terça-feira, julho 22, 2003

Só uma pergunta

Não haverá ninguém capaz de suicidar o Bush, o Blair e, já agora, o Aznar e o Durão?

Viva Portugal!!!

Cadeias de droga

Ontem, o Diário de Noticias noticiava que vai aumentar a repressão contra o consumo de droga. Qualquer uma. Excepto: o alcool, os anti-depressivos e o tabaco; isto é só escapam á repressão as drogas que o estado controla e com as quais ganha dinheiro. Apesar disto, até pode ser que o aumento da repressão diminua os consumos, veja-se o caso das prisões. Sitio mais vigiado não há, os guardas podem fazer revistas sempre que quiserem e as visitas são controladas. A prova que o sistema repressivo funciona na prevenção do consumo das droga são as prisões, pois toda a gente sabe que nas cadeias portuguesas não entra droga alguma.

Multar peregrinos

Em Faro, a policia decidiu fazer cumprir o código da estrada. Espero que esse exemplo faça carreira noutros eventos que juntem muitas pessoas. Nomeadamente nas peregrinações a Fátima. A bem da prevenção rodoviária é fundamental que os peregrinos sejam multados se não andarem de casaco reflector, que os carros de apoio aos peregrinos sejam multados por estacionarem na berma da estrada e que a própria cruz vermelha seja multada por instalar tendas de apoio médico junto à estrada. Depois há o estacionamento no próprio santuário, é que, se em Faro a policia multou motas por estarem mal estacionadas como manda o código da estrada, em Fátima deve fazer o mesmo, aliás multar os carros mal estacionados e como manda a lei rebocá-los para o parque da policia mais próximo, que no caso deve ser Leiria. Faz sentido que as leis se apliquem do mesmo modo a todos não faz?

domingo, julho 20, 2003

Huelva 2004

Para o ano o motoclube de Faro devia organizar a concentração em Huelva. Pode ser que ali não proibam as pessoas de estarem paradas a ver as motas, que sejam mais tolerantes com os capacetes e que queiram que 40 mil pessoas gastem num fim de semana aquilo que ganham num mês. Esta intolerância da G.N.R e a da P.S.P deve-se ao facto de os próprios governantes andarem irritados, pois querem pôr os Portugueses na linha, apertar-lhes o cinto, impor-lhes esforços patrióticos e estes já os deixaram de ouvir e estão quase a deixar de obedecer. Um novo bloqueio da ponte será apenas uma questão de pretexto.

sábado, julho 19, 2003

The real thing

A cidade de Faro está um sitio para os meninos de coro passearem as suas motitas. Todos usam capacete, levam no máximo 2 pessoas, não sacam cavaladas e até nem arriscam passagens tangentes ao público que os observa. Na ilha de Faro, porém tudo é diferente. A loucura que falta á cidade de Faro está concentrada em 20 metros entre o Camané e o fim da ilha. Ontem, à noite nesses 20 metros aconteceu tudo o que normalmente está disperso pela área urbana de Faro, foi "la creme de la creme" da concentração: motas destruidas, radiadores a explodirem, pneus a rebentarem, fumo e muito barulho. Enfim, o normal destas coisas.
Hoje à noite para além de se repetirem essas loucuras, haverá também confrontos com a policia. É que com a crise os irmãos pinto deixaram os camiões e compraram CBR´s 900rr.

sexta-feira, julho 18, 2003

Faro I

O blog gabardina patrocinou a ida a Faro de um dos seus regulares colaboradores. O objectivo é saber como está este ano a maior concentração de motas do país e avaliar até que ponto a tão falada crise económica se reflete numa coisa tão inutil como uma concentração de motas. O relato do repórter fala por si mesmo..." Faro, não tem metade das pessoas que customava ter, tem um enorme dispositivo policial e não se pode andar de mota sem capacete. Faro, passou de um holocausto suicida para o parque de estacionamento da banda de Santo Amaro de Oeiras..." Não há arranques porque se gasta muita gasolina, não há burn-outs porque os pneus estão caros, não há éguas porque as pastilhas para os travões andam pela hora da morte. Os motards não têm dinheiro para torrarem e Faro ainda não teve festa.

Comissões de Coordenação Partidária?

As Comissões de Coordenação Regional vão mudar de nome e de Presidentes. Já não era sem tempo! Estas instituições estão completamente paradas há cerca de um ano, com centenas de técnicos superiores que passam os dias sem fazer nada.
Os novos presidentes deveriam ser nomeados pelo Governo a partir de uma lista de três nomes indicados por grupos de personalidades regionais entre os quais se incluem os Presidentes de Câmaras.
Na região centro, no entanto, há quase um ano que se sabe que o novo presidente será Paulo Pereira Coelho, um homem do aparelho partidário social democrata, que começou já, há alguns meses, a adaptar a sua vida pessoal e profissional para poder assumir este cargo.
Quando é que acaba esta pouca vergonha? Quando é que os partidos no poder começam a respeitar a democracia?
Será que os bloggers mais ligados a este governo querem tomar alguma posição a este respeito?

terça-feira, julho 15, 2003

Herman Freak Show Sic

Pacheco Pereira, no Abrupto, chama a atenção para “a vergonha da exploração de um jovem atrasado mental no Herman Sic”. Eu confesso que não vi. Desde que vi, há umas semanas atrás, um senhor a ser gozado, por uma atrasada mental mal-educada chamada Paula Bobone, porque queria fazer um principado no Algarve, tomei a decisão de não mais ver programas desse senhor. Está cada vez com menos piada e cada vez mais abichanado. Não há paciência!
E é pena, porque eu era verdadeiramente apaixonado por programas como o Casino Royale, O Tal Canal ou Hermanias.
Neste momento acho que a solução não é falar do assunto, a solução é não ver o programa. A bem da dignidade dos que lá vão para ser gozados e a bem da nossa sanidade mental.

"levante-se o réu"

"levanta-te tu meu filho da puta"-esta é uma das frases do filme A comédia de Deus de João César Monteiro que é dita por João de Deus a um juiz de direito que encontra o protagonista deitado no banco dos réus. Porque será que ninguém pode estar deitado no banco do réu? A resposta encontra-se numa outra pergunta? o que é um julgamento? um julgamento é antes de tudo um ritual de degradação pública para o arguido. Este é obrigado a estar de pé enquanto lhe é lida a acusação enquanto todos as outras pessoas na sala estão sentadas, o arguido fala de frente para um juiz que para além de estar escudado por um traje negro, barrica-se por detrás de uma enorme secretária posta a um nível superior do resto da sala. Se o ritual judiciário reserva ao arguido este papel pouco digno, às testemunhas está reservado o papel de criança. Na verdade, toda o modo encenado para fazer entrar uma testemunha dentro de uma sala de audiência serve para a infantilizar. A testemunha porque na maioria das vezes nunca foi a nenhum julgamento, vai à medida que entra, perguntando ao juiz ou ao funcionário onde deve sentar e por onde deve entrar. A todas as testemunhas que entram pela primeira vez numa sala de audiência o sistema reservou o papel de crianças perdidas num labirinto a pedir indicações ao minotauro.
Hoje acaba o ano judicial. Muitos vão apelar a reformas para tornar a justiça mais justa. Pois sim, enquanto a matriz foi aquela que descrevi não é suposto que haja justiça mais justa. Por isso, a melhor resposta ao imperativo: levante-se o arguido. Deve ser....

segunda-feira, julho 14, 2003

Diplomas para todos!!!

A Universidade Autónoma tem uma nova campanha de publicidade: "Deixou o seu curso a meio? Venha ter connosco e nós vendemos-lhe o diploma!"
De uma vez por todas, ou há um bocadinho de moralidade no ensino superior em Portugal, ou o melhor é atribuírmos um doutoramento (e o respectivo título público, claro) a todas as crianças que nascem!!! É mais fácil, mais barato, e muito mais justo.

Pinto da Costa, oooolé!

Pinto da Costa disse hoje a seguinte frase: “… sobre isso já foi dita tanta mentira e tanta estupidez que já não preciso de acrescentar mais nada.”
Saúdo a consciência do homem. O seu discurso é estúpido e mentiroso, mas pelo menos ele tem consciência disso…

Compramos un coche?

O Público noticia hoje que serão harmonizados os preços-base dos automóveis na Comunidade Europeia. O facto não é novo e é inevitável. Nas condições actuais, esta medida representaria um significativo aumento dos preços para os consumidores (para o caso de um carro de gama média, de muitas centenas de euros), devido ao facto de o preço dos automóveis antes de impostos, ser, em Portugal, mais baixo do que a média comunitária.
Mas esta medida deverá ser acompanhada de uma efectiva abertura territorial do mercado europeu, permitindo que qualquer português vá a Badajoz e compre um carro ao mesmo preço do que os espanhóis, que, por sinal, os compram hoje muito mais barato que nós. Ou que o vá comprar à Suécia ou à Grécia, pagando os impostos no país da compra, como acontece, aliás, quando se compra um iogurte ou um fato noutro país, mesmo que se coma ou vista, respectivamente, em Portugal.
Se assim for, ninguém mais comprará carros em Portugal, até que o governo baixe o nível dos impostos para o mesmo valor dos espanhóis. Acabará, assim, um longo período em que os governos portugueses tributaram de forma inadmissível quem compra um carro.
Se assim não for, a situação será escandalosa.
A responsabilidade de fazer acontecer esta abertura total é da recém-criada Autoridade da Concorrência. Esperemos que esta esteja atenta e operacional e que o Governo não caia na tentação de tentar adiar esta medida o mais possível, de forma a garantir ainda mais alguns meses de receitas ao nível actual.

Os fillhos da pauta.

Clara Ferreira Alves escreveu esta semana na sua crónica na revista do Expresso sobre os tempos em que cursou direito em Coimbra. Duas notas despertaram a minha atenção nessa crónica: o excesso nas drogas e um conservadorismo da maioria dos alunos. Hoje os filhos da pauta, se por um lado multiplicaram o consumo de drogas (especialmente do alcool) por outro, são em geral bastante mais conservadores do que quando a cronista lá estudava. A que se deve este conservadorismo? A principal razão será sempre a democratização do ensino universitário. Mas há outra, e essa parece-me ser a percepção de que hoje em dia os recursos são bastante escassos e que é necessário que cada um se safe o melhor que puder. Esfuma-se assim a ,ainda que mitica, solidariedade social dos estudantes universitários. Esta reflexão serve apenas para me dirigir àqueles que ainda vêem a universidade como um cadinho onde podem germinar ideias e propostas úteis para a colectividade, e que não comprendem que hoje os estudantes universitários não tomem posições sobre outros assuntos que não os seus próprios. A consciência social dos estudantes universitários foi comida como um amendoim: primeiro secou ao medo do desemprego e depois foi bebida com cerveja.

Desejo

Belo post de Luís Camilo Alves no Desejo Casar. Chama-se Desejo Amor. Leiam!

quinta-feira, julho 10, 2003

Portugal é o Pipi, o resto é paisagem

A gabardina já afirmou que o país está parado.
O único fenómeno que ainda faz mexer as populações (pelo menos aquelas com que eu contacto) é o Pipi.
De manhã, quando chego ao trabalho, a primeira coisa que ouço é: Já viste o post do Pipi?
Ao almoço telefono a alguém e: Estou chateada! O Pipi ainda não escreveu hoje!
De vez em quando abro um e-mail que traz, quase invariavelmente, uma citação do Pipi.
À noite, a tomar café com os amigos, discute-se o Pipi. Há os que gostam e os que não gostam. A ninguém é indiferente.
Tenho, até, amigos fanáticos dos arquivos do Pipi.
Eu, por mim, como já disse, não passo sem a minha Pipizada diária. E tenho até um palpite quanto ao seu autor: Rui Zink. Porque encaixa (o que, já dizia o outro, faz mal eee à sida) perfeitamente no perfil.
Seja quem fores, caro Pipi, só tenho uma coisa para te dizer: Continua a escrever, seu roto do caralho! Portugal precisa de ti!

O Lula não consegue

Lula da Silva está em Portugal. Gosto do estilo do homem: directo, frontal, ainda um pouco genuíno, apesar do fato e gravata, da barba aparada, tal como as maneiras.
O problema do Brasil não é o seu Presidente. O problema do Brasil é que nenhum presidente seria solução.
Num país em que 1% da população anda de Ferrari e os outros 99% são remediados ou passam fome, e em que uma larga maioria da população não teve e não tem acesso à educação, não pode haver uma solução política.
Os problemas do Brasil só se resolverão, em menos de um século, se os 99% descerem à cidade e cortarem o pescoço aos restantes. Não é bonito, não me agrada, não o defendo, mas também não consigo dizer que é injusto.
Talvez a única solução para o Brasil seja começar de novo.

Buuu!! (É só o jornal nacional)

A melhor forma de se avaliar um canal de televisão generalista é apartir da sua informação. Descobrir qual a característica essencial das reportagens jornalisticas é conchecer o âmago de um canal. Fazendo esta análise à T.V.I descobrimos algo que é comum a um certo tipo de canais. A essência da informação da T.V.I é o medo. Todas as peças são feitas de um modo que quem as vê fica com a sensação de que está rodeado de velhinhos tarados, de adultos ladrões de jovens drogados e de crianças a sobreviver a doenças intratáveis. A frequência diária destes casos faz com que os espectadores se considerem uns sortudos por não terem um filho que não pode ver a luz solar, ou não terem uma coluna vertebral bífida ou ainda não terem sido nos últimos anos assaltados na rua. Os espectadores ficam assim numa sensação de angústia existencial, causada pela percepção de que o mundo fora das suas casinha é um caos incontrolável e violento, e que por vezes mesmo dentro de casa não se está seguro pois há os acidentes domésticos, a queda de paredes e até a provável queda de um cometa no telhado. O medo, sentimento que está na genética dos seres humanos, é manipulado por forma a que as pessoas, tudo receando, fiquem no sitio mais seguro que conhecem: à frente da televisão.

quarta-feira, julho 09, 2003

Os gestores mais competentes não têm dentes.

"Portugal tem de ser competitivo", este é o imperativo categórico que todos os dias é anunciado pelos dirigentes deste País. Como tornar Portugal competitivo é, portanto, a questão que deve preocupar todos os Portugueses. Assim aqui fica a minha singela proposta. Para que um país seja competitivo é necessário que a sua economia crie riqueza ou acrescente valor à cadeia das transmissões económicas. Ora, a minha proposta é pegar nos Portugueses que criam mais valor e dar-lhes os lugares de decisão do país. E quem são estes gestores que vão salvar Portugal da eterna cauda da Europa. Bem, são as pessoas que trabalham todos os dias, não têm férias, nunca pensaram em fazer greves, e não vão a Sevilha ver a bola. São os indivíduos que todos os dias do ano, sem excepção, criam sem quaisquer meio de produção 250 Euros.Se do zero absoluto partem e do zero criam todos os dias este valor, qual seria valor que criariam se tivessem um café, uma empresa ou como proponho este pais. Falo dos toxicodependentes, essas verdadeiras máquinas de fazer dinheiro diário, verdadeiras capas de revistas de gestão, os novos gurus dos gestores Portugueses.
PS: Ontem disse que os incidentes entre a Itália e outros Países da União se iam repetir. Foi preciso esperar apenas 24 horas para descobrir que o ministro do turismo Italiano disse que os turistas da Alemanha deviam fazer testes de inteligência. A reacção alemã foi imediata: o chanceler Alemão só vai a Itália passar férias se obtiver um pedido de desculpas.

terça-feira, julho 08, 2003

Subdesenvolvimento humano

Saiu hoje o relatório anual das Nações Unidas que compara o nível de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos diferentes países. O IDH, que tem em conta a esperança média de vida, o Produto Interno, a taxa de alfabetização e a taxa de frequência escolar de cada país, é hoje a medida mais correcta da qualidade de vida relativa no mundo. É, digamos, uma verdadeira ordenação dos países com base no seu nível de desenvolvimento e de bem-estar das populações.
Ainda não consegui ter acesso ao ranking, mas sei já que Portugal está “classificado” num mediano 23.º lugar. As contas não são difíceis de fazer: 14 estados comunitários, EUA, Canadá, Noruega, Suíça, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Islândia deverão estar à nossa frente. Eventualmente estaremos à frente da Grécia e atrás de Hong Kong. Já todos o sabíamos.
Somos, cada vez mais, o mais pobre, ignorante e injusto dos ricos e poderosos.