segunda-feira, novembro 29, 2004

Os puto que governam

O que o Santana assumiu ontem: que era um puto numa incubadora já a Gabardina tinha escrito em Agosto. E não foi sorte ou premonição acertada.
Aqui, observa-se o que vai lá atrás...
Os leitores da Gabardina que leram estes textos em Agosto sabem agora que não perderam o seu tempo.


Fragmento
O primeiro-ministro ao canto do quarto, está acocorado atrás dos cortinados. Tem um dedo na boca e a cara triste. O pijama castanho com nuvens brancas que veste só lhe fica bem, com uns chinelos de quarto azulinhos. Todo o pessoal da residência do primeiro-ministro procura por todo o lado os chinelos. Sem eles, o menino não quer dormir. E quando o menino não dorme? ninguém dorme. Choradeira a noite inteira. Impaciente bate com os dois pés no chão, e agita as mãos no ar. A berraria vai começar. Dos chinelos é que nem pó. Procura-se em todo o lado: cozinhas, salas, garagens e quartos. Nada. O choro já não é choro, são os berros de menino mimado.
De repente entra pelo quarto um homem. Trabalhou durante 30 anos, 12 horas por dia, só descansou ao Domingo. De seu tem um apartamento de 2 assoalhadas em Fernão Ferro. Dirige-se ao primeiro-ministro chorão, pega-o ao colo e segurando-o com os fortes braços, embala-o com as histórias de coragem dos trabalhadores rurais. O primeiro, já de lágrima seca escuta com atenção. Maravilhado com a historinha para dormir adormece nos braços do homem.

o filhinho da mãe
Sentado à mesa do pequeno-almoço, o ministro termina as papas que a sua mãe cozinhou.
-Vá lá, tens de comer tudo, para seres grande e forte para brincar com os outros meninos.
O ministro atestado de papas lácteas, bolsa ligeiramente. Não fora o babete bordado com uma menina a andar de trotinete e tinha sujado a gravata e o fato escuro. Ao ver que o filho não conseguia comer mais, a mãe senta-o ao colo, prende-lhe os braços e começa dar-lhe o resto do pequeno-almoço na boca: mete a colher de sopa nas papas, leva-a à sua boca para as arrefecer com dois soprinhos maternais, pede ao ministro que abra a boca e enfia o resto das papas goela abaixo deste funcionário do governo. O ministro esperneia, diz que não quer mais e tenta sair do colo da mãe. A mãe diz que é só mais uma colherada. Convence-o dizendo que se ele comer aquela última colher, pede aos senhores da netcabo para ainda hoje, irem ao seu gabinete instalar o Disney Channel. O ministro acede à ultima colher e a mãe limpa os restos de papas da boca com pequenos movimentos em volta dos lábios e com uma passagem vigorosa com o babete.
-Vá! agora vais lavar os dentes que o motorista já está lá em baixo à espera.
Enquanto o ministro lava os dentinhos, a mãe abre a sua pasta preta e coloca lá dentro um lanche: pão com marmelada e manteiga embrulhado num guardanapo de papel e um pacote de leite com chocolate. Tudo dentro de um saco de plástico transparente que o ministro odeia.
São 9:00 da manhã e vai começar mais um dia de trabalho do XVI governo constitucional.

jáááááá fiiiiz...
É a voz finíssima da recém empossada secretária de estado. Está sentada e o som sai-lhe das goelas, choca com os diversos utensílios sanitários, espalha-se pelos mármores da casa de banho, reflecte-se no enorme espelho e disparada avança para o corredor. Este som, qual bola de fogo, percorre agora os passos perdidos, desce veloz a escadaria nobre, enche as salas dos grupos parlamentares, abre de par em par as portas do refeitório dos frades e entra directamente nos ouvidos do único deputado que no andar de baixo, pela mão da senhora sua avó, depois de ter interrompido as férias em Ibiza para vir ao parlamento buscar uma agenda, espera que esta lhe ponha as fraldas para dentro das calças. As mãos finas da avó afundam-se num círculo à volta da cintura barrica do deputado.
Porque é urgente, necessário e sincero o "jáááááá fiz" vindo do segundo andar, não se distraí com esta cena de amor inter ? geracional e segue caminho até ao bar da Assembleia: estaca-se à porta por momentos e agudíssimo preenche todo bar.
O pai da recém empossada secretária de estado, reconhecendo o chamamento filial, apaga a cigarrilha, bebe o último gole de água e despede-se do empregado. Faz o caminho inverso da voz, guiado pelas pequenas ressonâncias que o som foi migalhando pelos capiteís, arabescos e vigas de estilo neo-clássico do Palácio de S. Bento da Saúde ou dos Negros, mosteiro Beneditino, com inicio de construção em 1598.
-Vá, já está limpo. Vista-se e despache-se que os senhores do protocolo de estado já ligaram duas vezes para saber se sempre vai ao jantar de embaixadores.
Assaduras e leis, sont les mots qui vont tres bien ensemble.



Saiba o leitor que tal como as bolachas Carr´s são recomendadas pela família real inglesa, também as fraldas Dodot Etapas são recomendadas pelo presidente da assembleia da republica. Expliquemos.
O Presidente da assembleia da Republica farto do burburinho de fundo do hemiciclo e sabedor pela experiência de pai de que este se deve a alguns rabos assadinhos, decidiu emitir a seguinte nota aos pais e às mães dos senhores deputados da Republica Portuguesa:

Nota da Presidência
Excelentíssimos encarregados de educação,
Em face da crescente inquietação e às cada vez mais frequentes ausências dos senhores deputados, V/ educandos, no parlamento, venho por este meio sugerir que V/ Exas ao vestirem de manhã os senhores V/ filhos, lhes coloquem as novas fraldas super-absorventes Dodot Etapas. Este produto, novo no mercado nacional, é capaz de não só evitar as irritações na pele responsável pelo bruá de fundo que na passada semana impediu que fosse aprovada a tão desejada reforma da administração pública, como permitir que até à hora que V/ Exa vêm buscar os petizes, estes se mantenham no hemiciclo sequinhos, sossegadinhos e a brincar felizes. A presidência reconhecendo a qualidade das fraldas referidas, não hesita em recomenda-las para que se evite o desconforto televisivo da aridez parlamentar, e a comichão cutânea das assaduras em tão desejada área parlamentar.
A presidência, consciente de que esta troca de fraldas pode não agradar a todos os pais, está a diligenciar no sentido de no mais curto tempo possível recuperar as antigas instalações do berçário da antiga assembleia nacional. A presidência, após reconstruir este equipamento de apoio comunicará a V/Exas as respectivas condições de uso.
Sem mais, e na esperança da melhor compreensão subscrevo-me,
E assim se explica a coroa britânica feita esfera armilar nos pacotes de fraldas Dodot.

Festa de garagem

Sábado à tarde. Festa de aniversário do Pedro. A garagem estava melhor que nunca. Bola de cristal no tecto e tudo. Depois dos rissóis, dos croquetes, da coca-cola e da batata frita que a mãe do Pedro tinha posto em pratinhos de plástico, a malta pôs uns slows a tocar na aparelhagem. Depois de o Pedro, o engatatão do grupo, ter dançado encostadinho a todas as suas amigas, e de um jogo do lenço, passaram os jovens ao jogo da dança das cadeiras. Depois de duas eliminatórias rápidas e sem problemas, à terceira o Nuno, o Chaves e o Pedro organizaram-se para que ficasse de fora o Zé, que andava a comportar-se como um idiota nos últimos tempos...
Ora o Zé não gostou nada disso e ameaçou que se ficasse fora do jogo se ia embora e levava os cigarros que tinha comprado às escondidas no café do fundo da rua, para irem fumar para trás da garagem quando caísse a noite.
O Pedro propôs, então, que se repetisse esta última jogada. O Chaves não gostou da proposta, bateu com o pé no chão e foi embora. Um miúdo birrento, concordaram o Zé, o Pedro e o Nuno, e também os restantes foliões, enquanto se serviam de mais coca-cola, à qual o Nuno acrescentava whisky da garrafinha que trazia escondida no bolso do blusão.

quinta-feira, novembro 25, 2004

The luckiest kind of doctor

Foi há dez minutos atrás. Estava eu em mais uma tarde de trabalho, com o pensamento entre actas de reuniões e o teste de Econometria Aplicada de amanhã, quando toca a campaínha da empresa.
Vou à porta e aparece-me uma daquelas miúdas que todas as mulheres insistem que têm ar de convencidas e antipáticas. Digo "Boa tarde!" (provavelmente com extra-sorriso) e a resposta não podia ser mais surpreendente:
"Venho para uma consulta de Ginecologia agora às cinco."
Por um segundo - mesmo só por um - passou-me pela cabeça aquela notícia típica dos telejornais portugueses de há uns anos: "Fez-se passar por médico durante mais de 20 anos sem nunca ter estudado medicina e os doentes adoravam-no!"
Um segundo depois, já com braço esquerdo a ameaçar fazer o gesto de "Faça favor!", o cérebro falou mais alto: "Deve ser na casa ao lado, aquela amarela..."
Para que a tarde não seja completamente perdida, venha de lá uma fartura da Tânia...

Por delicadeza

E, claro, por educação, não chamarei filho da puta ao ministro Henrique Chaves.

"Entregaram-me um DVD, mas obviamente que não faço tenções de o ver. Por delicadeza não atirei o DVD pela janela fora."
Henrique Chaves, ministro (????) da Juventude e do Desporto, citado pelos meios de comunicação nacionais a propósito do DVD que lhe foi entregue pelo SL Benfica na audiência concedida esta semana ao clube da águia

quarta-feira, novembro 24, 2004

Espremedor


He visto lo que haces con las naranjas!
Si te trago el gobierno, me sacas el Santana?

quinta-feira, novembro 18, 2004

Vida de blogger

Quando se escreve diariamente (ou quase) há um ano e meio para um blog e quando os minutos do dia começam a apertar, começa a ser difícil perceber o "porquê" dessa escrita.

E quando essas dúvidas me começavam a assaltar, eis que abro o e-mail e tenho um recado simpático sobre um dos meus textos. Rapidamente descubro por que continuo e quero continuar.

Opinar, comentar, disparatar, claro, como sempre. Deitar cá para fora pensamentos e raciocínios. Se, para além de tudo isto, conseguir, de tempos a tempos, "tocar" na vida de alguém, continuará a valer a pena.

Anita - Dia 180


Até morrer a minha estação preferida era o Outono. Adorava os primeiros ventos frios na cara, o estalar das folhas secas e a forma como as pessoas que usavam roupa quente, parecem caminhar mais devagar pelas ruas.
Desde que morri, gosto menos do Outono. Prefiro o Inverno. O frio do Inverno. Hoje amo o frio do Inverno porque odeio o calor do Verão. Pois no Verão vêem-se coisas num sitio como este...
No dia em que aqui cheguei e me colocaram na gaveta frigorífica estavam 42º na rua. No dia seguinte todo o sistema de ar condicionado avariou e assim ficou durante duas semanas inteiras. A mim colocaram-me dentro de uma arca congeladora mas aos outros... Aos outros... Bem os outros ficaram ao ar...
Os mortos arrefecem, solidificam e ficam moles outra vez. Depois, porque os músculos distendem, incham com os gases que a decomposição vai provocando. Os orifícios naturais abrem, e é possível, ouvir o som de uma bexiga a esvair-se no chão a meio da noite, ou escutar os dejectos a caírem no mármore. Os globos oculares entram nas orbitas e os insectos entram no espaço vazio, para aí colocarem os ovos e nas criarem as suas larvas. O que sucede nos olhos, acontece dentro do próprio corpo, pois com a falência do sistema imunitário todos os germes se podem multiplicar. Num momento concreto, quando a pele do abdómen já não aguenta a pressão exercida pelos insectos que querem nascer para a claridade, o som do estalar da pele indica a implosão dos intestinos e dos pulmões. Acontece porém, que se este processo demora cerca de 2 semanas abaixo dos higiénicos 7 palmos de terra, em cima de uma mesa de metal com 40º, o processo demora dois dias. Se a esta velocidade acrescentarmos um acidente de viação que custou a vida a 23 pessoas, temos o ambiente geral dos meus primeiros dias nesta casa.
Os técnicos tinham de entrar de botas de borracha para evitar os líquidos que os cadáveres deitavam. As janelas fechadas para que o cheiro não se sentisse na rua e as luzes desligadas para que os gazes não se inflamassem se alguém ligasse um interruptor. Durante 12 dias estive às escuras por cima de 23 cadáveres que apodreciam rapidamente. Mas se para mim a situação perecia insolúvel, para a direcção desta morgue o caos de putrefacção era a desculpa que as chefias necessitavam para a porem a correr. Limpeza, limpeza eis a questão que tinha de ser rapidamente resolvida. Então, numa noite em que ar parecia de gelatina, as portas desta morgue que funciona nos civilizados 0º, foi invadida por uma turba de cães esfaimados. Uma massa de dentes afiados, de focinhos húmidos atiçados pelo cheiro de carne quente, de corpos ágeis e magros e olhos brancos de fome. Eram 300 cães que ao mesmo tempo entraram pela porta. Vorazes, violentos e sedentos limparam os corpos macerados dos acidentados. Apesar do barulho nessa noite houve uma brisa de esperança.

quarta-feira, novembro 17, 2004

Só uma 27.ª oportunidade, por favor

Deixaste passar tudo o que a vida te ofereceu. Umas vezes acreditaste que havia um caminho melhor, outras não foste suficientemente rápido ou corajoso ou bom para agarrares as oportunidades. E hoje sabes que esses caminhos eram melhores. Mas estão longe. Na tua vida não passam de recordações coladas na parede do quarto. A vida deu-te muito, muitas oportunidades para seres feliz. Outros aproveitaram o que tu desperdiçaste. Outros ainda preferiram imitar-te. Agora resta esperares que a vida tenha mais uma cortada para ti. E estares pronto e atento para não a deixares passar.
Do you believe in second chances?


terça-feira, novembro 16, 2004

Estafermo é, assim se pôs

Tenho andado a pensar num texto sobre o estafermo, que saiu do ovo. Como não quis interromper polémicas na caixa de comentários, deixo aqui o meu desabafo.

O que eu considero mais preocupante nos estafermos é o caminho para a estafermização. Porque concordo que o estafermo não se vê estafermo, mas sim uma pessoa "fixe" segundo a sua nova tabela de valores, excepto em alguns raros momentos de lucidez. Assim o que me parece grave é o caminho: os pequenos saltos estafermizantes que têm que ser dados até chegar à estafermidade. Aquelas pequenas decisões, aqueles momentos em que uma pessoa boa pensa "eu devia fazer isto, mas toda a gente faz aquilo, por isso eu vou fazer também" ou "isto não tem mal nenhum" ou "se tem que ser para alguém que seja para mim" ou ainda o "eu tenho é que pensar em mim em primeiro lugar!".

E assim crescem os estafermos. Iguais a todos os que conhecemos e de quem sempre dissemos "Eu nunca serei um estafermo assim!"

Anita - dia 178


Agora, que chamo a este sitio casa.
Agora, que quando procuro conforto subo ás gavetas frigorificas que estão mais perto do tecto.
Agora, que passou a ser para sempre. Agora, tenho a verdade para contar os que morreram. Narrar-lhes as historias, responder-lhes às perguntas e sentir-lhes essa profunda desilusão de quem já não é.
O troglodita do bigode deve estar a chegar. AH! temo amigo hoje. Então? até onde iremos meu caro... não tenhas medo e vai onde leva o coração. Avança, assim de peito aberto até onde ardes para chegar.

Um velho e uma velha estão deitados na mesa de dissecação. Unidos. Abraçados. Quando um morreu o outro, companheiro desde a juventude, morreu também. Combinaram assim. E assim se cumpriu. Morreu ela e passados dois minutos de olhar para os olhos a secarem, o outro coração serenou-se de vez. Caiu ao lado dela, abraçou-a, sorriu e morreu. O resto é a história dos telefonemas não atendidos, dos preocupações dos familiares, do arrombamento de uma porta e da descoberta dos dois corpos deitados juntos como sempre na cama.
Pois estas pessoas, garantia de que afinal é possível, jazem cobertas com um lençol branco deitadas no metal frio. Os cabelos dela descem pelo ralo por onde se escoam por vezes líquidos e que uma corrente de água atravessa de vez em quando. As unhas do homem, transparentes e delicadamente longas, viradas para baixo são atravessadas pela luz. À transparência estão límpidas e duras com as unhas dos velhos são límpidas e duras.
O bigode ridículo, que acopla um corpo ainda mais bigode, é mexido e acariciado pelos dedos que se demoraram a entesar o seu mortiço membro viril. Já conheço o procedimento . . . Despe as calças, e sem cuecas dirige-se hipnotizado para o leito final dos velhotes. Exibindo a erecção à ventoinha no tecto, coloca-se ao lado dos égregios avós. Bate violento com o seu pau na testa da mulher. Uma e outra e outra vez. E mais. E mais. E ao lado o companheiro de uma vida nada faz? Após estas pancadas secas, como ele gosta de dizer, um som saiu de dentro da boca da mulher. Os dentes consumidos pela criação de 4 filhos e pelo amor a este homem, e substituídos por uma placa soltara-se. Engasgando-a se fosse viva... Então, colocando-se por cima da mulher penetra-a na boca até ás amígdalas. Delicadamente e aproveitando o degrau natural da sua glande plena de sangue, encaixa-a nos dentes da mulheres retirando-os. A boca da mulher incha um pouco para deixar passar os dentes. Uma tremura e logo se soltariam do encaixe da glande. Mais o homem sabe, costuma fazer isto e a sua precisão é inigualável.
Com os dentes do homem e da mulher nas mãos descansa da sua empresa. Uma gota de suor reflecte a luz quando se solta de ponta do nariz.
Quatro filas de dentes. Duas vidas.
Com as calças na mão, entrega os dentes ao amigo. Este separa-os, divide-os em dois grupos que coloca nas duas extremidades de uma mesa de madeira e põe-os de pé.
Peças de dominó, de damas ou de xadrez? Esta semana é dominó...

segunda-feira, novembro 15, 2004

Os novos fascistas

A palavra "fascista" sempre teve para mim (talvez seja um problema geracional, ou então será só meu) um significado que não corresponderá exactamente ao seu significado original. Fascista para mim é alguém que acha que a sua posição é a melhor e que todos os outros devem fazer como ele. Alguém que se considera superior a ponto de que o mundo deva ser moldado à sua imagem.

Em princípio, hoje a essa palavra, no meu mundo, deveriam estar colados os meninos da direita portuguesa. As suas camisinhas de marca, os seus cabelinhos penteados. Mas curiosamente não é assim (talvez porque esses sejam demasiado medíocres para poderem presumir que têm razão. São, em geral, simplesmente boçais).

Quem me aparece hoje colado à palavra fascista, na minha geração, são os jovens que se dizem de esquerda. Retrato tipo: curso superior a caminho para mestrado ou doutoramento; vestuário ligeiramente radical mas cuidado; gostos musicais que abarcam Manu Chao e música clássica; têm uma opinião sobre o cinema francês; jantam e tomam café em sítios chiques e de vez em quando vão às discotecas da moda; pertencem a organizações de cidadãos que defendem um interesse sectorial, que em geral nada está relacionado com eles; lambem tudo o que é rabo de intelectual ou professor universitáio importante; estão dispostos a tudo para subirem na vida; acham que se os outros têm dificuldades na vida é porque não querem trabalhar; quando estão descontraídos deixam escapar frases absolutamente arrepiantes sobre os pobres e assim essa gente que não se lava e não se esforça.

Afinal quem está errado, o meu significado do conjunto de letras f-a-s-c-i-s-t-a, ou a vida fascista deles?

RDA


RDA Posted by Hello


Recebido por e-mail

Anita - dia 177


Quando me aborreço, me canso de estar à espera que alguém associe o meu desaparecimento a um atropelamento numa outra cidade, ou quando me começam a doer as costas de estar deitada no inox gelado, escuto as conversas dos recém enlutados que na sala de espera, aguardam para levantar o seu morto.
Não há muito tempo, um rapaz falava com um amigo como estava envergonhado de não sentir aquela profunda tristeza e quase morte que pensava que iria sentir, quando lhe morresse a mãe.
O rapaz contava que antes da sua mãe ter morrido pensava que quando esse dia chegasse, também para ele a vida terminaria. Mas para sua surpresa o dia da sua mãe chegou e ele não morreu. E isso surpreendeu-o. Mas, se isso o surpreendeu, a sensação de não estar a sofrer tanto como as outras pessoas, aterrorizou-o. Andava triste, mas apesar disso conseguia manter uma distância da morte da sua mãe, que lá no fundo o separava das das pessoas em seu redor. "Serei assim, absolutamente insensível, serei um cretino tão grande que nem consigo sofrer pela morta que me deu vida". O amigo que o escutava e que ia dizendo banalidades do tipo: "cada um reage como sabe" e "a pior dor é a que não se exterioriza", tentava encontrar uma justificação qualquer para aquela apatia, no entanto perdia-se nas suas próprias palavras.
Foi no exacto momento em que o ouvinte do recém órfão, se preparava para dizer mais uma tirada de lugares comuns, que decidi fazer alguma coisa.

Enevoada com poder súbito de me transformar numa gárgula de garras férreas, rompi pelo frigorifico adentro e agarrei entre os dentes o corpo da mãe do rapaz. Puxei-o violentamente para fora, e num voo raso transportei-o até onde os rapazes conversam. Sobrevoei-os e deixei cair o corpo no chão de mármore. Depois, voltei para o escuro e de gárgula figurei-me num corpolento e massivo cão de fila preto. Veloz e sanguinário, voltei para a frente do rapaz apático na morte da mãe, para estraçalhar à sua frente a recém falecida. Com as mandíbulas cravadas sobre o peito da mulher morta, arranquei o externo, que aberto em par deixava as entranhas soltas e prontas a espanharem-se para fora do corpo com os puxões e esticões que o meu pescoço musculado dava. Enquanto desmembrava, rasgava a carne e esmagava os ossos, um rosnar profundo e grosso mantinha os rapazes à distância. Ou melhor, o rapaz, porque quando pela última vez mergulhei o focinho ensanguentado nas entranhas da mãe, consegui ver que o filho apático ainda me olhava e já o seu amigo explicativo se tinha evadido daquele cenário apocalíptico.

O rapaz não pestanejava e mantinha-se imóvel a ver os actos hediondos deste cão de 2 metros de altura e 300 quilos que arremessava um corpo frio e inerte para todos os lados da sala. E assim ficou, como o corpo: frio e inerte. Nesse dia, no instante em viu o pescoço da sua mãe a dobrar-se como só um corpo morto se dobra, percebeu que embora vivo também ele morrera bem antes da sua mãe morrer. Só lhe bastava saber quando e como.

quinta-feira, novembro 11, 2004

quarta-feira, novembro 10, 2004

Comentário que dá em post

Nas florestas mais ricas as árvores morrem de pé. Os menos atentos nem chegam a perceber que elas já morreram...


Ó Pai Celestial

Ontem quando cheguei a casa percebi que um colega tinha deixado entrar dois jovens missionários Mormons para a nossa sala, para uma conversa rápida. Eu, que sempre fui fascinado pelos "elderes" aos pares, juntei-me à conversa. A primeira surpresa é que eles são tipos bem dispostos, que nos entregaram um cartão em que se referiam a si mesmos como "os elderes". A segunda é que as crenças e os ritos deles são muito simples. As orações muito mais interessantes e exigentes que as católicas. Não há cá Avés Marias repetidas até ao vómito - cada um tem que dizer o que lhe vai na alma. A terceira é que não nos quiseram vender nada e não nos pediram nada - só quiseram falar do que acreditam e saber o que nós pensamos. A quarta é que respondem a todas as perguntas sem problemas - desde o que estão cá a fazer, passando pelo que farão quando regressarem aos EUA e acabando em quem votaram nas últimas eleições americanas.
A conclusão é que ou o marketing deles é muito melhor que o da igreja católica portuguesa, ou é um facto que a verdade está com eles e não com as outras igrejas que temos por cá, incluindo a católica.

Quando eles me visitaram ontem nada tinha para pedir ou agradecer a Deus, ou ao Pai Celestial com sotaque americano. Hoje, depois da leitura dos jornais da manhã, tenho um agradecimento e um pedido. Agradeço nunca ter tido que me vender e não ter por isso que andar a fazer coisas em que não acredito. Peço que tal nunca me aconteça.

Há coisas mais importantes no mundo, mas eu prezo muito estas.

terça-feira, novembro 09, 2004

Manso preto, Manso branco

A Gabardina está em condições de adiantar 50 nomes de figuras públicas pedófilas e que habitualmente participam em rituais satânicos e/ou de canibalismo.

Os nomes serão aqui postados nos próximos dias. A nossa fonte é anónima e que nenhum juiz nos venha perguntar quem é. Há já dois anos que a escrita é a nossa actividade principal e o pedido de duas carteiras de jornalista já seguiu. Basta de ataques à liberdade de imprensa!

segunda-feira, novembro 08, 2004

anita dia 170



E estou aqui. Nesta gaveta em que ouço tudo, e que abro quando não está ninguém no necrotério. À noite quando é mais seguro sair, deambulo pelos corredores às escuras. Bato numa cadeira. O som que sai do escuro chega ás vezes aos ouvidos das pessoas que recém enlutadas, aguardam na secretaria os procedimentos burocráticos da morte. Ontem à noite, ao fundo do corredor, descobri um esconderijo completamente na penumbra, de onde sem ser vista consigo observar as pessoas na recepção. Escondi-me no escuro e empurrei uma cadeira pelo chão. O som sai a toda a velocidade do breu entra nos ouvidos das duas mulheres e gela-as. Viram a cara para o escuro, arregalam os olhos e num arrepio longo e tremente encolhem os ombros. Não ligam. Os mortos estão mortos e por isso deve ter sido o vento, um gatito ou apenas uma impressão. Mas não era. Sou eu que no escuro do corredor arrasto uma cadeira como um corvo arrasta a sua asa partida pelo chão. De cócoras, agachada, num canto escuro, observo duas mulheres. Sinto as mãos petrificarem-se, o corpo a alongar-se e umas asas a romperem-me as costas. E a força, e a visão. Os braços arqueados são duas colunas de mármore, o peito ganha uma armadura de pedra rósea e pelos dedos finíssimos estiletes completam esta metamorfose. Sou gárgula que do escuro raia os olhos alvíssimos com a volúpia do assassinato. Abro as asas de lado a lado do corredor, e num voo raso avanço vertiginosa rente ao chão para as duas mulheres. Abraço-as com as longas asas e seguro-os os seus pescoços nestas garras milenares. Contra os vidros os corpos das mulheres cedem aos cortes profundos. Monstro de asas pretas, que só as sombras no chão, definem. Depois de ter deixado cair os corpos, observo o funcionário que cheio de sono aguardava que estas massas de osso partido e carne macerada, preenchessem os papéis. A ele um olhar, seguido por um desenrolar da minha língua veloz bífida e justa. Penetro-o pela boca, percorro o esófago e abrupta torço a língua na direcção do seu músculo cardíaco. Colho o coração com violência e retiro-o pela boca do funcionário acordado pelas duas mulheres. Ergo-o no tecto e cuspo-o para longe. Cai no lago que fica em frente desta morgue. Às 3 da manhã do dia 8 de Novembro de 2004 um splash irá satisfazer a pulsão de morte de todos os que acordam às 8:00 da manhã.
Experimentado o assassinato por piedade, recolho à minha gaveta para descansar.

Avesso e direito de nós

O que somos passa para o que fazemos e mais tarde o que fazemos é a montra do que somos.

Por que é que quando fazemos a cama o lençol de cima é posto com o direito virado para dentro, mas quando vestimos uma t-shirt o direito fica para fora?

quinta-feira, novembro 04, 2004

Dia seguinte

Depois de uma semanas a tentar convencer-nos de que há coisas mais importantes, somos obrigados a voltar a pensar no Santana, no Portas, no Sócrates, no Gomes da Silva... (mas quem é este Gomes da Silva, alguém me explica?)

O campeonato do mundo de futebol está a dois anos de distância e o Europeu e os Olímpicos a quatro. Não há por aí outro Timor Leste para nos motivar? Não há um tufãozito que se queira aproximar de território português?

quarta-feira, novembro 03, 2004

Gato Fedorento

Recebo e não resisto a publicar o melhor texto do Gato Fedorento na SIC Radical:

Meu amigo,
isto o que aconteceu foi muito simples meu amigo. O que aconteceu é que eu chego aqui e sou logo confrontado com certas e determinadas situações. Eu digo "então como é que é?", e os gajos "ah e tal!", e eu "tal não, ah tal não!". Então eu venho de lá de baixo e dizem que não sei quê, chego cá acima e parece que não? Em que é que ficamos? E os gajos, "ah, não sei que mais e o camandro", e eu "mau! queres ver que a gente tem que se chatear? Isto não pode ser!". Eu sou um gajo que estou aqui para trabalhar, quero trabalhar, e dizem-me, como aqui ouvi, "ah, não sei quê!". Mas que é isto? Isto não se faz, que eu sou um gajo que dou-me bem com toda a gente, sim senhor, dou-me bem, está tudo bem, e fazem-me isto! Depois há gajos que andam aí, que fazem trinta por uma linha, e depois passa tudo incólune, que é coisa que não percebo. É que assim deixo de vir aqui, passo a fazer a minha vida para outros sítios, sitios onde inclusivamente a malta me diz: "Eh pá, e tal, sim senhor!", e é para lá que vou, deixo de vir aqui pá! Porque quando vejo que há aí palhaços pá, que falam falam falam falam falam falam falam falam falam falam pá, e não os vejo a fazer nada pá, fico chateado, concerteza que fico chateado pá.

Anita dia 160



Hoje, o fornicador não veio. Ainda. Atrasado apenas, pois ele já cá está, que eu já o ouvi. Ainda me arrepio com aquele assobio fininho a sair por baixo de um bigodito que apara milimetricamente. O reverberar das notas abruptas pelos corredores nus e cinzentos desta casa mortuária denunciam-nos.
Hoje, não há putas, hoje o único que partilha o gelo comigo é um homem velho. Gostos, há para tudo, e assim como assim, quero ver até onde vai o javardo para esvaziar os tomates.
O velho tem 79 anos e era barbeiro. Começou a varrer os cabelos cortados na barbearia do pai aos 9 anos. Aos 12 aparou as primeiras patilhas e foi com 15 que cortou o primeiro cabelo. À máquina primeiro e depois à tesoura de corte. Uma "corneta" importada da Alemanha. Feita da uma liga levíssima.
Se houve coisa que nunca faltou a este homem foi formação profissional. Essa teve-a, e dada pelo melhor. O seu pai. Excelso babeiro da cidade.
Pois este homem, íntimo das pilosidades visíveis masculinas há mais de 60 anos, formado pelo melhor babeiro, próximo das suíças, amigo dos pêlos do nariz e privando mesmo com aqueles que se espetam para fora da orelhas e parecem lançar-se sobre o vazio, este homem - dizia- nunca, mas nunca, cortou um cabelo como deve ser. Cortou cabelos durante 60 anos, fez moscas, limpou cavanhaques, desfez bigodes e desenhou barbas, mas nunca, mas nunca, conseguiu fazer uma franja certa, uma nuca sem tesouradas ou uma linha direita numa barba. Nunca... e se não era por falta de bons mestres e tempo de treino, certamente que não era por desleixo, preguiça ou ignorância. Este homem era o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Dedicava-se, estudava e trabalhava tanto como tanto fora o talento de seu pai. Uma tigela sem desníveis, é que nada. Um dia decidiu que ia deixar de ser babeiro. Morreu no dia seguir. Ontem. Hoje está aqui. A arrefecer e a ter o anûs desflorado por um empregado com um bigode que parece um traço de carvão. O empregado corre-se. docemente pega numa colher. Com os dedos em forma de pinça, iça as pálpebras do barbeiro. Revira-as para trás. Com a colher, num gesto certo, alavanca o globo ocular para fora da órbita direita. O som peganhento do olho verde no chão. E a classe de umas sandálias hospitalares a calcarem o pedaço orgânico. Vista vazada, nova entrada -pensou a ervilha que tem dentro da cabeça-. Então, com a excitação que todos estes preliminares lhe provocaram, penetra resoluto a cara desfigurada so barbeiro.
Enfim... tanta encenação para afinal? não passar de um intelectualizar simbólico-orgânico do sexo.

terça-feira, novembro 02, 2004

Notícia bombástica: A China é maior que o Luxemburgo!, por Alexandra Lucas Coelho

Chego a Portugal depois de um fim-de-semana fora e alguém me dá a Pública de Domingo. Ao olhar para a primeira página não quero acreditar. "Heterossexuais são a maioria dos novos casos de sida em Portugal". Tenho que ler uma segunda e uma terceira vez para ter a certeza do que a frase quer dizer. Abro a revista e encontro o texto. Alexandra Lucas Coelho abre com uma citação: "Nunca pensei que isto me pudesse acontecer a mim, educada, lavada..." A palavra que paira sobre todo o texto principal da notícia - homossexual - só aparece duas vezes. Em ambas, citações da jornalista de perguntas postas por dois entrevistados nas bocas dos seus médicos, de quem se dá a ideia de serem ignorantes e preconceituosos.

O lead é uma maravilha. A falácia do título é repetida: os heterossexuais já são a maioria dos novos casos de sida em Portugal; os adjectivos "preocupante", "péssima" e "catastrófica" aparecem citados, colados à falácia, apesar de originalmente terem sido pronunciados em relação à situação da sida em Portugal; o fim, apoteótico, declara não haver grupos de risco, numa frase que parece ser uma citação dos entrevistados, mas não é.

Se não pretendesse induzir em erro a notícia seria tão relevante como uma que dissesse "Há mais casos de sida na China do que no Luxemburgo". Esta notícia seria primeira página de alguma publicação?

Quem lê (e fiz o teste com duas pessoas licenciadas em letras, uma delas jornalista) infere que são agora os heterossexuais quem mais contrai sida em Portugal. Mesmo em termos relativos, disseram-me. Presumo que fosse esse o objectivo do texto. Mas umas contas rápidas (ver o fim do texto) permitem perceber que a incidência de novos casos de sida entre os homossexuais é cerca de 26 vezes superior à incidência entre a população heterossexual. E não são um grupo de risco?

É verdade que os heterossexuais apanham sida. É verdade que a sida é uma tragédia. É verdade que existe um preconceito que liga os homossexuais ao HIV. Eu acho que é preciso lutar contra ele. Mas não me parece que isso se faça pondo notícias enganadoras, meias-verdades-meias-mentiras, nas capas das revistas.

E sobretudo não percebo como é que um jornal como o Público se presta ao serviço de pôr na primeira página da sua revista de domingo uma notícia que, sendo falaciosa (ou será que a própria jornalista não conseguiu interpretar os dados? Não me parece...), apenas serve os interesses de um determinado lobby.

Vem acontecendo cada vez mais em Portugal: não-notícias que aparecem com grande destaque e passando mensagens queridas a determinados grupos de pressão. Curiosamente acontece muito ao fim-de-semana. Aproveitando as folgas dos editores?

Recentemente o provedor do JN deu um enorme puxão de orelhas a uma sua jornalista. O Público, o que fará?


Contas rápidas
Segundo os dados apresentados no texto (sem indicação de site onde possam ser consultados on line), neste momento 53% dos casos de infecção com HIV são resultado de contacto heterossexual. Segundo esses mesmos dados, 54,9% dos novos infectados são heterossexuais. Podemos concluir que 45,1% dos novos infectados são homossexuais.
Ora representando os homossexuais cerca de 3% da população total (como é habitualmente indicado nos estudos sobre a matéria), há 32 vezes mais heterossexuais do que homossexuais em Portugal.
Deste modo, 3% da população é responsável por 45,1% dos novos casos de sida em Portugal, enquanto os restantes 97% são responsáveis por 54,9%.
Isto significa que se considerarmos que 5 em cada 1000 heterossexuais contrairá HIV, no mesmo período o mesmo acontecerá com 131 em cada 1000 homossexuais (5x32x(0,451/0,549)) - 26 vezes mais.

Brisa

Nas portagens das auto-estradas da Brisa (não sei se nas outras portuguesas também)quem paga com Multibanco recebe um recibo automaticamente. Quem paga com dinheiro vivo só o recebe se o pedir.

A razão deste procedimento é para mim um mistério. Motivos contabilísticos da empresa? Motivos pessoais dos portageiros? Outros motivos?

quarta-feira, outubro 27, 2004

Anita, dia 153



Passei a noite a pensar na causa de morte da puta que ontem aqui deu entrada. Como o empregado nem sequer a despiu antes de a foder, não consegui ver se tinha algum corte profundo ou alguma marca que justificasse a morte. Não costumo preocupar-me muito com a causa da morte: um acidente, uma doença , o que for, aos mortos nada disso interessa. Mas despertaram-me a atenção as golfadas de sangue que a puta cuspia ao ritmo da fornicação do empregado. Para cuspir sangue é porque teve que ser cortada de alguma forma. De alguma forma ínvia as veias e as artérias estavam a fazer curto-cuircuito com as vias respiratórias.
Se isto da curiosidade nos vivos pode matar, nos mortos é o que distrai. Não resisti e fui espreitar o papelinho que pendia por um cordelinho de mercearia do dedo grande do pé. "numero 31". Muito bem. Ao armário. Um envelope depois, e eis que a senhora puta, afinal não era puta. Era uma mulher deficiente mental que se mascarara de prostituta para uma festa de bruxas no hospital psiquiátrico onde vivera durante 15 anos. Aí, parece que um outro doente, seu namorado, um psicopata com comportamento violentos, não percebeu o disfarce e num ataque louco de ciúmes, deixou-se tomar pela raiva de ver a mulher amada vestida para despertar o desejo porco dos outros homens. A faca do bolo da festa e uma força sobre-humana encarregaram-se de misturar os tubos do sangue e os tubos do ar.
Uma puta morta por amor. Eis alguma coisa que poucas mulheres podem dizer que lhes tenha acontecido. Eu, por exemplo, morri num acidente ocasional. Numa conjugação fortuita de acontecimentos parcelares sem qualquer intencionalidade. Se me tivesse atrasado, estaria viva. Mas ela não. Bastaria que o namorado a imaginasse naqueles modos lascivos e nada nem ninguém o impediria de a perseguir até ao fim do mundo para a matar. O orgulho desta mulher. Ser capaz de despertar noutro ser humano a vontade de matar. Raro, muito raro.

Boçalidade

Acho que a publicação do post anterior merece uma explicação. Publiquei-o por três razões:
1.ª-Porque é a prova de que a parte bonita de ser boçal é que há sempre alguém mais boçal ainda;
2.ª-Porque neste caso particular as pessoas até esperam que as claques de futebol sejam boçais, pelo que aquelas tarjas atingem o alvo em cheio sem chocarem particularmente as pessoas;
3.ª-Porque a polícia obrigou os elementos da claque a retirarem aquelas tarjas sem que eu perceba porquê...
A senhora em causa nem merece tanta publicidade, mas teve muita piada...

Diabos Vermelhos, olé!


Benfica-Nacional Posted by Hello
Recebido por e-mail

Para a história

As fotos dos comissários que já não o serão. Aqui.

Ridículo

adj. que provoca riso; prestar-se ao ~ apresentar-se ou proceder de forma a provocar riso ou troça



terça-feira, outubro 26, 2004

Anita, dia 152



Há cento e cinquenta e dois dias que aguardo que alguém me venha buscar.
Eis que chega mais uma puta. Morta. Daqui não consigo perceber se se nota a causa da morte. Acho que está inteira. Odeio quando as putas chegam inteiras. O empregado começa a despir-se. È sempre a mesma história com o tipo que faz as escalas às terças. A rapariga deve ter mais cinco ou seis anos que eu, e não é difícil perceber que tem uma deficiência mental qualquer. A cabeça é demasiada grande para aquele corpo pequeno que o empregado já começou a foder. Como eu gostava que ela passasse ao estado de "rigor mortis" neste instante. A cabeça enorme bate inerte contra o inox da mesa de dissecação. O som parece vir directamente das nádegas peludas do empregado que se contraem ao bater contra o corpo. Para a frente e para trás, um anel de brilhantes num dedo, risca o metal da mesa. O som o é finíssimo e arrepia. Apesar de assistir a isto todas as terças-feiras, confesso que ainda me causa uma certa angustia ver este gajo magro a fornicar como um animal os orificio dos corpos que aqui apanha. Acho que é da vulnerabilidade destas peças de carne prestes a serem desmanchados pelos vermes e acho que é da solidão e do silêncio. Depois de o empregado se vir para cima desta mulher, depois dele apagar as luzes, não se ouvirá mais nada. Nada. Nem o som de umas molas de colchão que estalam quando alguém se vira e nem o dos lençóis a serem puxados. Não há um barulho que humanize este o escuro. É isso que me arrepia.

Sinto-me um pouco Marcelo

Num ano e quatro meses de escrita na Gabardina, pela primeira vez tive um texto pronto que não postei por medo das consequências que isso pudesse vir a ter para mim.

O post era, de qualquer maneira, justo e importante e, para quem conhece Coimbra, ele vem escrito hoje nas páginas do Diário da mesma (piada também só para Coimbrinhas).

Posto isto, vou empurrar o sapo com um copo de águas de Coimbra.

Quem anda a tramar a OPEP?

Esta subida rídicula dos preços do petróleo é algo de muito estranho, que nenhuma guerra no Iraque ou greve na Noruega pode explicar. As consequências de curto prazo estão à vista: subida generalizada dos preços, imprevisibilidade dos mercados, diminuição do crescimento económico dos países mais desenvolvidos.

Mas a longo prazo esta subida tem consequências bem mais graves. Os países cujas economias estão muito dependentes da exportação de petróleo não percebem que cada mês que passa com os preços neste nível são vários meses de avanço na investigação para a sustituição dos derivados de petróleo como combustíveis.

E o que se esperava vir a acontecer dentro de 20 ou 30 anos, poderá estar à porta no início da próxima década: carros e máquinas a hidrogénio, ou ar comprimido, ou seja lá o que for e a consequente diminuição drástica das importações de petróleo.

Estes países perdem a oportunidade de fazerem o caminho para o desenvolvimento vendendo a sua maior riqueza natural e o resultado poderá ser trágico. Para eles e para o mundo.

As perguntas que se impõem são: quem ganha com tudo isto? E quem tinha obrigação de os avisar e não o está a fazer?

segunda-feira, outubro 25, 2004

Anita 1


Os especialistas dizem que os textos sobre morte, sangue, morticínio, cemitérios e afins são uma fase. Os especialistas acham que o caminho tende sempre para a construção de romances apoiados na experiência de cada um. Não sei se é do cheiro a formol deste necrotério, se dos cadáveres com quem partilho o sono, a verdade é que só me dá para escrever sobre a grande ceifeira. Sou bem capaz de ter ficado para sempre a meio do caminho literário convencional. O que tem sentido, pois eu própria fiquei a meio do meu.
Morri. Isso mesmo. Morte morrida. Escrevo morta. Tenho 16 anos, chamo-me Ana, e morri num acidente de automóvel. Culpa do condutor. Eu limitei-me a atravessar a estrada na passadeira, depois de olhar para os dois lados. Excesso de velocidade, álcool e um broche da pendura foi a receita mágica. O camião acertou-me em cheio. Ambulância, hospital, reanimação e o pizinho da máquina continuo.
Morrer não foi problema, na verdade o impacto foi tão brutal que nem o recordo muito bem, o problema foi o que se passou a seguir. Como não levava identificação pessoal, ninguém sabia quem contactar, e por isso jazo ainda nesta morgue fria à espera que alguém relacione uma falta para jantar com um atropelamento. O que vai ser difícil, pois o outro lugar na mesa tem 70 anos e nem se lembra do nome. È pena ter esta consciência de que provavelmente ficarei aqui para sempre.
Por isso, escrevo para passar o tempo, para não me aborrecer e para encontrar algum sentido em estar morta. As histórias que se seguem serão honestas. Apenas contarei o que vejo e o que me contam os corpos que por aqui passam. Serão as histórias que os vivos nunca saberão e os segredos que só os mortos podem recordar. São a verdade de quem morreu.
Nasci há 16 anos, morri há cinco meses e começo hoje a contar as histórias que escuto nesta morgue.

Sobre o Buttiglione

só temos uma coisa a dizer: façam o que quiserem, mas que fique claro que nós avisámos com tempo que não aceitaríamos o Durão de volta.

Dúvida

Quando o ministro das finanças fala de princípio do utilizador-pagador em relação à Saúde, para que servem o governo e o sector público?

Continuamos cada um por si? Duvido que 99% dos políticos portugueses consigam sobreviver assim... Mas, por mim, vamos a isso?

O Captain, my Captain!



Percebi este fim-de-semana - obrigado SIC Gaja - que uma das coisas que Portugal precisa de fazer é subir à sua mesa e ver-se de outra perspectiva. Claro que para simultaneamente gritar "O Captain, my Captain!" seria fundamental ter alguém merecedor desse nome. Um dia ele sairá do meio do nevoeiro...

Eu decidi que, assim que os tempos o permitirem, não mais deixarei de chupar o tutano da vida. Foi por me ter esquecido de o fazer que cheguei aqui. Mas depois de sair deste lugar triste não volto a pôr cá os pés.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Dúvida existencial

Quando o que os outros consideram que são as nossas qualidades são as coisas que nós consideramos que nos prejudicam, e o que eles consideram os nossos defeitos são as coisas que achamos que nos ajudam, onde é que se mete o requerimento para mudar de mundo?

Último post sobre este assunto

Gert Jan Verbeek:
"O Benfica foi roubado contra o FC Porto"

Mas ele deve ser suspeito...

Benfica-Porto e PSG-Porto

Descubra as diferenças
Entre estas duas imagens há uma pequena diferença, que foi decisiva para o desfecho dos últimos dois jogos do FCP. Descubra o que está errado e faça-lhe uma cruz por cima:



quarta-feira, outubro 20, 2004

dia de hoje

Hoje foi um dia especial para este Pais. O primeiro-ministro afirma a um jornal alemão -que pensa que por ser estrangeiro não é lido em Portugal- que "já basta de contenção orçamental". O ministro da presidência vai ao parlamento dizer que embora tenha sido ele que acabou com o Acontece na RTP2, alterou o contrato de concessão da RTP, acabou com os conselhos de opinião na RDP e RTP, e que vai criar um centro de imprensa para o governo, não quer, não pretende e tem ódio de quem ousa influenciar os conteúdos editoriais da televisão pública. Os lobos não comem erva, e esta gente não hesitará a pôr a pata, na liberdade de expressão. Quando policias exibem as suas caçadeiras de canos cerrados, atiçam os seus cães e agridem estudantes...

terça-feira, outubro 19, 2004

Animal político


GWB Posted by Hello
Recebido por e-mail.

Olha a cabala fresquinha!!!!!!

Neste governo tudo o que tem a ver com peixe é, claramente, ideia do Paulinho das feiras!

Ministro Gomes da Silva sugere cabala do "Expresso", PÚBLICO e Marcelo Rebelo de Sousa

E os próximos passos são fechar o Público e o Expresso, ou o governo contenta-se com a substituição das equipas editoriais?

Como estes testes nos fazem bem ao ego...





Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a).

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia




Obrigado abóbora!

segunda-feira, outubro 18, 2004

O meu programa de Governo

Porque acho que não vale dizer mal sem propor o que se acha ser melhor e porque, muitas vezes, aqui e noutros sítios, digo mal do que fizeram os governos em Portugal nos últimos dez anos, aqui fica o que seria o meu primeiro esboço de um programa de governo:

Saúde
Garantir a prestação de todos os cuidados de saúde, pelo sector público, a todos os que desejem usá-los.

Exigir que todos os profissionais de saúde que trabalhem no sector público o façam em regime de exclusividade (período de transição - 2 anos).

Proibir as empresas da indústria farmacêutica de fazerem ofertas de qualquer tipo a médicos que trabalhem no sector público.

Acabar com as restrições à abertura de farmácias.

Educação
Exigir que todos os professores que trabalham em escolas públicas cumpram horário completo.

Acabar com todos os subsídios a escolas privadas (incluindo as escolas e universidades católicas), garantido cobertura total através de escolas públicas no ensino obrigatório.

Fazer um pacto de regime que inclua pelo menos os dois maiores partidos, para definir os programas de ensino e as estratégias para a educação, válido pelo menos por dez anos.

Finanças e Administração Pública
Aumento imediato do salário mínimo nacional para 550 euros mensais (e da reforma mínima para o mesmo valor). Aumentos de 10% em cada um dos primeiros anos para todos os salários entre 550 e 1250 euros (excluindo os que tivessem beneficiado do primeiro aumento).

Reduzir a despesa corrente do Estado todos os anos ao longo de uma legislatura - 8% nos dois primeiros anos e 5% nos dois seguintes, de forma a reduzi-la para cerca de 75% da actual. Quase nenhuns motoristas (só o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro e os Ministros teriam direito a um motorista cada, em toda a administração pública), muito menos secretárias, corte radical das despesas com ajudas de custo, despesas de representação, telefones e telemóveis, parque automóvel, papel, tinteiros e toners, racionalização dos edifícios do estado, indexação séria das contratações para a função pública a uma percentagem (menos do que 100%) das reformas do ano anterior.

Fazer um pacto de regime que inclua pelo menos os dois maiores partidos, para definir o desenho do governo, especificando todos os ministérios, secretarias de estado, outras entidades que a eles pertencem e as respectivas áreas de intervenção, válido pelo menos por dez anos.

Reduzir a taxa de IRC para 15%.

No terceiro ano da legislatura, acabar com os benefícios fiscais para as despesas de saúde e educação comprovadas com documentos de instituições privadas de prestação de serviços (hospitais, clínicas, consultórios e escolas) e simultaneamente redução da taxa normal de IVA para 17%.


Ambiente
Todo o parque automóvel do estado e todos os transportes públicos passam a utilizar a energia menos poluente possível.

Os edifícios do estado são obrigados a fazer reciclagem e a utilizar energias alternativas.

Economia
Centralizar toda a promoção turística e económica do país numa só instituição, utilizando a estrutura mundial de delegações de que dispõe o ICEP.

Passar para a responsabilidade de entidades independentes todas as áreas que devem ser geridas por princípios técnicos e não políticos (energia, ambiente, transportes, comunicações, etc...).

Defesa
Redução substancial da despesa com Defesa.

Afectação de todos os militares à limpeza da floresta portuguesa quatro dias por semana.

Cultura
Acabar com todos os subsídios à produção cultural, incentivando as entidades privadas ao mecenato através de fortes benefícios fiscais.

Obras Públicas
Responsabilizar contratualmente as empresas construtoras pela conservação das próprias obras (especialmente estradas) durante o seu período de vida útil.

Reinaldo's

O Sr. Reinaldo Teles é a verdadeira alma do FC Porto. Um homem com um enorme talento para descobrir novos valores. Os seus estabelecimentos Granada, Calor da Noite e Diamante Negro são os melhores exemplos disso...



Golo? Não...

Contenção

Porque me ando a tentar conter sobre o jogo de ontem, ficam as palavras de outros, dos que são insuspeitos:

Como sportinguista, só posso dizer que gostei muito de ver os jogadores do Porto a trabalhar. Sobretudo aqueles que estavam vestidos de preto.
Daniel Oliveira

Como dizia um portista, grande amigo meu

Nós sabemos que quase sempre roubamos, mas roubadinho ainda sabe melhor...


Roubo Posted by Hello

sexta-feira, outubro 15, 2004

O pontilhismo orgânico.



Andar pela cidade tem coisas assim. Vai uma alminha a pensar na vida em passo de pensar na vida, quando de repente no centro do centro, num sítio por onde passam milhares de pessoas diariamente, uma forma estranha entra pelo enquadramento dos olhos e um novo movimento na arte nasce. A técnica utilizada pelo artista é o chamado pontilhismo orgânico e pode ser encontrada nos passeios, nas escadas e em alguns casos de virtuosismo técnico em paredes.
O pontilhismo orgânico, ou mais vulgarmente designado por vomitado, exprime através da cor, densidade, forma, continuidade, projecção e textura, toda a identidade idiossincrática do artista. Pela obra que descansa em cima da calçada, é possível ao olhar experimentado e critico, avaliar todas as influências daquele quadro. Se a arte é resultado de determinadas condições histórico-materiais então o pontilhismo orgânico é disso o exemplo acabado. Se, para além da representação figurativa, a pintura pode ser ela própria a representação do movimento ou do gesto, como em Pollock por exemplo, então o pontilismo orgânico, vulgo cabritado, assume-se hoje, como o maior desse expoente. Não são os gestos do braço, mas as pulsões violentas do estômago, não são os traços longos, mas os desvios das ancas.
Recém chegado aos movimentos da arte, este tipo de pontilhismo não pode deixar de ser "engagé" politico-ético-filosoficamente. Comprometido com a limpeza do vestuário, com a direcção do vento e com a fluidez das linhas.
Arte democrática, popular e acessível a todos o pontilhismo orgânico sofre do movimento censório típico das sociedades burguesas. Se o grafitti conseguiu vencer o lápis azul dos funcionário das edilidades, o vomitado no passeio luta todos os dias contra esses esbirros do poder opressor. Deixem o vomitado em paz e assim se defenda a ultima cristalização artística da cultura urbana deste princípio de século

quinta-feira, outubro 14, 2004

Clássico

Há uns dias alguém me falava da Ucal como um exemplo de má imagem ou de imagem datada. Por favor, não acabem com os símbolos da minha juventude. A garrafinha da Ucal não é velha, nem datada. É um clássico, como o mini ou o carocha, ou a garrafa de coca-cola.
Há que beber. Mas só naqueles copos grossos, com gomos verticais de sete ou oito milímetros de largura. Noutro copo não sabe ao mesmo...



Bons velhos tempos

Bons tempos esses, em que as revoltas dos estudantes eram boas e justas.
Bons tempos em que os revoltosos eram garbosos rapazes lutando contra um sistema injusto.
Boas revoltas, feitas com categoria e inteligência. Basta ver como estão os revoltosos desses tempos hoje: abastados professores, políticos, médicos, advogados e jornalistas. Boa gente, digna, fato e gravata, dedicada à causa pública e também à privada. Grandes carros, boas casas, gente famosa. Por aí se vê a qualidade dessa gente.
Mas hoje deixem-nos em paz. Estamos no poder e não temos paciência para meninos que acham que o seu sistema é injusto. Se não gostam vão-se embora! E por isso escrevemos e nos revoltamos nos jornais. Sim, nos jornais onde nos PEDEM para nós escrevermos a nossa opinião. Textos que as nossas secretárias alinhavam e passam e que, depois de uma ou outra correcção, as mandamos enviar para as redacções. "Encarrega-me o Sr. Dr. de lhe fazer chegar o seu texto sobre..."
Bons tempos em que ajudámos a fundar esta justa e bela sociedade em que vivemos hoje. Não eramos como estes miseráveis, apesar de alguns deles nos copiarem as barbas...

Texto sem fim

È impressão minha ou os carregadores de telemóveis que se compram nos indianos cheiram a caril. Seria impressão minha, se eu não tivesse aberto um, e visto com os meus próprios olhos. Sim! vi com os meus olhos que o interior de um carregador que custa 2,99 Euros num indiano, cheira a caril. Vi que cheira? Bem, talvez ao abrir para ver, então, me cheirasse ao que já me cheirava cá fora: a caril.
Um carregador de telemóvel é coisa fácil de construir. Na Suécia trinta mecanismos hidráulicos, na Índia um miúdo de seis anos. Na Suécia o cheiro a esterilizado, na Índia o cheiro a caril. O cheiro... e o próprio caril, pois senhores, que eu fique já aqui ceguinho, se dentro do carregador de telemóveis nokia que eu ontem desmembrei pacientemente ao almoço depois de comer uma maçã starking vermelha, não havia um liquido. Um liquido acastanhado, denso. Com pigmentos de várias formas e feitios. Faltava o arroz, mas que aquilo era caril... Ah, isso era!
Feita a descoberta e lamentado o arroz, juntei as peças do carregador-cataplana e lixo com ele. Depois, desci a escadas, desci a rua, e subi ao chinês mais próximo. " queria um carregador para Nokia". Passada a barreira linguística, eis que dentro de uma malga de arroz adeuzinho-adeuzinho, surge um carregador que qual ambientador "Brise" expele um gracioso cheiro a banana fá-si. Incrédulo voltei à loja onde aliás continuo, mas agora escrever este "post". Entrei, e fui logo indicado para a parte escondida da loja. Direita, esquerda, corredor em frente, desce escada...bem, estou cercado por caixas de cartão num armazém sem fim. Perdidíssimo... há uns computadores velhos de onde escrevo...e mais nada. Caixas, caixas e mais caixas.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Pagar e calar em Saúde, ou o futuro do ex-SNS

No Mar Salgado a tripulação discute a Saúde em Portugal. O Capitão não vê nenhum mal em que haja lucros na Saúde, e nas suas palavras percebe-se a total descrença na competência pública para gerir.

O caminho que seguirão os Hospitais SA é fácil de adivinhar: os maus hábitos de trabalho nos hospitais, a incompatibilidade da eficiência do trabalho médico com o lucro dos consultórios privados dos médicos e o poder da indústria farmacêutica dentro dos hospitais levarão, inevitavelmente, a défices nas contas no fim de cada ano. Premeditadamente ou não, o governo alegará que não tem capacidade financeira para novos aumentos de capital dos seus hospitais e, logo de seguida, os principais credores (grandes grupos financeiros interessados na área da saúde) dirão "se não nos pagam, passamos a ser os donos dos hospitais". O primeiro-ministro fará uma comunicação ao país afirmando que a privatização dos hospitais é um caminho desejável e que, no fundo, há males que vêm por bem e... estará concluído o processo de privatização.

Mas entre os vários problemas que a privatização dos SA coloca, um se destaca: na área de influência de um hospital privatizado, esse hospital será monopolista na prestação de cuidados hospitalares. E o Estado será, praticamente, o seu único cliente. Quem tem o poder de fixar o preço dos cuidados nesta situação? O fornecedor, obviamente, já que o cliente (Estado) não pode recusar-se a consumir. E quando o hospital decidir cobrar pelos seus serviços valores muito superiores ao seu custo, o que fará o Estado? A única coisa que pode fazer: pagar e calar...

terça-feira, outubro 12, 2004

o gato

Era uma vez um gato. Um gato, tão gato que apenas por uma vez ficou doente. A dona, e no fundo empregada do gato há mais de 6 anos, levou-o ao veterinário. Radiografias, uma punção lombar e uma zaragatoa no animal, foi o suficiente para que o felino se curasse e a dona se apaixonasse pelo veterinário. Se o amor da dona pelo médico dos bichos, demorara 20 minutos a nascer, o do médico dos bichos pela dona explodiu instantâneo quando ela entrou pela porta com o felino nos braços.
"Se o gato está curado, nunca mais a irei ver". ? pensou o clínico. Se calhar, em vez de uma sutura absorvível pelo organismo gatal, uma mais antiga e a exigir o retorno ao consultório para retirar os pontos enormes, garantirá que a saudade não se prolongue por mais que uma semana.
E ela voltou. E ele tirou os pontos ao gato. Mas de novo o mesmo problema. Gato curado, dona longe. Por isso, um pequeno mas certeiro pisão na cauda felina, garantiu um tratamento com 5 mudas de pensos, duas suturas e uma pequena intervenção cirúrgica. E de novo o gato estava bom. E isso era mau: para ela que o deixava de ver e para ele que a deixava de ver. Por isso, uma palmada na parte da perna do animal que só os veterinários sabem onde é, garantiu um gesso, uma operação, fisioterapia e a manutenção daquele amor por mais três meses.
Este amor não tinha cartas, não tinha mensagens, nem sequer tinha telemóveis, este amor tinha um gato. Ou ia tendo pois o bicho, escrito como as árvores de mensagens dos amantes tinha já decido fugir. Com a fuga aristocrata planeada, o bichano lançou-se à estrada. Ora, os tratamentos dos últimos meses, os períodos de convalescença e as sessões de fisioterapia, retiraram a este animal toda a agilidade que noutra ocasião lhe tinha permitido sem dificuldade desviar-se do carro que o projecta no ar, o faz rodopiar e cair de queixos no chão. O barulho dos pneus acordou a dona. " estás a ver, ainda não estás bom para sair, tens de ficar melhor." Com um sorriso e com duas metades de gato nas mãos foi ter às urgências com o veterinário. E pela primeira vez ia estar com ele à noite

Alguns não

Encontro o poema nos Inseparáveis. E não resisto a publicá-lo. Deixam, assim, de existir blogs portugueses que nunca tenham postado um poema de Sophia Andresen... Um dia tinha que acontecer...

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Linguagem gestual

Fui eu o único a achar que os gestos que o Santana fazia com a mão direita enquanto falava estavam indicados nos papeis do seu discurso?

segunda-feira, outubro 11, 2004

vá lá diz lá

O que irá Santana dizer aos portugueses hoje à noite? Qual será o segredinho que ele sabe mas que não conta a ninguém. A gabardina mandou um fax para o gabinete do primeiro-ministro a pedir o discurso de logo à noite. A primeira resposta foi um "não" redondo. Depois enviou outro na linguagem do Primeiro-Ministro: "vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá" as respostas foram respectivamente: " não, não, não, não, não posso, pá não dá, eu gostava mas não posso, está bem mas é segredo". A resposta chegou. Santana Lopes vai anunciar ao país a sua receita preferida de mousse de chocolate. Foi para isso que ele convocou todos os Portugueses para as 20:00 de hoje.

Quem é que quer explicar aos miúdos

que o Super Homem morreu?

sexta-feira, outubro 08, 2004

Insónia maldita

Hoje acordei às quatro da manhã, sem explicação aparente. Liguei a televisão na Sic Notícias, só para saber as horas. Aparece-me este senhor Luís Pais Antunes, secreário de estado de qualquer coisa, a quem estava a ser perguntado "Se os salários dependem da produtividade, por que é que em Portugal os gestores de topo ganham como os melhores do resto da União Europeia e os trabalhadores com salários mais baixos ganham muito menos em Portugal que nos outros países da União Europeia?" A resposta foram muitos ahhhs e hmmmms, e algumas coisas sem sentido como o reafirmar de que a produtividade é mais baixa em Portugal e que "isso depende dos sectores".
Este infeliz impulso de ligar a Sic Notícias às quatro da manhã valeu-me uma hora de insónia. Uma hora cheia de vontade de partir um nariz a murros.
Pergunto mais uma vez: como é que estes tipos chegam ao poder em Portugal?

quinta-feira, outubro 07, 2004

Perfeito

Elfriede Jelinek, mulher, austríaca, filha de um judeu que fugiu aos nazis na segunda guerra mundial, ganhou o Nobel da literatura.
O mundo é muito melhor quando temos a consciência tranquila por sermos politicamente correctos. Hoje os membros do Comité Nobel vão dormir como anjos, debaixo dos seus fofos cobertores!

Que gente é esta?


Que gente é esta que manda calar comentadores, mas confunde chicana com "chincana"? Que gente é esta que lê com enfado os discurso de estado mas usa e abusa da sua segurança? Que gente é esta que elogia os 100 paus diários a mais dos militares, mas gasta biliões em submarinos? Que gente é esta que todos os dias desmantela o aparelho de estado para dar de comer às suas empresas, mas enche a boca com a liberdade de concorrência? Que gente é esta que manda navios de guerra bloquear a entrada de pessoas no Pais, mas vai buscar recrutar miudos aos centros comerciais?
E que gente é esta que aceita continuar ao lado dessa gente? E que gente é esta que os acompanha e aceita os convites? Os 1200 nomeados por Santana, quem são? De onde vêm? O que é sabem?
Que gente é esta? E que quente é esta que os respeita a todos? e que Pais é este que respeita esta gente?
Esta gente vem dos tons amarelos e azuis, vem das camisas cor-de-rosa, vem dos sapatos finos de sola branca, vem das barrigas de cerveja com 20 anos, vem da juventude com charuto na mão. Esta gente não quer saber. Deseja apenas deliciar-se com imagem de ter um motorista, um lugar de garagem nas avenidas novas e privar com quem aparece na televisão. È a gente "que telefona primeiro e vai depois", é a gente das férias no Algarve e na neve e da lua-de-mel nas Maldivas. È a gente que tem sempre convites para levantar nos teatros e nos cinemas.
E o Pais? o pais vem do medo parolo e ignorante. Vem de uma revolução que nunca o foi. Vem de uma Europa que iguala tudo, menos os salários, a qualidade dos serviços públicos e a justeza do sistema fiscal.
Hoje Portugal é assim. Pais governado por miúdos. Putos, ignorantes, brutos. Mal criados e marialvas. Sem vergonha na cara e boçais. Com os dentes branqueados e nós de gravata brutais. E os fatos, e os fatos... às riscas, clarinhos e castanhos, assentes em gravatas moles, camisas de tédio e botões de punho. Os botões de punho...senhores...os botões de punho?

Com esta língua maldita

A preça é inimiga da perfeissão.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Um grande número 2

Retirou-se hoje dos campos de basket Scottie Pippen, o fiel escudeiro do melhor jogador de todos os tempos. O 33 dos Bulls estava para o Michael Jordan como o Sancho Pança para o D. Quixote ou como o Sexta-feira para o Robinsoe Crusoe: os segundos dificilmente poderiam ter sido famosos sem os primeiros.
Pippen é o último da mítica equipa (Paxson, Jordan, Pippen, Grant e Cartwright) a sair dos Bulls, virando uma página da história do basket. Ainda lá tenho umas VHS com imagens como esta:


A partir de agora

quem quiser rir ao domingo à noite terá que se contentar com o Herman Sic ou com a Quinta das Celebridades...

Marcelo Rebelo de Sousa abandona TVI após conversa com Paes do Amaral

Que dia é hoje ?

Hoje é quarta-feira.
Na verdade, é quarta-feira porque se convencionou assim, porque não há ninguém, hoje, que sinta este dia como quarta-feira.
Hoje, é segunda-feira. E é segunda, porque ontem foi Domingo. As pessoas foram à praia, estiveram com os familiares, recuperam da noite anterior e sentiram a angústia de voltar ao trabalho no dia seguinte. Hoje: segunda-feira.
Os calendários da semana, antes de serem uma convenção que todos seguem, deviam ordenar os dias segundo o modo como cada um o sente. Sim, porque há segundas-feiras, que parecem sextas, quartas que se "pensava que já era quinta" e sextas que são idênticas a terças. Acontece esta confusão porque cada dia tem um sentimento típico diferente. A expressão " tomara que chegue sexta-feira" explica-se porque quem isso deseja, sabe por uma razão qualquer que às sextas se sente melhor.
O primeiro trabalho de quem quer ter um calendário verdadeiramente útil para ele próprio é escolher uma palavra que defina cada dia da semana. Depois, é só ordenar os dias da semana conforme o modo como se pretenda que ela decorra. Assim, se sexta-feira for um dia especialmente feliz, nada mais a fazer que colocar a sexta logo depois do domingo, evitando assim a angustia de domingo à tarde e a violência das manhãs de segunda.
Ordenados os dias, o mais difícil está feito. Resta apenas o pormenor de tentar articular cada dia com os outros

Revolução ou...

No seu discurso do 5 de Outubro, Jorge Sampaio apelou a que sejam feitas rapidamente as reformas de que o país necessita. Sem fugir do gravíssimo momento que a sociedade portuguesa atravessa, Sampaio fez mesmo o paralelismo entre o momento actual e a fase de indefinição e falta de coragem para a mudança que representou a governação de Marcelo Caetano.

Ora a governação de Caetano culminou com a revolução de Abril de 74. Este apelo de Sampaio vem na última hora. Ou quase. Tenho a convicção de que se as próximas eleições legislativas forem disputadas por Sócrates e Santana já não haverá caminho democrático para trás. A mediocridade, a vigarice e a corrupção estarão de tal forma instaladas no poder que só poderão acabar com uma ruptura com o actual sistema. Através de uma revolução ou de qualquer outra coisa parecida.

terça-feira, outubro 05, 2004

Texto retirado do Forum do Jornal Expresso.



Mais um texto para defender os blogs como novissimo meio de comunicação "peer to all".


"Trata-se da Compta, cujo presidente é o meu amigo Vitor Magalhães,
pelo que sei o que se passa.

- Em primeiro lugar o Vitor é padrinho do filho mais velho do Bagão Félix.

- Em segundo lugar, o anterior ministro encomendou o programa e
testou-o, tendo verificado que funcionava muito bem.

- Em terceiro lugar, a nova ministra resolveu mudar a matriz
inicial 3 dias antes do arranque do concurso, sabem o que ela quis
alterar? Criou um código especial, que desde o momento que fosse
anexado a um professor, automáticamente ser-lhe-ia atribuida a escola
da 1ª preferência. Um espécie de cunha informática, percebem?

Só que a alteração à última hora deu cabo do algoritmo central e bye,bye
programa.

Os comentadores deste Forúm apelaram para que eu dissesse algo mais
acerca da negociata Compta/PSDPP, mas pouco mais se pode acrescentar,
excepto:

- Verifiquem as colocações da Escola EB 2+3 da Murtosa.
- Verifiquem as colocações da Escola Secundária Rodrigues de Freitas no Porto
-Verifiquem as colocações na escola Renato Amorim em Setubal.

Ou então,

- verifiquem os pagamento no valor de 325.652,00 à Compta em Maio
de 2004, mais um pagamento de 658.321,00 em Julho de 2004, e, mais
aberrante ainda, o pagamento da última tranche do contrato de
desenvolvimento de 987.325,00 no dia 20 (VINTE( de Setembro de 2004.

Mais informo que o contrato de assitência no valor de 250.000,00 euros
anuais tem a duração de 15 anos.

Para terminar, informo V. Exªs que o
David Justino tem uma participação de 30 por cento na Compta através
da holding "International financial investiments PLC´ com sede nas
ilhas Cayman.´"

segunda-feira, outubro 04, 2004

Post não demagógico

Hoje ao almoço, nos telejornais, falou-se de fome em Portugal (há muito tempo que eu não ouvia falar assim de fome em Portugal).

Enquanto isso, nos restaurantes mais caros do país, almoçavam ministros, com os seus secretários de estado, os respectivos chefes de gabinete e assessores, enquanto os motoristas de todos esperavam, sentados no banco do condutor, a ler o Record.

Entretanto, os assessores do Santana e do Bagão comiam uma sandocha enquanto discutiam a melhor maneira de explicar aos portugueses que os salários só poderão aumentar 2,2% no próximo ano.

os novinhos

Recordo que aqui há uns bons anos, no tempo do ciclo preparatório e dos primeiros anos de liceu, havia um determinado gesto em tudo igual às situações de hoje em que um puto novo é convidado para exercer um cargo de muita responsabilidade. Refiro-me concretamente à limpeza do quadro e dos apagadores. Recordo que nesse tempo quando o professor, poder, pedia para alguém lhe apagar o quadro, logo uma dúzia de criancinhas se precipitava para a ardósia na esperança de poderem ser elas, a ficar com os pulsos cheios de pó de giz, marca da sua importância na sala de aula. Noutros casos, não havia um convite geral, mas era escolhida uma criança em particular, para desempenhar as abluções de início ou de final de aula.
Hoje o professor é outro, as aulas são a própria vida e há mais crianças. Tudo o resto é idêntico. Existe o desejo de servir, o desejo de aceitar qualquer migalha do poder instalado. A necessidade de sentir um elogio do professor, o desejo de ser obediente, a perfídia da submissão: tudo isto em nome da ilusão que sendo empregado do professor se pode ser o próprio professor e que sendo empregado do poder se pode ser o próprio poder. E o pior é que pode. Pode mesmo. Para se chegar ao poder ou ao professorado tem que se ajudar o poder ou os professores. Porque só assim é que o poder, reconhecendo no seu empregado alguém que partilha das suas premissas, permite a sua ascensão, pois assim assegura que os seus próprios privilégios estão garantidos no futuro.
Tantas palavras para dizer: ? do you minete? I minete you, if you broch me.

Prestígio dos economistas II

Na manhã do passado sábado, num zapping radiofónico, paro uns minutos a ouvir uma entrevista do Sérgio Sousa Pinto, pensador da era Sócrates, à TSF.

No meio de um chorrilho de barbaridades e banalidades sobre economia e, sobretudo, finanças públicas, o Sérgio, em tom jocoso, afirma que os economistas são muito bons a analisar os problemas depois de eles terem acontecido.

Já com as outras ciências é exactamente ao contrário, caro Sérgio! Os médicos, por exemplo, estão constantemente a analisar doenças que ainda nem existem...

Prestígio dos economistas

Poucas classes profissionais defendem tão mal o seu prestígio como os economistas. Poucas delimitam tão mal o seu raio de acção e conhecimento. Talvez por falta de uma ordem forte, mas como eu antipatizo com as ordens profissionais, não vou por aí.

Ainda na semana passada tive mais um exemplo do fraco prestígio dos economistas em Portugal. Numa conversa de amigos, e estando presentes três pessoas que passaram pelo menos cinco ou seis anos das suas vidas a estudar a ciência económica e os seus mecanismos, discutia-se se hoje é melhor, em termos de dinheiro gasto/investido, comprar ou arrendar casa. Ora as duas pessoas presentes que não são da área da economia tinham uma opinião forte sobre o assunto, e estiveram largos minutos a discordar dos seus amigos. Por fim, talvez tenham ficado convencidas...

Agora imaginem a situação ao contrário, com dois economistas a discordarem de três médicos, durante largos minutos, sobre o melhor tratamento para a hipertensão...

sexta-feira, outubro 01, 2004

Narrar

O trânsito, a vida e a narrativa escolhem sempre o caminho que lhes permita avançar. O trânsito enerva a vida e a vida é explicada pela narrativa. Narrar é contar, e contar é ordenar tornando inteligíveis as experiências vividas. Compreendê-las. Por isso as pessoas inventam narrativas, histórias. Quem conta uma história, partilha uma experiência, explicando-a. As histórias, todas elas, têm em última análise uma função: incorporar a realidade caótica, na racionalidade humana. O que se não compreende na realidade pode compreender-se através de uma história. Narrativa. Tudo é narrativa. A própria História é narrativa. Se queremos compreender as fronteiras da Europa, temos de contar uma história. Para percebermos a morte de alguém contamos uma narrativa. Para justificarmos um qualquer facto juntamos todos os factores que o precederam, unificamo-los com um sentido e concluímos com o resultado: esse facto. Isto é narrar: Ordenar e dar sentido. Racionalizar o real.
Ah! e depois há a poesia...

Caminho (II e III)

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
- Bom dia, companheiro - te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho.

É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto

Que chorámos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

*

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.

Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...

Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...

Deixai-me chorar mais e beber mais,
perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar - encher a alma.



Camilo Pessanha

Telefonar sem stress


Uganda

quinta-feira, setembro 30, 2004

never trust something that bleeds for five days and doesn't die
t-shirt, camden, londres

enchia-te a cunaça de bergamassa
parede, escola josé falcão, coimbra

O único tirano que admitimos é a voz da nossa consciência!
tarja, universidade de coimbra

Parede

Penso escrever um texto sobre o blog que faria se tivesse tempo e nunca farei. Um blog só com frases encontradas escritas em paredes, tarjas, t-shirts e portas de casas-de-banho. O post acabaria com a melhor de todas as frases que já li numa parede. "Foste um bom robot hoje?" A frase é pública e está aos olhos de todos numa parede da Universidade de Coimbra. Decido Googlá-la para ver se o tema é original. Não é. Cinco ou seis blogs portugueses já a citaram. Um até com a mesma ideia de uma recolha de frases escritas em paredes. O Diário de Notícias já a citou.

Mas isso não importa. O que importa é: Foste?

Maldição

Como um pássaro que, em voo, pára e olha para baixo.

Pobres dos que param para pensar; felizes os que têm a capacidade de passar uma vida inteira a bater as asas.

Um dólar, um voto

Bilderberg, Bilderberg, Bilderberg Group.
Nos últimos dias as referências ao Bilderberg não me têm deixado em paz. O que é afinal o Bilderber Group? Depois de uma rápida investigação, eu poderia arriscar tentar dizer-vos. Mas prefiro deixar-vos a definição da BBC

The Bilderberg group, an elite coterie of Western thinkers and power-brokers, has been accused of fixing the fate of the world behind closed doors. As the organisation marks its 50th anniversary, rumours are more rife than ever.
Given its reputation as perhaps the most powerful organisation in the world, the Bilderberg group doesn't go a bundle on its switchboard operations.

What sets Bilderberg apart from other high-powered get-togethers, such as the annual World Economic Forum (WEF), is its mystique.

Not a word of what is said at Bilderberg meetings can be breathed outside. No reporters are invited in and while confidential minutes of meetings are taken, names are not noted.

The shadowy aura extends further - the anonymous answerphone message, for example; the fact that conference venues are kept secret. The group, which includes luminaries such as Henry Kissinger and former UK chancellor Kenneth Clarke, does not even have a website.

In the void created by such aloofness, an extraordinary conspiracy theory has grown up around the group that alleges the fate of the world is largely decided by Bilderberg.

In Yugoslavia, leading Serbs have blamed Bilderberg for triggering the war which led to the downfall of Slobodan Milosevic. The Oklahoma City bomber Timothy McVeigh, the London nail-bomber David Copeland and Osama Bin Laden are all said to have bought into the theory that Bilderberg pulls the strings with which national governments dance.


Na reunião do 50.º aniversário do grupo, em meados deste ano, estiveram presentes 4 portugueses. Pinto Balsemão, aparentemente o mais antigo membro de entre os lusitanos, Santana Lopes, ainda Presidente de Câmara, José Sócrates e António Vitorino... Notam alguma coisa estranha? Pois...

Aqui podem encontrar a lista completa dos participantes. Para além dos referidos Clarke e Kissinger, irão encontrar nomes como John Edwards (candidato a vice-presidente dos EUA), Richard Holbrooke, Melinda Gates (mulher do nosso conhecido Bill), Mario Monti, Beatriz da Holanda, David Rockefeller, Jean-Claude Trichet (Presidente do Banco Central Europeu) e mais uns quantos nomes conhecidos.

Mas não se preocupem! Isto é só uma teoria da conspiração...

Poço sem fundo

Em 1995 os líderes dos dois maiores partidos portugueses eram Cavaco Silva e António Guterres. O primeiro desgastado por dez anos de poder e exposição pública, o outro a esperança no diálogo.

O Cavaco saiu e veio o Nogueira, depois o Marcelo. É sempre difícil substituir um grande líder (os portistas que o digam...) e, portanto, nada de preocupações. Só uma fase de transição.

Entretanto, rapidamente o Guterres se afundava e no PSD aparecia o Durão. Uma miséria, começaram a perceber os portugueses mais atentos. Um que falava e não fazia e outro que nem falava, só traía...

Sai Guterres, Durão vai para o governo e aparece o Ferro. Batemos no fundo! Não é possível descer mais. Pelo menos isso! Agora é sempre a subir!

Mas o Durão sai, o Ferro demite-se e, de repente, temos Santana e Sócrates na liderança.

O fundo do fundo? Já não acreditamos nisso! Mas o que virá a seguir? Um castor e um rato? Uma couve e um tufo de cotão? Esteja atento aos noticiários para saber das novidades!

"The horror! The Horror!"

Há muitas coisas que não entendo. Destas, há as em que reflicto, e que por isso mesmo me levantam muitas dúvidas, e há as que me fazem rir pela impossibilidade de as pensar com racionalidade. Os capelões no exército, a veia ecuménica da igreja e o desejo de justiça popular fazem, assim, parte de uma boa barrigada de riso. Não percebo como é que uma instituição que defende o direito à vida, permite que os seus ministros sirvam num exército que não serve para outra coisa que impedir o direito à vida. Enfim... mas o que me interessa por agora é a justiça popular.
Recordo que quando Carlos Silvino foi preso, uma das corujas que todos os dias o ia insultar para a frente da judiciária, era uma simpática velhinha, temente a Deus, e capaz de fazer os melhores pastéis de bacalhau de Alfama. Esta senhora, ou melhor, Avó mítica, um dia foi entrevistada. Então debaixo dos cabelinhos brancos, dos olhos brandos e da expressão doce diz: " se eu o apanhasse metia-lhe um arame farpado pelo cu acima, atava a ponta a burro e punha-o a correr. Havia de lhe tirar as tripas." Ora, descontando, a pobre da alimária que nada tem que ver com os problemas dos homens esta senhora, numa frase, conseguiu pensar numa coisa que nunca vi escrita nos melhores manuais de libertinagem. De onde virá esta vontade de vingança de tão inofensiva velhinha? Que incontrolável força foi responsável por tão inqualificável ideia? Deus? o diabo? era mesma? Quem ou quê? "o espírito da perversidade"?
A resposta sobre a origem é difícil de dar, mas a realidade é fácil de constatar: no campo das paixões humanas, impera o hediondo. "The horror! The Horror!"

quarta-feira, setembro 29, 2004

Chorar a rir



Por causa de uma pesquisa no imdb, acabo por "dar de caras" com o melhor filme de comédia que alguma vez vi. Chama-se "Non ci resta che piangere" (em português seria qualquer coisa como "Só nos resta chorar") e é um filme a meias entre um jovem Benigni e Massimo Troisi (o entretanto falecido carteiro de Neruda).

A história base é a seguinte: um professor primário e um funcionário da sua escola (ambos de QI muuuito baixo) que, enquanto estão parados numa cancela à espera que passe um comboio são "transportados" umas centenas de anos para trás, indo encontrar, entre outros, um Leonardo da Vinci ignorante ao ponto de não saber como funciona uma lâmpada, o comboio ou um simples jogo de cartas...

Enfim, uma barrigada. Em Portugal parece-me que o filme não existe, e uma das minhas obrigações na primeira viagem a Itália é comprar o DVD. Façam o mesmo, que garanto que vale a pena!

terça-feira, setembro 28, 2004

Saúde, regulação, doentes e anonimato

Sexta-feira passada fui ao Colóquio "Reforma e Regulação da Saúde", na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. À partida, e dadas as diplomáticas intervenções do Presidente da República e do Ministro da Saúde, tal não seria motivo de post na Gabardina. Mas duas coisas aconteceram que vale a pena destacar:

1. Em Abril deste ano escreveu-se na Gabardina que Para uma discussão sobre a saúde em Portugal convidam-se os médicos, os farmacêuticos e os governantes (...) mas quem tem propriedade para falar sobre a saúde em Portugal são os doentes. (...) Por isso, apenas por uma questão metodológica, deve sempre desconfiar-se de uma mesa redonda para discutir a saúde em Portugal onde não estejam presentes os doentes.Ora, surpreendentemente para mim, no referido colóquio foi incluída uma doente numa das mesas. A Dra. Rosa Gonçalves, da Plataforma Saúde em Diálogo, expôs a sua experiência, de vida e associativa, e deixou clara a opinião da organização que representa. A sua intervenção pode ter sido uma desilusão para quem foi ao colóquio ouvir falar de Regulação ou da Reforma da Saúde. Mas duas ideias interessantes ficaram das suas palavras:
a) Os doentes preocupam-se com aspectos concretos do Serviço Nacional de Saúde e não com grandes teorias que os velhos pensadores da saúde em Portugal gostam de discutir (até porque estes são como o Arafat - se tivessem vontade/capacidade para resolver o problema já o teriam feito);
b) O SNS deve ser independente das mudanças do poder político e não oscilar entre o público e o privado como um pêndulo, como mostrou que tem acontecido o representante do Banco Mundial.
Parece-me que, de facto, vale a pena ouvir os doentes quando se fala de Saúde.

2. O responsável principal pela organização do colóquio foi o Prof. Vital Moreira, meu Professor na pós-graduação de Regulação Pública há dois anos. Quando nos cumprimentámos, o Prof. Vital apontou-me o dedo e disse: "Então você tem um blog anónimo?" É verdade. Lá se foi a tese de que é fácil dizer tudo o que se quer sob a capa do anonimato, com que tanto se atacou os blogs anónimos há uns meses atrás. Tudo se descobre neste maravilhoso mundo que é a net. Tudo menos quem é o Pipi. Parece que fui denunciado por um blog, mas ainda não descobri qual. Não sei se o meu colega de blog também o foi. Fica a blogosfera a saber que somos dois, debaixo desta Gabardina. Para o Prof. Vital, e para o Causa Nossa, continuação de boa escrita!

Nobre Guedes na Arrabida

Poucos como Pacheco Pereira têm reflectido e valorizado os Blogs como um novo meio de informação. Aqui fica um bom exemplo das novas possibilidades dos blogs: informação independente dos grandes meios de difusão: http://www.nobreguedes-na-arrabida.blogspot.com


Mascotes geladas



As mascotes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim'2006, foram desenhadas por um português.
Chamam-se Neve e Gliz e são, respectivamente, uma bola de neve e um cubo de gelo.
Se fosse em Portugal já haveria vozes a dizer "mas será que não havia cá ninguém que fizesse uma mascote melhor que essas? Era preciso contratar um italiano?" Felizmente para o Pedro Albuquerque, nem todos são tão chauvinistas como os tugas...

segunda-feira, setembro 27, 2004

"quinta das celebridades"

Porque não há sinais de guerra civil no Iraque e porque o governo Português dá todos os dias exemplos de competência, hoje, em vez do jornal, comprei a TV Guia. Atraiu-me o assunto da capa: A quinta dos Famosos. O programa consiste em colocar num ambiente rural algumas pessoas conhecidas da televisão. Este programa de que todos vão dizer mal, mas que vai alimentar muitas conversas, assenta numa ideia interessante: o confronto da sofisticação da cidade com a realidade rural.
O povo rural que habita as cidades, e que projecta nas caras conhecidas da televisão, o sucesso do emigrante da aldeia, vai ter a oportunidade de gozar com a ignorância das estrelas como as estrelas gozam com a ignorância do povo. O povo que lê as revistas e se sente esmagado pelas vidas interessantes, pelas festas, pelas casas maravilhosas e pelos casamentos felizes, vai pela primeira, gozar com a ignorância de pegar numa enxada, com a dificuldade em ordenhar uma vaca ou segar uma ceara.
As celebridades vão ser ridicularizadas a fazer as tarefas que, quem ainda tem a ideia mítica da terra, ou da aldeia, toma por elementares. Mas a verdade é que só quem sabe, ou pensa que sabe, ordenhar uma vaca é que se pode rir de quem não sabe. Este novo reality show não vai tirar o Zé Maria de barrancos para as festas. Vai pôr o Castelo-branco nas couves. E isto é novo.
Estas celebridades, "bifes em fruteiras" embora ridicularizadas pelo povo vão na verdade, revelar o Pais profundamente rural e conservador que habita nas cidades. Um povo que utiliza os paradigmas de vida no campo para resolver um problema que ainda não percebe: o fenomeno urbano.

quarta-feira, setembro 22, 2004

It was not time to make a change...

Os EUA recusaram-se a deixar entrar no país o cantor Cat Stevens. Ao que parece, o artista, que se converteu ao islamismo e se chama agora Yusuf Islam, faz parte de uma lista de terroristas que não podem pisar solo americano.

Bem podia o Yusuf ter aprendido com as suas próprias letras...

There's so much you have to go through
(...)
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

SM.O


A questão do serviço militar obrigatório sempre me fez pesar dois argumentos contrários. Por um lado, recuso que alguém se tenha de submeter a ordens de superiores, por outro lado reconheço o valor, que do ponto de vista político tem o facto de as forças armadas serem formadas por populares.
Consciente de que neste caso não é possível uma conciliação, decidi-me por defender o fim do serviço militar obrigatório, escolhendo como mais importante o primeiro argumento. Assim, saúdo o trabalho do governo e critico as posições do PCP, que embora o esconda da opinião pública e especialmente dos mais jovens, defende a continuação do S.M.O.
O fim do S.M.O é um objectivo politico que a esquerda nunca conseguiria realizar, pois a esquerda teria muita dificuldade em pôr de lado o acervo do 25 de Abril, uma revolução só realizada porque que os militares eram o povo, e esquecer o chavão (verdadeiro aliás) de que o poder está na ponta do fusil.
Agora que as espingardas serão manejadas por quem é pago para isso, é necessário, para evitar que suceda o que acontece todos os dias no Sudão, que se defenda a extinção pura e simples do exercito português.
Um exército serve para matar gente. È para isso que serve. Para matar. Depois de agradecer à direita como agradeci, pela extinção do S.M.O gostava de lhe perguntar como é que se pode ser contra a I.V.G e continuar a querer um exército que só serve para matar. Como é que se pode dizer que a vida é um valor absoluto e pagar a homens para matar? A resposta transpira da pergunta: A vida não é um valor absoluto: para a I.V.G é, para manter um exército não é.

terça-feira, setembro 21, 2004

Dúvida

Camacho será o próximo treinador do Porto ou do Sporting?

Aplauso

E, finalmente, estou de acordo com o ministro Bagão.
O anunciado fim dos benefícios fiscais para as contas poupança-habitação e poupança-reforma representam uma moralização do sistema fiscal. Há demasiados anos que andamos, injustificadamente, a financiar quem não precisa, prejudicando aqueles que verdadeiramente precisam.
Estes benefícios são injustificados em 99% dos casos. Talvez a excepção seja a de um país com uma situação económica extraordinariamente boa, sem indivíduos com baixo rendimento, e, mesmo aí, só em situações de necessidade de incentivo à poupança? Talvez o Mónaco, num ou outro ano de maior tendência para o consumismo por parte da realeza...

Neste instante, diz ela

A ministra da educação, poisa com doçura a face na sua mão direita. Neste instante, afunda-se na cadeira.
Neste instante, refere que os "meninos" devem poder escolher...Neste instante, diz que há escolas com programas de desporto escolar fantásticos: equitação. Neste instante, na sede do ministério o funcionário que desmaiaram no Sábado à noite de exaustão volta ao trabalho. Neste instante, os portugueses sentem a ampulheta a correr: ou as listas saem até à meia-noite, ou amanhã de manhã não há ministra. E o tempo corre, e das listas nada. Neste instante, a ministra diz que há escolas públicas muito boas. O povo ouve. Pensa. E pergunta em surdina: "Mas não é isso que é suposto?" Neste instante, ainda não há listas e o tempo continua a passar. A demissão em directo. Expectativa. O povo aguarda impaciente. Depois do big brother, dos acorrentados e do master plan, eis a nova receita no entretenimento televisivo:a espada de Damocles: o despedimento em directo. Será que a ministra vai conseguir a acabar a prova a tempo e ficar na casa até à próxima semana, ou vai sair hoje? E faltam 15 minutos, neste instante, para ministra perder a prova.
E pronto terminou... Vamos já para a ligação em directo à casa...

segunda-feira, setembro 20, 2004

O outro lado

"Todos falam da violência com que o rio corre, mas ninguém fala das margens que o comprimem". As citações do Presidente Mao, coligidas no celebérrimo livro vermelho, são assim: iluminadoras do outro lado.
Porque em tudo há sempre um outro lado. O lado que aceita os convites, que recebe os presentes, que aufere os salários e arrecada as reformas. Mira Amaral aceitou a reforma. João aceitou o emprego que sabe que conseguiu apenas porque o seu pai mexeu os cordelinhos. Maria aceitou o salário de 1200 contos, quando sabe que o trabalho que executa vale 120. Tiago aceitou passar à frente no hospital. Ricardo aceitou o favor sem pestanejar.
Normalmente só se fala em quem faz os favores, de quem convida ou quem facilita. Critica-se quem dá, mas nunca quem recebe, porque quem os recebe, está só a fazer o que qualquer pessoa faria, pensa o que quer, ele próprio, evitar a consciencia pesada.
Recusar uma vantagem, que coisa incompreensível nos dias de hoje. Declinar um convite, que sacrilégio. Que insulto!
Se é cretino que seja possível dar a quem trabalha 9 meses, uma reforma no valor a que muitos não têm acesso em 20 anos, é igualmente cretino aceitá-la.

Frase do dia

Amsterdão é uma cidade muito bonita, cheia de cafés.

Os terríveis 80s


80s Posted by Hello

A constituição da equipa maravilha é, da esquerda para a direita:
Jorge "Umbadá" Fernando
Fernando "Bigodaças" Pereira
Amiga Olga Cardoso
Padrinho do Marco António
António "palavra-puxa-palavra" Sala
Cândida (que Deus a tenha em descanso) Branca-Flor
Marido da Valentina Torres
José "Alcácer Quibir" Cid
José "pé de gesso" Malhoa

(recebido por e-mail)