segunda-feira, outubro 25, 2004

Sobre o Buttiglione

só temos uma coisa a dizer: façam o que quiserem, mas que fique claro que nós avisámos com tempo que não aceitaríamos o Durão de volta.

Dúvida

Quando o ministro das finanças fala de princípio do utilizador-pagador em relação à Saúde, para que servem o governo e o sector público?

Continuamos cada um por si? Duvido que 99% dos políticos portugueses consigam sobreviver assim... Mas, por mim, vamos a isso?

O Captain, my Captain!



Percebi este fim-de-semana - obrigado SIC Gaja - que uma das coisas que Portugal precisa de fazer é subir à sua mesa e ver-se de outra perspectiva. Claro que para simultaneamente gritar "O Captain, my Captain!" seria fundamental ter alguém merecedor desse nome. Um dia ele sairá do meio do nevoeiro...

Eu decidi que, assim que os tempos o permitirem, não mais deixarei de chupar o tutano da vida. Foi por me ter esquecido de o fazer que cheguei aqui. Mas depois de sair deste lugar triste não volto a pôr cá os pés.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Dúvida existencial

Quando o que os outros consideram que são as nossas qualidades são as coisas que nós consideramos que nos prejudicam, e o que eles consideram os nossos defeitos são as coisas que achamos que nos ajudam, onde é que se mete o requerimento para mudar de mundo?

Último post sobre este assunto

Gert Jan Verbeek:
"O Benfica foi roubado contra o FC Porto"

Mas ele deve ser suspeito...

Benfica-Porto e PSG-Porto

Descubra as diferenças
Entre estas duas imagens há uma pequena diferença, que foi decisiva para o desfecho dos últimos dois jogos do FCP. Descubra o que está errado e faça-lhe uma cruz por cima:



quarta-feira, outubro 20, 2004

dia de hoje

Hoje foi um dia especial para este Pais. O primeiro-ministro afirma a um jornal alemão -que pensa que por ser estrangeiro não é lido em Portugal- que "já basta de contenção orçamental". O ministro da presidência vai ao parlamento dizer que embora tenha sido ele que acabou com o Acontece na RTP2, alterou o contrato de concessão da RTP, acabou com os conselhos de opinião na RDP e RTP, e que vai criar um centro de imprensa para o governo, não quer, não pretende e tem ódio de quem ousa influenciar os conteúdos editoriais da televisão pública. Os lobos não comem erva, e esta gente não hesitará a pôr a pata, na liberdade de expressão. Quando policias exibem as suas caçadeiras de canos cerrados, atiçam os seus cães e agridem estudantes...

terça-feira, outubro 19, 2004

Animal político


GWB Posted by Hello
Recebido por e-mail.

Olha a cabala fresquinha!!!!!!

Neste governo tudo o que tem a ver com peixe é, claramente, ideia do Paulinho das feiras!

Ministro Gomes da Silva sugere cabala do "Expresso", PÚBLICO e Marcelo Rebelo de Sousa

E os próximos passos são fechar o Público e o Expresso, ou o governo contenta-se com a substituição das equipas editoriais?

Como estes testes nos fazem bem ao ego...





Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador(a).

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia




Obrigado abóbora!

segunda-feira, outubro 18, 2004

O meu programa de Governo

Porque acho que não vale dizer mal sem propor o que se acha ser melhor e porque, muitas vezes, aqui e noutros sítios, digo mal do que fizeram os governos em Portugal nos últimos dez anos, aqui fica o que seria o meu primeiro esboço de um programa de governo:

Saúde
Garantir a prestação de todos os cuidados de saúde, pelo sector público, a todos os que desejem usá-los.

Exigir que todos os profissionais de saúde que trabalhem no sector público o façam em regime de exclusividade (período de transição - 2 anos).

Proibir as empresas da indústria farmacêutica de fazerem ofertas de qualquer tipo a médicos que trabalhem no sector público.

Acabar com as restrições à abertura de farmácias.

Educação
Exigir que todos os professores que trabalham em escolas públicas cumpram horário completo.

Acabar com todos os subsídios a escolas privadas (incluindo as escolas e universidades católicas), garantido cobertura total através de escolas públicas no ensino obrigatório.

Fazer um pacto de regime que inclua pelo menos os dois maiores partidos, para definir os programas de ensino e as estratégias para a educação, válido pelo menos por dez anos.

Finanças e Administração Pública
Aumento imediato do salário mínimo nacional para 550 euros mensais (e da reforma mínima para o mesmo valor). Aumentos de 10% em cada um dos primeiros anos para todos os salários entre 550 e 1250 euros (excluindo os que tivessem beneficiado do primeiro aumento).

Reduzir a despesa corrente do Estado todos os anos ao longo de uma legislatura - 8% nos dois primeiros anos e 5% nos dois seguintes, de forma a reduzi-la para cerca de 75% da actual. Quase nenhuns motoristas (só o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro e os Ministros teriam direito a um motorista cada, em toda a administração pública), muito menos secretárias, corte radical das despesas com ajudas de custo, despesas de representação, telefones e telemóveis, parque automóvel, papel, tinteiros e toners, racionalização dos edifícios do estado, indexação séria das contratações para a função pública a uma percentagem (menos do que 100%) das reformas do ano anterior.

Fazer um pacto de regime que inclua pelo menos os dois maiores partidos, para definir o desenho do governo, especificando todos os ministérios, secretarias de estado, outras entidades que a eles pertencem e as respectivas áreas de intervenção, válido pelo menos por dez anos.

Reduzir a taxa de IRC para 15%.

No terceiro ano da legislatura, acabar com os benefícios fiscais para as despesas de saúde e educação comprovadas com documentos de instituições privadas de prestação de serviços (hospitais, clínicas, consultórios e escolas) e simultaneamente redução da taxa normal de IVA para 17%.


Ambiente
Todo o parque automóvel do estado e todos os transportes públicos passam a utilizar a energia menos poluente possível.

Os edifícios do estado são obrigados a fazer reciclagem e a utilizar energias alternativas.

Economia
Centralizar toda a promoção turística e económica do país numa só instituição, utilizando a estrutura mundial de delegações de que dispõe o ICEP.

Passar para a responsabilidade de entidades independentes todas as áreas que devem ser geridas por princípios técnicos e não políticos (energia, ambiente, transportes, comunicações, etc...).

Defesa
Redução substancial da despesa com Defesa.

Afectação de todos os militares à limpeza da floresta portuguesa quatro dias por semana.

Cultura
Acabar com todos os subsídios à produção cultural, incentivando as entidades privadas ao mecenato através de fortes benefícios fiscais.

Obras Públicas
Responsabilizar contratualmente as empresas construtoras pela conservação das próprias obras (especialmente estradas) durante o seu período de vida útil.

Reinaldo's

O Sr. Reinaldo Teles é a verdadeira alma do FC Porto. Um homem com um enorme talento para descobrir novos valores. Os seus estabelecimentos Granada, Calor da Noite e Diamante Negro são os melhores exemplos disso...



Golo? Não...

Contenção

Porque me ando a tentar conter sobre o jogo de ontem, ficam as palavras de outros, dos que são insuspeitos:

Como sportinguista, só posso dizer que gostei muito de ver os jogadores do Porto a trabalhar. Sobretudo aqueles que estavam vestidos de preto.
Daniel Oliveira

Como dizia um portista, grande amigo meu

Nós sabemos que quase sempre roubamos, mas roubadinho ainda sabe melhor...


Roubo Posted by Hello

sexta-feira, outubro 15, 2004

O pontilhismo orgânico.



Andar pela cidade tem coisas assim. Vai uma alminha a pensar na vida em passo de pensar na vida, quando de repente no centro do centro, num sítio por onde passam milhares de pessoas diariamente, uma forma estranha entra pelo enquadramento dos olhos e um novo movimento na arte nasce. A técnica utilizada pelo artista é o chamado pontilhismo orgânico e pode ser encontrada nos passeios, nas escadas e em alguns casos de virtuosismo técnico em paredes.
O pontilhismo orgânico, ou mais vulgarmente designado por vomitado, exprime através da cor, densidade, forma, continuidade, projecção e textura, toda a identidade idiossincrática do artista. Pela obra que descansa em cima da calçada, é possível ao olhar experimentado e critico, avaliar todas as influências daquele quadro. Se a arte é resultado de determinadas condições histórico-materiais então o pontilhismo orgânico é disso o exemplo acabado. Se, para além da representação figurativa, a pintura pode ser ela própria a representação do movimento ou do gesto, como em Pollock por exemplo, então o pontilismo orgânico, vulgo cabritado, assume-se hoje, como o maior desse expoente. Não são os gestos do braço, mas as pulsões violentas do estômago, não são os traços longos, mas os desvios das ancas.
Recém chegado aos movimentos da arte, este tipo de pontilhismo não pode deixar de ser "engagé" politico-ético-filosoficamente. Comprometido com a limpeza do vestuário, com a direcção do vento e com a fluidez das linhas.
Arte democrática, popular e acessível a todos o pontilhismo orgânico sofre do movimento censório típico das sociedades burguesas. Se o grafitti conseguiu vencer o lápis azul dos funcionário das edilidades, o vomitado no passeio luta todos os dias contra esses esbirros do poder opressor. Deixem o vomitado em paz e assim se defenda a ultima cristalização artística da cultura urbana deste princípio de século

quinta-feira, outubro 14, 2004

Clássico

Há uns dias alguém me falava da Ucal como um exemplo de má imagem ou de imagem datada. Por favor, não acabem com os símbolos da minha juventude. A garrafinha da Ucal não é velha, nem datada. É um clássico, como o mini ou o carocha, ou a garrafa de coca-cola.
Há que beber. Mas só naqueles copos grossos, com gomos verticais de sete ou oito milímetros de largura. Noutro copo não sabe ao mesmo...



Bons velhos tempos

Bons tempos esses, em que as revoltas dos estudantes eram boas e justas.
Bons tempos em que os revoltosos eram garbosos rapazes lutando contra um sistema injusto.
Boas revoltas, feitas com categoria e inteligência. Basta ver como estão os revoltosos desses tempos hoje: abastados professores, políticos, médicos, advogados e jornalistas. Boa gente, digna, fato e gravata, dedicada à causa pública e também à privada. Grandes carros, boas casas, gente famosa. Por aí se vê a qualidade dessa gente.
Mas hoje deixem-nos em paz. Estamos no poder e não temos paciência para meninos que acham que o seu sistema é injusto. Se não gostam vão-se embora! E por isso escrevemos e nos revoltamos nos jornais. Sim, nos jornais onde nos PEDEM para nós escrevermos a nossa opinião. Textos que as nossas secretárias alinhavam e passam e que, depois de uma ou outra correcção, as mandamos enviar para as redacções. "Encarrega-me o Sr. Dr. de lhe fazer chegar o seu texto sobre..."
Bons tempos em que ajudámos a fundar esta justa e bela sociedade em que vivemos hoje. Não eramos como estes miseráveis, apesar de alguns deles nos copiarem as barbas...

Texto sem fim

È impressão minha ou os carregadores de telemóveis que se compram nos indianos cheiram a caril. Seria impressão minha, se eu não tivesse aberto um, e visto com os meus próprios olhos. Sim! vi com os meus olhos que o interior de um carregador que custa 2,99 Euros num indiano, cheira a caril. Vi que cheira? Bem, talvez ao abrir para ver, então, me cheirasse ao que já me cheirava cá fora: a caril.
Um carregador de telemóvel é coisa fácil de construir. Na Suécia trinta mecanismos hidráulicos, na Índia um miúdo de seis anos. Na Suécia o cheiro a esterilizado, na Índia o cheiro a caril. O cheiro... e o próprio caril, pois senhores, que eu fique já aqui ceguinho, se dentro do carregador de telemóveis nokia que eu ontem desmembrei pacientemente ao almoço depois de comer uma maçã starking vermelha, não havia um liquido. Um liquido acastanhado, denso. Com pigmentos de várias formas e feitios. Faltava o arroz, mas que aquilo era caril... Ah, isso era!
Feita a descoberta e lamentado o arroz, juntei as peças do carregador-cataplana e lixo com ele. Depois, desci a escadas, desci a rua, e subi ao chinês mais próximo. " queria um carregador para Nokia". Passada a barreira linguística, eis que dentro de uma malga de arroz adeuzinho-adeuzinho, surge um carregador que qual ambientador "Brise" expele um gracioso cheiro a banana fá-si. Incrédulo voltei à loja onde aliás continuo, mas agora escrever este "post". Entrei, e fui logo indicado para a parte escondida da loja. Direita, esquerda, corredor em frente, desce escada...bem, estou cercado por caixas de cartão num armazém sem fim. Perdidíssimo... há uns computadores velhos de onde escrevo...e mais nada. Caixas, caixas e mais caixas.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Pagar e calar em Saúde, ou o futuro do ex-SNS

No Mar Salgado a tripulação discute a Saúde em Portugal. O Capitão não vê nenhum mal em que haja lucros na Saúde, e nas suas palavras percebe-se a total descrença na competência pública para gerir.

O caminho que seguirão os Hospitais SA é fácil de adivinhar: os maus hábitos de trabalho nos hospitais, a incompatibilidade da eficiência do trabalho médico com o lucro dos consultórios privados dos médicos e o poder da indústria farmacêutica dentro dos hospitais levarão, inevitavelmente, a défices nas contas no fim de cada ano. Premeditadamente ou não, o governo alegará que não tem capacidade financeira para novos aumentos de capital dos seus hospitais e, logo de seguida, os principais credores (grandes grupos financeiros interessados na área da saúde) dirão "se não nos pagam, passamos a ser os donos dos hospitais". O primeiro-ministro fará uma comunicação ao país afirmando que a privatização dos hospitais é um caminho desejável e que, no fundo, há males que vêm por bem e... estará concluído o processo de privatização.

Mas entre os vários problemas que a privatização dos SA coloca, um se destaca: na área de influência de um hospital privatizado, esse hospital será monopolista na prestação de cuidados hospitalares. E o Estado será, praticamente, o seu único cliente. Quem tem o poder de fixar o preço dos cuidados nesta situação? O fornecedor, obviamente, já que o cliente (Estado) não pode recusar-se a consumir. E quando o hospital decidir cobrar pelos seus serviços valores muito superiores ao seu custo, o que fará o Estado? A única coisa que pode fazer: pagar e calar...