todos que não se conseguem libertar do filme nem da banda sonora. Especialmente para o quilas e para a redbackspider.



domingo, novembro 27, 2005

João Deão 39


A rapariga, abrupta, pega no capacete, fecha a porta de casa com estrondo e hesita quando vê que chove. "Que se lixe"-. Tira a mota da garagem, liga-a e, religiosamente, aguarda que a 916 vermelha aqueça. Quando o motor deixa de fazer o barulho de metal a tilintar, baixa o pé esquerdo, dá uma pancada nas mudanças e larga a embraiagem. Suavemente.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Correcção

Os insultos são permitidos nas caixas de comentários deste blog, mas apenas quando dirigidos aos autores dos textos e nunca a outras pessoas mencionadas nos mesmos.

quinta-feira, novembro 24, 2005

io, sinceramente, seguo la poesia



Generale, dietro la collina
ci sta la notte buia e assassina,
e in mezzo al prato c'è una contadina,
curva sul tramonto sembra una bambina,
di cinquant'anni e di cinque figli,
venuti al mondo come conigli,
partiti al mondo come soldati
e non ancora tornati.

Generale, dietro la stazione
lo vedi il treno che portava al sole,
non fa più fermate neanche per pisciare,
si va dritti a casa senza più pensare,
che la guerra è bella anche se fa male,
che torneremo ancora a cantare
e a farci fare l'amore, l'amore dalle infermiere.

Generale, la guerra è finita,
il nemico è scappato, è vinto, è battuto,
dietro la collina non c'è più nessuno,
solo aghi di pino e silenzio e funghi
buoni da mangiare, buoni da seccare,
da farci il sugo quando viene Natale,
quando i bambini piangono
e a dormire non ci vogliono andare.

Generale, queste cinque stelle,
queste cinque lacrime sulla mia pelle
che senso hanno dentro al rumore di questo treno,
che è mezzo vuoto e mezzo pieno
e va veloce verso il ritorno,
tra due minuti è quasi giorno,
è quasi casa, è quasi amore.



Generale, Francesco de Gregori, cantada ao vivo por Vasco Rossi

Fado, futebol e Fátima ou Calcio, Italiano e Vaticano

Os ódios e as perturbações mentais da extrema-direita fascista italiana saíram à rua esta semana. O "La Padania", jornal da Liga Norte, insurge-se hoje contra o facto de o Inter de Milão ter jogado com 11 jogadores estrangeiros no seu jogo de ontem da Champions League (que, por acaso, ganhou 4-0). O fim do futebol, porque em campo entra uma Babel de línguas, raças, tradições e escolas de futebol, escreve o Padania, para logo a seguir passar a outro dos argumentos sempre queridos aos fascistas: o amor à língua. Imagine-se que há um treinador de uma equipa de basket em Itália que, nos descontos de tempo, fala em inglês. Uma vergonha!

Para que a semana fosse perfeita, faltava que o Papa viesse dizer um qualquer disparate fascista contra os homossexuais. Mas isso é muito improvável...

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ou então ajudar os mais pobres dos pobres


Amigo

Nas primeiras vezes em que um de nós disse ao outro (ou deu a entender) "Não te metas nisso. É um erro! Ela vai dar-te cabo da vida!", foi só problemas. Andávamos meses sem grande vontade de cafés ou conversas.
Agora já sei - acho que tu também - que temos sempre razão. Não nos chateamos. Também não damos razão ao outro (a cegueira é mesmo assim).
De qualquer maneira, venha de lá essa garrafa de Grant's! Tenho mais um "Tinhas toda a razão! Teria sido um erro!" para te dizer.

Primeira vez

Pela primeira vez censurei um comentário na Gabardina. Insultos não são permitidos.

terça-feira, novembro 22, 2005

Larápios a bordo?

O Porta-aviões não só lê a Gabardina como faz bons resumos dos nossos textos. Chegam a substituir expressões por outras de significado semelhante! É bom saber que há gente com esta qualidade de síntese no PSD de Coimbra!

segunda-feira, novembro 21, 2005

On prend photos des mourants au lieu de leur donner de l'eau

Especialmente para ti.



Madame X et ses enfants
Tout l'hiver sans chauffage
Caravane pour des gens
Même pas du voyage
Et pourtant comme elle dit
C'est pas elle la plus mal lotie
Elle en connaît qui couche dehors
Dans les parages
Quand y a toutes ces voitures de sport
Dans les garages

Madame à savoir comment
Fait deux fois plus que son âge
Elle s'endort avec des gants
Au fond d'un sac de couchage
Et pourtant comme elle dit
C'est pas elle la plus mal lotie
Elle en connaît qui restent
Accrochés aux grillages
En espérant qu'un camion
Manque le virage

C'était un pays charmant
C'était un pays comme il faut
Elle dit, elle dit maintenant
Maintenant on prend
Quelques photos des mourants
Au lieu de leur donner de l'eau
Elle dit pas ça méchamment
Pour l'instant...

Madame X et ses enfants
Toujours pas de chauffage



Madame X, Francis Cabrel

Tomar

Que bom deve ser ter um estabelecimento comercial numa cidade em que tem piada que um café se chame "Tomar café" e uma casa de chá "Tomar chá".
Para quando uma sauna/quarto-escuro chamada "Tomar por culo"?

quinta-feira, novembro 17, 2005

Otários

Escreve o Prof. Vital Moreira que

Durante várias semanas, uma nutrida frente de media e de blogues entregou-se a uma aguerrida campanha onde se misturou a condenação sumária dos projectos de construção do novo aeroporto de Lisboa e do TGV e a exigência de publicação dos estudos correspondentes. Agora que tais estudos começaram a ser disponibilizados, quase todos os protagonistas da referida campanha fazem de conta que eles não existem...



A Gabardina, que nunca pediu os estudos, decidiu ir ler os que o Prof. Vital linkou. Ora o link levou-me a uma empresa, que promoveu os referidos estudos. A NAER - Novo Aeroporto, SA (levará o nome da empresa a algum pré-conceito nos estudos realizados?), tem por objecto "Proceder ao Desenvolvimento dos trabalhos necessários à preparação e execução das decisões referentes aos processos de planeamento e lançamento da construção de um novo aeroporto no território de Portugal Continental".

Começo a consultar os estudos e percebo que o único que equaciona o aumento de capacidade da Portela (e apenas para adiar a construção de um novo aeroporto) data de 1999. É, portanto, anterior ao 11 de Setembro de 2001 e à explosão das companhias low cost em Portugal, só para citar dois fenómenos relevantes. O documento, numa versão "scannada" ainda com algumas anotações à mão (já não existe o texto original no computador nem uma versão limpa em papel?), está escrito num português de fraca qualidade.

Todos os restantes relatórios, anteriores e posteriores a este, são sobre o novo aeroporto (SA?). O primeiro deles (ainda não da responsabilidade da Novo Aeroporto, que iniciou actividade em 1998), tem como capa a seguinte pérola:



Para realizar estas nobres tarefas a Novo Aeroporto, SA tem ao seu serviço sete funcionários e teve em 2004 custos com o pessoal que ultrapassaram os 369 mil euros (como pode ser comprovado no Relatório e Contas de 2004, disponibilizado no site).

Não são estes os estudos que temos que discutir. Não é esta a discussão. Queremos discutir se é preciso ou não um novo aeroporto. Em 2005, com o tráfego de hoje, depois do 11 de Setembro, com companhias low cost e de custos "normais". E talvez valha a pena discutir também quem é responsável pelas muitas centenas de milhares de contos que a Novo Aeroporto, SA gastou nos últimos sete anos.

terça-feira, novembro 15, 2005

Falam, falam, falam, falam (o original)



Marco, do Big Brother 1, a fazer magia com as palavras.

Klapisch, o realizador da minha geração

Vale muito a pena ver as "Bonecas russas".