Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz
ou
há portas que se fecham e nunca mais se abrem...

ou
há portas que se fecham e nunca mais se abrem...

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Nesse clássico injustiçado do cinema português que é o "Rei das Berlengas", de Artur Semedo, há uma fantástica personagem que, passeando na sua cadeira de rodas pelos corredores do seu palacete, arrasta por uma trela o seu "mendigo particular", que alimenta a bolachinhas esticadas para trás, por cima do ombro.
Em 2004, em Portugal, não faltam donos de palacetes a alimentar os seus mendigos particulares. O facto de haver mendigos só permite à gente boa deste país esticar bolachinhas para trás e dormir, por isso, de consciência tranquila.
O que seria de Portugal sem mendigos? Para onde iria tanta bondade de gente endinheirada se ninguém precisasse das suas esmolas, das suas bolachinhas? Mesmo a classe média sente-se reconfortada por poder dar o seu quilito de arroz de vez em quando no supermercado.
Claro que alguns dos que me lêem estão neste momento a pensar: pelo menos quem dá faz alguma coisa.
Talvez no curto prazo a bolachinha seja importante. Mas no longo prazo, está essa gente disposta a prescindir dos seus salários muitas centenas de contos por mês para que os seus mendigos particulares possam ter salários justos? E estão dispostos a prescindir de três dos seus quatro empregos, que conseguiram movendo influências, para que os seus mendigos também possam ter emprego?
Eu acho que não. Acho que os portugueses que ganham mil contos por mês preferem dar 50 todos os meses aos seus mendigos a aceitar ganhar 500 para que o mundo seja mais justo. Assim dormem de consciência tranquila, aparecem nos jornais como bons cidadãos e, um dia, outros como eles ainda darão o seu nome a uma rua, porque foram caridosos e preocupados com o próximo. Na verdade deviam fazer-lhes uma estátua, a esticar uma bolachinha para trás.
Posted by at at 13.12.04 1 comments Links to this post
Hoje assisti a uma erupção. Ao Etna dos necrotérios. Uma projecção ascendente de material incandescente a tresandar a decomposição e a verdete. Uma explosão avassaladora e verticalíssima. O corpo estava há 3 semanas esquecido na lixeira municipal. O cheiro é uma nuvem densa e baça. Lenta e penetrante. Uma serrilha de pontadas acres no nariz, de que só o leve odor distante causa uma pulsão incontrolável no estômago, e obriga à tosse seca que antecede o seu vazamento violentíssimo. É um homem magro, a quem são visíveis as costelas e os ossudos nós dos dedos. Tem uma enorme barriga. Inchada, esticada, redonda e curva. A luz da lâmpada que cai sobre a mesa de dissecação, rebrilha sobre a pele em tensão e é reflectida pelo umbigo, que em vez de estar para dentro, se espeta para fora roxo e hirto. E mexe. Lateja e parece respirar. Este abdómen, feito um globo cheio do tamanho da envergadura dos braços do homem, move-se. Os vermes que devoram o corpo decadente acertam os movimentos. Em vez das muitas e minúsculas ondas de energia que em relevo passariam para fora da pele, é visível um enorme cobrão cor-de-rosa feito de milhares de vermes brancos a moverem-se cadenciados. Do início dos pêlos púbicos até aos tendões do pescoço a onda da decadência do corpo serpenteia de baixo para cima, e de cima para baixo. As pálpebras, coladas pelo muco pegajoso feito de água da chuva que vai atravessando os níveis de uma lixeira urbana, abrem-se. Está vivo! Os vermes voltaram-no a ligar para que vivendo produza mais material orgânico e assista. Assista e sem se poder mexer olhe o cobrão que nele mora, a deliciar-se com as suas entranhas. Está quente. Muito. A pele...a pele...tensa. Afasto-me. Oiço o umbigo a estalar, um jacto de matéria orgânica putrefacta é projectada contra o tecto e cobre a lâmpada do candeeiro, escurecendo a sala. Então, um rasgão na cútis abre-se como se abrem as falhas na terra nos terramotos, e um cilindro de larvas levanta-se no ar com uma vontade incontrolável. Eleva-se e esvazia o corpo de tudo. Toda a matéria orgânica deste corpo numa efervescência que veloz se projecta perpendicular ao tecto. Olho do chão para a massa que se eleva. Cilindro de vasos sanguíneos, ossos liquefeitos, vermes, órgãos em decomposição e tecidos infectos. Pára. E não se desfaz no tecto. Suspende-se. Paira. Ganha uma forma e uma ordem. Alguns dos vermes soltam-se e caiem-me ao lado como se não fizessem parte da forma que eclodiu do corpo.
- Quem és tu? - pergunta uma voz que vem do interior desta massa que se suspende por cima do cadáver esvaziado pelo abdómen.
Posted by at at 13.12.04 0 comments Links to this post
O padre alisa a sotaina preta com ambas as mãos. Sentado, ao lado do representante do povo, leva a mão em punho à boca. Tosse, para limpar o trato respiratório do tabaco, e pisca os olhos para focar a janela à sua frente. Sentados a seu lado: os representantes da justiça, das famílias, da comunidade e do povo em nome qual tudo isto vai ser feito.
Estou sentado e tenho dois guardas vestidos de azul ao meu lado. Um molha uma esponja, e coloca-a por debaixo da armação em ferro que transmitirá uma descarga de 70.000 wats directamente ao meu cérebro. O outro, prende as correias de cabedal com fivelas. As pernas cabem à justa. Os pulsos ficam bastante apertados. Tenho 30 anos, 250 quilos e a curiosidade de saber como é morrer numa cadeira eléctrica. Curiosidade é o que me resta ter. Aqui ou há medo ou curiosidade. E ter medo de morrer é o mais conveniente que podemos fazer aos outros. Os guardas afastam-se, depois de me terem colocado na boca uma placa de cobre presa a uma máscara preta. Sufoco com uma massa metálica que me enche a boca e que em breve me derreterá a língua. Estou numa sala com uma cadeira e uma janela de vidro. Estou amarrado por cabedal e ligado a fios que em breve me vão fritar. Olho sempre nos olhos dos meus executores: um padre, um representante de alguma coisa e os familiares. Como somos idênticos no desejo de matar. Como é idêntica a vontade de chacina da lei da ordem e a minha.
Matei. Muitas. E arrependo-me. Muito. Arrependo-me de nunca ter tido a inteligência de matar alguém com o ritual com que me assassinam a mim. Arrependo-me de nunca ter conseguido matar em público, com assistência a aplaudir em vez de me ameaçar. Como eu gostava de ter podido esventrar, fritar, queimar pessoas vivas à vista de todos. A preparação...a execução...o fim... Mas não foi assim, não sou padre, representante do povo ou familiar. Sou apenas um assassino pobre e sem poder...e por isso, a minha única consolação talvez seja morrer como gostava de ter matado.
Uma tremura, músculos tensos, sinto a urina a ferver dentro de mim. Derretem-se-me os intestinos, o cérebro incha, se não fosse a máscara que tenho à frente da cara os olhos saltavam das órbitas. Outra descarga. Fervo por dentro? sinto a implosão do musculo cardíaco, o rasgar dos pulmões. Tusso sangue, pleura, e algumas costelas. A electricidade fez do meu interior uma papa vermelha e quente. Arrefeço, apanham-me com um balde. Vertem-me para um saco do lixo preto. Sou Papa. Sou levado para o necrotério. Sinto uma superfície plana por debaixo de mim.
Depois do saco preto ter chegado e porque queria saber se já consigo voar para fora desta sala, agarrei-o com os pés feitas garras e levantei-o no ar, e sai pela janela. Voo agora por cima da cidade que em sossego recupera energias para amanhã ser outro dia um pouco mais hedionda. Seguro o saco. Apetecia-me deixar cair esta massa uniforme de ossos e músculos em cima de uma praça qualquer. Num Domingo em que aqueles em que nome do qual isto foi feito pudessem sentir o sangue acre coalhado e podre a manchar-lhes as camisas e os sapatos. Pairo, consciente do poder que este saco de pessoa me transmite. E continuo a pairar. E pairarei, até as minhas asas de gárgula se cansarem e me obrigarem a voltar.
Posted by at at 9.12.04 1 comments Links to this post
Até à vitória de Durão Barroso e do PSD nas últimas legislativas havia uma prática em Portugal que, apesar de reveladora da pouca-vergonha do país, acabava por ser saudável: o governo que entrava dava um pontapé no rabo a todos os militantes do partido do governo anterior que encontrava pelo caminho e que não estavam protegidos com um vínculo definitivo à função pública.
Durão Barroso foi mais inteligente e percebeu que de nada valia andar a despedir gente que voltaria a ser contratada na próxima mudança de poder. Assim, socialistas, sociais-democratas e populares poderiam conviver alegremente na administração pública, sem sobressaltos, sem despedimentos, sem conflitos. E tudo apenas com prejuízo da despesa corrente do Estado.
O caminho foi fácil: convenceu-se a Ferreira Leite a congelar as contratações para a função pública, o que permitiu que durante dois anos e meio apenas tenham sido contratadas pessoas por pedido expresso dos responsáveis das entidades. Ou seja, pessoas dos partidos e seus amigos. Em contrapartida os socialistas foram-se arrastando nas instituições, sem serem despedidos e à espera da mudança de governo para voltarem a progredir na carreira.
Mas o que Durão não previu foram dois anos e meio de guerrilha interna dentro das instituições do Estado. Os socialistas apreciaram o facto de não terem sido despedidos, é verdade. Mas não deixaram de ser socialistas por causa disso. Fizeram campanha, passaram todas as informações escandalosas possíveis para fora, sabotaram tanto quanto puderam o trabalho do governo.
Os do PSD talvez tenham aprendido a lição. Mas, se perderem as próximas legislativas, tê-la-ão aprendido demasiado tarde. Se os socialistas forem governo teremos 13 anos consecutivos (6 de Guterres, 3 de PSD e 4 de Sócrates) sem despedimentos de socialistas na função pública. O Estado será deles. Os socialistas, por outro lado, sabem bem o que têm que fazer se não quiserem ser sabotados a toda a hora e todo o instante: assim que ganharem as eleições devem correr com todos os tipos do anterior governo que sejam de nomeação política ou que ainda estejam a contrato. Assim, a lição estará terminada.
Posted by at at 7.12.04 4 comments Links to this post
Sampaio, o anti-Mostrengo
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
Posted by at at 7.12.04 0 comments Links to this post
Isto o que aconteceu foi muito simples!
O que aconteceu foi que eu estava em Belém na inauguração da maior árvore de Natal da Europa, sim, repito, da Europa, porque nós quando fazemos as coisas é em grande, e virei-me para um turista que lá estava e disse-lhe:
- Lá na tua terra não tens disto pois não? A maior da Europa, a MAIOR!
E o gajo vem com uma conversa do género: Ah, não sei quê, no meu país preferimos gastar dinheiro em outras coisas, por exemplo a evitar que rebentem condutas de água, que levam ao abatimento do solo, e dessa forma prejudiquem milhares de pessoas...mais não sei que mais e o camandro!
E eu, que até sou um gajo que é pá, tenho uma facilidade na exposição de argumentos, não me fiquei e disse-lhe logo:
- A maior da Europa! Toma! Embrulha!
E o gajo começa a falar que não sei quê, lá no país dele quando começa a chover as zonas ribeirinhas não ficam inundadas, e que talvez fosse melhor que, em vez da árvore, o dinheiro fosse canalizado para evitar essas situações.
Eu comecei a enervar-me e disse-lhe logo:
- Mau, tu queres ver que nós temos que nos chatear! Eu estou aqui a expor argumentos que é pá sim senhor, e tu vens com essa conversa de não sei quê. Eu nem quero começar a falar na feijoada em cima da ponte, nem no desfile de "pais natais", porque senão nem sabias onde te meter pá.
O gajo começa a falar de uma coisa qualquer, tipo túneis que são construídos e ficam a meio, e não sei que mais, e eu virei logo costas.
Porque quando eu vejo estes gajos que não conseguem aceitar a superioridade de um país sobre o outro, e ainda falam, falam, falam, falam, falam, falam, e não dizem nada de jeito, eu fico chateado, claro que fico chateado!!
(recebido por e-mail)
Posted by at at 6.12.04 0 comments Links to this post
Portugal outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!
It doesn't show signs of stopping
And I've bought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!
Posted by at at 6.12.04 0 comments Links to this post
Por volta das três da manhã, enquanto escutava o som das gotas de chuva caírem na mesa de dissecação metálica e, reparava que a minha audição já se desenvolvera ao ponto de conseguir escutar as gotas cortarem o próprio ar, um som, que nunca tinha escutado, fez-me franzir os olhos de surpresa, esperar pela saída dos funcionários e espreitar pela gaveta. Esperava e imaginava. O que ouvi não era o som a que me habituei de um corpo a ser depositado na bancada de dissecação. Era um som que se dividia em dois. Mas também não era o som normal de duas pessoas a serem depositadas na banca, era qualquer coisa de intermédio. Era o som de uma pessoa e meia a cair no inox frio. Um corpo e meio. Uma jovem mulher, com a sua jovem filha. Saí da gaveta, pairei de asas abertas (sim, o meu corpo tem vindo a mudar a sua forma humana, mas falarei disso noutra altura) sobre os corpos, e porque queria perceber aquela estranha vista, entrei na desfigurada mãe para lhe perceber os seus últimos minutos.
Vamos pôr a cadeirinha, assim, isso. Tanto soninho que ela tem. Vá, já vamos ter com o papá. Agora a mãe vai fechar a porta, cuidado.
"Na ligação 2º circular - campo grande o trânsito continua intenso, mas não há noticias de acidente. Conduza com precaução que o piso está molhado e tenha um bom fim-de-semana na companhia da TSF".
É só sair de Lisboa que depois já não apanhamos mais trânsito, vais ver, não é bebé? Diz mamã, mã-mã. Tens de dizer mã-mã antes de papá. Combinado?
Isso dorme...
Rádio baixinho. Desligar o rádio. Que seca de viagem. Espero que ele já tenha chegado. Vou ligar. Aqui não há rede. As luzes. Sinais de luzes. Que estrada apertada. Oh, meu amor disseste mamã?Esquerda, direita, luzes de frente...
A jovem mãe, excelente condutora e mulher amadíssima pelo seu marido conduzia atenta. A chuva intensificara-se e a estrada era um monótono caminho de curvas e contra curvas que esta mulher negociava facilmente. O silêncio da viajem e o cansaço de uma sexta-feira à tarde obrigavam-na a semi-cerrar os olhos e piscá-los com mais força. Antes de uma curva para a direita, e depois de ter escutado a sua filha a remexer-se na cadeira, o primeiríssimo: mãã, despertaram-na. Com o sorriso, como é o sorriso dos pais que ouvem os filhos a dizerem pela primeira vez o nome pelo qual os tratam para o resto da vida, virou-se para trás para, sem se aperceber que saia da sua faixa, seguir em frente na curva. Um forte virar no volante manteve o carro dentro dos limites do alcatrão, mas estava contra-mão e um camião aplacou-a frontalmente.
Sinto-me a mudar. Fisicamente. Tenho indiscutivelmente mais força do que alguma vez tive, a audição e em geral todos os sentidos estão a cada dia mais apurados. Os voos esporádicos dentro do edifício são hoje quase diários e as asas recolhem e abrem cada dia mais depressa. Dentro em breve devo conseguir sair daqui. Preciso de um espelho, preciso saber em que é que me transformo. Qual irá ser a minha forma final.
Posted by at at 3.12.04 2 comments Links to this post
Depois de a Gabardina ter apresentado o reverso do sistema, eis que a Judiciária ataca a sua cara! Nos últimos três dias até apetece ter esperança no país...
A Polícia Judiciária deteve hoje quatro árbitros e um empresário de futebol e procedeu a buscas na Torre das Antas, de acordo com uma informação divulgada na tarde desta quinta-feira pela estação televisiva SIC.
Posted by at at 2.12.04 0 comments Links to this post
Os novos excêntricos de Portugal fizeram sonhar o país. Dois tipos de Moreira de Cónegos que ganham, de um dia para o outro, ganham 43 milhões de euros, mexeriam sempre com a imaginação dos portugueses. Mais mexeram ainda quando a maior parte destes vive com dificuldades que 43 mil resolveriam no curto prazo...
Nos dias que se seguiram ao sorteio ouvi duas ou três pessoas próximas dizer: "Eu oferecia logo uma casa a cada um dos meus amigos!" Não era falta de vontade de presentear os meus amigos, mas aquilo não me soava bem... De argumento em argumento, cheguei finalmente a um que me satisfez e que mereceu a concordância dos meus interlocutores: o "problema lista de casamento".
Qual é o problema lista de casamento? Tenho reparado que as pessoas que se casam se debatem sempre com um mesmo problema: tendo um número máximo de pessoas que podem convidar, há sempre algumas que ficam na fronteira e acabam por não poder ser convidadas. Seriam as primeiras a sê-lo se existisse a possibilidade de fazer mais meia dúzia de convites, mas não há... E isso significa sempre um certo mal-estar entre quem não convida e o não-convidado. Para mim, só a perspectiva desse problema me faria pensar dez vezes antes de organizar a boda...
E é exactamente este o problema que eu acho que há no plano de dar casas aos amigos quando se ganha o euromilhões: o problema lista de casamento. Quando é que paramos de dar casas? Quantos verdadeiros amigos temos? Por que é que o vosso décimo melhor amigo merece uma casa e o décimo primeiro não?
Posted by at at 2.12.04 6 comments Links to this post
Agora que vai para eleições, acho que o importante a dizer é que Portugal, nesta fase, já não pode ser demasiado exigente. Não vale a pena pedir um governo competente. Eu limito-me a pedir uma pessoa. Só uma, com uma única característica: tem que ser uma pessoa séria.
Não pode ser o Santana, nem o Sócrates, nem o Portas, nem o Marques Mendes, nem o Dias Loureiro, nem o Jorge Coelho, nem o Ferro.
Portugal deve a si mesmo encontrar um primeiro-ministro que seja sério. Só isso. Condição necessária e suficiente para que haja confiança no futuro.
Eu só vejo três nomes que preenchem esse exigente requisito: Cavaco, Marcelo e Vitorino. Se um dos três se candidatar conta com o meu voto. Se não, abstenho-me.
Posted by at at 2.12.04 3 comments Links to this post
Adeus
Voltem para as esplanadas da linha!
iiiiiuuuuuuuuuuuuuppppiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!
Posted by at at 30.11.04 2 comments Links to this post
O sistema de que se fala no futebol português, apesar de todos o dizerem por meias palavras, é o controlo que o Porto tem da arbitragem. Mais do que claro, aliás, nas escutas telefónicas de árbitros e dirigentes do porto publicadas pelo Independente há uns anos e pelo caso das férias de árbitros no Brasil pagas pelo FCP através da agência de viagens Cosmos, dos irmãos Oliveirinha.
Diz-se que há também o reverso do sistema: uma forma hábil que foi encontrada para financiar o sistema a partir das oportunidades que ele próprio cria. Ou seja, o sistema transforma jogadores medíocres em campeões, permitindo que eles sejam vendidos por valores muito acima do seu real valor.
Assim, nos últimos 15 anos, entre Futre e Paulo Ferreira, o Porto vendeu dezenas de jogadores para clubes endinheirados da Europa, mas com excepção do mediano sucesso de Fernando Couto, Jardel e Ovtchinikov, todos fracassaram com maior ou menor estrondo nas suas novas aventuras.
Decidi fazer o onze dos maiores fracassados de entre as vendas de estrelas do Porto nos últimos quinze anos. E era só isso que queria fazer. Mas dez minutos de pesquisas no Google para saber informações sobre os anos em que foram transferidos e para onde proporcionaram-me informações interessantes. Se não, vejam:
Guarda redes: Vítor Baía. Transferido para o Barcelona em 96/97 como grande craque, voltou para o Porto dois anos e meio e muitas dezenas de frangos depois. Treinador do Barça em 96? Bobby Robson, ex-treinador do Porto. Adjunto do Barça em 96? José Mourinho, hoje ex-treinador do Porto.
Lateral direito: Secretário. Vendido ao Real em 96 como o melhor lateral direito da Europa, voltou ao Porto depois de uns anitos a aquecer as bancadas do Bernabéu, como forte candidato a jogador mais ridículo da história do Real.
Centrais: Geraldão. O pontapé-canhão das Antas foi vendido em 91 ao Paris Saint-Germain, e nunca mais se ouviu falar dele. Treinador do PSG em 91? Artur Jorge, ex-treinador do Porto.
Emerson. O possante médio defensivo que podia jogar a central foi vendido ao Middlesbrough em 96 como um dos melhores médios da Europa. Passou também pelo Corunha, mas sempre sem grande sucesso.
Lateral Esquerdo: Esquerdinha. O barrigudo lateral portista foi vendido ao Zaragoza em 2001, e nunca mais se ouviu falar dele. Treinador-adjunto do Zaragoza em 2001? Narcis Júlia, hoje treinador adjunto do FC Porto.
Médios-centro: Doriva. O novo Dunga foi vendido em 99 à Sampdoria, transitando logo em 2000 para o Celta de Vigo. Passou por vários clubes sem sucesso nem notoriedade. Treinador do Celta em 2000? Victor Fernandez, hoje treinador do FC Porto.
Chainho. Trinco vendido ao Zaragoza em 2001, passando em 2002 para o Panathinaikos. Hoje joga sem brilho no Marítimo. Teinador-adjunto do Zaragoza em 2001? Narcis Júlia. Treinador do Panathinaikos em 2002? Fernando Santos, ex-treinador do FC Porto.
Extremos: Sérgio Conceição, vendido à Lazio em 1998 passou por diversos clubes italianos, sem sucesso, antes de regressar ao FCP. Hoje joga no Standard de Liège.
Capucho. Vendido ao Glasgow Rangers onde nunca foi titular absoluto, joga agora sem brilhantismo pelo Celta de Vigo, na segunda divisão espanhola.
Avançados: Jorge Plácido. Vendido como craque ao Matra Racing em 88, nunca fez nada de relevante. Voltou ao Porto e acabou a carreira nos Lusitanos de Sant-Maur. Treinador do Matra em 88? Artur Jorge.
Domingos. Vendido ao Tenerife em 97, como grande avançado, voltou para o Porto um ano e meio depois, sem ter feito nada de relevante. Treinador do Tenerife em 97? Surpresa... Victor Fernandez, actual treinador do Porto.
Convém referir que neste período, e entre alguns falhanços, Benfica e Sporting venderam, entre outros, Figo, Rui Costa, Stanic, Balakov, Aldair, Ricardo Gomes, Valdo, Juskowiak, Fernando Meira, Boa Morte, van Hooijdonk, Marchena, Gamarra, Cadete... enfim, alguns jogadores que tiveram brilho e sucesso por onde passaram, como é normal.
Ele há grandes coincidências... se estas foram encontradas com 10 minutos de Google, imagine-se as coincidências que não encontraria uma investigação jornalística séria...
Posted by at at 30.11.04 0 comments Links to this post
O que o Santana assumiu ontem: que era um puto numa incubadora já a Gabardina tinha escrito em Agosto. E não foi sorte ou premonição acertada.
Aqui, observa-se o que vai lá atrás...
Os leitores da Gabardina que leram estes textos em Agosto sabem agora que não perderam o seu tempo.
Fragmento
O primeiro-ministro ao canto do quarto, está acocorado atrás dos cortinados. Tem um dedo na boca e a cara triste. O pijama castanho com nuvens brancas que veste só lhe fica bem, com uns chinelos de quarto azulinhos. Todo o pessoal da residência do primeiro-ministro procura por todo o lado os chinelos. Sem eles, o menino não quer dormir. E quando o menino não dorme? ninguém dorme. Choradeira a noite inteira. Impaciente bate com os dois pés no chão, e agita as mãos no ar. A berraria vai começar. Dos chinelos é que nem pó. Procura-se em todo o lado: cozinhas, salas, garagens e quartos. Nada. O choro já não é choro, são os berros de menino mimado.
De repente entra pelo quarto um homem. Trabalhou durante 30 anos, 12 horas por dia, só descansou ao Domingo. De seu tem um apartamento de 2 assoalhadas em Fernão Ferro. Dirige-se ao primeiro-ministro chorão, pega-o ao colo e segurando-o com os fortes braços, embala-o com as histórias de coragem dos trabalhadores rurais. O primeiro, já de lágrima seca escuta com atenção. Maravilhado com a historinha para dormir adormece nos braços do homem.
o filhinho da mãe
Sentado à mesa do pequeno-almoço, o ministro termina as papas que a sua mãe cozinhou.
-Vá lá, tens de comer tudo, para seres grande e forte para brincar com os outros meninos.
O ministro atestado de papas lácteas, bolsa ligeiramente. Não fora o babete bordado com uma menina a andar de trotinete e tinha sujado a gravata e o fato escuro. Ao ver que o filho não conseguia comer mais, a mãe senta-o ao colo, prende-lhe os braços e começa dar-lhe o resto do pequeno-almoço na boca: mete a colher de sopa nas papas, leva-a à sua boca para as arrefecer com dois soprinhos maternais, pede ao ministro que abra a boca e enfia o resto das papas goela abaixo deste funcionário do governo. O ministro esperneia, diz que não quer mais e tenta sair do colo da mãe. A mãe diz que é só mais uma colherada. Convence-o dizendo que se ele comer aquela última colher, pede aos senhores da netcabo para ainda hoje, irem ao seu gabinete instalar o Disney Channel. O ministro acede à ultima colher e a mãe limpa os restos de papas da boca com pequenos movimentos em volta dos lábios e com uma passagem vigorosa com o babete.
-Vá! agora vais lavar os dentes que o motorista já está lá em baixo à espera.
Enquanto o ministro lava os dentinhos, a mãe abre a sua pasta preta e coloca lá dentro um lanche: pão com marmelada e manteiga embrulhado num guardanapo de papel e um pacote de leite com chocolate. Tudo dentro de um saco de plástico transparente que o ministro odeia.
São 9:00 da manhã e vai começar mais um dia de trabalho do XVI governo constitucional.
jáááááá fiiiiz...
É a voz finíssima da recém empossada secretária de estado. Está sentada e o som sai-lhe das goelas, choca com os diversos utensílios sanitários, espalha-se pelos mármores da casa de banho, reflecte-se no enorme espelho e disparada avança para o corredor. Este som, qual bola de fogo, percorre agora os passos perdidos, desce veloz a escadaria nobre, enche as salas dos grupos parlamentares, abre de par em par as portas do refeitório dos frades e entra directamente nos ouvidos do único deputado que no andar de baixo, pela mão da senhora sua avó, depois de ter interrompido as férias em Ibiza para vir ao parlamento buscar uma agenda, espera que esta lhe ponha as fraldas para dentro das calças. As mãos finas da avó afundam-se num círculo à volta da cintura barrica do deputado.
Porque é urgente, necessário e sincero o "jáááááá fiz" vindo do segundo andar, não se distraí com esta cena de amor inter ? geracional e segue caminho até ao bar da Assembleia: estaca-se à porta por momentos e agudíssimo preenche todo bar.
O pai da recém empossada secretária de estado, reconhecendo o chamamento filial, apaga a cigarrilha, bebe o último gole de água e despede-se do empregado. Faz o caminho inverso da voz, guiado pelas pequenas ressonâncias que o som foi migalhando pelos capiteís, arabescos e vigas de estilo neo-clássico do Palácio de S. Bento da Saúde ou dos Negros, mosteiro Beneditino, com inicio de construção em 1598.
-Vá, já está limpo. Vista-se e despache-se que os senhores do protocolo de estado já ligaram duas vezes para saber se sempre vai ao jantar de embaixadores.
Assaduras e leis, sont les mots qui vont tres bien ensemble.
Saiba o leitor que tal como as bolachas Carr´s são recomendadas pela família real inglesa, também as fraldas Dodot Etapas são recomendadas pelo presidente da assembleia da republica. Expliquemos.
O Presidente da assembleia da Republica farto do burburinho de fundo do hemiciclo e sabedor pela experiência de pai de que este se deve a alguns rabos assadinhos, decidiu emitir a seguinte nota aos pais e às mães dos senhores deputados da Republica Portuguesa:
Nota da Presidência
Excelentíssimos encarregados de educação,
Em face da crescente inquietação e às cada vez mais frequentes ausências dos senhores deputados, V/ educandos, no parlamento, venho por este meio sugerir que V/ Exas ao vestirem de manhã os senhores V/ filhos, lhes coloquem as novas fraldas super-absorventes Dodot Etapas. Este produto, novo no mercado nacional, é capaz de não só evitar as irritações na pele responsável pelo bruá de fundo que na passada semana impediu que fosse aprovada a tão desejada reforma da administração pública, como permitir que até à hora que V/ Exa vêm buscar os petizes, estes se mantenham no hemiciclo sequinhos, sossegadinhos e a brincar felizes. A presidência reconhecendo a qualidade das fraldas referidas, não hesita em recomenda-las para que se evite o desconforto televisivo da aridez parlamentar, e a comichão cutânea das assaduras em tão desejada área parlamentar.
A presidência, consciente de que esta troca de fraldas pode não agradar a todos os pais, está a diligenciar no sentido de no mais curto tempo possível recuperar as antigas instalações do berçário da antiga assembleia nacional. A presidência, após reconstruir este equipamento de apoio comunicará a V/Exas as respectivas condições de uso.
Sem mais, e na esperança da melhor compreensão subscrevo-me,
E assim se explica a coroa britânica feita esfera armilar nos pacotes de fraldas Dodot.
Posted by at at 29.11.04 1 comments Links to this post
Sábado à tarde. Festa de aniversário do Pedro. A garagem estava melhor que nunca. Bola de cristal no tecto e tudo. Depois dos rissóis, dos croquetes, da coca-cola e da batata frita que a mãe do Pedro tinha posto em pratinhos de plástico, a malta pôs uns slows a tocar na aparelhagem. Depois de o Pedro, o engatatão do grupo, ter dançado encostadinho a todas as suas amigas, e de um jogo do lenço, passaram os jovens ao jogo da dança das cadeiras. Depois de duas eliminatórias rápidas e sem problemas, à terceira o Nuno, o Chaves e o Pedro organizaram-se para que ficasse de fora o Zé, que andava a comportar-se como um idiota nos últimos tempos...
Ora o Zé não gostou nada disso e ameaçou que se ficasse fora do jogo se ia embora e levava os cigarros que tinha comprado às escondidas no café do fundo da rua, para irem fumar para trás da garagem quando caísse a noite.
O Pedro propôs, então, que se repetisse esta última jogada. O Chaves não gostou da proposta, bateu com o pé no chão e foi embora. Um miúdo birrento, concordaram o Zé, o Pedro e o Nuno, e também os restantes foliões, enquanto se serviam de mais coca-cola, à qual o Nuno acrescentava whisky da garrafinha que trazia escondida no bolso do blusão.
Posted by at at 29.11.04 1 comments Links to this post
Foi há dez minutos atrás. Estava eu em mais uma tarde de trabalho, com o pensamento entre actas de reuniões e o teste de Econometria Aplicada de amanhã, quando toca a campaínha da empresa.
Vou à porta e aparece-me uma daquelas miúdas que todas as mulheres insistem que têm ar de convencidas e antipáticas. Digo "Boa tarde!" (provavelmente com extra-sorriso) e a resposta não podia ser mais surpreendente:
"Venho para uma consulta de Ginecologia agora às cinco."
Por um segundo - mesmo só por um - passou-me pela cabeça aquela notícia típica dos telejornais portugueses de há uns anos: "Fez-se passar por médico durante mais de 20 anos sem nunca ter estudado medicina e os doentes adoravam-no!"
Um segundo depois, já com braço esquerdo a ameaçar fazer o gesto de "Faça favor!", o cérebro falou mais alto: "Deve ser na casa ao lado, aquela amarela..."
Para que a tarde não seja completamente perdida, venha de lá uma fartura da Tânia...
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E, claro, por educação, não chamarei filho da puta ao ministro Henrique Chaves.
"Entregaram-me um DVD, mas obviamente que não faço tenções de o ver. Por delicadeza não atirei o DVD pela janela fora."
Henrique Chaves, ministro (????) da Juventude e do Desporto, citado pelos meios de comunicação nacionais a propósito do DVD que lhe foi entregue pelo SL Benfica na audiência concedida esta semana ao clube da águia
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He visto lo que haces con las naranjas!
Si te trago el gobierno, me sacas el Santana?
Posted by at at 24.11.04 0 comments Links to this post