sexta-feira, outubro 01, 2004

quinta-feira, setembro 30, 2004

never trust something that bleeds for five days and doesn't die
t-shirt, camden, londres

enchia-te a cunaça de bergamassa
parede, escola josé falcão, coimbra

O único tirano que admitimos é a voz da nossa consciência!
tarja, universidade de coimbra

Parede

Penso escrever um texto sobre o blog que faria se tivesse tempo e nunca farei. Um blog só com frases encontradas escritas em paredes, tarjas, t-shirts e portas de casas-de-banho. O post acabaria com a melhor de todas as frases que já li numa parede. "Foste um bom robot hoje?" A frase é pública e está aos olhos de todos numa parede da Universidade de Coimbra. Decido Googlá-la para ver se o tema é original. Não é. Cinco ou seis blogs portugueses já a citaram. Um até com a mesma ideia de uma recolha de frases escritas em paredes. O Diário de Notícias já a citou.

Mas isso não importa. O que importa é: Foste?

Maldição

Como um pássaro que, em voo, pára e olha para baixo.

Pobres dos que param para pensar; felizes os que têm a capacidade de passar uma vida inteira a bater as asas.

Um dólar, um voto

Bilderberg, Bilderberg, Bilderberg Group.
Nos últimos dias as referências ao Bilderberg não me têm deixado em paz. O que é afinal o Bilderber Group? Depois de uma rápida investigação, eu poderia arriscar tentar dizer-vos. Mas prefiro deixar-vos a definição da BBC

The Bilderberg group, an elite coterie of Western thinkers and power-brokers, has been accused of fixing the fate of the world behind closed doors. As the organisation marks its 50th anniversary, rumours are more rife than ever.
Given its reputation as perhaps the most powerful organisation in the world, the Bilderberg group doesn't go a bundle on its switchboard operations.

What sets Bilderberg apart from other high-powered get-togethers, such as the annual World Economic Forum (WEF), is its mystique.

Not a word of what is said at Bilderberg meetings can be breathed outside. No reporters are invited in and while confidential minutes of meetings are taken, names are not noted.

The shadowy aura extends further - the anonymous answerphone message, for example; the fact that conference venues are kept secret. The group, which includes luminaries such as Henry Kissinger and former UK chancellor Kenneth Clarke, does not even have a website.

In the void created by such aloofness, an extraordinary conspiracy theory has grown up around the group that alleges the fate of the world is largely decided by Bilderberg.

In Yugoslavia, leading Serbs have blamed Bilderberg for triggering the war which led to the downfall of Slobodan Milosevic. The Oklahoma City bomber Timothy McVeigh, the London nail-bomber David Copeland and Osama Bin Laden are all said to have bought into the theory that Bilderberg pulls the strings with which national governments dance.


Na reunião do 50.º aniversário do grupo, em meados deste ano, estiveram presentes 4 portugueses. Pinto Balsemão, aparentemente o mais antigo membro de entre os lusitanos, Santana Lopes, ainda Presidente de Câmara, José Sócrates e António Vitorino... Notam alguma coisa estranha? Pois...

Aqui podem encontrar a lista completa dos participantes. Para além dos referidos Clarke e Kissinger, irão encontrar nomes como John Edwards (candidato a vice-presidente dos EUA), Richard Holbrooke, Melinda Gates (mulher do nosso conhecido Bill), Mario Monti, Beatriz da Holanda, David Rockefeller, Jean-Claude Trichet (Presidente do Banco Central Europeu) e mais uns quantos nomes conhecidos.

Mas não se preocupem! Isto é só uma teoria da conspiração...

Poço sem fundo

Em 1995 os líderes dos dois maiores partidos portugueses eram Cavaco Silva e António Guterres. O primeiro desgastado por dez anos de poder e exposição pública, o outro a esperança no diálogo.

O Cavaco saiu e veio o Nogueira, depois o Marcelo. É sempre difícil substituir um grande líder (os portistas que o digam...) e, portanto, nada de preocupações. Só uma fase de transição.

Entretanto, rapidamente o Guterres se afundava e no PSD aparecia o Durão. Uma miséria, começaram a perceber os portugueses mais atentos. Um que falava e não fazia e outro que nem falava, só traía...

Sai Guterres, Durão vai para o governo e aparece o Ferro. Batemos no fundo! Não é possível descer mais. Pelo menos isso! Agora é sempre a subir!

Mas o Durão sai, o Ferro demite-se e, de repente, temos Santana e Sócrates na liderança.

O fundo do fundo? Já não acreditamos nisso! Mas o que virá a seguir? Um castor e um rato? Uma couve e um tufo de cotão? Esteja atento aos noticiários para saber das novidades!

"The horror! The Horror!"

Há muitas coisas que não entendo. Destas, há as em que reflicto, e que por isso mesmo me levantam muitas dúvidas, e há as que me fazem rir pela impossibilidade de as pensar com racionalidade. Os capelões no exército, a veia ecuménica da igreja e o desejo de justiça popular fazem, assim, parte de uma boa barrigada de riso. Não percebo como é que uma instituição que defende o direito à vida, permite que os seus ministros sirvam num exército que não serve para outra coisa que impedir o direito à vida. Enfim... mas o que me interessa por agora é a justiça popular.
Recordo que quando Carlos Silvino foi preso, uma das corujas que todos os dias o ia insultar para a frente da judiciária, era uma simpática velhinha, temente a Deus, e capaz de fazer os melhores pastéis de bacalhau de Alfama. Esta senhora, ou melhor, Avó mítica, um dia foi entrevistada. Então debaixo dos cabelinhos brancos, dos olhos brandos e da expressão doce diz: " se eu o apanhasse metia-lhe um arame farpado pelo cu acima, atava a ponta a burro e punha-o a correr. Havia de lhe tirar as tripas." Ora, descontando, a pobre da alimária que nada tem que ver com os problemas dos homens esta senhora, numa frase, conseguiu pensar numa coisa que nunca vi escrita nos melhores manuais de libertinagem. De onde virá esta vontade de vingança de tão inofensiva velhinha? Que incontrolável força foi responsável por tão inqualificável ideia? Deus? o diabo? era mesma? Quem ou quê? "o espírito da perversidade"?
A resposta sobre a origem é difícil de dar, mas a realidade é fácil de constatar: no campo das paixões humanas, impera o hediondo. "The horror! The Horror!"

quarta-feira, setembro 29, 2004

Chorar a rir



Por causa de uma pesquisa no imdb, acabo por "dar de caras" com o melhor filme de comédia que alguma vez vi. Chama-se "Non ci resta che piangere" (em português seria qualquer coisa como "Só nos resta chorar") e é um filme a meias entre um jovem Benigni e Massimo Troisi (o entretanto falecido carteiro de Neruda).

A história base é a seguinte: um professor primário e um funcionário da sua escola (ambos de QI muuuito baixo) que, enquanto estão parados numa cancela à espera que passe um comboio são "transportados" umas centenas de anos para trás, indo encontrar, entre outros, um Leonardo da Vinci ignorante ao ponto de não saber como funciona uma lâmpada, o comboio ou um simples jogo de cartas...

Enfim, uma barrigada. Em Portugal parece-me que o filme não existe, e uma das minhas obrigações na primeira viagem a Itália é comprar o DVD. Façam o mesmo, que garanto que vale a pena!

terça-feira, setembro 28, 2004

Saúde, regulação, doentes e anonimato

Sexta-feira passada fui ao Colóquio "Reforma e Regulação da Saúde", na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. À partida, e dadas as diplomáticas intervenções do Presidente da República e do Ministro da Saúde, tal não seria motivo de post na Gabardina. Mas duas coisas aconteceram que vale a pena destacar:

1. Em Abril deste ano escreveu-se na Gabardina que Para uma discussão sobre a saúde em Portugal convidam-se os médicos, os farmacêuticos e os governantes (...) mas quem tem propriedade para falar sobre a saúde em Portugal são os doentes. (...) Por isso, apenas por uma questão metodológica, deve sempre desconfiar-se de uma mesa redonda para discutir a saúde em Portugal onde não estejam presentes os doentes.Ora, surpreendentemente para mim, no referido colóquio foi incluída uma doente numa das mesas. A Dra. Rosa Gonçalves, da Plataforma Saúde em Diálogo, expôs a sua experiência, de vida e associativa, e deixou clara a opinião da organização que representa. A sua intervenção pode ter sido uma desilusão para quem foi ao colóquio ouvir falar de Regulação ou da Reforma da Saúde. Mas duas ideias interessantes ficaram das suas palavras:
a) Os doentes preocupam-se com aspectos concretos do Serviço Nacional de Saúde e não com grandes teorias que os velhos pensadores da saúde em Portugal gostam de discutir (até porque estes são como o Arafat - se tivessem vontade/capacidade para resolver o problema já o teriam feito);
b) O SNS deve ser independente das mudanças do poder político e não oscilar entre o público e o privado como um pêndulo, como mostrou que tem acontecido o representante do Banco Mundial.
Parece-me que, de facto, vale a pena ouvir os doentes quando se fala de Saúde.

2. O responsável principal pela organização do colóquio foi o Prof. Vital Moreira, meu Professor na pós-graduação de Regulação Pública há dois anos. Quando nos cumprimentámos, o Prof. Vital apontou-me o dedo e disse: "Então você tem um blog anónimo?" É verdade. Lá se foi a tese de que é fácil dizer tudo o que se quer sob a capa do anonimato, com que tanto se atacou os blogs anónimos há uns meses atrás. Tudo se descobre neste maravilhoso mundo que é a net. Tudo menos quem é o Pipi. Parece que fui denunciado por um blog, mas ainda não descobri qual. Não sei se o meu colega de blog também o foi. Fica a blogosfera a saber que somos dois, debaixo desta Gabardina. Para o Prof. Vital, e para o Causa Nossa, continuação de boa escrita!

Nobre Guedes na Arrabida

Poucos como Pacheco Pereira têm reflectido e valorizado os Blogs como um novo meio de informação. Aqui fica um bom exemplo das novas possibilidades dos blogs: informação independente dos grandes meios de difusão: http://www.nobreguedes-na-arrabida.blogspot.com


Mascotes geladas



As mascotes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim'2006, foram desenhadas por um português.
Chamam-se Neve e Gliz e são, respectivamente, uma bola de neve e um cubo de gelo.
Se fosse em Portugal já haveria vozes a dizer "mas será que não havia cá ninguém que fizesse uma mascote melhor que essas? Era preciso contratar um italiano?" Felizmente para o Pedro Albuquerque, nem todos são tão chauvinistas como os tugas...

segunda-feira, setembro 27, 2004

"quinta das celebridades"

Porque não há sinais de guerra civil no Iraque e porque o governo Português dá todos os dias exemplos de competência, hoje, em vez do jornal, comprei a TV Guia. Atraiu-me o assunto da capa: A quinta dos Famosos. O programa consiste em colocar num ambiente rural algumas pessoas conhecidas da televisão. Este programa de que todos vão dizer mal, mas que vai alimentar muitas conversas, assenta numa ideia interessante: o confronto da sofisticação da cidade com a realidade rural.
O povo rural que habita as cidades, e que projecta nas caras conhecidas da televisão, o sucesso do emigrante da aldeia, vai ter a oportunidade de gozar com a ignorância das estrelas como as estrelas gozam com a ignorância do povo. O povo que lê as revistas e se sente esmagado pelas vidas interessantes, pelas festas, pelas casas maravilhosas e pelos casamentos felizes, vai pela primeira, gozar com a ignorância de pegar numa enxada, com a dificuldade em ordenhar uma vaca ou segar uma ceara.
As celebridades vão ser ridicularizadas a fazer as tarefas que, quem ainda tem a ideia mítica da terra, ou da aldeia, toma por elementares. Mas a verdade é que só quem sabe, ou pensa que sabe, ordenhar uma vaca é que se pode rir de quem não sabe. Este novo reality show não vai tirar o Zé Maria de barrancos para as festas. Vai pôr o Castelo-branco nas couves. E isto é novo.
Estas celebridades, "bifes em fruteiras" embora ridicularizadas pelo povo vão na verdade, revelar o Pais profundamente rural e conservador que habita nas cidades. Um povo que utiliza os paradigmas de vida no campo para resolver um problema que ainda não percebe: o fenomeno urbano.

quarta-feira, setembro 22, 2004

It was not time to make a change...

Os EUA recusaram-se a deixar entrar no país o cantor Cat Stevens. Ao que parece, o artista, que se converteu ao islamismo e se chama agora Yusuf Islam, faz parte de uma lista de terroristas que não podem pisar solo americano.

Bem podia o Yusuf ter aprendido com as suas próprias letras...

There's so much you have to go through
(...)
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go

SM.O


A questão do serviço militar obrigatório sempre me fez pesar dois argumentos contrários. Por um lado, recuso que alguém se tenha de submeter a ordens de superiores, por outro lado reconheço o valor, que do ponto de vista político tem o facto de as forças armadas serem formadas por populares.
Consciente de que neste caso não é possível uma conciliação, decidi-me por defender o fim do serviço militar obrigatório, escolhendo como mais importante o primeiro argumento. Assim, saúdo o trabalho do governo e critico as posições do PCP, que embora o esconda da opinião pública e especialmente dos mais jovens, defende a continuação do S.M.O.
O fim do S.M.O é um objectivo politico que a esquerda nunca conseguiria realizar, pois a esquerda teria muita dificuldade em pôr de lado o acervo do 25 de Abril, uma revolução só realizada porque que os militares eram o povo, e esquecer o chavão (verdadeiro aliás) de que o poder está na ponta do fusil.
Agora que as espingardas serão manejadas por quem é pago para isso, é necessário, para evitar que suceda o que acontece todos os dias no Sudão, que se defenda a extinção pura e simples do exercito português.
Um exército serve para matar gente. È para isso que serve. Para matar. Depois de agradecer à direita como agradeci, pela extinção do S.M.O gostava de lhe perguntar como é que se pode ser contra a I.V.G e continuar a querer um exército que só serve para matar. Como é que se pode dizer que a vida é um valor absoluto e pagar a homens para matar? A resposta transpira da pergunta: A vida não é um valor absoluto: para a I.V.G é, para manter um exército não é.

terça-feira, setembro 21, 2004

Dúvida

Camacho será o próximo treinador do Porto ou do Sporting?

Aplauso

E, finalmente, estou de acordo com o ministro Bagão.
O anunciado fim dos benefícios fiscais para as contas poupança-habitação e poupança-reforma representam uma moralização do sistema fiscal. Há demasiados anos que andamos, injustificadamente, a financiar quem não precisa, prejudicando aqueles que verdadeiramente precisam.
Estes benefícios são injustificados em 99% dos casos. Talvez a excepção seja a de um país com uma situação económica extraordinariamente boa, sem indivíduos com baixo rendimento, e, mesmo aí, só em situações de necessidade de incentivo à poupança? Talvez o Mónaco, num ou outro ano de maior tendência para o consumismo por parte da realeza...

Neste instante, diz ela

A ministra da educação, poisa com doçura a face na sua mão direita. Neste instante, afunda-se na cadeira.
Neste instante, refere que os "meninos" devem poder escolher...Neste instante, diz que há escolas com programas de desporto escolar fantásticos: equitação. Neste instante, na sede do ministério o funcionário que desmaiaram no Sábado à noite de exaustão volta ao trabalho. Neste instante, os portugueses sentem a ampulheta a correr: ou as listas saem até à meia-noite, ou amanhã de manhã não há ministra. E o tempo corre, e das listas nada. Neste instante, a ministra diz que há escolas públicas muito boas. O povo ouve. Pensa. E pergunta em surdina: "Mas não é isso que é suposto?" Neste instante, ainda não há listas e o tempo continua a passar. A demissão em directo. Expectativa. O povo aguarda impaciente. Depois do big brother, dos acorrentados e do master plan, eis a nova receita no entretenimento televisivo:a espada de Damocles: o despedimento em directo. Será que a ministra vai conseguir a acabar a prova a tempo e ficar na casa até à próxima semana, ou vai sair hoje? E faltam 15 minutos, neste instante, para ministra perder a prova.
E pronto terminou... Vamos já para a ligação em directo à casa...