quarta-feira, março 31, 2004

imagina-se

Contra os preconceitos lutou esta semana Vasco Rato. Este homem de palavra, afirmou há uns meses que se passearia nu no Rossio se não fossem encontradas armas de destruição massiva no Iraque. Esta semana, este homem que apenas ia honrar a palavra dada, foi detido pela polícia quando se despia na casa de banho da pastelaria Suiça.

Vasco Rato preparava-se para fazer o percurso: nata na Suiça, ginginha na Sem Rival, cigarros no Travassos e abafadinho no Nicola, nuinho da silva. A policia deteve-o a tempo, e foi assim como veio ao mundo, que o levaram para o Tribunal de Instrução Criminal onde também estava detido Zé Cabra por atentado ao pudor publico.

Às vezes

Durão está fora. Ferro mantem-se calado. Sampaio saiu em viagem oficial e levou consigo sete ministros. O PS tenta não levantar ondas para que não seja dado grande destaque ao testemunho de Ferro no processo Casa Pia. O Portas diverte-se a comprar aviões. A Manuela anda atrapalhada com o fecho de contas. A RTP só passa imagens de há 30 anos. A SIC e a TVI dão as suas telenovelas e, à falta de melhor, imagens em directo dos acidentes mais sangrentos das estradas portuguesas. Apesar de não haver sol, não chove demasiado...

Às vezes, muito raramente, Portugal é um Paraíso.

terça-feira, março 30, 2004

Há uma esquerda

O Daniel Oliveira revolta-se contra o "apelo" de Saramago ao voto em branco, que segundo ele, "é legítimo mas nada constrói", que é a "rendição final de uma geração de esquerda, uma "velha esquerda", "rancorosa e cansada, de todos os partidos" (parece-me que tudo teria mais sentido sem esta última vírgula, mas vou acreditar que ela não está lá por acaso).

O Daniel fica ainda contente por Marcelo Rebelo de Sousa ter criticado esta ideia de Saramago, considerando-a uma desistência e a entrega da vitória à direita.

Pois a mim o voto massivo em branco parece-me uma excelente ideia. Talvez o único abanão que ainda é possível dar por vias normais nesta sociedade. E também me parece que a característica principal da esquerda que apela ao voto em branco não é ser velha, nem rancorosa, nem cansada, mas sim descomprometida, sem nada a perder.

E entristece-me essa outra esquerda. Jovem, comprometida, de olho no tacho e no futuro político, sem ideais, sem utopia, algemada pelo "tinha que vir este gajo, agora que estamos a dois anos de chegar ao poder..."

Regresso

Da dupla Lomba e Mexia, desta vez na companhia de Francisco José viegas.
Fora do Mundo, já com link na coluna da direita.

Em Portugal não precisamos de Ariel para lavar

Ministério Público israelita diz ter provas para levar Sharon a julgamento.
Segundo a acusação, o empresário terá subornado Gilad Sharon em 1999, pagando-lhe grandes somas em dinheiro para ele interceder junto do pai, à data ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Benjamin Netanyahu, para que este convencesse as autoridades gregas a aprovarem a construção de uma instância turística numa ilha desabitada do mar Egeu, a 40 quilómetros de Atenas.

Sharon terá também obtido a ajuda do empresário nas primárias do Likud, partido em que Apel exerce grande influência e conta com o apoio de dezenas de membros do Comité Executivo.


Felizmente, em Portugal estas coisas só acontecem na Gabardina...

bora, cumprir o que prometemos, boa?

Um dia Portugal teve uma ideia. Organizar um campeonato de futebol. Os governantes chamaram o homem mais credível de Portugal: Calos Cruz e responsabilizaram-no pela candidatura do País a esse prestigioso evento: o euro 2004. Portugal foi o escolhido. “Que bom!” O País em coro regozijou-se.
Então os policias, os taxistas, os médicos, os juízes, os advogados, os camionistas e os funcionários em geral aperceberam que vão ter de trabalhar a dobrar nesses dias. E aperceberam-se de mais, descobriram que por detrás da expressão: “ o Euro é bom para Portugal”, não está nenhuma vantagem concreta para quem, de facto, vai garantir que o evento se realize. E as ameaças começaram: “durante o Euro, não trabalhamos”.
Mas logo a reacção: “ o Euro é um desígnio nacional, que ninguém se atreva a dificulta-lo”. Mas que fazer? - pensam os trabalhadores do Euro. Pois, não recuar é a única hipótese. Se o S.E.F ameaça que não vai controlar as entradas, pois que não controle. Se os médicos acusam o governo de não cumprir a palavra, pois que cumpram eles a deles e não trabalhem horas extraordinárias..

Jornalismo, verdade, lobbies, ética, fontes, arrogância

Ontem, no programa Prós e Contras da RTP, José Manuel Fernandes, director do Público, disse a dado momento qualquer coisa com o seguinte sentido (posição que tinha, aliás, já sido assumida por José Victor Malheiros numa das suas crónicas semanais, em que defendia que o jornalista não pode ser um mensageiro):

Os jornalistas não podem continuar a escrever tudo o que lhes contam. Têm que confirmar se as histórias são verdadeiras antes de as publicarem. O que se verifica hoje é que os jornalistas, em vez se seguirem esta via difícil, escolhem o caminho mais fácil, publicando notícias que só interessam aos lobbies.

Isto na mesma semana em que a provedora do Diário de Notícias se despediu das suas funções com um texto muito crítico, de que destaco as seguintes frases:

Ao longo deste período, o DN não deixou, contudo, de seguir algumas das tendências que marcam, negativamente, o jornalismo dos nossos dias. Uma das mais constantes é a utilização de fontes não identificadas na cobertura da actividade política, que não é mais do que uma forma de camuflar a dependência de fontes oficiais. Essa prática, que não é exclusiva do DN, reduz a política à intriga e à luta entre actores sem rosto, descredibilizando a democracia. Viria a estender-se ao campo da justiça, atingindo a sua expressão mais promíscua na cobertura do processo Casa Pia, levando o jornalismo a um grau de instrumentalização sem precedentes. Contudo, esse jornalismo menor conviveu, lado a lado, no DN, com excelentes trabalhos realizados em áreas menos «visíveis» mas não menos importantes. Foi, sobretudo, nos temas da Sociedade, da Cultura e da Ciência que o DN afirmou melhor a capacidade de levar a cabo um jornalismo voltado para os cidadãos, não obstante esses temas nem sempre terem merecido o tempo (de investigação) e o espaço que o seu interesse justificava.

Os jornalistas do DN foram também, a par dos leitores, protagonistas desta coluna. Mantiveram, face às análises, críticas e sugestões da provedora, um distanciamento cordato, com raríssimas excepções. A provedora nem sempre dispôs da sua colaboração na explicação dos casos que eram objecto de análise e crítica. Ultimamente, as respostas foram escasseando até quase desaparecerem. Mas, quando a voz dos jornalistas se fez ouvir foi sempre esclarecedora, não obstante algumas vezes menos convincente, displicente ou arrogante. Raramente os jornalistas do DN e as suas chefias reconheceram que as suas decisões podiam não ser as mais adequadas e, ainda menos, assumiram que tivessem errado.


Assim vão os dois diários "de referência" em Portugal.

E tu, no entanto, continuas calado

Disseste que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira

segunda-feira, março 29, 2004

Normal

Esta semana no campeonato português:

O Sporting ganhou ao Paços de Ferreira, 1-0, com um golo de Liedson, nos últimos minutos, em posição de fora-de-jogo.

O Porto ganhou ao Moreirense, 1-0, com uma golo de Alberto, no último minuto, na marcação de um livre que puniu uma falta que não existiu.

Depois da inebriante semana europeia, continua tudo calmo e normal no futebol português.

A short guide to comparative religions

Taoism - Shit happens
Buddhism - If shit happens, it's not really shit
Islam - If shit happens, it's the will of Allah
Protestantism - Shit happens because you don't work enough
Judaism - Why does this shit always happen to us?
Hinduism - This shit happened before
Catholicism - Shit happens because you're bad
Hare Krishna - Shit happens rama rama
TV evangelism - Send more shit
Atheism - No shit
Jehovah's Witness - Knock knock shit happens
Hedonism - There's nothing like a good shit happening
Christian science - Shit happens in your mind
Agnosticism - Maybe shit happens, maybe it doesn't
Existencialism - What is shit anyway
Stoicism - This shit doesn't bother me
Rastafarianism - Let's smoke this shit

(recebido por e-mail)

Pesquisas google que dão entrada na Gabardina

Aqui vão duas das mais divertidas:

casais swing portugual lisboa
(Nota: a Gabardina é o único site no Mundo indicado pelo Google para esta pesquisa: agradecemos às Associação de Pais de Lisboa pela gralha no comunicado de que fizemos copy paste.)

homens muito peludos

E tudo o vento sujou

Quero aproveitar este espaço público para expressar o meu agradecimento a quem mandou instalar, no meu quarto de banho do trabalho, um potente secador de mãos na parede ao lado do urinol.

O aparelho funciona na perfeição: assim que me aproximo daquele engenhoso pedaço de louça sanitária, pronto a libertar a minha bexiga, o meu ombro fica convenientemente colocado debaixo do secador - o que faz disparar automaticamente um forte vento - no preciso momento em que eu tenho por tarefa principal acertar com o jacto num orifício com 20 cms quadrados.

Quem lê pode pensar que isto é contraproducente. Mas não. Este novo factor introduzido na minha vida apenas torna o momento de ir ao quarto de banho mais emocionante. Um desafio. Claro que daqui a trinta e tal anos, quando os problemas na próstata baterem à porta, o secador não terá qualquer importância ou influência. Mas, para já, fica o agradecimento. Que aborrecidas seriam as nossas vidas sem estes aparelhos geniais…

sexta-feira, março 26, 2004

Rir ou Chorar?

Declarações exaltadas de um habitante de Castelo de Paiva, ontem, a uma rádio nacional, após a decisão judicial de arquivar o processo:

-Isto é uma vergonha! Toda a gente sabe que a culpa foi dos areeiros, que faziam donativos às autarquias da região para que não fossem denunciadas as suas extracções ilegais. Eu próprio fui autarca de uma Junta de Freguesia de aqui perto e recebemos, na altura, 22.500 contos desses senhores. E agora dizem que não há culpados? Ninguém é condenado? Uma vergonha, é o que isto é!!!

quinta-feira, março 25, 2004

CE 1 - Microsoft 0

Parece que o poder de Bill Gates e amigos não chega à Comissão Europeia. E só no que respeita à inclusão do Media Player no "pacote" de todos os Windows a MS foi penalizada com 497 milhões de euros de multa (a mais elevada de sempre aplicada a uma empresa pela Comissão), com a obrigatoriedade de fornecer uma versão do Windows sem o referido programa e de permitir a compatibilização atempada das tecnologias de outros fornecedores de software com o Windows...



Esperemos que os Tribunais da Comunidade não alterem a decisão e não nos esqueçamos que até há pouco tempo a maior multa da Comissão a uma empresa tinha sido aplicada a um fabricante de automóveis que se recusou a vender, em determinado estado membro - Itália, se não me falha a memória - um veículo a um residente de outro estado membro, e nem por isso é hoje mais fácil ir comprar um carro a Badajoz...

Citação

As sondagens são como os biquinis: o que mostram é importante, o que escondem é fundamental.

Aníbal Cavaco Silva, numa sessão de esclarecimento no Teatro Paulo Quintela, em Coimbra, na campanha para as presidenciais de 96.

Swingers

Nessa televisão que é a T.V.I houve há uns tempos a bela da reportagem, sobre casais que combinavam encontros para trocarem de parceiro. Esta prática, apelidada de “swinging” foi apresentada ao povo dependente da T.v.I como uma estranheza, raridade e maluquice da vanguarda urbana.
Na altura pensei que, para se ser “swinger” aos 39 era necessário casar aos 25. Antevendo já, as vozes da consciência de muitos amigos, daqui, a uns anos, decidi fundamentar esta prática de trocas entre casais nas mais altas esferas da politica.
Se atentarmos nas fotografias protocolares de tiradas a dois chefes de estado, reparamos que as mulheres estão trocadas. Aznar, mulher do tony e blair , (mulher do aznar). É sempre assim. O swing é uma prática diplomática que não só beneficia as relações entre estados como entre casais. Fundamentada a prática, adeus. Amanhã, será fundamentada a zoofilia. Para que os seus amantes percam de vez a vergonha e se possam unir com cavalos, e em associações cívicas.

E sei ainda que não posso conciliar estas duas certezas, o meu apetite de absoluto e de unidade e a irredutibilidade deste mundo a um princípio racional e razoável.

Albert Camus

Blog Gabardina, signo caranguejo

Nasci a 28 de Junho. Por isso, a partir de hoje apresento-me assim:
-Gabardina, caranguejo.

Nunca acreditei nos signos. Sempre achei delicioso ler os horóscopos de jornais e revistas, partindo já do princípio que tudo o que lá estava escrito era uma treta. Lembro-me até que há meia dúzia de anos, quando tive, com uns amigos, um projecto para fazer um jornal (projecto que, por falta de fundos, acabou por nos trazer até esta Gabardina, signo caranguejo), uma das ideias que mais nos fascinava era o podermos inventar, a cada edição, os horóscopos. Tenho aliás a convicção, não desmentida pelos jornalistas que conheço, de que muitos dos jornais sérios e mais vendidos da nossa praça fazem o mesmo…

Mas o ponto deste texto não é esse. O ponto é que recentemente me surgiu um entrave a esta convicção. Descobri que quase todas as raparigas/mulheres por quem estive apaixonado ao longo dos vinte e sete anos que levo deste mundo, e com quem tive relações mais ou menos conflituosas, são do mesmo signo. Para além de outras características comuns, que para aqui não são chamadas.

E estou agora aqui entalado, enquanto escrevo este texto, entre estas duas realidades: o meu total desprezo pelos horóscopos e minha absoluta recusa em acreditar em coincidências.

O que me leva a uma frase de Camus, que me foi citada, aliás, por uma por uma das referidas raparigas, que me tem acompanhado ao longo dos últimos anos e que acho que merece um post autónomo. A ler no post seguinte.

quarta-feira, março 24, 2004


Oh, Mary, this London's a wonderful sight
With people here working by day and by night
They don't sow potatoes nor barley nor wheat
But there's gangs of them diggin' for gold in the street


(Don Mclean, Mountains of Mourne)

Os pais de Lisboa

Depois de Vasco Rato ter prometido que se passearia nu no rossio se não fossem encontradas armas de destruição massiva no Iraque, e de se saber por uma fonte anónima, de que a palavra dada ira ser cumprida hoje – dia da visita de Toni Blur – a Portugal, ou melhor a Lisboa, queria dar voz ao manifesto chegado à “ redacção” (ou mail para os mais provincianos) da gabardina.

OS PAIS DE LISBOA QUEREM DENUNCIAR O QUE ENTENDEM SER UM GRAVE ATENTADO AO PUDOR DAS NOSSAS MULHERES E FILHOS. AS NOSSAS ESPOSAS E MÃES DEPOIS DE SABEREM QUE O DITO SENHOR SE IA PASSEAR NU NO ROSSIO NUNCA MAIS FORAM AS MESMAS: ESQUERCERAM OS FILHOS, OS TACHOS E OS MARIDOS. ESTE NU PÕE EM CAUSA A SUBSISTÊNCIA DA FAMILIA PORTUGUESA. APELAMOAS ÁS AUTORIDADES PARA QUE EM NOME DAS FUTURAS GERAÇÕES DE PORTUGUAL IMPEÇAM ESSE SENHOR DE EXIBIR AS SUAS PENDÊNCIAS EM PLENO ROSSIO. POIS PARA ISSO JÁ BASTA AS DONDOCAS DA SUIÇA.

Ass: Pais de Lisboa