Renovação da frota de automóveis do Governo


Amanhã, o despacho do ministério das finanças que impôs estes modelos aos outros meninos.


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Vi ontem em DVD o filme, baseado no livro homónimo, que nunca chegou ás salas de cinema de Coimbra. Não é um filme extraordinário, mas vale sempre a pena ver muitas imagens como esta:

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Estranhos tempos, estranha democracia. Estranho país em que os cidadãos têm que fazer umas léguas marítimas para águas internacionais para fazerem o que querem ao seu corpo e ao que está dentro dele.
Os serviços da "Women on Waves" (WoW) não serão seguramente requisitados por um dos grupos que faz abortos em Portugal: o das meninas-bem cujos papás gostam de papar óstias e querem a "intervenção" feita sem que ninguém saiba. (se assim não fosse teriam que deixar de se manifestar publicamente contra o aborto)
O alvo da organização deverá ser então o resto do mercado português do aborto. As raparigas das clínicas de vão de escada e das que não sendo de vão de escada (aqui no centro há uma famosa em Oliveira do Bairro, se não estou em erro) sempre prestaram esse serviço sem grandes problemas. Mas aqui temos um problema: se a WoW prestar o serviço gratuitamente estará a prejudicar fortemente a economia portuguesa. Se se fizer cobrar, com o que estas raparigas podem pagar, não terá dinheiro nem para o combustível do barco. Não se prevêm dias fáceis para os marinheiros, neste cantinho à beira mar. A não ser que as turistas inglesas, amigas do ZéZé Camarinha, queiram, pelo sim pelo não, garantir que daqui a nove meses não estará a Grã-Bretanha cheia de putos de farfalhudas bigodaças...
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O recém-empossado primeiro-ministro está de férias nas ilhas baleares.
Três dias para a descansar.
Tomou posse no 21 do mês passado e já está de férias. Besuntado de creme protecção 60, agita os braços a correr pela praia. Corre desajeitado, pára, olha fixamente o horizonte e espantado cai de rabo na areia molhada.
- Mas o que é isto? Minha senhora! Saia já do meu texto! Quem a senhora?
- Saio é o tanas! Estou farta de tipos como você, esquerdistas incoerentes que vão passar as férias para Nova Iorque. Estou farta de gente a criticar o Primeiro-ministro sem saberem como está cansado e precisa de umas férias. Sim, foi para as Baleares e então? É melhor que as praias da costa que vocês defendem mas onde não põe os pés.
- Minha senhora, não se exalte. Olhe que o chapéu lhe cai. Estou a pedir-lhe com educação. Saia do meu texto. Agora. Não admito que se intrometa aqui, se quiser, deixe um comentário ao post. Agora peço-lhe que saia.
- Não vou, não vou e não vou. Não vou sem dizer aqui à sua frente como foram esgotantes estes 22 dias de governo. Vá, democrata de uma figa, então? não me deixas falar?
-Eu? não há pachorra para estas "secretarettes" vestidas de bibe azul, com um nuvem bordada a dizer "Paula A". Diga lá, então...
(o autor, levantou-se neste momento e deixou de ouvir esta senhora que lhe usurpou o texto, a partir daqui o leitor está por sua conta e risco. Ao longe, foi possível ouvir o autor dizer: "dass, vou ver é se o Centeno já ganhou o campeonato de Bodyboard na Praia Grande")
- Ora o governo tomou o posse dia 21 de Julho uma Quarta-Feira certo? Nessa primeira semana houve muitos recém empossados que pela primeira vez passaram a sólidos: iogurtes, creme de cenoura e legumes cozidos. Na segunda semana, foram os dentinhos do ministro da defesa, as otites das secretárias de estado e as cólicas do ministro da saúde. Assim tudo de repente, está a ver. E o pobre primeiro a tentar dar os primeiros passos nas alcatifas moles de São Bento. Bem, passam quinze dias. Todos os meninos e meninas já estavam mais ou menos prontos para começarem a brincar uns com os outros, quando o ministro do turismo apanha papeira. "que vá para longe dos nossos filhos" foi a palavra de ordem de reunião dos encarregados de educação. E foi, ou vai, para Faro. Só na ultima semana é que o primeiro conseguiu fazer alguma coisa: andar de trotinete e de bicicleta com rodinhas, pintar papeis a guache, usar os teques, brincar com o barro e manter-se direito no escorrega. E há mais...
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A Maria amaria a Maria e a Maria também amaria a Maria se a Maria não amasse o João.
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Dou por mim a pensar que fácil seria ir para padre. Uma vida inteira sem stress, sem preocupações financeiras, sempre na boa posição do "não nos podemos revoltar!", do "há coisas muito piores!".
Se ao menos eu tivesse a certeza de que tudo o que se diz sobre a disponibilidade das paroquianas não passa de um mito...
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Nenhuma mulher, homem ou criança de hoje, estará vivo daqui a quarenta e um mil novecentos e setenta e cinco dias.
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Saiba o leitor que tal como as bolachas Carr´s são recomendadas pela família real inglesa, também as fraldas Dodot Etapas são recomendadas pelo presidente da assembleia da republica. Expliquemos.
O Presidente da assembleia da Republica farto do burburinho de fundo do hemiciclo e sabedor pela experiência de pai de que este se deve a alguns rabos assadinhos, decidiu emitir a seguinte nota aos pais e às mães dos senhores deputados da Republica Portuguesa:
Nota da Presidência
Excelentíssimos encarregados de educação,
Em face da crescente inquietação e às cada vez mais frequentes ausências dos senhores deputados, V/ educandos, no parlamento, venho por este meio sugerir que V/ Exas ao vestirem de manhã os senhores V/ filhos, lhes coloquem as novas fraldas super-absorventes Dodot Etapas. Este produto, novo no mercado nacional, é capaz de não só evitar as irritações na pele responsável pelo bruá de fundo que na passada semana impediu que fosse aprovada a tão desejada reforma da administração pública, como permitir que até à hora que V/ Exa vêm buscar os petizes, estes se mantenham no hemiciclo sequinhos, sossegadinhos e a brincar felizes. A presidência reconhecendo a qualidade das fraldas referidas, não hesita em recomenda-las para que se evite o desconforto televisivo da aridez parlamentar, e a comichão cutânea das assaduras em tão desejada área parlamentar.
A presidência, consciente de que esta troca de fraldas pode não agradar a todos os pais, está a diligenciar no sentido de no mais curto tempo possível recuperar as antigas instalações do berçário da antiga assembleia nacional. A presidência, após reconstruir este equipamento de apoio comunicará a V/Exas as respectivas condições de uso.
Sem mais, e na esperança da melhor compreensão subscrevo-me,
E assim se explica a coroa britânica feita esfera armilar nos pacotes de fraldas Dodot.
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É a voz finíssima da recém empossada secretária de estado. Está sentada e o som sai-lhe das goelas, choca com os diversos utensílios sanitários, espalha-se pelos mármores da casa de banho, reflecte-se no enorme espelho e disparada avança para o corredor. Este som, qual bola de fogo, percorre agora os passos perdidos, desce veloz a escadaria nobre, enche as salas dos grupos parlamentares, abre de par em par as portas do refeitório dos frades e entra directamente nos ouvidos do único deputado que no andar de baixo, pela mão da senhora sua avó, depois de ter interrompido as férias em Ibiza para vir ao parlamento buscar uma agenda, espera que esta lhe ponha as fraldas para dentro das calças. As mãos finas da avó afundam-se num círculo à volta da cintura barrica do deputado.
Porque é urgente, necessário e sincero o "jáááááá fiz" vindo do segundo andar, não se distraí com esta cena de amor inter ? geracional e segue caminho até ao bar da Assembleia: estaca-se à porta por momentos e agudíssimo preenche todo bar.
O pai da recém empossada secretária de estado, reconhecendo o chamamento filial, apaga a cigarrilha, bebe o último gole de água e despede-se do empregado. Faz o caminho inverso da voz, guiado pelas pequenas ressonâncias que o som foi migalhando pelos capiteís, arabescos e vigas de estilo neo-clássico do Palácio de S. Bento da Saúde ou dos Negros, mosteiro Beneditino, com inicio de construção em 1598.
-Vá, já está limpo. Vista-se e despache-se que os senhores do protocolo de estado já ligaram duas vezes para saber se sempre vai ao jantar de embaixadores.
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Sentado à mesa do pequeno-almoço, o ministro termina as papas que a sua mãe cozinhou.
-Vá lá, tens de comer tudo, para seres grande e forte para brincar com os outros meninos.
O ministro atestado de papas lácteas, bolsa ligeiramente. Não fora o babete bordado com uma menina a andar de trotinete e tinha sujado a gravata e o fato escuro. Ao ver que o filho não conseguia comer mais, a mãe senta-o ao colo, prende-lhe os braços e começa dar-lhe o resto do pequeno-almoço na boca: mete a colher de sopa nas papas, leva-a à sua boca para as arrefecer com dois soprinhos maternais, pede ao ministro que abra a boca e enfia o resto das papas goela abaixo deste funcionário do governo. O ministro esperneia, diz que não quer mais e tenta sair do colo da mãe. A mãe diz que é só mais uma colherada. Convence-o dizendo que se ele comer aquela última colher, pede aos senhores da netcabo para ainda hoje, irem ao seu gabinete instalar o Disney Channel. O ministro acede à ultima colher e a mãe limpa os restos de papas da boca com pequenos movimentos em volta dos lábios e com uma passagem vigorosa com o babete.
-Vá! agora vais lavar os dentes que o motorista já está lá em baixo à espera.
Enquanto o ministro lava os dentinhos, a mãe abre a sua pasta preta e coloca lá dentro um lanche: pão com marmelada e manteiga embrulhado num guardanapo de papel e um pacote de leite com chocolate. Tudo dentro de um saco de plástico transparente que o ministro odeia.
São 9:00 da manhã e vai começar mais um dia de trabalho do XVI governo constitucional.
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O primeiro-ministro ao canto do quarto, está acocorado atrás dos cortinados. Tem um dedo na boca e a cara triste. O pijama castanho com nuvens brancas que veste só lhe fica bem, com uns chinelos de quarto azulinhos. Todo o pessoal da residência do primeiro-ministro procura por todo o lado os chinelos. Sem eles, o menino não quer dormir. E quando o menino não dorme? ninguém dorme. Choradeira a noite inteira. Impaciente bate com os dois pés no chão, e agita as mãos no ar. A berraria vai começar. Dos chinelos é que nem pó. Procura-se em todo o lado: cozinhas, salas, garagens e quartos. Nada. O choro já não é choro, são os berros de menino mimado.
De repente entra pelo quarto um homem. Trabalhou durante 30 anos, 12 horas por dia, só descansou ao Domingo. De seu tem um apartamento de 2 assoalhadas em Fernão Ferro. Dirige-se ao primeiro-ministro chorão, pega-o ao colo e segurando-o com os fortes braços, embala-o com as histórias de coragem dos trabalhadores rurais. O primeiro, já de lágrima seca escuta com atenção. Maravilhado com a historinha para dormir adormece nos braços do homem.
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Hoje, o elogio ofende mais que o insulto.
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Quero comprar um tubo de dentífrico. Vou ao supermercado, à zona onde estão os produtos de higiene humana, e com a ideia de que quero comprar um tubo de pasta de dentes, posto-me abruptamente frente ao expositor. Enfrento-o olhos nos olhos, e acabo por escolher a pasta de dentes que sempre usei. Pego aliviado na embalagem, e reparo que se comprar aquela pasta - que quero comprar - sou obrigado a levar, sem acréscimo de preço, outra igual. É o 2 em 1: quero uma pasta de dentes, mas sou obrigado, sem pagar mais, a levar duas. Que fazer? Recusar? A verdade é que só quero uma, mas já que me oferecem outra devo esquecer a minha vontade inicial e ceder à vontade do gestor de supermercado que para escoar o excesso de stock decide o que levo para casa? Será que só fico a ganhar, ou será que a minha vontade, vale, apesar de tudo, mais que o valor que poupo num dentífrico?
Será que por principio devemos aceitar tudo que nos é oferecido? E quando é que devemos recusar um convite, uma prenda, um emprego, um elogio, uma vantagem ou um favor? Quando? Talvez só, quando a vontade for maior que qualquer um deles.
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A lei que proíbe visa a penas dar poder a quem a própria lei autoriza.
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Ontem, na praia onde o mar muito bravo aspergia as pessoas com gotículas de água salgada empurradas pelo vento, conheci um canídeo vesgo. Vesguíssimo aliás. O raio do bicho era tão cego do olho direito que tinha de movimentar o pescoço em círculo para poder ver o que estava à sua frente. Foi assim, enquanto movimentava o gasganete no sentido dos ponteiros do relógio, que espetou o nariz molhadíssimo contra a minha perna. Ao sentir o frio da ponta do focinho do canídeo, olhei para baixo. Mirei-o com se conhecesse de algum lado e antes que o cumprimentasse, o animal perguntou se eu é tinha perguntado ao mar de onde vinha o calor intenso das últimas semanas e este vento sul. Disse que sim. Então ? continuou o cão - deixe-me que me apresente. Sou a forma mamífera dos cavalos-marinhos, fui enviado por Neptuno, o bem disposto e a resposta à tua pergunta é: deserto.
O deserto é um monstro. Um monstrão na verdade. Durante a maior parte do tempo, dorme mas quando acorda começa a ter delírios megalómanos de conquistar todo o planeta. O que se passou nas últimas semanas foi um ligeiro acordar do senhor deserto. O senhor deserto acordou e começou a soprar um vento que não só aumentou a temperatura, baixou a humidade relativa e provocou os incêndios. Os incêndios são a guarda avançada do deserto. São eles que preparam o terreno para o avanço final da areia.
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Nos últimos tempos tenho frequentado igrejas. Missas.
Tenho a impressão que ninguém, que está sentado nos bancos corridos, escuta com atenção o que o padre vai dizendo.
Os padres dizem todos o mesmo. Com mais alegorias ou com menos imperativos, a coisa é igual nos jesuítas, na opus ou nos padres do interior. É coerente que assim seja.
Dos discursos que tenho escutado há uma ideia que se tem repetido. Os padres dizem que hoje em dia é muito mais fácil não acreditar do que acreditar em Deus. Eis uma ideia de que discordo fundamentalmente. Não vou dizer que o argumento da dificuldade é utilizado a tordo e a direito por organizações sociais que pretendem que os seus membros se sintam especiais em relação aos outros homens por estarem a fazer uma coisa, acreditar em Deus, que ele próprios dizem que é difícil. È como aquela conversa de que a minha profissão é mais difícil que a tua. Bem, não interessa ir por aqui. O que me interessa é perguntar a um padre o que é mais difícil: enfrentar o dia-a-dia, a morte, a doença irreversível dos amigos e o acaso assim sem mais, ou ter sempre um quê qualquer responsável por tudo. Como é que é mais difícil acordar? A saber que tudo pode acontecer sem nenhuma explicação nem compreensão, ou assumir que por detrás de tudo que acontece está sempre uma razão, um motivo que por mais imperceptível que seja, existe? O que é mais difícil? Vá lá honestamente, é mais difícil estar perdido, ou ter um rumo?
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Gostas dela?
Ou gelam-te os ossos quando ela te telefona te estás a divertir e dizes, para evitar a culpa, que estás a apanhar seca.
Tens medo de ser um velho só?
queres reproduzir aquilo que os teus pais fizeram? ou ter as coisas que só dois salários podem comprar?
já tens uma rotina que a incorporou? precisas que te vão buscar à estação e que levem o carro à inspecção?
O que é?
Queres sair de casa e precisas de uma boa desculpa? queres ter uma vida própria e precisas de um guião? Queres um estatuto? Uma coisa qualquer para fazer?
Gostas dela, apesar de tudo? De tudo.
O teu amor é uma soma de vantagens, de entendimentos e de planos convenientes. Ou é amor? Maior que todos as dificuldades e as faltas de tempo.
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António acordou pela primeira vez mais cedo que a mulher. Todos os dias desde que se casara, Maria acordava primeiro que António e preparava-lhe com todo o amor o pequeno-almoço. Depois do pequeno-almoço António iniciava uma rotina que pouco tempo e pachorra lhe dava para estar sozinho. Os filhos, o emprego, a mulher, os avós, por esta ordem, António sempre esteve ocupado nestes anos de casado. Mas hoje, hoje acordou mais cedo que a mulher. Uma dor, um ardor uma comichão, não sei, o que foi, sei que hoje António acordou pela primeira vez mais cedo que a mulher. Sentou-se na cama, cruzou os braços, e com a simplicidade das verdades ditas pelos recém acordados, pergunta-se a si mesmo:" o que é que esta senhora está a fazer ao meu lado". Meu lado, a única coisa que podia chamar sua. Levantou-se e foi ao quarto dos seus filhos. As duas adoráveis crianças ainda dormiam e António pensou: " quem são aqueles tipos? ".
Atordoado com a verdade que sentia, saiu de casa e nunca mais voltou a entrar na vida da mulher e dos filhos. Estes não compreendem, não aceitam, não perdoam e não esquecem. Ele muito menos.
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Não necessitamos de umas primárias para eleger o candidato. É inútil. Não temos esse problema porque todos têm a convicção de que o candidato da Cdl... infelizmente será ainda ele: o doutor Silvio Berlusconi.
Declarações de... Silvio Berlusconi
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Se sempre fizeste tudo mal e fazes uma coisa mais ou menos bem, todos te elogiam.
Se sempre fizeste tudo bem e fazes essa mesma coisa dessa mesma maneira, todos te criticam.
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"A arte de julgar"
É um livro escrito por um juiz francês chamado Garapon. Este livro que me foi recomendado por um juiz de direito velho e sem ilusões com o Homem estabelece uma comparação curiosa. Apresenta as semelhanças entre o ritual religioso e o ritual judiciário. As semelhanças são tais que acho que foi a leitura desse livro e o olhar cínico desse velho juiz, que pôs termo à ilusão que tinha no Direito. Recomendo vivamente aos que se interessem pelas traves mestras da sociedade em que vivemos que assistam a uma audiência de julgamento e que depois se enfiem na primeira igreja que encontrarem. É uma revelação. Para mim foi. Só para exemplificar eis as semelhanças mais claras. A entrada para uma igreja faz-se através de portas: duas laterais e uma central. Nos tribunais também. Nos tribunais existe uma teia que separa os actores judiciários do publico. Nas igrejas também. Quer nos tribunais quer nas igrejas a pessoa mais perto do sagrado ( uma peça de arte e Cristo respectivamente) é o responsável pelo ritual. Na verdade, agora que penso nisso só vejo uma diferença entre os padres e os juízes: a cor da farda.
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ao Daniel e à Clara
(texto de Luís Filipe Borges, no Causa Nossa)
O bebé que vai mudar a minha vida
O maior sonho que tenho na vida é ser pai. Se possível, um daqueles pais com uma mesa da sala-de-estar colossal, onde sentar um número de filhos que dê para fazer uma equipa de futebol e respectivo banco de suplentes. Os putos viriam, um a um, para a refeição, envergando uma t-shirt com nome e número de forma a facilitar a minha chamada e contagem das presenças. Gostava de ser pai por uma miríade de razões, a esmagadora maioria não vem agora ao caso. Mas a razão principal ouvi-a descrita na perfeição pela boca de um professor de Direito, corria o 2ºano da faculdade. O homem, que era normalmente sisudo e compenetrado na aula, chegou um dia preocupado e esbaforido. Nunca antes se atrasara. O motivo era uma doença do filho. Tinha-o levado para o hospital e ainda vinha com o peso das angústias. Desabafou num minuto. Disse que, desde que a criança nascera, perdera o medo de morrer.
É isso mesmo. Perder o medo de morrer. Abandonar os receios humanos de não ser amado. Conquistar a imortalidade. Quero ser pai por estes tão egoístas motivos. E, agora, no final do mês, vai nascer um Leão como eu que vai mudar quase tudo na minha vida. Um bebé. Caramba. Um be-bé. Como falarei com ele? Como será a sua cara? Será daqueles felizes anafados ou uma ratazana choramingas que não deixa dormir toda a freguesia?
Não sei. Aguardo serenamente. É que o bebé não é meu mas de um dos meus melhores amigos. E é isso que me lixa. O nascimento deste bebé, a paternidade do meu amigo, só me virão transmitir uma bem clara e definitiva mensagem: tenho andado a fazer qualquer coisa de muito errado com a puta da minha vida.
Inserido por LFB 3.8.04
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O Major Tomé é o símbolo da extrema-esquerda da minha infância. O seu bigode mal amanhado, a sua postura trauliteira, o 25 de Abril sempre ali ao jeito de qualquer argumento mais difícil de contrariar ou não compreendido.
O Valentim Loureiro da esquerda, digamos. Mas o que é feito deste homem, que no 25 de Abril de 74, como perguntaria o velho Bastos, estava em Moçambique? Pois depois de muitos anos de liderança da UDP, e de uma passagem como independente pela bancada do PCP, o Major Tomé está agora nas fileiras do Bloco de Esquerda. Caladito e o mais escondido possível, como convém a um movimento de esquerda que pretende ser jovem e ter coisas para dizer que não estão na velha cassete do pós 25 de Abril.
Nota: Nas pesquisas para este segundo texto do "o que foi feito de ti?", que queria dedicar ao Eng.º Sousa Veloso, percebi que um outro blog, o Idiotbox, teve já uma iniciativa similar a que chamou "O que é feito de...". Como o Idiotbox parece estar inactivo há já alguns meses, e me apetece mesmo escrever estes textos, eles continuarão, correndo o risco de coisas parecidas já terem sido escritas, como aconteceria no caso do texto sobre o Eng.º Sousa Veloso.
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Perto das pequenas mentiras de madeira que atravessam os arroios da ignorância existe um burro. Cinzento, velho e do tamanho da subtileza do mar que exala calor, o burro passa os dias rectangulares virado para duas formigas que discutem as compras para o formigueiro. Com os olhos esbugalhados por uma pedrada da floresta de pentelhos, o burro prepara-se para pôr fim àquela discussão sem sentido. Avança dois segundos, inclina-se 4 degraus e abrindo a boca grutesca, deixa que por detrás de uma estalactite saia o seu irmão: um monárquico papa-formigas paramentado e untado com azeite do monte das oliveiras. O papa esfomeado, fremente, e a babar-se pelas formiguitas voluptuosas desfraldra do seu enorme membro de alimentação e penetra-o na terra mesmo ao lado dos desavindos insectos. Estas humedecidas pelo suor da discussão, olham para cima e vêem dois enormes olhos negros? Dizem em coro: Vamos é para o deserto surfar
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Da esquerda para a direita:
Logan Tom (Volei), Amanda Beard e Aley Cope (Natação), Jenny Adams (Barreirista) e Amy Acuff (salto em altura).
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Se há par que faz parte do imaginário português dos anos 80, ele é, sem dúvida, a dupla Armando Gama - Valentina Torres. Foi em 1983 que o achinesado cançonetista conquistou definitivamente um lugar na ribalta da música portuguesa, ao conquistar o festival RTP da canção com o hit "Esta balada que te dou". A sua mulher, Valentina Torres, com quem, se diz, ainda faz espectáculos nas vilas mais remotas do país, apresentava, talvez não por acaso, o grandioso evento ao lado do inevitável Eládio Clímaco. A canção, que ficaria para a história e que ainda hoje muitos corações apaixonados trauteiam por aí, rezava assim:
ELA DIZ QUE EU FUI UM CASO MUITO SÉRIO
MAS EU SÓ SEI QUE HÁ NISSO ALGO DE ANORMAL
HAVIA UM TEMPO UM OLHAR
UM SORRISO, UM COMEÇO
MAS AGORA TUDO PERDEU SEU BRILHO
(REFRÃO)
NA MINHA VIDA
SÓ HOUVE UM ABRAÇO COMO O TEU
UM SONHO, UM LIVRO
UMA AVENTURA SEM IGUAL
É LINDA, LINDA
ESTA BALADA QUE TE DOU
PODEM ATÉ PENSAR QUE EU SOU
UM POUCO TRISTE
MAS NÃO HÁ NISSO MAL
EM SER ASSIM
POIS TUDO FICA,
MESMO QUANDO SE ACABA,
UM ROMANCE, UMA PAIXÃO
OU UM CAMINHO
(REFRÃO)
QUIS ESCREVER A MAIS BELA CANÇÃO
QUE HÁ NO MUNDO,
OLHANDO PARA TRÁS
P?RA NOS VER
FOI QUANDO OUVI UMA VOZ
CANTANDO BAIXINHO
ESTA BALADA QUE VINHA
DE LONGE
(REFRÃO)
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Aproveitando este tempo de silly season - expressão que tem sido muito menos utilizada este ano que nos anteriores - a Gabardina trará de volta figuras desaparecidas da vida pública potuguesa. Homens e mulheres que encheram as capas das nossas revistas, os écrans das nossas televisões e os nossos imaginários e depois desapareceram, muitos sem que saibamos por quê, muitos sem que sequer saibamos por que chegaram a aparecer. Pelo menos durante Agosto, o passado do país estará de volta. Num monitor perto de ti.
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Algures na semana passada à conversa com amigos chegamos a esta diferença de base. Embora eu e eles concordemos que em geral os serviços burocráticos do estado não acolhem bem os cidadãos que os pagam com impostos, eu defendi que por essa mesma razão é que os cidadãos mais esclarecidos ( e com mais poder para os mudar) têm a obrigação de ser os primeiros a apresentarem-se aos balcões dos serviços e não utilizarem os seus conhecimentos pessoais na administração para resolveram os seus problemas burocráticos. Os meus interlocutores pelo contrário defendiam que se os serviços do estado funcionam mal, então quem tem conhecimentos como que está legitimado a usar do seu poder para ser desenrascar. A conversa cedo se tornou uma pescadinha de rabo na boca: Quem tem poder para mudar não sente as dificuldades, e quem as sente não tem poder para as mudar.
A resolução do problema faz-se pela adopção de uma posição ético-politica de fundo. Ou por principio se considera que todos os cidadãos são iguais, ou pelo contrário se assume com clareza que há diferenças.
Desde que me lembro que discuto este tipo de coisas com amigos e conhecidos. Conversas nos intervalos das aulas no liceu, no bar da faculdade, nas secretárias de escritórios. Mas agora é que estas conversas vão ficar realmente interessantes, pois finalmente alguns dos que discutiam, hoje já podem decidir. E é bom que falemos com clareza.
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Muitos meses depois, Luís Camilo Alves, o blogger que eu mais gostava de ler nos seus tempos do Desejo Casar está de volta à blogosfera. Para além do mais, com um blog cujo nome muito diz a esta Gabardina.
Leiam aqui a Irmã Lúcia, já que não podem falar com ela...
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No sábado passado fui a casamento de um amigo. Transpirei que nem um porco, comi parte de filhos dele e matei de tédio três pessoas com uma sistemática que inventara há uns anos. Na verdade, é um método. Um método que permite que com três simples perguntas, alguém possa ter indícios se é de direita ou de esquerda. Eis as perguntas:
1) O homem é essencialmente um ser bom ou mau?
2) O núcleo primordial da sociedade é a individuo ou a família?
3) Acredita na mudança, ou o que existe é o que continuará a existir?
Com estas três perguntas parece-me possível avaliar a orientação politica de fundo das pessoas.
No entanto, não é esta parte da teoria que na verdade me encanta. O que me apaixona no meu próprio método é a possibilidade de dar uma tradução gráfica à coisa. Para isso é necessário que as respostas não se esgotem num sim ou não, é necessário quantificar cada resposta. A coisa fica muito interessante quando ás três dimensões que cada pergunta representa adicionarmos a quarta: o tempo.
Para já fica o inicio do método, a sua demonstração gráfica fica para depois.
Uma teoria para ser boa tem de ter três requisitos: tem de ser lógica, tem de ser bela e tem de demonstrar um lugar comum. Esta tem toda a lógica, é bonitinha e demonstra que: "hoje é hoje e amanhã é amanhã".
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há um caminho muito curto...

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Eu vou elogiar o mais publicamente que consigo, as três raparigas franzinas que todos os dias vão ao fundo dos fundos com coletes reflectores. São três: Teresa, Maria e Sofia. Magras e frágeis, vivazes e despachadas. Chegam por volta das 10.00 da manhã, onde as pústulas infectadas de pus podre, cobrem as costas, as caras magras e os membros mirrados. Depois sentam-se e conversam com os moribundos. Estes, vaidosos de terem a conversar com eles tão distintas raparigas, adoptam as poses de engate que há muito esqueceram. Mas há trabalho a ser feito e as seringas que as três raparigas estão aqui para trocar já começaram a cair na caixa florescente. Uma atrás da outra. E é preciso ir buscar outra caixa e mais outra. E outra. São 13:00. O sol está a pique e as raparigas não transpiram uma gota, algures num restaurante a tresandar a fritos um homem apopléctico, com a camisa empapada em transpiração pede mais um copo de tinto quente.
- Adeus, António, José e Manuel. Amanhã cá estaremos outra vez, um pouco mais cedo que a Teresa tem de um exame da parte da tarde.
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- Acho que tenho de ir mijar.
- Espera? não vais sair agora que o Primeiro está a falar.
- Tem de ser. Estou sentado à montes de tempo e já tenho a bexiga cheia da cerveja que mamamos ao almoço. Eu sabia que não devíamos ter ido ao marisco. Bebe-se sempre demasiado para trabalhar à tarde. E o pior é o ácido úrico. Até parece que jacinto o dedo do pé a doer. Tenho de ir mesmo.
- Pá ? se tens de mijar, tens de mijar. Não tens é que sair desta bancada. O teu pai quando era deputado e se sentava aqui ao meu lado, ensinou-me a mijar durante o plenário, no hemiciclo. Inclinaste ligeiramente para a frente, abres a braguilha e sempre que ouvires palmas mijas para que ninguém ouça. Dentro de duas linhas vais ver que vão bater palmas. Aproveita.
- Se tu dizes que foi o meu pai que te ensinou? eu vou confiar no amigo do meu pai que me convidou para estar aqui.
(Palmas, palminhas e pametas e a bexiga do politico-novo contrai-se longamente expelindo com pressão mais de 40 decilitros de urina morna.)
- Ufa! Que alívio! O ácido úrico é que já estar a dar sinais.
- Para isso, também tenho uma solução. Quem me ensinou foi aquele amigo teu que também cá está e que é filho daquela senhora que era amiga do teu pai.
- Sim, sei, ela continua na administração da Caixa não?
- Esteve, mas saiu. Agora está num instituto qualquer. Ela é que institucionalizou os bolinhos das 5 horas.
-Os bolinhos das 5 horas, como assim?
-Os deputados que sofrem com o acido úrico reúnem-se todos os dias ás cinco horas para comerem uns pastelinhos de Belém, para partilharem experiências e para se apoiarem uns aos outros.
-E já falaram com um médico?
- Nunca, mas continuamos a comer os bolitos.
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Tudo o que faltava para o fim da televisão era que os Simpsons se transformassem numa série preocupada em ser politicamente correcta. E agora já não falta. O produtor da série anunciou que nos novos episódios haverá um casamento homossexual envolvendo um dos personagens já conhecidos. As apostas já começaram e, para já, leva vantagem Smithers, o, de facto, abichanado secretário de Mr. Burns. Mas nenhuma hipótese está excluída e o próprio Matt Groening avançou com a hipótese de ser o too-straight-to-be-gay Homer Simpson...

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O vereador da Câmara Municipal chega, não interessa onde, sentado ao lado do seu motorista. A assessora sai do banco de trás e fica, pasta na mão, à espera. O motorista sai do Volvo, grande, cinzento, reluzente e caro, e dirige-se à porta do senhor vereador. O vereador ainda não acabou de ler o jornal. Por isso, o motorista deixa o carro no meio da rua, a atrapalhar o trânsito, e espera, mãos atrás das costas, ao pé da porta do senhor vereador. Após dois minutos a virar páginas do pasquim regional, o senhor vereador fecha o jornal, dobra-o, poisa-o em cima do tablier, ajeita a gravata e, com ar enfadado, olha através do vidro para o seu motorista. Este, percebendo a ordem, estica o braço e abre a porta, deixando sair o senhor vereador que - súbito sorriso nos lábios - faz um cumprimento jovial a quem há dois minutos o esperava e o via ler o jornal.
Podem não acreditar, mas isto aconteceu, há poucos minutos, numa das principais cidades portuguesas.
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O jornal Público fez o impossível. Leu mais de 200 artigos de opinião escritos por SANTANA e descortinou um discurso politico de fundo ao primeiro-ministro. Conclusão: Santana politicamente escreve com muitos pontos de interrogação e com maiúsculas. E eu que pensava o homem era um "FLOP"! Não é! Aliás, essa é sempre a estratégia utilizada. Primeiro, reduz as expectativas AO mínimo e depois faz muito pouco! MAS como faz sempre mais do que se estava à espera, o resultado são elogios pela surpresa. Faz-nos esperar uma hecatombe total, é responsável pela catástrofe e como não foi tão mau com esperávamos, acreditamos que não se passou mais que um acidentezito. Desculpável ATÈ!
O artigo CITA algumas opiniões de Santana. Vale a pena ler. Do que li conclui que atrás da cara de estremunhado de quem acabou de acordar, por detrás dos fatos claros, por detrás da imagem do politico "SEM MERDAS", que quer levar esta "CENA" para a frente, que bebe o seu copo (mas não bebemos todos!!) está um pensamento velho, conservador, onde as referencias são o policia, o padre, o juiz e professor... Santana não é novidade! Santana é uma versão "festa do Champanhe" dos "ballet rose" de antigamente. Ele e o seu governo! Todos! A estes dedicarei um texto autónomo, para não correr o risco de me esquecer de alguma coisa.
Posted by at at 27.7.04 0 comments Links to this post
Do novo governo:
produtividade, competitividade, qualidade, rigor, incentivo, modernização, talento, trabalho, solidariedade, deficit.
Na verdade, o que o país precisa é de honestidade e de umas fortes bastonadas nos que, à custa das falhas do sistema, roubam aos 5, 10 e 20 mil contos por mês de salário.
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Nos autocarros às três da tarde, num dia como o de hoje as temperaturas devem atingir facilmente os 44 graus. À mesma hora dentro de um carro preto de um dos novos ministros não devem estar mais que 18. Por volta das 3:30 quando alguém se sentar num banco amarelo de plástico derretido por um miúdo enquanto faz uma ganza, um dos novos ministros pegará com os dedos feitos pinças nas calças para conservar o vinco. Quando uma mulher, se entalar numa porta do autocarro, aí por volta das 4:00, um motorista irá abrir a porta de trás ao recém empossado.
Porque é que os responsáveis nunca andam de transportes públicos? Se entendem que os transportes são bons para os cidadãos por que é eles próprios os não utilizam? Porquê? È que os transportes públicos são demorados, andam atrasados e são desconfortáveis. O pior é que em geral isso é verdade, mas é verdade para todos.
Senhores governantes porque é que não vão trabalhar de autocarro, ou de metro?
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É uma bela ideia casar no Verão. Especialmente num país com clima ameno como Portugal. Este fim-de-semana realizaram-se centenas de casamentos neste país. Ao sol 45 graus. À sombra 39. Em pé, nos aperitivos e na cerimónia, os fatos cinzentos (felizmente o colete saiu de moda), a gravata que aperta o pescoço e a camisa molhada de centenas de homens fazem furor. Sussurram-se piadas que envolvem os sovacos do José António Camacho e pedem-se gin tónicos. O suor escorre pelas caras. As mulheres tentam equilibrar-se nos seus saltos. Chega a hora do repasto e os homens rendem-se ao calor: tiram os casacos, arregaçam as mangas da camisa, desapertam o primeiro botão. Aos poucos o ar condicionado ajuda a secar as camisas. Felizmente não cheira. Pelo menos na minha mesa. Com a noite não vem o fresco e se as figuras masculinas vão estando cada vez menos arranjadas, as mulheres cambaleiam cada vez mais e uma em cada três frases serve para se queixarem dos pés e da maldita hora em que se decidiram pelos saltos altos.
Ao fim do dia, na varanda com vista para o jardim, penso que me diverti, que a festa foi bonita, que foi um belo dia para todos e que somos eternamente estúpidos. Ou um dia iremos perceber o que é importante?
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Agora que o ex-Presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro já assegurou um tacho melhor (secretário de estado), pode essa entidade, três meses depois, ter direito a novo Presidente?
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O principal argumento utilizado por Portas para fundamentar a escolha da " Tegui" para o ministério da defesa foi a sua descendência. Disse que era fila e neta de militares.
Primeiro, ou os militares já se reproduzem sozinhos ou Portas esqueceu-se, que para além dos homens são necessárias mulheres para que haja filhas e netas. Seria a avó de Teresa militar, e a mãe, será que fez a tropa? Para quem se orgulha de ser moderno, e de ter uma mulher à frente da tropa é revelador que se esqueça da parte feminina da família de "Tegui".
Segundo. Para além de sexista o caso de Teresa revela o entendimento que o governo e de certa forma uma geração, tem sobre as possibilidades de mobilidade social. Portas utilizou o argumento familiar porque acredita na transferência dinástica do poder. Os dirigentes devem promover os seus filhos para que ocupem os cargos que eles deixarão vagos e assim possam perpetuar o seu o poder. Esta coisa não é nova e na Índia até é bastante honesta porque todos sabem que assim é, mas no Boavista, em algumas faculdades: direito e medicina em Coimbra, em algumas partes do cinema, na U.D.P da madeira, nos conselhos de administração das grandes empresas e escritórios de advogados e em outros casos que agora não indico por ser maçador, as regras com que nos seduzem não são o da progressão dinástica, dizem que todos são iguais e que o principio da igualdade tal como está na Constituição é sempre respeitado.
Porque razão é que uma filha de militares é melhor que um filho de médicos para ser ministro da defesa? Eu não sei mas o Portas lá deve saber.
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Mesmo para quem nada sabe de música é fácil perceber que aqueles sons estão cheios de nós.
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Parece incrível, mas esta é uma fotografia da Serra da Estrela. Mais aqui
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Mais dois ministros.
Mais dois secretários de estado.
Logo,
Mais quatro chefes de gabinete.
Mais oito secretárias.
Mais doze assessores.
Mais seis motoristas.
Mais oito administrativos.
No primeiro dia de governo, 42 novos empregos criados. Equitativamente distribuídos pelos dois partidos da maioria. E nem vamos falar do impulso dado à economia pela compra dos carros, dos móveis, do equipamento informático, do papel timbrado, do whisky e dos charutos, etc...
Bom trabalho, Santana!
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Não compreendo como um primeiro-ministro pode ler um discurso de tomada de posse a passar folhas, com ar de enfado e a despachar palavras, perdendo assim toda a entoação do discurso. Não compreendo como é que um ministro pode ser surpreendido pelo nome do seu próprio ministério e fazer a careta de miúdo birrento a quem tiram um chupa-chupa de banana. Não compreendo como é que uma pessoa pode ser indicada para uma secretaria de estado, elogiada publicamente pela sua adequação para o cargo e depois ser nomeada para outra secretaria que nem sequer estava prevista.
Esta gente está disposta a fazer tudo para ter poder. Negligenciar uma tomada de posse é ser descuidado, espantar-se com o nome do seu ministério é ser arrogante, aceitar qualquer cargo é promíscuo, mas o pior é achar que não há que dar quaisquer explicações sobre isto.
Este factos nada têm que ver com politica em sentido estrito, trata-se de educação, trata-se de falta de vergonha na cara. Estes senhores que tomaram o poder em Portugal, acham que isto é tudo deles e que podem fazer o que dá na real gana. E quem se calar, defende-os.
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Vale mesmo a pena ler o artigo do Financial Times sobre Durão Barroso a que o Barnabé se refere.
Aqui fica uma pequena e não estranha passagem:
Others detect too much of a "chameleon-like" effort to be all things to all parties in what Mr Barroso would describe as his consensus-building skills. Poul Nyrup Rasmussen, president of the European Socialists, said he had said "all the right words that we like to hear" but had not delivered enough firm commitments.
Posted by at at 21.7.04 0 comments Links to this post
Qual é o problema das novas gerações dos políticos Portugueses? Porque que é que sempre que vemos ascender a um lugar cimeiro de partido um "puto" novo, olhamos com desconfiança? Será inveja? Será apenas o velho síndrome nacional de dizer mal de todos?
Não sei o que será. Para tentar descortinar estas razões apenas posso dizer o que eu vejo quando os "putos novos" aparecerem de repente nos jornais ou na televisão a fazer política. E eu vejo duas coisas:
Primeiro, sinto que lhes falta legitimidade. Falta-lhes as vergastadas nas costas, as fugas à polícia e à PIDE. Falta-lhes o arriscar do coiro. Coisa que a geração que fez a transição do 25 de Abril fez. Uns mais que outros, mas a verdade é que se PCP tem uma história dantesta de arriscar o coiro, o próprio CDS também tem, ainda que apenas uma tarde no celebérrimo palácio de cristal.
Segundo, os novos políticos são novos apenas na idade, porque nas ideias defendem as mesmas coisas que os seus companheiros de partido mais velhos. Limitando-se a reproduzir os princípios que ouviram e que nem têm capacidade para rebater. O que tem todo o sentido porque se a JS, a JC ou a JSD dissessem alguma coisa que colocasse em causa o partido-pai, este decerto não as promovia como promove. Em política, como na generalidade das coisas, não se ajuda quem nos pode pôr em causa. É assim.
Em conclusão: As novas figuras da política portuguesa que vão surgindo parecem-me ser uma versão mais nova das que vão abandonado a política, mas bastante piores porque os antecessores ao menos passaram pela dureza de fazer política, os mais novos aprenderam a fazer politica em reuniões em hotéis de 5 estrelas. Para esta geração que vai chegando à política o percurso fez-se através de arranjinhos, joguetes insinuações manobras e repetição. Repetição do que os seus pais tiveram o mérito de inventar.
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Em Veneza organiza-se uma rave que não quer incomodar os vizinhos. Por isso, só com auscultadores será possível ouvir a música.
Vantagem, para além da menor poluição sonora, é a possibilidade de escolher a música que se quer ouvir, de entre as propostas de quatro DJs que "actuarão" simultaneamente.
Desvantagem? Será mais difícil comunicar com os outros convivas. Mas, também, depois de três ou quatro pastilhas, quem é que tem vontade de comunicar...
A festa proporcionará, seguramente algumas das melhores imagens filmadas de sempre. Para que o resultado seja ainda melhor a Gabardina propõe que a organização ponha música ambiente. De preferência música clássica, muito tranquila...
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Há momentos assim. Em que sentimos que algo nos é próximo, apesar de não termos provas disso. Foi isso que eu senti quando li pela primeira vez o mercuriocromo. Não sei quem é a joana que o escreve, mas sinto que a conheço. Só que conheço tantas...
Para já, à confiança, e porque gostei do que li, o link vai directamente para a divisão dos amigos. Em breve descobrirei quem é que estou a ler. Tenho a certeza.
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A Blockbuster continua a fazer sondagens a propósito das melhores cenas da história do cinema. Desta vez quis saber quais são as dez melhores cenas de praia. A grande vencedora foi Ursula Andress, em "Licença para matar". Este famoso biquini de Halle Berry teve que se contentar com o segundo lugar. As bond girls sempre em alta...
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"teve uma morte imediata", " já estava preparado", "ao menos não sofreu nada".
Desconfiai sempre que ouvirdes estes comentários. Sempre. Desconfiai ainda mais quando fôreis vós a proferi-los. Ninguém sabe se se morre de repente e ninguém está preparado para morrer. Aqueles comentários nada têm que ver com o morto, mas apenas com o vivo que os profere. Aqueles comentários apenas servem, para que os vivos, à custa do morto, minorem o seu próprio sofrimento. Como se fossem eles próprios mais importantes que o morto que morreu e em nome de quem, dizem sofrer.
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A civilização aprendeu a esconder a morte. A vedá-la para que não extravase para o dia-a-dia. Porque o dia-a-dia, senhores, o dia-a-dia não suporta o olhar de um moribundo. Não há campanha de preços de telemóveis, promoções de supermercado, discursos políticos ou intenções sofisticadas que aguentem o olhar profundo de quem apenas espera. A morte. E os moribundos somos todos pois não há vivo que não morra.
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Na sequência das declarações proferidas por ambos na última semana, e depois de cuidadas investigações, a Gabardina está em condições de assegurar que José António Linhares, Presidente do Sport Comércio e Salgueiros, e Ana Gomes, futura deputada europeia, são uma e a mesma pessoa.
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Às senhoras: Preferiam encontrar os seus homens na cama com outro homem, ou com outra mulher?
Aos homens: Preferiam encontrar as suas senhoras na cama com outra senhora ou com outro homem?
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Que mulher ruim,
jogou minhas coisas fora,
disse que em sua cama eu
não deito mais não
A casa é minha
você que vai embora
já pra saia da sua mãe
e deixa meu colchão
Ela é pro na arte de
pentelhar e aziar
é campeã do mundo
A raiva era tanta
que eu nem reparei
que a lua, diminuia,
A doida
tá me beijando há horas
Disse que se for sem eu
não quer viver mais não,
me diz Deus,
o que é que eu faço agora?
se me olhando desse jeito
ela me tem na mão.
Meu filho aguenta,
quem mandou você gostar
dessa mulher de fases.
Complicada e perfeitinha,
você me apareceu,
era tudo que eu queria
estrela da sorte
Quando a noite ela surgia,
meu bem você cresceu,
meu namoro é na folhinha
Mulher de Fases
Mulher de Fases - Raimundos (a Gabardina aconselha a ir buscar a música ao Kazaa)
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Que dentro de poucos anos a frase "Sócrates não nos deixou obra" terá mais do que um significado em Portugal.
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A RTP noticiou hoje que em Itália se vive a crise da quarta semana. Na quarta semana de cada mês o consumo cai vertiginosamente. Na quarta semana de cada mês a Caritas vê as suas filas de sopa-dos-pobres invadidas por multidões de pessoas da classe média.
Espero que pelo menos o Governo ou as Câmaras Municipais ofereçam aos italianos belos espectáculos de fogo de artifício, como faz a Câmara de Coimbra.
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Coimbra ofereceu aos seus cidadãos, em honra do euro e da Rainha Santa Isabel, grandiosos espectáculos de fogo de artifício. O povo juntou-se à noite ao pé do rio para os ver. Os jornais mostraram as fotografias. O fogo parece ter sido um sucesso.
Mas há uma pergunta que me inquieta. Deve um país que não tem dinheiro para aumentar os salários dos funcionários públicos, um país que não tem dinheiro para fazer subir o salário mínimo de um nível miserável, um país que não tem dinheiro para prevenir incêndios, um país que anualmente vende património para controlar o deficit, oferecer grandes espectáculos de animação às suas populações?
Como se explica que um país que não tem dinheiro para nada gaste (queime, em bom rigor) largas dezenas de milhares de contos num investimento só reprodutivo para a empresa que faz o fogo? Será para dizer "Tomem lá uma coisa bonita! Vocês têm passado momentos tão maus que merecem..." Parece-me demasiado triste...
Em tempos de crise as autoridades públicas têm que estabelecer prioridades. Quem quer festa que a pague, pois as prioridades devem ser as que permitam que todos neste país tenham uma vida digna. Só quando isso estiver garantido devem os dinheiros públicos ser aplicados em festas...
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Quem quer paz não arranja relações, vai para padre.
Posted by at at 13.7.04 1 comments Links to this post
Se havia dúvidas, a subserviência esclareceu-as. Se havia dúvidas quando à convicção que o PSD tinha em relação à legitimidade para formar novo governo após a demissão de Barroso, a posição de subserviência assumida por Pedro Santana Lopes em relação a Sampaio veio esclarece-las.
Pacheco Pereira, único que identificou essa subserviência, esqueceu-se, do meu ponto de vista de levar até ao fim o pensamento. Para mim, só faz sentido que um primeiro-ministro deixe que o presidente ponha e disponha do governo se o próprio primeiro-ministro estiver ele próprio convencido da sua escassa legitimidade. Só um primeiro-ministro que se veja diminuído é que tolera vetos de ministros e recomendações várias.
Santana disse à SIC que considera um "estimulo" trabalhar de perto com o Presidente. Para mim, trata-se de outra coisa. Santana quer associar o presidente à sua governação para daí retirar a legitimidade politica que lhe falta e que ele, mais que minguem sente.
Nota: Uma frase de Santana como a que foi proferida sobre a deslocação dos ministérios provocou mais análises politicas, entrevistas, vox populi e linhas nos jornais que o facto de na entrevista que deu à Sic não ter expressado uma única posição politica de fundo.
Posted by at at 13.7.04 1 comments Links to this post

CAE 6
Há frases assim. Ainda que ouvidas uma só vez parece que ocupam um espaço que sempre lá esteve para elas. Uma, para a qual desde sempre tive espaço, mas que só descobrir quando tinha 13 anos é a "I can read the writing on the wall". A frase é parte de uma música chamada "Kodachrome" do Simon e Garfunkel. Não sei se pela música, se pala frase, se por nenhuma delas, a verdade é que sempre achei que nas paredes estão sempre escritas coisas mais verdadeiras que nos livros. Mais verdadeiras porque percursoras das tendências que só mais tarde serão absorvidas nos livros.
A fotografia que ilustra este post, tirada por um amigo e colocada online por outro, é percursora dos tempos que aí vêem. Serão anunciados mil fogos de artificio e nem um será concretizado.
P.S. Caro leitor: se por acaso tiveste a urgência de trautear a música a que me refiro e se por ventura ides procurar as letras do disco "Central Park" dos músicos citados, pois fá-lo em silêncio. Em nome do bom gosto evita ceder à urgência de catarolar as músicas desse disco. As outras pessoas que te rodeiam devem ser poupadas à tentativa de imitar os agudos do Art Garfunkel e as letras do Paul Simon. Ouve-as e guardas "echoed in the wells of silence". "Fools," said I, "you do not know? basta?.Sile
Posted by at at 12.7.04 1 comments Links to this post
Rasgar os papéis inuteis e deitá-los no caixote do lixo. Organizar e arquivar os que restam. Resolver aquelas três coisas desimportantes há muito adiadas. Pôr todas as canetas dentro do seu rídiculo suporte de plástico. Tirar tudo de cima da mesa e limpar-lhe o pó. Voltar a pôr tudo na mesa, mas no seu devido lugar. Passar para o papel a lista das coisas a fazer na semana seguinte.
Não há maneira mais confortável de terminar a semana.
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Primeiro, coloca-se o precipitado do poder do povo, os deputados, num almofariz médio. Este precipitado, 230 cristais, devem ser separados individualmente com os dedos. A operação deve ser executada com tempo, ponderação e sem recurso a instrumentos metálicos ou abrasivos. Não usar químicos. O processo tem de ser mecânico. Com a base do almofariz assim cheia, deve o aprendiz de feiticeiro, procurar no seu laboratório um pilão de cerâmica. Reduza os cristais a pó, esmagando-os com veemência e convicção politica ou outra.
De seguida, o pó deve ser peneirado numa rede com 2 milímetros. O objectivo é retirar as impurezas que o tempo introduziu nos cristais. Só depois se procederá à dissolução. Para isto uma garrafa de água do luso destilada à temperatura ambiente serve muito bem. O pó é vertido, no recipiente com a água e depois com a ajuda de uma vareta mexido vigorosamente.
No final, a água volta à "corrente do rio que todos dizem que vai forte, mas que ninguém pergunta quem são as margens que a modelam".
Nota: As quantidades ficam a gosto do leitor, porque a essência, caro "leitor desocupado" é sempre o processo. O substantivo é sempre o adjectivo.
Posted by at at 9.7.04 0 comments Links to this post
A diferença entre uma bordoada e uma palmada é que primeira é dada com as costas da mão e a segunda é dada com a palma da mão. O que parece ser uma diferença despicienda tem na verdade muita importância. Na palmada, a mão olha nos olhos da cara, anunciando-se, e permite que a cara se desvie. Na bordoada, não. O estalo, porque é antecedido por um gesto do braço a cruzar o corpo, é facilmente confundível com outro gesto qualquer, e assim quase ninguém o consegue antecipar e evitar.
A palmada dói mais que a bordoada, porque é possível antecipá-la. A bordoada porque nos apanha de surpresa não dói tanto. Fisicamente, pois recuperar de uma bordoada é impossível ou muito dificil.
As bordoadas são-nos dadas por quem nem sequer nos conhece. As palmadas são dadas por quem gosta de nós. Os pais dão palmadas. A vida dá bordoadas.
As palmadas aguentam-se bem: antecipação, dor, ardor e rubor da face.
Nunca ninguém aguentou mais que três bordoadas. Ardor, surpresa e eterno medo.
Posted by at at 8.7.04 0 comments Links to this post
Eu aceito tudo! Eu continuo tudo! Eu viabilizo tudo! Eu prometo estabilidade!
Well the men come in these places
And the men are all the same
You don`t look at their faces
And you don`t ask their names
You don`t think of them as human
You don`t think of them at all
You keep your mind on the money
Keeping your eyes on the wall
I'm your private dancer
A dancer for money
I'll do what you want me to do
I'm your private dancer
A dancer for money
And any old music will do
I want to make a million dollars
I want to live out by the sea
Have a husband and some children
Yeah I guess I want a family
All the men come in these places
And the men are all the same
You don't look at their faces
And you don't ask their names
Deutschmarks or dollars
American Express will do nicely - thank you
Let me loosen up your collar
Tell me do you want to see the shimmy again
Posted by at at 8.7.04 1 comments Links to this post
Depois de meses a lutar contra os sites de alojamento de fotografias, finalmente consegui pôr imagens que não estão on line no blog. Ainda ando a lutar com os formatos, mas é um óptimo começo.
Os meus sinceros agradecimentos ao Hello (clickar no simbolo por baixo das últimas imagens postadas).
Posted by at at 8.7.04 0 comments Links to this post
O Brasil faz fronteira com a Guiana Francesa, com o Suriname, com a Guiana, com a Venezuela, com o Peru, com a Bolívia, com o Paraguai, com a Argentina e com o Uruguai. Para além, disto o Sampaio é um sabotador, e o Portas um senhor. " então acha que eu, presidente de um partido conservador e institucional insultaria um chefe de estado?" Meu petiz, meu doce, meu "pobre país" o que eu acho ou deixo de pensar é-lhe indiferente, pois nunca o perceberia, nem se arrogue: falamos línguas, tempos e modos diferentes.
Posto isto, e porque ainda há violeta, preto, beleza, morte, profundidade e perlimpimpins de loucura no meu monitor, vou sair. Não sem antes resumir numa palavra todo o conhecimento universal, já agora faço isso antes do almoço: circunstâncias.
Posted by at at 7.7.04 0 comments Links to this post
POBRE DE MIM
Ando como um marciano, como um doente
Como um vilão pelas ruas de Roma
Vejo pessoas e cães a passar
E soldados com uma sirene
E sinto, na alma, pena
Tenho vontade de esbofetear
Tenho vontade de mudar de apelido
Ando desde sempre sobre pedaços de vidro
E nunca percebi como
Mas diz-me onde está a tua mão
Diz-me onde está o teu coração
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Não tenho sequer um amigo qualquer
Para tomar um café
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Vê que chuva de água e de folhas
Vê como este Outono é
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Olho em volta e estão todos acima de mim
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim
Vê que chuva de água e de folhas
Que pobre dia este é
Ando como um dissidente, um descarrilado, um desertor
Sem ter sequer um chapéu ou um guarda-chuva para abrir
Com o cérebro algemado
E digo coisas já ditas
E vejo coisas já vistas
Acho os simpáticos antipáticos
E os cómicos põem-me triste
Tenho medo do silêncio
Mas não suporto o rumor
Diz-me onde está a tua voz
Diz-me onde está o teu amor
Pobre de mim, pobre de mim, pobre de mim.
Povero me (de Gregori e Locasciulli)- Tradução Gabardinesca
Posted by at at 6.7.04 0 comments Links to this post
Auto-estrada do norte sentido norte-sul.
Mercedes: CL350 muitos, SL320 bastantes e S600 AMG alguns.
BMW: 320 em barda, M3 mais que cinco, M5 dois, 740 uns bons seis, 820 apenas um, X3 dois e X5 ás dezenas.
Porsche: 911 Carrera bastantes e Cayenne mais de seis.
Volvo: S80 bué, S90 bué mesmo, XC90 alguns.
Volkswagen: Phaeton, dezenas.
Audi: A8 Quattro cinco.
Jaguar: SKR alguns, XJ8 alguns.
Hummer: um.
E não faço a mínima ideia do que é que isto pode significar.
Posted by at at 6.7.04 0 comments Links to this post
Pelo menos segundo o tribunal de Boston.
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A Gabardina já tinha pressentido que "nos edíficios do Governo, bem apertadinhos, ainda cabem mais uns assessores".
O Santana também acha isso:
Santana quer mais ministérios
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RJ 45 é um cabo. Com o posto militar, tem apenas em comum estar no fim da hierarquia. O meu cabo é cor-de-laranja, serve para ligar dois computadores em rede e está sempre no chão. O facto de estar no chão, e de cruzar a casa de um lado ao outro, ou melhor de um computador ao outro, implica ser pisado, entalado, e trilhado várias vezes ao dia. Com estes riscos tão presentes sempre dei a máxima atenção ao cabo. Cuidava ao abrir a porta, evitava calcá-lo e advertia todas as outras pessoas para que não o pisassem. Não sei se alguma vez evitei o seu corte, mas a verdade, é que passou quase 6 meses a ligar dois computadores sem que alguma vez deixasse de funcionar. E posso dizer: esticões, tropeções e entalanços foram ás centenas. O cabo, o RJ 45, resistiu sem perder byte.
Um dia, porém, uma panela decepou-o. Zás. Um corte, uma machadada fatal uma conjugação de leis de improbabilidade, e foi o que bastou para cortar o cabo cor-de-laranja.
No seu percurso de computador a computador, o cabo passa por um quarto, uma cozinha, um corredor e finalmente entra no outro quarto. Na cozinha passa ao lado do escorredor de louça em que estava uma panela. Um dia, enquanto os dois computadores comunicavam, uma rabanada de vento vindo do inferno, empurrou a panela que, para além acertar em cheio no cabo, o traçou com um golpe fundo e fatal. O recipiente metálico caiu na única posição possível, na única direcção possível, à única velocidade possível. Meses de diários tropeções: nada. Um golpe absolutamente improvável: a morte.
Sei - porque ele me telefonou- que o meu RJ 45 pretende pedir explicações a Deus sobre o sucedido. Aconselhei-o -brevemente, pois os telefones de Deus são TMN e eu sou 93- a não perguntar nada, pois só assim pode continuar na ilusão de que Deus sabe alguma coisa.
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Acabei de perceber que no meio de toda esta crise política em Portugal existe uma maravilhosa oportunidade. Por que não aproveitar este momento de indecisão, estes dois anitos que aqui temos perdidos até às próximas eleições, para fazer uma experiência que há muito tempo largo número de portugueses reclamam: entregar a direcção do país a Espanha e a José Luis Zapatero?
Claro que isto teria que ser feito com toda a segurança. Portugal manteria o seu próprio Presidente e teria, junto do governo espanhol um ministro da República Portuguesa (quem melhor que Marques Mendes para desempenhar esse papel?). Neste momento é esta, sem dúvida, a melhor saída. Assim os espanhóis nos queiram aceitar...
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A Gabardina já a tinha apresentado. Agora ganhou Wimbledon. O ténis feminino está muito mais interessante.

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Hoje é o dia em que somos obrigados a pensar que o próximo primeiro-ministro de Portugal será Ferro Rodrigues ou Santana Lopes.
Depois do turbilhão de alegria que nos foram proporcionando ora a selecção nacional, ora a partida do Zé Barroso, teremos que cair em nós...
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O patinho feio é uma história que faz parte do meu imaginário infantil. Lembro-me sempre de uma versão que costumava passar na RTP, em que o dito era preto, ao contrário dos seus irmãos, todos amarelinhos como qualquer bom patinho bebé. E para além do mais não sabia nadar.
Mais tarde o conceito voltou a entrar pelo écran na minha televisão através do MacGyver. Um dos episódios de que melhor me lembro é um em que o herói precisava de descobrir a password do computador de uma adolescente para evitar um dos habituais desastres. Depois de várias tentativas e apercebendo-se que a rapariga tinha uma baixíssima auto-estima, experimentou "ugly duckling" como password, e scharan! access granted!

Hoje ao almoço alguém me perguntou se eu sou um patinho feio. Acho que sim. Acho que isso é muito útil. É sempre mais fácil atirar para o aspecto exterior os nossos fracassos. É sempre reconfortante imputar à fealdade o que vai correndo mal e dar às vitórias o peso acrescido do "apesar de...". Sim, sou um patinho feio. Aliás, dando uma volta pela blogosfera não é difícil perceber que muitos bloggers o são. Os psicólogos devem ter uma explicação para isso...
Posted by at at 2.7.04 2 comments Links to this post
Eu é que sou o verdadeiro presidente da junta! Desculpem, treinador da selecção.
Portugal, desde a derrota inicial, que se transformou como por obra e graça do Espírito Santo, numa equipa fortíssima, compacta, crente e com automatismos e rotinas que penso conhecer de algum lado.
José Mourinho
Sem mais comentários...
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De repente o PSD percebeu que se for agora a votos será esmagado. E assim o homem mais odiado de sempre dentro do partido, Pedro Santana Lopes, consegue gerar à sua volta um consenso impensável para quem viu congressos dos laranjas nos últimos anos. Marques Mendes cala-se; a Ferreira Leite pede desculpa pelo que disse; os outros potenciais candidatos escondem-se convenientemente. E a campanha subterrânea e caciqueira começa. Aos mais "esclarecidos" acena-se com o terror dos "extremistas" do Bloco irem para o Governo. Ao povo em geral fala-se do fantasma da instabilidade. Aos mais pobres dá-se a entender que com Santana haverá um festim de notas a cair do céu, porque é o estilo dele. Nos programas de antena aberta das rádios, os serviçais do costume insinuam que o Presidente da República fará um favor ao PS, convocando eleições antecipadas, pressionando-o a fazer o contrário. É que ainda há laranjas sem emprego. Poucos, mas há. E nos edíficios do Governo, bem apertadinhos, ainda cabem mais uns assessores. Estes dois anitos vinham mesmo a calhar.
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Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Jorge Palma
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A resposta que segue foi dada no último episódio da série "Anjos na América". Porque a não consigo transcrever "ipis verbis" passo a reproduzi-la como me ficou na memória. Assim, como um trecho de um texto que parece ocupar o espaço que tínhamos preparado exactamente para ele e que não servira até ali para nada.
Deus abre-nos o corpo, do queixo aos pés, cortando-nos a pele apenas com um lasquinha da sua unha. Depois mete as mãos bem fundo nas nossas entranhas, aperta-as com força para que não escorreguem e misturando-as enreda-as umas nas outras. Pára. Atira as tripas de volta para dentro do buraco vazio do nosso corpo e manda-nos outra vez para mundo. A pele, somos nós que a temos de voltar a coser.
È assim que as pessoas mudam.
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"The Portuguese prime minister's qualification [is that] nobody minds him too much"
Slovakia's Pravda, citado pela BBC
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