segunda-feira, outubro 18, 2004

Reinaldo's

O Sr. Reinaldo Teles é a verdadeira alma do FC Porto. Um homem com um enorme talento para descobrir novos valores. Os seus estabelecimentos Granada, Calor da Noite e Diamante Negro são os melhores exemplos disso...



Golo? Não...

Contenção

Porque me ando a tentar conter sobre o jogo de ontem, ficam as palavras de outros, dos que são insuspeitos:

Como sportinguista, só posso dizer que gostei muito de ver os jogadores do Porto a trabalhar. Sobretudo aqueles que estavam vestidos de preto.
Daniel Oliveira

Como dizia um portista, grande amigo meu

Nós sabemos que quase sempre roubamos, mas roubadinho ainda sabe melhor...


Roubo Posted by Hello

sexta-feira, outubro 15, 2004

O pontilhismo orgânico.



Andar pela cidade tem coisas assim. Vai uma alminha a pensar na vida em passo de pensar na vida, quando de repente no centro do centro, num sítio por onde passam milhares de pessoas diariamente, uma forma estranha entra pelo enquadramento dos olhos e um novo movimento na arte nasce. A técnica utilizada pelo artista é o chamado pontilhismo orgânico e pode ser encontrada nos passeios, nas escadas e em alguns casos de virtuosismo técnico em paredes.
O pontilhismo orgânico, ou mais vulgarmente designado por vomitado, exprime através da cor, densidade, forma, continuidade, projecção e textura, toda a identidade idiossincrática do artista. Pela obra que descansa em cima da calçada, é possível ao olhar experimentado e critico, avaliar todas as influências daquele quadro. Se a arte é resultado de determinadas condições histórico-materiais então o pontilhismo orgânico é disso o exemplo acabado. Se, para além da representação figurativa, a pintura pode ser ela própria a representação do movimento ou do gesto, como em Pollock por exemplo, então o pontilismo orgânico, vulgo cabritado, assume-se hoje, como o maior desse expoente. Não são os gestos do braço, mas as pulsões violentas do estômago, não são os traços longos, mas os desvios das ancas.
Recém chegado aos movimentos da arte, este tipo de pontilhismo não pode deixar de ser "engagé" politico-ético-filosoficamente. Comprometido com a limpeza do vestuário, com a direcção do vento e com a fluidez das linhas.
Arte democrática, popular e acessível a todos o pontilhismo orgânico sofre do movimento censório típico das sociedades burguesas. Se o grafitti conseguiu vencer o lápis azul dos funcionário das edilidades, o vomitado no passeio luta todos os dias contra esses esbirros do poder opressor. Deixem o vomitado em paz e assim se defenda a ultima cristalização artística da cultura urbana deste princípio de século

quinta-feira, outubro 14, 2004

Clássico

Há uns dias alguém me falava da Ucal como um exemplo de má imagem ou de imagem datada. Por favor, não acabem com os símbolos da minha juventude. A garrafinha da Ucal não é velha, nem datada. É um clássico, como o mini ou o carocha, ou a garrafa de coca-cola.
Há que beber. Mas só naqueles copos grossos, com gomos verticais de sete ou oito milímetros de largura. Noutro copo não sabe ao mesmo...



Bons velhos tempos

Bons tempos esses, em que as revoltas dos estudantes eram boas e justas.
Bons tempos em que os revoltosos eram garbosos rapazes lutando contra um sistema injusto.
Boas revoltas, feitas com categoria e inteligência. Basta ver como estão os revoltosos desses tempos hoje: abastados professores, políticos, médicos, advogados e jornalistas. Boa gente, digna, fato e gravata, dedicada à causa pública e também à privada. Grandes carros, boas casas, gente famosa. Por aí se vê a qualidade dessa gente.
Mas hoje deixem-nos em paz. Estamos no poder e não temos paciência para meninos que acham que o seu sistema é injusto. Se não gostam vão-se embora! E por isso escrevemos e nos revoltamos nos jornais. Sim, nos jornais onde nos PEDEM para nós escrevermos a nossa opinião. Textos que as nossas secretárias alinhavam e passam e que, depois de uma ou outra correcção, as mandamos enviar para as redacções. "Encarrega-me o Sr. Dr. de lhe fazer chegar o seu texto sobre..."
Bons tempos em que ajudámos a fundar esta justa e bela sociedade em que vivemos hoje. Não eramos como estes miseráveis, apesar de alguns deles nos copiarem as barbas...

Texto sem fim

È impressão minha ou os carregadores de telemóveis que se compram nos indianos cheiram a caril. Seria impressão minha, se eu não tivesse aberto um, e visto com os meus próprios olhos. Sim! vi com os meus olhos que o interior de um carregador que custa 2,99 Euros num indiano, cheira a caril. Vi que cheira? Bem, talvez ao abrir para ver, então, me cheirasse ao que já me cheirava cá fora: a caril.
Um carregador de telemóvel é coisa fácil de construir. Na Suécia trinta mecanismos hidráulicos, na Índia um miúdo de seis anos. Na Suécia o cheiro a esterilizado, na Índia o cheiro a caril. O cheiro... e o próprio caril, pois senhores, que eu fique já aqui ceguinho, se dentro do carregador de telemóveis nokia que eu ontem desmembrei pacientemente ao almoço depois de comer uma maçã starking vermelha, não havia um liquido. Um liquido acastanhado, denso. Com pigmentos de várias formas e feitios. Faltava o arroz, mas que aquilo era caril... Ah, isso era!
Feita a descoberta e lamentado o arroz, juntei as peças do carregador-cataplana e lixo com ele. Depois, desci a escadas, desci a rua, e subi ao chinês mais próximo. " queria um carregador para Nokia". Passada a barreira linguística, eis que dentro de uma malga de arroz adeuzinho-adeuzinho, surge um carregador que qual ambientador "Brise" expele um gracioso cheiro a banana fá-si. Incrédulo voltei à loja onde aliás continuo, mas agora escrever este "post". Entrei, e fui logo indicado para a parte escondida da loja. Direita, esquerda, corredor em frente, desce escada...bem, estou cercado por caixas de cartão num armazém sem fim. Perdidíssimo... há uns computadores velhos de onde escrevo...e mais nada. Caixas, caixas e mais caixas.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Pagar e calar em Saúde, ou o futuro do ex-SNS

No Mar Salgado a tripulação discute a Saúde em Portugal. O Capitão não vê nenhum mal em que haja lucros na Saúde, e nas suas palavras percebe-se a total descrença na competência pública para gerir.

O caminho que seguirão os Hospitais SA é fácil de adivinhar: os maus hábitos de trabalho nos hospitais, a incompatibilidade da eficiência do trabalho médico com o lucro dos consultórios privados dos médicos e o poder da indústria farmacêutica dentro dos hospitais levarão, inevitavelmente, a défices nas contas no fim de cada ano. Premeditadamente ou não, o governo alegará que não tem capacidade financeira para novos aumentos de capital dos seus hospitais e, logo de seguida, os principais credores (grandes grupos financeiros interessados na área da saúde) dirão "se não nos pagam, passamos a ser os donos dos hospitais". O primeiro-ministro fará uma comunicação ao país afirmando que a privatização dos hospitais é um caminho desejável e que, no fundo, há males que vêm por bem e... estará concluído o processo de privatização.

Mas entre os vários problemas que a privatização dos SA coloca, um se destaca: na área de influência de um hospital privatizado, esse hospital será monopolista na prestação de cuidados hospitalares. E o Estado será, praticamente, o seu único cliente. Quem tem o poder de fixar o preço dos cuidados nesta situação? O fornecedor, obviamente, já que o cliente (Estado) não pode recusar-se a consumir. E quando o hospital decidir cobrar pelos seus serviços valores muito superiores ao seu custo, o que fará o Estado? A única coisa que pode fazer: pagar e calar...

terça-feira, outubro 12, 2004

o gato

Era uma vez um gato. Um gato, tão gato que apenas por uma vez ficou doente. A dona, e no fundo empregada do gato há mais de 6 anos, levou-o ao veterinário. Radiografias, uma punção lombar e uma zaragatoa no animal, foi o suficiente para que o felino se curasse e a dona se apaixonasse pelo veterinário. Se o amor da dona pelo médico dos bichos, demorara 20 minutos a nascer, o do médico dos bichos pela dona explodiu instantâneo quando ela entrou pela porta com o felino nos braços.
"Se o gato está curado, nunca mais a irei ver". ? pensou o clínico. Se calhar, em vez de uma sutura absorvível pelo organismo gatal, uma mais antiga e a exigir o retorno ao consultório para retirar os pontos enormes, garantirá que a saudade não se prolongue por mais que uma semana.
E ela voltou. E ele tirou os pontos ao gato. Mas de novo o mesmo problema. Gato curado, dona longe. Por isso, um pequeno mas certeiro pisão na cauda felina, garantiu um tratamento com 5 mudas de pensos, duas suturas e uma pequena intervenção cirúrgica. E de novo o gato estava bom. E isso era mau: para ela que o deixava de ver e para ele que a deixava de ver. Por isso, uma palmada na parte da perna do animal que só os veterinários sabem onde é, garantiu um gesso, uma operação, fisioterapia e a manutenção daquele amor por mais três meses.
Este amor não tinha cartas, não tinha mensagens, nem sequer tinha telemóveis, este amor tinha um gato. Ou ia tendo pois o bicho, escrito como as árvores de mensagens dos amantes tinha já decido fugir. Com a fuga aristocrata planeada, o bichano lançou-se à estrada. Ora, os tratamentos dos últimos meses, os períodos de convalescença e as sessões de fisioterapia, retiraram a este animal toda a agilidade que noutra ocasião lhe tinha permitido sem dificuldade desviar-se do carro que o projecta no ar, o faz rodopiar e cair de queixos no chão. O barulho dos pneus acordou a dona. " estás a ver, ainda não estás bom para sair, tens de ficar melhor." Com um sorriso e com duas metades de gato nas mãos foi ter às urgências com o veterinário. E pela primeira vez ia estar com ele à noite

Alguns não

Encontro o poema nos Inseparáveis. E não resisto a publicá-lo. Deixam, assim, de existir blogs portugueses que nunca tenham postado um poema de Sophia Andresen... Um dia tinha que acontecer...

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Linguagem gestual

Fui eu o único a achar que os gestos que o Santana fazia com a mão direita enquanto falava estavam indicados nos papeis do seu discurso?

segunda-feira, outubro 11, 2004

vá lá diz lá

O que irá Santana dizer aos portugueses hoje à noite? Qual será o segredinho que ele sabe mas que não conta a ninguém. A gabardina mandou um fax para o gabinete do primeiro-ministro a pedir o discurso de logo à noite. A primeira resposta foi um "não" redondo. Depois enviou outro na linguagem do Primeiro-Ministro: "vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá, vá lá diz lá" as respostas foram respectivamente: " não, não, não, não, não posso, pá não dá, eu gostava mas não posso, está bem mas é segredo". A resposta chegou. Santana Lopes vai anunciar ao país a sua receita preferida de mousse de chocolate. Foi para isso que ele convocou todos os Portugueses para as 20:00 de hoje.

Quem é que quer explicar aos miúdos

que o Super Homem morreu?

sexta-feira, outubro 08, 2004

Insónia maldita

Hoje acordei às quatro da manhã, sem explicação aparente. Liguei a televisão na Sic Notícias, só para saber as horas. Aparece-me este senhor Luís Pais Antunes, secreário de estado de qualquer coisa, a quem estava a ser perguntado "Se os salários dependem da produtividade, por que é que em Portugal os gestores de topo ganham como os melhores do resto da União Europeia e os trabalhadores com salários mais baixos ganham muito menos em Portugal que nos outros países da União Europeia?" A resposta foram muitos ahhhs e hmmmms, e algumas coisas sem sentido como o reafirmar de que a produtividade é mais baixa em Portugal e que "isso depende dos sectores".
Este infeliz impulso de ligar a Sic Notícias às quatro da manhã valeu-me uma hora de insónia. Uma hora cheia de vontade de partir um nariz a murros.
Pergunto mais uma vez: como é que estes tipos chegam ao poder em Portugal?

quinta-feira, outubro 07, 2004

Perfeito

Elfriede Jelinek, mulher, austríaca, filha de um judeu que fugiu aos nazis na segunda guerra mundial, ganhou o Nobel da literatura.
O mundo é muito melhor quando temos a consciência tranquila por sermos politicamente correctos. Hoje os membros do Comité Nobel vão dormir como anjos, debaixo dos seus fofos cobertores!

Que gente é esta?


Que gente é esta que manda calar comentadores, mas confunde chicana com "chincana"? Que gente é esta que lê com enfado os discurso de estado mas usa e abusa da sua segurança? Que gente é esta que elogia os 100 paus diários a mais dos militares, mas gasta biliões em submarinos? Que gente é esta que todos os dias desmantela o aparelho de estado para dar de comer às suas empresas, mas enche a boca com a liberdade de concorrência? Que gente é esta que manda navios de guerra bloquear a entrada de pessoas no Pais, mas vai buscar recrutar miudos aos centros comerciais?
E que gente é esta que aceita continuar ao lado dessa gente? E que gente é esta que os acompanha e aceita os convites? Os 1200 nomeados por Santana, quem são? De onde vêm? O que é sabem?
Que gente é esta? E que quente é esta que os respeita a todos? e que Pais é este que respeita esta gente?
Esta gente vem dos tons amarelos e azuis, vem das camisas cor-de-rosa, vem dos sapatos finos de sola branca, vem das barrigas de cerveja com 20 anos, vem da juventude com charuto na mão. Esta gente não quer saber. Deseja apenas deliciar-se com imagem de ter um motorista, um lugar de garagem nas avenidas novas e privar com quem aparece na televisão. È a gente "que telefona primeiro e vai depois", é a gente das férias no Algarve e na neve e da lua-de-mel nas Maldivas. È a gente que tem sempre convites para levantar nos teatros e nos cinemas.
E o Pais? o pais vem do medo parolo e ignorante. Vem de uma revolução que nunca o foi. Vem de uma Europa que iguala tudo, menos os salários, a qualidade dos serviços públicos e a justeza do sistema fiscal.
Hoje Portugal é assim. Pais governado por miúdos. Putos, ignorantes, brutos. Mal criados e marialvas. Sem vergonha na cara e boçais. Com os dentes branqueados e nós de gravata brutais. E os fatos, e os fatos... às riscas, clarinhos e castanhos, assentes em gravatas moles, camisas de tédio e botões de punho. Os botões de punho...senhores...os botões de punho?

Com esta língua maldita

A preça é inimiga da perfeissão.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Um grande número 2

Retirou-se hoje dos campos de basket Scottie Pippen, o fiel escudeiro do melhor jogador de todos os tempos. O 33 dos Bulls estava para o Michael Jordan como o Sancho Pança para o D. Quixote ou como o Sexta-feira para o Robinsoe Crusoe: os segundos dificilmente poderiam ter sido famosos sem os primeiros.
Pippen é o último da mítica equipa (Paxson, Jordan, Pippen, Grant e Cartwright) a sair dos Bulls, virando uma página da história do basket. Ainda lá tenho umas VHS com imagens como esta:


A partir de agora

quem quiser rir ao domingo à noite terá que se contentar com o Herman Sic ou com a Quinta das Celebridades...

Marcelo Rebelo de Sousa abandona TVI após conversa com Paes do Amaral